{"id":10141,"date":"2024-12-24T22:24:21","date_gmt":"2024-12-25T01:24:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10141"},"modified":"2024-12-24T22:40:53","modified_gmt":"2024-12-25T01:40:53","slug":"um-fato-inedito-que-deixou-muitas-pontas-soltas-sem-esclarecimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/12\/24\/um-fato-inedito-que-deixou-muitas-pontas-soltas-sem-esclarecimentos\/","title":{"rendered":"UM FATO IN\u00c9DITO QUE DEIXOU MUITAS PONTAS SOLTAS SEM ESCLARECIMENTOS"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o ser\u00e1 a primeira nem a \u00faltima vez. Aqui em Vit\u00f3ria da Conquista tem ocorrido fatos de viol\u00eancia que n\u00e3o s\u00e3o devidamente elucidados. As autoridades abafam e a m\u00eddia trope\u00e7a em sua fun\u00e7\u00e3o de investigar na utiliza\u00e7\u00e3o dos porqu\u00eas, como, onde entre outras interjei\u00e7\u00f5es. Muitas perguntas do p\u00fablico ficam no ar e depois tudo cai no esquecimento.<\/p>\n<p>Dessa vez estou me referindo ao \u201csequestro\u201d de ref\u00e9ns na semana passada, na Galeria Panvicon, no centro da cidade, por um bandido que deixou v\u00edtimas feridas \u00e0 beira da morte. Pelo que eu saiba, na hist\u00f3ria de Conquista, nunca existiu um caso desse inusitado, t\u00e3o violento com tais caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>O acontecimento abalou a cidade por cerca de quatro horas e mobilizou um batalh\u00e3o de policiais (militar e civil), corpo de bombeiros, o Samu e outros agentes. Um colega meu jornalista em tom de sacarmo disse que tinha at\u00e9 mata mosquitos e ca\u00e7adores de fantasmas.<\/p>\n<p>Um quarteir\u00e3o foi fechado e a multid\u00e3o curiosa, como sempre, se aglomerou no Terminal Lauro de Freitas. As pessoas parecem que trazem dentro de si um esp\u00edrito de sadismos. Para ver a trag\u00e9dia alheia, em quest\u00e3o de minutos largam seus afazeres do dia a dia e se juntam para dar seus pitacos, mentir e inventar informa\u00e7\u00f5es. A impress\u00e3o \u00e9 que t\u00eam gosto de sangue na boca. Cada um faz quest\u00e3o de dar sua vers\u00e3o diante das c\u00e2maras.<\/p>\n<p>Vamos, ent\u00e3o, recapitular o que mais nos interessa. Que me desculpem, mas a m\u00eddia pecou na cobertura jornal\u00edstica, deixando muitos \u201cburacos\u201d e engolindo \u201cmosca\u201d. N\u00e3o ficou esclarecido bem de onde partiu o sujeito, se estava sendo perseguido ou n\u00e3o por algum ato criminoso. Pelo seu comportamento, tudo indica que ele j\u00e1 tinha um alvo certo e tudo foi premeditado, n\u00e3o importando se estava ou n\u00e3o drogado.<\/p>\n<p>Depois do desfecho, o comandante do policiamento, coronel Paulo Guimar\u00e3es deu uma entrevista (boletim de ocorr\u00eancia) afirmando que o elemento deu um surto sob efeito de muita coca\u00edna. No outro dia o delegado da Pol\u00edcia Civil disse que ele estava consciente do que fez.<\/p>\n<p>Ora, ent\u00e3o imaginei ter sido crime de mando, vingan\u00e7a ou coisa parecida. O \u201cmeliante\u201d (linguajar policial) atirou logo no dono da loja e atingiu outras funcion\u00e1rias. \u00c9 a\u00ed que digo que as pontas da hist\u00f3ria ficaram soltas, com informa\u00e7\u00f5es nebulosas e contradit\u00f3rias.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s se entregar, o maluco \u201cterrorista\u201d foi recolhido \u00e0 pris\u00e3o. Por que a m\u00eddia, pelo menos, n\u00e3o tentou entrevistar o marginal, solicitando permiss\u00e3o do delegado? As v\u00edtimas que est\u00e3o fora de perigo j\u00e1 poderiam ter sido ouvidas para revelar com mais precis\u00e3o a a\u00e7\u00e3o do atirador. O processo corre em segredo de Estado? A sociedade n\u00e3o pode saber? Alguma interfer\u00eancia extra para que tudo fique como est\u00e1?<\/p>\n<p>S\u00e3o minhas perguntas como jornalista e acredito ser de muitos outros. Tudo isso me faz lembrar de fatos violentos acontecidos aqui que tomaram os mesmos rumos, isto \u00e9, ficaram inconclusivos, insol\u00faveis e engavetados, como a morte do marinheiro numa cadeia local, os assassinatos do prefeito de Manoel Vitorino e do \u201cjornalista&#8221; Alberto que difamava muita gente, (tamb\u00e9m fui sua v\u00edtima), o massacre de policiais numa periferia de Conquista, o caso do menino Maikon do qual ningu\u00e9m mais fala, a matan\u00e7a dos ciganos, o crime brutal do pastor e tantos outros.<\/p>\n<p>Essa a\u00e7\u00e3o criminal pelo seu modus operandi foi in\u00e9dita na hist\u00f3ria local, mas Vit\u00f3ria da Conquista sempre teve uma fama de cidade violenta l\u00e1 fora at\u00e9 meados dos anos 60. O arraial da\u00a0\u00a0 Vila Imperial do s\u00e9culo XIX era cheio de bandoleiros e salteadores desocupados, como bem descreveu o pr\u00edncipe alem\u00e3o Maximiliano em sua vista \u00e0 regi\u00e3o. Para aqui foi enviado um destacamento para conter os malfeitores. Os tropeiros temiam vir para essas bandas.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca do coronelismo, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, aqui era cheio de pistoleiros e jagun\u00e7os das larvas diamantinas, contratados pelos poderosos. Em 1919 houve at\u00e9 uma guerra entre os \u201cpesduros\u201d e \u201cmeletes\u201d, cada um defendendo seu quinh\u00e3o na pol\u00edtica de mando. O assunto foi manchete nos jornais da capital, Rio de Janeiro e at\u00e9 S\u00e3o Paulo, como tamb\u00e9m o caso da invas\u00e3o de soldados armados ao Hospital S\u00e3o Vicente para arrancar l\u00e1 de dentro um preso internado e condenado.<\/p>\n<p>Este epis\u00f3dio de 1968 foi noticiado pelo jornal \u201c\u00daltima Hora\u201d (SP) que, em mat\u00e9ria, comentou que Conquista era uma cidade onde matar virou uma rotina e havia herdado o esquema do cangaceiro Lampi\u00e3o. O \u201cJornal de Conquista\u201d rebateu a manchete. Muitos contestaram e ficaram revoltados com o peri\u00f3dico paulista.<\/p>\n<p>De volta aos coron\u00e9is, tivemos tamb\u00e9m a luta armada entre os coron\u00e9is Ol\u00edmpio Carvalho e Ascendino Melo (Dino Correia). Foi uma trag\u00e9dia sangrenta que ocorreu no distrito de Verruga (Itamb\u00e9), no munic\u00edpio de Conquista, em mar\u00e7o de 1925.<\/p>\n<p>Todos sabem da \u201cTrag\u00e9dia de Tamandu\u00e1\u201d, em 1895, no povoado de Campo Formoso (Belo Campo) entre o coronel Domingos Ferraz de Ara\u00fajo e dona Louren\u00e7a de Oliveira Freire (mesma fam\u00edlia), quando 22 pessoas foram sangradas barbaramente.<\/p>\n<p>Tivemos ainda a trag\u00e9dia da tarde de Natal, em 1931, na casa do sr. D\u00b4Artagnan Menezes, na rua Nova, onde foram mortos o mec\u00e2nico Vicente Cavalcante e o cabo Jer\u00f4nimo Alves Sampaio. Outros soldados ficaram feridos. Embriagado e depois de ter desacatado a pol\u00edcia, o mec\u00e2nico entrou na casa de Menezes e os soldados invadiram o recinto para arrancar o cara de l\u00e1. Entraram em luta corporal e deu no que deu.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que toda essa fama de uma Conquista violenta das guerras entre fam\u00edlias mudou com os tempos atuais. Hoje temos uma cidade mais civilizada e desenvolvida, mas, vez ou outra, ocorrem trag\u00e9dias chocantes que necessitam ser melhor apuradas, como a mais recente do \u201csequestro\u201d com ref\u00e9ns numa galeria do centro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o ser\u00e1 a primeira nem a \u00faltima vez. Aqui em Vit\u00f3ria da Conquista tem ocorrido fatos de viol\u00eancia que n\u00e3o s\u00e3o devidamente elucidados. As autoridades abafam e a m\u00eddia trope\u00e7a em sua fun\u00e7\u00e3o de investigar na utiliza\u00e7\u00e3o dos porqu\u00eas, como, onde entre outras interjei\u00e7\u00f5es. 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