{"id":1012,"date":"2015-07-10T00:18:14","date_gmt":"2015-07-10T03:18:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1012"},"modified":"2015-07-10T00:18:20","modified_gmt":"2015-07-10T03:18:20","slug":"as-redes-sociais-e-os-imbecis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/07\/10\/as-redes-sociais-e-os-imbecis\/","title":{"rendered":"AS REDES SOCIAIS E OS IMBECIS"},"content":{"rendered":"<p>\u201cNum mundo com sete bilh\u00f5es de pessoas, voc\u00ea n\u00e3o concorda que h\u00e1 muitos imbecis? Na internet, o imbecil pode opinar sobre tudo o que n\u00e3o entende\u201d. A frase \u00e9 do fil\u00f3sofo, cr\u00edtico liter\u00e1rio e romancista, Umberto Eco, autor de \u201cO Nome da Rosa\u201d e do rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u201cN\u00famero Zero\u201d, que recentemente concedeu uma entrevista \u00e0 revista Veja.<\/p>\n<p>O italiano de 83 anos que faz um retrato cr\u00edtico do jornalismo em \u201cN\u00famero Zero\u201d diz que as pessoas fizeram estardalha\u00e7o por ele ter afirmado que multid\u00f5es de imbecis t\u00eam agora como divulgar suas opini\u00f5es. Deixou claro que n\u00e3o teve a inten\u00e7\u00e3o de ofender o car\u00e1ter de ningu\u00e9m, mas acrescentou que com a internet e as redes sociais, o imbecil passa a opinar a respeito de temas que n\u00e3o conhece.<\/p>\n<p>Ao recomendar a filtragem, Eco opinou que as escolas devem ensinar aos seus alunos como usar a internet, mas \u201cnem os professores est\u00e3o preparados para isso\u201d. Nesse sentido, defendeu que os jornais, ou a m\u00eddia de papel, como sempre me refiro, no lugar de se tornarem v\u00edtimas da internet, repetindo o que circula nas redes, devem abrir seus espa\u00e7os para an\u00e1lise das informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sem o exerc\u00edcio frequente da leitura atrav\u00e9s dos livros e ve\u00edculos impressos de comunica\u00e7\u00e3o, os jovens de hoje n\u00e3o est\u00e3o preparados para distinguir as informa\u00e7\u00f5es entre o que \u00e9 confi\u00e1vel, infundado ou tendencioso. Vulner\u00e1veis, terminam ficando expostos aos imbecis que preferem descarregar suas raivas e frusta\u00e7\u00f5es pessoais contra os outros como vem ocorrendo nas redes sociais.<\/p>\n<p>Diante da enxurrada de besteiras e leviandades no Facebook, no Whatsapp, no Twintter e outras redes, os jornais impressos, de acordo com pesquisas efetuadas, continuam sendo os ve\u00edculos que ainda t\u00eam maior credibilidade entre a popula\u00e7\u00e3o (58%), seguido da televis\u00e3o com 54% e o r\u00e1dio com 52%.<\/p>\n<p>Para a busca de informa\u00e7\u00f5es, a internet \u00e9 o menos confi\u00e1vel, apesar de o brasileiro passar mais de cinco horas \u00e0 frente de um computador. Entre os internautas, mais de 90% ficam conectados por meio das redes sociais, sendo bombardeados por montes de asneiras, j\u00e1 que cada um escreve o que bem quer, sem refletir o que diz.<\/p>\n<p>Quando surgiu o r\u00e1dio, no final da d\u00e9cada de 30, disseram que era a senten\u00e7a de morte da m\u00eddia de papel. Vinte anos depois veio a televis\u00e3o e a\u00ed \u201cprofetizaram\u201d o fim do r\u00e1dio e do jornal. Com a internet no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI ainda prognosticam que o impresso est\u00e1 com seus dias contados. Nunca acreditei nesses pseudos s\u00e1bios profetas de palavras rebuscadas cheias de met\u00e1foras e par\u00e1bolas.<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0Mesmo diante dessa conjuntura de confiabilidade, os jornais precisam estar atentos para n\u00e3o ca\u00edrem na armadilha dos outros ve\u00edculos, especialmente os eletr\u00f4nicos. Ao se reportar \u00e0 crise do jornalismo a partir dos anos 50 com advento da televis\u00e3o, o pr\u00f3prio Umberto Eco, em seu recente livro, alerta que os jornais precisam mudar e n\u00e3o ficar repetindo o que j\u00e1 foi dito pelos outros meios.<\/p>\n<p>Uma das mudan\u00e7as a ser tomada pelos jornais, al\u00e9m da qualifica\u00e7\u00e3o do conte\u00fado, seria reduzir o n\u00famero de p\u00e1ginas e n\u00e3o aumentar. O dilema \u00e9 como preencher os espa\u00e7os. Uma sa\u00edda honrosa, na concep\u00e7\u00e3o de Eco, \u00e9 aprofundar a informa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de an\u00e1lises e coment\u00e1rios, mas alguns partiram para a fofoca e a repeti\u00e7\u00e3o das mesmas not\u00edcias e n\u00e3o se deram bem, ou est\u00e3o cambaleando.<\/p>\n<p>Outra recomenda\u00e7\u00e3o para manter sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia e credibilidade \u00e9 que o jornal n\u00e3o pode estar associado a outro grupo econ\u00f4mico. O ve\u00edculo tem que estar voltado, exclusivamente, \u00e0 \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o. Caso contr\u00e1rio, o jornalismo e a informa\u00e7\u00e3o saem prejudicados.<\/p>\n<p>A confiabilidade ainda depositada na m\u00eddia impressa tamb\u00e9m foi confirmada por um levantamento do Financial Times na \u00e1rea publicit\u00e1ria. Constatou-se que os pr\u00f3prios Facebook, Apple e o Google preferem anunciar no jornal e na televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos maiores nomes da publicidade mundial, Martin Sorrell, aconselhou que anunciantes e ag\u00eancias deveriam investir mais na m\u00eddia impressa, \u201cem fun\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia que jornais e revistas\u00a0 t\u00eam na constru\u00e7\u00e3o de marcas e fixa\u00e7\u00e3o de mensagens junto aos consumidores\u201d. Acompanhando este racioc\u00ednio, publicit\u00e1rios brasileiros conclu\u00edram que a internet \u00e9 dispersiva.<\/p>\n<p>Com essa onda de malucos, as pessoas acreditam mais naquilo que \u00e9 noticiado e anunciado nos jornais (impresso ou digital). Trata-se de uma audi\u00eancia formadora de opini\u00e3o. A onda da novidade est\u00e1 passando. At\u00e9 agora, neste ano de 2015, o pr\u00f3prio Facebook investiu 400 vezes mais em publicidade nas m\u00eddias tradicionais do que em todo o ano passado.<\/p>\n<p>BAIXARIAS NAS TVS ABERTAS<\/p>\n<p>Da internet para a televis\u00e3o aberta, o que se v\u00ea s\u00e3o programas apelativos de baixarias que deformam as cabe\u00e7as das crian\u00e7as, jovens e adultos. N\u00e3o adianta mudar de canal. N\u00e3o deveria ser assim porque TV \u00e9 uma concess\u00e3o p\u00fablica e, como tal, tem responsabilidades sociais.<\/p>\n<p>Especialistas no assunto apontam que a onda aparece de dez em dez anos. Em 1980 surge o programa \u201cO Povo na TV\u201d com todo tipo de aberra\u00e7\u00f5es, como pancadarias e mat\u00e9rias sensacionalistas, expondo gentes pobres. Era a TV nova de Silvio Santos.<\/p>\n<p>Nos anos 90 vieram os programas policialescos, como o de Luiz Carlos Alborghtti que defendia o linchamento de criminosos e o esquadr\u00e3o da morte. Depois veio o Ratinho com um porrete na m\u00e3o e atacava os grupos de direitos humanos.<\/p>\n<p>No ano 2000, o Jo\u00e3o Kleber na Rede TV. O Ratinho continuou apostando nas brigas entre casais. As ONGS e o Minist\u00e9rio P\u00fablico se posicionaram contra e houve uma calmaria, mas no ano passado os programas de baixo n\u00edvel voltaram com tudo, inclusive o sexo semiexpl\u00edcito das novelas da Globo, sem contar \u201cCasos de Fam\u00edlia\u201d, do SBT, \u201cA Tarde \u00c9 Sua\u201d, da Rede TV, o popularesco \u201cEsquenta\u201d, de Regina Cas\u00e9, \u201cT\u00e1 na Tela\u201d, de Luiz Bacci, da Band, dentre outros.<\/p>\n<p>Quando se fala em regulamenta\u00e7\u00e3o, os donos de canais e apresentadores que buscam audi\u00eancias a qualquer custo confundem a opini\u00e3o p\u00fablica argumentando que normas neste sentido significam retrocesso e retorno \u00e0 ditadura militar dos tempos da censura. Outros justificam que \u00e9 disso que o povo gosta e quer assistir, e ai, tome baixaria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNum mundo com sete bilh\u00f5es de pessoas, voc\u00ea n\u00e3o concorda que h\u00e1 muitos imbecis? 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