{"id":10389,"date":"2025-03-08T00:27:39","date_gmt":"2025-03-08T03:27:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10389"},"modified":"2025-03-08T00:28:09","modified_gmt":"2025-03-08T03:28:09","slug":"quando-a-palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/03\/08\/quando-a-palavra\/","title":{"rendered":"QUANDO A PALAVRA TINHA SEU VALOR"},"content":{"rendered":"<p>-Voc\u00ea tem a minha palavra que eu te pagarei a compra no final do m\u00eas em tal dia, ou prometo cumprir com nosso trato.<\/p>\n<p>S\u00f3 a velha gera\u00e7\u00e3o como eu se lembra desses bons tempos quando a palavra tinha seu valor amarrado no fio do bigode. Alguns mais exagerados selavam at\u00e9 na mistura do sangue. N\u00e3o estou falando da palavra liter\u00e1ria, mas da palavra oral, aquela em que tamb\u00e9m se baseia o escritor para narrar sua hist\u00f3ria, fazer sua tese, disserta\u00e7\u00e3o e resgatar a mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Hoje, meu amigo, \u00e9 tudo \u201cpreto no branco\u201d, ou seja, na tinta escrita no papel e assinada em forma de documento registrado em cart\u00f3rio, com toda burocracia, carimbo e testemunhas. Haja protocolo! Acordo trabalhistas, por exemplo, nem pensar fazer de boca!<\/p>\n<p>Nos tempos atuais, mesmo com documenta\u00e7\u00e3o e tudo ainda paira a desconfian\u00e7a porque as pessoas deixaram de ser honestas, para serem trambiqueiras, trapaceiras e malandras. Passar a rasteira no outro \u00e9 ser mais sabido, astuto e at\u00e9 considerado como sin\u00f4nimo de intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>O verbo confiar est\u00e1 em pleno desuso, coisa do passado, que s\u00f3 se encontra no dicion\u00e1rio. Quando era menino recordo muito bem do meu velho pai fazendo neg\u00f3cios com seus vizinhos, tudo na base da palavra.<\/p>\n<p>&#8211; E a\u00ed cumpadi, vamo dividir o ro\u00e7ado meio a meio? Vamos consertar nossas cercas e dividir as despesas? Vou pagar a d\u00edvida com 20 sacos de farinha daqui a seis meses.<\/p>\n<p>As conversas eram assim, sem papel e escritura, com aperto de m\u00e3o. A palavra dada s\u00f3 deixaria de ser cumprida em caso de morte e, mesmo assim, a mulher ou um filho honrava o compromisso para a alma do defunto seguir em paz.<\/p>\n<p>Antigamente, at\u00e9 os coron\u00e9is brabos, brutos e cru\u00e9is daquela \u00e9poca valorizavam a palavra, e ai de quem desse uma de traidor! Era morte na certa.<\/p>\n<p>Atualmente n\u00e3o basta voc\u00ea dizer que \u00e9 honesto. Qualquer negocia\u00e7\u00e3o tem que ser por escrito. Uma aposta tem que ser registrada porque um n\u00e3o acredita no outro.<\/p>\n<p>Por falar em palavra, uma categoria que mais banalizou a honestidade e a seriedade foi a de pol\u00edtico. Prometem mil coisas numa campanha eleitoral, mas quando chega ao poder n\u00e3o realiza nem a metade. Na maioria das vezes faz tudo ao contr\u00e1rio. Ainda assim o eleitorado cai em sua l\u00e1bia.<\/p>\n<p>Ao ver esses exemplos falsos l\u00e1 de cima, o brasileiro em geral (nem todos) da parte debaixo aprendeu tamb\u00e9m a ser desonesto e a enganar. Promete votar num candidato e voto em outro. Muitas vezes, infelizmente, recebe dinheiro de um e voto no outro que deu mais.<\/p>\n<p>\u00c9 isso a\u00ed, quando a palavra tinha seu valor, havia mais senso humano, respeito e confian\u00e7a. Essa quest\u00e3o de se honrar a palavra tem muito a ver com o car\u00e1ter da pessoa que muito depende da forma\u00e7\u00e3o familiar e n\u00e3o da escolaridade. As pessoas mais simples e pobres s\u00e3o mais confi\u00e1veis do que os endinheirados avarentos e gananciosos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>-Voc\u00ea tem a minha palavra que eu te pagarei a compra no final do m\u00eas em tal dia, ou prometo cumprir com nosso trato. S\u00f3 a velha gera\u00e7\u00e3o como eu se lembra desses bons tempos quando a palavra tinha seu valor amarrado no fio do bigode. Alguns mais exagerados selavam at\u00e9 na mistura do sangue. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10389"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10389"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10389\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10391,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10389\/revisions\/10391"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}