{"id":10710,"date":"2025-06-25T22:52:52","date_gmt":"2025-06-26T01:52:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10710"},"modified":"2025-06-25T23:00:16","modified_gmt":"2025-06-26T02:00:16","slug":"a-mulher-porta-celular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/06\/25\/a-mulher-porta-celular\/","title":{"rendered":"A MULHER &#8220;PORTA-CELULAR&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Detesto sair de casa para resolver \u201cpepinos\u201d, ou BOs, como muita gente prefere falar quando se refere a problemas. Acho que ningu\u00e9m gosta, a n\u00e3o ser quando se vai a passeio para olhar vitrines e fazer compras para sentir aquela sensa\u00e7\u00e3o de prazer consumista.<\/p>\n<p>Na maioria s\u00e3o mulheres com uma penca de filhos arrastando sacolas num frenesi de entra e sai das lojas, principalmente em \u00e9pocas festivas. Os pais tamb\u00e9m acompanham, mas bem menos.<\/p>\n<p>Em meu caso, nem isso me agrada, nem mais para tomar umas num boteco, como nos velhos tempos. Cruzar com muitas pessoas e andar em multid\u00e3o me deixa em p\u00e2nico. Ser\u00e1 que estou precisando de um analista?<\/p>\n<p>Quando sou obrigado a ir, talvez como terapia, aproveito para observar o comportamento das pessoas, os mais diversos e que chamam a aten\u00e7\u00e3o pelas suas atitudes. Umas s\u00e3o engra\u00e7adas, a cara do Brasil, e outras s\u00e3o lament\u00e1veis.<\/p>\n<p>Uns se mant\u00e9m calados cuidando de suas obriga\u00e7\u00f5es. Outros s\u00e3o escandalosos que falam alto e individualistas que n\u00e3o respeitam o direito do outro no ambiente p\u00fablico. At\u00e9 parecem que est\u00e3o em suas casas. Tem aqueles que tentam burlar a fila, trapacear e existem os mais conscientes e humanos. Tem para todo gosto do cliente.<\/p>\n<p>Essas mercadorias voc\u00ea encontra mais em reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, bancos, cl\u00ednicas, eventos diversos e nas ruas, pra\u00e7as e avenidas. Quanto maior a cidade, mais elementos que servem de mat\u00e9ria-prima para escritores, poetas e humoristas.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera de S\u00e3o Jo\u00e3o, segunda-feira, fui ao banco resolver um BO e l\u00e1 estava uma mulher de muleta com o p\u00e9 enfaixado de gazes (deve ter levado uma queda ou uma topada) que me chamou a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como as coisas andam em termos de vigarices e golpes, poderia at\u00e9 ser uma simula\u00e7\u00e3o. Sabe do caso daquele indiv\u00edduo que foi fazer uma per\u00edcia m\u00e9dica no INSS de cadeira de rodas e depois saiu andando na maior cara de pau? Nunca se sabe!<\/p>\n<p>Estava na fila priorit\u00e1ria, que n\u00e3o tem nada de prioridade, e ela girava mancando falando bem alto com o celular na m\u00e3o o tempo todo. Mais parecia uma mulher porta-celular. N\u00e3o desgrudava do aparelho e l\u00e1 ia ela pulando de muleta de um lado para o outro. N\u00e3o se apartava do bendito celular.<\/p>\n<p>Teve um momento que ela saiu gritando quem podia trocar 50 reais. \u00c0s vezes ia l\u00e1 fora e n\u00e3o parava de conversar no celular, de uma forma t\u00e3o escandalosa que l\u00e1 de dentro se escutava tudo quanto ela dizia. \u201cColoca um pix\u201d! Sentava, levantava, rodava como peru, sempre com aquele celular na m\u00e3o e pulando de muleta.<\/p>\n<p>No momento, agoniado e impaciente na fila, lembrei da m\u00fasica \u201cO Chato\u201d, de Oswaldo Montenegro. Foi o talento da imagina\u00e7\u00e3o se cruzando com a realidade.<\/p>\n<p>Era uma cena hil\u00e1ria e liter\u00e1ria! A mulher era muito da chata. Um v\u00eddeo com ela nas redes sociais, para quem gosta de besteiras, daria milhares de visualiza\u00e7\u00f5es e seguidores em poucos minutos.<\/p>\n<p>Para completar o quadro, um senhor baixinho atr\u00e1s de mim n\u00e3o parava de bulir no celular. Foco total que nem viu a cena! No Banco do Brasil, a ger\u00eancia colocou duas filas, uma priorit\u00e1ria e outra convencional, s\u00f3 para pegar a senha, e o funcion\u00e1rio chama um de cada vez, de maneira intercalada. Ora, s\u00f3 queria saber mesmo o que tem de prioridade nisso!<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 pura engana\u00e7\u00e3o &#8211; reclamava uma idosa de l\u00e1 que preferiu ficar na outra fila normal, ou convencional. O guarda at\u00e9 achou estranho, mas depois disse que ela estava no seu direito de escolha.<\/p>\n<p>Coisa foi l\u00e1 no segundo andar! Cada um sofredor e desrespeitado chega com sua senha na m\u00e3o de olho no painel de chamada. Tome ansiedade na espera da sua vez! No entanto, a mulher porta-celular nem estava a\u00ed e continuou a exibir seu espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>Sentou com sua filha e outra amiga, falando alto. Das sacolas, sacou umas roupas \u00edntimas que havia comprado. Nelas consegui ver uma meia fina de pernas, sei l\u00e1, suti\u00e3s, e o mais inusitado, umas cal\u00e7olas. Coisa de louco, meu irm\u00e3o!<\/p>\n<p>No outro assento, mais ao lado, aquele senhor do celular come\u00e7ou a ouvir v\u00eddeos na maior altura e dava suas risadas, como se estivesse s\u00f3. Ele chegou a incomodar tanto os outros, que uma pessoa da vigil\u00e2ncia da institui\u00e7\u00e3o teve que ir l\u00e1 e mandar que ele desligasse os v\u00eddeos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 brincadeira n\u00e3o, meu camarada, o ser humano \u00e9 um bicho estranho, uma esp\u00e9cie imprevis\u00edvel que n\u00e3o nasceu para viver em sociedade e pensar no coletivo! Desde os tempos da pedra lascada, do neandertal ao homo sapiens que \u00e9 assim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Detesto sair de casa para resolver \u201cpepinos\u201d, ou BOs, como muita gente prefere falar quando se refere a problemas. Acho que ningu\u00e9m gosta, a n\u00e3o ser quando se vai a passeio para olhar vitrines e fazer compras para sentir aquela sensa\u00e7\u00e3o de prazer consumista. 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