{"id":10696,"date":"2025-06-20T00:11:18","date_gmt":"2025-06-20T03:11:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10696"},"modified":"2025-06-20T00:11:28","modified_gmt":"2025-06-20T03:11:28","slug":"o-conto-do-vigario-e-o-golpe-virtual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/06\/20\/o-conto-do-vigario-e-o-golpe-virtual\/","title":{"rendered":"O &#8220;CONTO DO VIG\u00c1RIO&#8221; E O GOLPE VIRTUAL"},"content":{"rendered":"<p>&#8211; Amigo, cuidado, porque isso a\u00ed pode ser um golpe! N\u00e3o caia nessa! Fica esperto! N\u00e3o atenda telefonemas suspeitos e nem clique em mensagens estranhas! Delete!<\/p>\n<p>S\u00e3o sinais de alerta que mais se ouve entre as pessoas nos dias atuais quando algo vantajoso e f\u00e1cil cheira a engana\u00e7\u00e3o, a trapa\u00e7a. A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o confiar mais em ningu\u00e9m, mesmo em algu\u00e9m considerado confi\u00e1vel e correto. Hoje tem mais golpistas no pa\u00eds que a praga dos gafanhotos do Egito, do fara\u00f3.<\/p>\n<p>A gente procura seguir a regra, mas sempre tem algu\u00e9m caindo numa armadilha. Quase todo mundo j\u00e1 levou um \u201ctombo\u201d, um golpe. N\u00e3o \u00e9 mais coisa para se envergonhar. Muitas vezes se apanha e n\u00e3o se aprende, contrariando a m\u00e1xima, de que \u00e9 \u201capanhando que se aprende\u201d.<\/p>\n<p>O golpista leva a vantagem de pegar o cidad\u00e3o desprevenido, como se leva um susto danado quando se est\u00e1 distra\u00eddo, no mundo da lua e algu\u00e9m faz uma presepada.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m fala mais que a pessoa caiu no \u201cconto do vig\u00e1rio\u201d quando se \u00e9 v\u00edtima dos in\u00fameros golpes virtuais que se proliferaram a partir da internet, muito mais sofisticados e profissionalizados com o uso das novas tecnologias da inform\u00e1tica.<\/p>\n<p>Dia desses um companheiro comentou comigo que n\u00e3o se usa mais a express\u00e3o \u201cconto do vig\u00e1rio\u201d, ou vigarista, mas de golpista, aquele que utiliza das redes sociais para retirada de dinheiro de conta banc\u00e1ria de clientes, quem pega dados de algu\u00e9m para clonar cart\u00f5es, vende carros, apartamentos, m\u00f3veis e im\u00f3veis falsos, se passa como facilitador de processos judiciais, libera\u00e7\u00e3o de programas sociais, entre outras coisas.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 verdade! Os tempos s\u00e3o outros, n\u00e3o mais aqueles p\u00e9s de chinelos do bilhete premiado da federal, da mala pesada, da heran\u00e7a do parente distante, do tesouro perdido, das correntinhas reluzentes como ouro que depois viravam ferro e outras pr\u00e1ticas estelionat\u00e1rias presenciais. N\u00e3o se engane, camarada, s\u00e3o esp\u00e9cies em extin\u00e7\u00e3o, mas ainda se encontra zanzando perdidos por a\u00ed esses elementos, ou meliantes das antigas.<\/p>\n<p>&#8211; Saudades daquela \u00e9poca porque na maioria das vezes o sujeito era preso pelo delegado e pegava cana. A gente at\u00e9 achava gra\u00e7a das arma\u00e7\u00f5es e tirava sarro das v\u00edtimas. Com a tecnologia atual, que rende mais, com menos esfor\u00e7o, at\u00e9 a saidinha banc\u00e1ria se tornou raridade.<\/p>\n<p>Recordo que meu pai uma vez me contou um desses casos do seu irm\u00e3o que vivia por a\u00ed fazendo malandragens. Estava sem dinheiro e um dia se hospedou numa pens\u00e3o com uma mala pesada cheia de esterco de gado.<\/p>\n<p>Fez toda recomenda\u00e7\u00e3o ao dono para guard\u00e1-la num local seguro porque nela havia uma mercadoria preciosa. Passou uma temporada na cidade e depois sumiu sem nada pagar. O resto da hist\u00f3ria, todos sabem. O dono do estabelecimento caiu no \u201cconto do vig\u00e1rio\u201d, se lascou, sifu&#8230;<\/p>\n<p>Em Amargosa, na Bahia, onde estudei como seminarista, para ser vig\u00e1rio (n\u00e3o vigarista), soube do caso do conto do pavio. Um senhor safado comprou sacos e mais sacos de pavios e foi vender aos pobres na zona rural.<\/p>\n<p>Ele propagava aos quatro cantos, como profeta da barba grande, que a terra ia ficar uma semana na escurid\u00e3o e estimulou os camponeses a comprarem pavios para acender seus candeeiros a querosene. Vendeu tudo com sua conversa fiada.<\/p>\n<p>Nessa prosa sobre \u201cConto do Vig\u00e1rio\u201d, o amigo acrescentou que os caras hoje s\u00e3o mais espertos, inteligentes, trabalham em escrit\u00f3rios confort\u00e1veis, n\u00e3o tiram folga semanais (fazem bacanais), est\u00e3o sempre de plant\u00e3o e conseguem se esconder com mais facilidade da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>&#8211; Ah, e t\u00eam mais l\u00e1bia, sem falar que esses bandidos invis\u00edveis sempre d\u00e3o um passo \u00e0 frente para burlar os programas de seguran\u00e7a e possuem mais capacidade de imagina\u00e7\u00e3o quando se trata de mudar a modalidade de golpe. Todo dia surge uma coisa nova!<\/p>\n<p>Foi o que disse para ele, que aproveitou para indagar o porqu\u00ea desse termo de \u201cConto do Vig\u00e1rio\u201d, que muito se falava na era anal\u00f3gica, desde l\u00e1 dos tempos de nossos av\u00f3s, quando algu\u00e9m era enganado pelos chamados vigaristas, muitos deles engomadinhos e com boa l\u00e1bia tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8211; Sabe n\u00e3o? \u00a0\u201cConto do Vig\u00e1rio\u201d era um golpe antigo onde trapaceiros se passavam por representantes de um vig\u00e1rio (padre) para enganar pessoas, com hist\u00f3rias elaboradas sobre heran\u00e7as, buscando tirar dinheiro delas.<\/p>\n<p>A origem do termo surgiu do envolvimento entre duas igrejas em Ouro Preto, Minas Gerais, que disputavam uma imagem de Nossa Senhora. Um padre recomendou amarrar a imagem em um burro e deixar que ele escolhesse um destino. O animal que pertencia ao padre foi justamente para a igreja dele. Da\u00ed nasceu a associa\u00e7\u00e3o vig\u00e1rio e engano.<\/p>\n<p>Existe outra vers\u00e3o que aponta para Portugal onde golpistas fingiam ser emiss\u00e1rios de vig\u00e1rios, usando promessas falsas e papos furados para boi dormir, convencendo pessoas a entregar dinheiro ou bens.<\/p>\n<p>Esta explica\u00e7\u00e3o tem at\u00e9 mais raiz porque quando Cabral aportou em terras brasileiras trouxe degredados, corruptos e malfeitores em suas caravelas, os quais enganaram os nativos ind\u00edgenas com presentes mixurucas, como espelhos e pentes, e levaram bens mais valiosos, como o Pau Brasil, o ouro, os diamantes, entre outras riquezas.<\/p>\n<p>Na realidade, foi o primeiro \u201cConto do Vig\u00e1rio\u201d em que ca\u00edmos, isto \u00e9, os coitados dos \u00edndios. Os outros portugueses navegadores e exploradores que vieram depois, a partir do primeiro governador Thom\u00e9 de Souza, procederam da mesma forma.<\/p>\n<p>O \u201cConto do Vig\u00e1rio\u201d, significando hist\u00f3ria elaborada com o objetivo de burlar algu\u00e9m, pode ter vindo de l\u00e1 e aqui encontrou terra f\u00e9rtil para prosperar e dar bons frutos. A express\u00e3o, inclusive, \u00e9 usada em Portugal e no Brasil. Como disse o escriv\u00e3o Pero Vaz de Caminha, aqui plantando, tudo d\u00e1, e como deu!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; Amigo, cuidado, porque isso a\u00ed pode ser um golpe! N\u00e3o caia nessa! Fica esperto! N\u00e3o atenda telefonemas suspeitos e nem clique em mensagens estranhas! Delete! S\u00e3o sinais de alerta que mais se ouve entre as pessoas nos dias atuais quando algo vantajoso e f\u00e1cil cheira a engana\u00e7\u00e3o, a trapa\u00e7a. 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