{"id":10769,"date":"2025-07-17T23:57:59","date_gmt":"2025-07-18T02:57:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10769"},"modified":"2025-07-17T23:58:26","modified_gmt":"2025-07-18T02:58:26","slug":"nao-se-viaja-mais-como-antigamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/07\/17\/nao-se-viaja-mais-como-antigamente\/","title":{"rendered":"N\u00c3O SE VIAJA MAIS COMO ANTIGAMENTE"},"content":{"rendered":"<p>Acho que nunca ouvi ningu\u00e9m dizer que n\u00e3o gosta de viajar! Sempre se diz que viajar \u00e9 conhecer pessoas, outras culturas e adquirir conhecimento e saber, mas muita coisa mudou nos \u00faltimos tempos com o advento da tal tecnologia, principalmente do celular.<\/p>\n<p>Seja de \u00f4nibus, de avi\u00e3o ou carro particular (no passado t\u00ednhamos o saudoso trem), as pessoas ao lado se comunicavam muito mais durante a viagem. Entabulavam uma boa prosa e, no destino final, cada um se tornava conhecido do outro. Tornavam-se at\u00e9 amigos que depois se correspondiam pelo resto da vida.<\/p>\n<p>Fui ao Rio de Janeiro semana passada de avi\u00e3o, meu amigo, com conex\u00e3o em Guarulhos, fazendo o mesmo percurso na volta, e fiquei observando o comportamento das pessoas. Parece que n\u00e3o pertencemos mais \u00e0 esp\u00e9cie humana. Ali\u00e1s, at\u00e9 acho que n\u00e3o sou mais dessa esp\u00e9cie!<\/p>\n<p>Antigamente, isto h\u00e1 uns 30 ou 40 anos, a pessoa antes de se sentar na cadeira \u2013 era espa\u00e7osa \u2013 ia logo dando um bom dia, boa tarde ou boa noite. A partir dali se come\u00e7ava um papo saud\u00e1vel que voc\u00ea nem sentia passar o tempo. At\u00e9 quem tinha ou ainda tem medo de avi\u00e3o, terminava se descontraindo, se relaxando. Nem dava para perceber a turbul\u00eancia, ou quando ocorria, o outro lhe acalmava.<\/p>\n<p>&#8211; Ol\u00e1, voc\u00ea mora aonde e vai para onde? Vai a passeio ou a trabalho? Ah, se ainda n\u00e3o conhece a cidade, vai gostar! N\u00e3o deixe de visitar tais e tais pontos. J\u00e1 fui v\u00e1rias vezes e adorei, sempre estou voltando l\u00e1. A conversa ia se esticando tanto que duas horas mais pareciam dez minutos.<\/p>\n<p>Hoje o passageiro entra no \u00f4nibus ou no avi\u00e3o com a cara fechada, de celular na m\u00e3o, e nem faz uma sauda\u00e7\u00e3o.\u00a0 Se puder lhe dar um chega pra l\u00e1, como se o outro n\u00e3o passasse de mais um animal inimigo, um bicho a lhe atormentar.<\/p>\n<p>Na ida, por desaten\u00e7\u00e3o, sentei na poltrona errada, ao lado da janela. \u2013 Este lugar a\u00ed \u00e9 meu. Voc\u00ea est\u00e1 na cadeira errada \u2013 disse de l\u00e1 o sujeito que quase nem olhou para mim. Nem ao menos considerou minha idade. A gentileza \u00e9 zero e n\u00e3o adianta puxar conversa.<\/p>\n<p>Fiquei apertado entre dois idiotas de cabe\u00e7a baixa grudados no celular durante quase duas horas de viagem. Como levei um livro, prontamente abri meu velho s\u00e1bio amigo e fui proseando com ele. Mesmo concentrado na leitura, n\u00e3o conseguia e n\u00e3o consigo entender como o ser humano mudou tanto, e para pior!<\/p>\n<p>Imaginei os velhos tempos de rep\u00f3rter quando voava pelo Brasil a trabalho. Os parceiros ou parceiras de cadeiras, bem mais confort\u00e1veis e com servi\u00e7o a bordo de primeira, iam jogando conversa fora e at\u00e9 tomando uma bebida. A aeromo\u00e7a, como se chamava, lhe cumprimentava com um sorriso no rosto. Tudo isso se acabou.<\/p>\n<p>Ah, que saudades daqueles tempos! Viajar de avi\u00e3o atualmente \u00e9 aquele t\u00e9dio, a come\u00e7ar pelo aeroporto. \u00c9 aquela checagem ou secagem que s\u00f3 falta lhe deixar de cueca, ou calcinha, se for mulher. Se voc\u00ea inventar de tomar um cafezinho simples numa lanchonete, custa dez reais.<\/p>\n<p>Quando decola, l\u00e1 vem aquela gente com um carrinho lhe dando um saquinho de pl\u00e1stico com uns gr\u00e3os de batatinha com gosto de papel, uma \u00e1gua ou uma merda de um refrigerante. Na cadeira, voc\u00ea mais parece um sanduiche que n\u00e3o d\u00e1 nem para estirar as pernas.<\/p>\n<p>Nas cidades grandes, voc\u00ea vai visitar os pontos tur\u00edsticos e l\u00e1 est\u00e1 aquele mo\u00e7o ou mo\u00e7a sisudos lhe dando ordens. Ningu\u00e9m fala com ningu\u00e9m nas ruas, num bar, num restaurante ou ponto de \u00f4nibus. \u00c9 cada um com o celular na m\u00e3o. Nem pe\u00e7a uma informa\u00e7\u00e3o que a pessoa n\u00e3o lhe ouve, a n\u00e3o ser que se d\u00ea um grito para o est\u00fapido. Cuidado, ele pode lhe esmurrar!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acho que nunca ouvi ningu\u00e9m dizer que n\u00e3o gosta de viajar! 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