{"id":10240,"date":"2025-01-22T22:55:10","date_gmt":"2025-01-23T01:55:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10240"},"modified":"2025-01-22T22:55:17","modified_gmt":"2025-01-23T01:55:17","slug":"o-preconceito-contra-os-forasteiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/01\/22\/o-preconceito-contra-os-forasteiros\/","title":{"rendered":"O PRECONCEITO CONTRA OS &#8220;FORASTEIROS&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei porque \u201ccargas d\u00b4\u00e1gua\u201d sempre confundi forasteiro com faroeste dos filmes bang-bang norte-americanos. Quando entrava um cavaleiro ou cauboy desconhecido numa cidadezinha daquelas de cen\u00e1rio buc\u00f3lico, todos saiam nas janelas e nas portas para olhar o sujeito, e cada um fazia suas conjecturas sobre quem era, donde vinha, o que queria, se seria de paz ou mais um justiceiro pistoleiro.<\/p>\n<p>Numa coisa existe rela\u00e7\u00e3o. Quando chega algu\u00e9m de outro lugar para trabalhar, colaborar, progredir, participar das atividades e come\u00e7a a expressar suas opini\u00f5es e cr\u00edticas visando melhorias, algu\u00e9m da terra, com sua raiz preconceituosa, logo parte de l\u00e1 chamando a pessoa de \u201cforasteiro\u201d, sem direito, e tenta exclu\u00ed-lo do conv\u00edvio da comunidade, muitas vezes at\u00e9 com amea\u00e7as de expuls\u00e3o.<\/p>\n<p>Interessante notar que muitos nativos nascidos no munic\u00edpio n\u00e3o d\u00e3o tanto valor \u00e0 sua terra leg\u00edtima quanto a grande maioria dos chamados \u201cforasteiros\u201d. Tenho observado que filhos adotivos de Conquista conhecem mais da sua hist\u00f3ria, de seus costumes, origens e h\u00e1bitos do que certos conquistenses que discriminam os ditos \u201cforasteiros. Infelizmente, isso tamb\u00e9m acontece em outras cidades.<\/p>\n<p>Ao tratar dessa quest\u00e3o \u201cforasteiro\u201d, o nosso mestre professor Durval Menezes nos deu uma li\u00e7\u00e3o sobre o termo e lembrou de um deslize cometido pelo ex-prefeito e ex-deputado Edvaldo Flores nos anos 80, se n\u00e3o me engano. Como candidato ao executivo ele usou, de forma infeliz, uma frase que quase lhe tirou sua vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Num com\u00edcio chegou a dizer que n\u00e3o precisava dos votos dos \u201cforasteiros\u201d para ganhar as elei\u00e7\u00f5es, numa \u00e9poca em que j\u00e1 existiam muitos nordestinos e de outros estados brasileiros na cidade. O l\u00edder Gerson Salles, ent\u00e3o, pediu desculpas aos \u201cforasteiros\u201d pelas palavras pronunciadas por Edvaldo.<\/p>\n<p>Eu mesmo confesso que fui v\u00edtima desse preconceito de ser \u201cforasteiro\u201d quando de Salvador, como jornalista, vim para Vit\u00f3ria da Conquista assumir a chefia da Sucursal do jornal A Tarde. Ora, dentro da nossa profiss\u00e3o, um dos papeis principais \u00e9 criticar e denunciar as coisas erradas dos prefeitos e das lideran\u00e7as dos variados segmentos da sociedade.<\/p>\n<p>Por este comportando, sempre atentando para a \u00e9tica, seriedade e honestidade, fui por muitas vezes xingado e chamado de \u201cforasteiro\u201d, que deveria ser expulso por estar, na vis\u00e3o dessas pessoas, manchando a imagem da cidade. Tentaram at\u00e9 fazer um abaixo-assinado para me tirar daqui, sem contar as amea\u00e7as. Sempre enfrentei tudo isso de cabe\u00e7a erguida, c\u00f4nscio do que estava fazendo.<\/p>\n<p>Enfrentei o preconceito, e a a\u00e7\u00e3o equivocada dessa gente me fortaleceu mais ainda a prosseguir em minha caminhada e em meu trabalho. As rea\u00e7\u00f5es fizeram eu gostar mais ainda de Vit\u00f3ria da Conquista e a prestar a ela meus servi\u00e7os no sentido de somar e n\u00e3o desagregar.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou aqui expor os meus feitos porque estes devem ser julgados pelos outros, se foram de grande valia ou n\u00e3o para o desenvolvimento e o progresso social, pol\u00edtico, cultural e econ\u00f4mico da cidade. Cabe \u00e0 sociedade fazer essa avalia\u00e7\u00e3o, sabendo que nunca vai haver unanimidade, o que \u00e9 normal, porque n\u00e3o tem como agradar a todos.<\/p>\n<p>S\u00f3 sei que me considero um conquistense (tive a honra de receber o t\u00edtulo de cidad\u00e3o e outros pr\u00eamios), mas nunca vou deixar de expor meus pontos de vista contra ou a favor quando for necess\u00e1rio. Em minha vida, passei por outros lugares e sempre procurei deixar minha modesta contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como disse o nosso professor Durval, a base da economia de Conquista foi e \u00e9 formada por \u201cforasteiros\u201d, ou migrantes, como da comunidade de S\u00e3o Miguel das Matas, retratada em sua obra \u201cA Rep\u00fablica dos Miguelenses\u201d, e de tantos outros que aqui chegaram. Quem vem morar aqui quer mais \u00e9 trabalhar e produzir, gerando mais empregos, qualidade de vida e bem-estar social.<\/p>\n<p>N\u00e3o somente na \u00e1rea do com\u00e9rcio, como na ind\u00fastria e na constru\u00e7\u00e3o civil, grande parte desse bolo, que cria milhares de empregos, est\u00e1 nas m\u00e3os de empres\u00e1rios de fora, inclusive do sul do pa\u00eds. No segmento cultural, art\u00edstico e intelectual tamb\u00e9m ocorre o mesmo e temos grandes vultos que engrandeceram e engrandecem Conquista, como nosso poeta e escritor Camilo de Jesus Lima que era de Caetit\u00e9.<\/p>\n<p>O que seria de S\u00e3o Paulo, por exemplo, se n\u00e3o fossem as m\u00e3os calosas e fortes dos nordestinos, embora n\u00e3o sejam bem tratados como deveriam? \u00c9 claro que existem certos tipos de \u201cforasteiros\u201d que s\u00e3o indesej\u00e1veis, mas estes n\u00e3o merecem ser reconhecidos, nem tampouco citados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei porque \u201ccargas d\u00b4\u00e1gua\u201d sempre confundi forasteiro com faroeste dos filmes bang-bang norte-americanos. 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