{"id":106,"date":"2014-05-08T09:59:23","date_gmt":"2014-05-08T12:59:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=106"},"modified":"2014-05-09T11:36:48","modified_gmt":"2014-05-09T14:36:48","slug":"racismo-no-futebol-1-carlos-gonzalez-jornalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2014\/05\/08\/racismo-no-futebol-1-carlos-gonzalez-jornalista\/","title":{"rendered":"Racismo no futebol &#8211; 1 Carlos Gonz\u00e1lez \u2013 jornalista"},"content":{"rendered":"<p>No calor das discuss\u00f5es sobre a pr\u00e1tica de racismo no Brasil n\u00e3o se ouviu ou se leu qualquer refer\u00eancia ao baiano Carlos Alberto Ca\u00f3 Oliveira Santos, autor da Lei 7.716\/89, sancionada pelo ent\u00e3o presidente Jos\u00e9 Sarney. O primeiro artigo da lei\u00a0diz que \u00e9 \u201ccrime praticar, induzir ou incitar a discrimina\u00e7\u00e3o ou preconceito de ra\u00e7a, cor, etnia, religi\u00e3o ou proced\u00eancia nacional\u201d. A \u201cLei Ca\u00f3\u201d deu um sentido mais amplo \u00e0 \u201cLei Afonso Arinos\u201d, de 1951, que tratava apenas da discrimina\u00e7\u00e3o racial.<\/p>\n<p><!--more-->Jornalista, nascido em Salvador em 20 de dezembro de 1941, Ca\u00f3 foi l\u00edder estudantil, se posicionou contra o golpe de 64, exerceu uma das secretarias \u00a0do governo Brizola, no Rio de Janeiro, e fez parte, como deputado federal pelo PDT, da Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte. Uma das suas emendas inseridas na Constitui\u00e7\u00e3o de 88 qualifica o racismo como crime inafian\u00e7\u00e1vel e imprescrit\u00edvel.<\/p>\n<p>Depois de fazer justi\u00e7a a esse baiano, ausente da vida p\u00fablica desde 1990, vou tentar mostrar que o racismo no futebol brasileiro est\u00e1 latente desde os primeiros campeonatos estaduais, principalmente o do Rio de Janeiro, que era a capital da Rep\u00fablica. Na d\u00e9cada de 20, os negros ainda procuravam se ambientar com o clima de liberdade, resgatada pela Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura, assinada em 1988. O futebol era praticado por jovens de fam\u00edlias abastadas, que ainda mantinham um sentimento escravocrata.<\/p>\n<p>Fluminense, Flamengo, Botafogo e Am\u00e9rica, ainda numa fase amadorista, lideravam o futebol carioca desde 1906. Seus jogadores participavam de farras e se expressavam em ingl\u00eas em campo. Em 1923, o Vasco da Gama formou um time de brancos, negros e mesti\u00e7os, e conquistou o t\u00edtulo de campe\u00e3o. Revoltados, os quatro grandes criaram uma nova liga, deixando os vasca\u00ednos de fora. Com o advento do profissionalismo e dando como garantia o est\u00e1dio de S\u00e3o Janu\u00e1rio, o maior do Brasil na \u00e9poca, o Vasco retornou ao grupo de elite carioca.<\/p>\n<p>A novela \u201cLado a Lado\u201d, exibida recentemente pela Rede Globo, reproduz com fidelidade esses acontecimentos. Um empregado pardo de um clube da alta sociedade do Rio, excelente driblador, coloca bastante talco sobre o rosto para poder jogar ao lado de descendentes da aristocracia mon\u00e1rquica. Esse disfarce utilizado por atletas negros deu ao Fluminense o apelido de \u201cp\u00f3 de arroz\u201d.<\/p>\n<p>Depois que o Brasil perdeu a Copa de 50, no Maracan\u00e3, muitos torcedores embarcaram na id\u00e9ia de que o atleta negro tremia nos momentos de decis\u00e3o, citando o lateral Bigode e o goleiro Barbosa, responsabilizados pelo gol de Ghiggia, que deu o Mundial ao Uruguai. Esqueceram que, no passado, Le\u00f4nidas da Silva e Domingos da Guia brilharam na Sele\u00e7\u00e3o Brasileira e nos seus respectivos clubes.<\/p>\n<p>Conta o jornalista M\u00e1rio Filho em seu livro \u201cO Negro no Futebol Brasileiro\u201d, que na Copa de 54, na Su\u00ed\u00e7a, o time brasileiro foi acusado de timidez diante dos poderosos h\u00fangaros, que aplicaram uma surra nos comandados de Zez\u00e9 Moreira.<\/p>\n<p>Esse falso conceito acabou em 58, na Su\u00e9cia, contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Os negros Garrincha e Pel\u00e9 foram escalados nos lugares dos ent\u00e3o titulares Joel e Mazzola, contrariando o psic\u00f3logo da Sele\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o Carvalhaes, que tamb\u00e9m alimentava esse abomin\u00e1vel preconceito.<\/p>\n<p>Voltarei ao tema na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No calor das discuss\u00f5es sobre a pr\u00e1tica de racismo no Brasil n\u00e3o se ouviu ou se leu qualquer refer\u00eancia ao baiano Carlos Alberto Ca\u00f3 Oliveira Santos, autor da Lei 7.716\/89, sancionada pelo ent\u00e3o presidente Jos\u00e9 Sarney. 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