{"id":10202,"date":"2025-01-10T22:21:15","date_gmt":"2025-01-11T01:21:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10202"},"modified":"2025-01-10T22:31:13","modified_gmt":"2025-01-11T01:31:13","slug":"as-tramas-para-assassinar-cesar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/01\/10\/as-tramas-para-assassinar-cesar\/","title":{"rendered":"AS TRAMAS PARA ASSASSINAR C\u00c9SAR"},"content":{"rendered":"<p>Tudo foi bem planejado meses antes para assassinar o ditador, considerado por muitos como rex, Julius C\u00e9sar, nos Idos de mar\u00e7o de 44.a.C. Brutos, Cassius e Decimus, o influente piv\u00f4 da conspira\u00e7\u00e3o, arregimentou outros apoiadores, inclusive senadores, numa intriga de ci\u00fames e inveja. O temor era que C\u00e9sar pretendia ser rei e acabar com a Rep\u00fablica, mas existiam outros motivos, segundo antigas fontes de historiadores. que envolveram o atentado.<\/p>\n<p>Aos 55 anos de idade, depois de muitas batalhas e vit\u00f3rias, o C\u00e9sar arrogante j\u00e1 estava vol\u00favel, mas ia travar outra guerra contra a na\u00e7\u00e3o Partia (regi\u00e3o do Ir\u00e3) logo ap\u00f3s a reuni\u00e3o do Senado convocada por ele. C\u00e9sar desprezou as profecias dos deuses, dos feiticeiros e adivinhos, videntes etruscos como Spurinna, da Etr\u00faria, em Tarqu\u00ednia (regi\u00e3o da Toscana), do sonho da sua pr\u00f3pria mulher Calp\u00farnia e, como era um guerreiro que n\u00e3o podia deixar se levar pelo medo, mesmo com atraso, compareceu \u00e0 reuni\u00e3o que tirou sua vida.<\/p>\n<p>Atra\u00eddo e convencido por Decimus, seu fiel amigo de uma d\u00e9cada, por ironia do destino, C\u00e9sar foi atacado justamente na Casa do Senado de Pompeu (Curia Pompei), seu maior inimigo durante a Guerra Civil de 49 a 45\u00aa.C. Era uma constru\u00e7\u00e3o localizado na extremidade leste do grande complexo, com acesso atrav\u00e9s do P\u00f3rtico de Pompeu. Naquele dia havia jogos de gladiadores no teatro e as reuni\u00f5es foram transferidas para a Casa do Senado de Pompeu. Cesar chegou atrasado por volta de 12 horas da manh\u00e3.<\/p>\n<p>De acordo com o autor da obra \u201cA Morte de C\u00e9sar\u201d, o historiador Barry Strauss, o ditador, que foi clemente com seus inimigos, n\u00e3o tinha guarda-costas. Depois de haver retornado a Roma, em 45 a.C., ele dispensou esse servi\u00e7o e confiava na prote\u00e7\u00e3o informal dos senadores e cavaleiros, mesmo depois de ter sido v\u00edtima de outras conspira\u00e7\u00f5es, como em 47a.C. pelo pr\u00f3prio Cassius. Haviam sido guarda-costas que assassinaram alguns dos grandes homens do passado, tais como o Rei Filipe II da Maced\u00f4nia.<\/p>\n<p>Como ditador, em p\u00fablico era acompanhado por 24 lictors, homens fortes que portavam feixes de varas de lenha com um machado de carrasco atado sobre a parte externa. Serviam como guardas abrindo caminhos em meio a multid\u00f5es e executando pris\u00f5es e a\u00e7oitamentos.<\/p>\n<p>Em 46 ele foi alertado pelo tribuno C\u00edcero, e em 45 Trebonius tentara cooptar Marcus Ant\u00f4nio para uma conspira\u00e7\u00e3o. Filemon, seus escravo e secret\u00e1rio prometeu a inimigos de C\u00e9sar que envenenaria seu senhor. Quando descobriu, C\u00e9sar demonstrou clem\u00eancia para que n\u00e3o fosse torturado, mas executado sumariamente.<\/p>\n<p>\u201cMais do que conspira\u00e7\u00f5es de assassinatos, era a m\u00e1 imagem na \u201cimprensa\u201d (folhetos e versos) que atormentava C\u00e9sar. Fontes em Roma denunciavam as tramas da exist\u00eancia de reuni\u00f5es secretas para seu assassinato, mas C\u00e9sar nada fez. O historiador Cassius Dio chegou a afirmar que C\u00e9sar se recusava ouvir informa\u00e7\u00f5es e punia severamente quem lhe trouxesse tais not\u00edcias. Corriam boatos e rumores.<\/p>\n<p>C\u00e9sar ouvia acusa\u00e7\u00f5es de que Brutus, Ant\u00f4nio e Dolabella estariam tramando revolu\u00e7\u00f5es. Ele suspeitava de Brutus e Cassius e fez um coment\u00e1rio jocoso de que n\u00e3o temia muito esses sujeitos gordos, de cabelos compridos, mas sim aos p\u00e1lidos e magros. Quis dizer que Brutus e Cassius eram intelectuais e perigosos.<\/p>\n<p>O ditador era arrogante e acreditava que os senadores haviam jurado proteg\u00ea-lo com suas pr\u00f3prias vidas. Seu mal foi essa demasia de confian\u00e7a no juramento. Achava que ningu\u00e9m ousaria assassin\u00e1-lo. Era o chamado \u201cprazer do engano\u201d e na \u00e9poca andava deprimido, com desejo de flertar com a morte.<\/p>\n<p>Certa vez, ele foi atacado em Roma por homens que portavam adagas ocultas. Ele queria ser melhor que o Sila, seu predecessor, que n\u00e3o era condescendente. C\u00e9sar era um soldado corajoso e vivia de correr riscos, tanto que logo depois da reuni\u00e3o do Senado partiria com seus ex\u00e9rcitos, ao lado do seu escolhido Ot\u00e1vio, para conquistar Parta ou Partia.<\/p>\n<p>Aos vinte anos de idade, conquistou sua coroa c\u00edvica por ter escalado as muralhas de uma cidade grega rebelada. Sobreviveu ao desastre no Rio Sabis, na G\u00e1lia, e n\u00e3o era agora que iria baixar a cabe\u00e7a nas ruas de Roma. Ele n\u00e3o mais gostava da pol\u00edtica romana e estava acostumado a dar ordens.<\/p>\n<p>Os conspiradores estavam conscientes de tudo. Cassius, Trebonius e Decimus contavam com as melhores mentes militares. Compreendiam que a Casa do Senado seria o lugar mais seguro para atacar C\u00e9sar. Em 14 de mar\u00e7o, o dia anterior, ele foi jantar em companhia de seu Mestre de Cavalaria, Marcus Lepidus, um amigo leal.<\/p>\n<p>Tiveram uma conversa sobre morte e C\u00e9sar disse, conforme assinalou Plutarco, Suet\u00f4nio e Apiano, que a melhor seria a s\u00fabita e inesperada, a morte de um guerreiro. C\u00e9sar havia lido a cl\u00e1ssica obra de Xenofante sobre como o rei Ciro da P\u00e9rsia dera orienta\u00e7\u00f5es para o seu funeral, \u00e0 medida que sua idade declinava. Ciro foi rei absoluto de um pa\u00eds que agora C\u00e9sar estava prestes a invadir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo foi bem planejado meses antes para assassinar o ditador, considerado por muitos como rex, Julius C\u00e9sar, nos Idos de mar\u00e7o de 44.a.C. Brutos, Cassius e Decimus, o influente piv\u00f4 da conspira\u00e7\u00e3o, arregimentou outros apoiadores, inclusive senadores, numa intriga de ci\u00fames e inveja. 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