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CAI PRODUÇÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E UNIVERSITÁRIO

No Brasil, por incompetência e guiados pelos vícios de seguir a lei simplista do menor esforço, os governos tentam resolver os problemas crônicos da sociedade através de decretos e portarias, como acontecem, principalmente, nas áreas da educação e da segurança pública, sem dar o devido suporte estruturante.

É uma forma demagógica encontrada para enganar, agradar e ludibriar os brasileiros, a maioria inculta que engole tudo que vem de cima para baixo, sem antes refletir. Com legislações, códigos e estatutos modernos  dão a impressão de que estão combatendo o problema na raiz, mas é tudo uma deslavada mentira.

Caso típico das medidas de inclusão escolar para as crianças e adolescentes com algum tipo de deficiência mental ou física, sem antes criar a devida estrutura nas escolas com profissionais especializados para receber e lidar com os alunos que necessitam de ajuda diferenciada dos outros. Os pais acreditaram e o resultado para a maioria foi frustrante por não ver seus filhos evoluírem como deveriam.

O próprio censo da educação básica de 2016 constatou que a participação de estudantes com deficiência cai a cada ano. “A sensação é de estar em uma ribanceira. Meu filho foi indo e, de repente, jogado ladeira abaixo. E não havia ninguém lá esperando por ele”. É o desabafo da mãe de um garoto com Síndrome Down, quando ela decidiu tirar o filho do 9º ano da escola tradicional.

Apesar dos esforços de inclusão, a verdade é que os estudantes com deficiência têm avançado em menor proporção na escada do sistema educacional. O estudo mostrou que no ensino fundamental, 3% têm alguma deficiência física ou intelectual, caindo para 0,9% no ensino médio. No ensino superior, o índice baixa para 0,5%. A legislação diz, no entanto, que devem ter o direito de concluir todas as etapas.

De acordo com relatos tristes de pais, seus filhos têm sido usados mais como “cobaias” porque os próprios professores confessam que não têm preparo para ensinar essas pessoas que precisam de acompanhamentos especializados. Como em todos os outros setores da vida, os governos brasileiros aprenderam a tocar gente como gado.

Se no fundamental não existe estrutura adequada, no médio a situação ainda é mais complicada. Por falta de formação de docentes, metodologia de ensino e infraestrutura, muitos alunos terminam deixando a escola. Mesmo sem condições estruturais, foi implantado nos início dos anos 2000, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, obrigando as redes educacionais matricular alunos com deficiência em salas regulares.

Para quem sofre de paralisia cerebral, a batalha da adaptação ainda é mais complicada. Muitas mães tentam o colégio regular, mas terminam retornando para um especial depois dos resultados negativos. Não tem gente para segurar nas mãos das crianças ou dar comida na boca. Na maioria dos casos, os professores não sabem ensinar para esse tipo específico de aluno.

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BAHIA SEGUE NO RUMO PARA SER O MAIOR PRODUTOR EM EÓLICA

Dentro de mais um ou dois anos, com um volume de 187 projetos contratados em execução nos leilões e 240 incluindo os do mercado livre (contratos privados), a Bahia passará de segundo para o primeiro lugar na produção de energia eólica entre todos os estados da Federação.

Hoje, o maior produtor nacional ainda é o Rio Grande do Norte, e o Rio Grande do Sul é o terceiro colocado. A eólica já representa 10% de toda produção brasileira de energia, incluindo a hidrelétrica, nuclear, termoelétrica e outras fontes. Apesar de todo avanço na produção de energia alternativa limpa, o Brasil ainda é um país atrasado em relação a outras nações europeias, como a Alemanha, por exemplo.

Em produção, a Bahia conta com 74 projetos em operação (líder em contratados com 187), contra 127 do Rio Grande do Norte em produção, mas nosso estado tem 80 empreendimentos em construção e mais 86 previstos para os próximos anos em 23 municípios. Com sete grandes empreendimentos, a Bahia possui o primeiro polo nacional na fabricação de componentes (aerogeradores, pás), sendo que o maior deles está localizado no município de Jacobina.

Os primeiros parques foram instalados aqui no sudoeste nos municípios de Caetité, Guanambi e Igaporã. Hoje, várias unidades estão espalhadas entre as regiões de Irecê, Morro do Chapéu, Miguel Calmon, Santo Sé, Casa Nova, Brumado, entre outros.

Em energia solar, o nosso Estado é o líder em projetos com sete em operação (o maior em Bom Jesus da Lapa), 71 em construção, sendo que 16 serão finalizados em 2018.

Em se tratando de Brasil, as mazelas no âmbito público, advindas das falcatruas e corrupções, não poderiam deixar de existir, e o setor hidrelétrico está cheio delas, como nas usinas de Jirau e Santo Antônio, em Porto Velho.

Lá no Norte, no Rio Madeira, depois de aditivos e roubos nas obras que duraram quase 10 anos e foram gastos 40 bilhões de reais, somente agora detectaram uma falha técnica que irá comprometer a distribuição de energia para o sul e sudeste do país.

O problema é com o “eletrodo de terra”, barras de aço que foram enterradas, justamente numa mesa de granito, e isso pode provocar queima de subestações e desligamento de rede. O aterramento serve para manter o equilíbrio na transmissão.

Somente agora, por incompetência ou safadeza mesmo, descobriram o erro técnico e estão procurando outra área para o “eletrodo de terra”, só que é difícil encontrar e irá custar mais 60 milhões de reais aos cofres públicos do povo que arca com as ladroagens. Estão aí embutidos os custos da energia no país pagos pelos consumidores subservientes que já calejaram com a servidão.

 

A REVOLUÇÃO QUE SACUDIU O MUNDO (FINAL)

AS TRAPALHADAS E A BEBEDEIRA

Os erros também se sucediam do lado bolchevique. Como sinal para invasão do palácio, os oficiais combinaram levantar uma lanterna vermelha no topo do mastro da fortaleza “Pedro e Paulo”, só que na confusão esqueceram de providenciá-la. Um comissário foi obrigado a sair em busca do objeto. Conseguiram uma lanterna, mas a cor era diferente. O pior é que o cara se perdeu na escuridão e caiu num brejo. A lanterna não foi erguida, nem o sinal foi dado. Por volta das 19 horas, o comando deu um ultimato, mas nada aconteceu.

Depois de muitas lambanças e desencontros, finalmente, por volta das 22 horas o cruzador Aurora deu um tiro de festim como sinal para o assalto. O Batalhão de Choque Feminino do Palácio entrou em pânico. Foi aí que os comandantes bolcheviques conseguiram reunir uma força maior.

Carros blindados romperam as paredes de entrada com tiros de metralhadora. Só então os Guardas Vermelhos caíram na real de que o Palácio encontrava-se sem defesa. As portas não estavam trancadas. Mesmo desorganizados, lá pela madrugada do dia 26 de outubro penetraram em suas instalações. Só depois de muita confusão, os ministros de Kerenski, reunidos num salão onde Nicolau II sempre jantava com sua família até antes de 1905, resolveram se render.

PILHAGEM E CENAS DE VANDALISMO

Conforme conta em seu livro o escritor Simon Sebag, na madrugada (por volta das duas horas) o Comitê Militar declarou todos presos. A ordem foi o sinal para o início da pilhagem geral, enquanto os lacaios do Palácio tentavam conter os saqueadores. O filme de Eisenstein mostra muito bem as cenas de vandalismo e de confusão. O comando do Comitê Militar Revolucionário perdeu o controle, e mulheres do batalhão foram violentamente estupradas.

O mais cômico aconteceu com a adega de vinho de Nicolau II, que tinha garrafas do tempo de Catarina, a Grande, e enorme estoque de 1847. Ninguém resistiu, todos ficaram embriagados. Chamaram os guardas dos comitês Regionais para controlar a situação, mas eles também entraram na farra. Carros blindados foram ao local para retirar a multidão e também os soldados caíram na orgia desmedida. Ao anoitecer do dia 26 o Palácio virou um bacanal.

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SÃO MESTRES NA ARTE DE TRIPUDIAR

Até pouco tempo os irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, eram os benfeitores mocinhos, gênios administrativos que engrandeciam o país com a expansão de suas empresas até no exterior, e eles faziam filas em grupos e iam lá pegar um dinheirinho das propinas. Todos bajulavam os caras e beijavam suas mãos em festas e eventos políticos e sociais. Todos elogiavam os empresários como deuses na arte de multiplicar.

Depois que foram delatados, indiciados e até se tornaram réus, os mocinhos viraram bandidos, marginais, traidores e criminosos da nação que saquearam os cofres dos bancos públicos, como do BNDES e da Caixa Econômica Federal. De uma hora para outra, os vilões se transformaram em coitados inocentes, vítimas de ardilosas armadilhas dos irmãos facínoras.

São mestres na arte de tripudiar com a cara dos brasileiros, com a opinião pública, sabendo eles que a grande maioria inculta e analfabeta engole suas versões safadas de cafajestes, sem contar os fanáticos seguidores que ficam cegos diante de tão triste realidade. Preferem se passar por burros e a enganar a si mesmos.

Vocês sabem muito bem de quem estou falando, e não são poucos os políticos que foram lá extorquir e cobrar sua parte no quinhão, muitas vezes até com ameaças. Um saiu de lá, o Rocha Loures, com uma mala cheia de 500 mil reais para levar para seu chefe-mor, como um rato calunga correndo pelos cantos de um restaurante.

As imagens são chocantes e impressionantes, como as malas de 51milhões de reais encontradas num apartamento de Salvador, guardadas pelo ex-deputado Gedel Vieira Lima. Quanto ao senador Aécio Neves, as imagens mostram seu secretário Fred (se delatar morre) recolhendo a dinheirama de dois milhões de reais.

Descoberta e divulgada a maracutaia, a propina vira empréstimo na versão simplista do senador. Então, com a maior cara de pau, ele se diz vítima de armação e chama os irmãos de bandidos e criminosos que passaram anos e anos roubando o Brasil. Ora, se eles eram marginais, como um senador da República se presta a pedir-lhes um empréstimo de dois milhões de reais? Ele não estaria, neste caso, se conluiando com bandidos e maculando sua reputação de representante do povo?

Além do mais, eu não sabia que os empresários da JBS eram banqueiros ou agiotas. Não foi somente o Aécio, o mordomo de Drácula que recebeu o Joesley na calada da noite no palácio construído pelo povo, também, depois de denunciado duas vezes por formação de quadrilha, corrupção passiva e obstrução da Justiça, chamou os irmãos de bandidos e criminosos.

Até quando eles vão tripudiar e ficar impunes? Até quando vão continuar abusando da nossa paciência? O Senado, que há muito tempo não deveria mais existir, passa o aval e assina o recibo das falcatruas do seu sócio filiado. O mais decepcionante é que as eleições não vão mudar este quadro horroroso e macabro. Até quando vamos suportar?

SARAU A ESTRADA FALA DO NORDESTE

Uma região que já foi próspera nos tempos coloniais e passou a ser pobre e esquecida a partir do Império e dos governos da República, que sempre privilegiaram o Sul e o Sudeste com pesados investimentos, o Nordeste com seu rico folclore e seu grande potencial na música e na literatura foi tema do nosso último “Sarau A Estrada”, realizado no dia 21 da noite de sábado.

Para combinar com o assunto, o prato principal dos tira-gostos que acompanharam o vinho, a cachacinha e a cerveja gelada foi exatamente o bode cozido com pirão, trazido pelo cantor e compósito poeta Walter Lajes e sua companheira Rita. Como o Sarau sempre foi colaborativo, Jésus, Baducha, Karina, Marta Moreno, Nunes e sua esposa, Mano di Souza, Cleide e demais trouxeram complementos deliciosos.

Nosso maior frequentador, professor Itamar Aguiar não pode participar deste encontro porque teve que viajar na noite de sábado para Salvador e de lá para a capital de São Luis, no Maranhão, como convidado palestrante de um congresso, mas, em passagem rápida ao espaço cultural bateu seu ponto e deixou uma cachaça mineira como sua contribuição. Sua ausência foi um desfalque, mas justificada. Ah, pela primeira vez, recebemos a visita de Ricardinho Benedictos, coordenador de Cultura da Secretaria Municipal.

Para ilustrar a noite e reforçar o tema Nordeste, nossa companheira Cel, esposa de Baducha, nos brindou com uma bela exposição de xilogravuras referentes à literatura de cordel, incluindo a figura maior de Luiz Gonzaga, o rei do baião e do forró. A exposição mostra xilogravuras de J. Borges que ilustram vários títulos de cordéis, como O Boi que Conversava com os Pássaros, A Briga dos Dragões, Os Violeiros, O Caro de Boi, O Ninho da Coruja, Mudança de Sertanejo, Moça Roubada, Casamento Matuto, entre tantos outros.

Karina falou da importância do Sarau para a cultura local, entendendo que deve se tornar mais visível na comunidade através de posições sobre o atual cenário político do país. Como excluímos da nossa pauta posições públicas de cunho político-partidário, nos restou uma moção de repúdio às manifestações, ainda que isoladas, de figuras políticas e de generais que estão se colocando a favor de uma intervenção militar no Brasil. O nosso grupo condena, veementemente, qualquer tipo de golpe contra nossa democracia, mesmo que debilitada.

Com a recepção sempre disposta e acolhedora da anfitriã Vandilza Gonçalves, os trabalhos sobre “Nordeste: Folclore, Música e Literatura” foram abertos por Jeremias Macário que fez um passeio geral sobre o potencial cultural nordestino, principalmente na literatura e na música, como também na economia, apesar da região continuar pobre e atrasada, com profundas desigualdades sociais.

Com os debates abertos a todos, cada um deu sua impressão sobre a nossa região, destacando nomes da música e da literatura, como Zé Ramalho, Elomar, Luiz Gonzaga, Geraldo Vandré, Dominguinhos, Fagner, Belchior, Raul Seixas, Gil, Caetano, Moraes Moreira e muitos outros. Na literatura, uma extensa lista de projeção nacional e internacional engrandece o Brasil, como José Lins do Rego, José de Alencar, Graciliano Ramos, Ariano Suassuna, Gilberto Freyre, Joaquim Nabuco, João Cabral de Mello Neto, Castro Alves, Jorge Amado e João Ubaldo, só para ficar nesses.

Não se pode negar o grande potencial nordestino nestas duas áreas, principalmente, mas a conclusão a que se chegou nas discussões em geral é que a região ainda é muito carente de investimentos, de apoio e incentivos dos governos federais, tanto na rica cultura popular e acadêmica, como nos setores da economia, da educação e da saúde. Também, não foi deixado de lado nos debates os aspectos da seca que, depois de séculos, continua sendo uma indústria de votos dos poderosos. Foi discutido ainda a questão do  fervor religioso expresso pelos nordestinos.

Nem é preciso dizer que o “Sarau A Estrada”, mais uma vez, varou madrugada, num ambiente de calorosas e acirradas discussões, mas de forma cordial, cada um respeitando a opinião do outro, como tem sido nosso lema democrático. Difícil controlar o grupo, a maioria composta de artistas que são avessos à organização e disciplina, mas a compreensão falou mais alto. Os cantadores violeiros fizeram o arremate final dos trabalhos entoando lindas canções nordestinas.

Para o próximo Sarau, marcado para o dia 9 de dezembro, como encerramento dos eventos do ano, foi sugerido o tema “Cultura e Memória”. Qual a definição de cultura? Existe uma cultura estritamente brasilis, ou ela é uma reprodução da cultura de outros povos? Somos simples imitadores? Por que de tanto vandalismo contra nosso patrimônio cultural, nossos monumentos, estátuas e outros bens históricos? É correto o termo de que os brasileiros não têm memória e pouco conhecem de sua história? São pontos de reflexão que vamos discutir no próximo encontro de dezembro.

A REVOLUÇÃO QUE SACUDIU O MUNDO (II)

ÀS PORTAS DA REVOLUÇÃO 

Com trapalhadas e tudo, vandalismos e vexames, sob o comando de Lênin, Stalin e Trotski, na madrugada de 26 de outubro de 1917, os revolucionários bolcheviques deram o golpe final e fatal no reinado do tzar Nicolau II, iniciando outra feroz ditadura.

A sucessão de erros do antigo regime na guerra e o agravamento da crise facilitou a ação intensa dos movimentos sociais, no período de 23 a 27 de fevereiro de 1917, em Petrogrado, derrubando uma autocracia de trezentos anos. Segundo os historiadores, foi uma revolução anunciada, mas inesperada. “Uma revolução anônima, sem líderes ou partidos dirigentes,” assim classificou o professor e pesquisador Daniel Reis Filho.

Como descreve Simon Sebag Montefiore, em seu livro “O Jovem Stálin”, o tiroteio, os tumultos e a alegria da “Revolução de Fevereiro” mudaram completamente o clima da capital. Carros blindados percorreram as ruas tocando buzinas, cheios de trabalhadores; garotas com pouca roupa e soldados acenavam suas bandeiras empunhando armas. Gráficas produziram jornais que representavam todas as opiniões políticas. Panfletos descreveram a ninfomania lésbica e lúbrica da imperatriz derrubada e suas orgias com Rasputin.

O tzar abdicou em dois de março, dando início ao fim dos Romanov. Criou-se um vácuo no poder, preenchido pela “Duma” com um governo provisório, encabeçado pelo príncipe Lvov. Formou-se, então, uma frente moderada-liberal (Kerenski) com cores capitalistas.

Foi decretada anistia geral aos presos e exilados, reconhecendo-se a liberdade de expressão e organização. Porém, a questão primordial para Lênin era salvar a revolução. O governo provisório continuava insensível, intransigente e agarrado ao conservadorismo político. Pouco se avançou. A agonia persistia com os conflitos. Esperava-se o fim da guerra.

Da Suíça, Lênin atacava o governo provisório e exigia paz com a Alemanha. Em Petrogrado, Stálin e Kamenev se aproximavam da direita e tentavam uma conciliação, para atrair os mencheviques radicais. Do exílio, Lênin começou a escrever cartas para corrigir os erros dos camaradas.

Incomodado com a situação, Lênin descobriu uma maneira de retornar. Com sua mulher Krúpskaia e seu companheiro Zinoviev, o líder embarcou num trem, se fingindo de surdo-mudo sueco. Através de suas armações, dominou o trem; aprovou a proibição de fumar; ditou as regras; e, em três de abril, parou com seu camarada e a mulher na estação Beloostrov, na fronteira russo-filandesa. Ainda no vagão da terceira classe, deu uma bronca em Kamenev: “Que diabo você anda escrevendo”? Stálin procurou disfarçar e recebeu o camarada, que naquela época tinha 46 anos e estava irado e violento, como assinala o escritor Simon Sebag.

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UMA LICENÇA PARA O TRABALHO ESCRAVO

O Brasil está conseguindo um feito inédito no cenário internacional que é retroceder aos tempos arcaicos do patriarcalismo das capitanias hereditárias e dos senhores de engenhos com a figura dos coronéis da “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre, onde o senhor todo poderoso era o dono de tudo, além da terra e dos escravos, e a ele todos deviam obediência absoluta. Outro país do mundo não consegue tal proeza!

Assim caminha o nosso maltratado Brasil de hoje, recuando ao tempo passado remoto, diferente das outras nações que procuram cada vez mais aplicar medidas evolutivas no trato do ser humano, através da melhoria da educação, da saúde, da ciência e da tecnologia. O nosso país prefere andar na contramão do progresso social, de volta aos tempos primitivos e coloniais.

Como se não bastassem a terceirização em todas as atividades, as reformas trabalhistas e previdenciárias de dominação do capital e aniquilação dos cidadãos, privatizações e entreguismo do patrimônio público, as retiradas de proteção ao meio ambiente e até das mulheres vítimas da violência dos seus maridos, agora o mordomo de Drácula manda o Ministério do Trabalho baixar uma portaria que concede licença à pratica do trabalho escravo nas arcaicas lavouras ruralistas brasileiras.

Como forma de pagar os votos dos ruralistas da Câmara dos Deputados, os quais irão dizer sim ao relatório fajuto que o inocenta das acusações de crimes de corrupção, o mordomo presidente, antecipadamente, recompensa os oportunistas, premiando-os com a Portaria 1.129 que reduz o conceito de trabalho escravo, dificultando a sua caracterização e consequente fiscalização.

A mesma Portaria determina que a inclusão de empresas na lista suja do trabalho escravo passa a depender de ato do ministro, tirando a autonomia da área técnica, tornando mais difícil a comprovação do crime. No resumo da ópera, a Portaria equivale a uma permissão do rei para o uso do trabalho escravo, não só no campo como na construção civil e em outros setores industriais.

Logo mais deve vir aí decretos para o retorno de concessões de patentes nacionais de coronéis aos latifundiários da terra, títulos de barões, condes, duques, condessas e duquesas. A tropa de enrustidos, seguidora do mordomo, já está defendendo que, como pagamento ao trabalhador rural, basta o patrão dar a comida e a dormida. Eles devem estar maquinando outros retrocessos contra as liberdades de expressão, o avanço e as conquistas das mulheres, dos negros, dos gays e de todas as minorias.

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A REVOLUÇÃO QUE SACUDIU O MUNDO (I)

Pelos conceitos filosóficos materialistas de Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) jamais o socialismo pregado por eles seria introduzido num país tão agrário e atrasado como na Rússia tzarista, sem o nível de consciência política e luta de classe como já existia em algumas nações da Europa Ocidental como Alemanha, Inglaterra e França.

Contrariando as teorias desses estudiosos, há cem anos (17 de outubro de 1917) estourou na Rússia uma revolução que sacudiu o mundo em plena I Guerra Mundial, influenciando depois outras revoluções com as mesma pegadas ideológicas na China (1949) e em Cuba, na América Latina, em 1959.

No Dia Internacional da Mulher de 1917, 23 de fevereiro no calendário juliano, a greve mais importante da história mundial começou com mulheres do setor têxtil em Petrogrado, conforme escreveu o historiador norte-americano Kevin Murphy, professor da Universidade de Massachusetts. As greves logo se generalizaram pelas cidades.

Enquanto os maridos lutavam no front da guerra, as mulheres trabalhavam 13 horas por dia num frio abaixo de zero grau em condições subumanas, tudo isso num regime brutal do tzarista que perdurava por séculos. Antes disso, os trabalhadores já tinham dado um grande exemplo ao mundo de auto-organização e poder, através dos sovietes, nos movimentos de 1905.

Diante de uma crise econômica e social profunda o regime tzarista não resistiu em 1917. Nicolau II foi obrigado a ceder, dando lugar a um governo constituído por socialistas revolucionários, cadetes e mencheviques que eram minoria.

De longe do seu exílio na Suíça, Vladimir Ilitch Lenin escrevia suas cartas em tom de manifesto dando suas impressões sobre os movimentos na Rússia e distribuía tarefas aos camaradas bolcheviques na luta de tomada do poder. No auge das greves tomou um trem blindado com destino à Estação da Finlândia e de lá para Petrogrado.

AS LUTAS REVOLUCIONÁRIAS

A Rússia começou a se agigantar a partir do século XVII com a dinastia dos Ramanov. Fortaleceu-se com Pedro, o Grande, no início do século XVIII. No seu trabalho “As Revoluções Russas e o Socialismo Soviético”, o professor e pesquisador Daniel Aarão Reis Filho descreveu sobre o império tzarista no final do século XIX quando era o maior Estado do mundo em tamanho (potência imperial), com população estimada de 132 milhões de habitantes (85% agrária vivendo em estado de miséria). Seu império chegava até ao Alaska, hoje dos Estados Unidos.

Toda burocracia de 500 mil funcionários era exercida pela polícia política, criada no reino de Nicolau I, entre 1825 – 1855, considerado responsável por todo atraso e repressão na Rússia. Mesmo no período imperial, onde predominava a tirania, a Rússia atravessou várias revoltas encabeçadas pelos jovens estudantes e camponeses, que exigiam reformas.

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O ENSINO CONFESSIONAL É RETROCESSO

É correto você catequizar uma criança para uma determinada religião? É certo as escolas darem aulas específicas de religião, ou apenas estabelecerem uma disciplina sobre história geral das religiões? E o ensino religioso confessional nas escolas públicas foi a decisão acertada do Supremo Tribunal Federal (STF)? Pelo resultado, a laicidade do Estado no Brasil não passa mesmo de uma retórica.

Para o espírita e fundador da “Cidade da Luz”, José Medrado, foi lamentável o voto do STF. Para ele, o professor poderá ensinar a sua própria religião. Na minha modesta leitura, foi um retrocesso e mais lenha na fogueira da intolerância.

Não vou citar atos de agressão religiosa por parte de fanáticos porque são muitos. Segundo Medrado, o Brasil está caminhando em marcha ré para perdas de conquistas individuais e coletivas por todos os lados. O que presenciamos é extremismo em tudo, não só de ideologia – afirmou.

Desde menino fui catequizado pela Igreja Católica e digo mais que sofri lavagem cerebral no meu tempo de adolescência no Seminário. Não vou aqui discutir questão de formação do conhecimento e aprendizagem escolar. Quem passou por isso sabe o que sente, e até hoje carrega consigo marcas, medos e conceitos conservadores difíceis de serem apagados. Confesso que hoje não sigo nenhuma religião e condeno expressamente o fanatismo.

No ensino religioso confessional, de acordo com o último parecer do Supremo, o aluno faz sua opção pela disciplina, ou seja, é uma matéria optativa na escola. Apesar da Religião Católica ser a mais disseminada por tradição cultural desde a formação do país, a Evangélica é a que tem hoje maior visibilidade e expansão.

Hoje não existe apenas uma bancada evangélica no Congresso Nacional, mas também nas escolas públicas. Para se ter uma ideia, quase 100% dos conselheiros titulares da criança e do adolescente de Salvador são evangélicos. As escolas privadas adotam o catolicismo cristão apenas como símbolo, sobrando apenas as unidades de determinadas irmandades ou ordens (Jesuítas, Maristas, Salesianos, Sacramentinas e outras) que são diretamente ligadas à Igreja Católica.

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A IMUNIDADE SEM LIMITES

Depois de longas discussões, amarra um texto ali, amarra outro acolá, maciotas e acertos, o Supremo Tribunal Federal (STF) terminou por consagrar a imunidade parlamentar sem limites, favorecendo a impunidade e de que a pregação da própria corte de que a lei é igual para todos não passa de uma simples retórica. Não é para levar a sério.

No exame da ação se uma cautelar do judiciário maior do país que pune um parlamentar pelos seus crimes é para ser cumprida, ou tem antes que passar pelo crivo das duas casas legislativas, a impressão que ficou é que o Senado emparedou o Supremo, e os homens que se dizem representantes do povo são mesmo intocáveis.

O que houve foi uma acomodação entre os deuses dos três poderes, cada um ditando suas próprias regras e leis para serem cumpridas somente pelo povo que a eles devem total obediência, sob pena de cadeia. Esquece esse negócio que foi dito de que o Supremo é guardião da Constituição.

Foi só uma turma do STF decidir pela punição do senador Aécio Neves por crime escancarado de corrupção, para o Senado deixar bem claro que não ia cumprir a ordem, mesmo que o Judiciário mantivesse a ação cautelar sem ter que passar por consulta da casa legislativa.

Caiu por terra a máxima da ministra Carmen Lúcia que disse que a lei era para todos quando assumiu a presidência do Supremo. Era só uma afirmação, como tantas outras por aí que acontecem no Brasil, sem efeito concreto. Ainda teve gente que acreditou nessa balela, como acha que o voto para obrigar que o mascarado revele sua identidade.

Não dá mais para confiar num Supremo que não reage ao ser abertamente criticado por um dos seus membros, no caso o ministro Gilmar Mendes, que classificou as decisões dos colegas como planfetárias. Quem tem um membro desse em seu colegiado, não precisa de inimigo.

Pela “melhoria do Brasil”, pela governabilidade, pelas emendas parlamentares, pelos cargos e pelas reformas que vão beneficiar as elites empresariais e políticas, o mordomo de Drácula, mais uma vez, será inocentado dos seus crimes. Com essa decisão salomônica do Senado, quem vai agora ser o guardião da Constituição?

 



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