Chico Ribeiro Neto)

Tô esperando o dia em que comecei a assoviar “Summertime” na fila do caixa no supermercado. A mulher do caixa assoviou também, o segurança começou a bater o pé, desligou a câmera e assoviou e dançou; o repositor de sabonete assoviou; o cara do açougue dançou; o da padaria também; a velhinha que reclama todo dia também dançou; o cara que chegou agora assoviou.

– Crédito ou débito?

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Tô esperando ouvir “As 4 Estações”, de Vivaldi, numa noite fresca. E a Nona Sinfonia de Beethoven numa noite de chuva.

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A próxima taça de vinho e o primeiro cantar do passarinho.

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Ouvir “Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás”, de Raul Seixas, na voz de um cantador de ônibus no meio da Avenida Sete. “E não tem nada nesse mundo/ Que eu não saiba demais”.

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Tô esperando o Dia da Nostalgia. Aquele dia em que todo mundo vai lembrar das coisas boas que já viveu. Nesse dia ninguém trabalha nem estuda. Só lembra. E apois num é que esse dia já existe no Uruguai? Em 24 de agosto, um dia antes da data que comemora o Dia da Independência do Uruguai, acontece La Noche de la Nostalgia, considerada a noite mais agitada do país. Os bares e restaurantes só tocam músicas antigas e promovem festas com temas nostálgicos.

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Aquela onda que vem lá longe. Parece que ela vem grandona. Que maravilha é furar uma onda mergulhando de cabeça!

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Aquela bola que espirrou na pequena área pra eu fazer um gol de calcanhar (de cagada) muito festejado pela torcida.

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Tô esperando aquele café cheiroso com pão caseiro na casa de Dona Geralda, em Caculé, Bahia.

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Um Brasil em que a educação seja a maior prioridade.

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Um filme que me faça sair do cinema levitando, respirando a beleza de viver.

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Aquela carta com a letra dela.

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A primeira mordida no peixe frito ou no assado cabrito. Um prato de cozido com pirão e a couve e a abóbora boiando lá em cima. E o molho lambão do lado.

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Tô esperando o próximo trem, o primeiro navio e a que horas a mulher do circo vai virar o terrível macaco. Espero a próxima gota d’água em cima da rosa.

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Tô esperando o Carnaval pra me picar de Salvador.

(Veja crônicas anteriores em leiamais.ba.com.br)