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AOS ARTISTAS SEM SHOWS E COMO MANTER O ISOLAMENTO SOCIAL

Primeiro quero aqui saudar todos meus amigos e não conhecidos artistas, poetas, compositores e músicos que vivem de seus shows do dia a dia em bares, restaurantes e casas de eventos, os quais estão recolhidos em suas casas sem poder expressar sua arte e ganhar uns trocados que, forçosamente, nos privam de ouvir suas belas canções.

Também aos escritores e literatos, como é o meu caso, que estão sem puder vender e lançar seus livros, folhetos e cordéis por aí. Estão parados sem saber quando voltam. O nosso Sarau A Estrada também está de quarentena, e estamos com saudades de todos vocês amigos, mas continuamos produzindo alguma coisa de poesia em vídeo para relaxar e descontrair os companheiros nesses momentos tão difíceis. Nossa mensagem é nesse sentido porque a poesia também é vida, e não de contrariar as medidas de proteção.

Não estou aqui me referindo aos cantores “famosos” dos axés, pagodes, arrochas e lambadas do lixo que engordaram suas panças durante o carnaval e outras festas com o nosso suado dinheiro, e agora estão em suas mansões de luxo, embernados como os ursos polares que se alimentam numa estação e depois se recolhem em suas tocas até a próxima temporada de caça.

Para estes “ídolos” do povo, a mídia televisa faz entrevistas indagando como eles estão vivendo nessa época de crise, quando deveria se dirigir aos artistas que fazem e cantam uma boa música para alegrar aos frequentadores de bares, centros de cultura e casas de shows, que gostam de ouvir uma boa canção. Teve um que respondeu que passava o dia comendo. Quanta ironia! Por que a mídia não indaga como estes artistas de bares estão atravessando essa fase sem ganhar seus mirrados cachês?

Isolamento e a enxurrada de recomendações

Em nosso Brasil de tão profundas desigualdades sociais, de tanta gente carente e doente, de milhões que não sabem lidar com a internet e aplicativos, de mais de 13 milhões de desempregados e necessitados, dos que vivem do subemprego e informais ambulantes, é impossível manter um total isolamento social e mandar que todos fiquem em suas casas.

Os idosos aposentados precisam ir aos bancos para tirar seus proventos, para fazer suas feiras, e agora aqueles outros milhões que precisam sacar a ajuda social do governo federal, sem contar os que procuram um órgão ou entidade para fazer seus cadastramentos no aplicativo e até regularizar seus CPFs na Receita Federal. É difícil deter esse enorme contingente confinado em seus lares e barracos.

É uma realidade bem diferente de países ricos onde, além do econômico, têm outro nível de instrução, e a tecnologia funciona a contento. É verdade que as pessoas precisam manter um distanciamento um do outro nas filas, mas aí entra a questão psicológica e o medo de não ser atendido, ou até aproveitador oportunista passar em sua frente. São tantos os problemas!

Interditar uma agência bancária não pune o banqueiro. Ao contrário, ele se beneficia utilizando o dinheiro do cliente para fazer aplicações no mercado financeiro. Não é como uma casa comercial onde o empresário também perde. Existem nisso tudo muitas medidas feitas de modo atabalhoadas.

Outra coisa que venho observando são as enxurradas de recomendações vindas de epidemiologistas, infectologistas e médicos de vários naipes e instituições (antes condenavam a cloroquine e agora muitos receitam),  que terminam deixando muita gente ainda mais confusa, pirada e em pânico. Não entro nessa pandemia de recomendações, mas não vou me descuidar e deixar de preparar bem o meu corpo e minha mente, sem medo.

Generalizaram todos os idosos por faixa etária acima de 60 anos como grupo de risco, quando existem milhares em condições bem mais saudáveis que muitos abaixo dessa idade que têm doenças crônicas complicadas. Aí, a mídia fica o tempo todo só apontando os idosos que vão às ruas resolver problemas inadiáveis. Criou-se uma discriminação geral, e só falta criarem campos de concentração.

Outra coisa agora inventada pela grande mídia e fazer seu marketing para homenagear aqueles que continuam trabalhando em atividades fora da medicina. Estes deveriam até agradecer porque ainda estão ganhando uma grana para seus sustentos e de suas famílias. E os que estão totalmente fora do mercado, sem nenhuma condição financeira? Por que não entrevistar essa categoria para ver como essas pessoas estão vivendo? É sempre a mídia fazendo sua média. Muitos podem até não concordar comigo, mas procuro ser lógico e racional. Não engulo tudo que me mandam.

 

O ANO PERDIDO QUE NOS SEPAROU, O SÃO JOÃO E O DIA DO JORNALISTA

As imagens televisivas que correm o mundo mais parecem cenas de filmes de ficção apocalípticas no ano perdido que nos separou do convívio entre as pessoas, principalmente as mais próximas, amigas e até parentes. Não sabemos até quando tudo isso vai continuar, quando ainda os especialistas da saúde e cientistas falam em picos e milhões que podem ser contaminados.

Os noticiários, muitos deles até exagerados e sensacionalistas, as fake news, muitas das quais carregadas de intrigas políticas no Brasil, e toda essa gente mascarada em silêncio, de passos lentos, mantendo distância, fazem milhares penetrarem na sombra do medo, do pânico e do terror, quando é um grande mal para a mente.

Exercite a mente

Tanto quanto os cuidados com o corpo, ou até mais ainda, nessa crise de pandemia, a mente sadia, preparada e equilibrada é essencial para enfrentar esse quadro tão adverso da humanidade. Acredito que a leitura é um dos remédios que qualquer médico e psicanalista recomendariam.

Muitos entram em ansiedade e passam os dias em casa clicando redes sociais, ligados na televisão, ou comendo para passar o tempo (quem tem o que comer), o que piora mais ainda o estado geral. Outros poucos aproveitam para ler, escrever, realizar uma atividade física ou exercitar a sua arte, o que é benéfico para fortalecer o espírito e o organismo.

A situação mais grave ainda é dos pobres das periferias, dos informais, desempregados, ambulantes e trabalhadores temporários que têm que se preocupar com a questão da falta de dinheiro e com a possibilidade de serem também contaminados. São os mais vulneráveis que pedem um socorro urgente. Aliás, em qualquer tragédia humanas, são as maiores vítimas.

Não consigo entender como numa ocasião tão grave como esta, tem gente interesseira para se aparecer na mídia quando faz uma doação, e oportunistas para cometer fraudes, falsificações, passar fake news, aumentar preços dos produtos essenciais e furtar dos mais carentes.

Um grupo se juntou na BR-116 para doar quentinhas para os caminhoneiros. Não que seja contra, mas esta ação teria mais valia se fosse revertida para aqueles que estão, de verdade, passando fome porque perderam suas atividades informais do ganha pão. O caminhoneiro tem o seu valor nesse momento, mas está ganhando seu dinheiro e tem muitas condições de se virar. Não seria querer se aparecer demais? É a minha opinião. Enquanto isso, os governantes falastrões e demagogos cruzam os braços.

Sem o nosso São João

De um assunto para outro, mas dentro da mesma abordagem, talvez na história do Nordeste, onde a festa é bem mais forte, este ano seja o único em que não haverá o São João, tão esperado pela grande maioria que ama o evento, para brincar, dançar, soltar fogos, acender fogueiras, tomar quentão e licores, curtir as quadrilhas e ouvir o forró pé de serra numa autêntica sanfona, zabumba e triângulo.

Como vão ficar as maiores cidades de Campina Grande, Caruaru, Aracaju, em Sergipe, e as cidades baianas de Piritiba, Amargosa, Senhor do Bonfim, Santo Antônio de Jesus, Cruz das Almas, Alagoinhas e tantas outras que passam o ano todo se preparando para receber multidões de vários lugares, até do estrangeiro? É uma pena, mas tudo leva a crer que não teremos a tão sonhada festa do ano!

Eu mesmo vou ficar com muitas saudades, porque todos os anos sempre estou no aconchego da minha querida Piritiba, como amigos (olá Wilson Aragão) e parentes tomando umas geladas, uma cachacinha e comendo aquelas deliciosas comidas nas casas de Roquinho, Róssia, Diltão, João Rico e Leucia (olha aí a farofa d´água). Depois era só seguir o caminho da Praça Getúlio Vargas para forrozar.

O Dia do Jornalista

Para finalizar, o 7 de abril foi o Dia do Jornalista e, para não variar, nenhum veículo de comunicação tocou no assunto, ou fez qualquer referência à data. Em 50 anos de profissão, não tenho nenhum receio de dizer que não tenho nada a comemorar. Primeiro, o Supremo Tribunal Federal tirou a obrigatoriedade do diploma, e até o governo de esquerda tentou amordaçar a imprensa.

Agora veio o capitão-presidente para desclassificar os profissionais com seus xingamentos e preconceitos, esse mesmo fantoche e marionete dos generais, que deixou o pais sem comando nessa crise. Derrubou até a exigência do registro, e hoje qualquer um é jornalista, basta fazer uns textos vagabundos e cheios de erros nas redes sociais.

Infelizmente, nosso sindicato e a Federação Nacional dos Jornalistas entraram em decadência. Podem não concordar com minha opinião, mas é o que sinto. A profissão é nobre e fundamental para a democracia, mas não se faz mais jornalismo como antigamente.

Aqui em Vitória da Conquista, a mídia deixa muito a desejar, com matérias copiadas, requentadas, incompletas e mal elaboradas, mesmo depois da criação da Faculdade de Comunicação em Jornalismo pela Uesb –Universidade Estadual do Sudoeste, em 1998, que muito contribui para seu fortalecimento, quando era diretor e vice-presidente do Sindicato.  Desculpem a sinceridade!

 

 

 

“JANGO E EU” – AS AGITAÇÕES POLÍTICAS NO URUGUAI E SUA IDA PARA ARGENTINA ONDE MORREU (FINAL)

No início de 1970 as reuniões de estudantes no Uruguai eram mais politizadas. O processo de americanização estava bem acelerado. João Vicente já tinha uns 14 anos quando foi a Porto Alegre para o enterro do seu tio Moura do Valle.

Lembra que no Uruguai, as agitações políticas começaram após a morte de Che Guevara, em 1967, na Bolívia. Pelas ruas de Montevidéu já circulavam os tupamaros, contrários aos partidos de direita, como os colorados e os blancos. Os tupamaros começaram a agir na década de 60, inspirados em uma esquerda trotskista, maoísta e socialista. Alguns também foram influenciados pela revolução cubana de 1959. A presença de Guevarra, em 1961, na Universidad de la República, despertou mudanças nos jovens. Jango chegou a conhecer Guevara na base militar Irkutsk, na União Soviética.

As atividades clandestinas no Uruguai começaram no início dos anos 70, durante a presidência de Pacheco Areco, No país, os tupamaros desenvolveram a mais perfeita técnica de guerrilha urbana, com roubos e ataques a entidades de direita. A organização chegou a contar com 10 mil membros, conquistando a simpatia popular.

João Vicente lembra do seu companheiro de prisão Nacho Ignacio Grieco. Em 1970, a luta armada havia tomado dimensões maiores, com apoio estudantil. Pacheco Areco transferiu o combate aos subversivos para as forças armadas. Nesse ano, Vicente ele conheceu Stella com quem se casou em maio de 1976.

Em 1971, o Uruguai já vivia um ano pré-eleitoral e Pacheco Areco governava com medidas de segurança, As eleições foram realizadas numa linha de tensões. O principal adversário de Areco, do Colorado, era Wilson Ferreira Aldunate, do Partido Nacional, que contava com a simpatia das esquerdas, que lançaram o general Líber Seregni. Nas eleições, houve mais votos que eleitores. Com a fraude (apoio da ditadura brasileira através de Geisel), Wilson perdeu para Bordaberry, que depois tomou um pé na bunda dos militares. Aldunate se exilou na Espanha.

Na França em 1972, Glauber e eleições no Uruguai

João Vicente retornaria a França com seu pai em 1972 para refazer os exames, ano em que houve novas eleições uruguaias. Jango foi a França por precaução. Aproveitou para retomar os contatos com alguns brasileiros, como Celso Furtado, Luiz Hildebrando, um grande cientista que chefiou a equipe do Instituto Pasteur, Márcio Moreira Alves, Maurílio Ferreira Lima, Glauber Rocha, Hermano Alves e David Lerner. Comentou também sobre Luis Salmerón, diretor do Instituto de Energia Atômica da França, e tantos outros que deixaram o Brasil.

O governo brasileiro estava numa fase de repressão violenta, com a censura à imprensa, e Médici fazia-se de popular nos estádios com o “milagre brasileiro”, e Delfim adotava a política da economia crescer para depois dividir o bolo, o que nunca aconteceu. Celso Furtado lecionava na Sorbone e tinha saudades do seu sertão da Paraíba. A dívida externa brasileira era de 10 bilhões de dólares. A inflação chegava a 68%. Esperava-se o retorno de Perón e as eleições no Chile, com Salvador Allende.

Num restaurante, em Paris, na Champs-Elysés, Jango encontra com Glauber e David Lerner numa mesa animada. Glauber se dirigiu a Jango com afeto dizendo que “agora vamos encontrar uma solução para derrubar os milicos. Vamos incendiar o caminho deles”. Revelou que estava com vontade de escrever sua primeira peça de teatro e inauguraria o repertório com Jango.

Disse ser uma peça em três atos, numa mistura da história com os personagens, a comoção política e a mudança revolucionária. O terceiro ato seria “teu velório e o povo comendo teu cadáver”. De fato, a peça foi escrita por Glauber, que chamou João Vicente para um canto e o convidou para ir para a Itália onde estava filmando, mas o pai não deixou. Em 1972, Glauber ainda passou em Punta del Este para visitar Jango, e de lá para Cuba. Em 1974 houve outro encontro com Glauber na França.

Quando Jango e seu filho retornaram ao hotel, por volta das dez da noite, tocou o telefone informando que Glauber estava no bar do hotel com algumas convidadas, entre elas Norma Bengell e outras fãs do presidente. Glauber estava muito eufórico, e Jango acreditava nele como um artista intelectual que poderia influenciar uma transformação política e cultural no Brasil.

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UM BANDO DE FALASTRÕES

Desde o final de janeiro (dois meses se passaram) que o país já tinha uma vítima do coronavírus, o Covid-19 (Coronavid), e os governantes liberaram a realização do carnaval em todo território brasileiro no final de fevereiro, facilitando a entrada de milhares de estrangeiros. Os falastrões e demagogos só pensaram em gastar muita grana, fazer política e encher os bolsos dos mais ricos, como donos de hotéis, de agências de viagens, de blocos, de camarotes e de trios elétricos.

Os pobres caíram dentro da folia, e outros, coitados, aproveitaram para ganhar uns trocados com suas barraquinhas de bebidas e comidas. Caso o governo proibisse a festa (seria o mais sensato), creio que uma multidão iria às ruas protestar, e cairiam de pau levantando a bandeira de manter o carnaval.

O pico do vírus começou a subir a partir de março e, há quase um mês, os falastrões prometem socorrer os desvalidos informais, ambulantes, trabalhadores temporários, desempregados e outros invisíveis para a economia. Por que não citar aqui também os profissionais do sexo e outras atividades esquecida e em extinção, como sapateiros, alfaiates e relojoeiros?

A mídia esqueceu

Para começar, a grande mídia burguesa esqueceu dessas categorias desamparadas dos morros, dos barracos e das favelas e mirou suas metralhadoras falantes apenas na questão dos cuidados de combate ao coronavírus através do álcool gel e do isolamento social, como se a saúde estivesse desassociada da economia.

Passaram todo tempo mandando que as pessoas ficassem em suas casas, mas não foram lá ver como essas pessoas necessitadas estavam se virando para se alimentar, sem dinheiro e até sem condições de comprar álcool e sabão para lavar as mãos. A situação é tão crítica que em muitos bairros periféricos falta até agua para beber.

Somente agora essa mídia está abrindo um pouco de espaço para essa gente em estado de miséria, mas o assunto em foco, no momento, é sobre o uso de máscaras, e que cada um faça a sua. Esqueceram até do álcool gel, e tome falação com médicos e infectologistas, enquanto milhões estão passando fome e ainda mais expostos se forem contaminados.

Tive que ir à rua ontem (dia 3/04), em Vitória da Conquista, para resolver um problema de grana para continuar sobrevivendo e vi muitos camelôs tentando vender frutas e outras coisas para ganhar um dinheirinho, mas sem quase nada conseguir. Ora, “carapálidas”, como mandar que fiquem em casa quando falta comida para suas famílias, inclusive crianças?

Cadastros do Sebrae e outros

Na área federal, a burocracia vem falando mais alto na lentidão da sanção da medida econômica, em sua publicação e agora como fazer essa distribuição do dinheiro para os necessitados. A ajuda já está chegando tarde demais, mesmo para aqueles que têm o Bolsa Família e são cadastrados no tal CadÚnico. Imagina para aqueles que não estão incluídos nestes sistemas!

O anúncio é que vão criar um aplicativo na próxima semana para essa gente invisível se cadastrar e poder receber os 600 reais. Com certeza, essas pessoas vão penar para se inscrever através da internet, e milhares ficarão de fora do plano. Por que não utilizar o cadastro de outras instituições, como do Banco Central, do Sebrae (microempreendedores do MEI), instituições financeiras, INSS e até mesmo dos sindicatos e associações de bairros e da zona rural?

O ministro Paulo Guedes critica aqueles que estão denunciando a lentidão e a burocracia, dizendo que não é hora de se fazer política. Concordo neste ponto, de que o momento é de união de todos, mas não podemos negar que o governo federal (sem comando) está emperrando a agilização na liberação desses recursos. Mais uma vez, senhor ministro, a fome não espera e ninguém pode ter saúde sem dinheiro!

 

A FEIRA NOS TEMPOS DO CORONA

A feira livre, como a do Bairro Brasil aos sábados e domingos, é um ponto de encontro saudável em todos os sentidos, tanto para a saúde, através de alimentos mais naturais, como para um pate-papo, um aperto de mão e abraços entre amigos e conhecidos, mas nestes tempos do coronavírus, o Cobid-19, ou o Coronavid, como costumo chamar, está muito difícil e arriscado porque os especialistas, infectologistas e médicos recomendam distanciamento. Como é bom este ambiente caloroso da feira! Quando posso sempre estou lá para fazer umas comprinhas, rever amigos e tirar umas fotos, é claro, como este flagrante. Feira é vida, simplicidade das pessoas e gostoso onde se encontra de tudo, desde frutas, carnes, peixes, frangos, pimenta e muitas outras novidades. Vamos torce que esses encontros voltem logo para sentirmos as pessoas mais de perto nesse circular de lá pra cá, jogando conversa fora. Foto de Jeremias Macário.

QUEM É ESTE CORONAVID?

Poema inédito de autoria do jornalista Jeremias Macário

e pode ser ouvido também  no vídeo do blog.

 

Sabe quem é este tal de Coronavid,

Que de dezenove passou pra vinte?

Sei lá, só sei que veio do lado de lá,

Lá da China coroa de olho apertado,

E o coroa foi do mundo o mais falado,

Na previsão vista por Nostras Dames,

Na profecia de Raul que fez a terra parar,

Como bandido a vagar solitário pelo ar,

Roendo a vida e todo esse capital do mal.

 

“Vai canoeiro, vai canoeirar” pelo mar,

Viva a beleza das cores do meu sertão,

Que sempre tem aquela sábia lição,

Levanta e sacode a poeira estradeira,

Não convide o Coronavid para entrar,

Dê mel, água sabão e o álcool gel,

E sem medo e pânico, ele vai recuar,

Como o satanás corre longe da cruz,

E o vampiro foge no clarear da luz.

 

Quem é este invisível de cenas apocalípticas?

De seres mascarados, de olhares baixos distantes,

De passos lentos como uns teleguiados robôs,

Nas avenidas e nas catacumbas dos metrõs,

Que bagunçou e revolucionou todas as críticas,

De falastrões, apresentadores e governantes,

E ainda criou separação, isolamento e terror,

Foi tudo isso que o animal humano inventou.

 

Quem é este tal Coronavid que mata a vida?

Só sei que nem os super-heróis americanos,

Com seus poderes lança-fogos, não derrubou,

Só o cangaceiro Lampião, cabra nordestino,

Com seu punhal afiado o seu bucho perfurou,

E mandou seu destino, intestino pro inferno,

Lá pra China onde o facínora saiu da esquina,

Do frio inverno amargou sua perversa sina.

 

Lembre-se da canção do José. E agora José?

Ficar em casa com fome, nos come os falastrões,

No bate-boca dessa corja de tantas demagogias,

Dessa suja casta de nobreza e tantas mordomias,

Que sempre deram as costas para nossa pobreza,

Com suas toscas ideias fascistas e baratas filosofias,

E também de esquerdistas de pegajosas frias jias,

Com seus discursos que vivem a nos garrotear,

“E agora José, você José, que zomba dos outros”,

Com a chave na mão, até quando vão nos ferrar?

UMA OBRA TERMINAL E O CORONA

Logo agora em plena pandemia, a Prefeitura de Vitória da Conquista inicia uma obra de reforma do Terminal da Laura de Freitas, numa área terminal porque dentro de mais cinco ou dez anos já estará toda fumaçada, poluída e saturada diante da demanda de passageiros, em decorrência do crescimento populacional da cidade.

Não sou engenheiro, nem arquiteto e urbanista. Sou um simples jornalista-cidadão, mas sempre questionei que Conquista já está a necessitar de um outro terminal de ônibus coletivos, noutro espaço maior, visando um atendimento para um futuro daqui a uns 20 ou mais anos. O atual Terminal passaria a ser um calçadão urbanizado, com quiosques, e as vias laterais seriam utilizadas como transbordos de passageiros.

Embora não conte com o pensamento dos comerciantes, e até de centenas de pessoas, esta é a minha opinião. Na maquete tudo é bonitinho, e muita gente se encanta e se impressiona pelo visual, mas os moradores usuários dos transportes vão continuar espremidos, e a fuligem dos carros logo vai tomar contar, sem considerar a poluição visual, sonora e o aperto de muita gente.

POR QUE NÃO PRORROGAR?

Sei que essa minha posição não conta, nem vai ser levada em consideração, mas, por que o executivo municipal não prorrogou o início do projeto, tendo em vista a atual situação de pandemia do coronavírus, o Covid-19, ou Coronavid, como venho chamando? Quando se decreta o fechamento de lojas, o isolamento social e se pede para se evitar aglomerações, o prefeito não deveria dar o exemplo, não abrindo mais frentes de trabalho na construção?

No primeiro dia de desmonte do velho terminal, criou-se um tremendo transtorno para quem ainda saiu às ruas e precisou do transporte coletivo. Imagine uma obra com vários operários durante este período, quando os especialistas em saúde estão prevendo que a situação pode piorar mais ainda!

A impressão que passa é que o prefeito está mais preocupado em tocar seu projeto, do que acudir os mais necessitados (informais, ambulantes, desempregados, trabalhadores comissionados e intermitentes), que foram obrigados a parar suas atividades, e estão a precisar de ações sociais e financeiras, principalmente de ajuda para se alimentarem.

GOVERNO ESTÁ EMPERRANDO

Considero uma insensatez jogar dinheiro do contribuinte agora numa obra desse porte quando a saúde pública se encontra em frangalhos e pode entrar num colapso com esse vírus se espalhando. Sabemos que os hospitais e os postos de saúde que atuam na área do município funcionam em estado precário para atender os doentes em tempos normais. O momento seria de focar na questão de montar leitos, adquirir mais equipamentos e ampliar a estrutura para socorrer as possíveis vítimas do coronavírus.

Como uma coisa leva a outra, o governo federal do capitão-presidente, do qual o prefeito é coligado, está emperrando o quanto pode a liberação dos recursos para as pessoas que estão na linha da pobreza, milhões até já passando fome por causa do isolamento e fechamento comercial das cidades.

Há três semanas que venho falando que as medidas na área da saúde tinham que vir alinhadas e acompanhadas das econômicas, porque não é só mandar as pessoas ficarem em suas casas. Não existe isso de primeiro a saúde e depois o dinheiro. Os dois são prioritários porque ninguém pode ter saúde sem grana para comprar comida, remédios e produtos básicos à sua subsistência.

Esse apoio financeiro, imprescindível para a população vulnerável, vem sendo burocratizada, numa lentidão que parece ser proposital até a pandemia se acabar depois de matar milhares e milhares de brasileiros. Estamos diante de um governo da morte que vai de encontro a todas as recomendações médicas e científicas.

 

 

 

JANGO E EU – A VIDA NO EXÍLIO E A REFORMA AGRÁRIA (II)

“JANGO E EU” – A VIDA NO EXÍLIO E A REFORMA AGRÁRIA (II)

Em janeiro de 1965, a família alugou uma casa que se chamava “El Ventisco”, em Playa Brava. Entre 1966/67 foram morar na casa “La Rinconada”, mais distante, mas também na Playa Brava. Se dividiam entre o apartamento Leyenda Patria, em Montevidéu, a fazenda “El Rincón”, em Tacuarembó, e a casa de veraneio em Punta del Este. Tempos depois, Jango comprou uma fazenda em Maldonado, “El Milagro”, e três aviões financiados. Tacuarembó era refúgio de brasileiros que atravessavam a fronteira seca fugindo da ditadura (chegada de exilados clandestinos).

O engraçado em tudo isso foi que a ditadura soube da aquisição dos aviões e ficou preocupada que Jango fosse invadir o Brasil com três teco-tecos. Solicitou ao governo uruguaio que proibisse, alegando risco à segurança aérea do Brasil. O Uruguai havia entrado num processo inflacionário.

O suposto filho

João Vicente, o autor do livro, nos conta a história do suposto filho que Jango teve na juventude, o Noé Monteiro da Silveira que, na verdade, era do seu avô Vicente Goulart com a empregada da fazenda. Ele queria ir visitar o “pai”, mas Jango barrou. Ele explicou para o filho que o Noé era seu irmão, mas que teve uma filha.

Foi a primeira investigação de paternidade no Brasil feita apenas com testemunhas. O juiz disse que não era possível reconhecer a paternidade por mera semelhança. O processo foi parar na terceira turma de desembargadores do Rio Grande do Sul. Noé ganhou a causa. “Uma farsa que virou realidade ”-ressaltou Vicente. Em 1983 foi feito um acordo, e o desembargador recebeu 400 hectares da fazenda “São José” como honorários. João Vicente era deputado estadual pelo Rio Grande do Sul (PDT) e seus bens foram bloqueados. O interventor das propriedades foi o Cirne Lima.

João Vicente ameaçou ir à Tribuna e denunciar os subornos da Justiça. O presidente do Tribunal de Justiça, Bonorino Butelli deu um ultimato ao seu partido, o PDT: ou ele se desculpava, ou denunciava o desembargador. Foi aí que entrou na jogada o seu tio Brizola, governador do Rio de Janeiro. Ele e seu advogado foram ao Rio e Brizola contornou a situação através da política. Com a exumação dos restos mortais do pai, João Vicente conseguiu o DNA dele e fez o seu também, mas o Noé se negou.

Os tempos em que viveu no Uruguai

No capítulo “As Esquinas das Cidades”, o autor da obra descreve os tempos em que viveu no Uruguai e lembra dos velhos amigos, como do Queruza, o Itar Nery Gutierrez, que tentou roubar a fazenda “El Milagro”, em Maldonado, e terminou trabalhando para seu pai. Recorda quando seu pai teve um infarto em 1968. Raul Riff, seu ex-ministro do Trabalho, esteve ao lada da cama no apartamento Leyenda Patria. “Era com Riff que meu pai dividia os maiores desafios”. Quando Jango enfartou, o professor Zerbini e o médico Macruz foram a Montevidéu examinar o seu caso e montaram no Uruguai a máquina de coronariografia, no Hospital Americano. Em Lyon, Jango começou a se tratar com o professor Fremont, no Hospital de Cardiologia, uma vez por ano. No ano anterior (1967) havia recebido o Lacerda em Montevidéu, que se desculpou pela sua atuação política.

Na época, Brizola deu declarações ferozes afirmando que Jango havia traído o trabalhismo, e que ele estava enterrando sua trajetória. Segundo ele, o negócio do tio era a luta armada, e montou “Caparaó”, no Espírito Santo, lá do exílio. Depois da Frente Ampla, a ditadura baixou o AI-5. Mesmo assim, o ex-presidente se articulava com Perón no exílio, com o senador Salvador Allende, no Chile e alguns militares no Brasil. Em 1967, Vicente cita que, em uma entrevista a uma revista da antiga Iugoslávia, ele deixou clara sua paixão pelo Brasil e admiração ao seu líder Getúlio Vargas. Foi quando comprou a fazenda “El Milagro”, em Maldonado.

Foi por volta de 1968/69 Jango começou a ir ao Paraguai e visitar Assunção. Ele e o filho foram para o Hotel Paraguay, mas o Toto e Ito Barchinni, ligados a Stroessner, por ordem superior, os levaram para a casa do Ito onde ocorreu um encontro com o presidente Stroessner. Os dois recordaram as conversas que tiveram naquela época na fazenda “As Três Marias”, de propriedade de Jango, no Pantanal.

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UMA NAÇÃO SEM COMANDO

A sensação que temos é que nosso país vive à deriva. O capitão-presidente diz uma coisa, e o seu ministro da Saúde diz outra. A população, então, fica atordoada e sem rumo. No Quartel General do Palácio do Planalto, a impressão é que ele não passa de uma marionete, e isso ficou bem claro na coletiva à imprensa, onde o ministro Luiz Henrique Mandetta estava cercado de generais, lembrando os tempos da ditadura, com censura nas perguntas dos repórteres.

A indagação dirigida ao ministro da Saúde, se ele permaneceria no Governo, diante desse conflito, foi respondida pelo general, que garantiu a sua continuidade no cargo. Na história do Brasil, nunca vi esse desencontro público entre um subordinado e o seu chefe maior. Do outro lado, uma cúpula do governo quer fazer funcionar seu tosco fascismo, cerceando as informações, deixando-as mais ainda confusas, onde muitas já não são confiáveis, inclusive sobre o número de mortes.

A pobreza é quem mais padece

Enquanto perdura esse estica-estica pra lá e pra cá do povo, o socorro econômico aos mais vulneráveis, os informais, autônomos, desempregados e trabalhadores temporários anda a passos de cágado, envolto em toda aquela sombra tenebrosa da burocracia política brasileira tupiniquim. Esse isolamento social, sem o alimento de cada dia, pode gerar um caos, e levar a invasões a supermercados e mercados. Se o coronavírus, que não escolhe faixa etária, nem classe, avança, a fome não pode esperar por mais tempo.

Em meio a este mar de mordomias do Congresso Nacional, das assembleias legislativas dos estados e das câmaras de vereadores, sem falar dos poderes judiciário e executivo, abarrotados de muita gente ganhando os supersalários, a pobreza padece em seus mocambos e barracos nas periferias e favelas, principalmente nas grandes cidades do país.

Eles não abrem mãos de seus privilégios, nem para reduzir suas polpudas remunerações nesses tempos de “guerra” contra o coronavírus, o Covid-19, ao qual dei o nome de Coronavid, e ainda emperram para mais longe a agilização das medidas de aporte financeiro, que já deveriam há muito tempo terem sido colocadas em prática. Esses bandos de bandidos deram as costas para a pobreza. São os demagogos da morte.

Em nosso Estado da Bahia e em Vitória da Conquista, particularmente, a estrutura da saúde é deficitária e, tanto um lado como o outro, não passam de falastrões, que vão fazer isso e aquilo, mas tudo não passa de projetos que não saem das intenções e, a única coisa que sabem é mandar o povo ficar em casa e lavar as mãos com sabão e álcool gel. O resto que se lasque, se vão ter comida em casa, ou não.

Nos hospitais faltam quase tudo e, como sempre nesses momentos de catástrofes e tragédias humanas, aparecem os gananciosos usurários que aumentam os preços de máscaras, álcool gel e outros produtos médicos em mais de mil por cento. São piores que criminosos bandidos, os quais  deveriam ser sentenciados a prisão perpétua.

 

 

 

Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário





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