{"id":10471,"date":"2025-04-04T22:08:11","date_gmt":"2025-04-05T01:08:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10471"},"modified":"2025-04-04T22:08:40","modified_gmt":"2025-04-05T01:08:40","slug":"a-questao-social-a-i-guerra-e-a-decadencia-na-inglaterra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/04\/04\/a-questao-social-a-i-guerra-e-a-decadencia-na-inglaterra\/","title":{"rendered":"A QUEST\u00c3O SOCIAL, A I GUERRA E A DECAD\u00caNCIA NA INGLATERRA"},"content":{"rendered":"<p>No livro \u201cUm Pouco de Ar, Por Favor\u201d, o famoso escritor George Orwell, conta a hist\u00f3ria de George Bowling desde os tempos de crian\u00e7a e sua obsess\u00e3o pela pesca; os h\u00e1bitos das pessoas mais pobres e seus problemas sociais nos idos dos anos 1909 a 1918. \u00c9 uma narrativa na primeira pessoa feita por George numa pequena cidade inglesa.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, ele mostra uma Inglaterra em decad\u00eancia com grandes desigualdades sociais onde muitas empresas comerciais estavam entrando em fal\u00eancia. Apesar da vida corriqueira, pacata e mon\u00f3tona da classe m\u00e9dia e carregada de preconceitos, o autor da obra prende o leitor com seus m\u00ednimos detalhes.<\/p>\n<p>Ainda jovem, entre 16 a 17 anos, o narrador se alista e participa da I Guerra Mundial (1914-1918), lutando na Fran\u00e7a contra a Alemanha. George Boelling mostra os horrores da guerra e as sujeiras nos campos e nas trincheiras das batalhas. S\u00e3o cenas de degrada\u00e7\u00e3o humana, atos de estupro, inclusive de freiras.<\/p>\n<p>Em toda sua narrativa, George est\u00e1 sempre falando de pesca, mas volta tamb\u00e9m sua aten\u00e7\u00e3o para a descoberta da leitura aos 10 ou 11 anos, de maneira volunt\u00e1ria. \u201cNessa idade \u00e9 como descobrir um novo mundo\u201d. Sempre me apaixono pelo best-seller do momento (Os Bons Companheiros, Lanceiros da \u00cdndia e O Castelo do Homem sem Alma).<\/p>\n<p>Quando jovem ele se tornou membro do Clube do Livro da Esquerda. \u201cLi as coisas que queria ler e tirei mais proveito delas do que jamais tirei das coisas que me ensinaram na escola\u201d. Descreve tamb\u00e9m os seman\u00e1rios para meninos que circulavam naqueles tempos dos idos de 1900.<\/p>\n<p>Como ocorre no Brasil de hoje e em outros pa\u00edses do mesmo n\u00edvel desenvolvimentista, o escritor relata a situa\u00e7\u00e3o do narrador da prosa que teve logo cedo de deixar a escola para trabalhar para ajudar sua fam\u00edlia que tinha uma loja entrando em fal\u00eancia.<\/p>\n<p>Num de seus di\u00e1logos de juventude, George Orwell destaca que \u201cAlgum dia, de uma forma ou de outra, haveria dinheiro suficiente para eu \u201cme estabelecer\u201d sozinho. Era assim que as pessoas se sentiam naquela \u00e9poca. Isso foi antes da guerra, lembre-se, e antes das crises e do desemprego\u201d. Ele relata os tempos da grande concorr\u00eancia comercial, mas enfatiza que havia lugar para todos.<\/p>\n<p>Sobre a vida jovem, diz que \u201cem alguma parte conhecida da cidade, os meninos caminhavam para cima e para baixo em pares, observando as meninas, e as meninas caminhavam para baixo e para cima em pares, fingindo n\u00e3o notar os meninos. E logo algum tipo de contato era estabelecido e, em vez de dois, estavam andando em quatro, todos os quatro totalmente mudos\u201d.<\/p>\n<p>Quanto a primavera de 1914, George, o narrador, ressalta que a vida era mais dura. \u201cAs pessoas em geral trabalhavam mais, viveram com menos conforto e morreram de forma mais dolorosa. O que era chamada de pobreza \u201crespeit\u00e1vel\u201d era ainda pior. Voc\u00ea via coisas horr\u00edveis acontecendo. Pequenos neg\u00f3cios falindo, comerciantes s\u00f3lidos indo aos poucos \u00e0 bancarrota, pessoas morrendo de c\u00e2ncer e doen\u00e7as hep\u00e1ticas&#8230;\u201d<\/p>\n<p>\u201cMeninas arruinadas para o resto da vida por um beb\u00ea ileg\u00edtimo. As casas n\u00e3o tinham banheiro, voc\u00ea quebrava o gelo da sua bacia nas manh\u00e3s de inverno, as ruas de tr\u00e1s fediam como o diabo no tempo quente, e o cemit\u00e9rio ficava cheio no meio da cidade, de modo que voc\u00ea nunca passava um dia sem se lembrar de como teria que morrer\u201d.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 cren\u00e7a religiosa, o escritor assinala, atrav\u00e9s de seu personagem principal, que quase todo mundo ia \u00e0 igreja, pelo menos no interior. As pessoas acreditavam em uma vida ap\u00f3s a morte. \u201cMas nunca conheci algu\u00e9m que me desse a impress\u00e3o de realmente acreditar em uma vida futura. Acho que, no m\u00e1ximo, as pessoas acreditam nesse tipo de coisa da mesma forma que as crian\u00e7as acreditam no Papai Noel. \u00c9 f\u00e1cil morrer se as coisas com que voc\u00ea se preocupa v\u00e3o sobreviver. Voc\u00ea teve sua vida, est\u00e1 ficando cansado, \u00e9 hora de ir para baixo da terra\u201d.<\/p>\n<p>Ao falar da guerra, ele indaga: \u201cVoc\u00ea se lembra daqueles hospitais de campanha em tempos de guerra? As longas filas de cabana de madeira, que pareciam galinheiros, presas bem no topo daquelas colinas geladas bestiais \u2013 a Costa Sul, as pessoas costumavam chamar assim, o que me fez imaginar como seria a Costa Norte \u2013 onde o vento parece soprar de todas as dire\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQualquer um que fosse forte o suficiente costumava vagar por quil\u00f4metros nas colinas na esperan\u00e7a de encontrar garotas. Nunca havia suficiente para todos. Um garoto de rosto rosado, de cerca de oito anos, caminhou at\u00e9 um grupo de homens feridos sentados na grama, abriu um pacote de Woodbines e prontamente entregou um cigarro a cada homem, era exatamente como alimentar os macacos no zool\u00f3gico\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No livro \u201cUm Pouco de Ar, Por Favor\u201d, o famoso escritor George Orwell, conta a hist\u00f3ria de George Bowling desde os tempos de crian\u00e7a e sua obsess\u00e3o pela pesca; os h\u00e1bitos das pessoas mais pobres e seus problemas sociais nos idos dos anos 1909 a 1918. \u00c9 uma narrativa na primeira pessoa feita por George [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10471"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10471"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10471\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10472,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10471\/revisions\/10472"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}