{"id":109,"date":"2014-05-08T10:07:46","date_gmt":"2014-05-08T13:07:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=109"},"modified":"2014-05-09T23:30:00","modified_gmt":"2014-05-10T02:30:00","slug":"a-cultura-renegada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2014\/05\/08\/a-cultura-renegada\/","title":{"rendered":"A CULTURA RENEGADA"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-129\" alt=\"CENTRO DE CULTURA 006\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/CENTRO-DE-CULTURA-006.jpg\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/CENTRO-DE-CULTURA-006.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/CENTRO-DE-CULTURA-006-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/p>\n<p>\u201cUma crian\u00e7a em farrapos contempla, com brilho no olhar, o maior t\u00fanel do mundo, rec\u00e9m-inaugurado no Rio de Janeiro. A crian\u00e7a em farrapos est\u00e1 orgulhosa de seu pa\u00eds, e com raz\u00e3o, por\u00e9m ela \u00e9 analfabeta e rouba para comer\u201d.<\/p>\n<p>Esse olhar do escritor uruguaio em \u201cAs Veias Abertas da Am\u00e9rica Latina\u201d (todos deviam ler), publicado na d\u00e9cada de 70, continua atualizado para os tempos atuais. Nos dias de hoje, jovens e adultos doidos por futebol e distantes da cultura, se orgulham do Brasil sediar a Copa do Mundo, embora a grande maioria nem possa ir aos est\u00e1dios para assistir uma partida porque foram barrados do banquete por serem pobres.<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0Pegando ainda o gancho de Galeano para falar da nossa renegada cultura, o escritor, ao se referir ao Brasil a Am\u00e9rica Latina, afirmou que \u201co desenvolvimento \u00e9 um banquete com poucos convidados&#8230; os pratos principais est\u00e3o reservados \u00e0s mand\u00edbulas estrangeiras\u201d. \u00c9 o caso t\u00edpico da Fifa.<\/p>\n<p>Pobreza, exclus\u00e3o e aliena\u00e7\u00e3o decorrem da falta de educa\u00e7\u00e3o e cultura que se arrastam pelo ch\u00e3o. Vivem em decad\u00eancia. Sem cultura n\u00e3o pode existir senso cr\u00edtico, raz\u00e3o e dial\u00e9tica. H\u00e1 poucos dias li coment\u00e1rio do colega e companheiro jornalista, escritor e poeta Ruy Espinheira que, em seu desabafo, lamentava o prec\u00e1rio estado da nossa cultura.<\/p>\n<p>H\u00e1 tempos ele vem clamando pela valoriza\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, enquanto \u00e9 a mediocridade que vence. Sobre a Salvador da d\u00e9cada de 60 (fui seu colega no curso de Jornalismo da Ufba), Ruy recorda que se respirava cultura e arte em toda parte, \u201cpoetas falavam de poesias nos bares, gente de teatro montava os grandes textos, romancistas discutiam tend\u00eancias da fic\u00e7\u00e3o, abriam-se feiras de livros em pra\u00e7as p\u00fablicas&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Imagino que o mesmo acontecia em nossa pr\u00f3spera Vit\u00f3ria da Conquista com suas quatro ou cinco salas de cinema, cantos e contos por toda parte da cidade com a rec\u00e9m-formada academia e ala de letras, concursos liter\u00e1rios e compositores produzindo as melhores m\u00fasicas.<\/p>\n<p>Ainda resta alguma coisa, mas Conquista hoje ficou s\u00f3 com a fama de cidade de maior efervesc\u00eancia cultural do interior baiano. Nos finais de semana a op\u00e7\u00e3o \u00e9 jogar \u201cconversa fora\u201d nos bares e restaurantes. At\u00e9 o nosso Centro de Cultura est\u00e1 interditado h\u00e1 meses sem uma solu\u00e7\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o da sua estrutura f\u00edsica. Como disse Ruy, a decad\u00eancia da cultura \u00e9 um fen\u00f4meno nacional, mas, nas palavras do cronista Armando Oliveira, a Bahia \u00e9 o Brasil levado \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Culturalmente falando, como crava o poeta, a Bahia est\u00e1 na rabeira de tudo, inclusive dos outros estados do Nordeste. Talentos existem como pode ser constatado aqui mesmo em Vit\u00f3ria da Conquista. Mas, como assinalou Ruy, se algu\u00e9m escreve, n\u00e3o h\u00e1 onde publicar. Uma boa m\u00fasica s\u00f3 \u00e9 tocada no r\u00e1dio se soltar um jab\u00e1. \u201cSe o cara for bom mesmo, est\u00e1 mal arrumado&#8230; Pessoas cultas e talentosas n\u00e3o interessam&#8230;\u201d<\/p>\n<p>A capital do sudoeste com mais de 300 mil habitantes tem um enorme potencial cultural adormecido que n\u00e3o se expressa por falta de apoios. Na literatura, bons escritores da cidade e da regi\u00e3o est\u00e3o engavetados por falta de uma feira do livro e de uma editora genuinamente nossa, para a divulga\u00e7\u00e3o das obras dos autores.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a literatura que est\u00e1 abandonada. As outras linguagens art\u00edsticas, como a m\u00fasica, o teatro, a dan\u00e7a, as artes pl\u00e1sticas e demais formas de express\u00e3o cultural foram renegadas \u00e1 pr\u00f3pria sorte. Uma inje\u00e7\u00e3o de \u00e2nimo neste setor n\u00e3o pode ficar dependente e esperando apenas por uma a\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablica.<\/p>\n<p>O pior \u00e9 que a cultura em Conquista foi loteada e existem grupos que se arvoram como donos da verdade. Como intoc\u00e1veis, se fecham em seus cub\u00edculos ou pedestais \u201cfazendo cultura\u201d para eles mesmos. A\u00ed a cultura fica numa redoma e deixa de ser vis\u00edvel e compartilhada por toda comunidade. A cultura n\u00e3o pode ficar restrita a um grupo ou a grupos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cUma crian\u00e7a em farrapos contempla, com brilho no olhar, o maior t\u00fanel do mundo, rec\u00e9m-inaugurado no Rio de Janeiro. A crian\u00e7a em farrapos est\u00e1 orgulhosa de seu pa\u00eds, e com raz\u00e3o, por\u00e9m ela \u00e9 analfabeta e rouba para comer\u201d. 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