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SEM A TRADIÇÃO DO SEPULTAMENTO

É muito triste e angustiante você acompanhar de longe o sepultamento de um ente querido como está acontecendo nessa turbulência da pandemia do coronavírus. Sempre existe toda aquela tradição do velório, das preces e das despedidas até o cemitério quando o caixão é arriado ao túmulo. O choro agora está sendo mais doído, e o tempo vai demorar mais de curar a dor, se bem que ele nunca tem esse poder do esquecimento. No Brasil de um governo genocida, com seus seguidores e anjos da morte, infelizmente, muitos vão ter ainda que obedecer esse ritual estranho à nossa cultura por causa de psicopatas e nazifascistas que nem estão ai para os milhares que já se foram, vítimas desse Covid-19, que mudou comportamentos, ideias e sentimentos em todo mundo. Em nosso país estamos caminhando para um massacre humano, se os políticos e os governantes sérios, se é que ainda existem, e toda sociedade junta não derem um basta nesse governo psicopata que contesta a ciência e a medicina, e defende a exposição frontal ao vírus. Até quando vamos ter que sepultar nossos parentes e amigos à distância? O povo tem que reagir e dar um basta nessa loucura. Queremos sim, continuar vendo fotos de todos juntos e unidos, em um só pensamento, como esta do jornalista Jeremias Macário, em um cemitério da cidade, bem antes do surgimento do corona, e não clicar de longe um enterro. Todos contra a esse massacre genocida!

BRASIL SACO DE PANCADA

Poema inédito do jornalista Jeremias Macário

Dos colonizadores, veio toda escória,

Num povo que perdeu sua memória,

Na pastagem se fez gado em manada,

E o Brasil virou saco de pancada.

 

Nas índias esporraram suas doenças,

Jesuítas impuseram as suas crenças,

Como legado deixaram a corrupção,

E o Brasil virou saco de pancada.

 

Enforcaram os inconfidentes mineiros,

O rei criou conselheiros hereditários,

Nos engenhos uma África escravizada,

E o Brasil virou saco de pancada.

 

Do império, uma República de bananas,

Dos senhores donos dos cafezais sacanas,

Tramaram as ditaduras na noite calada,

E o Brasil virou saco de pancada.

 

Nas rebeldias trucidaram os trabalhadores,

Montaram várias castas de ladrões traidores,

E os pobres continuaram puxando enxada,

E o Brasil virou um saco de pancada.

 

A esquerda concluiu com a direita safada,

Depois de toda tempestade veio a psicopatia,

De seguidores da morte em fanática histeria,

E o Brasil virou saco de pancada.

 

O capital criou o barraco, a arma e a fome,

Se ficar ou se sair da vigarice o bicho come,

E a grande mídia burguesa lança sua granada,

E o Brasil aqui e lá fora só leva pancada.

NO VAZIO DO ESPAÇO SEM O NOSSO SARAU

Sei que as preocupações são outras neste momento tão difícil que muitos estão atravessando para enfrentar essa pandemia do coronavírus, que em meus versos chamei de Coronavid, mas o nosso “Espaço Cultural A Estrada” também padece do vazio solitário sem a presença dos companheiros que dão vida ao nosso sarau colaborativo, que neste ano está completando dez anos de existência, trocando ideias, debatendo, declamando, cantando canções e contando causos.

Esse vazio remete à saudade dessa gente amiga alegre, num gostoso bate-papo, bebericando um vinho, uma cerveja gelada, uma cachacinha e um tira-gosto que cada um traz, para falarmos de cultura e ouvirmos as cantorias e os poemas dos artistas. Nesses dez anos, muitos temas, como Educação, Movimentos Revolucionários de 1968, Castro Alves, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, Cinema, Cordel, Gregório de Matos, Império Romano, Inquisição, a História da Música Brasileira e tantos outros foram abordados e enriqueceram, sem dúvidas, o nosso conhecimento.

AQUELA SAUDADE

Ainda hoje estava repassando em meu computador, as fotos de diversos saraus, inclusive as dos cinco anos dos eventos, e bateu a saudade de Regina, Nadir, Cleide, Marta Moreno, Lídia Rodrigues, Simone, Céu, Rosânia, Rose, Guimar, Tânia, Edna, Sérgio Fonseca (falecido), Itamar Aguiar, Moacyr Morcego, Manu Di Souza, Baducha, Walter Lajes, Jhesus com seus causos, Dorinho, João, André Cairo, José Silva, José Carlos D´Almeida, Evandro Gomes, Jovino, José Carlos, Clovis Carvalho e muitos outros que me falham a memória no momento, mas que se sintam citados porque fazem parte dos nossos encontros, sempre fraternais.

Não falei da anfitriã Vandilza Gonçalves por motivos óbvios por ser minha esposa, mas ela é também testemunha desse espaço vazio sem o nosso sarau, principalmente aos sábados à noite. Estávamos programando a comemoração dos dez anos para julho, mas veio essa pandemia e nos separou do convívio cultural. Ainda tenho esperanças de realizar esta festa até o final do ano, com mais uma vitória conquistada contra esse vírus que mata.

Nessa fase difícil, cada um tem seus problemas, uns mais e outros menos, especialmente de questão financeira porque a maioria parou suas atividades artísticas e não está tendo o devido amparo dos governantes que são verdadeiros falastrões, mestres na demagogia e enrolação. Gostaria de fazer alguma coisa (também vivo meus apertos) e até acho que deveríamos nos unir através do meio virtual para apoiar quem mais está precisando de ajuda.

Mesmo distantes, devemos estar juntos, nem que seja espiritualmente, ou até de forma material. Sempre tenho dito em meus comentários e por intermédio da poesia, que fortalecer e exercitar a mente é fundamental para que o corpo não enfraqueça e esteja preparado se por acaso alguém de nós for surpreendido por esse “bicho” que veio da China, mas, tenho certeza que isso não vai acontecer.

Por fim, quero saudar a todos, e vamos torcer para que logo possamos dar continuidade aos nossos encontros culturais, com mais fervor ainda, discutindo, declamando, entoando canções e contando causos e piadas. O nosso Espaço Cultura está vazio fisicamente, mas voltaremos a nos abraçar,  nos beijar e a comemorar até altas horas da madrugada.

 

 

FALASTRÕES, DEMAGOGOS E BUROCRATAS LEVAM MULTIDÕES A BATER CABEÇA NAS RUAS

O desabafo emocionante de um senhor na televisão numa fila da Receita Federal para tentar regularizar sua situação e obter um auxílio social, com relatos de penúria para sobreviver, sem emprego e em estado de fome, é o retrato de milhões de brasileiros que correm às agências dos bancos na ânsia de um socorro para minorar seus sofrimentos, principalmente nesta época da pandemia do coronavírus.

Comovidos, muitas pessoas desceram dos prédios onde ele se encontrava e o acudiram com alimentos, e logo apareceu uma empresa lhe concedendo um trabalho. Não que as atitudes não sejam dignas de aplausos, mas o sentimento emocional repentino faz esquecer que o seu desespero não é o único no Brasil dos falastrões, dos hipócritas e burocratas de plantão, que fazem o povo ficar nas ruas a bater cabeça nesse turbilhão de informações desencontradas e enganosas.

EM NOME DE MILHÕES

Aquele senhor da entrevista teve o seu momento de felicidade e, porque não dizer, até de sorte por ter se expressado em nome de milhões de aflitos e angustiados que, aglomerados, arriscam suas vidas ao se dirigirem aos caixas dos bancos. Depois, milhares saem frustrados com o resultado negativo do tão esperado benefício. E quem vai alimentar e oferecer um emprego aos outros milhões de brasileiros invisíveis que vivem nas sarjetas da pobreza?

Com o anúncio do auxílio social pelo governo federal, incluindo uma bateria de normas econômicas e técnicas para ter direito aos 600 reais, a população, a grande maioria inculta e sem instrução para lidar com a tecnologia, correu como gado em manada na ânsia de receber algum dinheiro, ou se informar a respeito do processo. Milhares não têm nem CPF e outros milhares ficaram a ver navios porque não foram atendidos.

Para aqueles necessitados que ficaram de fora, o golpe foi como se tivessem sido vítimas de estelionato desses falastrões e burocratas, no momento de maior desespero, como daquele senhor da entrevista. É sabido que todo esse contingente de CadÚnico, Bolsa Família, de informais, ambulantes e de desempregados está atravessando os piores momentos de suas vidas e ainda têm que passar pelo crivo tecnológico da internet, no qual se depara com os entreves no acesso.

 

Não dá para se fazer uma boa comparação, mas tem um ditado que diz que “a necessidade faz o ladrão”. Com isso, quero simplesmente me referir ao fato de todos irem para as ruas por pura necessidade, quando se recomenda que todos fiquem em casa. Aí, entra a pandemia dos falastrões, mentirosos e burocratas, dizendo que as pessoas não precisam se amontoar em frente das agências, e que liguem para tais e tais números, ou entrem no aplicativo do site.

Agora acharam de criar uma tal conta digital. Entendi como uma forma de zombar e sacanear com a cara do povo que precisa, urgentemente, de dinheiro em espécie para comer, e não de fazer transferências ou outras transações bancárias. O governador do Estado criou um bolsa estudante e pede para o aluno, ou o pai, ligar para a direção da escola, só que o telefone não atende, nem o 0800.

ESTÃO DE OLHO É NAS ELEIÇÕES

Em meio ao falatório, sem organização, o sistema virou uma verdadeira bagunça, e a aglomeração foi formada diante de cadastramentos e agendamentos que não funcionam. Ao invés de simplificar, complicam. Sem acreditar mais nos governos, os ambulantes vão para as ruas na aventura de vender alguma coisa como o ganha pão do dia. Nem máscaras eles distribuem, mas mandam que todos usem, além do álcool gel!

Com toda essa balbúrdia, a mídia pouco mostra a outra face do coronavírus e passou a estampar as empresas e as caras dos ricos, principalmente do setor financeiro, que há séculos nos “roubam” com juros e taxas extorsivas, sem piedade. Sempre foi a categoria empresarial mais privilegiado do país, e agora aparecem como “bonzinhos” doando umas ínfimas parcelas do grande montante de bilhões que levaram de nós.

Somando a tudo isso, temos um capitão-presidente que faz apologia à morte e sai às ruas pregando o fim do isolamento social, contrariando o seu ministro da Saúde e as recomendações dos governadores, prefeitos, médicos, infectologistas e à própria ciência. Conta com um bando de malucos seguidores da morte, e o povo fica nas ruas a bater cabeça diante de toda essa confusão armada pelos falastrões, falsos pregadores, hipócritas e burocratas.

Todos eles estão de olho numa só coisa: Nas eleições que estão se aproximando. Sabem que o povo de hoje esquece de tudo que aconteceu de mal e perverso. No dia, todos saem de suas casas para festejar um falso ato de cidadania e ainda xingam uns aos outros. Mais uma vez, o brasileiro segue a “lição” mentirosa para passar mais quatro ou oito anos penando e engrossando as fileiras da pobreza e da ignorância.

 

 

A CONFUSÃO DOS NÚMEROS E UMA PÁTRIA MALTRATADA

São tantos os números divulgados pelo Ministério da Saúde e pelas secretarias dos estados que deixam a população confusa e servem para os boateiros de fake news fazerem alarmes e pânicos. Por que não se noticia somente os casos testados e confirmados do coronavírus mais as mortes, eliminando os índices suspeitos, ainda os por certificar e outros tantos? Sem bases, a mídia entra com seu DNA sensacionalista, de que os dados podem ser tantas vezes maiores?

Em minha opinião, cria-se um clima de terror, sem contar que muita gente pega os casos suspeitos e os utilizam para propagar boatos, como exemplo os de Vitória da Conquista. Aqui fala-se em pouco mais de 300 suspeições e cerca de 25 a 30 testados, com uma morte. A imprensa adora números como grandeza de audiência. Os boateiros já saem falando que existem na cidade mais de 300 contaminados.

Depois de quase dois meses de pandemia já se percebe um estresse coletivo tomando conta do povo, diante de tantas informações corretas e incorretas, tanto na área da saúde como da economia, com o auxílio social onde milhares correm aos bancos e depois saem de lá frustrados e mais nervosos e irritados. Colocam datas de saque por aniversário e categorias com direito. Depois os prováveis beneficiários ficam decepcionadas.

É tudo uma total desorganização que pode gerar um caos e até uma convulsão social sem controle. Depois dessa pandemia, mais gente tem batido em minha porta pedindo dinheiro e comida, o que demonstra que a fome está literalmente batendo nos lares, ou aliás, nos barrocos e casebres das periferias e favelas. É uma triste realidade e não sabemos aonde tudo isso vai chegar.

UMA PÁTRIA DE PANCADAS

Definitivamente, esta não é uma pátria amada como dizem os fascistas de extrema-direita de plantão, e sim uma pátria que só tem levado pancada, sem comando e sem rumo certo. Quando não são as calamidades públicas provocadas pelas torrenciais chuvas, em decorrência da destruição do meio ambiente, são as doenças de sempre, e agora o Covid-19, num país de finanças falidas.

Para completar as mazelas que sempre atingem os mais pobres, a Amazonas está sendo, impiedosamente, desmatada por madeireiros, grileiros e fazendeiros, e suas águas e rios envenenados por garimpeiros. Os índios estão sendo escorraçados de suas terras. O diretor do Ibama que foi enérgico em suas ações foi “premiado” com uma exoneração pelo seu trabalho que deveria ser feito.

Ainda existem por aí muitos seguidores da morte idiotas e imbecis dizendo que nunca o Brasil esteve tão bem nas mãos do seu capitão-presidente, que está mais para um psicopata, e não para um nacionalista. Mais sete anos no governo e a Amazonas vai virar cinzas, e vão nos transformar numa nação de loucos nazistas que festejam e dançam diante de caixões de brasileiros mortos por armas, doenças virais e fome.

 

 

 

AS REALIDADES SÃO DIFERENTES

É muito importante o isolamento social e que todos fiquem em suas casas, mas as realidades nos países pobres são bem diferentes das dos ricos onde contam com mais recursos financeiros, tecnológicos e o poder aquisitivo é maior, sem falar na questão cultural.

O Brasil e seus vizinhos da América do Sul e Central estão nesse rol das pessoas com atraso tecnológico, apesar da internet, e na linha da pobreza, cujos habitantes precisam se virar para manter o mínimo necessário para se alimentar e não passar tanta fome.

A mídia mostra e critica as filas nas portas dos bancos, na Receita Federal para regularização de dados individuais e até em entidades filantrópicas para cadastramento de cestas básicas (coisa que os governos pouco faz), mas não há como evitar porque toda essa gente está correndo atrás de sua própria sobrevivência. Avalie os países africanos! É o embate entre o coronavírus e a fome.

O caso do CPF na Receita, que informa que o documento pode ser feito pela internet, é um exemplo. A grande maioria não sabe lidar com esses tais sites de aplicativos, sem contar que os equipamentos dispostos a ajudar o trâmite não suportam a carga de acessos. Ah, façam o passo a passo, explicam os técnicos! Ocorre que o passo a passo é interrompido no meio do caminho por uma trava qualquer.

Com relação aos bancos, somente uma pequena minoria tem conta online para realizar transações, e em raríssimos casos se efetua pagamentos através de celulares. A grande maioria pobre tem seu dinheiro curto no banco e é obrigado ir até ele para sacar uma grana, inclusive do auxílio social, para fazer suas compras. Muitos se amontoam à procura de informações.

A outra realidade são as aglomerações para receber doações de alimentos, principalmente nas periferias. Muitos ambulantes ainda saem às ruas na aventura de vender alguma coisa para o sustento. Portanto, é muito difícil segurar todo esse povo em suas casas.

O governador de São Paulo ameaçou prender quem estivesse nas ruas. Só queria saber aonde ele vai jogar esse pessoal, se as cadeias e as penitenciárias estão lotadas de bandidos e criminosos? Por outro lado, o governo não pode simplesmente pegar um cidadão de bem e prender entre bandidos perigosos.

Esse pico do coronavírus é sempre adiado, e os números só sobem na contagem dos setores da saúde. Enquanto isso, venho percebendo um estresse coletivo na população, tanto os que estão em casa como aqueles que vão às ruas por necessidade. Tem gente até quebrando caixa de banco. Outros passam o tempo no celular infernizando a vida das pessoas com fake news e “memes” idiotas de discriminação, ou xingando e destilando ódios e intolerâncias. Falo sempre da importância de exercitar a mente com a leitura de um livro, mas esse hábito no Brasil é raro pela falta de cultura e baixo nível de instrução.

PIORES QUE A PANDEMIA DO CORONA

De um lado essa grande mídia televisiva, principalmente, precisa ser mais serena e controlar seu noticiário sensacionalista de pânico, do tipo esses números de mortes podem ser bem maiores e de que em tal dia vamos chegar ao pico. Nunca se diz que podem ser menores, visto que os testes para confirmar a doença são demorados, de até 15 dias, ou mais.

Do outro lado, temos um capitão-presidente psicopata que sai às ruas passando a mão no nariz e depois apertando a dos seus seguidores da morte, imbecis, fanáticos e idiotas fascistas. Ele está agindo como um criminoso irresponsável, que contraria até o seu ministro da Saúde.

Temos também um grupo de ignorantes e canalhas que passa o tempo nas redes sociais fazendo “memes” contra os idosos, como se fossem portadores natos do coronavírus (o Coronavid), influenciados pelos alarmes da mídia que generalizou, que todos pertencem ao grupo de risco, quando isso não é verdade. Já sugeriram até criar campos de concentração para esta faixa etária.

Para não citar mais outros fatos constrangedores em meio a toda essa bagunça, num país sem comando e desnorteado, esses personagens juntos são piores que a própria pandemia, e deixam muita gente angustiada, revoltada, com medo e pavor.

Além dos cuidados com o corpo, a melhor arma para enfrentar esse terror é exercitar a mente, passando o tempo lendo, escrevendo ou fazendo alguma arte. Infelizmente, poucos são dotados desse nível de instrução, e a maioria fica todo os dias infernizando os outros, inclusive com fake news babacas.

Volto a dizer que no Brasil de profundas desigualdades sociais e de pobreza extrema, é muito difícil fazer um isolamento social a contento como mandam os especialistas da saúde. É complicado e cada país tem sua realidade diferente em termos culturais, sociais e econômicos.

Nas condições de milhões de brasileiros, isso é o mesmo que dizer, fiquem em casa e passem fome, aliás, é outra aliada dessa pandemia, além das doenças crônicas que deixam o organismo vulnerável para o vírus fazer aquele estrago depois de instalado no corpo. Fala-se em prender o cidadão que estiver nas ruas. Vão colocar essas pessoas aonde? Nas cadeias e penitenciárias entre os bandidos?

Acredito que grupo de risco não é por faixa etária como se convencionou dizer desde o início. São todos aqueles com doenças crônicas, como diabetes, pressão arterial alta, problemas coronários, pulmonares, respiratório (asma) e outras enfermidades, bem como os milhões de pobres das periferias, das favelas e os que vivem em barracos apertados, passando fome.

 

POLITIZAÇÃO DA SAÚDE

Carlos Albán González – jornalista 

Prefeito, o senhor, por pouco, não cometeu suicídio político, caso fosse mantida a abertura do comércio esta semana. O repúdio da população de Vitória da Conquista ao seu ato se manifestaria nas eleições marcadas para outubro próximo. O clamor popular impediu o seu gesto trágico e impensado, sob pressão da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), um dos suportes de sua carreira política. Deve também ter pesado na sua disposição de revogar o decreto anterior o cenário caótico que se instalou no Centro da cidade, na manhã/tarde de segunda-feira, com pessoas aglomeradas e o trânsito congestionado, causado pelo fechamento da avenida Lauro de Freitas.

Pesquisa Datafolha mostra que apenas 24% dos brasileiros são contrários ao isolamento social, a principal medida para frear o avanço do Covid-19, defendida pela Organização Mundial de Saúde e pelas mais conceituadas autoridades médicas e científicas do mundo. Mas, entre aqueles que acham que salvar a economia é mais importante do que salvar uma vida humana está o presidente Jair Bolsonaro, o mentor religioso e político do prefeito Herzem Gusmão Pereira.

Antes de Bolsonaro, o prefeito adotou como padrinhos políticos os irmãos Jeddel e Lúcio Vieira Lima, condenados pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa. Somente Jeddel cumpre pena em regime fechado. O erro na escolha não abriu os olhos nem a mente de Herzem, que transferiu seu devotamento para o ex-presidente Michel Temer, acusado pelo Ministério Público – chegou a passar uma noite na cadeia – de formação de quadrilha.

O momento cruciante que o país atravessa deve servir para promover a união de todos, principalmente dos governantes. Mas, o que estamos assistindo, em Brasília e em Vitória da Conquista, é o ódio aflorando contra os adversários. Estão politizando a saúde. Bolsonaro acusa os governadores Wilson Witzel (Rio) e João Dória (São Paulo) de estarem obstruindo seu projeto político, ao se posicionarem a favor do isolamento social; Herzem imputa ao governo do estado a falta de ajuda para combater o novo coronavírus. Ambos têm um mesmo ideal: um segundo mandato.   

Não se pode negar que Herzem Gusmão teve 85% dos votos dos eleitores das classes A e B, revoltadas, com razão, com os escândalos financeiros praticados por membros do PT. Mas isso não é motivo para ele governar apenas para os ricos, esquecendo-se da periferia.

Há uns quatro meses a prefeitura devolveu aos empresários do comércio as vagas de estacionamento no Centro, deixando de renovar o contrato com a Estacionamento Digital, em prejuízo de centenas de clientes que tinham créditos na empresa, e não receberam seu dinheiro de volta. Há dois anos, a pedido do CDL, o carnaval conquistense saiu das ruas, sob o argumento de que os foliões faziam xixi nas portas das lojas. Há poucos dias, os toldos dos pontos de ônibus do Terminal da Lauro de Freitas foram demolidos e a avenida foi fechada à passagem de veículos, prejudicando as pessoas que usam o transporte coletivo.

O conquistense já observou que as autoridades municipais estão subestimando a força letal do Covid-19, que, até hoje (dia 9), já contaminou 15 pessoas e com mais de 60 aguardando a coleta de material para teste, devido à falta de kits. A prefeitura não se preparou convenientemente para a chegada do vírus, chegando, inclusive, a recusar recursos liberados pelo estado, da mesma forma que se opôs à implantação da Policlínica. Não se viu aumento do número de leitos em UTI, montagem de hospital de campanha, aluguel de hospitais da rede privada, aquisição de respiradores pulmonares, máscaras, luvas e desinfetantes; não monitorou passageiros nos terminais rodoviário e aéreo, e não existe um plano específico de conscientização e ajuda médico-hospitalar para as populações da periferia e zona rural.

Prefeito, o seu mito foi denunciado ao Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, na Holanda – uma acusação inicial foi feita à Procuradoria Geral da República que, simplesmente, arquivadou – pela Associação Brasileira de Juristas. Segundo a entidade, Bolsonaro teria cometido os crimes contra a humanidade e de epidemia, incentivando ações que aumentam o risco de proliferação do novo coronavírus.  

 

 

 

 

SEM SEUS FIÉIS

Desde quando começou a tradição da Igreja Católica, em Vitória da Conquista, de realizar uma procissão na sexta-feira da Paixão até o alto do Cristo (obra do artista Mário Cravo), na Serra do Periperi, este ano do coronavírus, o Covid-19, ou como queira, o Coronavid, seus fiéis não vão puder fazer suas penitências por causa das aglomerações, mas, quem é católico pode fazer suas preces em casa. Infelizmente, nesta data o Cristo vai ficar sem seus fiéis, mas não estará só no pensamento dos conquistenses. Tudo de incomum está ocorrendo neste ano que vai ficar marcado na história da humanidade, como o ano que nos separou, nos isolou, nos despertou para o medo e fez a terra parar como na profecia do poeta, compositor, cantor e músico Raul Seixas. Ninguém ainda sabe ao certo o que pode acontecer no futuro próximo, mas o melhor é preparar a mente e o corpo para não entrar em pânico e piração. Vamos refletir sobre nossas ações diante da foto do jornalista Jeremias Macário.

O MOCHILEIRO

Mais um poema inédito do escritor Jeremias Macário sobre a vida do mochileiro andante

Não sou parafuso de furadeiras,

Prisioneiro das farpadas porteiras,

Porque nasci mochileiro estradeiro.

Mago Aladim, andarilho do agreste,

Onde não sobrevive cabra cafajeste.

 

Não é senhor do tempo mochileiro,

É senhor da sua caixa de pandora,

Onde leva sua hora, o aqui e o agora,

Sandália nos pés, asfalto e poeira,

Vento na mente e o abraço fraterno,

De um eterno menino livre sonhador,

De um sonho sem cerca e fronteira,

Sem essa de país, tribo ou divisão,

Leva o hino cancioneiro da passagem,

Tece sua teia, oh amigo companheiro!

Nessa sua veia libertária de coragem.

 

Pela estrada, muita gente diferente,

Fotografias de faces injustiçadas,

Alegre caravana de colorida cigana,

Indígenas das américas colonizadas,

Por Colombo e os seus sanguinários,

Do velho mundo de primatas piratas,

Finas vitrines nas avenidas grãfinas,

Dias calorentos e etílicas noites frias,

Com suas revolucionárias filosofias,

Canibais da milenar cultura africana,

Traficantes de escravos e de diamantes.

 

O mochileiro avança e vai em frente,

Nesse monte de tanto ingrediente;

Como filho do mar de ondas na areia;

Não respira o ar da angústia solitária,

Nem é o filho dessa arenga sectária,

Mas um bravo andante, fogo amante,

Além dessa dialética da coisa material,

É gira mundo desse meteorito universal,

Caroneiro persona da bolé e da lona,

Filho do poente vermelho horizonte,

Granito precioso da aurora nascente.





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