{"id":1025,"date":"2015-07-20T22:39:51","date_gmt":"2015-07-21T01:39:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1025"},"modified":"2015-07-20T22:39:57","modified_gmt":"2015-07-21T01:39:57","slug":"radicais-digitais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/07\/20\/radicais-digitais\/","title":{"rendered":"RADICAIS DIGITAIS"},"content":{"rendered":"<p>Blog Refletor \u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p><strong>Itamar indica Orlando sena<\/strong><\/p>\n<p>Dois acontecimentos encadeados me levaram, esta semana, a rever a pintura exponencial de Rembrandt e um filme essencial de Joris Ivens. Ou seja, me levaram para a Holanda dos s\u00e9culos XVII e XX. De Rembrandt, que muita gente boa considera o maior pintor de todos os tempos, fui buscar os autorretratos. Como se sabe, ele fez cerca de 40 retratos de si mesmo, da juventude \u00e0 velhice, mostrando a muta\u00e7\u00e3o da vida, o vendaval do tempo no pr\u00f3prio corpo, principalmente no rosto. \u00c9 uma autobiografia pict\u00f3rica e, sendo Rembrandt, realizada com t\u00e9cnica extraordin\u00e1ria, nenhuma autopiedade e sinceridade absoluta.<\/p>\n<p>Desde muito tempo pessoas juntam os autorretratos de Rembrandt, na ordem em que foram feitos, nesses caderninhos que criam a ilus\u00e3o de movimento quando folheados em velocidade constante com a ponta do polegar, para ver cinematogr\u00e1ficamente a a\u00e7\u00e3o do tempo sobre o rosto do pintor. Com o surgimento do pr\u00f3prio cinema essa ilus\u00e3o foi aperfei\u00e7oada, agora \u00e9 f\u00e1cil de fazer no computador: aquilo n\u00e3o \u00e9 apenas a super detalhada superf\u00edcie de um rosto em transforma\u00e7\u00e3o, mais que isso \u00e9 um esp\u00edrito cruzando as alegrias e agruras da exist\u00eancia humana, uma alma em ebuli\u00e7\u00e3o. Em outro dizer,\u00a0imagens que mostram muito mais do que apenas o que voc\u00ea est\u00e1 vendo.<\/p>\n<p>Do outro holand\u00eas, Joris Ivens, o documentarista transbordante que retratou, ou captou, o s\u00e9culo XX em 35 filmes, revi\u00a0<em>Une Histoire de Vent<\/em>\u00a0(<em>Uma Hist\u00f3ria do Vento<\/em>). \u00c9 o \u00faltimo filme de Ivens, realizado quando tinha 90 anos de idade, em 1988, na China. Ele sempre quis filmar o vento, n\u00e3o apenas na sua materialidade (espalhando sementes e furac\u00f5es, por exemplo) mas principalmente na sua rela\u00e7\u00e3o po\u00e9tica com o tempo. Em 1965 ele havia filmado\u00a0<em>Pour le Mistral<\/em>, sobre o vento seco e frio que sopra no Mediterr\u00e2neo durante o outono. Em 1988 ele escolheu os ventos, no plural, como tema de sua \u00faltima obra e como impulso para contar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><!--more-->Esperando ou seguindo os ventos, Ivens conta metaforicamente o que fez, o que queria, o que viu, o que entendeu e o que sonhou com sequ\u00eancias de imagens reflexivas, sem limites entre o real e a fantasia. Metaforizou a pr\u00f3pria morte, inclusive. Durante a filmagem, ele se sentiu mal e desmaiou. Foi levado \u00e0s pressas a Paris, hospitalizado e estabilizado. Voltou \u00e0 China e encenou seu desmaio, montando-o com cenas das provid\u00eancias tomadas pela equipe quando o verdadeiro desmaio aconteceu, e que tinham sido gravadas. A sua queda da cadeira at\u00e9 o ch\u00e3o do deserto chin\u00eas est\u00e1 no filme. Outra vez em Paris, ele s\u00f3 teve tempo de terminar a edi\u00e7\u00e3o e morreu de verdade.<\/p>\n<p>Dos dois acontecimentos encadeados que me levaram a esses autorretratos verticais, realizados por artistas radicais, o primeiro foi uma conversa que tive com os participantes\u00a0do II Encontro Nacional dos T\u00e9cnicos de Cinema do Sesc (Servi\u00e7o Social do Com\u00e9rcio), no Rio de Janeiro, onde falamos sobre as diferen\u00e7as entre o comportamento humano anal\u00f3gico e o comportamento humano digital. Incluindo h\u00e1bitos da Hiper Modernidade como as selfies e as pessoas buscando seguidores no Facebook.<\/p>\n<p>O outro foi uma mensagem de Antonio Mercado, o brasileiro diretor e professor de teatro radicado na Universidade de Coimbra e que gosta de divertir os amigos. A mensagem se intitula \u201cPara\u00a0as pessoas da minha gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o compreendem realmente porque existe o Facebook\u201d. Com todo respeito, como gostam de dizer os cronistas, reproduzo para voc\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cAtualmente, estou tentando fazer amigos fora do Facebook enquanto utilizo os mesmos princ\u00edpios. Portanto, todo dia eu ando pela rua e digo aos pedestres o que eu comi, como me sinto, o que fiz na noite anterior e o que farei amanh\u00e3. E ent\u00e3o eu lhes dou fotos de minha fam\u00edlia, do meu cachorro e minhas cuidando do jardim e passando o tempo na piscina. E tamb\u00e9m ou\u00e7o as suas conversas e lhes digo que os amo. E isto funciona. Eu j\u00e1 tenho tr\u00eas pessoas me seguindo: dois policiais e um psiquiatra.\u201d<\/p>\n<p>Por Orlando Senna<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Blog Refletor \u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina Itamar indica Orlando sena Dois acontecimentos encadeados me levaram, esta semana, a rever a pintura exponencial de Rembrandt e um filme essencial de Joris Ivens. 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