{"id":10096,"date":"2024-12-10T23:24:15","date_gmt":"2024-12-11T02:24:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10096"},"modified":"2024-12-10T23:24:42","modified_gmt":"2024-12-11T02:24:42","slug":"nos-tempos-dos-cartoes-postais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/12\/10\/nos-tempos-dos-cartoes-postais\/","title":{"rendered":"NOS TEMPOS DOS CART\u00d5ES POSTAIS"},"content":{"rendered":"<p>&#8211; Quando chegar, n\u00e3o esquece de mandar um cart\u00e3o postal. Os mais velhos se lembram bem dessa recomenda\u00e7\u00e3o quando algum familiar, amigo, namorado ou namorada viajavam para uma cidade distante ou uma capital, no caso Salvador, que muitos chamavam de Bahia ou Baia. A viagem era sempre aguardada com muita ansiedade. Na v\u00e9spera nem se conseguia dormir direito.<\/p>\n<p>As viagens, em sua grande maioria, eram feitas de \u00f4nibus em estradas de cascalho e demoradas, umas com o prop\u00f3sito de passeio e outras at\u00e9 mesmo para ficar de vez na casa de um parente para arrumar um trabalho e melhorar de vida porque o interior pequeno era muito acanhado e n\u00e3o oferecia condi\u00e7\u00f5es de crescimento. E as malas de couro cru! Cabia tudo dentro.<\/p>\n<p>As partidas eram chorosas e calorosas como se a pessoa estivesse indo para o fim do mundo, para a China ou para o Jap\u00e3o. Os abra\u00e7os e beijos eram demorados, e o motorista se danava a buzinar o carro para apressar os passageiros. Na sa\u00edda eram aqueles adeuses!<\/p>\n<p>Boas recorda\u00e7\u00f5es daqueles tempos dos cart\u00f5es postais onde a pessoa ia numa lojinha de lembran\u00e7as e comprava aquelas belas imagens fotogr\u00e1ficas e as remetia pelos Correios. Demorava um pouco de chegar ao remetente, mas era batata! N\u00e3o falhava e nem desviava.<\/p>\n<p>&#8211; Para minha amada, com muitas saudades do meu amor. Este \u00e9 um lugar que nos une, mesmo t\u00e3o distantes. Voc\u00ea est\u00e1 sempre em meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Para meu pai e minha m\u00e3e querida, com muito carinho. Fiz uma boa viagem e estou adorando esta cidade. Em breve envio mais not\u00edcias.<\/p>\n<p>&#8211; Ao meu amigo, ou amiga, um forte abra\u00e7o. Aqui tudo \u00e9 bonito e estou aproveitando esses dias para conhecer v\u00e1rios lugares encantadores. Quando a viagem era r\u00e1pida, a pessoa trazia na bagagem um monte de cart\u00f5es postais para comprovar sua visita.<\/p>\n<p>Esses e outros dizeres, de acordo com cada intimidade que um tinha para com o outro, eram escritos nos versos dos cart\u00f5es postais com distintas caligrafias, n\u00e3o esses garranchos de hoje que quase ningu\u00e9m entende.<\/p>\n<p>Naquele tempo, muita gente fazia cole\u00e7\u00e3o de cart\u00f5es postais. Eu mesmo conheci uma pessoa que era fissurada nessa mania e tinha cart\u00f5es de v\u00e1rias partes do mundo, sem contar do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Salvador e de outras capitais do pa\u00eds. Quantas saudades!<\/p>\n<p>Por que hoje voc\u00ea diz que tal lugar \u00e9 um cart\u00e3o postal da cidade? Em Vit\u00f3ria da Conquista, por exemplo, dizem que o Cristo de M\u00e1rio Cravo ou o Po\u00e7o Escuro? Em Salvador, o cart\u00e3o postal pode ser o Elevador Lacerda, o Farol da Barra ou a Ponta de Humait\u00e1, na Ribeira. No Rio de Janeiro \u00e9 o Cristo Redentor ou o Bondinho do Corcovado. Em Paris \u00e9 a Torre Eiffel.<\/p>\n<p>Atualmente n\u00e3o existem mais cartas e nem recantos de cart\u00f5es postais. Hoje \u00e9 tudo instant\u00e2neo pelo celular atrav\u00e9s de uma foto ou selfies, com uma legenda troncha cheia de erros de portugu\u00eas. Na maior parte, as mensagens s\u00e3o feitas por \u00e1udio e, praticamente, sem liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que algu\u00e9m a\u00ed ainda guarda, l\u00e1 no fundo do ba\u00fa, algum cart\u00e3o postal ou carta de antigamente? Muitos foram jogados fora como velharia imprest\u00e1vel para dar lugar ao moderno. Dia desse encontrei um cart\u00e3o postal em minha pasta. S\u00f3 n\u00e3o vou revelar a mensagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; Quando chegar, n\u00e3o esquece de mandar um cart\u00e3o postal. Os mais velhos se lembram bem dessa recomenda\u00e7\u00e3o quando algum familiar, amigo, namorado ou namorada viajavam para uma cidade distante ou uma capital, no caso Salvador, que muitos chamavam de Bahia ou Baia. A viagem era sempre aguardada com muita ansiedade. Na v\u00e9spera nem se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10096"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10096"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10096\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10097,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10096\/revisions\/10097"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}