{"id":10477,"date":"2025-04-08T22:35:22","date_gmt":"2025-04-09T01:35:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10477"},"modified":"2025-04-08T22:35:30","modified_gmt":"2025-04-09T01:35:30","slug":"o-som-da-madrugada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/04\/08\/o-som-da-madrugada\/","title":{"rendered":"O SOM DA MADRUGADA"},"content":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea dorme mais tarde, lendo, escrevendo ou fazendo algum trabalho intelectual, j\u00e1 parou para observar o som do sil\u00eancio da madrugada, mesmo que seja numa cidade grande agitada? Se nunca fez, experimente e vai descobrir muitas coisas interessantes. A madrugada \u00e9 um laborat\u00f3rio de experi\u00eancias.<\/p>\n<p>L\u00e1 fora voc\u00ea pode at\u00e9 ouvir o farfalhar das \u00e1rvores no balan\u00e7o do vento, o latido do cachorro mais distante na rua ou a voz de um vizinho, o tr\u00e2nsito menos barulhento dos carros, um chiado vindo de longe, a pisada de algum solit\u00e1rio e, o mais po\u00e9tico, s\u00e3o os pingos da chuva calma, sem raios e trov\u00f5es, nem tempestades!<\/p>\n<p>Ao som da madrugada se escuta at\u00e9 o zunido de uma bala saindo do cano de uma arma. Nesse caso, o tema vira assassinato na madrugada. \u00c9 um bom enredo liter\u00e1rio de romance policial que d\u00e1 at\u00e9 filme. O pior s\u00e3o as discuss\u00f5es agressivas entre homem e mulher que, \u00e0s vezes, terminam em morte. Os dramas familiares! Os indiv\u00edduos da madrugada s\u00e3o testemunhas das viol\u00eancias.<\/p>\n<p>\u00c9 na madrugada, depois da meia noite, que se ouve batidas estranhas de fantasmas e \u201calmas penadas\u201d em casas mal-assombradas. Qualquer estalo \u00e9 motivo de p\u00e2nico ou medo de ser um ladr\u00e3o ou coisa de outro mundo. Voc\u00ea fica mais atento a tudo que se move ao seu redor.<\/p>\n<p>&#8211; Vejo outras coisas mais interessantes e picantes &#8211; disse um amigo meu que tamb\u00e9m vive da ins\u00f4nia e o chamam de coruj\u00e3o da meia noite. Conheci muitos que n\u00e3o conseguem dormir e j\u00e1 se habituaram com isso. Pode ser esquisito, mas \u00e9 um requisito peculiar e privilegiado.<\/p>\n<p>Ele me reportou, com seu tom jocoso e sarc\u00e1stico, sobre a vida de um casal que mora um pouco abaixo do seu apartamento e tem noites certas de fazer sexo com aquele esc\u00e2ndalo er\u00f3tico. Naqueles tempos bicudos, s\u00f3 maiores de 18 anos podiam saber disso.<\/p>\n<p>&#8211; Bicho, a mulher morena baixinha \u00e9 uma hist\u00e9rico e, na hora do vamos ver, grita alto, geme e pede sempre mais e mais. \u00c9 uma gulosa! N\u00e3o para, n\u00e3o para \u2013 repete a mulher em tom exagerado como se estivesse sozinha num acampamento des\u00e9rtico.<\/p>\n<p>&#8211; Aquilo me deixa doido! \u2013 J\u00e1 sei, n\u00e3o precisa falar. Tem palavras que n\u00e3o s\u00e3o convenientes citar aqui, sen\u00e3o moralistas v\u00e3o me levar para a inquisi\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea que est\u00e1 acompanhando esse papo deve estar imaginando os termos de amor, amor, amor, vai mais!<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 uma loucura, cara, tamb\u00e9m escuto esse tipo de coisa e me lembro de um casal com esse estilo tarado de transar quando morava em Salvador num pr\u00e9dio de apartamento. Batia o sil\u00eancio da madrugada e a\u00ed o pau comia. Outros s\u00e3o bem mais discretos na cama.<\/p>\n<p>&#8211; Certos animais tamb\u00e9m t\u00eam esse comportamento selvagem dos humanos. Quem j\u00e1 n\u00e3o ouviu uma transa de gatos no telhado! Um neg\u00f3cio de louco! A Gata solta miados e sons estridentes. Eu que diga aqui em minha casa. \u00c9 tanto barulho que me atrevo a interferir, mesmo sabendo que n\u00e3o tenho esse direito de empatar o amor ou a f&#8230; de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Posso at\u00e9 ser processado e preso pelos defensores dos direitos animais por importuna\u00e7\u00e3o e constrangimento ao amor (os humanos n\u00e3o ficam fora), mas \u00e9 demais e n\u00e3o consigo suportar os chiados que me atrapalham esse tipo de som da madrugada.<\/p>\n<p>Se os sons do sil\u00eancio da madrugada urbana chamam a aten\u00e7\u00e3o e lhe d\u00e3o mais inspira\u00e7\u00e3o para escrever, filosofar consigo mesmo, refletir e poetar, agora pense como n\u00e3o \u00e9 no campo, principalmente em noite de lua cheia que prateia o terreiro do seu ch\u00e3o. Lembrei dos uivos dos lobos, coiotes e at\u00e9 do lobisomem.<\/p>\n<p>L\u00e1 voc\u00ea curte mais o vento bater na comieira da casa, o casco do cavalo, do burro ou da mula na estrada com seu cavaleiro, no galope cadenciado, o ranger dos galhos das grandes \u00e1rvores na mata, e o sertanejo percebe de longe quando algu\u00e9m se aproxima da sua casa.<\/p>\n<p>Posso dizer que \u00e9 um som mais po\u00e9tico porque j\u00e1 vivi por muito tempo na zona rural, inclusive naqueles tempos que n\u00e3o havia energia el\u00e9trica e nem televis\u00e3o, quando muito um r\u00e1dio cheio de ru\u00eddos. Meu pai sentia at\u00e9 quando um animal se aproximava do nosso rancho. S\u00e3o coisas do homem do campo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea dorme mais tarde, lendo, escrevendo ou fazendo algum trabalho intelectual, j\u00e1 parou para observar o som do sil\u00eancio da madrugada, mesmo que seja numa cidade grande agitada? Se nunca fez, experimente e vai descobrir muitas coisas interessantes. A madrugada \u00e9 um laborat\u00f3rio de experi\u00eancias. L\u00e1 fora voc\u00ea pode at\u00e9 ouvir o farfalhar das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10477"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10477"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10477\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10478,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10477\/revisions\/10478"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}