Passar por Brasília, a cidade das castas dos três poderes, foi relembrar aqueles velhos tempos, há cerca de 30 anos ou mais quando por lá estive para realizar um curso pelo Ceag, hoje Sebrae. Se não me engano, estive outra vez para uma reportagem jornalística na área de economia. Ainda não era uma metrópole como hoje.

Não tem muito e tem o que falar de Brasília, palco dos maiores acontecimentos, construída pelo presidente Juscelino Kubistchek, o cigano boêmio, com a força braçal dos candangos nordestinos, pelos idos de 1955 a 1960, quando foi inaugurada. Nem precisa dizer quem foi o arquiteto e urbanista que a projetou com aqueles traçados diferenciados que só ele, o Oscar Niemeyer, tinha como nenhum outro no mundo.

Não era para ser uma metrópole arrodeada de suas cidades satélites. A projeção inicial era em torno de 500 mil habitantes, mas hoje, de acordo com o último censo do IBGE, ultrapassa dois milhões e oitocentos mil moradores, com a maior renda per capita do Brasil, graças aos grandes salários dos marajás do executivo, do legislativo e do judiciário.

Ali estão concentradas as castas milionárias (porque não falar bilionárias), ao redor do Lago Paranoá, num país onde a maioria é pobre e milhões passam fome. Temos o Congresso Nacional mais caro do planeta, que não serve de orgulho, mas de vergonha, que manobra os presidentes com seus cambalachos.

Bem, não vou ficar aqui falando de política, mas da nossa viagem, coisa bem mais prazerosa. Numa passagem, vindos de Anápolis, ficamos hospedados em Águas Claras, distante do Plano Piloto, no apartamento da minha prima Rocia e seu esposo Adailton, ou melhor, o nosso querido Dadai, poeta e músico.

Fomos bem recepcionados pelos seus filhos Isabela, Isadora e Pedro, além de amigos divertidos, e aproveitamos para fazermos aquela farra num sábado até o dia amanhecer do domingo. Como se diz no interior, colocamos o papo em dia entre uma conversa e outra, num clima fraternal que nos faz esquecer das mazelas dessa nossa nação, principalmente dos políticos corruptos.

Antes disso, porém, Rocia e Dadai nos ciceroneou por alguns pontos dos três poderes que há anos havia passado. Para minha esposa Vandilza, tudo era novidade. Estivemos no Memorial JK,  na Torre da TV Brasília,  no Centro do Índio, no Bosque de Águas Claras, entre as alas dos ministérios, do Congresso, os Palácios do Planalto e Alvorada, sem falar na imponente Catedral.

Sua torre arquitetônica em forma de mão para o alto parece pedir perdão pelos pecados cometidos pelos homens que governam Brasília e o Brasil.  É um lugar de contrição e reflexão por tudo que acontece ali de ruim. O que mais importa é que valeu o reencontro com nossos parentes e amigos. Foi uma festa e só alegria.

Por citar o Centro ou Museu do Índio (olha eu falando novamente em política), ao lado do Memorial JK, achei que merecia ser mais rico em termos de objetos, peças e outros utensílios, unindo culturas de todas as tribos do Brasil, de norte a sul, de leste a oeste.

Ainda dentro do tema, considerei ridículo, demagógico e hipócrita a cerimônia promovida pela Comissão da Anistia, entre primeiro e dois de abril, onde a presidência (não me lembro o nome) se dirige aos indígenas ali presentes para pedir desculpas pelas atrocidades cometidas pela ditadura civil-militar de 1964 contra suas comunidades.

Essa gente é mesma cara de pau e aproveita da ingenuidade dos sofridos, discriminados e pisoteados para pedir desculpas, quando o correto seria uma reparação a todos brasileiros através da punição aos torturadores. Esqueceram de dizer que a anistia foi uma farsa montada pelos generais e aceita pelos nossos governantes, magistrados e legisladores.

Sem mais delongas, de lá tomamos rumo de volta para Nossa Vitória da Conquista, numa viagem complicada e cansativa, mas aí é outra história que vamos contar como final da nossa viagem, muito proveitosa no campo do conhecimento e do saber. Viajar é muito bom, e melhor ainda quando existem transtornos.