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PLANETA LIXO

O nosso planeta terra, que bem poderia ser chamado de água, como bem retratou o cancioneiro Guilherme Arantes, poderia também ser denominado de lixo, de tanto o homem sujar em nome da ganancia do lucro e da economia, sem se importar com a destruição do meio ambiente. A foto do jornalista Jeremias Macário, no município de Ituaçu, espelha a situação da maioria das cidades brasileiras que não têm aterro sanitário e jogam o lixo na terra, sem o devido tratamento. Como bem diz o título, é o planeta lixo em que a nossa terra está se transformando, principalmente os resíduos tóxicos, como os hospitalares, os plásticos e os eletrônicos. Ninguém quer saber de reduzir o consumo, mas produzir cada vez mais. O que será das novas gerações? Deixarão de existir porque a terra não suportará com tantas sujeiras, sem contar o aquecimento global advindo do gás carbônico.

FLOR E DOR

Vou contar pra você, seu moço!

Quando ainda ginasiano,

No declinar do verbo latino

Ouvia falar e ainda ouço

Que toda poesia

Como piano, a flauta e o violino

Que comandam a sinfonia

Tinha que ter flor, luar e amor.

 

O poeta tinha que saber imitar

O canto do sabiá e da cotovia;

Tinha que ser melancólico,

Pálido, alcoólico e doente;

Ser o pôr-do-sol poente

Pra falar da angústia,

Dor e sofrimento da gente;

Viver como um bem-te-vi;

Andar como cigano;

Ser boêmio e até insano;

Passar noites sem dormir,

Como um penado zumbi;

Ser bem íntimo da morte;

Isalar o cheiro da depressão;

Abalar todo coração

Das mulheres românticas

Doces, sensuais e platônicas;

Ser a cápsula do tempo;

Comer dos manjares dos deuses;

Ser irmão do ar e do vento;

Renegar todo sacramento;

Ser orvalho do amanhã sereno;

Conversar com Zeus;

Provar de todo veneno;

Entender os fariseus,

E pelo menos ter

Uma musa inspiradora,

Não importando,

Se obtusa, confusa ou pecadora.

CÂMARA PRORROGA EMPRÉSTIMO E MONITORES ESCOLARES PEDEM APOIO

Numa sessão que começou com atraso de uma hora, marcada para às 9 horas de ontem (16/10), por causa de conversações em reservado entre seus parlamentares, a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista prorrogou por mais tempo a votação do empréstimo de 60 milhões de reais à Caixa Econômica Federal, solicitado pela Prefeitura Municipal, para realização de obras de cobertura asfáltica e iluminação em vários bairros da cidade.

Na abertura dos trabalhos, o presidente da Casa, Luciano Gomes, explicou que o adiamento da votação foi feito pela prefeita em exercício, Irma Lemos, mas o fato é que ainda não existe um consenso para o fechamento do acordo entre os vereadores, para levar o projeto à apreciação da plenária.

A oposição alega que o empréstimo pode endividar mais ainda os cofres do município, cujo executivo acabou recentemente de tomar 45 milhões. Na verdade, os parlamentares estão de olho em suas emendas, para beneficiar suas localidades e garantir votação nas próximas eleições de 2020.

Os monitores pedem ajuda

Enquanto se discute o empréstimo de 60 milhões, os monitores da educação, na totalidade de mulheres, fizeram, ontem, (dia 16/10) um movimento em frente da prefeitura, e depois rumaram para a Câmara onde usaram a Tribuna Livre para pedirem ajuda do legislativo, no sentido de que a classe seja reconhecida em seus direitos profissionais.

Acima de tudo, as monitoras querem aumentos salariais através de um plano de cargos para a categoria, argumentando que o profissional da educação trabalha hoje com um planejamento pedagógico, muito além de brincar e cuidar das crianças, e que muitas têm até formação de pós-graduação. Falaram da responsabilidade que exercem nas creches, sem o devido reconhecimento por parte do poder público.

Logo após expor suas carências nas escolas municipais, com atividades cansativas durante o dia a dia, as monitoras entregaram uma minuta de solicitações ao presidente da Câmara e seguiram em protesto para a sede da Secretaria da Educação, com o mesmo objetivo.

Saudação aos professores

Como terça-feira (15 de outubro) foi comemorado o Dia do Professor, os vereadores, que usaram da palavra, aproveitaram a sessão dessa quarta-feira para saudar a classe, hoje tão desprestigiada no país diante das dificuldades postas pelo sistema educacional deficitário, sem contar a violência existente nas salas de aula. Com já se sabe, o Brasil tem hoje um dos piores índices no ranque da educação, em relação a outras nações do mundo, principalmente as mais civilizadas. O ensino tem uma baixa qualidade, sem levar em conta que os professores ainda são mal remunerados e penam muito para dar conta de seu árduo ofício.

DEPOIS DAS CHAMAS, O ÓLEO

É, o Brasil virou um território de tragédias e uma sucessão de absurdos por conta dos governantes que tivemos nos últimos anos, com roubalheiras e escândalos. O povo sempre leva a pior num completo cenário de impunidades. Uma catástrofe vai roubando a cena da outra, como a Amazônia em chamas, e agora o desastre do óleo nas praias do Nordeste e o desabamento num prédio de sete andares em Fortaleza, no Ceará.

Não dá para acreditar nessa de que Deus é brasileiro. Aliás, Ele não tem nada a ver com as trapalhadas dos trapalhões que há séculos fizeram do nosso país uma terra de ninguém. Criminosos mais procurados em outras nações entram em nossas fronteiras, e só muitos anos depois é que descobrem. Agora vem o óleo do mar sujar nossa costa nordestina e ninguém sabe detectar qual navio despejou essa carga poluidora e destruidora do meio ambiente.

SEM PROTEÇÃO

A sensação que temos é que o nosso Brasil não tem vigilância e proteção. O tráfico de drogas e armas corre solto nos limites do Paraguai, Bolívia e Colômbia, principalmente. Gostaria de saber, qual o papel fundamental das forças armadas (exército, marinha e aeronáutica)? Defender o país de ações maléficas externas, ou ficar combatendo marginais e bandidos nos morros e apagando fogo nas florestas?

Na época da ditadura civil-militar de 1964, que durou mais de 20 de terror, o maior inimigo era o interno, chamado pelos generais de comunistas e terroristas. E agora, os brasileiros continuam ainda sendo os maiores inimigos? Temos hoje uma pátria desalmada e não amada, como diz o slogan.  Uma pátria que não cuida de seus filhos, não merece ser chamada de amada.

Mas, vamos ao caso do óleo derramada no mar que atingiu todo o Nordeste, sempre essa região sofrida levando a pior, porque ninguém mais comenta o fogo que destruiu milhares de hectare da Amazônia. Depois de mais de um mês do ocorrido, todos órgãos e instituições, chefiados por incompetentes, ficam a bater cabeça, e só dizem que o produto tem procedência venezuelana. Cadê a nossa briosa marinha que até o momento não conseguiu descobrir qual navio cometeu o ato criminoso, que nem isso tem certeza se foi, ou um acidente.

SEM RESPONSÁVEIS E PUNIÇÃO

Aqui é o reino da impunidade, principalmente agora que o homem psicopata e despreparado de extrema-direita deu a senha para a destruição da natureza e incentiva até crianças andarem armadas. Se estava ruim, agora piorou mais ainda. Na nossa “pátria amada”, sempre está desabando um prédio com inúmeras mortes, como agora, em Fortaleza. Aliás, como tantos outros, o edifício de sete andares nem existia, porque há 40 anos não tem registro e alvará na prefeitura.

Logo que a desgraça acontece, a mídia começa a entrevistar Corpo de Bombeiros, Conselho de Engenharia, prefeitura e outros órgãos, e nunca aparece os verdadeiros responsáveis porque um fica jogando a “batata quente” para o outro. Se não existe responsáveis, também não há punição, e logo ocorre outro desmoronamento com 10, 20 e até mais de 50 mortes. Aí começa o “blábláblá” de sempre.

Só para lembrar, meus amigos, o Supremo Tribunal Federal, o Tribunal Superior de Justiça, a própria Câmara dos Deputados e o Governo juntos vão abrir as portas para soltar os poucos punidos pela Operação Lava Jato, acabando com a prisão dos julgados em segunda estância. Agora o criminoso vai poder recorrer “ad infinitum” até prescrever. Uma coisa é certa, só vai beneficiar os ladrões e bandidos de colarinho branco.

 

UM BRASIL VIOLENTADO E CENSURADO

Lá vamos nós outra vez nessa “gangorra desse vai e vem…” como bem expressou o poeta angustiado e profeta baiano Raul Seixas. A maior parte desses 519 de história, tivemos um Brasil proibido, violentado e censurado, no vai-vem do fechamento e da abertura de suas portas, com algumas janelas cerradas. Durante mais de 300 anos vivemos sob o jugo de Portugal que proibia até a instalação de uma gráfica nesse território de submissão e opressão.

Portugal proibia a instalação de tipografia e a publicação de qualquer material impresso, sem a permissão do rei. No entanto, em 1706, Pernambuco tentou montar máquinas tipográficas, mas sem sucesso por causa da proibição. Em 1747, no Rio de Janeiro, houve outra tentativa de Antônio Isidoro da Fonseca, que foi condenado, preso e exilado.

Veio D. João VI, em 1808, e trouxe em sua bagagem todo material tipográfico necessário para montar na colônia a Impressão Régia, visando divulgar atos e acontecimentos da corte. Aparecia aí uma réstia de luz da liberdade no fundo do túnel. A imprensa no Brasil surgiu mesmo em junho de 1808, com Hipólito José da Costa, com o Correio Brasiliense, cuja impressão era feita em Londres e entrava no Brasil de forma clandestina.

O país viveu a monarquia até 1889 e ingressou numa República atabalhoada de governantes ora liberais, ora ditatoriais, como dos 15 anos de Getúlio Vargas (1930 a 1945) e os mais de 20 do duro regime civil-militar, implantado pelo golpe de 1964. Quem ler a história vai perceber que a maior parte desses 519 anos foi de opressão e censura. O povo terminou incorporando o complexo de vira-lata de Nelson Rodrigues, e sempre baixa a cabeça para qualquer senhor-patrão.

A VOLTA DA CENSURA ESCANCARADA

Por volta de 1985 entramos numa fase da redemocratização lenta e gradual. As ideias se evoluíram e lá fomos nós se deleitar com a liberdade de expressão e criação até pintar agora, em 2019, o governo de um capitão despreparado e trapalhão que começa, aos poucos, a censurar novamente o Brasil, em nome moralizante dos bons costumes morais, da família, dos jovens e da pátria, com uma ideologia ultraconservadora, que ele próprio nega não ter.

Ai, meus amigos, volto ao nosso poeta-profeta Raul quando diz “essa estrada não tem saída”… e tem gente que “agrada a Deus, fazendo o que o diabo gosta”… “Fecha a porta, abre a porta”. …“quero saber o que você estava pensando”. …”Se você correu tanto e não chegou a lugar nenhum, bem-vindo a século XXI”. Não vou ficar aqui o tempo todo citando o poeta cantor e compositor. É só ouvir as verdades do cara, pois “quem sabe faz a hora, não espera acontecer, ” como bem desabafou Geraldo Vandré, nosso Bob Dylan do sertão que, junto com José Ramalho, falaram de povo marcado como gado, sendo conduzido para o curral da matança.

Novamente, em pleno século XXI, estamos sendo ferrados com a censura por inquisidores e defensores da tortura que acham que estão em plena Idade Média, quando milhares, a partir de 1184, pelo Papa Lúcio III, foram punidos, torturados e queimados na fogueira pela Igreja Católica, toda vez que alguém não aceitava os ensinamentos da mencionada instituição. Engana quem acha que a inquisição passou, e o pior ainda é o silêncio da grande maioria, principalmente, de artistas e intelectuais do Brasil, submisso e oprimido.

O cara começa cortando qualquer trabalho artístico que se refira à comunidade LGBT, ou, no seu conceito, seja imoral e fora do seu pensamento ideológico, cujo patrocínio venha de um órgão oficial ou empresa estatal, como se fossem propriedades dele e não do povo. Brotam, apenas, algumas meras tímidas reações. Foi dado o primeiro passo para ele introduzir, oficialmente, a censura geral a qualquer obra, mesmo que seja independente, ou promovida pelo setor privado.

NA SOLEIRA DA PORTA

Quem viver, verá a porta se fechar por completo. Alguém aí lembra do poema de Maiakovski que fala sobre o sujeito que invade seu quintal, seu jardim de flores e você nada faz, até que um dia ele entra em sua casa e leva tudo. O capitão-presidente Bozó e seus asseclas já estão na soleira da nossa porta, como fez o pastor-prefeito Crivela, censurando um quadro numa bienal de literatura, no Rio de Janeiro.

As provas do Enem não podem mais conter conteúdo ideológico, como se isso pudesse ser possível de alcançar. Como dar uma aula, ou realizar um concurso isentos de qualquer tipo de ideologia? Se não se pode expor o pensamento progressista de esquerda, socialista ou comunista, entra, então, o de direita liberal, ou o ultraconservador de extrema, que é o nosso caso atual, com viés fascista, embora o “comandante” e seus seguidores não assumem ser, ou têm vergonha de se identificar como tal, e partem para a violência verbal e até física.

O capitão-presidente quer estabelecer a barbaridade imbecil de que seu governo não tem ideologia. Isso não existe em nenhuma parte do mundo. É a filosofia do nada, o niilismo. Somos um ser, essencialmente político – como já falavam Platão e Aristóteles há mais de dois mil anos. Não podemos aceitar este absurdo de caráter falso e demagógico em nome da pátria, família e dos valores morais. Tudo isso soa a falsidade repugnante. Provavelmente ele está escondendo algo podre de nós, que um dia será revelado.

A verdade, meu caro, é que a censura está chegando para ficar, relembrando os tempos coloniais. Primeiro nas artes e na mídia, e depois na crítica política de oposição, que já está aparecendo com sua navalha cortante. O mais triste de tudo é que não está ocorrendo a indignação à altura por parte do ministério público, das entidades e instituições que se auto proclamam guardiãs da liberdade, para botar o povo nas ruas e protestar com rebeldia. Nesse barulho arrasador, o que mais nos incomoda é o silêncio dos bons.

 

 

SOU MAIS AS CAPELAS

Como bem diz o título, sou mais as capelas do que as catedrais. Nas capelas habita a simplicidade das pessoas que são mais autênticas e sinceras, enquanto as catedrais são mais frequentadas por gentes pedantes, hipócritas, moralistas e falsas que aparentam ser uma coisa, mas no fundo são outra. Nas catedrais existem mais lobos com peles de carneiros. Muitos nem são religiosos, e vão atrás de outros interesses, como acontece com os políticos, visando angariar votos. Só aparecem em épocas de festas. Quanto as capelas, são visitadas por pessoas honestas, mais fervorosos e que têm fé. Nelas pode-se confiar e ainda são prestativas e ajudam o próximo, sem outros interesses individuais. Nelas, existe o sentido de coletividade e irmandade. A foto desta capela, num povoado de Itaberaba, é mais uma, entre outras, do jornalista Jeremias Macário.

A ALMA DA NOITE

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Laboratório de câmaras escuras,

a noite revela cenas existenciais,

dos negativos da luz do dia,

feitos de efeitos, olhar e juras,

de alma de gente doída e ferida,

entrecortada de medo e de poesia,

nos fleches de nossos manuais.

 

Com seus cabelos negros e soltos,

a noite é face de candura e prantos,

navegando no além mares revoltos,

nas ondas de desencantos e encantos,

encontros e desencontros que se vão

no orvalho da fumaça da manhã,

que isala o cheiro do meu chão.

 

Sua alma vaga na trama do enredo,

na crença e no engano da ilusão,

nos becos do dilacerado medo,

que não se rende na prece bendita,

do poeta surreal bruxo-maldito,

que se disfarça até de rei Salomão

e desaparece na estrela infinita.

 

A noite é caverna de etílico porre,

de boemia e trago de sal sagrado,

do segredo jamais aqui revelado,

da angústia que nunca morre,

por mais que a canção console,

e o riso dê uma risada amorosa

como faz a minha carinhosa rosa.

 

Sou a alma desta noite aflita,

que pede a ti o meu perdão;

sou espírito que chora e grita

pela tua bondade e gratidão,

que não me deixe tão sozinho,

como um acuado ferido animal,

na embriaguez visceral do vinho.

 

A minha alma é peregrina noite,

do dia e da penada escuridão,

que aparece repente na esquina,

para pedir o amparo de tua mão,

e sentir teu semblante de menina;

clarear-me na tua réstia de luz,

que o santo guerreiro te conduz.

 

A alma da noite me atormenta,

chicoteia os meus pensamentos,

tragando os goles do meu passado,

ora aliviando com seus unguentos,

os ferrões doídos desse presente,

de insetos que se passam por gente,

que de poder e usura se alimenta.

 

 

 

SARAU DEBATE A INQUISIÇÃO CATÓLICA

Mais um debate polêmico foi colocado em discussão na noite do último dia 05/10 (sábado) pelo Sarau Colaborativo, realizado no Espaço Cultural A Estrada, com a participação de artistas, professores e interessados que sempre têm prestigiado nossos momentos culturais, recheados também de declamações de poemas, causos e até de encenação teatral.

Dessa vez, o tema foi “Inquisição, ou Tribunal do Santo Ofício”, cujo palestrante foi o advogado Evandro Gomes Brito, uma autoridade no assunto em Vitória da Conquista, que não deixou escapar datas e nomes de inquisidores, uma passagem tenebrosa da Igreja Católica que pediu perdão à humanidade na pessoa do Papa João Paulo II.

Os trabalhos foram abertos pelo jornalista e escritor Jeremias Macário, que determinou tempo ao expositor, colocando as pontuações e considerações para o final, feitas pelo professor Itamar Aguiar, Alex Baducha, Jovino Moreira e outras pessoas. Na ocasião, o próximo evento, no início de dezembro, encerrando o ano, será “A História da Música Brasileira”, tema escolhido pela maioria.

NO CONCÍLIO DE VERONA

De maneira brilhante e com uma memória invejável, Evandro Gomes afirmou que a Inquisição da Igreja Católica Apostólica Romana teve início no Concílio de Verona, na Itália, pelo Papa Lúcio III, em 1184, com a finalidade de julgar e condenar as pessoas que não aceitassem os ensinamentos da Igreja, as quais poderiam ser queimadas nas fogueiras, ou serem presas, tendo seus bens confiscados em qualquer hipótese.

O Papa Inocêncio III, em 1198, colocou a inquisição em prática, através de São Domingos de Gusmão, que dizimou os albigeneses, no sul da França, incluindo mulheres, velhos e crianças. Quando alguém era acusado e preso por heresia, seria ouvido, sem defesa. O suposto herege sofria vários tipos de tortura.

“Concluído o inquérito, havia o auto de fé, com desfile dos condenados, todos vestidos de Sambenito, traje que identificava os hereges. O desfile seguia a um templo religioso. Após o sermão, os condenados eram conduzidos a uma grande praça, onde as fogueiras acesas os esperavam” – destacou o palestrante.

Evandro ainda citou os termos técnicos da inquisição, como Termo de Graça – edital convocando o povo para confessar suas culpas, ou denunciar terceiros, sob pena de serem punidos; renunciar aos crimes graves; abjurar de Levi – renunciar à sodomia, bruxaria e bigamia; e Termo de Segredo, onde o preso assinava o processo, comprometendo-se a nada revelar sobre o que passou com ele. O Papa Inocêncio IV (1243-1254) com a Bula “Ad Extirpanda” permitiu a tortura, em 1252.

Gomes ainda falou da Inquisição em Portugal, no início de maio de 1536 pela Bula do Papa Paulo III, na Espanha, em 1478 pelo Papa Sisto IV, com final em 1834. “Ai aparece o maior monstro do mundo, Dom Frei Tomás de Torquemada, que sentia o maior prazer em torturar e queimar um herege”. Teve ainda a Inquisição Medieval (do século XII ao XV) e a Moderna.

De acordo com ele, a inquisição e a tortura ainda continuam nos tempos atuais, ao citar o coronel Carlos Brilhante Ustra, inquisidor e torturador nos tempos da ditadura civil-militar de 1964. Muitas mulheres foram vítimas, como Joana D´Arc. No Brasil, os acuados eram lavados para Portugal, para serem punidos. Ressaltou também que a Igreja Católica chegou a canonizar muitos santos adeptos da tortura, como Santo Tomás de Aquino.

A atriz Edna Brito nos brindou com a encenação do belo poema “Tapiá”, de autoria de Carlos Jehovah, fazendo o papel de uma velha.  Jeremias Macário fez um comentário sobre o livro “No Armário do Vaticano – poder, hipocrisia e homossexualidade”, de Frédéric Martel, falando da rigidez dos prelados e cardeais que fazem cerrada oposição ao Papa Francisco, que deseja realizar aberturas na Igreja com relação a diversas questões, como o aborto, o celibato dos padres e o próprio homossexualismo, descrito na obra pelo autor. O professor Jovino fez uma breve apresentação do seu no livro L.I.D.E;R – Ideias e Princípios, lançado recentemente.

O professor Itamar fez algumas considerações sobre o assunto, descrevendo o histórico da religião católica até os nossos tempos atuais, concordando com os pontos apresentados por Evandro Gomes. O Sarau Colaborativo contou ainda com as presenças de Rozânia Gomes Brito, Tânia, Léu, Regina, Rosângela Oliveira, João Bezerra, Francisco, Graça Araújo, Dalva Magalhães, Clóvis Carvalho e Vandilza Gonçalves, a nossa anfitriã que nos serviu, no final, um saboroso ensopado de carneiro, acompanho de um vinho e uma geladas.

 

NOS ALIMENTAMOS DE AGROTÓXICOS

Está muito difícil falar em alimentação saudável no Brasil, o país campeão do mundo no uso de agrotóxicos, embora membros do atual governo contestem os dados, argumentando que isto é em razão da sua extensão territorial, e da grande área agricultável. Rebatem que, quando se compra o uso por hectare, o Brasil cai para o sétimo lugar e, por tonelada, para o 13º.

A nutricionista Sandra Chaves diz desconhecer esses indicadores, e confirma que o Brasil é o líder mundial no consumo de agrotóxicos, cerca de sete quilos por ano, “o que é um escândalo”. Comemos sete quilos de agrotóxicos por ano!  Para se ter uma ideia, em Barreiras, as lavouras de algodão são pulverizadas 35 vezes em um mês. “Isso se espalha no ar”.

Sem comentários

Ex-integrante do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), extinto pelo novo governo destruidor, em 1º de janeiro deste ano, Sandra afirma que esteve em Mato Grosso e constatou casos de famílias inteiras intoxicadas. Não vi a mídia comentar nada sobre o Dia Mundial da Alimentação, no último 1º de outubro.

A verdade é que estamos nos alimentando de agrotóxicos, e ficam as pessoas e a própria imprensa recomendando que devemos ter uma alimentação saudável. Como? É até uma incoerência. Além desse absurdo, a nutricionista alerta que o Brasil pode voltar ao mapa da fome, denunciando violações quanto ao direito humano à alimentação.

Os alimentos no Brasil estão se tornando em verdadeiras drogas no organismo, talvez mais perigosos que a poluição do ar. No entanto, o cigarro é sempre o vilão da história. Em oito meses este governo liberou 353 agrotóxicos, verdadeiras bombas que matam em pouco tempo. Isso viola o direito a uma alimentação adequada.

A nutricionista destaca que existem 614 substâncias usadas como agrotóxicos no mundo. Dessas, apenas 97 estão proibidas no Brasil, e 517 venenos estão liberados. Muitas substâncias tóxicas não são mais aplicadas lá fora. A extinção do Consea, tal como de proteção e evolução dos direitos humanos.

No Conselho estavam presentes movimentos da agroecologia, da agricultura familiar e do pequeno produtor. De acordo com Sandra, suas demandas não estão presentes no legislativo, porque a bancada ruralista é a favor dos agrotóxicos. Pena que nada foi feito para que o Conselho voltasse a existir. Aos poucos estão nos retirando benefícios sociais e direitos adquirido e vamos aceitando passivamente, num caminho de retrocesso do país, quando deveria evoluir.

Somos mesmos submissos, individualistas e conformistas. Verdadeiramente, perdemos o senso de coletividade, deixando uma terrível herança para as novas gerações que já vivem alienadas há anos, deitadas em berço esplêndido.

 

 

LAGOA DAS BATEIAS

Lá só existe mesmo o título, mas nenhuma Lagoa das Bateias, em Vitória da Conquista, que foi tomada pelos esgotos, matos e todo tipo de sujeira, como se pode ver na foto clicada pelo jornalista Jeremias Macário. Os equipamentos foram quebrados, e há anos os moradores e todos os conquistenses pedem ao poder pública a sua urbanização para que seja um local de lazer e entretenimento. Fizeram uma roçagem, mas a situação continua a mesma. Seria mais um local a ser visitado e usado para a prática de esportes.





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