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CURTA AS CURTAS

AS TÁBUAS DA LEI

Depois das eleições presidenciais, a candidata Marina Silva (PSB) sumiu. Dizem por aí que ela está no Monte Sinai conversando com Deus para fazer as tábuas da lei dos dez mandamentos. Quando ela voltar vai condenar os adoradores dos deuses feitos de bezerros de ouro. Um candidato a cargo de presidente não pode passar uma semana para tomar uma decisão. Por indecisão, Moisés foi proibido de pisar na terra prometida. Em seu lugar foi indicado Josué. Enquanto isso, Marina continua meditando e orando.

GOVERNO NOVO?

Confesso que não entendi essa de governo novo, novas ideias, do PT. No discurso, Dilma aparece como se fosse candidata pela primeira vez e, ao mesmo tempo, critica seu próprio governo dizendo que vai fazer o que não foi feito em quatro anos, ou 12. Os marqueteiros políticos apelam pra tudo e acham que todo mundo é burro e demente da cabeça, ou a peça publicitária é dirigida apenas para os gênios. Na verdade, entre o PT e o PSDB não existe nada de novo. Isso é uma furada! Oh quanta falta de lideranças políticas neste nosso país!

PROPINA REGISTRADA?

É sempre assim, nos tratam como se fossemos otários, sem o mínimo dos 10% da inteligência humana. As denúncias do ex-diretor da Petrobrás e do doleiro Alberto Youssef acusam que uma percentagem (2%) das propinas dos contratos da estatal com as empreiteiras abastecia as campanhas do PT. O presidente do partido rebateu afirmando que todas as despesas foram registradas e declaradas no Supremo Tribunal Eleitoral. É claro que ninguém de “bom senso” vai declarar recursos ilícitos em seus gastos. Novamente, entra aí o famoso “Caixa Dois” de campanha.

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O INTERVALO DO DIABO

Salustiano Querosene do Pavio é um trabalhador braçal que nasceu e vive há anos nos confins dos grotões deste Brasil que muita gente diz que é aonde o diabo gosta e o vento faz a curva, cafundós do Judas ou o fim do mundo. Salustiano e a gente daquele pedaço de chão nem existem como cidadãos, mas já ouviram falar das artimanhas do Diabo, ou do Belzebu Satanás chifrudo que não perde um descuido ou um intervalo de fraqueza para roubar uma alma.

Quando Salustiano não tem dinheiro, e isso é quase sempre, para comprar na venda o querosene de acender o candeeiro pra clarear seu casebre, ele apela para o óleo de mamona extraído dos bagos pisados no pilão. O pavio é feito do algodão colhido de um pequeno plantio de sua roça. Quando não tem algodão vai mesmo um pedaço velho de pano. O pior de tudo é a escuridão quando o Diabo mais aprecia para fazer suas assombrações.

FOTOS DIVERSAS 018 - Cópia

Teve um tempo que Salustiano vendia querosene e pavio, mas o negócio não foi pra frente por causa dos fiados que não recebia. Restou o seu nome dado pelo povo. Essa expressão “pobre diabo”, pessoa que trabalha como condenado e nada tem, escrava do poder e que não incomoda ninguém, é o típico Salustiano.

Mesmo temente a Deus, ele sabe e sente na carne e na alma que é um “pobre diabo”, só não sabia que desde a antiguidade, nos tempos dos bárbaros, antes e depois de Cristo, inclusive nas Cruzadas e na Idade Média, existiu uma sociedade secreta chamada de “O Intervalo do Diabo”, onde a entidade era reverenciada como deus da fortuna para uns poucos e da desgraça para os que se arrastavam na miséria e na ignorância.

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SEQUIDÃO

Jeremias Macário

Êta, seu moço, vou chorar,

com este triste sol poente,

sem nenhuma gota no ar,

neste sertão tão cinzento,

que há um ano não boto,

nesta terra estorricada,

a esperança da semente.

 

FOTOS DIVERSAS 030 - Cópia

Êta, seu moço, não aguento,

ver toda esta pobre gente,

vivendo só de lamento,

e de sede o meu jumento,

pois o gado mais fraco,

já virou nesta seca carcaça,

símbolo de um árido cavaco,

onde políticos só aparecem,

na temporada de caça.

 

Nesta terra tão abandonada,

da catinga não vinga mais nada,

e nem São José mandou chover,

pra plantar o milho pra colher,

no dia festeiro de São João,

e brincar no “Arraia da Sinhá”.

 

Olha lá que bagaceira, seu moço!

Ficou só o solitário mandacaru,

nesta sequidão da terra rachada,

onde os bichos se foram em retirada,

para outras bandas mornas do sul.

 

Eu vos peço, oh meu Senhor!

Que mande a chuva pra eu lavrar,

porque os homens do lado de cá,

passam o tempo todo a nos enrolar,

enquanto meu açude de todo secou,

e a minha dor me impede de cantar.

 

Oh, meu Senhor! Ampare teu filho!

essa gente nos deixou aqui a penar,

com promessa de crédito parcelado,

muita cisterna e água por todo lado,

mas o que tem muito aí é caudilho,

roubando dos nossos filhos a alegria,

com um pacote cheio de burocracia.

 

Ninguém olha mais para esse lugar,

que sempre tem gente indo embora,

e outros se arrastando em procissão,

rezando ao céu uma penitente oração

para que do alto desça uma melhora

pra a chaga dessa ferida se fechar.

 

É, seu moço, a coisa aqui só piora,

e “quando é que isso vai se acabar”?

Até quando vamos ter de nos calar,

sem entrar nessa brigar pra valer?

e não ficar esperando chegar a hora,

porque esse “esperar não é saber”,

o que mais conta é o “fazer acontecer”.

 

CONSERVADORES, RICOS E POBRES

Em todas as eleições o que mais se houve da mídia, dos juízes e dos eleitores são as palavras “dever cívico”, “cidadania”, “exercício da cidadania” e por aí vai, que correm soltas como se apenas o ato de votar já complementa tudo como dever do cidadão. Pode até ser um dever cívico se a expressão de escolher o candidato for consciente, sem manipulação e compra do voto, direta e indiretamente. Quem se vende e é manipulado não está fazendo o “dever cívico”.

Bem, mas não é isso que proponha falar. Embora não seja especialista político, ou cientista-político como dizem por aí, os resultados das últimas eleições veem demonstrando um avanço acentuado dos evangélicos que, na grande maioria, adotam uma linha conservadora e muitos deles até de extrema-direita com o velho discurso de tradição, família e pátria, elogios às forças armadas e até apoio à ditadura militar.

Os homofóbicos declarados, contra a descriminalização das drogas e do aborto, Jair Bolsonaro, o filho dele, Marco Feliciano, sargento Isidoro, na Bahia, e muitos outros do mesmo naipe, sem falar no pastor Marcelo Crivella, candidato a governador no Rio de Janeiro, foram o mais votados no Brasil. Os partidos alinhados às correntes evangélicas  tiveram votação estrondosa. Que tudo isso sirva de reflexão para que a história não repita.

Várias correntes cortam este mar eleitoral de 32 partidos onde a indiferença à política também cresce de tamanho, em detrimento dos escândalos de corrupção, malfeitos e promessas não cumpridas.

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É BOM DEMAIS ROUBAR NESTE PAÍS!

Para o rico de colarinho branco é bom demais roubar neste país do conto do desconto da energia elétrica. Os ricos sempre são alojados em cadeias da Polícia Federal que, se comparadas com as penitenciárias medievais para onde vão os pobres que pegam um pedaço de pão, podem ser consideradas como regalias.

O caso mais recente e exemplar é o do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa que ainda teve o direito à chamada delação premiada, com retorno à sua mansão de luxo, escoltado por viaturas, aviões, helicópteros e agentes, sem contar a segurança que vai ter dia e noite.

A sua mansão na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, conta com três funcionários, quadras esportivas e bosques arborizados e ainda chamam isso de prisão. O mais irônico é que para ter toda essa mordomia, Paulo Roberto Costa aceitou pagar R$5 milhões em multa, ou seja, o próprio dinheiro roubado, e devolver R$23 milhões das falcatruas, quando ele mesmo confessou ter surrupiado dos cofres públicos R$50milhões.

Além de ter renunciado ao cargo, o ex-diretor ainda foi elogiado pelos serviços prestados e teve uma baita recepção em sua casa da mulher e de suas duas filhas laranjas. Para o rico, é bom demais roubar neste país, e vem aí mais um delação premiada, o doleiro Alberto Youssef, para voltar para sua bela mansão.

O pobre quando rouba é trancafiado numa masmorra fedorenta, sem direito a advogado, além de ser sentenciado antes de ser julgado. A sua vida vira um verdadeiro inferno nas mãos dos carrascos, sem contar a sociedade que defende a tortura e sua morte sumária.

O CONTO DO DESCONTO

Uma vez a presidente de uma nação rica de pobre, onde não existe indignação, anunciou aos seus súditos o desconto de 20% na conta de luz. Logo depois, essa estorinha de ninar escafedeu-se; foi-se para o ralo das mentiras escabrosas.

Nesse reino de tantas estorinhas, farras e festas, um tribunal chamado de contas da união constatou que houve falhas evidentes nos últimos dois anos na gestão do setor elétrico, o que gerou um custo de R$61 bilhões a ser pago pelo consumidor que acreditou no conto do desconto da rainha fada.

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AS DISTORÇÕES NO FUTEBOL BRASILEIRO

Carlos González – jornalista

A Copa do Mundo não conseguiu colocar um freio na queda de popularidade do futebol brasileiro. As novas arenas (Manaus, Brasília, Cuiabá e Natal) estão servindo de mando de campo para clubes do Rio e São Paulo, porque Flamengo, Fluminense, Corinthians e Botafogo não empolgam mais os torcedores locais. O registro de um público de 40 mil pessoas, recorde na nova Fonte Nova, no jogo Bahia x Flamengo, foi motivo de comentários da imprensa esportiva nacional.

Sem outras fontes de renda, pois até mesmo os seus jogadores de ponta estão sendo negociados para o exterior por empresários e bancos de investimentos, os clubes estão estendendo o chapéu à caridade pública, recorrendo aos torcedores mais abastados em busca de dinheiro para pagar os salários dos atletas e promovendo redução nos preços dos ingressos. A título de colaboração, a Arena Fonte Nova está vendendo duas latinhas de cerveja (a periguete) por cinco reais.

Em mais uma tentativa de empurrar o futebol para o fundo do poço, a justiça desportiva pune um clube simplesmente porque um torcedor jogou um copo plástico na pista, marcando jogos com portões fechados dos estádios, ou determinando a transferência de partidas para locais distantes.

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LENDÁRIO SERTÃO

Jeremias Macário

O meu sertão catingueiro, com espécies vegetais e animais exclusivos, é bem diferente do cerrado e da mata. Ora está retorcido, cinzento, desértico e árido, mas de repente fica florido e cheio de vida, de cores e encantos quando batem as chuvas. Aí arrebenta o aroma da terra molhada para o plantio.

O olhar dessa gente sertaneja é uma mistura de lealdade humilhada, cismado, doído, castigado, sofrido, resistente, bruto e pacato. Pode ser exótico matreiro tabaréu, mas não é o mesmo olhar do mateiro do sul ou de outras plagas do litoral. Nesse sertão, toda final de tarde ouço o canto cadenciado do nambu, como igual não existe em lugar nenhum.

Para o sertanejo, a simplicidade é a sua filosofia; a natureza sua arquitetura divina onde de tudo brota poesia; o pedaço de terra sua geografia; do barro faz-se a escultura; da seca sua prova de luta; e a chuva é o seu show da vida. A caatinga é mais fera e pantera que o deserto. Um tem caminho para o interior e o outro é tortura. A caatinga tem o cordel e seu boi encantado.

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O sertão da caatinga, das palmas e dos mandacarus, é carregado de mistérios, contos e lendas (algumas ainda vivas) dos coronéis, dos pistoleiros, jagunços e vaqueiros bravos. Nesse descambado sem fim de espinhos de unhas-de-gato, tocas e malocas, rasgando serras e morros, o temido Lampião e sua tropa de coriscos conseguiam sair de seus labirintos e enganar as volantes.

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NA ESTRADA COM A POESIA

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TERRA ARRASADA

Jeremias Macário

A geleira se derrete e o planeta treme e aquece;

o ancião olha o chão rachado e faz a sua prece;

o verde vira inferno nas carvoarias lambuzadas;

queimadas matam as matas pra entrar manadas.

 

Furacões e tempestades retorcem vilas e cidades,

no flagelo de povos apodrecidos nas calamidades,

e o ranger das placas explodem fogo terremotos;

numa terra arrasada de pestes e famélicos mortos.

 

Rios secam poluídos de metais escuros e sangue;

o mar avança no galope dos ventos da noite fria,

e o pintor do mangue risca a paisagem que existia.

 

Raios e meteoritos deslizam na escuridão do dia,

e Deus recria outra esfera com raiz forte e sadia,

recompondo os seres para cumprir a sua profecia.

SOBRE NOSSAS FERROVIAS (Final)

“ÁLBUNS DE LEMBRANÇAS”

O pesquisador paulistano João Emílio Gerodetti e o jornalista chileno Carlos Cornejo fizeram um levantamento histórico sobre o apogeu dos trens e das estradas de ferro no Brasil. Diz em seu trabalho que durante muitos anos o apito do trem significou desenvolvimento, cultura e civilização. “Ao redor das estações e próximos à malha ferroviária, nasceram e cresceram sonhos, amores e cidades”.

O livro “As Ferrovias do Brasil nos Cartões-Postais e Álbuns de Lembranças” foi patrocinado pela Companhia Vale do Rio Doce, através da lei de incentivo do Ministério da Cultura.  Como declarou o autor e pesquisador, também comigo o trem faz parte da minha infância. O trem fica sempre na nossa imaginação.

Minha pequena Piritiba, nas cercanias da Chapada Diamantina, onde passei pequena parte da infância quando ainda moleque, vivia os primeiros anos de emancipação política, mas já contava com a linha férrea.

Máquinas paradas - Cópia

Repito as mesmas palavras do autor: Não sei quem veio primeiro. Foi também a partir do trem que deixei minha infância para estudar em Amargosa, no Seminário Nossa Senhora do Bom Conselho. Ia até Itaberaba no “Trem Groteiro” e, às vezes, até Iaçu. De lá seguia de Rural para Amargosa.

O livro traz depoimentos de pessoas que viajaram de trem, além de informações sobre a história da implantação das ferrovias no país. Campinas é lembrada no livro através da Estação da Companhia Paulista (hoje Estação Cultural). Também em Piritiba, na Bahia, a Estação se transformou num Centro Cultural. Mas, em outras cidades, as velhas instalações estão abandonadas e depredadas, servindo de esconderijo de marginais e drogados.

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TERROR E MENTIRAS

Alguém já disse que na guerra a primeira vítima é a verdade. Poderia ter acrescentado que o mesmo ocorre nas eleições brasileiras onde predominam o terror e as mentiras. Boa parte da população, pobre e de baixo nível de instrução, está garroteada pelo Bolsa Família, pelas cotas, pelas casas populares, pelos cargos e temem perder os benefícios sociais diante de boatos de que se votar contra o governo vão perder tudo.

Depois de morto rasgaram suas vestes e dividiram entre si. Assim está sendo feito com a Petrobrás. Quanto a privatização da estatal, a maioria inculta nem sabe muito bem o que é isso. Para o povo necessitado, tanto faz. O que importa mesmo é ter um pouco de comida na mesa.

Há 20 ou 30 anos os escândalos de corrupção derrotavam qualquer candidato por mais aprovação que tivesse dos eleitores. De tão comum que se tornaram os fatos, hoje eles não abalam mais as campanhas. Se a pobreza, infelizmente, se contenta com pouca coisa, do outro lado o analfabetismo e a indiferença são tão agudos que pouca gente entende os noticiários e as denúncias da mídia.

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