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ITAMAR INDICA E COMENTA ORLANDO SENNA

MACONHA, CINISMO E SOFRIMENTO

A humanidade sempre consumiu drogas alucinógenas e drogas terapêuticas, muitas delas servindo para ambos propósitos. Inicialmente como substâncias naturais e, com a evolução da ciência, também como substâncias sintéticas. Na atualidade, o ponto central das discussões sobre as drogas alucinógenas é sua descriminalização (o usuário não ser considerado um criminoso) ou a manutenção das leis proibitórias que começaram a entrar em vigor, em vários países, a partir do inicio do século passado, como resultado da Convenção Internacional do Ópio, realizada em Haia em 1912, que elegeu a repressão como solução. O fato de âmbito global mais recente sobre o tema é um documento da ONU, de março deste ano, afirmando que a luta mundial contra as drogas, baseada na repressão, fracassou e sugerindo a descriminalização do consumo.

O objetivo central desse combate é neutralizar a gigantesca ação do crime organizado em todo o planeta, as “corporações do tráfico” que se conformaram como um poder enorme, desumano, infernal, atuando em muitas regiões como governos paralelos. Seria cômico se não fosse trágico o fato de que o nefasto tráfico de drogas existe e cresce como consequência da decisão dos governos de proibir sua produção e distribuição legais, lá em 1912. O acontecimento mais importante referente à luta contra o narcotráfico neste ano de 2014 foi a descriminalização da maconha no Uruguai, uma lei considerada pelos especialistas no assunto como exemplar para os demais países e destinada a acabar com o tráfico no seu território.

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A CPI DOS INOCENTES

Todos os escândalos de ladroagem na Petrobrás não passam de ilusões dos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef. É que eles são masoquistas e estão brincando de esconde-esconde com a Polícia Federal e o Ministério Público. Os pronunciamentos duros e irados do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, são invencionices da sua cabeça. Talvez digam que ele esteja fazendo o jogo da direita e alimentando a mídia golpista.

Para a CPI dos parlamentares do Congresso, conforme a relatoria do deputado Marco Maia, não houve nada de rombo na estatal. O prejuízo na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em torno de R$800 milhões, não aconteceu. Coisa de maluco! O superfaturamento da refinaria Abreu e Lima, de mais de R$15 bilhões, foi uma merreca sem importância, e passa a régua. Todos são inocentes.

Diante de todos estes fatos escabrosos de desmandos e roubalheiras e de um parlamento que há anos emporcalha a nação, não existem mais termos de desqualificação na língua portuguesa que exprimam a real situação de safadeza dos ratos de esgoto. O roubo no Brasil é pior do que o Ebola na África.

Dizer que existe uma quadrilha de criminosos é brando. Os bandidos mais cruéis e assassinos dos morros são fichinhas para estes elementos. Cartéis do tráfico de Medelín e de Cali, na Colômbia, perdem longe para os cartéis das empreiteiras no Brasil, mas a CPI não indiciou ninguém, o que vale dizer que não houve corruptores e corruptos. Todos são inocentes.

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O MAIS ANTIGO “CIRURGIÃO DOS RELÓGIOS”

 

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Nem a primeira, segunda ou terceira revoluções industriais e o avanço tecnológico conseguiram deter a marcha paciente dos artesãos com suas profissões condenadas a desaparecerem ao longo do tempo. Mesmo um tanto escassas, essas atividades vão resistindo à extinção através da cultura dos ensinamentos, passados de pai para filho.

A senhora ainda tece o fio e lida com o bilro para fazer o tecido e a renda. Em alguma esquina de alguma cidade o sapateiro trabalha com o couro e molda o calçado. O alfaiate e a costureira com suas tesouras e agulhas fazem elegantes ternos e outras peças da vestimenta. Em algum canto ainda existem o amolador de facas e o ferreiro que usa o fogo do fole para fabricar ferramentas do campo.

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De todas as atividades, a do relojoeiro, como se fosse um cirurgião, é a que requer mais habilidade e paciência para desmontar, trocar e montar com precisão as miúdas peças que marcam o tempo dividido em meses, dias, horas, minutos e segundos.

O “PELÉ DOS RELÓGIOS”

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Conhecido por todos na cidade como o “Pelé dos Relógios”, José Britto, de 75 anos de idade e quase 60 de profissão, pode ser considerado também o cirurgião consertador mais antigo dessas máquinas em Vitória da Conquista e, talvez, de toda Bahia. Todos os dias, numa salinha apertada, lá está ele diante de uma mesinha repleta de “marcadores de horas”, parafusos, peças e “pinceis”, pronto para atender aos mais diversos clientes.

PELÉ RELOJOEIRO 020As premiações de “Pelé dos Relógios” em sua trajetória profissional de quase 60 anos.

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ITAMAR INDICA E COMENTA ORLANDO SENNA

CINEMA DE FLUXO

No dia 28 deste mês de dezembro o cinema completa 119 anos e uma trajetória de construção de linguagem lastreada na narrativa dramática e na encenação, esta última herdada do teatro, via a expressão francesa mise en scène. Tanto a narrativa dramática como sua encenação são planejadas, às vezes minuciosamente, às vezes deixando brechas para o acaso como nos documentários. Assim ou assado, uma linguagem, ou uma postura histórica dessa linguagem, voltada para articulações racionais (pensamento, organização, ação, clareza), apesar de ter como objetivo nuclear a geração de emoções.

Atualmente uma nova atitude com relação a essa linguagem está florescendo em várias partes do mundo, inclusive e com muito ânimo na América Latina, sob a denominação Cinema de Fluxo. Essa tendência estética privilegia a imagem e o som em estado puro, a imagem como imagem e o som como som, significante e significado amalgamados, conteúdo e forma unificados, e não como veículos de enredos e tramas. O pensamento dialético do cinema narrativo é substituído pela contemplação (ou convive com ela, como é o caso do atual estágio dessa tendência). A dialética cede espaço à fenomenologia, à reflexão a partir diretamente do que estamos vendo ou ouvindo, dos fenômenos que chegam à nossa consciência através dos sentidos e não dos mecanismos do raciocínio.

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AEROPORTO DE CONQUISTA PODE SER MAIS UMA OBRA INACABADA

 

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Nova pista do aeroporto de Conquista – Fotos José Carlos D´Almeida

O novo aeroporto de Vitória da Conquista (distante 510 quilômetros de Salvador) corre o risco de se tornar mais uma obra inacabada no Brasil se não houver uma mobilização da sociedade junto aos governos estadual e federal no sentido de agilizar a segunda etapa da licitação, com seu orçamento devido, para construção do terminal de passageiros.

DSC_9072Prédio do Corpo de Bombeiros do no aeroporto

Depois de mais de dez anos de lutas de idas e vindas, as obras da pista de pouso e decolagem de 2.100 metros de comprimento por 45 de largura e 7,6 metros de acostamento de cada lado, pátio, mais as vias de acesso e as instalações do Corpo de Bombeiros, iniciadas em fevereiro último, estão dentro do cronograma estabelecido para ficarem prontas em janeiro de 2016, conforme garante o engenheiro chefe da construtora responsável “Paviserve Cunha Guedes”, Luis Machado.

A nova pista, depois de concluída, terá capacidade para receber até aviões de grande porte e ainda pode ser ampliada para mais mil metros se houver demanda para cargueiros. Com 200 operários em atividade, Luis Machado acha que a entrega dos serviços pode até mesmo acontecer antes do prazo determinado.

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Uma das vias de acesso do novo aeroporto – Fotos José Carlos D´Almeida

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PARADOXAIS E ABSURDAS

Em qualquer parte do planeta (olha aí a corrupção!), o Brasil é onde acontecem as coisas mais paradoxais e absurdas. É o país onde tem mais “paranormais”, “sortudos” (e o deputado que ganhava toda semana na loteria!) e “gênios” (as consultorias do Palocci!) por metro quadrado, que ficam ricos da noite para o dia.

É o país do espetáculo da corrupção e onde as castas são bem mais acentuadas que na Índia. Aqui, políticos tratam os que se opõem às suas ideias e às suas gatunagens de elite burguesa. As políticas públicas do assistencialismo, do paternalismo e das cotas compensam os malfeitos.

Quando nem se espera, tascam uma lei de aposentadoria integral para ex-governadores (R$19.369,67), enquanto o trabalhador privado, depois de penar vários anos nas mãos dos patrões, recebe uma “merreca de benefício” bem menor do que ganhava quando ainda estava na ativa.

Na cultura do calote, todo final de ano realizam uma Feira do Nome Limpo para premiar os não pagadores que foram incentivados pela mídia e pelo comércio a consumirem desbravadamente sem controle. No final, quem paga a conta são os otários e os idiotas que não atrasam suas dívidas. O negócio é todo mundo entrar na onda do calote, pois já é certa a feira dos acertos.

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COMO BÁLSAMO NA FERIDA

O juiz Eliezer Siqueira de Sousa Junior, da 1ª Vara Cível e Criminal de Tobias Barreto, no interior do Sergipe, julgou improcedente um pedido de indenização que um aluno pleiteava contra o professor que tomou seu celular em sala de aula.

De acordo com os autos, o educador tomou o celular do aluno, pois este estava ouvindo música com os fones de ouvido durante a aula.

O estudante foi representado por sua mãe, que pleiteou reparação por danos morais diante do “sentimento de impotência, revolta, além de um enorme desgaste físico e emocional”.

Na negativa, o juiz afirmou que “o professor é o indivíduo vocacionado a tirar outro indivíduo das trevas da ignorância, da escuridão, para as luzes do conhecimento, dignificando-o como pessoa que pensa e existe”. O magistrado se solidarizou com o professor e disse que “ensinar era um sacerdócio e uma recompensa. Hoje, parece um carma”. Eliezer Siqueira ainda considerou que o aluno descumpriu uma norma do Conselho Municipal de Educação, que impede a utilização de celular durante o horário de aula, além de desobedecer, reiteradamente, o comando do professor.

Ainda considerou que não houve abalo moral, já que o estudante não utiliza o celular para trabalhar, estudar ou qualquer outra atividade edificante.

E declarou:

“Julgar procedente esta demanda, é desferir uma bofetada na reserva moral e educacional deste país, privilegiando a alienação e a contra educação, as novelas, os realitys shows, a ostentação, o ‘bullying intelectivo’, o ócio improdutivo, enfim, toda a massa intelectivamente improdutiva que vem assolando os lares do país, fazendo às vezes de educadores, ensinando falsos valores e implodindo a educação brasileira”.

Por fim, o juiz ainda faz uma homenagem ao professor.

“No país que virou as costas para a Educação e que faz apologia ao hedonismo inconsequente, através de tantos expedientes alienantes, reverencio o verdadeiro HERÓI NACIONAL, que enfrenta todas as intempéries para exercer seu ‘múnus’ com altivez de caráter e senso sacerdotal: o Professor.”

 

 

FUTEBOL E POLÍTICA PADECEM DOS MESMOS MALES

Carlos González – Jornalista

“A CBF é o câncer do futebol brasileiro”, conclui Romário, ex-jogador e hoje senador eleito pelo Rio de Janeiro, o prefácio do livro “O Lado Sujo do Futebol”, escrito pelos jornalistas Amaury Ribeiro Jr.,Leandro Cipoloni, Luiz Carlos Azenha e Tony Chastinet. Nas suas 375 páginas, a obra, lançada poucos meses antes da Copa do Mundo de 2014, revela o esquema de corrupção implantado na mais importante entidade esportiva do país pelos seus ex-presidentes João Havelange e Ricardo Teixeira.

Política e futebol estão de mãos dadas no Brasil desde 1950, quando, às vésperas da final da Copa, candidatos a cargos eletivos em outubro daquele ano invadiram a concentração da seleção brasileira, em São Januário, no Rio, para dirigir loas aos presumíveis campeões do mundo. Coincidentemente, desde aquela época, salvo durante o regime militar, as copas do mundo e as eleições para presidente da República, governadores e membros dos legislativos, são realizadas no mesmo ano.

No mundo enfraquecido pela 2ª Grande Guerra, o Brasil se apresentou como único candidato a promover o Mundial de 50. Seis décadas depois, governantes e CBF voltaram a unir seus interesses, políticos e financeiros, com o propósito de promover uma segunda competição internacional.

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ITAMAR INDICA E COMENTA ORLANDO SENNA

SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

O conceito de sociedade do espetáculo apareceu pela primeira vez em 1967, quando o anarquista francês Guy Debord publicou seu livro La société du spectacle, estudo crítico sobre capitalismo, consumo e sociedade. Temas como a desilusão capitalista, negação da vida real e forma-mercadoria estão nesse livro, um dos textos paradigmáticos das manifestações de Maio de 68 em Paris. Pode-se dizer que é um estudo, mais que pioneiro, profético. O comportamento empresarial, político e psicossocial que determina o que conhecemos hoje como sociedade do espetáculo só teve início consciente a partir dos anos 1970, desenvolvendo-se na década seguinte e fixando seus padrões nas décadas 1990 e 2000.

Na base dessa compreensão e dessa prática do ser para ser visto e não do ser por existir está o simulacro, a imagem e/ou o som da coisa no lugar da coisa em si, a sacralização da imitação, a virtualidade, a existência passada a limpo através das máquinas, a troca do sangue-suor-e-lágrimas da vida vivida pela magia das ficções, das telinhas e telões. A meta mais perseguida pelas novas tecnologias da comunicação é a realidade virtual, a criação de ambientes cibernéticos “realistas” (com aspas porque na verdade são ilusórios) onde as pessoas podem interagir com as coisas, e no futuro com outras pessoas, utilizando todos os sentidos. Na prática temos a popularização do 3D (terceira dimensão), o sexo virtual, o anonimato nas redes sociais onde você pode se mostrar ao mundo com a cara que desejar, postando outras caras ou modificando, embelezando, a própria.

Uma vertente importante no contexto espetacular é a cultura do narcisismo, desde as transformações do corpo nas máquinas, nas telas (fotoshop), até a transformação do corpo real: a onda mundial das tatuagens e piercings, a radicalização da body modification (modificação corporal), dos peitos e bundas siliconados, da implantação de membranas entre os dedos ou de chifres de plástico na cabeça. De maneira geral, a medicina não é contra essa prática, a cada dia aumenta o número de médicos dedicados a essas cirurgias duplamente invasivas (na matéria da carne e no imaterial da alma), essas alterações da natureza. Claro que o ser humano sempre fez pequenas alterações corporais, vide as escarificações dos povos africanos, as tatuagens tribais e a maquiagem. Mas de um costume culturalmente restrito, arcaico e grupal, de caráter defensivo (assustar animais e pessoas hostis), passamos a uma moda universal e vaidosa, no sentido do destaque pessoal.

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A FAVELA DA PRAÇA

 

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Vitória da Conquista é uma das cidades mais bonitas da Bahia e do Brasil. De qualquer ponto ou acesso, tem-se a visão de uma bela paisagem no formato de uma parabólica. Já foi chamada de cidade do frio, das flores, do café e até da cultura. Tem um clima apreciável, mas tem lugares que passam uma imagem negativa, principalmente aos visitantes.

Um desses locais é a Praça da Bandeira onde estão localizadas barracas de artesanato e confecções em torno do Teatro Carlos Jeovah, que dão o aspecto de uma favela. Para aquele ponto foi projetado o Centro de Cultura do Banco do Nordeste, mas pressões políticas dos feirantes e questões de ordem social impediram a construção do prédio multiuso.

No lugar do Centro foi construído o Espaço Glauber Rocha, no bairro Brasil, com equipamentos e instalações que engrandecem o setor cultural do município, especialmente o São João da cidade, mas nunca mais se falou sobre ordenamento urbanístico da Praça da Bandeira.

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