{"id":10034,"date":"2024-11-18T22:49:30","date_gmt":"2024-11-19T01:49:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10034"},"modified":"2024-11-18T22:49:43","modified_gmt":"2024-11-19T01:49:43","slug":"reporter-de-hoje-nao-sabe-mais-como-descobrir-uma-boa-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/11\/18\/reporter-de-hoje-nao-sabe-mais-como-descobrir-uma-boa-historia\/","title":{"rendered":"REP\u00d3RTER DE HOJE N\u00c3O SABE MAIS COMO DESCOBRIR UMA BOA HIST\u00d3RIA"},"content":{"rendered":"<p>Falei aqui semana passada sobre a crise em que vive o nosso jornalismo, n\u00e3o somente aqui em Vit\u00f3ria da Conquista onde os blogs substitu\u00edram os jornais impressos a partir dos anos 2000 e n\u00e3o houve evolu\u00e7\u00e3o de conte\u00fado e qualidade em suas mat\u00e9rias publicadas, com raras exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por falar em mat\u00e9rias e reportagens nos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, tenho observado que os rep\u00f3rteres de um modo geral parecem que desaprenderam extrair de um evento, fato ou acontecimento uma boa hist\u00f3ria para entregar ao seu leitor, ouvinte ou telespectador. O que vemos \u00e9 aquele \u201cfeij\u00e3o com arroz\u201d de sempre, ou seja, o factual.<\/p>\n<p>Vou colocar aqui como exemplo mais recente, as coberturas da Feira Liter\u00e1ria de Conquista, a Fliconquista que se encerrou neste \u00faltimo domingo. As entrevistas foram sempre direcionadas \u00e0 curadora do evento, com aquela mesmice da programa\u00e7\u00e3o, e quase nada de importante como fato interessante dentro da feira.<\/p>\n<p>Estive conversando com alguns escritores, livreiros e expositores e descobri uma boa hist\u00f3ria digna de registro. Trata-se do Jos\u00e9 da Boa Morte que veio l\u00e1 de Salvador de \u201cbuz\u00fa\u201d, mesmo sem ser convidado, vender seus livros \u201cARTPOESIA\u201d, uns de sua autoria e outros comentados que ele reproduz de poetas e escritores famosos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_8574.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10035\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_8574.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_8574.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_8574-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Jos\u00e9 da Boa Morte, cuja fam\u00edlia vem l\u00e1 de Santo Amaro, mas \u00e9 soteropolitano, \u00e9 um personagem interessante que poderia j\u00e1 ter recebido um trof\u00e9u de \u201crei das feiras liter\u00e1rias\u201d da Bahia e do Brasil. \u00c9 uma pessoa simples, mas de muita sabedoria, esfor\u00e7ado e organizado com seus projetos de divulga\u00e7\u00e3o da nossa literatura brasileira.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7a o ano ele j\u00e1 coloca em sua agenda o calend\u00e1rio de todas as feiras em que vai participar, principalmente na Bahia e no Nordeste. No maior sacrif\u00edcio, ele faz suas andan\u00e7as liter\u00e1rias de \u00f4nibus e, na maioria das vezes, paga seus custos e se vira para cobrir suas despesas. Seus itiner\u00e1rios s\u00e3o todos preestabelecidos.<\/p>\n<p>Para a Fliconquista, por exemplo, ele desembarcou aqui no dia 13\/11 com suas malas e, antes de vir \u00e0 feira, deu uma rodada na cidade vendendo seus livros para, pelo menos, pagar seu hotel e o transporte. Depois conseguiu com a coordena\u00e7\u00e3o uma mesinha no foyer do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima para expor seus trabalhos. Como se n\u00e3o bastasse, ele ainda foi \u00e0 Flibel\u00f4, de Belo Campo, de s\u00e1bado para domingo.<\/p>\n<p>Este personagem vendedor de livros tem uma boa narrativa de vida cultural para contar a um rep\u00f3rter descobridor de boas hist\u00f3rias. Al\u00e9m do mais, ele deveria compor uma roda de conversa liter\u00e1ria ou uma mesa de debates para passar suas experi\u00eancias. \u00c9 uma pessoa que se dedica de corpo e alma a participar das feiras liter\u00e1rias e vive disso, coisa rara neste setor.<\/p>\n<p>Pois \u00e9 gente, Jos\u00e9 da Boa Morte, na Fliconquista, \u00e9 apenas um exemplo citado que merecia ter sido entrevistado por um rep\u00f3rter contador de boas hist\u00f3rias e not\u00edcias. O p\u00fablico gosta muito disso, de ler e ouvir coisas inusitadas extra\u00eddas de um evento ou fatos noticiosos. Numa reportagem, o bom rep\u00f3rter tem que investigar algo novo que chame a aten\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/p>\n<p>Na Fliconquista tinha tamb\u00e9m um escritor de Salvador que se dedica a escrever sobre o g\u00eanero de terror. Sua hist\u00f3ria tamb\u00e9m daria uma boa reportagem. Peguei o caso da Feira Liter\u00e1ria de Conquista para mostrar que o rep\u00f3rter de hoje, quando sai para realizar uma cobertura jornal\u00edstica, raramente traz uma boa hist\u00f3ria para sua reda\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 apenas fazer o factual e copiar o boletim de ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falei aqui semana passada sobre a crise em que vive o nosso jornalismo, n\u00e3o somente aqui em Vit\u00f3ria da Conquista onde os blogs substitu\u00edram os jornais impressos a partir dos anos 2000 e n\u00e3o houve evolu\u00e7\u00e3o de conte\u00fado e qualidade em suas mat\u00e9rias publicadas, com raras exce\u00e7\u00f5es. 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