Depois das tragédias no Rio Grande do Sul, os gaúchos começam a reconstruir suas vidas retornando para suas casas através de doações. As empresas e fábricas, com maior poder aquisitivo, voltam a abrir suas portas e até os turistas mostram suas caras, mas não vi e ouvi da parte dos governantes se falar sobre projetos preventivos de contenção para evitar que os fatos se repitam.

A única coisa que escutei de prepostos de uma prefeitura é que o poder público estava comprometido em instalar serviços de monitoramento das mudanças climáticas com sinais de alertas para as populações deixarem suas casas para os abrigos em momentos de riscos, como sempre em prédios escolares num amontoado de gente, e lá vem novamente as campanhas de doações.

Esse é o nosso Brasil que prefere fazer armengues e remendos do que planejar. Ora, essas providências paliativas anunciadas são de baixo custo e não resolvem o problema crucial das enchentes, principalmente dos lagos Guaíba e dos Patos. Até parece um deboche porque as casas continuarão sendo inundadas e as pessoas vão perder seus pertences.

Durante as enchentes de maio e junho, fora os recursos federais, grande parte dos brasileiros se uniu para arrecadar dinheiro, materiais diversos, mantimentos e outros produtos para socorrer as vítimas. Até o momento não ouvi falar sobre a quantia de valores monetários enviados para o Governo do Rio Grande do Sul e prefeituras atingidas e o que foi feito dessas verbas.

Ora, não deveria haver uma prestação de contas como forma de transparência e satisfação a quem se prontificou a contribuir? Onde esses recursos foram utilizados e quantos milhões foram arrecadados? Tenho certeza que a população em geral, que já paga impostos altos, colaborou bem mais que o governo federal.

Logo que passa a catástrofe, tudo é esquecido; dá-se uma merreca para os pobres; abre-se créditos, praticamente sem juros, para os empresários tocarem seus negócios; limpa-se as sujeiras dos entulhos e lixos; conserta-se as estradas e pontes; e nada de obras de proteção (canais e bacias para escoamento das águas), como foram realizadas em Nova Iorque, em Mahatma, e em Amsterdam, na Holanda.

Ouvi noticiários de uns técnicos arquitetos e urbanistas do exterior que apareceram no Rio Grande do Sul, mas que eu saiba, foi anunciado pelos governantes sobre possíveis projetos nesse sentido e início de obras para conter próximas enchentes.

Eles vão apenas dar uma ajeitada nos diques, fazer algumas reparações nas comportas que estavam enferrujados e nas casas de bombeamento de água. A partir daí, nada de manutenções nesses equipamentos que já demonstraram ser deficientes.

Numa tragédia desse porte, quem mais se lasca são os pobres e aqueles que perderam suas vidas (quase 200 pessoas). Os ricos possuem seus fundos de reservas; têm seus seguros; e se recuperam rapidamente. Os moradores estão reconstruindo suas casas nos mesmos lugares, bem como os pescadores e ribeirinhos.

Como já disse alguém por aí: Esse não é mesmo um país sério. Não existe planejamento e, ainda por cima, é um país comandado pela corrupção, pelo superfaturamento e pelo suborno. O que existe mesmo é a indústria da seca no Nordeste e agora das enchentes no Sul. Um exemplo está nas tragédias de Petrópolis e Teresópolis, no Rio de Janeiro. Depois de anos, a situação permanece praticamente a mesma.

E por falar das secas nordestinas, onde levas e levas de retirantes deixaram suas terras para serem escravos em outros estados sulistas; exterminaram plantações e animais; e mataram crianças e idosos de desnutrição, nunca houve uma comoção geral dos brasileiros (campanhas de maciças de doações) do mesmo tamanho e em proporções iguais como agora no Rio Grande do Sul, que tanto menosprezou e depreciou os nordestinos, chamando-os de  inferiores porque não concordam com a mesma política expressa por seus moradores.