{"id":10108,"date":"2024-12-12T23:47:08","date_gmt":"2024-12-13T02:47:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10108"},"modified":"2024-12-12T23:47:39","modified_gmt":"2024-12-13T02:47:39","slug":"quando-nao-coca-ele-pia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/12\/12\/quando-nao-coca-ele-pia\/","title":{"rendered":"QUANDO N\u00c3O CO\u00c7A, ELE PIA"},"content":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>Era o \u00fanico dia em que a gente l\u00e1 em casa comia ma\u00e7\u00e3 e chupava uva. Tinha que estar doente para que essas caras frutas chegassem at\u00e9 a cabeceira da cama.<\/p>\n<p>Nesse ponto dei sorte, pois fui um menino doente. A partir dos 7 ou 8 anos comecei a sofrer de asma e o bicho era brabo.<\/p>\n<p>L\u00e1 fora, a zoada dos meninos jogando bola na rua. \u201cCad\u00ea Chico?\u201d \u201cEle n\u00e3o vai hoje, n\u00e3o, t\u00e1 doente\u201d.<\/p>\n<p>O problema era que quando curava uma coisa, vinha outra. Quando o m\u00e9dico passava rem\u00e9dio pra asma, eu parava de sentir falta de ar, mas a\u00ed aparecia a coceira, e vice-versa. Eram 15 dias se co\u00e7ando e 15 dias piando. J\u00e1 em Salvador, depois da consulta no m\u00e9dico, na Piedade, mam\u00e3e me levava para merendar na Lobras (Lojas Brasileiras), em S\u00e3o Bento.<\/p>\n<p>A asma at\u00e9 que me ajudou em algumas situa\u00e7\u00f5es. Quando meu pai Waldemar vinha me dar uma surra, eu simulava logo uma crise e mam\u00e3e Cleonice alertava: \u201cWaldemar, voc\u00ea n\u00e3o t\u00e1 vendo que o menino t\u00e1 com falta de ar?\u201d. E eu escapava do cintur\u00e3o. O problema \u00e9 que essa simula\u00e7\u00e3o muitas vezes provocava a asma de verdade.<\/p>\n<p>Lembro uma piada de Juca Chaves. O cara passou a noite com uma mulher no motel e de manh\u00e3 disse que precisava confessar algo. \u201cVoc\u00ea \u00e9 casado?\u201d, perguntou ela. \u201cN\u00e3o, \u00e9 outra coisa\u201d. \u201cFique \u00e0 vontade, pode falar o que \u00e9\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEu queria lhe dizer que &#8230; eu sou asm\u00e1tico\u201d. \u201cAinda bem que voc\u00ea me contou, porque eu pensei que voc\u00ea estava me dando vaia a noite toda\u201d.<\/p>\n<p>Ah, os velhos e intrag\u00e1veis rem\u00e9dios. Tinha um tal de \u00f3leo de ric\u00ednio (\u00f3leo de r\u00edcino), pra combater vermes, que era terr\u00edvel. E o Emuls\u00e3o de Scott? Cleonice dava voltas na mesa da sala at\u00e9 conseguir segurar um dos quatro filhos pra engolir aquele neg\u00f3cio branco e intrag\u00e1vel na colher de sopa.<\/p>\n<p>Mam\u00e3e usava Colubiazol pra garganta e vov\u00f4 Chico n\u00e3o ficava sem Sal de Fruta \u00a0Eno em casa. E papai passava na cabe\u00e7a a lo\u00e7\u00e3o Tricomicina pra ver se ainda nascia cabelo.<\/p>\n<p>A gente ia no inferno e voltava quando o Merthiolate era aplicado em cima do ferimento no joelho adquirido no \u201cbaba\u201d da rua. A chegada do Band-Aid foi um al\u00edvio. Os pequenos curativos deixaram de ser feitos com gaze e esparadrapo, que sa\u00eda arrancando os cabelinhos a torto e a direito. Quando n\u00e3o era raladura, era uma porrada na perna, usava-se\u00a0 o Iodex, uma pomada preta que tinha um cheiro forte.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil mesmo era engolir uma gemada. Beber o ch\u00e1 de fedegoso contra asma era outro processo doloroso. Gripe? Ch\u00e1 de lim\u00e3o com alho. Tomar bem quente e entrar debaixo da coberta. Vai suar em bicas e no outro dia t\u00e1 bom. Pode escalar Chico pro \u201cbaba\u201d de hoje.<\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em leiamaisba.com.br)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) Era o \u00fanico dia em que a gente l\u00e1 em casa comia ma\u00e7\u00e3 e chupava uva. Tinha que estar doente para que essas caras frutas chegassem at\u00e9 a cabeceira da cama. Nesse ponto dei sorte, pois fui um menino doente. A partir dos 7 ou 8 anos comecei a sofrer de asma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10108"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10108"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10108\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10110,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10108\/revisions\/10110"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}