{"id":10410,"date":"2025-03-17T23:53:01","date_gmt":"2025-03-18T02:53:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10410"},"modified":"2025-03-17T23:53:09","modified_gmt":"2025-03-18T02:53:09","slug":"a-historia-como-ela-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/03\/17\/a-historia-como-ela-e\/","title":{"rendered":"A HIST\u00d3RIA COMO ELA \u00c9"},"content":{"rendered":"<p>Meu al\u00f4 para o grande cronista Nelson Rodrigues, com \u201cA Vida Como Ela \u00c9! \u201d Vou contar um pouco da nossa hist\u00f3ria do Brasil como ela \u00e9, parodiando o escritor, que at\u00e9 pode ser adotada nas escolas p\u00fablicas e privadas.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou com Pedro Alves Cabral que, na verdade, tinha o nome de Pedro \u00c1lvares Gouveia se tivesse pego uma parte do sobrenome da sua m\u00e3e. Nasceu em Belmonte (Portugal) por volta de 1467\/68 e morreu em Santar\u00e9m, em 1520.<\/p>\n<p>Era um grande navegador, mas estava l\u00e1 desempregado. Passava maior parte do seu tempo pescando e jogando conversa fora pelos botequins da vida. Contam at\u00e9 que era um tremendo cachacista inveterado.<\/p>\n<p>Em seu esplendor vivia o rei D. Manuel I em seu pal\u00e1cio desfrutando do bom e do melhor, mas estava acossado pelos espanh\u00f3is que j\u00e1 haviam conquistado as Am\u00e9ricas e suas terras s\u00f3 cresciam. Na \u00e9poca o rei venturoso perseguia, implacavelmente, os judeus e os mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed, ent\u00e3o, que ele resolveu se reunir com seus oficiais e mandar chamar o Cabral que era um cabra corajoso. Apontou para o mapa e prometeu constituir uma armada. Quero que voc\u00ea desembarque neste ponto \u2013 marcou com seu dedo.<\/p>\n<p>Vou alardear por a\u00ed que voc\u00ea est\u00e1 indo para a \u00cdndia para driblar os espanh\u00f3is. Soube que um tal de Vicente Yanez Pinzon esteve por l\u00e1, mas n\u00e3o tomou posse daquele lote cheio de riquezas \u2013 falou com tom de raiva. \u00a0N\u00e3o houve vazamento na opera\u00e7\u00e3o secreta.<\/p>\n<p>Cabral olhou e exigiu homens valentes, de prefer\u00eancia malfeitores, degredados, gente ruim mesmo. O rei alertou que ele ia ter problemas na longa viagem, com brigas e at\u00e9 assassinatos. Sem problemas, mando quebrar todos insubordinados na porrada e no cacete \u2013 respondeu o navegador. D. Manuel, que reinou de 1495 at\u00e9 1521, no lugar de D. Jo\u00e3o III, ainda deu de quebra uns judeus para ele.<\/p>\n<p>Assim ele fez e partiu do Rio Tejo, em oito de mar\u00e7o de 1500, chegando ao Pindorama &#8211; Terras das Palmeiras pelos \u00edndios, em 22 de abril e avistou um monte do qual deu o nome de Pascal por ser per\u00edodo da p\u00e1scoa. Sem essa de ter se perdido pelas correntes e ter sido empurrado pela calmaria do mar.\u00a0 N\u00e3o foi por acaso.<\/p>\n<p>De in\u00edcio, sem a no\u00e7\u00e3o do seu tamanho continental, sua comitiva deu o nome de Ilha de Vera Cruz, em homenagem \u00e0s lascas da cruz \u00a0\u00a0\u00a0onde Cristo foi crucificado. Outra lorota.<\/p>\n<p>No entanto, antes de Brasil, aqui foi chamado de Terra Nova e Terra dos Papagaios. At\u00e9 hoje somos papagaios na habilidade de imitar as culturas e costumes de outros pa\u00edses. Primeiro foi a Fran\u00e7a e depois os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Com Cabral vieram 13 embarca\u00e7\u00f5es (n\u00famero do azar) ou caravelas. Com ele tinha um escriv\u00e3o por nome de Pero Vaz Caminha que contou um bando de mentiras para agradar o rei. Enterraram dois degredados na praia e Caminha escreveu que a terra era t\u00e3o f\u00e9rtil que aqui plantando, tudo d\u00e1.<\/p>\n<p>Para enganar os nativos, o comandante, j\u00e1 prevenido, deu um monte de presentinhos fajutos e sapecou o ferro nas \u00edndias transmitindo suas doen\u00e7as ven\u00e9reas e um bocado de outros v\u00edrus. Por aqui ficou 13 dias, levando cargas de pau brasil. Daqui ele seguiu sua jornada at\u00e9 a \u00cdndia.<\/p>\n<p>Essa foi a primeira etapa da invas\u00e3o explorat\u00f3ria quando esta terra come\u00e7ou a ser infestada de transgressores, trambiqueiros, trapaceiros e corruptos. A inten\u00e7\u00e3o era s\u00f3 roubar tudo que tinha aqui para dar uma boa vida de farras e bacanais \u00e0s cortes portuguesas, at\u00e9 que um dia o reino entrou em fal\u00eancia.<\/p>\n<p>Bem, vieram outras expedi\u00e7\u00f5es ao longo de mais de 300 anos e as terras foram divididas em sesmarias e capitanias heredit\u00e1rias para os amigos do rei fazerem o que bem queriam.<\/p>\n<p>Logo no in\u00edcio trouxeram para aqui cerca de seis milh\u00f5es de escravos africanos, dos quais, milhares foram mortos e massacrados cruelmente. At\u00e9 hoje o Brasil carrega essa mancha vergonhosa em sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica, atrav\u00e9s dos jesu\u00edtas, tamb\u00e9m criou olho grande e mandou seus mission\u00e1rios para catequizar mais fieis para sua institui\u00e7\u00e3o, com o argumento, e em nome de Deus, de que os \u00edndios eram pag\u00e3os e iam todos para o inferno quando morressem.<\/p>\n<p>Para tomar oficialmente posse da terra, o D. Jo\u00e3o III, se n\u00e3o me engano, enviou seu primeiro governador chamado de Tom\u00e9 de Souza, por volta de 1549. Mais uma vez, os navios vieram lotados de ladr\u00f5es e assim nasceu a corrup\u00e7\u00e3o, inaugurado pelo primeiro procurador geral.<\/p>\n<p>O tempo passou. Aconteceram insurrei\u00e7\u00f5es, rebeli\u00f5es, revoltas, movimentos populares, muitos pela independ\u00eancia e outros n\u00e3o. A maioria tinha o cunho de revolta mesmo pela explora\u00e7\u00e3o das nossas riquezas e pela opress\u00e3o, principalmente praticada contra os mais pobres.<\/p>\n<p>Com a corrup\u00e7\u00e3o nasceu a desigualdade social que persiste at\u00e9 hoje. No final do caminho at\u00e9 o grito de independ\u00eancia, em 1822, passou por aqui um gorducho barrigudo que ocupava a maior parte do seu tempo comendo coxas e asas de frango.<\/p>\n<p>Se lambuzava todo. Sua m\u00e3e Maria era uma louca e sua mulher Leopoldina uma depravada. Seu filho D. Pedro, um tarado por mulheres. Comia tudo que vinha pela frente e se misturava aos ciganos nas festas.<\/p>\n<p>Seu nome era D. Jo\u00e3o VI, que chegou ao Rio de Janeiro em 1808, com mais de 10 mil picaretas que tomaram as casas dos brasileiros. Ele veio de Portugal a ponta p\u00e9s, fugido de Napole\u00e3o. Por pouco n\u00e3o foi pego com as cal\u00e7as na m\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed, meu amigo, que a putaria aumentou mais ainda. As reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas eram cheias de ladr\u00f5es que passavam a m\u00e3o grande nos cidad\u00e3os. Era ladroagem para tudo que era lado. O D. Jo\u00e3o nem est\u00e1 a\u00ed!<\/p>\n<p>A malandragem corria solta e assim foi passando de pai para filho at\u00e9 hoje. S\u00e3o 525 anos e o Brasil continua um pa\u00eds de terceiro mundo. Tem muito mais hist\u00f3ria como ela \u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu al\u00f4 para o grande cronista Nelson Rodrigues, com \u201cA Vida Como Ela \u00c9! \u201d Vou contar um pouco da nossa hist\u00f3ria do Brasil como ela \u00e9, parodiando o escritor, que at\u00e9 pode ser adotada nas escolas p\u00fablicas e privadas. Tudo come\u00e7ou com Pedro Alves Cabral que, na verdade, tinha o nome de Pedro \u00c1lvares [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10410"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10410"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10410\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10411,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10410\/revisions\/10411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}