{"id":10837,"date":"2025-08-05T22:03:14","date_gmt":"2025-08-06T01:03:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10837"},"modified":"2025-08-05T22:03:25","modified_gmt":"2025-08-06T01:03:25","slug":"numa-feira-literaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/08\/05\/numa-feira-literaria\/","title":{"rendered":"NUMA FEIRA LITER\u00c1RIA"},"content":{"rendered":"<p>Tudo pode acontecer de inusitado numa feira liter\u00e1ria, principalmente quando \u00e9 realizada em cidades do interior. \u00c9 s\u00f3 observar e escutar os detalhes. Uma coisa \u00e9 certa, o escritor, escritora, poeta ou poetisa, gasta mais saliva para explicar detalhes sobre sua obra do que vende.<\/p>\n<p>Tem uns que narram toda hist\u00f3ria do seu romance, conto, da sua prosa ou causo e at\u00e9 declama sua poesia. Cada um tem sua maneira de vender o seu \u201cpeixe\u201d, ou sua obra depois de algum tempo queimando os neur\u00f4nios. De artista o cara passa a ser vendedor de livros, s\u00f3 que da sua autoria.<\/p>\n<p>&#8211; O senhor, ou senhora, fez tudo isso? Como \u00e9 feito? E tem as curiosidades das crian\u00e7as sobre sua vida e como \u00e9 escrever e colocar tudo naquele papel. \u00c9 muita conversa para pouca vendagem, mas uma feira dessa natureza n\u00e3o \u00e9 somente isso. \u00c9 tamb\u00e9m encontro, um instrumento de proje\u00e7\u00e3o do seu nome, troca de ideias, projetos e, sobretudo, conhecimento, saber e aprendizagem.<\/p>\n<p>Existem aqueles que v\u00e3o s\u00f3 visitar, passam, olham e v\u00e3o embora. Nas cidades pequenas e m\u00e9dias, muitos aparecem das periferias e at\u00e9 das zonas rurais sem o m\u00ednimo conhecimento do que \u00e9 uma feira liter\u00e1ria. Ficam encantados quando v\u00ea tantos livros nas estantes e bancas. Tem aqueles que exp\u00f5em seus trabalhos no ch\u00e3o, sentados num tamborete. \u00c9 uma competi\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Tem aquele personagem chato que n\u00e3o tem nada para fazer e fica em seu p\u00e9 dando uma de sabich\u00e3o intelectual, de sabe tudo, dizendo o que deve ou n\u00e3o ser feito, mesmo de forma desconexa. Por vezes surge um b\u00eabado para abrir a boca e falar besteiras, de que tudo aquilo ali n\u00e3o vale de nada.<\/p>\n<p>O destaque \u00e9 a crian\u00e7ada que chega com aquela algazarra e deixa o expositor atordoado. Por falar em crian\u00e7as, os livros mais vendidos s\u00e3o os infantis. Passou mais a onda dos g\u00eaneros de autoajudas. Tem escritor at\u00e9 pretendendo mudar de estilo para enveredar no infantil que \u00e9 mais comercial.<\/p>\n<p>Nesses tempos modernos da tecnologia do celular e da febre das redes socais, dos cursos t\u00e9cnicos para atender a demanda do mercado, fico aqui a imaginar se esse p\u00fablico vai dar continuidade \u00e0 leitura mais tarde quando jovens e adultos. Tenho minhas d\u00favidas, mas se vingar um por cento de 100, a feira j\u00e1 alcan\u00e7ou seus objetivos e deixou sua mensagem marcada.<\/p>\n<p>Numa feira liter\u00e1ria aparece todo tipo de visitante, do intelectual, do leitor ass\u00edduo ao que nunca viu um livro. Tem aqueles que acham que \u00e9 f\u00e1cil escrever, juntar as palavras para que elas se encaixem certas e virem artes.<\/p>\n<p>Tem o que compra a obra do autor somente por afinidade e amizade, para agradar. Esse tipo, com certeza, n\u00e3o l\u00ea o livro e termina jogando no lixo ou, no m\u00e1ximo, passa para algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Na recente Feira de Itapetinga, a II FLITA, observei um fato in\u00e9dito. Uma senhora comprou o livro de poesia do amigo conterr\u00e2neo, pagou e, simplesmente, n\u00e3o quis levar a obra, mesmo autografado.<\/p>\n<p>Ele insistiu que levasse e ela dizia que vendesse para outro. A compra foi como um tipo de ajuda financeira. Foi t\u00e3o hil\u00e1rio que o autor foi atr\u00e1s dela at\u00e9 colocar o livro em sua m\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse fato me fez lembrar de outro, ainda mais absurdo que ocorreu aqui em Vit\u00f3ria da Conquista. Um grande poeta conhecido lan\u00e7ou seu trabalho em sua empresa onde trabalhava.<\/p>\n<p>No evento, apoiado pelos colegas, chegou um \u201camigo\u201d, apertou sua m\u00e3o, deu tapinhas nas costas e pediu que autografasse um exemplar. Tirou foto e saiu pelo corredor da firma. Na primeira lixeira que encontrou jogou o livro como se fosse qualquer resto de comida ou coisa imprest\u00e1vel.<\/p>\n<p>No outro dia, passou o faxineiro fazendo a limpeza geral e, para sua surpresa, l\u00e1 estava a obra que ele guardou com todo carinho para ler depois.\u00a0 A burrice do indiv\u00edduo foi t\u00e3o grande que o falso e suposto \u201cleitor\u201d n\u00e3o se deu conta que o livro poderia ser encontrado na lixeira.<\/p>\n<p>Pelo menos levasse para casa, deixasse l\u00e1, jogasse fora em outro lugar ou ofertasse para algu\u00e9m com lucidez pela literatura. Claro que o autor, quando soube do menosprezo, se sentiu arrasado, humilhado, decepcionado e frustrado diante de tanta estupidez do indiv\u00edduo farsante.<\/p>\n<p>Existe de tudo que voc\u00ea imaginar numa feira liter\u00e1ria. Tem aquele que passa, faz v\u00e1rias perguntas, folheia e ler alguns trechos e se mostra aparentemente interessado.<\/p>\n<p>O escritor fica animado com aquela boa expectativa e at\u00e9 pega na caneta para dar o aut\u00f3grafo, mas ele lhe derruba quando diz que vai dar uma volta, passa depois ou no outro dia. Esquece que j\u00e1 era.<\/p>\n<p>Tem gente que aparece com um quilo de alimento ou outro objeto para fazer o escambo. Ainda existe aquele que pergunta se \u00e9 de gra\u00e7a, se \u00e9 doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil \u00e9 pintar um ladr\u00e3o de livro, como antigamente, quando se tinha o h\u00e1bito constante da leitura. Esse personagem desapareceu h\u00e1 muito tempo do nosso cen\u00e1rio. \u00c9 coisa das d\u00e9cadas de 50, 60 e in\u00edcio dos anos 70. Com a ditadura tudo mudou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo pode acontecer de inusitado numa feira liter\u00e1ria, principalmente quando \u00e9 realizada em cidades do interior. \u00c9 s\u00f3 observar e escutar os detalhes. Uma coisa \u00e9 certa, o escritor, escritora, poeta ou poetisa, gasta mais saliva para explicar detalhes sobre sua obra do que vende. 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