{"id":10183,"date":"2025-01-07T00:45:26","date_gmt":"2025-01-07T03:45:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10183"},"modified":"2025-01-07T00:45:35","modified_gmt":"2025-01-07T03:45:35","slug":"energias-positivas-e-os-bordoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/01\/07\/energias-positivas-e-os-bordoes\/","title":{"rendered":"ENERGIAS POSITIVAS E OS BORD\u00d5ES"},"content":{"rendered":"<p>Existem entrevistas na m\u00eddia sobre determinados assuntos onde os personagens sempre soltam aqueles bord\u00f5es que j\u00e1 se transformaram em marca registrada, inclusive por parte do entrevistador que, muitas vezes, faz aquela pergunta imbecil de deixar qualquer um de queixo ca\u00eddo.<\/p>\n<p>Muitas falas saem da boca de turistas endinheirados que est\u00e3o passeando numa boa, sem tantas preocupa\u00e7\u00f5es como a maioria do trabalhador brasileiro que recebe um sal\u00e1rio m\u00ednimo e faz milagres para atravessar o m\u00eas, com uma feira regrada e ainda pagar as contas. Trata-se de uma dura realidade da nossa profunda desigualdade social.<\/p>\n<p>&#8211; Aqui \u00e9 uma maravilha de beleza. Essa gente \u00e9 acolhedora e hospitaleira. Sinto fortes energias positivas nesse lugar \u2013 diz o turista ou a turista para o rep\u00f3rter. \u00c9 claro que tudo \u00e9 muito bonito porque a pessoa j\u00e1 chega com um pacote ou uma lista na m\u00e3o para visitar os centros hist\u00f3ricos e os lugares mais apraz\u00edveis da natureza.<\/p>\n<p>Turista n\u00e3o pega \u00f4nibus lotado, tr\u00e2nsito engarrafado no hor\u00e1rio do rush e nem chega perto das periferias para ver barracos pendurados nos morros, ruas sujas de lixo e esburacadas. Em Salvador, por exemplo, com tantas festan\u00e7as e exotismos, o visitante de fora fica deslumbrado e tome \u201cenergia positiva\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que o vendedor ambulante, o guia e at\u00e9 o morador t\u00eam que ser receptivos porque est\u00e3o de olho na grana do gringo ou do visitante de outro estado, da\u00ed essa coisa de energia positiva, sem falar que o turista est\u00e1 ali curtindo o seu luxo.<\/p>\n<p>De pau para cassete, quando a quest\u00e3o \u00e9 viol\u00eancia brutal, b\u00e1rbara e f\u00fatil com mortes, seja do lado militar ou civil, o que mais se ouve dos membros familiares mais pr\u00f3ximos da v\u00edtima, com olhos lacrimejantes de tanto chorar, s\u00e3o as frases \u201cque a justi\u00e7a seja feita\u201d ou \u201cqueremos justi\u00e7a\u201d, que nunca chega ou tarda a chegar a passos de c\u00e1gado.<\/p>\n<p>Por sua vez, as autoridades soltam aqueles bord\u00f5es de que tudo ser\u00e1 apurado e investigado o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, doa a quem doer. Isso acontece muito quando um policial comete um desatino, um desvio de conduta e abuso de autoridade. Muitas vezes incriminam um inocente para ficarem livre do caso.<\/p>\n<p>&#8211; Uma del\u00edcia de sabor, um manjar dos deuses. Esses termos com gestos nos olhos e nos l\u00e1bios de saboridade e deleite s\u00e3o de rep\u00f3rteres quando provam uma receita alimentar feita por um chefe de cozinha. J\u00e1 ouviu algu\u00e9m dizer que o bolo, o pudim ou um prato qualquer est\u00e3o sem sal, gosto diferente e o tempero est\u00e1 forte? O paladar sempre est\u00e1 na ponta da l\u00edngua.<\/p>\n<p>E entrevista com jogador de futebol? Ele sempre passa o dedo no rosto, a m\u00e3o no pesco\u00e7o ou na cabe\u00e7a e fala um monte de besteiras repetitivas desconexas. Quando ganha o jogo ou faz o gol, foi Deus quem fez ou foi a m\u00e3o de Deus. S\u00f3 falta dizer que foi o p\u00e9 Dele. At\u00e9 parece que Deus \u00e9 torcedor do tipo \u201cfolha seca\u201d que est\u00e1 sempre mudando de lado.<\/p>\n<p>Por falar em futebol, tamb\u00e9m existem aquelas perguntas idiotas por parte de \u201cprofissionais\u201d da m\u00eddia esportiva. Certa vez um coleguinha perguntou para o t\u00e9cnico como ele est\u00e1 vendo o jogo. Como estava perdendo e irritado, de pronto o cara respondeu: Estou vendo daqui do outro lado das quatro linhas. \u201cE a\u00ed Baiaco, sem voc\u00ea, como o Bahia vai ficar? Comigo ou sem migo, meu time vai ganhar.<\/p>\n<p>Existem outros bord\u00f5es que n\u00e3o falham nunca em reportagens que mostram a natureza do lugar, tais como: \u00c9 uma paisagem deslumbrante, de tirar o f\u00f4lego. T\u00eam ainda aquelas entrevistas onde o rep\u00f3rter diz tudo que o entrevistado ia falar. N\u00e3o faz uma pergunta.<\/p>\n<p>S\u00e3o tantos outros bord\u00f5es que as pessoas falam maquinalmente, inclusive nas festas de final de ano, que n\u00e3o vou ficar aqui enchendo o saco de voc\u00eas, sem falar em perguntas cretinas, como indagar para um presidi\u00e1rio lascado numa cadeia suja fedorenta se ele vai bem.\u00a0 &#8220;Como est\u00e1, tudo bem? D\u00e1 vontade de mandar para aquele lugar que ningu\u00e9m que ir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem entrevistas na m\u00eddia sobre determinados assuntos onde os personagens sempre soltam aqueles bord\u00f5es que j\u00e1 se transformaram em marca registrada, inclusive por parte do entrevistador que, muitas vezes, faz aquela pergunta imbecil de deixar qualquer um de queixo ca\u00eddo. 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