{"id":10145,"date":"2024-12-25T22:12:38","date_gmt":"2024-12-26T01:12:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10145"},"modified":"2024-12-25T22:12:45","modified_gmt":"2024-12-26T01:12:45","slug":"a-atracao-fatal-por-tragedias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/12\/25\/a-atracao-fatal-por-tragedias\/","title":{"rendered":"A ATRA\u00c7\u00c3O FATAL POR TRAG\u00c9DIAS"},"content":{"rendered":"<p>A impress\u00e3o que temos \u00e9 que todo ser humano carrega dentro de si doses de sadismo, n\u00e3o por maldade, mas talvez por curiosidade e o \u00edmpeto de fazer aquela fofoca; aumentar os fatos; criar e inventar boatos; dar o seu pitaco; e uma de \u201cperu\u201d que morre de v\u00e9spera. Todos t\u00eam suas vers\u00f5es diferentes. Sempre digo que todo mundo \u00e9 jornalista e adora uma novidade que quebre a monotonia.<\/p>\n<p>Tem aquele ditado popular de que a curiosidade \u00e9 quem mata o gato. N\u00e3o sei sua origem. J\u00e1 observou quando ocorre um acidente no tr\u00e2nsito ou um crime qualquer, seja grave ou de menor propor\u00e7\u00e3o? Em quest\u00e3o de segundos ou minutos a rua ou avenida fica apinhada de curiosos e, agora, com o celular, cada um saca o seu.<\/p>\n<p>Um exemplo mais recente foi o do \u201csequestrador\u201d que tomou v\u00e1rias pessoas como ref\u00e9ns no centro de Vit\u00f3ria da Conquista. N\u00e3o tardou muito e apareceu aquela multid\u00e3o no Terminal Lauro de Freitas e deu plant\u00e3o at\u00e9 o final. Um colega amigo meu afirmou que tinha at\u00e9 mata mosquitos e ca\u00e7a fantasmas.<\/p>\n<p>Basta uma confus\u00e3o qualquer, todo mundo larga seus afazeres e at\u00e9 esquece da correria do dia a dia, do vaiv\u00e9m tumultuado. Quando existia aquela fun\u00e7\u00e3o na empresa de \u201cboy\u201d, ou \u201ccont\u00ednuo\u201d, para levar malotes, encomendas, retirar e depositar dinheiro nos bancos (hoje \u00e9 tudo pelo aplicativo), o rapaz (era sempre homem) parava no tr\u00e2nsito para ver qualquer confus\u00e3o e atrasava todo trabalho. Quando chegava tomava aquele esporro do patr\u00e3o.<\/p>\n<p>E quando acontece um acidente na estrada! Ah, meu amigo, a grande maioria das pessoas \u00e9 dominada pelo instinto de parar o ve\u00edculo no acostamento e ir ver a trag\u00e9dia, mesmo que o socorro j\u00e1 esteja sendo prestado \u00e0s v\u00edtimas. Cada um quer dar uma de rep\u00f3rter, e tome mentira. O que mais rola nos papos \u00e9 fake news.<\/p>\n<p>Por falar nisso, quando estava na ativa como jornalista, logo que chegava ao local da ocorr\u00eancia, era s\u00f3 fazer uma pergunta e aparecia um monte de gente para contar sua hist\u00f3ria ou est\u00f3ria, sempre \u201ccabeluda\u201d e exagerada. \u00c0s vezes n\u00e3o tinha morrido ningu\u00e9m, mas aparecia um dizendo que foram tr\u00eas ou cinco mortos. Na conversa, aparecia at\u00e9 gente carbonizada.<\/p>\n<p>&#8211; Todo dia acontece um acidente de batida de carros e motos nessa esquina da rua. Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido muito isso em entrevistas na televis\u00e3o e outras m\u00eddias. \u00c9 tudo exagero. As pessoas adoram aumentar os fatos desde os prim\u00f3rdios da humanidade. \u201cQuem conta um conto, aumenta dois pontos\u201d.<\/p>\n<p>Se existe um inc\u00eandio ou cai uma casa ou pr\u00e9dio, voc\u00ea ouve coisa do \u201carco da velha\u201d. Como jornalista, al\u00e9m de ter a obriga\u00e7\u00e3o de ouvir no m\u00ednimo duas vers\u00f5es e ser parcial, seja, antes de tudo, um c\u00e9tico. N\u00e3o confie no que falam, sen\u00e3o voc\u00ea pode se estrepar, ser processado ou demitido por publicar not\u00edcia infundada.<\/p>\n<p>&#8211; Mo\u00e7o, foi um estrondo que mais parecia uma bomba at\u00f4mica, o fim do mundo. As labaredas subiram mais de 50 metros de altura. O carro vinha numa velocidade de 180 quil\u00f4metros por hora e o motorista estava embriagado. A tempestade levou tudo pela frente. Soube at\u00e9 que carregou uma ponte l\u00e1 na Lagoa da Baixa da \u00c9gua.<\/p>\n<p>Para ser sincero, at\u00e9 o pr\u00f3prio jornalista tem a tend\u00eancia de exagerar e \u201cpentear\u201d a mat\u00e9ria com outros ingredientes para atrair mais o leitor. Conheci v\u00e1rios companheiros assim que estavam mais para romancistas do que rep\u00f3rter. At\u00e9 j\u00e1 dei as minhas pinceladas de leve. N\u00e3o nego que j\u00e1 fiz uma \u201ctrapa\u00e7a\u201d para n\u00e3o \u201cmatar\u201d a pauta da reda\u00e7\u00e3o, mas essa eu n\u00e3o vou contar aqui. Ficou curioso?<\/p>\n<p>Pois \u00e9, ningu\u00e9m resiste parar diante de uma trag\u00e9dia ou acontecimento e seguir em frente focado em seu problema que tinha urg\u00eancia para ser resolvido. \u00c9 uma tenta\u00e7\u00e3o dos diabos. Todos temos um DNA de fofoqueiros e fofoqueiras natos.<\/p>\n<p>Quando existe um crime fora do comum e o indiv\u00edduo \u00e9 preso, n\u00e3o tarda a surgir aquela multid\u00e3o em frente da delegacia. Ser\u00e1 que todo mundo ali \u00e9 desempregado e n\u00e3o tem nada a fazer? Circulando, circulando &#8211; grita de l\u00e1 o policial com cara de mau e de rev\u00f3lver na m\u00e3o para esvaziar a aglomera\u00e7\u00e3o de desocupados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A impress\u00e3o que temos \u00e9 que todo ser humano carrega dentro de si doses de sadismo, n\u00e3o por maldade, mas talvez por curiosidade e o \u00edmpeto de fazer aquela fofoca; aumentar os fatos; criar e inventar boatos; dar o seu pitaco; e uma de \u201cperu\u201d que morre de v\u00e9spera. Todos t\u00eam suas vers\u00f5es diferentes. 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