{"id":10412,"date":"2025-03-18T22:12:41","date_gmt":"2025-03-19T01:12:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10412"},"modified":"2025-03-18T22:12:49","modified_gmt":"2025-03-19T01:12:49","slug":"a-bruxa-esta-solta-no-ar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/03\/18\/a-bruxa-esta-solta-no-ar\/","title":{"rendered":"A BRUXA EST\u00c1 SOLTA NO AR"},"content":{"rendered":"<p>Em toda a minha vida, que eu me lembre, nunca vi tantos acidentes no ar e em terra de helic\u00f3pteros e avi\u00f5es de pequeno e grande porte. \u00a0A impress\u00e3o \u00e9 que a bruxa est\u00e1 solta no ar, ou seria mais algum fen\u00f4meno das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas do aquecimento global? Ainda ontem o avi\u00e3o do presidente teve que arremessar.<\/p>\n<p>Se j\u00e1 tinha, agora tenho mais \u201cmedo de avi\u00e3o\u201d, segurando sua m\u00e3o, como escreveu o poeta cancioneiro nordestino Belchior. N\u00e3o sou especialista no assunto, mas algo est\u00e1 acontecendo de anormal.<\/p>\n<p>Entendo que a melhor explica\u00e7\u00e3o vem da redu\u00e7\u00e3o de custos das empresas de avia\u00e7\u00e3o no que pese \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de suas aeronaves e diminui\u00e7\u00e3o no contingente de seus pilotos, for\u00e7ando o excesso de trabalho daqueles que est\u00e3o na atividade. Bate o estresse por carga demasiada de servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o para tantos acidentes &#8211; dizem que o avi\u00e3o \u00e9 o meio de transporte mais seguro do mundo \u2013 \u00e9 o confuso controle do espa\u00e7o a\u00e9reo, tamb\u00e9m excesso de trabalho dos t\u00e9cnicos e, no caso espec\u00edfico do Brasil, a m\u00e1 gest\u00e3o da ANAC (Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil) que relaxa no quesito da inspe\u00e7\u00e3o mais r\u00edgida sobre as empresas.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, por exemplo, recentemente um helic\u00f3ptero do ex\u00e9rcito se chocou com um avi\u00e3o comercial. Em outros pa\u00edses tamb\u00e9m vem ocorrendo acidentes graves com centenas de mortes. Entrar num avi\u00e3o hoje j\u00e1 \u00e9 motivo de p\u00e2nico. Eu mesmo, confesso que se for obrigado a fazer uma viagem, vou entrar com as pernas bambas, calafrios na barriga e arritmias no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o problema n\u00e3o est\u00e1 somente no Brasil, um pa\u00eds onde a estrutura e infraestrutura dos portos, aeroportos e transportes terrestres deixam muito a desejar porque aqui temos a cultura do se fazer vistas grossas para os erros, sem contar aquele tal jeitinho brasileiro do suborno.<\/p>\n<p>N\u00e3o nego que sempre tive medo de avi\u00e3o por causa das alturas, mas j\u00e1 rodei quase todo Brasil pelo ar e atravessei o Atl\u00e2ntico por duas vezes. Na primeira foi em 1982 para Alemanha. Meu maior sufoco \u2013 parecia que o cora\u00e7\u00e3o ia pular fora \u2013 foi de Munique para Berlim nos tempos da Guerra Fria.<\/p>\n<p>Como a aeronave era obrigada a voar baixo para n\u00e3o ser abatida pelas for\u00e7as dos Estados Unidos, Fran\u00e7a e Inglaterra, o tro\u00e7o balan\u00e7ava e se jogava de um lado para o outro mais que montanha russa. O sil\u00eancio era total e bateu o medo de morrer em todos passageiros. A maioria pegava na m\u00e3o do outro. Olhava para os Alpes e pensava que iria ficar enterrado ali naquela geleira.<\/p>\n<p>Quando menino, meus primeiros meios de transporte eram os p\u00e9s (longas caminhas da ro\u00e7a para Piritiba), jumento, a carro\u00e7a, o trem e o carro-de-boi. Eram os mais seguros de todos, se bem que nos tempos atuais ser pedestre \u00e9 um risco nas grandes cidades. O trem, vez por outra, descarrilhava.<\/p>\n<p>Inventaram os carros e depois o avi\u00e3o, o mais \u201cassombroso\u201d por causa das alturas em temperaturas congelantes e da alta velocidade. O japon\u00eas criou o trem bala deslizando ou levitando em trilhos modernos e el\u00e9tricos, controlado por pain\u00e9is sofisticados de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, talvez o mais seguro.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o cresceu (s\u00e3o mais de sete bilh\u00f5es de almas) e junto com ela a demanda. Era l\u00f3gico que os acidentes iam aumentar, inclusive os terrestres que ainda mais matam pela imprud\u00eancia e falha humana.<\/p>\n<p>Temos mais avi\u00f5es cruzando os c\u00e9us e agora est\u00e3o construindo uns tipos de drones voadores chamados de taxis a\u00e9reos ou aplicativos de Uber. Aliado aos fatores j\u00e1 mencionados acima, pode ser tamb\u00e9m um motivo para tantos acidentes fatais. A tecnologia avan\u00e7ada hoje mata muito mais do que antes quando ela n\u00e3o existia. At\u00e9 celulares explodem em nossas m\u00e3os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em toda a minha vida, que eu me lembre, nunca vi tantos acidentes no ar e em terra de helic\u00f3pteros e avi\u00f5es de pequeno e grande porte. \u00a0A impress\u00e3o \u00e9 que a bruxa est\u00e1 solta no ar, ou seria mais algum fen\u00f4meno das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas do aquecimento global? 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