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O MANDACARU E A CARRANCA

CARRANCA 024 - Cópia

 

Na entrada da cidade de Juazeiro quem vem de Senhor do Bonfim pela BR, no lado direito, pouca gente percebe a imponente carranca que saúda os visitantes. Marca antiga dos barqueiros navegantes do Rio São Francisco para espantar os maus espíritos, lá está ela cravada numa pedra entre os galhos secos cinzentos da seca ao lado de um mandacaru, símbolo de resistência do sertão.

Quando o Velho Chico agoniza por causa da estiagem e pela ação predadora do homem que só faz dele sugar suas riquezas, o artista levanta sua arte em homenagem aos navegantes que dá vida ao rio e aos ribeirinhos, transportando gente e mercadorias de todas as partes, e faz isso em meio à caatinga, sempre castigada pelas secas.

CARRANCA 028 - Cópia

Num olhar rápido, o artista quis também ali, com seus traços, deixar a sua mensagem de que o sertão, além de forte, é também cultura e que precisa ser melhor tratado pelos governantes que só aparecem em tempos eleitorais. Mirando bem, lá na carranca está também a presença do bode, o animal mais resistente do semiárido que ajuda o homem a sobreviver às duras secas.

A obra passa uma imagem forte e impactante, erguida naquele rochedo, e creio que esta foi a intenção do artista. O mandacaru e a carranca, um esculpido pela natureza e a outra peça pelo homem, simbolizando harmonia que está faltando entre os humanos. Terra e rio, um convivendo com o outro, sem agressões. Os carros passam velozes, mas lá está o mandacaru e a carranca vigilantes do tempo.

 

O MOTOQUEIRO E O VENTO

Se nos grandes centros urbanos já é um perigo, imagine nas rodovias federais de movimento intenso de veículos leves e pesados onde o motoqueiro tem ainda que travar uma batalha constante contra o vento.

Pela lei de trânsito, a moto deve ocupar o mesmo espaço de um veículo de quatro rodas, mas, na prática, não é isso o que acontece. Nas cidades, os motoqueiros costuram e cortam de todos os lados levando a maior vantagem. Nas estradas acontece o inverso e são os veículos que levam a melhor.

Na estrada, o motorista do carro não suporta ficar no fundo de um motoqueiro e termina fazendo ultrapassagens perigosas, principalmente nas lombadas, por acreditar que existe espaço suficiente para se desviar de outro veículo no sentido contrário. Não se deve confiar nisso.

CARRANCA 032 - Cópia

Bem, mas não é nada disso que queria falar. Como viajante que gosto de pegar a estrada e apreciar as paisagens, nesta semana, na BR-324 (Juazeiro-Senhor do Bonfim) presenciei uma cena para mim inusitada de um motoqueiro pilotando seu “cavalo de aço” com as pernas para trás.

No primeiro instante fiquei meio confuso, mas ao me aproximar notei que o motoqueiro contorceu, esquisitamente, todo seu corpo quase deitado sobre a moto, não sei se para exercitar e aquecer os músculos ou se era uma forma de fugir do forte vento.

Só sei que cortava o sertão mais solitário que eu, se bem que desta vez a vantagem estava comigo, mas a coragem maior era a dele. De tão concentrado no tempo e no espaço, nem notou que passei com minha esquisitice de falar sozinho.

FUTEBOL DO SUL, A PAIXÃO NORDESTINA

Carlos González – Jornalista

Os números da última eleição presidencial elevaram o clima de animosidade entre o Norte e o Sul do Brasil. Internautas paulistas, cariocas, gaúchos, paranaenses e catarinenses, utilizaram as redes sociais para ofender os nordestinos e para propor a separação do país, reivindicação que nos remota ao passado, com a Revolução Farroupilha, entre 1835 e 1845, e o levante de São Paulo, na década de 30 do século XX.

Os raivosos separatistas de hoje não cogitam, pelo menos, no momento, em pegar em armas, como fizeram, no passado, gaúchos e paulistas, que sonhavam em formar estados independentes, como quer, por exemplo, a Catalunha, na Espanha. As propostas de hoje visam, sobretudo, confinar o cabeça chata em seu território. Romeu Tuma Júnior, ex-secretário nacional de Justiça, sugere a construção de um muro, uma cópia do que foi erguido em Berlim após a 2ª Guerra Mundial, que se estenderia desde a fronteira do Acre com o Peru até o extremo sul da Bahia. A cantora paraibana Elba Ramalho declarou, certa vez, que, diante da secessão, o Nordeste adotaria, oficialmente, a obra prima “Asa Branca”, do compositor pernambucano Luiz Gonzaga, como o seu hino.

Uma das preocupações do movimento separatista catalão diz respeito ao esporte e, mas particularmente, ao futebol. O Barcelona, a maior força esportiva da região, seria excluído do milionário campeonato espanhol, impedido de medir forças com Real Madrid, Sevilla e Valencia, jogos que levam mais de 80 mil pessoas ao Camp Nou?

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FORUM EMPRESARIAL EM CONQUISTA

A Revista do Grupo B + realiza em Vitória da Conquista , no próximo dia 5, (quarta-feira), pela manhã, o Fórum de Lideranças Empresariais, tendo como palestrante o empresário Ewerton Visco.

A realização do Fórum de Liderança [B+] tem por objetivo reunir lideranças do estado e apresentar temas que possam contribuir com a inovação e o desenvolvimento do setor produtivo, com a participação de personalidades de destaque do cenário local e nacional.

Nas edições já realizadas, participaram como palestrantes: César Souza (Escritor e Palestrante); Jack London (Escritor e Palestrante); Mônica Burgos (Avatim); André Torreta (Escritor e Palestrante); Rafael Lucchesi (CNI); Andréa Mota (O Boticário); Ana Carla Fonseca (Garimpo de Soluções); José Henrique Germann (Hospital Albert Einstein); Thales de Azevedo Filho, Natasha Thomas e Mário Sérgio Almeida (MSA); Silvio Meira (Porto Digital do Recife).

Tivemos também o Fórum [B+] Gestão Empresarial, no qual o convidado foi o empresário Raimundo Lima, presidente do Grupo Aldeia, de Angola.

ENCONTRO DE ESCRITORES EM JEQUIÉ

Dias 07 a 08 de novembro a Academia de Letras de Jequié (ALJ) promove o I Encontro de Escritores de Jequié e Região no Salão de Eventos do Sindicato dos Bancários de Jequié.

Na sexta-feira, dia 07/11 no período das 18h30 às20h os participantes poderão fazer sua inscrição para o evento que fornecerá certificado. Às 20h ocorrerá a palestra O papel do escritor, que terá como palestrante o poeta e escritor Ruy Espinheira Filho e mediador o professor Jorge Barros, presidente da ALJ.

Dia 08/11 (sábado) entre às 08h e 08h45 haverá uma sessão de relatos de experiência do Banco de Livros do Colégio Antônio Pinheiro –CAP, que terá como relatora a professora Ana Gabriela Guimarães Cardim e mediador o bancário Marcel Cardim, seguida de debate. Das 09h às 10h ocorrerá lançamento e relançamento de livros.

Dentre os autores que lançarão ou relançarão suas publicações estão os escritores Jeremias Macário, Domingos Ailton, Álvaro de Mello Veiga, Raimundo Matos, Márcia Rubia, Júlio Lucas dentre outros.

Já entre 10h às 11h será realizado o Simpósio: A Literatura em Questão, tendo como coordenadora a professora Márcia do Couto Auad, com a participação dos professores Raimundo Matos, que abordará o tema Literatura, Pós-Modernidade e Semiótica; Maria Afonsina Ferreira Matos enfocando a temática As Literaturas Infantil e Juvenil como Discursos Pedagógicos e o professor Anísio Assis Filho, que apresentará Papo Lírico sobre Literatura Baiana.

“Uma Conquista Cassada”

Com apoio da ALJ, o jornalista e escritor Jeremias Macário lançará no dia 8, às 10horas, o seu mais recente livro “Uma Conquista Cassada – Cerco e Fuzil na Cidade do Frio”, que lembra os 50 anos da ditadura civil-militar em 1964, com foco em Vitória da Conquista quando o exército invadiu a cidade e prendeu cerca de 100 pessoas, inclusive o prefeito Pedral Sampaio que teve seu mandato cassado.

A obra de 460 páginas, que demandou cinco anos de estudos e pesquisas, foi lançada em Conquista, em Caetité, no festival literário de Lençóis e pode ser encontrada nas livrarias da Nobel de Vitória da Conquista e nas principais bancas de revistas.

DAQUI A QUATRO ANOS

Se você, por um motivo ou outro, não acompanhou o horário eleitoral e os debates políticos destas eleições de 2014, não se preocupe porque o filme é repetido e se repetirá daqui a quatro anos, com as mesmas propostas de combate à corrupção, à violência; de melhoria do nível educacional; do fim das filas no atendimento médico nos hospitais; e de mais investimentos na infraestrutura do país.

Aí, companheiro ou camarada, você vai voltar a ouvir a expressão verbal vamos fazer isso e aquilo, conjugada com os infinitivos mudar e reformar para melhorar. Os chavões, “no nosso governo vamos apurar, investigar e punir os culpados, doa em quem doer” também vão fazer parte das desgastadas promessas. Em público emitem um conceito, mas no escondidinho praticam outro.

Vou torce para que estes prognósticos pessimistas não frutifiquem e que esteja errado, mas foram eles, os governantes políticos que roubaram a minha e a nossa esperança de um Brasil do futuro, desde quando me entendo por gente. O pessimismo foi sim, uma decorrência de tantos engodos e mentiras de anos e anos.

Nestas eleições, infelizmente, a corrupção saiu-se como a mais vitoriosa no sentido de que os escândalos sobre assaltos aos cofres da União pouco abalaram a opinião pública. Bem longe da saúde, da educação e da violência, a corrupção está entre os últimos itens no rol de preocupação da população, segundo um instituto de pesquisa, ou seja, acabar com o roubo não é prioridade.

O que já era esperado, lamentavelmente, nossa sociedade se dividiu ao meio entre Norte/Nordeste e o Sul/Sudeste, mestiços, negros e brancos, heteros e homossexuais, cotas e não cotistas, os que patrulham o pensamento e a outra parte menor que se atreve a discordar, nascendo dai o rancor político, ideológico e até racial. Isso não é nada bom para o futuro da nação.

O acúmulo de pressão tende a se romper mais cedo ou mais tarde, como na explosão de uma panela cuja tampa não suporta mais o calor demasiado. Há muito tempo que os políticos em geral falam de costas para o povo por considerarem que o brasileiro nunca vai se indignar. Precisou um pleito eleitoral mais acirrado para a oposição exercer seu real papel. Mesmo assim, ainda perdura o silêncio dos bons e o medo de se dizer o que se pensa.

AS TIRADAS TIRANAS DA DITADURA

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A história das revoluções, levantes, rebeliões e golpes está repleta de citações e tiradas de líderes, chefes, comandantes e tiranos que se tornaram imortais. O golpe civil-militar de 1964 no Brasil que se transformou numa ditadura por mais de 20 anos também teve seus protagonistas que deixaram suas marcas, algumas irônicas e outras divertidas e tristes.

O presidente João Goulart era visto nos círculos militares como um cão leproso. Brizola era o mais afoito e pressionava o cunhado para decretar reforma já. Sob as influências das ideias socialistas, as lideranças de esquerda sacudiram os campos e as cidades. As elites burguesas revidavam. O presidente não sabia se atendia a direita ou acomodava a esquerda em seu ninho.

Semanas antes do Comício da Central do Brasil (13 de março), em meio às agitadas reformas sociais, centenas de mulheres rezadeiras com seus terços em mãos impediram Leonel Brizola de realizar um comício em Belo Horizonte. Encurralado, Brizola escapou do tumulto e, para fugir de vez da ira das senhoras, sequestrou um carro apontando um revólver para o motorista.

RUA MÉDICI - Cópia

No seu jornal “O Panfleto”, Leonel Brizola, eleito deputado federal pela Guanabara, com 270 mil votos, escrevia que não eram rosários que iam combater as reformas anunciadas no dia 13 de março.

No Comício da Central, quando Jango anunciou as reformas pediu ao seu assessor de cerimônia Hércules Corrêa que limitasse o tempo da fala do presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), José Serra.

– Vou te anunciar, você dá boa noite, recebe as palmas e encerra, Serra. Não foi isso o que aconteceu. No discurso Serra chamou o general Amauri Kruel de traidor incestuoso.

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BALANÇO DA COPA DO MUNDO

Carlos González – jornalista

Três meses se passaram do final da Copa do Mundo e o governo federal se mantém em silêncio a respeito dos lucros ou perdas proporcionados pelo evento esportivo. A informação de que o Brasil sofreu derrotas dentro e fora dos estádios foi divulgada há poucos dias por um grupo de conceituadas instituições econômicas e sociais européias, lideradas pela suíça Solidor e pela alemã Institut Heinrich Boll, revelando o que todo o mundo já sabia, que a FIFA levou para os seus cofres em Genebra R$ 7,5 bilhões, livres de impostos.

Aprofundando-se em detalhes, os pesquisadores afirmam que “a Copa realizada no Brasil foi a mais cara de todos os tempos”. O custo aproximado para o governo foi de US$ 13,3 bilhões, o que corresponde a R$ 33 bilhões. As 12 cidades-sedes herdaram um endividamento de 51%. Os investimentos feitos em obras de infraestrutura urbana, principalmente transporte público, foram desviados para outras finalidades, evidentemente ilícitas.

O estudo dedica um capítulo especial aos estádios que foram construídos ou reformados, todos superfaturados, sendo que quatro deles, os de Manaus, Natal, Cuiabá e Brasília, foram superdimensionados, passando a figurar na lista dos “elefantes brancos”, ao lado do Engenhão, construído há cinco anos no Rio de Janeiro e em processo de desgaste em sua estrutura.

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GUERRA NAS REDES SOCIAIS

Confesso que não me atrevo, especialmente nesta época de eleições, a discutir política nas redes sociais, Pelo meu porte físico, não dá mesmo para suportar tantas escarradas partidárias. Ouço comentários de uma verdadeira guerra psicopata fundamentalista das mais cruéis e desumanas. Dizem ser mesmo coisa de terror, com tiros e bombas para todos os lados.

No lugar de instruir e educar, o novo veículo eletrônico de comunicação de massa tem provocado estragos e ruídos na informação, com barbaridades falsas, palavrões de baixo calão, xingamentos e idiotices característicos do próprio animal mais selvagem e bruto da face da terra. Eles passam o tempo esmurrando um ao outro sem dó e compaixão.

Nas redes sociais, os internautas se comportam como bandos de trogloditas ou vampiros de unhas e dentes afiados, armados de paus e pedras, com desejo insaciável de chupar até a última gota o sangue um do outro. Impera a mesma intolerância comportamental dos extremistas e conservadores de direita que pregam tradição, família e pátria.

Essas pessoas não vacilariam nem um pouco em apoiar uma ditadura contra o  pensamento livre. Através do patrulhamento, sufocam a liberdade de expressão, travestidos de democratas. Para eles, o direito de se dizer o que se pensa não conta. Não faz parte da pauta de respeito.

A grande maioria se diz contra o preconceito, mas é mortalmente preconceituosa, discriminatória e fútil. Não usa nem 1% dos neurônios cerebrais. Está bem longe de uma reflexão intelectual e analítica da conjuntura política, econômica e social do país. A radicalização de ambas as partes não deixa aflorar os sérios problemas de uma nação em decadência na esfera do saber pensar.

O termo imbecil para essa gente indecente que troca farpas, agressões verbais de punhos fechados e mentiras é até por demais decente e de bom tom. Verdadeiramente, ainda estamos muito distantes de uma democracia civilizatória. Nessa guerra fraticida suja e pestilenta, estou fora e não perco meu precioso tempo.

É muito triste e vergonhoso ver o meu país nesta baixaria política que em nada engrandece a nossa pátria, ao contrário, dá mais um atestado de que não estamos preparados para o mundo dos debates e das ideias, sem medo de decidir o seu destino. Um povo que assim se comporta, é um povo que ainda carrega a escravidão da ignorância e da brutalidade.

COTAS E POLÍTICA

Dá-se o prato de comida e a esmola com uma mão e com a outra se tira a vergonha do cidadão através das roubalheiras e fraudes, como no caso específico da Petrobrás, criada com o dinheiro da luta sofrida do povo.

A coisa funciona como se fosse uma compensação justificável. Esse próprio povo que sempre viveu na miséria sob as bordoadas dos patrões quase nada entende da prática abominável e, então, passa a achar que o roubo é normal (rouba, mas faz).

Os dois prometem mais cotas e mais pão, engrossando a ignorância. O circo pega fogo e não se tem água para apagar o incêndio. Ninguém lá de cima quer mudar o perverso sistema político-eleitoral. É um silêncio geral, inclusive dos bons.

Cada um dá a sua beliscada no levar vantagem em tudo, e o voto é de interesse ou é classista, raramente ideológico. É como o caso do caminhoneiro que disse abertamente num bar que se a estrada estiver boa ele vota no candidato, não importando se ele rouba.

É um tumor maligno difícil de ser extirpado, crescendo cada vez mais nas entranhas dos indivíduos, tornando a mediocracia mais idolatrada que a meritocracia. É como uma droga que vai cada vez mais viciando o drogado.

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