{"id":10422,"date":"2025-03-21T23:30:15","date_gmt":"2025-03-22T02:30:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10422"},"modified":"2025-03-21T23:30:24","modified_gmt":"2025-03-22T02:30:24","slug":"um-pouco-de-ar-por-favor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/03\/21\/um-pouco-de-ar-por-favor\/","title":{"rendered":"&#8220;UM POUCO DE AR, POR FAVOR&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/DSC_9099.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10423\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/DSC_9099.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/DSC_9099.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/DSC_9099-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na primeira pessoa, com o narrador na terceira (protagonista), o escritor indiano-ingl\u00eas George Orwell descreve com detalhes, em \u201cUm Pouco de Ar, Por Favor\u201d, a vida em Londres num per\u00edodo pr\u00f3ximo da Segunda Guerra Mundial, mostrando os h\u00e1bitos e costumes de uma comunidade em seu cotidiano.<\/p>\n<p>A leitura \u00e9 fascinante, e o autor da obra prende o leitor a partir dos primeiros cap\u00edtulos, fazendo um autorretrato de uma pessoa gorda e como \u00e9 visto pelos outros. George Orwell, um escritor conhecido mundialmente, fala, numa maneira \u00e1cida e amarga, como vivia a classe trabalhadora e a popula\u00e7\u00e3o geral londrina, num ar de suspense diante do espectro de uma guerra que estava por vir.<\/p>\n<p>Sua prosa, como escreve o prefaciador da obra, \u201cabre uma janela para mostrar a ansiedade do pr\u00e9-guerra experimentada por pessoas comuns na Inglaterra, como o protagonista George Bowling, que transmite seus pensamentos com grande honestidade e humor autodepreciativo\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo cheio de detalhes das pessoas e das coisas em geral ao seu redor, o personagem, gorda e de quarenta e cinco anos, na primeira pessoa, n\u00e3o \u00e9 enfadonho, muito pelo contr\u00e1rio, leva o leitor a segu\u00ed-lo em sua narrativa.<\/p>\n<p>Entre tantos outros em seu entorno, George cita Hilda, de 39 anos. \u201cQuando a conheci, parecia uma lebre. Ainda parece, mas est\u00e1 muito magra e um tanto enrugada, com uma express\u00e3o taciturna e preocupada nos olhos\u201d&#8230; \u00c9 uma daquelas pessoas que curtem a vida ao prever desastres\u201d.<\/p>\n<p>Em sua narrativa, o autor faz uma descri\u00e7\u00e3o do bairro pobre em que vive, \u201ccom ruas que se alastram por todos os sub\u00farbios, do centro ao interior\u201d. Suas express\u00f5es s\u00e3o fortes quando afirma que \u201cas casas s\u00e3o sempre as mesmas. Longas, longas fileiras de pequenas casas geminadas. Existe algum tipo antissocial\u201d.<\/p>\n<p>Sobre os trabalhadores, chega a enfatizar que existem muitas besteiras sendo faladas sobre o sofrimento da classe oper\u00e1ria. \u201cN\u00e3o lamento tanto pelos prolet\u00e1rios. Voc\u00ea j\u00e1 conheceu um marinheiro que fica acordado pensando na demiss\u00e3o? O prolet\u00e1rio sofre fisicamente, mas \u00e9 um homem livre quando n\u00e3o est\u00e1 trabalhando\u201d.<\/p>\n<p>Quanto a fraudes imobili\u00e1rias, aponta para sua pr\u00f3pria \u00e1rea de seguros. No entanto, retruca \u201cque \u00e9 uma fraude aberta com as cartas na mesa. Por\u00e9m, a beleza das fraudes na sociedade civil \u00e9 que suas v\u00edtimas pensam que voc\u00ea est\u00e1 lhes fazendo uma gentileza\u201d.<\/p>\n<p>Numa cr\u00edtica ao capitalismo, num trecho do seu texto, assinala \u201cque cada um desses pobres diabos oprimidos, suando at\u00e9 pagar o dobro do pre\u00e7o adequado por uma casa de boneca de tijolos,\u00a0 que se chama\u00a0 Belle Vue \u2013 que n\u00e3o tem vista e n\u00e3o \u00e9 bela \u2013 cada um desses pobres ot\u00e1rios morreria no campo de batalha para salvar seu pa\u00eds do bolchevismo\u201d.<\/p>\n<p>Bem, como todos j\u00e1 devem saber, George Orwell nasceu Eric Arthur Blair, em 25 de junho de 1903, em Bengala, na \u00cdndia, onde seu pai trabalhava para o Departamento de \u00d3pio do Servi\u00e7o P\u00fablico Indiano da Gr\u00e3-Bretanha. Estudou em institui\u00e7\u00f5es de elite e foi ele pr\u00f3prio durante cinco anos agente da pol\u00edcia imperial da Birm\u00e2nia. Viveu com os miser\u00e1veis em Paris e Londres. No final dos anos 20 lutou pela causa republicana na Guerra Civil Espanhola.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/DSC_9105.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10424\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/DSC_9105.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/DSC_9105.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/DSC_9105-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na primeira pessoa, com o narrador na terceira (protagonista), o escritor indiano-ingl\u00eas George Orwell descreve com detalhes, em \u201cUm Pouco de Ar, Por Favor\u201d, a vida em Londres num per\u00edodo pr\u00f3ximo da Segunda Guerra Mundial, mostrando os h\u00e1bitos e costumes de uma comunidade em seu cotidiano. 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