{"id":10053,"date":"2024-11-25T22:39:04","date_gmt":"2024-11-26T01:39:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10053"},"modified":"2024-11-25T22:39:13","modified_gmt":"2024-11-26T01:39:13","slug":"o-relogio-e-o-telefone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/11\/25\/o-relogio-e-o-telefone\/","title":{"rendered":"O REL\u00d3GIO E O TELEFONE"},"content":{"rendered":"<p>No gancho jornal\u00edstico do meu amigo, colega e ex-companheiro de trabalho no jornal A Tarde, Chico Ribeiro, nosso conhecido \u201cTitio\u201d, queria falar de duas pe\u00e7as onde uma ainda resiste ao tempo e o outro praticamente foi extinto do nosso uso com a chegada da tecnologia da internet e do celular m\u00f3vel.<\/p>\n<p>Tratam-se do rel\u00f3gio e do telefone fixo. O primeiro continua a ser utilizado nos bra\u00e7os dos homens e mulheres como se fosse uma joia, um colar, uma corrente na forma de eleg\u00e2ncia corporal. Ainda existem relojoarias e relojoeiros. Mesmo com o celular na m\u00e3o, que aponta as precisas horas, as pessoas continuam com o velho costume tradicional do rel\u00f3gio no bra\u00e7o.<\/p>\n<p>Tem gente que gosta daqueles grandes estilosos de meio quilo e at\u00e9 faz cole\u00e7\u00e3o. Ostros s\u00e3o mais discretos e apreciam os mais modernos sofisticados para exibir como pe\u00e7a. Os mais ricos compram os de ouro, inclusive branco, cravejado de pedras preciosas. O capit\u00e3o ex-presidente quis ficar com um presenteado pelo rei da Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>O rel\u00f3gio continua sendo um objeto s\u00edmbolo de poder. Muitos ainda lhe param nas ruas para pedir as horas. Nunca mais eu vi aqueles de bolso usados por coron\u00e9is que precisavam dar corda de hora em hora. Tem os bons e os chamados patachos. Existem aqueles grandes de paredes que voc\u00ea ouvia de longe o tic-tac do badalo do tempo, bem como os do cuco.<\/p>\n<p>Estes viraram pe\u00e7as de museu e ainda s\u00e3o encontrados como rel\u00edquias para vendas em casas de antiguidades. Uma vez, em Tiradentes \u2013 Minas Gerais, fiquei encantado com uma cole\u00e7\u00e3o desses rel\u00f3gios, todos estilosos e impressionantes. Lembrei das casas dos poderosos fazendeiros.<\/p>\n<p>Rel\u00f3gio, que nos faz recordar da Su\u00ed\u00e7a, ainda \u00e9 uma coisa fascinante porque est\u00e1 ligado ao tempo, \u00e9 vida e morte. Desde quando pude adquirir um, nunca mais deixei de ter um rel\u00f3gio no bra\u00e7o. Sem ele, parece que est\u00e1 faltando alguma coisa em meu corpo. \u00c9 como o chap\u00e9u, minha marca ainda n\u00e3o registrada em cart\u00f3rio.<\/p>\n<p>Quanto ao telefone fixo, antes muito caro e n\u00e3o era para todos, caiu em desuso com o surgimento do celular onde as pessoas preferem passar suas mensagens, \u00e1udios e v\u00eddeos e raramente ligar. Para conseguir um fixo na Telebahia, tinha-se que entrar num fila e pagar um monte de presta\u00e7\u00f5es. Tinha tamb\u00e9m o alugado.<\/p>\n<p>Era um bom investimento que rendia mais que uma a\u00e7\u00e3o na bolsa de valores, uma conta na poupan\u00e7a, no setor imobili\u00e1rio ou um CDC. Existiam ainda os orelh\u00f5es nas ruas, com fichas e cart\u00f5es, que me salvaram muitas vezes do aperto na hora de passar uma mat\u00e9ria do interior do sert\u00e3o para a reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O telefone fixo tamb\u00e9m servia como despertador para voc\u00ea acordar cedo para o trabalho ou para uma viagem. A pessoa ligava para a mo\u00e7a da Telebahia e pedia para lhe acordar. Na hora certa ela tocava e ainda repetia o aviso cinco minutos depois para certificar que a pessoa havia levantado da cama. N\u00e3o dava para voc\u00ea ficar enrolado na coberta da pregui\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 isso a\u00ed, meu amigo, a tecnologia fez desaparecer coisas boas do passado quando a gente era feliz e n\u00e3o sabia. No entanto, o rel\u00f3gio ainda cai bem no bra\u00e7o de uma mulher elegante e a maioria gosta de ganhar um de presente. A maioria dos homens tamb\u00e9m n\u00e3o dispensa um rel\u00f3gio e sou um deles. S\u00f3 n\u00e3o gosto de parar para dar as horas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No gancho jornal\u00edstico do meu amigo, colega e ex-companheiro de trabalho no jornal A Tarde, Chico Ribeiro, nosso conhecido \u201cTitio\u201d, queria falar de duas pe\u00e7as onde uma ainda resiste ao tempo e o outro praticamente foi extinto do nosso uso com a chegada da tecnologia da internet e do celular m\u00f3vel. 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