{"id":10469,"date":"2025-04-04T00:12:36","date_gmt":"2025-04-04T03:12:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10469"},"modified":"2025-04-04T00:12:43","modified_gmt":"2025-04-04T03:12:43","slug":"bode-e-vaca-curtiam-adoidado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/04\/04\/bode-e-vaca-curtiam-adoidado\/","title":{"rendered":"BODE E VACA CURTIAM ADOIDADO"},"content":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>Z\u00e9 da Baixa gosta de contar uns casos dif\u00edceis de acreditar, mas f\u00e1ceis de fazer rir. Quando toma umas duas, ent\u00e3o, Z\u00e9 se solta, e tome-lhe hist\u00f3ria. Conta todas com aquele jeito s\u00e9rio do bom culhudeiro, pois mentiroso \u00e9 palavra pequena pra ele.<\/p>\n<p>De bode, ent\u00e3o, ele \u00e9 cheio de casos. Outro dia, na Barraca de Isidro, falava-se de roubo de animais quando Z\u00e9 tomou a palavra pra contar como \u00e9 que se rouba bode na terra dele: \u201cVoc\u00ea joga um algod\u00e3o com \u00e9ter, e o bicho vem doido. Cheira, fica tonto, e a\u00ed voc\u00ea pega ele com a maior facilidade e coloca dentro da camionete\u201d.<\/p>\n<p>\u201cVai ver\u201d, comentou um dos frequentadores de Seu Isidro, \u201cque ele gostava mesmo era do cheirinho da lol\u00f3, muito usado no Carnaval\u201d. Z\u00e9 completou na hora \u2013 pois mentiroso sempre est\u00e1 acrescentando \u2013 dizendo que o bode cheirava lol\u00f3 mesmo, pois fora criado no quintalzinho de uma prostituta na Ladeira da Montanha e que, no Carnaval, n\u00e3o tinha quem segurasse o bicho. Teve um dia que seguiu o trio el\u00e9trico de Dod\u00f4 e Osmar da Pra\u00e7a Castro Alves at\u00e9 o Campo Grande e voltou descansando num afox\u00e9. No Campo Grande teve at\u00e9 confus\u00e3o, pois queriam pegar ele pra churrasquinho.<\/p>\n<p>Se o bode do interior cheirava \u00e9ter, viciado que era dos tempos da capital, o que acontecia com os outros bichos? Mais animado ainda \u2013 pois mentiroso, quando a plateia aumenta, o tamanho da culhuda tamb\u00e9m cresce -, Z\u00e9 da Baixa passou a falar da vaca de Z\u00e9 Paulino, viciada em maconha. Trocava qualquer capim coloni\u00e3o por umas folhas da erva maldita.<\/p>\n<p>A vaca, que se chamava \u201cFumacinha\u201d, chegou at\u00e9 a ser usada pela Pol\u00edcia Federal numa das batidas em Juazeiro e no sert\u00e3o de Pernambuco. \u201cEra s\u00f3 soltar a bicha que ela ia certinha na planta\u00e7\u00e3o de maconha. Todo mundo preso, a planta\u00e7\u00e3o queimada, mas antes se tirava uns molhezinhos para acalmar \u201cFumacinha\u201d, que j\u00e1 tinha dois bezerros come\u00e7ando a enjoar do coloni\u00e3o, esse capim que n\u00e3o t\u00e1 com nada\u201d.<\/p>\n<p>Ele dizia, tamb\u00e9m, que a tal vaca chegou a passar uns tempos em Arembepe, na d\u00e9cada de 70, e n\u00e3o podia ver barraca de hippie armada que encostava, j\u00e1 fu\u00e7ando pela janelinha algum cheiro conhecido. Foi dessa \u00e9poca o colar de pedras peruanas que segura seu sininho at\u00e9 hoje. Tamb\u00e9m o cora\u00e7\u00e3ozinho de prata, que usa na pata direita.<\/p>\n<p>Segundo Z\u00e9 da Baixa, tem vaqueiro que costuma notar, de noite, um foguinho aceso no curral. Quando vai ver, \u00e9 \u201cFumacinha\u201d acendendo um incenso e mugindo umas can\u00e7\u00f5es dos Hare Krishna. Outro vaqueiro mais velho atesta que ela chorou de fazer d\u00f3 no dia em que John Lennon foi assassinado e que s\u00f3 n\u00e3o foi, agora, pro show de Paul McCartney, no Rio, porque o \u00fanico caminh\u00e3o dispon\u00edvel j\u00e1 tinha sido fretado pelo bode da lol\u00f3, que levou amigos e cabritas.<\/p>\n<p>Z\u00e9 confessa que n\u00e3o sabe o que levou \u201cFumacinha\u201d a isso. Se foi a falta de pasto ou a desilus\u00e3o amorosa com o touro \u201cCarambola\u201d, aquele que passou a se chamar \u201cCaramba\u201d depois de um salto mal dado por cima da cerca de arame farpado, onde ficaram as bolas.<\/p>\n<p>Outros acham que foi um macaco que andou pela cidade tempos atr\u00e1s, que tinha um embornal de onde sa\u00eda o diabo. Dizem que esse macaco mora hoje na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>(Cr\u00f4nica publicada no jornal A Tarde em 12\/5\/1990)<\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em leiamaisba.com.br)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) Z\u00e9 da Baixa gosta de contar uns casos dif\u00edceis de acreditar, mas f\u00e1ceis de fazer rir. Quando toma umas duas, ent\u00e3o, Z\u00e9 se solta, e tome-lhe hist\u00f3ria. Conta todas com aquele jeito s\u00e9rio do bom culhudeiro, pois mentiroso \u00e9 palavra pequena pra ele. De bode, ent\u00e3o, ele \u00e9 cheio de casos. 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