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AS BANCADAS E A FACA DE DOIS GUMES

Ao lhe perguntarem em que consistia a justiça, para um homem virtuoso, Tales de Mileto, que viveu na Grécia 600 anos antes de Cristo, respondeu que “em não fazer aos outros o que não queremos que nos seja feito”.

Antes de entrar nas questões abertas no título em referência do nosso comentário, dia desses veio-me à cabeça que a Polícia Federal, o Ministério Público e todo corpo judicial do país, diante de tantos desmentidos, deveriam ser criminalizados, virar réus e presos seus membros por levantarem falsas denúncias contra supostos corruptos que nunca existiram. É tudo fantasia!

É isso mesmo, todos se dizem inocentes, negam seus feitos, se colocam como vítimas perseguidas por forças ocultas das trevas e prometem provar que nada fizeram de mal, mesmo diante de provas de gravações de diálogos com seus comparsas e imagens de câmaras, caso de Gedel Vieira Lima, Aécio Neves e do cara que mandou por ovo no lugar de carne na merenda escolar roubada da boca das pobres crianças.

O problema, meus senhores, é que não se trata de desvio de conduta e da falta de caráter dessa gente sem remorsos e desprovida de qualquer dor de consciência, porque tudo está inserido no contexto de uma política rasa que foi montada para atuar dessa maneira, como se tudo fosse normal, ético e moral. Coisa de esquema natural que todos faziam e ainda fazem.

Não adianta eleições se o sistema arcaico continua o mesmo, como, por exemplo, a formação de bancadas para proteger e defender exclusivamente seus interesses. Agora mesmo estão fazendo de tudo para criar a Frente Parlamentar de Medicina que vai se somar às bancadas da bala, rural e a feroz evangélica, todas retrogradas e reacionárias que só levam o país ao retrocesso e ao roubo.

Temos de tudo no Congresso Nacional no que diz respeito ao corporativismo de cada categoria, menos uma bancada de defesa do povo. Só mesmo uma revolução popular, para sair uma verdadeira reforma do podre sistema eleitoral vigente. Engana quem acha que tem saída através do voto e no diálogo com eles. Democracia para essa gente é aproveitar as brechas.

O sistema político e judiciário está todo velho, troncho e carcomido, de maneira que não adiante ficar fazendo remendos aqui e acolá, como no caso mais recente do foro privilegiado restrito para deputados e senadores aprovado pelo Supremo Tribunal Federal.

Num país ainda provinciano com características coronelísticas onde existem e coexistem as relações viciadas de impunidade entre poderes e autoridades, com raras exceções, muitos estão festejando terem seus processos caídos para julgamento em primeira instância. Além da tão decantada morosidade da justiça, existem os conluios, amizades e até a mão forte da ameaça do chefe político e sua gente.

Como tantas outras emendas e tentativas de moralização, o tal foro privilegiado restrito, do jeito como está hoje posto o sistema político, virou uma faca de dois gumes para corruptos contumazes onde terminam se beneficiando, ao invés de puni-los. Não adianta remendar calça velha esfarrapada.

 

OS MOVIMENTOS REVOLUCIONÁRIOS DE 68 QUE SACUDIRAM O PLANETA – 50 ANOS

Fotos reprodução de José Silva extraídos dos livros  Maio 68 Danoel e 68 Destinos 200 Passeata dos 100 mil – Evandro Teixeira sobre a ditadura no Brasil.

Como na erupção de um vulcão adormecido por muitos anos, a década de 60 e o ano de 68, os mais radicais do século XX, foram fascinantes e representaram o início da contracultura com a quebra dos velhos costumes e a negação dos valores conservadores das ideias opressoras contra as mulheres, negros e outras minorias subjugadas.

Foi a década da juventude rebelada, das contestações, da liberdade de expressão, do “faça o que tu queres” que culminaram numa avalanche de protestos em 68 contra a guerra no Vietnã, contra o comunismo stalinista, o capitalismo e contra as humilhações sofridas pelos negros nos Estados Unidos. Cinquenta anos depois todos se envelheceram.

A princípio, jovens e operários se rebelaram contra normas rígidas no trabalho e nas universidades, e contra as ditaduras nas Américas e no mundo, principalmente no Brasil a partir do AI-5 que sentenciou e assassinou o “É Proibido Proibir” de Maio de 68 em Parias, na França.

Foi a década em que a juventude tomou as ruas e atraiu velhos e trabalhadores para a causa da liberdade, para criticar e denunciar as atrocidades do comunismo e do capitalismo. Sem lideranças e sem comando, todos colocaram pra fora o que estava engasgado nas gargantas.

Foi a década dos Beatles, dos Rolling Stones, do pastor Martin Luther King, Bob Kennedy, dos Panteras Negras e das organizações subversivas onde todos, inclusive os mortos, marcaram um encontro em 68 para arrebentar com os grilhões e dizer não aos antigos conceitos.

Para o escritor Zuenir Ventura, 68 foi o ano que não terminou. Para Daniel Cohn-Bendit, o Dany, líder estudantil de Paris, tudo acabou, mas diria, cá comigo, que foi o ano em que tudo começou. Aqueles doze meses ainda ecoam em nossas vidas, e muitas coisas devemos a este  período.

O TERROR DAS DITADURAS E DA GUERRA

“Em “O Eco das Ruas de 68”, da revista Veja, a reportagem fala das boas lembranças, das grandes obras (Caetano, Gil, Edu Lobo, Vandré) e feitos que resultaram daquele ano, mas também das tristes recordações do terror das ditaduras na América Latina e no Brasil, do horror da Guerra do Vietnã e do assassinato de Martin Luther King.

Os jovens saíram contra o poder, fosse de direita ou de esquerda. No Brasil contra um regime de força que matou, em março, o estudante Edson Luis e provocou a passeata dos 100 mil. Outras marchas se sucederam. Na Checoslováquia (Primavera de Praga), em agosto, contra a tirania dos tanques soviéticos.

Em Praga, o movimento começou em janeiro de 68 com a ascensão de Alexander Dubcek para o cargo de secretário geral do Partido Comunista e ganhou forma com o manifesto “Duas Mil Palavras”, do escritor Ludvik Vaculik (1926/2015) onde exaltava a liberdade. O sonho foi esmagado pelos tanques soviéticos que encaravam a liberdade como um veneno.

Pelo livre pensar, os jovens foram às ruas em Berlim, Paris, México, Tóquio, Chicago, Venezuela e Rio de Janeiro, para repudiar as arbitrariedades, a intolerância racial, o machismo e as guerras. Se não derrubou as estruturas, 68 marcou o protagonismo da juventude com seus ideais de contestação.

Naquele ano, a juventude com suas teses esquerdista (leninistas, maoístas e trotskistas) sonhou com uma revolução que ganharia a sociedade inteira, disse o historiador francês Serge  Berstein. A desobediência pacífica não era mais suficiente, e os rebelados tinham como profeta o filósofo alemão Herbert Marcuse (1898/1979). Era a luta do novo contra o velho.

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SARAU LEMBRA OS MOVIMENTOS DE 68

O tema “Os Movimentos de 68 – 50 Anos”, que sacudiram o planeta, com os jovens que foram às ruas contestar, pegou “fogo” nos debates de sábado à noite (dia 05/05) no Sarau Colaborativo do Espaço Cultural A Estrada, mais uma edição de sucesso que contou com artistas da música, poetas, declamadores e intelectuais que prestigiaram o evento, inclusive da Academia de Letras de Vitória da Conquista.

Na abertura dos trabalhos, o jornalista e escritor Jeremias Macário deu uma visão geral dos movimentos revolucionários de 68 em Paris, Berlim, Chicago, nos Estados Unidos, no México, na Venezuela, em Praga e no Rio de Janeiro, no Brasil, a partir de março daquele ano com a morte do estudante Edson Luis (em breve material sobre o assunto nos blogs).

Segundo ele, se a década de 60 foi radical em termos de contestações e protestos entre os jovens, o ano de 68 foi o mais radical da história do século XX. Sem lideranças e comandos, os jovens foram às ruas para quebrar com os velhos costumes, contra o capitalismo e o comunismo. Não derrubaram governos, mas deixaram suas marcas por mudanças na sociedade e influenciaram gerações.

O professor e filósofo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) Itamar Aguiar, que sempre está presente em nossos saraus, falou da influência das ideias do filósofo Jean Paul Sartre nos movimentos dos jovens de 68, embora tenha dito, anos depois dos acontecimentos, que não havia entendido o que eles queriam, já que não tinham propostas de colocar outra coisa no lugar.

Itamar com seu poder de argumentação, disse que o existencialismo de Sartre foi também humanismo e liberdade, mesmo sendo membro do Partido Comunista da França. O acadêmico Italvo de Oliveira, da Academia de Letras de Conquista, fez também uma explanação sobre as paixões dos jovens daquela década que tomaram as  ruas para se manifestar contra a guerra do Vietnã e pedir igualdade para todos e não discriminação de raça e sexo.

Estiveram ainda presentes ao nosso encontro, recepcionado pela nossa anfitriã Vandilza Gonçalves, os nossos amigos compositores, cantores e cancioneiros, Walter Lages, que aqui lançou seu mais novo CD, Marta Moreno, Moacir Morcego, Alex Baducha e sua digníssima Cheu, e os convidados de primeira participação no evento, Aldaci Ferreira da Cruz, o Alé, Armando Santos, o tocador, e Valdimiro Lustosa Soares que nos brindou com seu virtuosismo no violino.

Também, pela primeira vez nos visitando, Lúcia Lula, da Academia Conquistense de Letras, e Edna Brito que ficaram encantadas com o nosso Sarau e declamaram poemas de Jeovah de Carvalho e Ezequias. Não podia deixar de citar as presenças do fotógrafo José Carlos D´Almeida, do jornalista Gildásio Amorim, de Regina, o contador de causos Gesum e sua noiva Aline, nosso Alexandre Aguiar, o Xande, filho do professor Itamar Aguiar, e dos acadêmicos Evandro Brito e sua esposa Rozânia Brito.

Em clima de confraternização e respeito, os debates, as cantorias violadas e as declamações vararam a madrugada, sob acompanhamento de uma cerveja gelada, um vinho para esquentar o frio e, claro, caldos e uma comidinha caseira para forrar o estômago que ninguém é de ferro.

Sem medo de errar, o Sarau A Estrada, que está completando oito anos de discussões de variados temas literários, políticos e sociais, foi mais um sucesso de realização cultural em Conquista, onde existem as adversidades de discussões acirradas, mas respeito ao pluralismo das ideias. O próximo está marcado para início de julho, logo após as festas juninas, ainda sem um tema definido que deverá ser escolhido até lá pelos participantes.

 

NUNCA AOS DOMINGOS

Carlos González – jornalista

Quatro dias antes da estreia do Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista no Campeonato Brasileiro da série D previ a realização de mais um jogo deficitário do representante baiano, na presente temporada. Além de perder os pontos no empate sem gols com o Treze de Campina Grande, o clube alviverde amargou um prejuízo de R$ 7.584. Apenas 559 desprendidos torcedores deixaram os seus lares numa noite fria de uma segunda-feira para ir assistir a uma espetáculo sem atrativos e de pouca qualidade técnica, o que tem sido uma constante no futebol brasileiro.

Sugeri à direção do Vitória da Conquista que apelasse para a CBF, mostrando que o Estádio Lomanto Júnior estava sem programação nos dois dias anteriores (sábado e domingo). O pedido poderia ter sido feito através do filho desta terra, Ednaldo Rodrigues, presidente há 16 anos da Federação Bahiana de Futebol (FBF), gozando de livre trânsito na cúpula da entidade nacional, desde o tempo de Ricardo Teixeira.

Um dos líderes da chamada “Operação Caboclo”, arquitetada por Marco Polo Del Nero, o Nadinho, que corria atrás de uma bola nos campos da várzea conquistense, sonhando em ser jogador profissional, enveredou de forma meteórica pelos meandros da “cartolagem”, obediente aos Teixeira, Marim e Del Nero, procurando nadar por cima do mar de lama da CBF.

Por seu devotamento, Ednaldo Rodrigues vai ocupar uma das oito vice-presidências da CBF, na condição de homem de confiança de Rogério Caboclo, recebendo um alto salário e gozando das delícias da Cidade Maravilhosa.

O ECPP Vitória da Conquista, naquela noite fria no “Lomantão”, deixou de ganhar três pontos e ainda teve que sacar de sua conta em banco a quantia de R$ 7.584, para cobrir as despesas, que somaram R$ 7.584,85.

Com exceção dos jogos contra o Vitória e Jequié pelo Campeonato Baiano, o Vitória da Conquista este ano só fez pagar para jogar. Seu maior prejuízo se deu na partida contra o Boa Esporte pela Copa do Brasil. Naquela noite os 1.399 pagantes deixaram na bilheteria do estádio R$ 18.435; as despesas chegaram a R$ 29.429, incluindo os 19 mil gastos com a arbitragem. Desclassificado pelos mineiros, o time baiano desembolsou R$ 10.994.

Parece castigo, mas o ECPP Vitória da Conquista vai realizar seus dois últimos jogos em casa pela fase de grupos do Brasileirão da série D em duas segundas-feiras. No próximo dia 7, às 18 horas (atenção para o horário), recebe o Santa Rita, da cidade alagoana de Boca da Mata, e no dia 21, às 20 horas, o Itabaiana, da cidade sergipana do mesmo nome. Nos domingos anteriores a ambas as datas não há programação para o “Lomantão”. Sem uma ampla divulgação dos jogos e sem uma convocação da torcida o rombo financeiro tende a crescer.

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PEITO E BUNDA EM TERRA ARRASADA

“Eu tenho um carnaval só meu, porra”!… – berra Ivete Sangalo do alto do seu trio elétrico no Farol da Barra no circuito Barra-Ondina onde moradores reclamaram do barulho e do pisoteamento de áreas verdes. “Me ofereceram apresentar na festa de março da cidade, mas estava amamentando”. Quer dizer que não está mais?

A mídia lá está também abrindo seus espaços e asas para paparicar sua deusa. A galera entra em delírio no país de milhões de miseráveis onde o povo paga toda a conta da farra do circo sem pão. Todos são unânimes e cada um dá a sua incensada.

Como assinalou um leitor de um veículo de comunicação da capital, com todo seu tom de ironia, o peito virou bunda, e a bunda virou peito. É o desbunde total, seu moço! É só cair dentro da esbórnia! A cantora tudo faz para alimentar sua desvairada vaidade devoradora de almas. A imprensa vibra como uma hidra de sete cabeças, e a nossa cultura murcha e definha.

Vale tudo na disputa acirrada entre as estrelas do axé, do arrocha e do pagode. Levantem as mãos e tirem os pés do chão, bando de bestas idiotas! A massa ignara vai atrás entre lágrimas e momentos de êxtase, excitação, orgasmo e histeria. É um caso para psicanalistas ou sociólogos experientes. Todos estão anestesiados pela onda da alienação e do comodismo, como objetos de consumo.

Estamos em mais um pleno feriadão no país da terra queimada e arrasada, sem moral, sem ética, enlameada pela corrupção e com mais de 13 milhões de desempregados. O feriadão, como disse um articulista, é o novo “modus vivendi” brasileiro. Nos país dos feriados, a ordem é “enforcar” quando o dito cujo cai mole numa terça ou numa quinta-feira.

Todos apoiam e só querem sombra e água fresca. A galera aplaude e repete o clichê de que o esquema faz parte da cultura do país esfomeado de baixa produtividade e de índice de desenvolvimento humano vergonhoso. Na educação, somos campeões de notas baixas, principalmente na língua portuguesa e na matemática.

Para enganar a si mesmo de que o Brasil é um país do futuro, entra em cena, na véspera do feriadão, o mordomo de Drácula, que se comparou a Tiradentes, para falar de uma reforma trabalhista da qual sua turma sugou as últimas gotas de sangue dos trabalhadores. Foi a senha para o retorno da escravidão.

Na terra arrasada das tragédias anunciadas dos desabamentos de prédios, incêndios, quedas de pontes, ciclovias e encostas, onde vara o ódio e a intolerância de ideias, raça e gêneros, não vi e nem escutei nenhum bate caçarola, garfo e panela quando Dilma e Lula falavam na televisão. Será que na hora as panelas estavam cheias, ou foram vendidas para comprar comida?

O cara de pau foi para a televisão curtir com a nossa cara de abestalhado, se achando o máximo da história, e tascou um aumento de mais de 5% para o Bolsa Família de mais de 13 milhões de lares dependentes das esmolas. Todo convicto de si, dos seus fazeres e desmentidos das acusações que lhe pesam, lá foi ele ver a desgraça do incêndio e desabamento do prédio abandonado, mas foi hostilizado.

No território de ninguém, dos desmandos e da bagunça, as catástrofes se sucedem, como a do prédio de moradores sem teto, e os irresponsáveis não são punidos. Outras virão, enquanto os escândalos de roubos e corrupções pipocam todos os dias nos noticiários.

Lá em Curitiba, os vermelhos que negaram a ética e a moral de um Brasil limpo sem sujeiras, montam acampamentos para defender seu ídolo. Gritam palavras de ordem, xingam e ameaçam. Ministros da Segunda Turma do TSF fazem suas manobras para acabar com as punições da Operação Lava Jato.

Promotores e federais contestam, e os bandidos cospem fogo pelas ventas. O general envia seus tanques. Os políticos estão enfurecidos e eufóricos, e tudo fazem para se manterem no poder. Surgem os lobos salvadores da pátria que se vestem de mocinhos na pele de cordeiros, enquanto você toma sua cerveja acreditando que as eleições vão mesmo mudar tudo.

Que importam as desigualdades e a injustiça social que ferem de morte milhões de excluídas, se ainda estou empregado, com um carrinho na porta e com alguns trocados no bolso para curtir o próximo feriadão atrás do trio exclusivo de Ivete. vendo peitos, coxas e bundas!

 

 

 

“O MUNDO GREGO” – As Diferenças entre Atenas e Esparta (Final)

No capítulo “Atenas e Esparta”, de “O Mundo Grego”, o autor A.H.M.Jones mostra as diferenças entre as duas cidades que sempre lutaram pela liderança da Grécia. Atenas, progressista e democrata, possuía um centro comercial e industrial (azeite de oliveira) com seu porto Pireu, um dos maiores do Mediterrâneo. Era uma potencia naval. Cheia de estrangeiros, o povo embelezou a cidade com templos e soberbas estátuas. Produziu grandes tragédias através de Ésquilo, Sofócles e Eurípedes, além das comédias de Aristófanes, e foi berço de historiadores como Tucídides e filósofos do quilate de Sócrates, Platão e Aristóteles.

A Atenas democrata exalava liberdade de palavra e de ação (o direito de se pensar e dizer o que se desejasse, mas dentro dos limites da lei). Platão dizia que em consequência desse estado de coisas, os cidadãos são diferentes, ao invés de se conformarem a um tipo ideal. Péricles louvava a liberdade individual. Com isso, Aristófanes produzia comédias que ridicularizavam as instituições e até filósofos publicavam seus ataques ao ideal democrático.

Existiam discordância, inclusive contra Platão que afirmava que o governo era uma arte difícil, que devia ser limitada aos peritos, homens inteligentes, dispondo de poder sem prestar contas a ninguém. Em Atenas, os conselhos eram escolhidos anualmente por sorte e nenhum cidadão poderia servir por mais de duas vezes em toda a sua vida. Como seria bom se acontecesse isso no Brasil! Será uma utopia?

Os tribunais decidiam os casos privados e realizavam exames rotineiros dos magistrados ao término de seus mandatos, julgavam os impedimentos dos generais e políticos e eram árbitros de questões constitucionais. Os 350 magistrados eram quase todos escolhidos por sorteios. Ninguém podia ocupar o posto por duas vezes.

Sócrates não concordava com esse tipo de escolha, mas o sorteio era feito entre os cidadãos que nele se inscrevessem. O povo exigia um padrão elevado dos inscritos. Depois de um ano de mandato, qualquer um poderia acusar o magistrado de má conduta, se fosse o caso. O salário era equivalente a de um trabalhador braçal. Nenhum cidadão podia ganhar a vida com o salário do Estado. Mais outra vez, uma norma quase que impossível para o Brasil.

A assembleia controlava a política e os magistrados, e os generais eram seus servos que tinham de cumprir as ordens. Atenas foi um estado bem sucedido, o maior na Grécia no século V, e até depois da derrota na Guerra do Peloponeso, como afirmou o autor. Os cidadãos mais ricos custeavam os coros, as tragédias e comédias dos grandes festivais pagando os atores, cantores e todo cenário. Empresário nenhum aceitaria isso aqui. A democracia proporcionou um alto nível de eficiência administrativa, justiça social e cultural. Esparta, como dizia Demóstenes, não permitia que os seus louvassem as leis de Atenas

Esparta gozava de autossuficiência agrícola e lá os estrangeiros eram mal recebidos e até expulsos. Potência militar, sua força era o exército e parecia uma aldeia que crescera demais, com uma aristocracia perfeita e estabilidade política mantida pela monarquia (autoridade absoluta). Não teve arte, nem literatura e não desempenhou papel na vida intelectual grega. Era conservadora, apegada a uma constituição arcaica e defensora das ideias tradicionais. Seus cidadãos eram treinados rigorosamente, desde a infância, para serem bons soldados, vistos como uma elite, apoiada pelo número maior de servos, os hilotas.

Os espartanos mantinham sua supremacia frente aos servos através do terror. Todo ano, os éforos, principais magistrados da cidade, declaravam guerra aos hilotas onde permitiam a qualquer espartano matar um servo sem incorrer na culpa de assassinato. Os hilotas perigosos eram espionados e mortos. Em 424 a.C, preocupados com a inquietação entre os servos, os espartanos os convidaram para se alistar no exército dando como recompensa a liberdade. Dois mil deles se apresentaram e nunca se ouviu falar mais deles. Assim fizeram colonizadores dos índios nas Américas.

Apesar de tudo, tinham um conselho dos mais velhos, uma assembleia e uma junta anual de cinco éforos que governavam Esparta. O método de escolha dos éforos permitia até ao mais humilde dos cidadãos ocupar o cargo. Aristóteles considerava isso infantil, mas dentro da classe espartana, sua constituição era tida como democrática. As únicas virtudes reconhecidas eram o patriotismo, a coragem e a disciplina.

LITERATURA E FILOSOFIA

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“O MUNDO GREGO” – Das Trevas ao Esplendor (I)

Até a criação dos Jogos Olímpicos, em 776 a. C., quase nada se sabia sobre o mundo grego de 2000 a 800 a. C., a não ser o que se lia nos poemas de Homero, mas nem tudo constituía história. Diz o historiador Denys Page no livro “O Mundo Grego”, coordenado por Hugh Lloyd-Jones, que entre 2000 e 1900 a.C., a Grécia foi invadida por um povo novo que primeiro falou o grego.

Esses invasores se fundiram com os micênios, resultando num dos mais brilhantes períodos de civilização. No entanto, os micênios, um povo artístico, rico e aventureiro, desapareceram por volta do século XII a.C.. A luz sobre essa gente, uma teia de reinos (Atenas, Pilos, Micenas, Esparta, Tebas) só veio através dos arqueólogos Schliemann e Arthur Evans no século XIX da nossa era com a descoberta das cidades de Troia.

Depois de 1200 a.C., a rica e hábil civilização micênica foi varrida da face da terra. Os grandes palácios foram destruídos, os reis e seus povos mortos ou escravizados. Durante 400 anos a Grécia ficou isolada e entrou em decadência em todos os níveis. Não se sabe ao certo o que destruiu os micênios e deu início a esse longo período de trevas. Só prosperou a poesia épica

Com o dom peculiar da imaginação e da expressão, Homero em “A Ilíada e a Odisseia” encantou o mundo com suas poesias, misturando realidade com ficção. A “Odisseia” narra os dez anos de vagabundagens de Ulisses em seu regresso ao lar, em Ítaca, vindo do sítio de Troia. Na “Ilíada”, um poema histórico com personagens reais, descreve os episódios do sítio.

O historiador Denys, no capítulo sobre “O Mundo Homérico” destaca que a organização micênica pode ter sido a melhor, mas os alicerces da política e filosofia, direito e literatura, matemática e medicina, astronomia e arquitetura modernos encontram-se no período posterior à idade média grega, a partir do século VIII a.C.

Em “O Desenvolvimento da Cidade-Estado”, A. Andrewes fala justamente do nascimento das pequenas cidades (Atenas, Esparta), com seu poder soberano onde a autoridade tinha o título de “rei”, embora fosse um magistrado aristocrata (numerosos estados pequenos) ou hereditário eleito anualmente até fins do século III a.C.

Nos estados gregos, a população se dividia em tribos (regimentos tribais). Em divisões menores, existiam as fratrias, caso dos cidadãos de Atenas, e clãs. As manifestações das religiões (templos da Acrópole, santuários de Delfos e Olímpia) relacionavam-se com os cultos da cidade. No direito, os reis e nobres detinham o conhecimento e usavam a sanção divina em seus julgamentos, muitas vezes em favor deles, conforme se queixava Hesíodo.

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MAIS UMA CASO PARA O ARQUIVO MORTO

Confesso que se fosse com um filho meu ou parente mais próximo, não queria, nem aceitava conversa de reunião com comando da polícia, nem com políticos que aproveitam o momento para fazerem média. Todo mundo está “careca” de saber que no final tudo cai no esquecimento através da lentidão da justiça. Depois de um mês, quem importa mais?

Estou me referindo ao caso do artista plástico Manoel Arnaldo dos Santos Filho, de 61 anos, o “Nadinho”, morto no sábado, em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, por policiais militares que deram a versão de que a vítima reagiu com uma arma calibre 32 e atirou duas vezes contra eles. O artista foi baleado duas vezes.

Mais uma trapalhada e despreparo deles, seguidos de “explicações” e incriminações descabidas porque sabem que tudo termina em impunidade. Como tantos outros, vai ser mais um caso que vai para o arquivo morto. Depois chamam a família para apaziguar os ânimos e prometer “severa investigação nas apurações”.

São vários os exemplos com o mesmo “modus operandi” da polícia que causa revolta, e é por isso que digo que não queria papo com ninguém se acontecesse com um familiar meu. Nunca acredito nisso de polícia (Corregedoria) investigar polícia, quando deveria ser da alçada da justiça comum. Cadê o Ministério Público?

Para ficar num exemplo bem mais próximo de nós, alguém aí se lembra do caso do menino Maicon, há cerca de cinco anos, num bairro da periferia de Vitória da Conquista? A polícia foi atender a um chamado de desordem no local e entrou atirando pra todos os lados. A criança foi atingida e morreu.

A sociedade foi a primeira a ficar em silêncio porque se tratava de gente pobre e humilde. Disseram no início que os policiais estavam sendo investigados. Hoje, ninguém fala mais do assunto, e os culpados continuam atuando. O caso virou arquivo morto. O brasileiro precisa se rebelar e se indignar contra esta farsa.

A polícia continua agindo com agressividade porque é despreparada e mal treinada, mas as autoridades e o próprio comando não querem nem ouvir falar de reestruturação da corporação, até mesmo de sua extinção, com a criação de uma nova instituição de segurança, adaptada aos tempos modernos e com uma nova filosofia de trabalho, sendo bem instruída e bem paga.

Sempre dizem que o assunto é muito polêmico e complicado. Tudo fica no mesmo, se arrastando, e muita gente sendo morta por imperícia. Aí, os culpados quando matam, inventam coisas das suas vítimas para tentar reparar os erros. Tempos depois voltam a trabalhar nas ruas.

Quando acontecem mortes violentas de inocentes, como do artista de Candeias, a mídia entra para fazer seu estardalhaço midiático sensacionalista e, pouco tempo depois, nem comenta mais sobre a questão. A polícia chama a família para uma reunião, e os políticos, que não são nada bestas, também entram na jogada.

Depois tudo permanece como dantes e logo aparece outro caso semelhante. Tudo volta a se repetir porque o sistema segue arcaico, arbitrário, corporativista e truculento, que só se importa com hierarquias. Como a sociedade se fecha em conluio e prefere ficar em silêncio, a grande maioria das mortes entra para o arquivo morto.

 

 

 

CAMBUÍ LANÇA O FIAT CRONOS

Na última quarta-feira (dia 18), a concessionária Cambuí, revendedora dos veículos Fiat, reuniu a imprensa e publicitários conquistenses para lançar o Cronos, o novo carro da Fiat, em sua sede, na Avenida Bartolomeu de Gusmão. Coube ao diretor-presidente da Cambuí, Antônio Roberto, recepcionar a mídia e apresentar toda sua equipe de trabalho. O Cronos é um veículo arrojado, dotado de equipamentos de última geração, com câmbio de seis marchas e direção eletrônica. Seu bagageiro compete com outras marcas como um dos maiores, com capacidade para mais de 500 litros, e seu ambiente interno é superconfortável. Na ocasião, em clima informal, a mídia de Vitória da Conquista aproveitou para realizar um ato de confraternização entre os colegas de diversos veículos do rádio, blogs e impresso. O Cronos pode ser visto e testado na Cambuí Veículos.

 

 

SEGUNDA TEM FUTEBOL NO “LOMANTÃO”

Carlos Albán González – jornalista

Estrear num torneio nacional numa segunda-feira, às 20 horas, sob uma temperatura em torno dos 15 graus, segundo previsão do Climatempo, e com pouca divulgação, significa ausência de público. Esse, provavelmente, será o ambiente que o Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista vai se deparar na noite do próximo dia 23, no Estádio Lomanto Júnior, começo de sua participação no Campeonato Brasileiro da série D, diante do Treze de Campina Grande (Paraíba).

Se houvesse bom senso por parte da Federação Bahiana de Futebol (CBF), o seu presidente, filho desta terra, Ednaldo Rodrigues, leal em todos os momentos – e já se vão 16 anos – aos “cartolas” da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), de Ricardo Teixeira a Marco Polo Del Nero, esse jogo seria antecipado para o dia 21, feriado nacional, ou para o domingo, dia 22, com a promoção de uma rodada dupla, envolvendo Conquista x Colo-Colo, pela segunda divisão do Campeonato Baiano.

Vale lembrar que, nos últimos quatro anos, Ednaldo foi escolhido em duas oportunidades para chefiar a comitiva da Seleção Brasileira em excursões ao exterior. Um agrado para quem tem revelado uma indestrutível fidelidade aos seus chefes.

Num passado recente a própria FBF submeteu o ECPP a uma situação absurda. Programou para Quarta-Feira de Cinzas, à noite, uma partida válida pelo Campeonato Baiano deste ano. Pelas bilheterias do “Lomantão” passaram 381 devotados torcedores, deixando uma renda de R$ 3.575. Deduzidas as despesas restou para o clube alviverde um prejuízo de R$ 6.189.

Pagar pra jogar não é “privilégio” do Vitória da Conquista. O seu coirmão, o Conquista F.C., nos três jogos que disputou em casa pela 2ª divisão contabilizou um prejuízo de R$ 14.806. Buscando uma vaga no grupo de elite do futebol baiano em 2019 o Azulino recebe neste domingo o Colo-Colo de Ilhéus.

Não se ouviu ou se leu uma palavra de protesto. Pelo contrário. Na reunião do último dia 3 num hotel em Salvador o futebol conquistense participou com três votos (da liga e dos clubes profissionais) da manobra continuísta patrocinada por Ednaldo, que desistiu de permanecer até 2023 à frente da federação, apresentando como seu sucessor a um surpreso colégio eleitoral – compareceram 117 dos 145 membros – o até então desconhecido Ricardo Lima. Como ninguém questionou, Lima foi aclamado por todos os presentes.

Lição de democracia, seriedade e modernismo, além de agradecimentos a Deus, marcaram os discursos emocionados do velho e do novo “cartolas”.

Depois da eliminação precoce na Copa do Brasil, quando deixou de ganhar R$ 1 milhão, e quase é rebaixado para a 2ª divisão do futebol baiano, o Vitória da Conquista tem sua última oportunidade este ano de alcançar uma posição melhor no cenário nacional, lembrando que a Chapecoense, campeã sul-americana, também começou por baixo. Imprescindíveis serão o apoio dos desportistas locais, comparecendo aos jogos no “Lomantão”, e dos patrocinadores – a ajuda de R$ 20 mil mensais prometida pela prefeitura caiu no esquecimento.

Dividido em seis etapas o “Brasileirão” da série D começa neste final de semana e termina em 5 de agosto. Nessa fase preliminar os 68 clubes vão disputar seis jogos. Os adversários dos baianos são o Treze de Campina Grande (Paraíba), o Itabaiana da cidade sergipana do mesmo nome e o Santa Rita, de Boca da Mata (Alagoas). Classificam-se para a etapa seguinte os primeiros colocados nos 17 grupos e os 15 melhores segundos colocados. Os quatro semifinalistas (quinta fase) têm vaga garantida na série C de 2019.

A tabela dos primeiros jogos e adversários do Vitória da Conquista é a seguinte: dia 23 de abril, Treze, em casa; dia 29, Itabaiana, fora; dia 6 de maio, Santa Rita, em casa; dia 13, Santa Rita (fora); dia 20, Itabaiana, em casa; dia 27, Treze (fora). A CBF fornece 25 passagens aéreas para distâncias acima dos 700 quilômetros, além de hospedagem e alimentação.

Eleições “democráticas”

O Nadinho, das peladas nos terrenos baldios de Conquista à presidência da liga de futebol da cidade, recebeu, de mão beijada, em 2001, a direção da FBF, e de lá nunca mais saiu. Seu gabinete sempre esteve aberto para seus leais eleitores, recebidos com mimos depois de longas viagens, acompanhados de prefeitos e vereadores de seus municípios.

Ednaldo, aos 63 anos, não ia largar, por se sentir entediado, um cargo que mantém há quase 20 anos. Numa reunião de portas fechadas, sem a presença da imprensa, a Assembleia Geral da CBD aprovou a criação de mais quatro cargos de vice-presidente da diretoria. Um deles, a partir de abril, foi oferecido e aceito pelo baiano de Conquista, que vai trocar Salvador pela Cidade Maravilhosa, com uma ótima remuneração.

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