{"id":10181,"date":"2025-01-03T23:42:38","date_gmt":"2025-01-04T02:42:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10181"},"modified":"2025-01-03T23:42:45","modified_gmt":"2025-01-04T02:42:45","slug":"cassius-brutus-e-decimus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/01\/03\/cassius-brutus-e-decimus\/","title":{"rendered":"CASSIUS, BRUTUS E DECIMUS"},"content":{"rendered":"<p>Intrigas palacianas, ci\u00fames, inveja ou em defesa da liberdade e da Rep\u00fablica contra Julius C\u00e9sar, um ditador tirano que almejava ser rei quando retornasse da Guerra Parta? O assassinato mais famoso da hist\u00f3ria de Roma de um conquistador que cruzou o Rio Rubic\u00e3o na G\u00e1lia Italiana, em 49 a.C., contra as ordens do Senado, \u00e9 cheio de interroga\u00e7\u00f5es pelas antigas fontes que narraram o acontecimento.<\/p>\n<p>Cassius, Brutos e Decimus, que serviram a C\u00e9sar e por anos lutaram ao seu lado, foram os principais conspiradores que apunhalaram o poderoso em de mar\u00e7o de 44 a.C., conforme descreve o historiador Barry Strauss em sua obra \u201cA Morte de C\u00e9sar\u201d. Segundo ele, uma das fontes mais confi\u00e1veis \u00e9 o do escritor Nicolaus de Damasco.<\/p>\n<p>Outra vers\u00e3o diz que a clem\u00eancia e o privil\u00e9gio dado por C\u00e9sar os seus inimigos durante a Guerra Civil, entre 49 a 45 a.C. foram outros motivos que levaram seus algozes a cometerem o terr\u00edvel assassinato.<\/p>\n<p>Sobre Gaius Cassius Longinus, Barry destaca que em janeiro de 45 a.C. ele aceitou a C\u00e9sar como \u201cum velho mestre, relaxado e tolerante\u201d. Pouco mais de um ano depois, em fevereiro de 44 a.C., Cassius decidiu-se por mat\u00e1-lo. \u201c\u00c9 improv\u00e1vel que a conspira\u00e7\u00e3o pudesse ter acontecido antes de fevereiro. Um dos motivos para isso seria a falta de incentivo: C\u00e9sar n\u00e3o depusera os tribunos do povo nem rejeitara a coroa at\u00e9 fevereiro\u201d.<\/p>\n<p>Cassius se orgulhava de ter tido v\u00e1rios c\u00f4nsules em sua fam\u00edlia, inclusive seu pai, um homem que fora derrotado em combate pelo gladiador rebelde Esp\u00e1rtaco. Em 53 a.C., ele viveu seu grande momento no Oriente Romano.<\/p>\n<p>Serviu como governador-tenente e comandante substituto para Marcus Licinius Grassus, o governador da S\u00edria. Tal como a maioria dos governantes romanos, ele era um homem ganancioso. Cassius extorquia os provincianos. Ele chegou a invadir a Jud\u00e9ia e dizem que escravizou cerca de trinta mil judeus.<\/p>\n<p>Quando adveio a Guerra Civil, ele apoiou Pompeu. Em 48 a.C., Cassius recebeu o comando de uma frota naval que ele empregou contra as for\u00e7as de C\u00e9sar, na Sic\u00edlia e no sul da It\u00e1lia. Sua deser\u00e7\u00e3o foi uma grave ofensa e um insulto para os filhos de Pompeu. Mesmo assim, ele p\u00f4de dizer que continuava a servir \u00e0 Rep\u00fablica ao promover a paz. C\u00e9sar deu-lhe boas vindas e fez dele um de seus generais.<\/p>\n<p>Quanto a Marcus Junius Brutus, o autor da obra afirma que ele foi essencial para a conspira\u00e7\u00e3o contra Julius C\u00e9sar. \u201cN\u00e3o fosse Brutos, n\u00e3o haveria assassinato. Os conspiradores insistiam em sua presen\u00e7a. Diziam que seria preciso um rei para matar a um rei. Pelo menos, Brutus era praticamente um pr\u00edncipe republicano\u201d.<\/p>\n<p>Supostamente, ele provinha de uma das mais antigas fam\u00edlias da Rep\u00fablica: aquela que destronara reis. Ele contava com um registro p\u00fablico de mais de uma d\u00e9cada de defesa da liberdade e oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura. Em 54 a.C., por exemplo, ele se pronunciou contra uma proposta de concess\u00e3o de uma ditadura a Pompeu.<\/p>\n<p>Dois anos mais tarde, ele argumentaria que um homem que cometesse um assassinato pelo bem da Rep\u00fablica deveria ser considerado inocente. De acordo com Nicolau de Damasco, ele foi respeitado durante toda sua vida pela clareza de sua mente, pela fama de seus ancestrais e por seu car\u00e1ter supostamente razo\u00e1vel.<\/p>\n<p>Na vers\u00e3o do grego Plutarco, Brutos e Cassius recrutaram Decimus Junius Brutus Albinus. Para Strauss, o historiador da obra, pode ter sido o contr\u00e1rio. \u201cUma coisa \u00e9 certa, Decimus desempenhou um papel central. Se Brutus foi o cora\u00e7\u00e3o da conspira\u00e7\u00e3o e Cassius foi o cabe\u00e7a, Decimus foi seus olhos e ouvidos\u201d.<\/p>\n<p>Decimus era um amigo \u00edntimo e confidencial de C\u00e9sar. \u201c O autor antigo que enfatiza o papel de Decimus na conspira\u00e7\u00e3o contra C\u00e9sar \u00e9 Nicolaus de Damasco, ao qual Shakespeare jamais leu. Ele tampouco leu Cassius Dio ou as cartas de C\u00edcero, outras fontes que atribuem import\u00e2ncia a Decimus\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Barry, foi Decimus quem C\u00e9sar escolheu para acompanh\u00e1-lo ao jantar na noite de 14 de mar\u00e7o. \u201cDecimus era a melhor fonte de informa\u00e7\u00e3o quanto aos pensamentos e planos do ditador e a melhor esperan\u00e7a de mover C\u00e9sar para qualquer dire\u00e7\u00e3o que fosse necess\u00e1ria. Ele \u00e9 amplamente reconhecido pelas fontes antigas como um dos principais agentes da conspira\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Aos trinta anos de idade, ele tinha um registro brilhante. Era um nobre de pedigree impec\u00e1vel e um dos confidentes de C\u00e9sar. Foi um grande comandante na G\u00e1lia, tanto na Guerra Gaulesa como na Civil. Ele chegou a governar a prov\u00edncia para C\u00e9sar, entre 48.a.C e 45. Tudo indica que ele tamb\u00e9m tenha sido pretor em Roma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Intrigas palacianas, ci\u00fames, inveja ou em defesa da liberdade e da Rep\u00fablica contra Julius C\u00e9sar, um ditador tirano que almejava ser rei quando retornasse da Guerra Parta? 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