{"id":1023,"date":"2015-07-17T22:23:27","date_gmt":"2015-07-18T01:23:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1023"},"modified":"2015-07-17T22:23:35","modified_gmt":"2015-07-18T01:23:35","slug":"de-uma-conquista-cassada-a-andancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/07\/17\/de-uma-conquista-cassada-a-andancas\/","title":{"rendered":"DE &#8220;UMA CONQUISTA CASSADA&#8221; A &#8220;ANDAN\u00c7AS&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Vem a\u00ed a obra \u201cAndan\u00e7as\u201d do jornalista e escritor Jeremias Mac\u00e1rio que h\u00e1 pouco tempo lan\u00e7ou \u201cUma Conquista Cassada\u201d \u2013 Cerco e Fuzil na Cidade do Frio\u201d que ainda pode ser encontrada nas principais livrarias e bancas de revistas de Vit\u00f3ria da Conquista.<\/p>\n<p>De um trabalho que exigiu muita pesquisa sobre a ditadura militar em Conquista, na Bahia e no Brasil, dessa vez o autor resolveu partir para uma fase mais libert\u00e1ria e imaginativa, misturando fic\u00e7\u00e3o com a realidade. A previs\u00e3o \u00e9 que at\u00e9 o final deste ano, ou no in\u00edcio do outro, o livro j\u00e1 esteja \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do leitor.<\/p>\n<p>O autor fala de \u00a0\u201cAndan\u00e7as\u201d<\/p>\n<p>Diferente dos dois \u00faltimos lan\u00e7amentos \u201cA Imprensa e o Coronelismo\u201d e \u201cUma Conquista Cassada\u201d, a obra \u201cAndan\u00e7as\u201d \u00e9 uma mistura de fic\u00e7\u00e3o com a realidade da vida em prosa, cr\u00f4nicas, contos e versos, numa retomada do livro \u201cTerra Rasgada\u201d. Pode ser lido do in\u00edcio, do meio ou a partir do fim.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 \u00e9 uma sina em toda linguagem art\u00edstica haver vest\u00edgios de DNA do autor, n\u00e3o sendo necess\u00e1rio ser bom detetive nem usar lupa para perceber isso em suas digitais, \u201cAndan\u00e7as\u201d tamb\u00e9m tem uma pegada autobiogr\u00e1fica, al\u00e9m de um recheio de pesquisas em diversos temas abordados, como \u201c1964, o Ano que nos Separou\u201d, \u201cAs Tiradas Tiranas da Ditadura\u201d e \u201cNas Brenhas do Mundo\u201d.<\/p>\n<p>Por abrigar uma variedade de assuntos, fatos reais e causos independentes, o livro, que considero dois em um (um brinde ao leitor), pode ser degustado de tr\u00e1s para frente, de qualquer ponto, reta ou curva sem essa de sequ\u00eancia linear.\u00a0 Pode come\u00e7ar por \u201cAndan\u00e7as\u201d ou \u201cNa Estrada\u201d, tanto faz. Vai depender do interesse e da viagem de cada um pela atra\u00e7\u00e3o, ou identifica\u00e7\u00e3o com o t\u00edtulo da hist\u00f3ria e das est\u00f3rias.<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0Posso dizer que abrir em qualquer p\u00e1gina e come\u00e7ar a ler vai ser prazeroso numa viagem, num momento de relaxamento da mente, numa fila, no sanit\u00e1rio, se quiser, ou quando se espera pacientemente ser atendido num escrit\u00f3rio ou consult\u00f3rio m\u00e9dico. \u00c9 um bom calmante, sem contra indica\u00e7\u00f5es, para passar a raiva e desobstruir as veias entupidas pelo estresse do dia-a-dia.<\/p>\n<p>O livro n\u00e3o fala apenas do Nordeste \u00e1rido, do homem do campo, da sequid\u00e3o, do retirante da seca, da coivara e do jeito matuto catingueiro, mas tamb\u00e9m de amor, de \u00f3dio, raiva, morte, tempo, saudade, mulheres, erotismo (Desejos Atados &#8211; er\u00f3tico divino), incertezas, consumismo urbano desumano, fingimento e ainda tece duras cr\u00edticas \u00e0 nossa degradante pol\u00edtica nacional. Sobrou tamb\u00e9m espa\u00e7o para a cultura da corrup\u00e7\u00e3o, do calote, da gatunagem, do levar vantagem em tudo e dos ratos que infestam nossos lares e levam nosso queijo.<\/p>\n<p>Nos versos rolam a imagina\u00e7\u00e3o, o fingimento, o olho vis\u00edvel no invis\u00edvel, a imagem escondida, o foco no real e no irreal, a d\u00favida e o mist\u00e9rio como sinais caracter\u00edsticos do poeta, embora n\u00e3o seja um deles como bem pode confirmar a cr\u00edtica liter\u00e1ria. N\u00e3o sou ca\u00e7ador de t\u00edtulos, nem tampouco ligo para nomea\u00e7\u00f5es e denomina\u00e7\u00f5es. Sou apenas mais um que tenta escrever emo\u00e7\u00f5es e sentimentos com a raz\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o. Sou apenas mais um imitador da vida<\/p>\n<p>Apenas fa\u00e7o versos de rimas e estrofes livres para falar do social, da coisa pol\u00edtica mal resolvida, da politicagem, dos gatos, ratos, das baratas, do regional, da nossa aldeia dividida pelo individualismo, do sert\u00e3o nordestino e da ang\u00fastia do pr\u00f3prio poeta a quem presto minha homenagem.<\/p>\n<p>\u201cAndan\u00e7as\u201d n\u00e3o segue regras acad\u00eamicas e liter\u00e1rias. Nasceu da veia jornal\u00edstica e tem o tempero do realismo e do emocional imaginativo. \u00c9 s\u00f3 o viajar, sem roteiro e manual, sem mapas padronizados, sem estilos e g\u00eaneros, sem formas did\u00e1ticas e te\u00f3ricas.<\/p>\n<p>Conceitos politicamente corretos cheiram com patrulhamento de ideias, tropa perfilada em linha e violam o livre pensar, o livre escrever e o livre expressar, sem dores e gemidos. Simbolista, impressionista, expressionista, concretista, barroco, rococ\u00f3, renascentista, parnasiano ou modernista n\u00e3o fazem diferen\u00e7a quando se fala o que sente. N\u00e3o sou te\u00f3rico para ficar preso a normas.<\/p>\n<p>A \u00fanica coisa que posso garantir \u00e9 que se trata de mais uma obra sem pretens\u00f5es did\u00e1ticas e sem firulas. \u00c9 mais outra homenagem aos meus inesquec\u00edveis pais que, apesar de analfabetos, fizeram quest\u00e3o, com muitos sacrif\u00edcios e dor, que eu trilhasse os caminhos das letras e do conhecimento, e n\u00e3o o da enxada e do machado.<\/p>\n<p>\u00c9 uma obra que tem o sopro divino de Al\u00e1 e de Jeov\u00e1, dos deuses do Olimpo e de todos os orix\u00e1s, como de Ox\u00f3ssi, o ca\u00e7ador das florestas e arqueiro do arco e da flecha; de Xang\u00f3, mestre do fogo, do machado e atirador de pedras; de Ogum, senhor temperamental das guerras, do fogo e das ferramentas; de Ians\u00e3, rainha dos ventos e das tempestades; de Exu, mensageiro dos orix\u00e1s que come de tudo; de Oxal\u00e1, filho de Olorum e pai dos homens e de todos os demais esp\u00edritos que j\u00e1 est\u00e3o na outra margem do rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vem a\u00ed a obra \u201cAndan\u00e7as\u201d do jornalista e escritor Jeremias Mac\u00e1rio que h\u00e1 pouco tempo lan\u00e7ou \u201cUma Conquista Cassada\u201d \u2013 Cerco e Fuzil na Cidade do Frio\u201d que ainda pode ser encontrada nas principais livrarias e bancas de revistas de Vit\u00f3ria da Conquista. 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