{"id":10005,"date":"2024-11-12T23:09:42","date_gmt":"2024-11-13T02:09:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10005"},"modified":"2024-11-12T23:11:29","modified_gmt":"2024-11-13T02:11:29","slug":"a-crise-do-nosso-jornalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/11\/12\/a-crise-do-nosso-jornalismo\/","title":{"rendered":"A CRISE DO NOSSO JORNALISMO"},"content":{"rendered":"<p>A realidade \u00e9 que vivemos num mundo das crises, como a da pol\u00edtica, sem mais l\u00edderes estadistas e humanistas, da humanidade em decad\u00eancia, das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas com o aquecimento global, das ideias e do conhecimento, da meritocracia, do amor ao outro, da solidariedade, da confian\u00e7a, da paz e tantas outras, inclusive do nosso jornalismo.<\/p>\n<p>\u00c9 dessa \u00faltima crise que pretendo falar porque, com o avan\u00e7o da tecnologia da internet e das redes sociais, se acomodou e deixou de ser questionador e investigativo em sua ess\u00eancia. As mat\u00e9rias que recebemos s\u00e3o requentadas e repetitivas, salvo raras exce\u00e7\u00f5es. \u00c9 um jornalismo cada vez mais elitista, que diz s\u00f3 am\u00e9m ao seu patr\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das principais fun\u00e7\u00f5es do rep\u00f3rter \u00e9 perguntar, mas se tornou numa esp\u00e9cie de \u00e2ncora e atreve a emitir suas pr\u00f3prias opini\u00f5es, como se estivesse fazendo um jornalismo opinativo, coisa para colunistas setoriais. Acho que o rep\u00f3rter foi hipnotizado pela mosca azul da vaidade. \u201cEle s\u00f3 quer \u00e9 bajula\u00e7\u00e3o\u201d, como dizia nosso profeta Raul Seixas.<\/p>\n<p>Vejo hoje entrevistas, seja em qualquer meio de comunica\u00e7\u00e3o, onde o jornalista se confunde com o entrevistado e acaba falando mais do que a fonte, como se fosse ele o especialista do assunto. No final, ainda faz suas recomenda\u00e7\u00f5es e o que ele acha ser o certo e o errado. Isso termina confundindo a cabe\u00e7a das pessoas e at\u00e9 desvirtua os fatos, com desvios de conduta e fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os blogs, em sua grande maioria, colam not\u00edcias dos outros, as r\u00e1dios divulgam BOs (boletins de ocorr\u00eancias), sem se aprofundar nos acontecimentos e os jornais impressos definharam e d\u00e3o not\u00edcias atrasadas, publicadas pela internet, quando deveriam se aprofundar para trazer textos comentados para o leitor. A televis\u00e3o virou um ve\u00edculo chato e mon\u00f3tono que n\u00e3o se modernizou e avan\u00e7ou no conte\u00fado. As novelas s\u00e3o um saco, com os mesmos enredos.<\/p>\n<p>No geral, o nosso jornalismo de hoje est\u00e1 mais preocupado em acompanhar as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas do seu visual e do modelo da interatividade. Esqueceu do outro lado de elaborar mat\u00e9rias mais consistentes e convincentes. Ele foi arrebatado pela parcialidade escancarada, principalmente por parte da grande m\u00eddia que mant\u00e9m seu monop\u00f3lio comprometido com o capital.<\/p>\n<p>Percebemos pouca criatividade e imagina\u00e7\u00e3o das pautas que saem das reda\u00e7\u00f5es, bem como, a falta de um bom chefe de reportagem e de um editor para orientar melhor o rep\u00f3rter que sai de uma faculdade, em sua maioria deficit\u00e1ria na forma\u00e7\u00e3o do aluno. Ali\u00e1s, a defici\u00eancia no aprendizado j\u00e1 vem desde o in\u00edcio da sua educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dentro do jornalismo, em particular, temos tamb\u00e9m a crise do diploma, inclusive n\u00e3o reconhecido profissionalmente e n\u00e3o obrigat\u00f3rio para atuar como profissional. A luta pelo diploma \u00e9 de suma import\u00e2ncia, mas isso n\u00e3o garante qualidade e mudan\u00e7a de comportamento. A impress\u00e3o que temos \u00e9 que a escola, mesmo com suas falhas, ensina uma coisa e a empresa manda fazer outra.<\/p>\n<p>Pouco vemos atualmente mat\u00e9rias especiais de peso como as que existiam no passado mais recente, isto \u00e9, bem trabalhadas e investigativas, de forma a prender o interesse do p\u00fablico alvo. Sentimos falta de um produto de boa qualidade e estamos cheios do factual evasivo e vazio, com uma cara de propaganda indutora do consumismo, principalmente quando se trata do setor comercial.<\/p>\n<p>Estamos carentes de um jornalismo mais informativo, mais cultural que fa\u00e7a o leitor, o ouvinte ou o expectador refletir sobre os fatos. Na realidade, essa crise do nosso jornalismo est\u00e1 associada \u00e0 decad\u00eancia do conhecer e do saber educacional da grande maioria da nossa gente. Mesmo assim, cabe ao nosso jornalismo tamb\u00e9m o papel de educar o povo e n\u00e3o nivelar seu trabalho por baixo.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que o nosso jornalismo caiu muito no seu conceito de qualifica\u00e7\u00e3o de outrora. Mesmo com o baixo n\u00edvel na educa\u00e7\u00e3o, o jornalismo n\u00e3o pode abandonar a sua miss\u00e3o de ser um grande formador de opini\u00e3o, defensor da liberdade de express\u00e3o e da justi\u00e7a social na hora de expor os fatos como eles s\u00e3o, sem subterf\u00fagios.<\/p>\n<p>O que observamos hoje \u00e9 um jornalismo mais dependente, menos cr\u00edtico e contestador, sempre se posicionando ao lado do poder, como se fosse uma bancada da situa\u00e7\u00e3o dos governantes em geral. Diante do exposto, os nossos jovens preferem ficar grudados no celular vendo memes, figuras e lendo fofocas e fake news. Por falar nisso, nossa m\u00eddia est\u00e1 construindo mais mentiras que verdades.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que n\u00e3o existe um jornalismo totalmente independente e imparcial. Isso \u00e9 uma utopia, mas que n\u00e3o seja t\u00e3o chapa branca assim. Diria que o nosso jornalismo de hoje \u00e9 uma vergonha, levando em considera\u00e7\u00e3o o seu posto de ser um dos principais personagens do poder entre os poderes constitu\u00eddos. No entanto, o leigo no assunto, em decorr\u00eancia do seu baixo saber cultural e senso cr\u00edtico, ainda elogia esse jornalismo meia cara.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A realidade \u00e9 que vivemos num mundo das crises, como a da pol\u00edtica, sem mais l\u00edderes estadistas e humanistas, da humanidade em decad\u00eancia, das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas com o aquecimento global, das ideias e do conhecimento, da meritocracia, do amor ao outro, da solidariedade, da confian\u00e7a, da paz e tantas outras, inclusive do nosso jornalismo. \u00c9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10005"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10005"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10005\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10008,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10005\/revisions\/10008"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}