{"id":1091,"date":"2015-08-21T23:42:49","date_gmt":"2015-08-22T02:42:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1091"},"modified":"2015-08-21T23:42:56","modified_gmt":"2015-08-22T02:42:56","slug":"maximas-e-minimas-do-barao-de-itarare","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/08\/21\/maximas-e-minimas-do-barao-de-itarare\/","title":{"rendered":"M\u00c1XIMAS E M\u00cdNIMAS DO BAR\u00c3O DE ITARAR\u00c9"},"content":{"rendered":"<p>Colet\u00e2nea organizada por Afonso F\u00e9lix de Sousa, com apresenta\u00e7\u00e3o do escritor baiano Jorge Amado (4\u00aa edi\u00e7\u00e3o \u2013 Editora Record), \u201cM\u00e1ximas e M\u00ednimas do Bar\u00e3o de Itarar\u00e9\u201d, \u00e9 uma leitura que descontrai, principalmente nesses tempos t\u00e3o sisudos em que atravessamos, recheados de not\u00edcias pesadas de corrup\u00e7\u00e3o e golpes. \u00c9 bom entrar no t\u00fanel do tempo.<\/p>\n<p>Em uma dessas espiadas no meu Acervo Cultural, l\u00e1 encontrei esta p\u00e9rola sobre o Bar\u00e3o de Itarar\u00e9, ou Appar\u00edcio Torelly, \u201co ga\u00facho que desaguou na cidade do Rio de Janeiro na mar\u00e9 cheia da Revolu\u00e7\u00e3o de 30\u201d \u2013 como bem relata seu amigo de toda vida, Jorge Amado. O mo\u00e7o bo\u00eamio abandonou o curso de medicina para exercer o jornalismo, com pseud\u00f4nimo de Apporelly, fazendo, com seu estilo humor\u00edstico, o pa\u00eds rir.<\/p>\n<p>Como diretor, redigiu sozinho o seman\u00e1rio \u201cA Manha\u201d. Na d\u00e9cada de 40, como disse Jorge Amado, n\u00e3o houve no Brasil escritor mais lido e admirado do que o humorista cujo riso, ao mesmo tempo bonach\u00e3o e ferino, fazia cr\u00edtica aguda e mordaz da sociedade brasileira e lutava pelas causas populares. Era uma esp\u00e9cie de Dom Quixote nacional, malandro e gozador contra as mazelas e os malfeitos.<\/p>\n<p>A batalha de Itarar\u00e9, t\u00e3o falada nos jornais, como escreveu o poeta Murilo Mendes, nunca houve, mas dela emergiu a figura do Bar\u00e3o de Itarar\u00e9. Dele, conforme ressalta o escritor baiano, nasceram os atuais humoristas brasileiros, os que desenham, os que escrevem e desenham. \u201cDele nasceram Stanislaw Ponte Preta e o Analista de Bag\u00e9\u201d Ap\u00f3s sua morte, em 1971, os generais da ditadura se encarregaram de silenciar a figura do Bar\u00e3o de Itarar\u00e9.<\/p>\n<p>Do livro extrai este paralelo sobre seu pensamento: Esp\u00edrito positivo, como pensador, o Bar\u00e3o de Itarar\u00e9 revela-se superior a Augusto Comte, o chefe do positivismo.<\/p>\n<p>Sen\u00e3o vejamos algumas tiradas do fil\u00f3sofo de Montpelier e os conceitos de Itarar\u00e9 sobre o mesmo tema: \u201cOs vivos s\u00e3o sempre e cada vez mais governados pelos mortos\u201d \u2013 dizia Comte. Itarar\u00e9 n\u00e3o se conforma e responde: \u201cOs vivos s\u00e3o sempre e cada vez mais governados pelos mais vivos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cViver para Outrem\u201d, aconselha o fundador da Religi\u00e3o da Humanidade. \u201cViver para o trem\u201d \u2013 \u00e9 o que recomenda Itarar\u00e9, numa mensagem dirigida aos ferrovi\u00e1rios. O Marqu\u00eas de Maric\u00e1 afirmava que \u201cmais vale um p\u00e1ssaro na m\u00e3o que dois voando\u201d. Itarar\u00e9 j\u00e1 pensa que \u201cmais valem dois galos no terreiro que um na testa\u201d.<\/p>\n<p>O Bar\u00e3o, entre outras perip\u00e9cias, descobriu que o lim\u00e3o n\u00e3o \u00e9 lim\u00e3o, mas uma laranja que sofre do est\u00f4mago. S\u00e3o seus prolongados sofrimentos que o deixam amarelo. O lim\u00e3o \u00e9, portanto, uma laranja com azia.<\/p>\n<p>Outras tiradas dele: Cada J\u00e2nio com sua mania. De onde menos se espera, da\u00ed \u00e9 que n\u00e3o sai nada. Quanto mais conhe\u00e7o os homens, mais gosto das mulheres. Deus d\u00e1 peneira a quem n\u00e3o tem farinha. Deus d\u00e1 pente a quem n\u00e3o tem cabelo. Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte j\u00e1 s\u00e3o diferentes. Quem empresta, adeus. Dize-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitas sobre pobres, conselho m\u00e9dico, os raios X, a profecia da feiticeira e tantas para relaxar. Essa \u00e9 do \u201cMilagre N\u00e3o Vale\u201d! Levi morre. Levi chega ao c\u00e9u e se apresenta diante de S\u00e3o Pedro.<\/p>\n<p>-Eu quero entrar! \u2013 exclama.<\/p>\n<p>-Imposs\u00edvel, Levi. Tua folha corrida acusa um v\u00edcio feio: \u201cjogador\u201d.<\/p>\n<p>-\u00c9 certo, Pedro. Mas tu \u00e9s misericordioso. Vamos jogar o meu lugar na Gl\u00f3ria, na carta maior. Se eu ganhar, entro. Se perder, vou para o inferno.<\/p>\n<p>&#8211; Est\u00e1 bem, disse Pedro, rindo.<\/p>\n<p>Um anjo leva-lhes um baralho de mat\u00e9ria pl\u00e1stica. Um baralha, o outro corta. Pedro vai agarrar as cartas, mas Levi o det\u00e9m, advertindo-o:<\/p>\n<p>&#8211; Pode dar&#8230; mas milagre n\u00e3o vale, hein, velhinho!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colet\u00e2nea organizada por Afonso F\u00e9lix de Sousa, com apresenta\u00e7\u00e3o do escritor baiano Jorge Amado (4\u00aa edi\u00e7\u00e3o \u2013 Editora Record), \u201cM\u00e1ximas e M\u00ednimas do Bar\u00e3o de Itarar\u00e9\u201d, \u00e9 uma leitura que descontrai, principalmente nesses tempos t\u00e3o sisudos em que atravessamos, recheados de not\u00edcias pesadas de corrup\u00e7\u00e3o e golpes. \u00c9 bom entrar no t\u00fanel do tempo. 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