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A DISCRIMINAÇÃO SOCIAL É A MAIS CRUEL

Quando um pobre morre como causa da Covid-19, os parentes nem veem o corpo que é levado imediatamente para o cemitério. Das grades, os familiares acompanham o procedimento à distância. Isso é muito cruel. A alegação é a de ser uma maneira de evitar contágio e aglomeração.  A dor é muito grande porque ela já vem do hospital quando o doente é internado e, às vezes, só recebe informações através do celular ou por sinais dos enfermeiros e médicos.

Esse ritual é bem diferente e aberto quando se trata de um político, um poderoso ou rico. Quando falece, fazem velório, translado em carro aberto para o enterro, com aglomeração por parte dos correligionários, parentes, amigos e conhecidos, principalmente agora nesse auge da pandemia. Argumentam outras coisas que não convencem, e a mídia, como sempre, não questiona com receio a interpretações maldosas.

A LEI DOS MAIS FORTES

Enquanto estou fazendo este comentário, sei que estou sendo xingado e visto como insensível, que desejasse algum mal para o morto. Já disse várias vezes e voltou a repetir que a nossa sociedade é hipócrita. Mas, fazer o quê? Seguimos o curso normal da lei natural dos mais fortes no mundo animal. Vejam a questão da vacina que já era previsível. Os mais ricos, como Estados Unidos, Inglaterra e outros países da Europa saíram na frente.

Os pobres e os fracos sempre foram os mais castigados. O exemplo está aí nas catástrofes e tragédias. São os mais submissos, de nível baixo de instrução, que não têm o poder de brigar e impor seus direitos de igualdade que mais sofrerem. Aliás, sem essa de que todos são iguais. Esse anunciado é a maior das mentiras que proclamam, como se fosse verdadeiro.

O enterro do prefeito de Vitória da Conquista acabou tendo aglomeração em todo seu trajeto. Os resultados vão aparecer nos próximos dias. A Prefeitura anunciou que o acesso seria reservado somente aos familiares, mas não foi isso que ocorreu. Primeiro foi reservado um amplo espaço no salão do Mediterrâneo, indicando que muita gente estaria lá. O local ficou superlotado. No caminho para o sepultamento e no cemitério, muita gente, contrariando o toque de recolher.

Para dar o bom exemplo, o poder público, em comum acordo com a família, bem que poderia do aeroporto ir direto para o cemitério, sem essa de programação de translado e reunião num espaço de eventos tão amplo. Era certo que ia haver aglomeração. Na situação atual de colapso nos hospitais, gente morrendo em casa e até na rua por falta de vagas, o mais prudente seria um enterro simples e controlado, mesmo se tratando de uma autoridade. Tudo em respeito à vida que deve estar acima de tudo.

Outra imprudência foi a posse da prefeita ao vivo na Câmara de Vereadores, com muita gente no plenário. Não poderia ter sido feito de forma virtual, para dar o bom exemplo? Todos esses eventos em pouco espaço de tempo constituem insensatez, tendo em vista que os leitos de UTI em Vitória da Conquista já estão com ocupação bem acima dos 90%.

Não tem adiantado muito os apelos emocionantes dos infectologistas, pneumologistas, médicos e especialistas da ciência no sentido de que as pessoas se cuidem usando máscaras; façam a higienização; e, principalmente, não se aglomerem. Vivemos num quadro de total estupidez humana e de bagunça geral onde não existe uma linha central de comando.

Tudo começa pela esfera federal. No momento, temos dois ministros da Saúde, ou nenhum, porque o indicado não tomou posse. O Ministério estabelece uma norma, o secretário de Saúde do Estado formula outra orientação, e cada prefeitura faz seu protocolo, como no caso da vacinação.

O Governo do Estado decreta o toque de recolher e município desobedece.  A covid-19 se alastra em terreno fértil. O povo faz festa e morre aos montes. Nos hospitais faltam vagas, insumos, oxigênio e mais gente tomba. Uns negam a doença, e outros que tudo não passa de politicagem. Agora é a fome que ataca ferozmente.

 

“UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO”

OS COMERCIANTES E AS RELIGIÕES”

É uma obra do historiador acadêmico britânico Geoffrey Blainey que vale a pena ser lida pela sua didática e fácil compreensão sobre as origens humanas, as subidas das águas dos oceanos, as viagens dos povos entre os continentes, suas evoluções, as tribos nômades, as religiões, os grandes impérios, entre outros temas de importância para o conhecimento geral.

Nessa nossa coluna semanal de “Encontro com os Livros”, vamos aqui focar o capítulo “O Trio Triunfante” que prefiro intitular de “Os Comerciantes e as Religiões”. Nele o autor destaca que num período de tempo pouco superior a mil anos surgiram Buda, Cristo e Maomé, três religiões universais (o judaísmo em parte era também universal) que cruzaram fronteiras para converter uma grande variedade de terras e povos.

A TRANSIÇÃO DO MEDO

Essas religiões refletiam uma transição de que Deus era um símbolo do medo (assim era visto pelo Antigo Testamento) para uma transição do amor divino. Se formos analisar bem, como assinalou o autor da obra, os comerciantes foram os maiores propagadores dessas religiões. Eles precisavam de um clima de afabilidade onde os acordos pudessem ser honrados.

Os primeiros seguidores de Buda (Sidarta Gautama) eram comerciantes, como o próprio Maomé. Como carpinteiro, Cristo também foi, em parte, um comerciante com seu pai José. O cristianismo foi disseminado pelos judeus comerciantes longe de casa. Além dos negociantes, dois grandes imperadores, Asoka, da Índia, e Constantino, de Roma, foram fundamentais parra o sucesso do budismo e do cristianismo.

Por volta dos anos 900, essas três religiões alcançaram a maior parte do mundo. A mais nova, o islã, muito dependeu dos comerciantes árabes. A mais antiga, o budismo, teve sua maior força na população chinesa. Os monges atravessaram fronteiras da Índia até a Coreia, Japão e a Indochina.

O cristianismo contava mais com o nordeste da África e da Ásia Menor. Somente na Europa ele passou a ser dominante da Irlanda até a Grécia.  Fazendo seus negócios, os comerciantes espalhavam as palavras e preparavam os caminhos para os missionários.

No capítulo sobre a Polinésia, o autor fala da Europa e da China que formavam grandes mundos com o tráfego fluindo entre si, enquanto outros povos viviam isolados, principalmente quando eram separados pelo mar. De acordo com ele, em toda história humana houve somente três grandes momentos em que viajantes cruzaram os mares para povoar terras desabitadas.

Um foi há mais de 50 mil anos, da Ásia para a Nova Guiné e Austrália. Outro foi a migração da Ásia para o Alasca, há mais de 20 mil anos, com a lenta ocupação do continente americano devido a obstáculos geográficos. O terceiro momento foi a migração dos povos da Polinésia para uma extensa faixa de ilhas do Oceano Pacífico e Índico.

A CHINA E SEUS INFORTÚNIOS

Quanto as potencialidades da China, que terminou por não aproveitar seus conhecimentos como devia, o historiador destaca a arte da comunicação com a invenção do papel manufaturado e a arte da imprensa, usando sinais gravados em blocos de madeira. Foi o acontecimento mais memorável desde a invenção da escrita.

O livro mais antigo data de 868, o qual serviu para difundir a mensagem do budismo e os preceitos de Confúcio. Todos os candidatos ao serviço público tinham que conhecer. Em 1273 imprimiu-se um livreto para fazendeiros e cultivadores de seda natural. A China possuía os fazendeiros mais capacitados do mundo.

Os chineses eram mestres em projetos de vias marítimas, enquanto os romanos especialistas do aqueduto. A China foi exímia na construção dos canais de embarcações (O Grande Canal da China). Com o enxofre, o salitre e o carvão, descobriu a pólvora, e dominava as técnicas de navegação e construção de navios. Na medicina e na saúde, os chineses foram vigorosos em experimentar novas soluções.

Diz o professor que o maior infortúnio foi que eles, por muito tempo, foram quentes, frios, criativos e letárgicos. Mesmo tendo inventado a bússola, fracassaram no mar porque não tinham o desejo de descobrir o desconhecido. Eram bons cartógrafos, mas seus mapas se resumiam aos seus distritos agrícolas. Os cientistas acreditavam que a terra era plana. Quando eles saiam ao mar, longe de casa, só visitavam portos conhecidos da Ásia e do Oceano Índico.

NOS TAPETES E OUTRAS ARTES NA LUTA PARA VENCER O DESEMPREGO E A COVID

Por cerca de três anos desempregada quando teve seu contrato cancelado pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, a professora Vandilza Gonçalves viveu momentos de apreensão à procura de outro trabalho, mas deu a volta por cima e ocupou seu tempo na aprendizagem de uma arte que ocupasse seu tempo e lhe proporcionasse alguma renda.

No início, atuou com coadores de papel de café (a arte da borra do café), pintando paredes, decorando jarros, garrafas e outros objetos que encontrasse, com uma técnica toda especial. Não deu muito certo como geração de alguma renda para, pelo menos, suprir seu desemprego e ganhar algum dinheiro. Então, partiu para realizar alguns cursos de croché, rendas e outras especialidades que dessem mais resultado comercial.

UMA VOLTA POR CIMA

Não é fácil ficar parado sem uma atividade remunerável. O tempo corre e a angústia vai invadindo sua mente por falta de um emprego. Em seu caso, o sentimento de ausência numa sala de aula entre alunos batia forte, mas tinha que vencer mais um obstáculo em sua vida. Foi aí que surgiu a ideia de confeccionar tapetes, souplasts (jogo americano), toalhas e outras utilidades do lar, de forma artesanal com fios e cordões de algodão que são encontrados em armarinhos.

É uma técnica milenar que exige muita paciência e atenção, mas a coisa foi dando certo. Primeiro Vandilza foi anunciando e mostrando, na base do boca-a-boca, seus trabalhos para amigas e parentes. Sua maior surpresa foi a aceitação positiva, com a venda de algumas peças coloridas bordadas. Começou, então, a receber encomendas de outras pessoas de fora.

Seu maior resultado veio quando resolveu colocar suas artes nas redes sociais através do Zap e do Instagram. Surgiram muitos pedidos de conhecidos e outros interessados que se encantaram com os tapetes quando viram suas obras na internet. Nada de emprego como professora, mas suas vendas vão aos poucos suprindo suas necessidades, principalmente nesses tempos de pandemia

O negócio deu tão certo que Vandilza resolveu fazer seu MEI de microempresária no Sebrae, para formalizar seu trabalho como autônoma, pagar seu INSS e ter sua nota fiscal no caso da exigência dela por parte de algum cliente. Com o agravamento da pandemia, seus pedidos caíram, mas a professora não desistiu e continua armando seus tapetes e aproveitando o tempo em que fica em casa se protegendo desse vírus matador.

Como a iniciativa evoluiu, Vandilza está agora programando criar sua própria página na internet para a venda direta por meio do cartão de crédito e até pelo PIX. Tudo está dependendo de uma trégua dessa pandemia, para evoluir seu projeto, mas, enquanto isso, ela não para de confeccionar seus tapetes.

A ARTE DA “BORRA DO CAFÉ”

Outra arte interessante de Vandilza é o aproveitamento de coadores de café, inclusive com o fornecimento do material por outras pessoas amigas. É a chamada arte da “Borra do Café”, que utiliza colas e exige um cuidado para que a montagem não tenha falhas.

Como complemento, ela criou umas pinturas em torno dos coadores que lembram formas rupestres e indígenas dos nossos antepassados. As pessoas sempre se encantam quando se deparam com esses desenhos nas paredes e, dificilmente, conseguem decifrar que elas são feitas da borra do café.

Com esses papéis que são reciclados e até contribui para preservação, do meio ambiente, a professora já pintou várias paredes de cor amarronzada com aparência de pedras montadas umas nas outras. Além disso, os coadores são aproveitados para cobertura de jarros, garrafas e outros objetos. Seu contato pode ser obtido através do Zap 77 99121-7795.

Alguns dos seus produtos podem ser também encontrados no Cesol de Conquista, uma entidade do Governo do Estado, voltada para a economia solidária. O Cesol está localizado no Bairro São Vicente e lá são encontrados trabalhos artesanais de artistas de vários municípios da região.

 

 

 

TODOS CAMINHOS LEVAM A CONQUISTA

 

Além de ser a terceira maior cidade da Bahia, com cerca de 340 mil habitantes, Vitória da Conquista é a capital da região sudoeste. Em torno dela giram mais de 80 municípios, cuja população circula todos os dias em Conquista vinda de todos lugares através de vans e carros particulares. É o caso de se dizer, que todos os caminhos levam a Conquista, de segunda a sexta-feira, fortalecendo a economia da cidade. Estima-se que circule, diariamente, por Conquista, 50 mil pessoas, e aqui deixam boa parte de suas economias. Uns vêm a negócios, outros para tratamento de saúde; visitar parentes ou filhos estudantes; fazer compras; e resolver outros problemas. Logo cedo as vans vão chegando de Tanhaçú, Ituaçu, Barra da Estiva, Anagé, Barra do Choça, Brumado, Guanambi, Belo Campo, Tremedal, Aracatu, Nossa Senhora do Livramento, Caatiba, Itambé, Itapetinga, Maetinga, Presidente Jânio Quadros e tantos outros municípios. A ausência desse povo da região na cidade causaria um tremendo impacto negativo no comércio e no setor de serviços, principalmente.  Poderia se dizer que toda essa gente é uma roda na economia de Conquista. Numa segunda-feira, a população do município mais os circulantes podem atingir até 400 mil habitantes.

PODEM ME CRITICAR

Um dos poemas inéditos do jornalista e escritor Jeremias Macário

Podem me criticar!

Podem me criticar!

Faça sua arte de lá,

Que eu faço a minha de cá,

Cada um com seu estilo,

Ameno, radical ou sarcástico,

Tanto que traça sua parte,

Nessa sociedade de plástico.

 

Podem me criticar!

Do meu jeito de ver o mar,

De olhar a linha do horizonte,

Sem essa do errado e do certo,

Cada um construindo sua ponte,

Na solidão desse árido deserto,

Com sua forma de pensar.

 

Podem me criticar!

Sem o seu ódio intolerante,

Que defendo a sua canção,

Não importa o ritmo e a melodia,

Respeite minha pena rasgante,

Cada obra tem seu toque de poesia,

De amor, da cidade ou do sertão.

 

Podem me criticar!

Sigo a minha estradeira guerreira,

Você segue a sua de lá,

E cada um em seu lugar.

UMA POPULAÇÃO DE BÁRBAROS

Mesmo com toda tecnologia, com a revolução da internet, o nascimento do celular e o avanço da ciência nas viradas dos últimos séculos, infelizmente o Brasil continua sendo um país primitivo.

Tudo isso se acentuou de forma mais aguda a partir de 2019 com o aparecimento dos negacionistas da ciência que estavam em suas locas vivendo no mundo da escuridão. Talvez isso explique o porquê de até hoje eles não acreditarem nem na luz, e de que a terra é redonda.

Temos atualmente uma população de bárbaros e assassinos da aglomeração onde 22%, conforme pesquisa da empresa Data Folha, acham bom o desempenho do capitão-presidente com relação à pandemia que já matou mais de 285 mil pessoas, por culpa de um governo que debocha do vírus e dos próprios brasileiros que lhe elegeram, chamando-os de frescos e chorões.

Diante de toda essa tragédia histórica, da qual faltam palavras para comentar, mais de 30% ainda aprovam seu governo desastroso. Na minha visão, é um dado muito alto, e não estou aqui tratando de linguagem partidária, se de direita, centro, esquerda, comunista ou outra ideologia qualquer.

Nesse quadro tão caótico em que estamos vivendo, com hospitais superlotados e milhares tombando todos os dias, o comportamento de boa parte da população é parecido, e ainda mais atrasado que há 200 anos ou até mesmo se comparado com o da Idade Média dos tempos da Peste Negra.

Há mais de 100 anos, até médicos negaram a existência da Gripe Espanhola que ceifou a vida de mais de 50 milhões de pessoas no mundo, e atingiu em cheio o Rio de Janeiro, se espalhando por todo país. A mesma história se repete com a Covid-19 onde bárbaros se aglomeram, saem sem máscaras e não adotam medidas de higienização.

São esses mesmos bárbaros que atacam jornalistas e veículos de comunicação que defendem o isolamento social, medidas restritivas e clamam para que a população se cuide, uns respeitando os outros no distanciamento. Que povo é esse que ameaça quem procura preservar a vida contra um vírus tão mortal que rouba nosso precioso ar e intuba o paciente numa UTI?

Ainda ontem (terça-feira) no programa do Profissão Repórter, do jornalista Caco Barcellos, vi e ouvi uma idosa confessar, quando saia de um hospital, depois de meses intubada, de que antes de pegar a Covid não acreditava na doença. Precisou entrar no portal da morte para mudar de opinião? Solidariedade é só dar um prato de comida a quem está com fome? Por que tudo isso está acontecendo num Brasil onde se propaga que o povo é solidário[i]? O que mais presenciamos são atitudes de egoísmo e individualismo. Os bárbaros e brutos ainda acham que andar sem máscara é somente um problema dele.

[i]

O JOGO MAIS PITORESCO DA HISTÓRIA

Em pleno Nordeste de cabra da peste onde tem mulher macho, sim senhor, o jogo de futebol entre “Pedregulhos” e “Botocudos”, na cidade de Jaracuçu, pela Copa do Brasil, era o mais esperado do ano. Ia ser na ponta da peixeira. Era uma questão de vida ou morte. Aconteceu de tudo.

Quem ganhasse receberia uma boa grana. Uma funerária se posicionou próximo ao campo. Também queria levar a sua parte nesse quinhão. Antes da peleja, os jogadores, os dirigentes e a comissão técnica foram revistados pela polícia. Tinha gente armada. Ninguém nas arquibancadas por causa de uma maldita pandemia que está matando muita gente.

O juiz mijão

Antes da partida foi uma confusão danada para escolher o melhor lado a favor do vento. O juiz já estava nervoso e mijou ali mesmo no árido gramado. Depois de mais de dez minutos, saiu o ponta pé inicial no apito rouco do árbitro. Veio logo a pancadaria dos dois lados. Coisa de soltar torrão.

Era faísca para todo lado. O narrador tinha a voz de rodeio de peão de touro brabo. A bola mais subia que descia ao chão. Coitada da redonda! Aos oito minutos, numa cruzada da esquerda, feita por “Faca Amolada”, no bate-rebate na pequena área, saiu um gol dos visitantes “Botocudos”.

Todos correram para cima do juiz com barrigadas e cabeçadas, mas o tento foi mantido com o reforço dos soldados. Não demorou muito tempo do recomeço e entrou nas quatro linhas um rebanho de bodes famintos da seca para dar umas capadas na grama. Nova parada para retirar os resistentes do Nordeste. Todos invadiram o campo em meio à bodada. O técnico e o presidente dos “Botocudos” xingavam condenando a armação. Tumulto geral!

No 5 X 4 no pau e na tora

Foi uma noite inusitada, e o locutor já estava rouco de tanto gritar. Palavrão pra lá, palavrão pra cá, depois da parada forçada, o “Pedregulhos” logo empatou com uma cabeçada de “De Cabeça Dura”. Não tinha VAR, e tudo era mesmo decidido no grito.

Os gols foram saindo de lá e de cá, e depois de quase duas horas de primeiro tempo, o placar já marcava 4 X 4, com gols de “Caçamba” para “Pedregulhos” e de “Carcará” para o “Botocudos”. Os gandulas se viravam para repor rápido a bola para os donos da casa e sumiam quando era dos adversários.

Quando começou o segundo tempo, num lance claro de impedimento, “Gavião” marcou para o “Pedregulhos”, no pau e na tora e virou o escore para 5 X 4. A essa altura, o juiz não se atrevia a marcar nem pênalti. Era no vale tudo! Não demorou muito, e não se sabe de onde partiu, não é que entrou uma boiada no campo, conduzida pelo berrante de um vaqueiro do sertão! Em seguida veio uma tropa de tropeiros transportando mercadorias do agreste nordestino. Entre engaços e bagaços, meu amigo, uma bagaceira mesmo.

Quando tudo passou, o juiz deu prosseguimento à labuta do fim do mundo. Na escorada de uma bola alta, no empurra-empurra, na trombada para valer, o leão de chácara “Quebradeira”, numa trombada de sair sangue do seu marcador, empatou novamente para o “Botocudos”. É, minha gente, o ambiente já era de guerra, com cinco gols de cada lado.

Água, ambulância e refletores

Com todos os descontos, os minutos estavam correndo para os momentos finais, mas “Jararaca” recebeu uma bola cruzada no alto e entrou rasgando a defesa do inimigo, fazendo um gol para o “Pedregulhos”. Faltavam dez minutos para o juiz encerrar aquela tão pitoresca partida que ficou na história do esporte brasileiro quando começou a jorrar água do sistema de irrigação. Bem que o resto da maltratada grama estava precisando de um refresco.

Nova parada obrigatória até o problema ser resolvido. O “Pedregulhos” não queria mesmo perder aquela parada e tinha que fazer outra armação pra derrubar de vez o “Botocudos”. Numa entrada pesada, um jogador do time da casa foi ao chão e, de imediato, em disparada entrou uma ambulância no campo para socorrer o atleta. Depois que o veículo parou ao lado do campo, ele retornou ao jogo sem nada avisar ao juiz.

A coisa já estava feia mesmo! Os dois técnicos já estavam se esmurrando, e dirigentes entravam no tapa, quando os refletores do estádio se apagaram. A soldadesca teve que baixar o pau e separar os valentões. Mais uma hora de espera. Com quase cinco horas do seu começo, a partida já era a mais demorada de todos os tempos. Já entrava pela madrugada!

Quando as luzes se acenderam, o juiz tentou recomeçar a peleja, mas, naquela altura a equipe do “Botocudos” em protesto se recusou a retornar ao gramado, digo à terra batida porque tudo já tinha ido aos ares. Todos foram parar na delegacia, e o dinheiro da premiação sumiu. Ninguém sabe, ninguém viu. O gato comeu! Assim terminou o jogo mais pitoresco de toda história do futebol. Acredite, isso não é nenhuma ficção!

A QUESTÃO PASSA TODA PELA POLÍTICA E PELO SOCIAL NUM PACTO NACIONAL

Mais um ministro da Saúde (é o quarto) e mais dúvidas e incertezas de como ele vai se comportar diante do negacionismo da ciência do governo federal. Será que ele vai recomendar o isolamento social, e dizer que a cloroquina é ineficaz como tratamento precoce? Será que ele vai agilizar a vacinação no país, com mais compras de doses dos laboratórios?

Estamos no auge da pandemia, com os hospitais colapsados e milhares esperando uma vaga de leito. Milhares estão morrendo em casa e perdendo seus parentes porque vivemos num país sem comando onde cada governante toma suas próprias decisões, muitas das quais sem muito efeito, como esse toque de recolher e fechamento do comércio em finais de semana.

UMA NAÇÃO PERDIDA

Aos olhos do mundo, somos uma nação perdida, que leva risco a outros países. Na minha modéstia visão, tudo passa pela política e pelo social, num pacto nacional pela vida. Somos carentes de um grande líder estadista que convocasse toda nação a se unir nessa hora, onde os mais poderosos cedessem seus anéis em favor dos mais fracos, em favor da vida.

A solidariedade brasileira tem uma face falsa. Precisamos de um presidente que apele aos três poderes, aos grandes empresários e a todas as instituições no sentido de somar esforços para enfrentar esse vírus. Se estamos num cenário de guerra, como se diz, o Congresso Nacional, as Assembleias e as câmaras de vereadores deveriam cortar metade de seus salários e das verbas indenizatórias dos políticos, para minorar o sofrimento social de milhões que passam fome.

Os poderes judiciário e executivo, onde milhares ganham entre 50 a 100 mil reais por mês, poderiam também fazer o mesmo. Os grandes empresários e as grandes lojas têm lastro suficiente para dar férias remuneradas por pelo menos três meses, contribuindo para o isolamento. Como os banqueiros, já ganharam muito dinheiro nesse país, e seus donos possuem patrimônio e investimentos de sobra para bancar seus empregados, sem demiti-los.

Quem não têm condições são os médios, pequenos e os informais que continuariam funcionando, para não fecharem seus negócios. Isso reduziria, consideravelmente, a massa de gente nas ruas se aglomerando e se contaminando. Os setores essenciais continuariam suas atividades, e o governo federal faria também a sua parte com auxílios emergenciais, sem muito comprometimento fiscal.

No entanto, isso tudo é em vão e são palavras que se perdem no ar, como a minha proposta de não ter realizado eleições no ano passado. Deu no que deu. Por acaso, eles querem ceder alguma parte de seus bens para salvar vidas e colocar a economia do Brasil nos trilhos? Claro que não. São egoístas que colocam o material acima da vida. Eles foram criados nesse capitalismo selvagem onde só os fortes sobrevivem. Falam de solidariedade da boca para fora.

Você já viu grande empresário ou dirigente de entidade empresarial ir para as portas das prefeituras, ou para as ruas protestar contra as medidas de restrição? Quem estão lá na linha de frente são os pequenos e os informais que entram em falência se fecharem suas portas. Vão passar fome se fizerem isso. As grandes lojas e empresas não se abalam, e podem atravessar períodos difíceis.

Não temos um estadista sério, coerente e sensato que fale à nação com firmeza e seja respeitado. Não temos um primeiro-ministro, como o Winston Churchill, da Inglaterra, que uniu toda nação quando esta era diariamente bombardeada pelos alemães, e tantos outros que foram para as trincheiras da resistência.

Todos os dias, somos bombardeados pela Covid-19, e o que temos é um presidente que debocha do vírus, dos brasileiros, chamando-os de maricas; anda sem máscara; promove aglomerações; e nega a ciência. O que temos como resultado disso, é uma total balbúrdia onde idiotas ainda ficam discutindo partidos, se é de direita, de centro ou esquerda. O Brasil não deveria estar passando por esse sufoco, intubado numa UTI.

 

 

“A GENTE SÓ CONSEGUE PENSAR ESCREVENDO”

“A GENTE SÓ CONSEGUE PENSAR ESCREVENDO”

Esse pensamento, se não me engano, foi dito por um grande escritor norte-americano. Se não existe leitor, vai se escrever para quem? Do outro lado, se não existe escritor, também não existe leitor. Um depende do outro, e quem surgiu primeiro? É um caso para reflexão. Confesso que me identifico muito com esta frase.

Essa introdução é para comunicar aos nossos poucos leitores do blog www.aestrada.com.br, mas de fundamental importância, que estamos abrindo hoje (dia 12/03) uma nova coluna intitulada “ENCONTRO COM OS LIVROS” onde todas as sextas vou me comprometer, com toda modéstia, a comentar sobre um livro e o seu autor, como indicar outras obras, na tentativa de fazer minha pequena parte de incentivar a leitura.

No momento, estou lendo (gosto muito de história) “Uma Breve História do Mundo”, de Geoffrey Blainey, professor da Universidade de Harvard e Melbourne. É um grande historiador com mais de 35 livros, e este é um best-seller. Ele é autor também de “Uma Breve História do Século XX”.

Em “Uma Breve História do Mundo”, e também em seus outros trabalhos, Geoffrey adota uma linguagem didática e objetiva sobre a saga da humanidade, desde seus primórdios até os tempos atuais. De acordo com a Editora Fundamento, o autor descreve a geografia das civilizações e analisa o legado de seus povos.

Trata-se de uma viagem no túnel do tempo, de uma forma bem resumida e compreensível. Nele, o leitor vai entender como eram as noites dos primeiros nômades. Descreve ainda como surgiram as primeiras religiões, a carnificina das guerras e a ascensão e queda dos principais impérios.

Entre os capítulos, destacam-se “Vindos da África”, “Quando os Mares Começaram a Subir”, “A Cúpula da Noite”, “As Cidades dos Vales”, Senhor do Amarelo –Rei do Ganges”, “A Ascensão de Roma”, “Depois de Cristo”, dentre outros.

Aproveito a abertura dessa coluna para reapresentar minhas modestas obras até aqui, como “Terra Rasgada” (prosas e versos), “A Imprensa e o Coronelismo no Sudoeste”, “Uma Conquista Cassada”, uma pesquisa sobre como foi o regime ditatorial em nosso município, na Bahia, no Brasil e na América do Sul, e, por fim, “Andanças” – crônicas, contos, causos e poemas.

Nesse momento crucial dessa pandemia, minha produção tornou-se mais intensa com vários desafios em modalidades diferentes da arte, como a produção de vídeos de texto poéticos sobre a atualidade, com críticas políticas, sociais e comentários da vida cotidiana. A intenção é reunir todo esse trabalho num livro inédito de poemas, intitulado “NA ESPERA DA GRAÇA” – entre engaços e bagaços”. A publicação ainda esbarra na questão financeira, mas essa pandemia tem sido também um grande obstáculo para a concretização do projeto. Aos poucos vamos chegar lá.

 

AS VACINAS E O GÊNIO PASTEUR QUE REVOLUCIONOU A ARTE DA CURA (Final)

Durante a Idade Média, as epidemias da peste bubônica, varíola, tifo e outras doenças devastaram as grandes cidades da Europa. O primeiro passo para o controle foi o saneamento e a higienização, vindo em seguida a vacinação em massa do povo. Os recursos da medicina ainda eram precários.

As primeiras inoculações de vacinas só vieram acontecer por volta de 1796 pelo inglês ruralista Edward Jenner, o inventor da vacina contra a varíola (pústula), que foi erradicada em 1980, ou seja, 184 anos depois. Ainda estudante, em 1771, Jenner observou que a mulheres que ordenhavam as vacas contraiam a doença, daí a palavra vacina de o latim ser derivada vacca.

LÍQUIDO DAS BOLHAS

Em 1796, o cientista recolheu um líquido das bolhas das mãos das leiteiras e introduziu na pele de um rapaz voluntário que ficou imune à doença. Em 1885, o francês Louis Pasteur, o gênio das vacinas por ter aperfeiçoado outras, em parceria com o patologista alemão Robert Koch, criou a vacina contra a raiva, transmitida ao homem pela mordedura de um animal infectado. Conta que em vida ele frequentava o campo para tratar de doenças de animais e orientar os agricultores de como se proteger delas.

Somente pela metade do século XX se descobriu que as doenças infecciosas eram em decorrência dos germes e não do ar impuro como se pensava, isso graças aos estudos de Pasteur. Através de muitas pesquisas, se concluiu ser possível preparar vacinas através das culturas de microrganismos mortíferos.

Ainda no início do século passado, a partir da década de 20, se assistiu o desenvolvimento de vacinas contra a tuberculose, difteria, tétano, tifo, cólera e a febre amarela. Essas doenças sempre atingiram os países mais pobres dos continentes africano e as Américas do Sul e Central, caso mais específico da poliomielite e do sarampo. Muitas nações ainda não colheram os avanços da ciência nesse campo por descrença na ciência ou por falta de recursos financeiros.

Em 1888, Pierre Paul Émile, colega de Pasteur, demonstrou que é uma toxina produzida pela bactéria da difteria que provoca os sintomas graves. Em 1890/91, Emil Adolf e Kitasato conseguiram criar as antitoxinas contra a difteria e o tétano. A vacina da difteria só veio a ser comercializada em 1892. Esperou-se mais 40 anos até que fosse preparada uma vacina que protegesse as crianças saudáveis.

No final do século XIX e início do XX, era generalizada na Europa e América do Norte a contração da tuberculose durante a infância. A primeira vacina contra a tuberculose só veio em 1906 por Léon Calmette e Camille Guérin, investigadores do Instituto Pasteur, para ser utilizada em gado. Foi aplicada pela primeira vez em crianças, na França, no ano de 1922.

VACINAÇÃO CONTRA A VARÍOLA

Uma das grandes vitórias da ciência foi a vacinação contra a varíola. No século XVIII praticamente todas as crianças contraiam a varíola, com mortandade de cerca de 30% das atingidas. A vacinação só ocorreu em princípios do século XIX na Europa Ocidental. Ela, no entanto, permaneceu endêmica na África e na Ásia, até depois da II Guerra Mundial, tendo a Índia e a Indonésia sofrido surtos maciços.

Na década de 50, a poliomielite era a mais temida. A primeira vacina foi preparada pelo médico Jonas Salk, de Pittsburgh, e utilizada em 1954. Ela continha o vírus da pólio. Três anos depois, o virologista Albert Bruce Sabin deu início à vacinação com o vírus vivo da pólio.

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