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PRETORES, CÔNSULES E O AVANÇO DOS PLEBEUS NUMA ROMA FORTIFICADA

O domínio etrusco, até fins do século VI, foi muito útil para Roma que se tornou mais forte e civilizada. Houve apenas uma modificação constitucional. A aristocracia vitoriosa passou a escolher dois líderes, pretores ou cônsules, ao invés de um rei, com mandato de um ano, com todos os poderes civis, militares e religiosos.

A questão principal da época era a luta contra os vizinhos volscos e équos da cidade etrusca de Veios. Os volscos, que saiam das montanhas, eram os mais perigosos, pois queriam tomar o litoral e isolar os latinos do mar, mas Roma conseguiu expulsá-los novamente para as montanhas.

Logo depois, outro perigo começou a ameaçar a cidade. Dessa vez eram os gauleses no século V que conquistaram várias cidades no norte da Itália. Eles também realizavam expedições ao sul e numa delas atingiram a margem do Tibre e o território de Roma.

Este incidente mostrou que Roma precisava ser mais fortificada com muralhas de pedras bastante resistentes. As guerras com a Gália tiveram uma grande influência no desenvolvimento de Roma no século V, mas a organização hereditária e aristocrática ficou mais instável. Os plebeus, livres do serviço militar, aumentaram de importância. Com as constantes guerras, os nobres passaram a pedir ajuda a eles.

Com o crescimento do território, aumentou também o número de proprietários de terras em mãos dos plebeus que recebiam as glebas como recompensa pelo serviço militar prestado e pelo êxito nas conquistas. Como eram tratados como tribos, seus comandantes chegaram a exercer a função de tribunos defensores da classe.  Quatro tribunos representavam as quatro tribos romanas que mais tarde passaram para dez.

Na luta de classes,  a primeira vitória dos plebeus foi alcançada quando forçaram o Senado e os patrícios a preparar e a publicar um código de Direito Civil – as Doze Tábuas, isto por volta de 450 a.C. Logo depois veio a lei de Canuleu que levantou a proibição de casamentos entre patrícios e plebeus Alguns deles chegaram a ser cônsules.

A invasão gaulesa forçou a adoção de reformas na organização militar e a criação de um exército em substituição à força constituída exclusivamente de patrícios ainda no tempo dos reis e da República jovem. Foram, então, construídas as primeiras muralhas de pedras com o nome do rei Sérvio Túlio. Os plebeus passaram a fazer parte do conjunto de cidadãos romanos.

A Assembleia Popular era formada de todos os cidadãos que serviam no exército, dividida em 193 centuriae. Ela elegia os cônsules, promulgava as leis, decidia as questões de guerra e paz, absolvia e condenava os culpados por crimes capitais. Os plebeus tiveram direito a mais terras, ampliando sua organização através das leis criadas por Licínio e Sextio, tribunos das plebes, por volta de 367 a.C.

A organização militar e o amplo poder dos cônsules ensinaram ao povo ter disciplina e obediência às ordens dos chefes. Diz o autor do livro, “História de Roma”, ser pouco o que sabemos da civilização romana do início do século VI a.C. até meados do século V, mas escavações arqueológicas em cidades etruscas-latinas deram pistas da influência da cultura grega sobre os latinos.

Na religião, todos os novos deuses estavam ligados ao comércio e à indústria e, para eles, foram erguidos templos perto do Tibre e no Aventino. A mais antiga dessa divindade era Hércules, que teve seu altar no mercado de gado (fórum boarium). Em seguida vinha Minerva, com traços de Atená grega e protetora dos artesãos. E assim, a cidade latina passou a ter um centro religioso e Acrópole própria no Capitólio, onde se localizou o templo consagrado à trindade Júpiter, Juno e Minerva.

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BUCHA DE CANHÃO DOS EUA E O SLOGAN DO CAPITÃO

Sem essa de ajuda humanitária aos venezuelanos. Como os Estados Unidos não podem invadir diretamente a Venezuela por questões de política internacional (China e Rússia estão de olho), colocaram o Brasil e a Colômbia como buchas de canhão para incitar o país vizinho, com mais discórdia e provocar uma guerra civil.

É tudo pau mandado dos norte-americanos que continuam imperialistas, mas não querem agir como fizeram nos tempos passados na Guatemala, Panamá, El Salvado, Nicarágua e outros países, implantando suas ditaduras por onde meteram suas patas. Assim procederam contra Cuba, em 1961, quando enviaram para lá mercenários e foram expulsos vergonhosamente pelo Governo de Fidel Castro.

Eles não têm nenhuma moral de falar de democracia, quando desrespeitaram os direitos humanos dos outros e mataram muita gente com suas atrocidades na África, na Ásia e no Oriente. Exploraram os mais pobres, escravizaram e arrancaram deles suas riquezas, deixando a fome e as doenças como heranças malditas até os dias de hoje.

A história continua se repetindo, mas a grande maioria desconhece os fatos, ou insiste nos mesmos erros, por burrice. O Brasil entrou nessa barca furada e pode sair seriamente arranhado. É mais uma trapalhada do presidente-capitão que faz questão de bater continência para a bandeira dos ianques. Os generais entraram nessa enrascada e agora estão sem saber como sair dela.

Uma casa cheia de problemas para resolver onde tudo falta a uma camada de milhões de pobres, desde comida, assistência hospitalar digna, saneamento básico e até medicamentos se propõe, a mando dos EUA, oferecer ajuda humanitária como se aqui fosse um paraíso em plena igualdade social.

A mídia que cobre as escaramuças e as agitações nas fronteiras, não mostra o outro lado da história, e a grande maioria da população acha correta essa intromissão, com o nome simulado de ajuda humanitária. O país não deveria ter entrado nessa, e até o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, deu uma declaração descordando dessa armação.

O SLOGAN DE BOLSONARO

Na semana passada fiz um comentário com o título “Um País Enlouquecido”. Mais uma maluquice estampa neste início de semana pela boca do ministro da Educação que quer perfilação de todos os alunos antes de adentrarem às salas de aulas, cantando o Hino Nacional. Até ai tudo bem. O mais ridículo é exigir que todos repitam o slogan da campanha do capitão “Brasil Acima de Tudo. Deus Acima de Todos”.

Outro absurdo é que a medida determina que os diretores das escolas filmem os estudantes perfilados e cantando, e que as cenas sejam enviadas para o Ministério da Educação e para a Secretaria de Comunicação. Qual mesmo o interesse nas filmagens? É mais uma loucura e vem mais coisa esquisita por aí.  Vão logo instituir a religião oficial bolsonarista no Brasil.

Grande projeto educacional do ministro, como se isso fosse o ponta pé inicial para a qualificação do ensino! Já ouvimos meninos vestem azul e meninas vestem rosa. A universidade não é para todos. Os pais devem criar suas meninas em outro país. Criação de documentos secretos. Só está começando. Quem viver, verá!

FEDOR DO XIXI TIRA O FOLIÃO DAS RUAS

Carlos González – jornalista

A notícia passou quase despercebida: o carnaval de rua de  Vitória da Conquista deste ano foi parcialmente despejado do Centro da cidade. Com exceção da Lavagem do Beco, marcada para o dia 1º, foram cancelados o desfile de blocos, fantasiados e mascarados, e a apresentação de artistas e conjuntos musicais, que estavam programados para a Praça da Bandeira, nos dias dedicados à folia. A oitava edição do Carnaval Conquista Cultural foi transferida para o estacionamento do Boulevard Shopping, de 2 a 4 de março; a terça-feira foi excluída.

A insólita notícia teve origem na Câmara de Dirigentes  Lojistas (CDL), depois que a organização dos festejos já havia divulgado toda a programação, aprovada pelas secretarias municipais de Cultura, Mobilidade Urbana, Serviços Públicos e Saúde, além da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Conselho Tutelar. O prefeito Herzem Gusmão, inclusive, assinou decreto suspendendo os trabalhos nos órgãos municipais, de sexta-feira desta semana até o meio-dia da Quarta-Feira de Cinzas.

O fedor do xixi deixado nas ruas por foliões que desconhecem as mais elementares regras de civilidade foi o motivo alegado pela CDL, em ofícios enviados ao prefeito e à Secretaria de Cultura, que, sem contestação, acataram o pedido. Alegou o órgão classista que o mau cheiro perdura por vários dias, causando aborrecimentos para lojistas e consumidores, mesmo reconhecendo que a prefeitura disponibiliza sanitários químicos e promove a lavagem das ruas com jatos de água e produtos de higiene.

A sra. Sheila Lemos Andrade, presidente da CDL, deveria estar preocupada com as quedas nas vendas do Comércio, cujo movimento estará paralisado durante quatro dias. Nos últimos anos, com a recessão da economia, muitas lojas têm fechado suas portas.

Por acaso, os donos e empregados das refinadas lojas do Boulevard Shopping estão imunes ao mau cheiro do xixi? E os consumidores das lanchonetes e restaurantes da praça da alimentação?

“O carnaval democrático, feito pelo povo e para o povo”, segundo seu organizador, Odilon Alves Júnior, vai dispor de mais segurança e mais espaço no estacionamento de um shopping. Sem querer criar áreas de atrito, ponderou que a Praça da Bandeira já estava pequena para o número de participantes dos festejos de Momo. Essa não é a opinião da maioria da população, o que, certamente, vai elevar os índices de rejeição do prefeito.

Gostaria de fazer alguns questionamentos ao prefeito Herzem Gusmão e a sua secretária de Cultura Cristina Rocha: como a prefeitura vai se posicionar se alguma entidade se opor ao desfile pelas ruas da cidade da “Marcha com Jesus”, acompanhada por milhares de religiosos, animados por trios elétricos? E com relação aos desinibidos participantes da “Parada Gay”?

Para subsidiar esse comentário lembro que o carnaval de Salvador dura praticamente uma semana, com prejuízos para os comerciantes dos Circuitos Dodô (Barra – Ondina) e Osmar (Campo Grande – Praça Municipal).

Olinda, que faz um dos mais concorridos carnavais do país, ficaria sem os festejos se o prefeito local proibisse o desfile dos maracatus, blocos de frevo e dos bonecos gigantes pelas ladeiras estreitas, onde reside uma parcela considerável da população da histórica cidade pernambucana.

Evangélico, o prefeito do Rio de Janeiro, o ultraconservador Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal, não esconde que, se pudesse, acabaria com o badalado carnaval carioca. Como não tem esse poder reduz substancialmente as verbas destinadas às escolas de samba, coloca à venda o camarote da prefeitura no Sambódromo e viaja para o exterior.

Finalizo, confessando que não tenho nenhuma simpatia pelo carnaval de Salvador. O carnaval do axé, dos camarotes luxuosos, dos que podem pagar por um abadá, dos blocos de corda e dos discriminados “foliões pipoca”. Saudosista, recordo do tempo em que o circuito da festa se limitava à Avenida Sete, que o Hino do Bahia era a música mais executada pelos trios elétricos, e dos  bailes do Clube Espanhol, cuja sede era na Vitória.

 

 

UM PAÍS ENLOUQUECIDO

O quê leva um vigilante de um supermercado deitar em cima de um rapaz numa ação de estrangulamento e sufocá-lo até a morte, enquanto pessoas, praticamente passivas, tiram fotos? Em outra imagem, o governador do Rio de Janeiro, de nome difícil, ao lado de um oficial da polícia, elogia a corporação, cujos soldados, pelo que ficou evidenciado através de testemunhas, praticaram uma execução sumária de um grupo de bandidos ou traficantes já rendidos numa casa.

Estamos diante de um país enlouquecido que banalizou a violência e vivencia o retrocesso primitivo, numa guerra de fuzis, metralhadoras e de ódio contra o pensamento contrário do outro. As tragédias com centenas e milhares de mortes se sucedem e depois o silêncio sepulta a impunidade. O quê leva tanta gente intolerante fanática religiosa atacar outra igreja e até espancar quem confessa outra crença? As igrejas conservadoras e reacionárias hoje estão nas periferias explorando os mais pobres e incultos.

Estamos sim, num país enlouquecido que perdeu sua identidade cultural, ou nunca teve, que vota com raiva, com interesses e para se vingar de outros seguidores opostos, mesmo que seja um candidato ignóbil, despreparado, do atraso e até nos mesmos corruptos de sempre. Diante de tantas loucuras e paradoxos, de baixos índices na educação, de corredores das mortes nos hospitais, de tantas misérias e profundas desigualdades sociais, lá se foi o futuro do distante infinito perdido do horizonte.

O quê leva um bando saquear uma carga de mercadorias, enquanto uma criatura se debate morrendo numa cabine de um caminhão, vítima de um acidente de trânsito, e ninguém aparece para socorrê-lo? Um homem desce porrada numa mulher numa volúpia animalesca até deixa-la sangrando e com o rosto e seus corpo desfigurados, quando não a mata com pauladas, tiros ou várias facadas.

É um país enlouquecido na República dos Generais, do porta voz ao estilo do maluco Trump, onde um ministro demitido bate-boca em público pelas redes sociais com o presidente, tratando-o o tempo todo como capitão. O vice, general Mourão, que amansou a fala (está mais para Morão de amarrar burros), queria lotear funcionários só para classificar documentos secretos e ultrassecretos. Da transparência para a censura e o sigilo.

Enlouquecido por uma reforma da Previdência Social que ninguém entende seu intrincado labirinto de alíquotas, pedágios, pontos, transições, tetos e tantos outros cálculos novelescos nas narrativas cansativas e enfadonhas das emissoras de televisão, jornais e revistas, a não ser na simplificação entre as diferenças de idade mínima da mulher e do homem que sempre morre primeiro, mas tem que esperar mais tempo para receber o minguado benefício que não dá para comprar um pacote de remédio.

No pacote fatiado do anticrime que dá licença para o soldado matar, baseada na subjetividade da legítima defesa (já existe a falsificação de provas), a Câmara dos Deputados quer deletar o bandido do “Caixa 2” no rol da corrupção. O ministro da “Justiça” que criminalizava e condenava a prática, agora enlouqueceu, desdizendo o que pregava antes como corrupto quem usava deste artifício maligno de roubo do dinheiro público.

Estamos no país enlouquecido das meninas que vestem rosa e dos meninos que vestem azul. No país que não serve para criar meninas e que seus pais devem fugir desta “pátria amada” onde seus filhos não devem estudar fora de suas famílias. Não é mesmo um país enlouquecido? O nome do partido nazista era Nacional Socialismo, porque havia uma ameaça comunista. As lutas deviam ser contra as indústrias do ódio, do medo e das mentiras.

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GESTOS E DIÁLOGOS

Parece uma cena de filme captada pelas lentes do fotógrafo José Carlos D´Almeida. Gestos e diálogos numa noite festiva de um aniversário de 70 anos. A foto não fala, mas mostra expressões de alegria numa troca cordial de ideias e pensamentos, sem ódio e intolerância. As mãos  fazem o ritual e abençoam a criação.

VENTO QUE VAI E VEM

O vento que passa e vai,

Não é o mesmo que vem:

Um traz mensagens do norte,

O outro zune oeste faroeste;

O do sul deixa rastro de morte,

E o do leste a paz do Lama Dalai.

 

O vento que vai daqui pra lá,

Não é o mesmo do de lá pra cá:

Um urbano e o outro campestre;

Tem o da chuva que molha terra;

O furioso vingativo traz a guerra,

O dos ensinamentos é o do mestre.

 

O vento do vale é o fresco,

O do alto é traiçoeiro e seco;

Um faz bem, outro deixa a peste,

E o da saudade é o amor que vai

Pelo tempo que não retorna mais,

Como lavoura perdida no agreste.

 

O vento vice-versa, vai e vem,

Vento dor que martela e assobia,

Suave e irado no trincado tornado,

Da terra, do ar e do azul além-mar,

De cheiro catingueiro do sol alumia,

Dê-me notícias da vida do meu bem.

 

Como a quilha de Maiakóvski,

Corta o vento que leva e traz,

Segredos sagrados do bosque,

Às vezes são coisas boas e más,

Perfumes, folhas caídas e florais,

Virtudes e os pecados capitais.

 

 

 

 

POLÊMICAS PELOS ESTRAGOS DAS CHUVAS E A ROTATÓRIA DO AEROPORTO

Numa plenária de pouca gente, os debates da sessão da Câmara de Vereadores de ontem (quarta-feira, dia 20) se concentraram nas questões dos estragos provocados pelas fortes chuvas que caíram em Vitória da Conquista na tarde do último domingo. A polêmica girou em torno dos parlamentares da situação e da oposição, onde a bancada do atual governo condenou os mandatos passados do PT pelos transtornos na cidade quando acontece um temporal que deixa ruas, avenidas e casas alagadas.

Mas, não foram somente as chuvas que criaram tantos bate-bocas. A construção de uma rotatória na BR-116 que dará acesso ao novo aeroporto, como uma saída para ser logo inaugurado, foi também alvo de críticas. O prefeito Herzem Gusmão e vereadores da base defendem que o Governo do Estado faça, em definitivo, um viaduto sobre a pista, enquanto outros acham que o tempo é curto e a rotatória resolveria o problema, deixando o viaduto para depois.

Para um dos membros do Movimento em prol do aeroporto, empresário José Maria, exigir a construção do viaduto agora, faltando poucos dias para ser inaugurado, é uma forma de protelar a entrega da obra que pode ficar abandonada e se tornar num elefante branco. Para ele, a rotatória seria uma solução não permanente para que o aeroporto entre logo em funcionamento.

Chuvas e homenagem a Heleusa

O vereador Coriolano de Moraes, do PT, aproveitou a tribuna para fazer uma homenagem à professora Heleusa Câmara que faleceu recentemente e deixou um grande legado de cultura e sabedoria para a cidade. Para Coriolano, ela foi uma das maiores intelectuais de Conquista e exerceu vários cargos na área da educação, se destacando como criadora do Proler que incentivou muita gente a adquirir conhecimento através dos livros.

Com relação aos estragos das chuvas no último domingo, os parlamentares Álvaro Phiton e David Salomão, principalmente, levantaram duras críticas aos governos passados do PT que, segundo eles, não realizaram obras de drenagem, indagando o quê fizeram com o dinheiro público que receberam. Viviane Sampaio, do PT, rebateu as insinuações como a mesma veemência, afirmando que eles aproveitam o momento para fazer palanque político, e que só falam, sem provar as acusações feitas. Valdemir Dias, do PT, desmentiu o prefeito quando disse que a drenagem do Estádio “Lomantão” foi feita na década de 60. Segundo ele, foi realizada no governo de Guilherme Menezes, e que o trabalho comprovou a eficiência no escoamento das águas.

Salomão também usou a tribuna para condenar a Via Bahia que está anunciando um novo aumento de 30% nos pedágios da BR-116 e 324, de Salvador até a divisa com Minas Gerais, enquanto não executou as obras que estavam no contrato de concessão, como a duplicação da pista. Com palavras de xingamentos, atacou os deputados estaduais que não reagem, e ficam inertes com o governo estadual, sem nada fazerem para cobrar as obras da Via Bahia. De acordo com ele, não deveria nem haver pedágios porque é inconstitucional.

O vereador e pastor Sidney misturou proteção aos animais que vivem nas ruas, com a colocação de bebedouros, comedores e implantação de um centro de controle de zoonoses, com defesa dos consumidores conquistenses que são constantemente lesados. Nildima Ribeiro, do PC do B, foi no mesmo tom e pediu mais atenção da Câmara quanto à proteção dos consumidores, e citou a atuação da comissão dos direitos humanos e das mulheres. Lúcia Rocha falou em defesa dos moradores do distrito de Inhobim,  e pediu mais obras por parte do poder público.

 

PECULIARIDADES DO “LOMANTÃO”

Carlos González – jornalista

Para que amanhã não venham dizer que o jornalista só sabe criticar, quero inicialmente dar nota dez ao sistema de drenagem do Estádio Lomanto Júnior, elogiado em rede nacional pela TV Globo. Domingo passado, após o dilúvio, a água cobria toda a extensão do campo. Vinte minutos depois da paralisação das chuvas, a bola corria sem anormalidade. Aproveito para parabenizar os brigadistas (bombeiros voluntários), incansáveis na ajuda prestada aos torcedores, que não escondiam o temor de uma tragédia. Mais uma!

O prefeito Herzem Gusmão aproveitou o comentário do apresentador Tadeu Schmidt para elogiar sua administração, que ele chama de “histórica”. Percorreu, como faz todas as semanas, as rádios da cidade, prometendo pedir recursos ao governo federal para recuperar os estragos  causados pela tromba d’água. Em desobediência ao 2º Mandamento, o nome do Senhor foi pronunciado várias vezes.

A natureza fez da praça de esportes de Vitória da Conquista um verdadeiro cartão-postal de uma cidade desprovida de atrações turísticas. O verde da floresta, onde predominam os eucaliptos, no entorno do estádio, leva o torcedor, nos jogos diurnos, a esquecer que está sentado no cimento duro e quente das arquibancadas. Lamentavelmente, nos últimos anos, dezenas de árvores foram derrubadas na área atrás da chamada – um contrassenso – “Tribuna da Imprensa”.

É justamente por essa “tribuna” que inicio os comentários sobre as  peculiaridades do “Lomanto Júnior”. O local se constitui de sete ou oito cabines, ocupadas pelas emissoras de rádio e televisão de Conquista e de Salvador, e de um sanitário para todos os gêneros. Os legítimos profissionais de imprensa, sem desmerecer os colegas de outros veículos de comunicação, são os que escrevem para jornais, revistas e blogs. Esses são obrigados a colocar seus note books sobre as pernas, sentados na desconfortável arquibancada, no meio da torcida.

O ECPP Vitória da Conquista disputou a Copa do Brasil entre os anos de 2015 e 2018, contra, respectivamente, Palmeiras, Náutico, Coritiba e Boa Esporte. Naquelas oportunidades ouvi muitas reclamações e críticas de companheiros de jornais de São Paulo, Pernambuco, Paraná e Minas Gerais, que aqui estiveram para a cobertura dos jogos. Levei as queixas deles ao coordenador de Esportes (não lembro o nome; provavelmente já foi substituído) da Secretaria Municipal de Cultura. Nenhuma medida prática foi tomada para atender aos profissionais que vão aos estádios para trabalhar e não para se divertir.

Na ocasião, sugeri ao assessor da prefeitura que fossem reservadas cinco ou seis cadeiras, com bancadas, no setor coberto, abaixo das cabines de rádio e TV. Qual não foi minha surpresa ao saber que o local é reservado para os sócios do ECPP Vitória da Conquista. Mas o estádio é municipal; é do povo, argumentei. Por que o privilégio?

Radialista, ex-comentarista esportivo, Herzem Gusmão deve conhecer perfeitamente o trabalho cansativo dos profissionais de mídia nos complexos esportivos. São os primeiros a chegar e os últimos a sair.

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SARAU ENTRA NO SEU NONO ANO NA NOITE DE MONTEIRO LOBATO

Na abertura do nono ano do Sarau Colaborativo, na noite de sábado (dia 16), no Espaço Cultural A Estrada, o tema foi o precursor da literatura infantil no Brasil, Monteiro Lobato, nas palavras dos professores Jovino Moreira e Itamar Aguiar. Logo depois dos debates, o evento ficou ainda mais festivo no canto da viola dos artistas Baducha, Paulo Gabiru, Marta Moreno e Mano di Souza que soltaram a voz com músicas autorais e de compositores da MPB.

Não fazia parte da programação, que é eclética e informal, mas Marta Moreno com outros integrantes, como Vandilza Gonçalves, a anfitriã da casa, Cleide e um grupo de crianças surpreenderam o jornalista Jeremias Macário, cantando parabéns pelo seu aniversário que foi no último dia 11 de fevereiro. Para combinar com o homenageado, todos entoaram a música “No Sítio do Pica Pau Amarelo”. A esta altura, o Sarau já contava com a presença de mais de 30 pessoas.

Como sempre, a festa regada a “comes e bebes”, petiscos, cerveja e vinho varou a madrugada num papo solto, fraternal e descontraído. Além do som da viola, houve a declamação espontânea de causos e poemas. Jhesus, Jeremias, Benjamim Nunes, Dorinho e outros se revezaram nos intervalos das cantorias fazendo suas apresentações. Aos poucos, o Sarau está recebendo a visita de jovens, num entrosamento cultural de aprendizagem e conhecimento.

Para o próximo, ainda sem data definida, Gregório de Matos, “O Boca do Inferno”, o temido pelos poderosos da Bahia, foi o escolhido para ser comentado. Sua obra revolucionária vai estar na mesa das discussões. Em andamento, no mesmo formato do Sarau, um grupo de artistas fará um show no dia seis de abril, no Teatro Carlos Jeová, com a finalidade de arrecadar recursos para a gravação do CD Sarau.

Mais uma vez, a memorável e alegre festa cultural contou também com as participações do fotógrafo José Carlos D´Almeida, Aline Kiriaki, Nadia Márcia, Paulo Spínola, o desenhista ilustrador do evento, Rozânia Andrade, Evandro Gomes. Neide Pereira, Tânia, Yasmim Rocha, Eliane Matos, Osíres Rocha e colega, Gildásio Amorim, Neide Teles, Rosemeiry Prado, José Carlos, Conceição, João Bezerra, Rosângela Oliveira, Céu entre outros.

Monteiro Lobato, Vida e Obra

O professor Jovino falou da vida e obra de Monteiro Lobato que também foi empreendedor e nasceu em Taubaté, São Paulo, no dia 18 de abril de 1882. Com 13 anos foi estudar em São Paulo. Registrado como José Renato Monteiro Lobato, resolveu mudar de nome para usar a bengala de seu pai que tinha iniciais JBML, gravadas no topo do castão. Passou a se chamar José Bento Monteiro Lobato.

Em 1904 formou-se em Direito pela faculdade de São Paulo quando retornou para Taubaté e casou-se com Maria Pureza Natividade. Foi nomeado promotor público na cidade de Areias, em 1907. Publicou vários artigos e escreveu “Cidades Mortas”, livro que retrata a agonia da cidade quase abandonada.

Permaneceu em Areias até 1911 quando morreu seu avô, o Visconde de Tremembé, deixando-lhe como herança uma fazenda em Taubaté. Vende a fazenda em 1917 e muda-se para Caçapava onde passou a se dedicar à literatura e cria a revista “Paraíba”.

Em São Paulo funda a gráfica Monteiro Lobato. A Companhia Editora Nacional vende sua parte e ele funda a Editora Brasiliense, em 1927 com amigos. Em 1946 foi morar na Argentina onde criou uma editora. Em 1947 volta para São Paulo, vindo a falecer em 5 de julho de 1948.

Como literário, situa-se entre os autores regionalistas do pré-modernismo e destaca-se nos gêneros conto e fábula. Seu universo são os vilarejos decadentes e as populações do Vale do Paraíba, durante a crise do café. Foi um grande crítico de certos hábitos brasileiros, como o homem preguiçoso que não gosta de pensar. Entre pensar e derrubar uma mata, o brasileiro p5refere a segunda opção, numa analogia feita em seus escritos.

Com a publicação de “O Escândalo do Petróleo” (1936) denuncia o jogo de interesses motivados pela a extração do petróleo, criticando o envolvimento internacional das autoridades brasileiras. Em 1941, durante a ditadura Vargas, foi condenado a seis meses de detenção. Foi também um crítico das manifestações modernistas de São Paulo.

Ficou famoso seu polêmico artigo “Paranoia ou Mistificação”. Nele criticou a exposição de pinturas de Anita Malfatti. Suas principais obras foram Urupês, 1918, O Saci, 1821, Narizinho Arrebitado, 1921, Fábulas, em 1922, O Marquês de Rabicó, 1922, As Aventuras de Hans Staden, 1927, Peter Pan, 1930, Caçadas de Pedrinho, 1933, Geografia de Dona Benta, 1935, Emília no País da Gramática, 1934, Histórias de Tia Nastácia, 1937, O Pica-Pau Amarelo, em 1939, dentre outras.

O professor Itamar Aguiar citou o artigo da escritora Regina M.A. Machado “Nosso Sotaque Caipira, Nossa Cultura Refugada, nas Notas de um Magistrado da Roça”. Ela aponta o escritor Valdomiro, um ilustre desconhecido, mas com grande prestígio, na época em que seus contos eram publicados nos grandes jornais em fins do século XIX e início do século XX.

Valdomiro descreve a cultura caipira, o caboclo, como o homem do sertão. Regina destaca que Lobato foi um precursor do modernismo, que está preocupado em acabar com a herança do indianismo romântico. Esse projeto está claramente exposto no prefácio a Urupês, mas também é uma velha raiva do escritor-fazendeiro, contra o colono, o caipira a quem ele atribui todos os males que afligiram suas plantações e criações durante suas tentativas de ser fazendeiro.

AS TRIBOS QUE FORMARAM ROMA E CONSTRUÍRAM O MAIOR IMPÉRIO

NA VISÃO ANALÍTICA DO HISTORIADOR M. Rostovtzeff

Pouco se conhece da história primitiva romana dos mil anos a.C.. Da sua fundação, por volta dos anos 753 a.C. até os séculos IV e III, algumas informações foram compiladas dos gregos que exerceram grande influência no desenvolvimento político, social e religioso de Roma, através dos historiadores e filósofos da helenização grega. No século IV a. C. se deu a unificação política italiana com as conquistas contra os etruscos, équos volscos, samnitas e tribos gregas.

A Itália conseguiu criar um poder único, o que não foi possível com a Grécia com suas cidades-estados, apesar do seu gênio criador. Historiadores como Políbio procuraram encontrar explicações para este fato. De acordo com o autor do livro “História de Roma”, de M. Rostovtzeff, os filósofos atribuíram o êxito de Roma à virtude de seus cidadãos e a perfeição da Constituição. Os romanos colocaram em prática o ideal criado muito antes pelos filósofos gregos, a partir de Platão.

Sobre a história de Roma, os dados mais precisos foram os copiados pelos escritores romanos, entre 100 a.C e 100 D.C. do historiador grego Timeu, natural de Tauromenium, na Sicília, que viveu em fins do século IV e primeira metade do século III a.C.. Na Itália havia a raça etrusca que pode ter criado uma tradição histórica mais antiga, cuja língua e escrita eram ininteligíveis.

ORGULHO NACI0ONAL

Explica o pesquisador do livro que o orgulho nacional romano e o papel que Roma começava a desempenhar na família dos impérios helênicos exigiam que ela tivesse uma história própria que contasse suas origens. Helenizados no sul da Itália, Ênio e Névio escreveram sobre as guerras púnicas. Entre os romanos que tiveram papel importante em fins do século III a.C., se destacaram Fábio Pictor, Cíncio Alimento, Caio Acílio e Cássio Hemina.

Os próprios gregos fizeram uma ligação fantasiosa entre a história antiga de Roma e a mitologia grega. Eles conseguiram uma narrativa mais ou menos completa, desde a chegada de Enéias, quando este herói fugiu para a Itália após a captura de Tróia, até a época em que já se podia utilizar fatos mais autênticos, preservados de uma forma legendária pela tradição oral. Para os tempos mais remotos, as obras dos historiadores romanos, segundo Rostovtzeff, são praticamente inúteis. Os resultados das pesquisas arqueológicas na Itália foram de grande valor em se tratando das eras primitivas, desde a Antiga Idade da Pedra.

Em termos geográficos, a Itália se assemelha à Grécia. A península apenina é uma continuação da Europa Central que se prolonga pelo Mediterrâneo. Os grandes rios da região, o Ródano a sudeste, e o Reno ao Norte, nascem nos Alpes e era possível seguir-lhes o curso até os desfiladeiros que levam  à Itália, e descer dali pelos vales dos rios, na maioria tributários do Pó.

Na parte do Ocidente existe uma cadeia de vulcões, principalmente na Etrúria, Lácio, Campânia e nas ilhas adjacentes, inclusive na Sicília com planícies muito férteis, cortada de rios que correm da cadeia central para o mar Tirreno. O maior deles é o Tibre que divide um dos vales em duas partes, o Lácio e a Etrúria.

Essas condições tornaram a Itália mais acessível às tribos da Europa Central e aos navegadores do Oriente. Ambos se sentiam atraídos pelas riquezas naturais. Os pastores e agricultores eram tentados pelas pastagens excelentes e campos férteis. Os imigrantes do leste procuravam os portos do sul.

Os povos da Europa Central e Oriental e da Ásia Menor atingiram o país pelo norte e pelo sul. Os mais antigos habitantes eram os ligúrios e iberos, ligados aos aborígines da Espanha e da Gália. Segundo o autor do livro, os mais antigos colonizadores da Europa Central eram lacustres que viviam em palafitas e lagos. Os povos dividiram-se em três grupos, cada qual com um dialeto diferente de uma língua semelhante ao celta. Tratavam-se dos úmbrios, no norte, os latinos, no curso inferior do Vale do Tibre, e os samnitas, que se fixaram nos montes e vales do sul da península.

No sul, toda a faixa da costa, inclusive a Campânia, no oeste, foi ocupada após o século VIII a.C. por imigrantes da Grécia. Os últimos invasores foram os celtas, a quem os romanos chamavam de gálios, vindos da região que hoje é a França e do Vale do Danúbio. No século VI ocuparam o Vale do Pó, expulsando os etruscos.

A ITÁLIA DE 800 A 500 a. C.

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