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CINEMA NOVO FOI TEMA DO “SARAU A ESTRADA” COM MUITOS DEBATES

A estudante de Cinema da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, Sarah Brazão, enfrentou o desafio de falar sobre o “Cinema Novo no Brasil” e suas influências socioeconômicas e políticas no “Sarau Colaborativo” no Espaço Cultural A Estrada, na última noite de sábado, dia 8, com a participação de mais de 20 pessoas de várias áreas entre acadêmicos, artistas, intelectuais e professores.

Numa noite cultural, como sempre acontece há nove anos, o “Cinema Novo” foi a estrela na abertura dos nossos trabalhos que começaram às 22 horas, e Sarah foi a nossa palestrante que discorreu sobre a história desse movimento no Brasil desde o final dos anos 50 e se intensificou nos anos 60, mesmo depois do golpe civil-militar de 1964, conforme ressaltou a palestrante.

VÁRIAS FIGURAS

Na ocasião, ela citou várias figuras que contribuíram para a mudança da linguagem e da narração do velho cinema brasileiro, ainda muito preso aos filmes importados do exterior, principalmente dos Estados Unidos, como Paulo Emílio, Alex Viany, Humberto Mauro, Paulo César Saraceni, Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Roger Bastide, Eduardo Coutinho, Mário Carneiro, Leon Hirszman e o baiano e conquistense Glauber Rocha, o maior provocador que revolucionou a sétima arte no país.

Em sua explanação, Sarah falou dos tempos da censura pelo regime da época e de vários filmes que marcaram o movimento, como Macunaíma, de Joaquim Pedro, Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe, de Glauber Rocha, Rio 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos, Vidas Secas, do mesmo autor, dentre outros. Ela também pontou a influência da literatura e do pensamento crítico de muitos intelectuais para o nascimento do Cinema Novo que mostrou a outra cara do Brasil.

O professor Itamar Aguiar fez diversas pontuações durante o debate, acrescentando outros nomes do movimento que foi de encontro às ideias retrógradas daquele tempo, e colocou Glauber Rocha como ícone e grande incentivador que impulsionou o Cinema Novo no Brasil. Também falou o fotógrafo e entusiasta do cinema, José Carlos D´Almeida.

O jornalista Jeremias Macário, baseado no livro “A Geração do Cinema Novo”, de Pedro Simonard, lembrou do meado dos anos 50 com o fim da era Vargas e o embate entre a burguesia capitalista versus a esquerda mais esclarecida que combatia o cinema norte-americano e as imitações do cinema europeu. Destacou ainda as experiências fracassadas da criação da Vera Cruz que pretendia fazer algo novo, mas com técnicos estrangeiros e trabalhando em estúdios que ficaram muito caros, e terminou em falência. Disse que o Cinema Novo chegou a beber muita coisa da Chanchada que muito agradava a classe mais popular, sem contar os Cineclubes que colaboraram para que o movimento brotasse mais forte.

Cantorias e poemas

Logo após as discussões, entraram as cantorias de violão e viola, com Alez Baducha e Walter Lajes que animaram mais ainda o evento, que recebeu muitos convidados visitantes, como o ex-vereador Clovis Carvalho Iuan Guilherme Andrade, Brenda Fernandes, Rosângela de Oliveira, Luã Galvão e outros.

Estiveram também presentes Gildásio Amorim, Rose e seu marido, Céu, Aline, Jhesús, José Carlos, Rosimeire Rodrigues e os representantes da Academias de Letras de Vitória da Conquista, Rozânia e Evandro Brito que fez uma homenagem a Jeremias, citando trechos de um poema do seu primeiro livro Terra Rasgada, de 2001.

Edna Brito declamou um poema de Vicente Cassimiro que faleceu recentemente, e a anfitriã Vandilza Gonçalves bridou a todos com uma deliciosa dobradinha por volta das duas horas da manhã. Na mesa, além dos tira-gostos rolou umas “geladas”, vinho e uma cachacinha para esquentar o frio que ninguém é de ferro, mas tudo num clima fraternal e de um bom papo.

Ficou definido que o próximo Sarau terá como tema “O Império Romano e sua Formação” a ser abordado por Jeremias Macário. Todos foram convidados para o lançamento de “ANDANÇAS”, de autoria de Jeremias Macário, no próximo dia 14 (sexta-feira), na Casa Regis Pacheco. Mais uma vez, o “Sarau a Estrada” varou a madrugada deixando saudades para o próximo em agosto.

FAMÍLIA BOLSONARO ATOLADA EM MULTAS

Nesta semana, Jair Bolsonaro explicou sua lógica de governo: todos sabem como ele pensa; os auxiliares que não concordam devem se calar. A regra personalista parece valer também para decisões de governo. Nas últimas semanas, o presidente vem encabeçando uma guerra contra radares de trânsito, e prometeu promover estudos para dobrar o limite de pontos na carteira de motorista.

Levantamento da Folha no Detran do Rio mostra que a família Bolsonaro está “pendurada” em multas: foram pelo menos 44 no último ano, distribuídos entre o presidente, os três filhos parlamentares e a primeira-dama. O senador Flávio e Michele já poderiam perder a carteira: ele tem 41 pontos e ela, 39, ambos bem acima do limite de 20 pontos anuais.

LANÇAMENTO DE “ANDANÇAS” EM NOITE CULTURAL

No próximo dia 14 de junho, a partir das 20 horas, vamos ter uma noite cultural com o lançamento do livro “ANDANÇAS”, a mais nova obra do jornalista e escritor Jeremias Macário que dessa vez mistura ficção com realidade, ao contrário do “Conquista Cassada” que foi um trabalho de pesquisa sobre a ditadura civil-militar em Vitória da Conquista, na Bahia e no Brasil e vai estar lá no evento.

Na ocasião, vai ocorrer também o lançamento do nosso “CD Sarau A Estrada” com cantorias de artistas da música, causos e declamações de poemas. Para completar, a artista plástica Elizabeth David vai abrilhantar mais ainda a noite com uma exposição de seus belos quadros. Portanto, vai ser uma noitada cultural com a apresentação de várias linguagens artísticas, na Casa Regis Pacheco, na Praça Tancredo Neves.

“Andanças”

Contos, causos, histórias e versos, “Andanças” é um livro que mistura ficção com realidade, ou, como queira, um fantástico realístico, mas que também contém pesquisas em temas específicos, romanceados e curiosos sobre a ditadura civil-militar de 1964, e na viagem título “Pelas Brenhas do Mundo” de um anônimo andarilho mochileiro das décadas de 60 e 70, os anos livres e revolucionários que mudaram hábitos, costumes e conceitos ultrapassados.

Sem a preocupação com estilo ou escola literária, o livro “Andanças”, de 368 páginas, formato de 16 cm por 23,5 cm, capa em quatro cores, ilustrações no miolo e arte final de Beto Veroneza, pode ser lido de trás pra frente, de qualquer ponto, sem sequência linear.  Tem também poemas, muitos dos quais já foram musicados por artistas locais, como Walter Lajes, Papalo Monteiro e Dorinho Chaves.

A obra do autor, que já escreveu “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo no Sudoeste” e “Uma Conquista Cassada – Cerco e Fuzil na Cidade do Frio”, retrata cenas do Nordeste, do homem do campo, do retirante da seca, da coivara, do jeito matuto catingueiro;  e fala de amor, ódio, raiva, tempo, saudade, mulheres, erotismo, vida e morte.

Sobrou ainda espaço para a cultura da corrupção, da gatunagem e do levar vantagem em tudo. Nos versos rolam a imaginação, o fingimento, o olho visível no invisível e o foco no real e no irreal. Trata-se de uma publicação colaborativa (muitos amigos assinaram o “Livro de Ouro”, numa espécie de pré-venda), onde o leitor vai curtir e viajar na imaginação, sem regras. A obra nasceu da veia jornalística do autor e tem o tempero realístico e sentimental. De um modo sutil, é também um autorretrato da sua vida em alguns contos e causos.

Entre outros lançamentos, trabalhos, artigos, crônicas e comentários, “Andanças” é mais uma publicação que demandou dedicação e sacrifício, mas também contou com a ajuda de muitos amigos que alavancaram o trabalho literário.

A VELHA SALVADOR

Foto do jornalista Jeremias Macário em uma de suas andanças. É a Velha Salvador, a primeira capital do Brasil de muitas histórias e cheia de contradições, numa mistura de raças e religiões. O Elevador Lacerda é um de seus cartões postais, dividindo a cidade em alta e baixa, com seus encantos e tradições, mas que ainda precisa muito de cultura e educação para ser uma verdadeira capital turística e receber bem seus visitantes, não só pensando na exploração do “gringo” como se diz por lá. Quer queira ou não, Salvador ainda tem o ar provinciano onde museus não abrem aos domingos e feriados e fecha suas portas na hora do almoço. Tem um museu Afro-Brasileiro que bem poderia ser uma preciosidade, mas carente em termos de mais peças da cultura afro e de estrutura para receber seus visitantes. Recentemente estive no museu e senti uma grande lacuna na falta de apoio do poder público. Já o Museu Cota Pinto, no Corredor da Vitória, é um luxo de jóias crioulas, peças antigas de jacarandá, pratarias e louças nobres da Inglaterra e de Portugal. Infelizmente, deixa a transparecer aquele quadro colonial da Casa Grande e Senzala, descrito pelo escritor pernambucano Gilberto Freire.

 

FREGUÊS DE TODO MÊS

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

 

Para poucos o colosso, para muitos o osso;

O cristianismo pegou dos celtas e romanos

O solstício, e veio o capital inventou Noel

E os profanos de Cristo lotearam todo o céu.

 

Você corre e corre atrás do metal vil,

E nem dá conta que não passa de freguês;

Se esbalda no bar no final de semana;

Em casa ouve um som do antigo vinil

Que fala de liberdade e se acha bacana,

E a conta chega todo o final do mês.

 

Olhe meu camarada para seu espelho;

Você corre, corre e todo fim de mês

Entra na maldita lista de besta freguês;

Faz conta, conta e só bate no vermelho

 

Você corre e voa como cavalo alado;

Discute, briga e solta seu baseado;

Busca como um louco pela verdade,

E pensa no filósofo da antiga idade,

De que a vida lida é um bem incerto,

E que a morte conserta um mal certo.

 

O brutal sistema sempre nos frita,

Nos faz de brita todo regime maldito,

Seja no verão, primavera ou inverno,

E cada um tem seu deus e seu inferno.

 

Esmagado como cana que vira bagaço,

Você abre o site burocrata do formulário;

Faz o passo a passo pra abrir os cadeados,

E segue o rigor dos minutos e do horário,

E ele pede sempre mais e mais dados,

E testa seus nervos esticados de aço,

E no final ainda lhe chama de fracasso.

 

Lembre-se que você tem as fronteiras,

De norte a sul tem arames e muralhas;

Do outro lado vivem os frios canalhas;

E nem adianta pedir para abrir passagem

Nessas tormentas fileiras de vaga viagem.

 

Olhe meu camarada para seu espelho;

Você corre, corre e todo fim de mês

Entra na maldita lista de besta freguês;

Faz conta, conta e só bate no vermelho.

 

O DESMANTELAMENTO BRASIL

Há seis meses de governo e só temos factoides e decretos de desmantelamento da educação, das leis do meio ambiente, do estatuto do desarmamento, das políticas públicas voltadas para o social, do combate da corrupção com o enfraquecimento da Força Tarefa da Lava-Jato e agora da legislação nacional do trânsito, fazendo com que mais gente morra nas estradas que já ceifam por ano 65 mil almas.

Está faltando decretar o fim da Lei Seca, com o slogan “Se beber, Dirija”, e criar o “Bolsa Armas” para quem não pode comprar uma. Não existe nenhum planejamento sério de recuperação da economia, e a única coisa que se fala é da reforma da previdência social como salvação da pátria e a ilusão de que vai ser boa para os pobres, mesmo com as castas mantendo seus privilégios de polpudas pensões.

O Congresso Nacional ainda mais conservador de extrema-direita bate cabeça e vai aprovando projetos e leis que desmantelam muitas conquistas. O alvo é desfazer tudo que foi construído pela esquerda, não importando o que seja positivo e benéfico para o país. A impressão que passa é daqueles antigos coronéis prefeitos do interior que quando ganhava a eleição quebrava e destruía tudo que foi feito pelo adversário, numa atitude de terra arrasada. Isso nunca foi patriotismo. É a imbecilidade acima de tudo.

Enquanto os poderes lá de cima propõem um pacto, o povo se divide em pedaços, em ódios e intolerâncias. As ruas se infestam de camisas amarelas da seleção brasileira para apoiar o desmantelamento e acusar as esquerdas que deixaram o Brasil destruído. As cenas são lamentáveis e tristes porque o país continua se derretendo como cera quente na frigideira, sem perspectiva de se erguer dos desastres e do caos que já perduram por cinco anos.

O orgulho da ignorância e da imbecilidade

Há poucos dias li um lúcido artigo do jornalista e escritor Thales de Aguiar intitulado “Quando a Imbecilidade é mais Importante do que a Educação” onde cita na abertura que, de acordo com alguns filósofos, estamos vivenciando momentos em que os ignorantes se sentem orgulhosos de suas imbecilidades. Para esses, a ficha só vai mesmo cair quando começarem a ser atingidos diretamente em suas vidas.

Pelas suas maluquices e falatórios destrambelhados, o capitão-presidente, como aponta o articulista, tem conseguido convencer até gente instruída de que o conhecimento científico nada vale, e até nega a existência de uma ditadura que torturou e matou. Para o “Bozó”, o diploma é uma bobagem, e a pesquisa é um atraso, negando trabalhos de instituições que ainda são referências no Brasil e no exterior, como da Fiocruz e do IBGE.

A pregação é a de que o trabalhador deve abrir mão de seus direitos, trabalhar mais e ganhar menos; que o racismo não existe, mesmo sendo o último pais a libertar os escravos na América Latina; que a homofobia é uma conversa fiada; e ainda defende milicianos e grupos de extermínio como policiais bem formados. Ele prefere colocar uma arma na mão de cada cidadão a apresentar um plano nacional de segurança pública. A igualdade de gênero é uma besteira, e acha que a mulher tem que receber menos porque perde tempo engravidando. O feminicídio é uma baboseira.

Sinceramente, não consigo acreditar no que estou vendo, com tanta gente, inclusive “esclarecida”, apoiando estas barbaridades, simplesmente para descarregar suas raivas no PT e nas esquerdas que estão calados. É uma tremenda irracionalidade continuar seguindo cego como se ainda estivéssemos em plena campanha eleitoral, olhando pelo retrovisor! Quando essas pessoas vão cair na real de que é o Brasil que está sendo penalizado aqui e lá fora?

Essa turma, sem planejamento de governo, entende que a saúde pública deve ser privatizada, num país onde a renda de grande parte da população não alcança um salário mínimo. O capitão acredita que a natureza e seus recursos naturais devem ser cada vez mais explorados, inclusive em áreas de preservação permanentes. Quer transformar Angra dos Reis num lixo capitalista brega da Cancun mexicana.

Seu guru é um “filósofo” charlatão que conseguiu transformar o Ministério da Educação numa babel de barro, e incentiva cortar verbas das universidades, somente por achar que elas são ninhos das esquerdas. Quando estudantes e professores são chamados de “idiotas úteis” é sinal de que a educação não tem nenhuma serventia pra o progresso.

É o antipatriotismo, e não o Brasil acima de tudo. Pelo andar da charrete desgovernada, ainda não estamos no fundo do poço. Só vejo em minha frente figuras exóticas e sem conhecimento. O mais triste ainda é ver o povo aplaudindo os extremismos políticos. Como disse o escritor francês Victor Hugo, “Entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa.

RELIGIÃO E ARTE, A DINASTIA JÚLIO-CLÁUDIA E O DESPOTISMO DOS FLÁVIOS

As linhas principais de Augusto no seu principado foram seguidas pelos seus sucessores Tibério Cláudio Nero, Calígula, Cláudio, Nero, os quatro imperadores do ano 69 a.C. (Galba, Oto, Vitélio e Flávio Vespasiano), Tito, Domiciano, Caio Nerva, Marco Trajano, Públio Élio Adriano (os dois espanhóis), Antonino Pio, Marco Aurélio e Cômodo, seu filho.

Durante o reinado de mais de 40 anos do imperator Augusto, a paz e a prosperidade se instalaram, e os homens deixaram de se interessar pelo Estado. A ideia da liberdade cívica tornar-se inseparável. O “evangelho” de submissão pregado por Horácio passou a ser uma característica nova, não bem recebida. No mundo antigo, a população nunca atingiu um modo de pensar científico e racionalista, conforme descreveu o historiador M. Rostovtzeff em “História de Roma”.

O ESTOICISMO

A filoso0fia, especialmente o estoicismo, como ressalta o autor, se adapta à religião. Dessa ligação surgiram novas doutrinas, como o neopitagorismo, com seu interesse predominante na vida futura, e até mesmo o epicurismo realista. Tanto o estoicismo como o neopitagorismo deram forma claramente religiosa a seus dogmas e reduziram a filosofia a um sistema mais religioso.

Na era Augusto, o estoicismo foi o mais difundido, por ser mais flexível, lógico e fácil de dominar. Antes, entre os romanos, havia se adaptado à crença na perfeição de sua Constituição, ou seja, no sistema que a oligarquia da cidade-Estado dominava o mundo. O estoicismo no Império Romano reformula sua doutrina política, retornando ao princípio de Zenão e Crispo.

Sustentava que a monarquia, quando o monarca fosse o melhor homem de um Estado, proporciona a melhor margem de liberdade interior ao indivíduo. O que importa é o aperfeiçoamento moral, fruto de uma disciplina rigorosa, de forte sentimento de dever para consigo mesmo e seu próximo. O ideal estoico era a ataraxia, o equilíbrio perfeito da alma. Atingindo este ideal, o homem nem temerá a morte.

Essa teoria filosófica, moral e religiosa, racionalista em sua essência, era muito difundida entre as classes superiores da sociedade romana. O pensamento dos homens voltava-se para os mistérios da vida futura, e eles buscavam na filosofia e na religião uma resposta às suas perguntas. No entanto, grande número de pessoas religiosas de origem grega se inclinava para o neopitagorismo.

A decoração de túmulos romanos do período de Augusto e, mesmo depois, mostra a influência das ideias neopitagóricas. Virgílio, por exemplo, com suas poesias, foi um grande intérprete da alma na época. Muitos, porém, procuravam mais gozar a vida, seguindo o epicurismo materialista. Uma onda religiosa invade cada vez mais corações e conquista vitórias sobre o racionalismo e a ciência.

A DIVINIZAÇÃO E O CULTO A AUGUSTO

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TEM DE TUDO

Foto do jornalista Jeremias Macário, mais uma vez na Feira do Rolo, no Bairro Brasil. Lá tem de tudo, até jumento pra vender, moto e carroças para frete das bugigangas e miçangas. É uma tribuzana na Feira do Rola. Se ainda não visitou, vá lá num domingo e confira a verdadeira expressão da cultura popular.

A DOR DA FINITUDE

Do jornalista e escritor Jeremias Macário

Uns dizem que a morte é matreira;

É o líquido eterno da vida finita;

Outro que é o amargo sem sentido,

E que a vida é sombra passageira,

Que traz na lida a dor da finitude,

Com seu baú de coragem e medo,

Nos laços do intrincado segredo

De duas damas onde uma é chama,

E a outra é carícia, abraço e drama.

 

A finitude pode até descansar a dor;

O filósofo manda conhecer a ti mesmo,

Outro que tudo na vida se transforma;

O contrário que nada muda em sua forma

E tem aquele grande antigo pensador

Da questão filosofal do ser ou não ser,

Mas para o poeta nada disso lhe consola

Tudo não passa de delírio etílico de festa;

Acha que a gente se conforma com esmola

E que nem tudo que se lê e escreve presta

É que cada um se conforma com sua escola.

 

Tudo passa, tudo muda e se transforma

Tudo fica no lugar, e mudança é ilusão

Nada começa, nada se acaba, nada torna;

A flecha que voa está parada lá no ar;

É tudo finito, infinito e confusão

Como ondas que se quebram no mar.

 

LANÇAMENTO DE “ANDANÇAS” EM NOITE CULTURAL NA “REGIS PACHECO”

No próximo dia 14 de junho, a partir das 20 horas, vamos ter uma noite cultural com o lançamento do livro “ANDANÇAS”, a mais nova obra do jornalista e escritor Jeremias Macário que dessa vez mistura ficção com realidade, ao contrário do “Conquista Cassada” que foi um trabalho de pesquisa sobre a ditadura civil-militar em Vitória da Conquista, na Bahia e no Brasil e vai estar lá no evento.

Na ocasião, vai ocorrer também o lançamento do nosso “CD Sarau A Estrada” com cantorias de artistas da música, causos e declamações de poemas. Para completar, a artista plástica Elizabeth David vai abrilhantar mais ainda a noite com uma exposição de seus belos quadros. Portanto, vai ser uma noitada cultural com a apresentação de várias linguagens artísticas, na Casa Regis Pacheco, na Praça Tancredo Neves.

“Andanças”

Contos, causos, histórias e versos, “Andanças” é um livro que mistura ficção com realidade, ou, como queira, um fantástico realístico, mas que também contém pesquisas em temas específicos, romanceados e curiosos sobre a ditadura civil-militar de 1964, e na viagem título “Pelas Brenhas do Mundo” de um anônimo andarilho mochileiro das décadas de 60 e 70, os anos livres e revolucionários que mudaram hábitos, costumes e conceitos ultrapassados.

Sem a preocupação com estilo ou escola literária, o livro “Andanças”, de 368 páginas, formato de 16 cm por 23,5 cm, capa em quatro cores, ilustrações no miolo e arte final de Beto Veroneza, pode ser lido de trás pra frente, de qualquer ponto, sem sequência linear.  Tem também poemas, muitos dos quais já foram musicados por artistas locais, como Walter Lajes, Papalo Monteiro e Dorinho Chaves.

A obra do autor, que já escreveu “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo no Sudoeste” e “Uma Conquista Cassada – Cerco e Fuzil na Cidade do Frio”, retrata cenas do Nordeste, do homem do campo, do retirante da seca, da coivara, do jeito matuto catingueiro;  e fala de amor, ódio, raiva, tempo, saudade, mulheres, erotismo, vida e morte.

Sobrou ainda espaço para a cultura da corrupção, da gatunagem e do levar vantagem em tudo. Nos versos rolam a imaginação, o fingimento, o olho visível no invisível e o foco no real e no irreal. Trata-se de uma publicação colaborativa (muitos amigos assinaram o “Livro de Ouro”, numa espécie de pré-venda), onde o leitor vai curtir e viajar na imaginação, sem regras. A obra nasceu da veia jornalística do autor e tem o tempero realístico e sentimental. De um modo sutil, é também um autorretrato da sua vida em alguns contos e causos.

Entre outros lançamentos, trabalhos, artigos, crônicas e comentários, “Andanças” é mais uma publicação que demandou dedicação e sacrifício, mas também contou com a ajuda de muitos amigos que alavancaram o trabalho literário.

“Conquista Cassada”

Sobre “Uma Conquista Cassada”, de 460 páginas, o livro  fala da ditadura civil-militar (1964-1985) em Vitória da Conquista dentro do contexto nacional do que foi o regime na Bahia e no Brasil com todas suas cenas de prisões, torturas, horrores, mortes e desaparecidos políticos, vítimas da brutalidade de uma época que não pode mais acontecer em nosso país.

O trabalho, que também estará presente no lançamento de “Andanças”, para possível aquisição do leitor, foi lançada há cinco anos pela editora da Assembleia Legislativa da Bahia, com apoio do deputado estadual Jean Fabrício.  A pesquisa é de fundamental importância histórica para jovens estudantes, professores, interessados e estudiosos do assunto, para que tomem consciência dos fatos que ocorreram no período tenebroso onde a liberdade foi substituída pela repressão.

Conheça de perto como se deu a ditadura em Vitória da Conquista com relatos inéditos que nenhum outro livro já contou. Na verdade, “Uma Conquista Cassada” são seis livros em um que também faz tributo à década de 60 quando o novo tomou o lugar do velho com novas ideias que revolucionaram o mundo.

 





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