{"id":10233,"date":"2025-01-20T23:10:39","date_gmt":"2025-01-21T02:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10233"},"modified":"2025-01-20T23:18:22","modified_gmt":"2025-01-21T02:18:22","slug":"nunca-queira-ser-o-que-nao-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/01\/20\/nunca-queira-ser-o-que-nao-e\/","title":{"rendered":"NUNCA QUEIRA SER O QUE N\u00c3O \u00c9"},"content":{"rendered":"<p>O estelionat\u00e1rio, o 171, trapaceiro e vigarista que usa da sua l\u00e1bia para enganar as pessoas \u00e9 um criminoso contumaz. Existem aqueles que praticam falsidades ideol\u00f3gicas se passando e exercendo as fun\u00e7\u00f5es de um profissional que n\u00e3o \u00e9, fatos que acontecem, por exemplo, nas \u00e1reas da medicina, odontologia e advocacia. O ato em si \u00e9 um crime com penalidades previstas em lei.<\/p>\n<p>Tem pessoas, no entanto, que agem sem nenhuma maldade, muitas vezes por querer ser o que n\u00e3o \u00e9, por puro desejo e admira\u00e7\u00e3o. S\u00e3o pessoas geralmente que n\u00e3o tiveram condi\u00e7\u00f5es e oportunidades de realizar seu sonho, caso do nosso cont\u00ednuo Dami\u00e3o da reda\u00e7\u00e3o do jornal \u201cA Tarde\u201d, que terminou virando um folclore. Uns quando bebem ficam ricos e contam mil e umas vantagens mentirosas. S\u00e3o bons de imagina\u00e7\u00e3o. Tem gente esnobe que diz ser culta e intelectual.<\/p>\n<p>De estatura baixa, de pouco estudo, Dami\u00e3o era uma figura simples e c\u00f4mica por suas trapalhadas, trocando as bolas quando se dava uma tarefa para ele fazer. Mesmo assim, era o xod\u00f3 da reda\u00e7\u00e3o e d\u00e1vamos muitas risadas com suas \u201cartes\u201d, mas n\u00e3o fazia e nem desejava mal a ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8211; Al\u00f4, \u00e9 da reda\u00e7\u00e3o do \u201cA Tarde\u201d? Aqui quem fala \u00e9 o presidente da associa\u00e7\u00e3o de ambientalistas e quero fazer uma den\u00fancia grave de agress\u00e3o ao meio-ambiente numa \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Pois n\u00e3o, sou o jornalista doutor Dami\u00e3o, diretor redacional, pode falar. Ele incorporava com seguran\u00e7a o profissional e fazia t\u00e3o bem o papel ao ponto de n\u00e3o haver desconfian\u00e7a de quem estava do outro lado.<\/p>\n<p>O cara relatava a ocorr\u00eancia e marcava com ele uma entrevista presencial (naquele tempo n\u00e3o existia internet). Agradecia a aten\u00e7\u00e3o e desligava o fone. O correto era que o cont\u00ednuo passasse a liga\u00e7\u00e3o para o jornalista de plant\u00e3o, o editor ou o chefe de reportagem.<\/p>\n<p>&#8211; Bom dia, ou boa tarde, gostaria de falar pessoalmente com o doutor jornalista Dami\u00e3o sobre uma den\u00fancia que pretendo fazer \u2013 se apresentava bem s\u00e9rio o cidad\u00e3o ao entrar na reda\u00e7\u00e3o do jornal.<\/p>\n<p>Todo mundo caia na gargalhada, e o mais gaiato gritava l\u00e1 dos fundos: Dr. Dami\u00e3o \u00e9 aquele ali, o nosso jornalista das den\u00fancias.<\/p>\n<p>Com as mat\u00e9rias datilografadas nas m\u00e3os que ia levar \u00e0 linotipia para serem impressas, ele saia correndo em disparada e sumia por um determinado tempo, totalmente envergonhado.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, o senhor deve ter se confundido, Dami\u00e3o \u00e9 o nosso boy e ajudante no processo de elabora\u00e7\u00e3o do nosso trabalho jornal\u00edstico. Eu sou o jornalista e vou lhe atender \u2013 explicava o rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>O mo\u00e7o ficava pasmo pela firmeza como foi atendido no telefone e demorava se convencer da realidade. Depois achava at\u00e9 gra\u00e7a de ter sido t\u00e3o bem enganado e ter acreditado em sua postura.<\/p>\n<p>Todo descabreado, ap\u00f3s um certo tempo, Dami\u00e3o retornava e levava aquele \u201csab\u00e3o\u201d do chefe que o repreendia para ele n\u00e3o fazer mais aquilo. Muitos passaram a cham\u00e1-lo de jornalista. \u201cJornalista, leva esse material para o diagramador\u201d.<\/p>\n<p>Que nada! Demorava um pouco e olha ele l\u00e1 outra vez aprontando a presepada e se passando por jornalista. \u00c0s vezes ele fazia de conta anotar as informa\u00e7\u00f5es dos denunciantes e prometia publicar a mat\u00e9ria no outro dia.<\/p>\n<p>Dias depois aparecia o denunciante cobrando a divulga\u00e7\u00e3o. A\u00ed come\u00e7ava tudo de novo. Tinha colega que levava o caso para Dr, Jorge Calmon, o diretor-redator, e ele at\u00e9 achava engra\u00e7ado, mas n\u00e3o demitia Dami\u00e3o porque ele era assim mesmo, um sonhador. Era at\u00e9 divertido e quebrava o clima pesado da reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Certa vez aconteceu uma com dona Regina Sim\u00f5es, a maior acionista familiar da empresa, envolvendo Dami\u00e3o, que claro, ela n\u00e3o o conhecia como o cont\u00ednuo folclore e personagem memor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ela estava em seu gabinete e procurou o peri\u00f3dico do dia em sua mesa para ver alguma coisa a respeito do mercado da Bolsa de Valores. Coisa do seu interesse capital.<\/p>\n<p>Dona Regina, ent\u00e3o, saiu no corredor e a primeira pessoa com quem topou foi com Dami\u00e3o com um jornal debaixo do bra\u00e7o. Os dois n\u00e3o se conheciam.<\/p>\n<p>&#8211; Meu filho, me empresa a\u00ed este jornal para eu ver uma mat\u00e9ria, para tirar umas d\u00favidas, depois lhe devolvo.<\/p>\n<p>&#8211; O jornal \u00e9 meu e n\u00e3o dou a ningu\u00e9m \u2013 respondeu Dami\u00e3o, de maneira r\u00edspida, dando \u00e0s costas \u00e0 dona do jornal e foi embora descendo as escadas.<\/p>\n<p>&#8211; Que rapaz desaforado \u2013 pensou consigo mesma dona Regina e foi prontamente dar queixa a Dr, Jorge Calmon. Com sua eleg\u00e2ncia aristocrata de um ingl\u00eas, ele deu aquela risada marota e explicou quem era Dami\u00e3o. Pediu para ela esquecer aquele epis\u00f3dio de indelicadeza do empregado.<\/p>\n<p>Em 1991 vim para Vit\u00f3ria da Conquista chefiar a Sucursal e nunca mais encontrei com Dami\u00e3o, com quem tinha bom relacionamento, falando sua pr\u00f3pria l\u00edngua.<\/p>\n<p>Certa feita entrei num avi\u00e3o de Lisboa para Salvador e olha quem estava l\u00e1! O pr\u00f3prio Dami\u00e3o de carne e osso. Estava vindo de uma excurs\u00e3o religiosa de Jerusal\u00e9m, em Israel. Foi divertido relembrar aquelas presepadas do nosso cont\u00ednuo j\u00e1 aposentado.<\/p>\n<p>Esse neg\u00f3cio de querer ser o que n\u00e3o \u00e9 e se passar por outros n\u00e3o para por a\u00ed em nosso mundo de tantas hist\u00f3rias. Conheci o jornalista provisionado Luiz Luzi, um negro alto de cabelo crespo, de etnia angolana ou guineense, se n\u00e3o me engano.<\/p>\n<p>Um grupo de jornalistas estava no aeroporto de Salvador esperando um embaixador africano para entrevist\u00e1-lo. Quando a aeronave aterrissou, quem primeiro desceu a escadaria foi Luiz Luzi.<\/p>\n<p>Pela apar\u00eancia quase id\u00eantica e sua pose de terno e palet\u00f3, os rep\u00f3rteres se confundiram e foram logo abordar o falso embaixador. Luiz Luzi n\u00e3o contou conversa e deu uma entrevista na cara de pau. Foi aquela confus\u00e3o quando apareceu o verdadeiro embaixador.<\/p>\n<p>Sei de um caso de um colega, que n\u00e3o vou citar o nome dele, que deu aut\u00f3grafos num restaurante cheio de gente, se passando pelo poeta, compositor e cantor Alceu Valen\u00e7a, l\u00e1 do nosso Recife. Coisa de louco, meu amigo! Se quiser eu conto mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estelionat\u00e1rio, o 171, trapaceiro e vigarista que usa da sua l\u00e1bia para enganar as pessoas \u00e9 um criminoso contumaz. Existem aqueles que praticam falsidades ideol\u00f3gicas se passando e exercendo as fun\u00e7\u00f5es de um profissional que n\u00e3o \u00e9, fatos que acontecem, por exemplo, nas \u00e1reas da medicina, odontologia e advocacia. 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