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EDUCAÇÃO FOI O TEMA DO SARAU A ESTRADA NA NOITE DO ÚLTIMO DIA 7

Foi bastante proveitosa a noite do sábado dia 7 de julho do “Sarau A Estrada” com o tema “Educação: Por que nunca foi prioridade”? O evento foi mais uma vez aberto pela Academia de Letras de Vitória da Conquista na pessoa do seu secretário Evandro Gomes de Brito.

Logo após falou o jornalista e escritor Jeremias Macário que agradeceu a presença de todos que compareceram ao “Sarau Colaborativo” para mais uma discussão acalorada de professores e estudantes. Jeremias fez algumas pontuações sobre o setor no Brasil, cujos investimentos e as metas estão emperrados.

O jornalista citou, na ocasião, que o país deveria investir até cinco vezes mais do que aplica atualmente para melhorar o cenário da educação pública das creches ao ensino médio – segundo estudo lançado para Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Destacou que nos recursos para creches em período integral é onde está a maior disparidade.

Quanto às metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação, 16 das 20 estão estagnadas ou tiveram regressão nos últimos quatro anos, de acordo com relatório de acompanhamento do plano feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais.

Os debates foram aprofundados por cerca de duas horas com as falas dos professores da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Uesb, Itamar Aguiar e Jovino Moreira que, pela primeira vez nos deu a honra de participar do nosso Sarau.

Falaram também os professores Valdívia  Araújo e Benjamim Xavier, Karine, José Carlos, o aluno Mateus Lopes (grande tocador de violão) e outros como Regina Chaves dando seus testemunhos em salas de aulas, ou fazendo observações sobre o atraso em nossa educação no Brasil e seus problemas do dia a dia.

Esteve ainda presente o vereador e educador Coriolano Moraes que não pode ficar por muito tempo em nossos debates por causa de compromissos profissionais. Assinalamos também as presenças de Rosânia Gomes Birto, Tânia Gusmão, Jordano Bruno Andrade, Rita de Cássia Andrade, Renata Soares, Rose Prado, o fotógrafo José Silva, Jhesus Oliveira, o contador de histórias que sempre está abrilhantando nossas festas, a cantora Marta Moreno, sempre prestativa, Juracy Gusmão, conhecido como Juracy Ypsilone, o homem das cantorias, Pablo Gusmão, Jurandy Gusmão e Maria Del Carmem (Alejô).

Na última noite do dia 7, a maioria esteve no nosso Sarau Colaborativo, sempre recepcionado pela anfitriã dedicada da casa, Vandilza Gonçalves, pela primeira vez e todos saíram entusiasmados com o que viu, prometendo retornar aos próximos. O Sarau, em termos de participação, sempre esteve se reforçado com gente nova trazendo suas contribuições.

Depois das discussões, o pessoal relaxou a tensão na música e na declamação de poemas e piadas variadas, acompanhadas de uma cerveja gelada, um vinho e tira-gostos que todos trazem como forma de colaboração de sustento do Sarau, que já tem um novo tema sugerido pela consultora Karine. No final, lá pela madrugada, todos caíram numa deliciosa buchada feita pela nossa querida Vandilza, para forrar o estômago.

Sem data ainda marcada, todos concordaram que o assunto do próximo evento será a colonização de Vitória da Conquista, a formação do seu povo, cultura, artes e desenvolvimento político e econômico do município nos últimos anos, incluindo aí as necessidades e carências atuais.

Nem é preciso mais dizer que foi uma noite memorável em clima fraternal, todos respeitando as opiniões diversificadas sobre os mais variados assuntos, não somente no campo da educação, tema central do evento, como na política e na cultura em geral.

SÃO JOÃO DE RAÍZES TRADICIONAIS E TRANQUILIDADE AINDA É EM PIRITIBA

Valeu a pena o grande esforço para curtir aquele São João tradicional de raízes nordestinas, tão escasso e bem sossegado, sem confusão, ao estilo antigo de um arraial na roça. Estava em Juazeiro da Bahia e no sábado, na véspera da festa, decidi com minha esposa Vandilza Gonçalves viajar de ônibus do tipo pinga-pinga para Piritiba, no Piemonte da Chapada Diamantina.

Para matar as saudades dos velhos tempos logo cedo pegamos um ônibus de Juazeiro até Senhor do Bonfim, cerca de 130 quilômetros. De lá outro para Jacobina passando por Antônio Gonçalves, Pindobaçu, Saúde e Caem num estrada totalmente esburacada onde o poder público estadual não dá a mínima atenção. De Jacobina até Piritiba, atravessando Miguel Calmon, foi outra maratona de aventura, mas chegamos no destino por volta das 16 horas.

A partir daquele momento, mesmo estafados, tudo foi festa a começar da casa dos primos Roquinho, Leucia, Luane, Róssia e Dilton que nos receberam com muita alegria e disposição, com comidas e bebidas típicas do período junino, sem contar a recepção de outros amigos como o próprio Dalmir.

À noite, todos caíram no forró da Praça Getúlio Vargas, do “Arraiá Capim Guiné” onde sempre me lembro dos velhos tempos de moleque jogando bola no chão de cascalho, nos primeiros anos de emancipação da cidade, entre final dos anos 50 e início dos 60. Pena que não encontrei como meu amigo e companheiro cantor e compositor Wilsson Aragão que se apresentou no palco dia antes de ter chegado à cidade. Longa vida ao nosso grande talento musical piritibano.

Com bandas tradicionais de pé de serra da região, bem diferentes daquelas sertanejas, arrochas e axés porcarias que cobram quantias altas do povo, a praça estava lotada com mais de 15 mil pessoas balançando o corpo e no ritmo animado do forró. O que mais me impressionou foi a tranquilidade de todos na festa, sem brigas, e a decoração de casas de taipa, bonecos e expressões da vida do homem nordestino. Fiquei contagiado com aquele clima fraternal de que tanto necessitamos nos dias atuais.

Foi mais um São João memorável, desses que faz a gente se sentir mais otimista e crente de que nem tudo está perdido neste país que sempre primou por destruir nosso patrimônio cultural com misturas estrangeiradas. As noites foram tranquilas com total segurança para todos, e durante os dias a Prefeitura Municipal manteve as programações tradicionais dos concursos de quadrilhas e apresentações populares da terra da farinha da mandioca.

Entre as comidas típicas, licores e quentões, não faltou o beiju feito à moda antiga das casas de farinha. No domingo à tarde, a Praça Getúlio Vargas estava praticamente lotada para uma das atrações esperadas que se repete todos os anos em Piritiba. Trata-se da célebre Corrida de Jegue que diverte visitantes e participantes da atividade.

Pelo calor humano e receptividade aos turistas de várias partes, principalmente de Feira de Santana e Salvador, Piritiba ainda realiza um dos melhores São João da Bahia onde todos brincam sem medo, longe da violência das grandes cidades. Na madrugada, muitos seguem a pé para suas casas como fizemos de sábado para domingo, como se estivéssemos em outro Brasil, longe da violência e das notícias trágicas.

Roquinho e sua esposa abriram as portas de sua casa aos parentes e amigos num clima festivo e cativante ao ponto de quase esquecermos de curtir as ruas festivas do São João de Piritiba que continua deixando uma boa impressão aos visitantes. O colorido das barracas na praça, a música junina e sua gente hospitaleira deixaram saudades e o testemunho de que ainda existe São João autêntico no Nordeste.

MUNDIAL DIVIDE A TORCIDA BRASILEIRA

Carlos Albán González – jornalista

O Brasil tem hoje o segundo maior contingente de torcedores estrangeiros em território russo. A Fifa revela que os norte-americanos – sua seleção não foi classificada para a Copa deste ano – adquiriram 80.161 entradas para os jogos, seguidos dos brasileiros, com 65.863 ingressos, superando países com maior potencial econômico e mais próximos do maior evento do futebol no mundo, como Alemanha, Japão, Coréia do Sul, Espanha, Austrália e França.

Os números revelam um absurdo contra-senso, porque, como todos nós sabemos, o Brasil, mergulhado em corrupção e retrocesso, que envolvem governantes, políticos, empresários, juízes, servidores públicos e dirigentes esportivos, está se afundando cada vez mais no fosso da desigualdade social e econômica.

Esse aumento do abismo entre ricos e pobres ficou evidente na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada no final de 2017. Segundo a pesquisa houve há cinco anos uma redução da fatia dos mais pobres, graças aos programas sociais, como o Bolsa Família, que alcança hoje 13,7% das famílias no país – 28,4% no Nordeste.  No entanto, nos últimos dois anos o Brasil despencou 19 posições no item desigualdade social elaborado pela ONU, figurando hoje entre os dez mais desiguais do mundo. O exemplo mais evidente é o de que os 5% mais ricos detêm o mesmo rendimento dos 95% restantes.

Esses mesmos brasileiros que enfrentaram 30 horas de voo até Moscou ou São Petersburgo, onde o Brasil fará os dois últimos jogos da primeira fase – o primeiro será em Rostov-do-Don, são os mesmos que deixaram no primeiro trimestre deste ano 5 bilhões de dólares em viagens ao exterior, um aumento de 10,2% em relação ao mesmo período de 2017.

Pacotes de viagem com permanência de duas semanas na Rússia, incluindo o aéreo, com saídas de São Paulo e Rio de Janeiro, foram vendidos no ano passado, quando o dólar não sofria altas diárias por conta dos especuladores, por 18 a 35 mil reais, dependendo do tipo de hospedagem e dos longos deslocamentos no interior do país.

Os preços para os ingressos custam dez vezes mais do que os praticados na Copa de 2014. O mais barato (categoria 3, atrás das metas), utilizado na fase de grupos, vendido no Brasil a R$ 30, está sendo negociado a US$ 105 (cerca de R$ 404). O mais caro, para a partida final, talvez ainda possa ser adquirido por US$ 7.040 (R$ 27 mil). Alimentação e hospedagem têm preços equivalentes aos nossos. O metrô, o mais antigo e um dos melhores do mundo, é o meio de transporte mais utilizado dentro das cidades. O trecho Moscou-São Petersburgo, com 700 km, é coberto em 3h40 no trem-bala, por R$ 635; Moscou-Rostov-do-Don), com 15h34,custa R$ 473.

Desinteresse

Moradores de uma rua do bairro Real Copagre, em Teresina, tomaram uma decisão inusitada, em protesto contra a situação política do país, aliada às constantes denúncias de corrupção: as paredes e muros da rua foram pintados com de azul e branco, as cores da Argentina, além de bandeiras do país vizinho. A ideia teve o apoio de 90% dos moradores, que contribuíram cada um com R$ 25 para compra do material e a contratação de um pintor.

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METAS ESTAGNADAS E A FALTA DE MAIS RECURSOS PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL

Há muitos anos os textos sobre educação no Brasil só nos deixam deprimidos, tristes e decepcionados. São só índices negativos, e os planos desgarrados do contexto sempre fracassam porque não existe prioridade para o setor. Quando vamos escrever sobre o tema apresentando dados positivos, na certeza de que iremos ter um país bem melhor com justiça e igualdade social?

É uma interrogação que fica e ainda não temos uma luz no final do túnel que vislumbre boas perspectivas. É muita evasão escolar, e muitos jovens deixam o ensino médio sem saber ler e escrever. Nas competições e nos concursos, só desilusão e vergonha aqui dentro e lá fora, principalmente nas disciplinas de português e matemática.

Esse negócio de país alegre e feliz, como visto no exterior, é um mito. Como ser alegre e feliz sem uma educação de primeira? Não temos a imagem de uma nação séria, mas cheia de paradoxos, e em muitos casos até servimos de piada. Na falta de uma educação mais sólida, a nossa cultura se esvai, e não passamos de papagaios e marionetes imitando a dos outros.

INVESTIR CINCO VEZES MAIS

Agora mesmo, estudo lançado para Campanha Nacional pelo Direito à Educação registra que o Brasil deveria investir até cinco vezes mais do que aplica atualmente para melhorar o cenário da educação pública das creches ao ensino médio. O cálculo foi feito pelo Custo Aluno-Qualidade Inicial e leva em conta gastos para formação e valorização de professores, despesas com água, luz e outros tantos materiais necessários.

Nos recursos para creches em período integral é onde está a maior disparidade. Anualmente seriam necessários R$21.280,12 por aluno para custeá-las em áreas urbanas. Hoje o valor pago por meio do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) é de apenas R$3.921,67.

Para o ensino Fundamental, o cálculo feito estima que o valor deveria dobrar em cidades, e quase triplicar no campo. No ensino médio, o valor atual precisaria aumentar pelo menos 50%, passando de R$7.240,02 para R$19.167,47. Para a educação de jovens e adultos, os R$2.413,34 atuais necessitariam ser elevados para R$8.366,17.

De acordo com a estudiosa no assunto, Luciana Allan, do Instituto Crescer, o primeiro passo para o país avançar com qualidade do ensino público é contar com diretrizes educacionais claras, guiadas por um planejamento estratégico com metas para curto, médio e longo prazos, além de promover a avaliação periódica dos resultados. Fica claro que mais dinheiro é imprescindível, mas não é tudo. Tem que ser bem investido.

METAS NÃO AVANÇARAM

Relatório de acompanhamento do plano feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) constatou que das 20 metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE), 16 estão estagnadas ou tiveram regressão nos últimos quatro anos.

Com vigência de 2014 até 2024, o PNE conta com 20 metas para todos os níveis da educação, do infantil ao superior. Destas, ao menos três têm prazos intermediários já vencidos.

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AS CONTAS COM RESSALVAS E OS ALTOS GASTOS COM PUBLICIDADE

Com 23 recomendações e ressalvas, inclusive advertência de que cometeu “pedalada fiscal” e infringiu a Lei de Responsabilidade Fiscal, as contas do Governo Rui Costa (PT), referentes a 2017 foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado, mais um órgão vitalício peso pesado pago pelos contribuintes para encostar coligados políticos. Com a base montada, no legislativo as contas passam tranquilamente.

Num estado ainda pobre em educação, saúde, tão desigual e carente de saneamento e segurança, o governo gastou no ano passado R$162 milhões com propaganda e publicidade, um crescimento de 28% em relação a 2016, um absurdo para uma inflação em torno de 6% e um desempenho praticamente zero do Produto Interno Bruto (PIB), sem aumento salarial para o funcionalismo público. As universidades estaduais pedem socorro.

O conselheiro-relator Pedro Lino destacou na “pedalada fiscal” o fato do governo ter deixado R$1,6 bilhão em Despesas de Exercícios Anteriores (DEA), ou seja, os empenhos de contratos feitos para serem honrados em 2018. Isto significa que o estado gastou mais do que arrecadou e constitui crime de responsabilidade fiscal.

A auditoria do TCE mostrou quase R$1,6 bilhão em DEA, o que representa 3,87% da despesa total empenhada em 2017. A irregularidade estaria ferindo o Artigo 37, inciso 4º da Lei de Responsabilidade Fiscal. De 2013 a 2017, o montante em Despesas de Exercícios Anteriores só fez crescer. O custo com pessoal ultrapassou 90% do limite legal dos gastos.

Outro item sempre pago pelo povo que fica desfalcado em suas necessidades diz respeito às isenções fiscais concedidas a empresas para se instalarem aqui por um punhado minguado de empregos. Muitas delas, depois de certo tempo, vencido o prazo das benesses, fecham as portas e se mudam para outro lugar. Outras dão calote, como a chinesa JAC Motors que nem abriu sua fábrica em Camaçari e levou a bolada.

Em 2017, o estado concedeu um total de R$2,8 bilhões em isenções fiscais e renunciou outros R$16,1 milhões, não informados pela Secretaria da Fazenda. Segundo advertência de Pedro Lino, isso demonstra falta de transparência, ausência de planejamento e de critérios para concessão, fiscalização e avaliação de incentivos fiscais concedidos.

O valor de R$2,8 bilhões, de acordo com a conselheira Carolina Costa, equivale a 83% do piso a ser investido em saúde e educação. Portanto, é preciso fiscalizar e controlar o custo-benefício destas operações de transferência de incentivos fiscais, conforme recomendaram estes conselheiros em seus pareceres.

Outras ressalvas dizem respeito ao pagamento por ofício, sem prévio empenho, relativo às contraprestações de contratos de Parcerias Público-Privadas no total de R$355 milhões, e o fato do estado não ter executado as emendas parlamentares impositivas (sou contra este artifício político no legislativo) a que têm direito os 63 deputados estaduais. Os governos são assim: Quando estão fora criticam e quando estão dentro fazem o mesmo de seus opositores. Todos farinha do mesmo saco.

 

 

HOMICÍDIOS NAS AMÉRICAS E A FOME DOS IEMENITAS E NOS PAÍSES DA ÁFRICA

As nações mais ricas lançam foguetes bilionários no espaço e triplicam seus arsenais armamentistas investindo trilhões, enquanto milhões morrem por ano vítimas de homicídios nas Américas, de fome no Iêmen e em toda a África que ainda sofre a miséria do colonialismo. Os homens egoístas com suas tecnologias e muito dinheiro pensam em encontrar outro planeta para fugir da terra, a qual eles mesmos se encarregaram de detonar.

O Brasil passou a ter entre 2015 e 2016 a sétima maior taxa de homicídios das Américas, com um indicador de 31,3 mortes para cada 100 mil habitantes (no mundo a taxa é de 6,4 homicídios), conforme relatório da Organização Mundial de Saúde. Vítimas historicamente de governos tiranos. populistas, corruptos e incompetentes, a Honduras, por exemplo, lidera o ranking com 55,5 homicídios para cada 100 mil pessoas.

Nos últimos dez anos, 553 mil pessoas morreram de forma violenta no Brasil, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)m e do Fórum Brasileiro de Seguram Pública. Em 2016, pela primeira vez, o país ultrapassou a taxa de 30 homicídios por 100 mil habitantes, com recorde de 62.517 assassinatos.

O aumento ocorreu num período em que o país se transformou em potência nos mercados emergentes, e depois afundou economicamente. Como sempre liderando índices negativos, o Norte e o Nordeste registraram as maiores violências nas estatísticas.

No Brasil, um Estado criminoso de dentro dos presídios manda no Estado classificado de direito, mas falido. De fora, “as autoridades” demonstram poder que não existe. Enganam o povo com suas entrevistas de domínio, mas às ocultas, nos muros medievais das cadeias, se rendem aos acordos do comando do outro Estado que ordena tocar fogo em ônibus e delegacias.

Talvez nestas estatísticas não esteja incluída a matança e a execução de civis por policiais militares que acreditam na força para acabar com a violência. Aliás, o policial é também violento por despreparo para lidar e tratar o cidadão com respeito. Um exemplo foi a recente ação deles, em Salvador, contra uma mulher negra e grávida. Nossa sociedade é hipócrita. Fosse um civil batendo numa mulher, a reação da mídia e dos presentes seria diferente. Dá a entender que policial pode espancar mulher, mas o civil, não. Fosse nos Estados Unidos, toda nação negra tomava as ruas para protestar. Aqui nada acontece, como o assassinato do artista plástico numa cidade da Região Metropolitana há pouco tempo. Ninguém falou mais nisso. Outros casos desse tipo vão ocorrer, sem punição.

A NEGAÇÃO DO SOCIAL

A pobreza e a miséria que sepultam pessoas antes do tempo são também consequências de uma elite burguesa colonialista egocêntrica que tudo faz para negar a melhoria social do povo desta região das Américas. A Venezuela ficou em segundo lugar, com 49,2 homicídios para cada 100 mil habitantes. Sofrendo dos mesmos males, El Salvador ficou em terceiro lugar, com 46.

Com altos índices de homicídios seguem a lista dos massacres a Colômbia em quarto lugar com 43,1 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Depois vem Trinidad e Tobago com 42,2 e Jamaica no sexto com índice de 39,1. As taxas das Américas, na média, são superiores às demais regiões do globo.

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SETE MESES SEM FUTEBOL EM CONQUISTA

Carlos Albán González -jornalista

Vitória da Conquista, terceira cidade baiana, onde a maioria de sua população, de mais de 380 mil habitantes, tem poucas opções de lazer, vai ficar o resto do ano sem o seu futebol, prematuramente eliminado das competições que vinha disputando até o mês passado. Os uniformes alviverde do Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista e o alviceleste do Conquista Futebol Clube já devem estar nos armários, protegidos com naftalina.

O ECPP Vitória da Conquista divulgou nota em sua página na internet agradecendo o apoio em 2018 dos seus sócios e torcedores, pelo “comparecimento em nossos jogos, passando uma energia que nos motiva a continuar o nosso trabalho, buscando representar a  nossa cidade da melhor maneira possível”. Prometendo maior dedicação em 2019 o clube estende os agradecimentos aos 19 patrocinadores e aos meios de comunicação.

Nenhuma referência é feita sobre a quebra de contrato e os direitos trabalhistas do elenco de profissionais (jogadores e comissão técnica). Por fim, o comunicado revela que os planos para os próximos sete meses é de trabalhar com as divisões de base, visando a Copa São Paulo de Futebol Júnior, em janeiro.

O balanço financeiro do ano de cinco meses do Conquista ainda não chegou ao conhecimento dos torcedores. Numa consulta aos borderôs da CBF e da FBF constatei que somente nos seus dois primeiros jogos em 2018, contra Vitória e Jequié, pelo Campeonato Baiano, foi registrado um lucro de R$ 57.377,27, correspondente a um público pagante de 4.581pessoas. Já na terceira partida diante do Juazeirense o torcedor começou a se afastar do Estádio Lomanto Júnior.

Nos quatro últimos jogos – um deles, contra a Jacuipense, foi programado pelo presidente da FBF, o conquistense Ednaldo Rodrigues, para a noite de Quarta-Feira de Cinzas. Pelo torneio baiano o déficit foi de R$ 15.496,10.

No dia 30 de janeiro o Conquista deixou de ganhar R$ 1 milhão, prêmio dado pela CBF aos clubes que passaram para a segunda fase da Copa do Brasil. Diante de 1.399 torcedores o representante baiano empatou sem gols com o Boa Esporte, resultado que, pelo regulamento da competição, favoreceu a equipe mineira, deixando ainda com os baianos um prejuízo de R$ 10.994,14.

Antes de terminar o semestre o Vitória da Conquista ainda tinha um compromisso, talvez o mais importante da temporada: o Campeonato Brasileiro da série D. A CBF forneceu passagens aéreas, hospedagem e alimentação para 25 pessoas nos jogos em Campina Grande (Paraíba), Itabaiana (Sergipe) e Boca da Mata (Alagoas). Com apenas 6 pontos ganhos em seis partidas o ECPP não passou da primeira etapa, perdendo a oportunidade de subir um degrau mais alto no futebol brasileiro.

Chamou a minha atenção o fato de que o Conquista realizou suas três partidas no “Lomantão”, com pouca divulgação, em três noites frias de segundas-feiras, para um platéia de 1.350 pagantes, que deixou nas bilheterias a quantia de R$ 11.225,00. Ao mandante restou um prejuízo de R$ 23.459,15.

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AS NECESSIDADES DE CONQUISTA

Depois de ler o comentário do meu colega jornalista Jeremias Macário sobre as imperfeições desta cidade onde vive há mais de 20 anos, tendo ocupado a chefia da sucursal de “A Tarde”, na época o maior jornal do Norte e Nordeste do país, decidi registrar a opinião de um  morador, que trocou há quatro anos a atormentada Salvador pela tranquilidade, – embora há quem não concorde, – de Vitória da Conquista.

Companheiro Jeremias, a projeção que você deu a Vitória da Conquista e a toda a região sudoeste da Bahia não deve ter lhe rendido palavras ou gestos elogiosos daqueles que agiram com prejuízos para o município, notadamente os políticos. Mas, tenho certeza, que as críticas feitas, com as melhores intenções, receberam os aplausos do povo, embora uma minoria tenha revelado ganas de quebrar os seus ossos. Provavelmente, você foi vítima de ameaças, como muitos dos nossos colegas que labutam no interior do Brasil. Muitos deles foram assassinados.

A minha intenção, na verdade, é colaborar com os leitores de “aestrada”, ampliando a lista de problemas, de fácil solução, que tenho observado nesse curto período de vivência nesta cidade.

O primeiro deles é a quase completa ausência de placas de sinalização de ruas e avenidas e as relativas à circulação de veículos e pedestres. A prefeitura, com adesão de uma empresa privada, já deveria ter instalado postes nas esquinas dos logradouros. Com a expansão das áreas residenciais da cidade muitas ruas são indicadas pelas letras do alfabeto.  Verdadeira barafunda se constitui a numeração de casas e prédios. Cada proprietário coloca o número que mais gosta, com o consentimento da municipalidade.  A população agradeceria, principalmente taxistas, entregadores e carteiros.

Com relação ao trânsito são muitos os cruzamentos onde o motorista fica em dúvida qual é a via preferencial, porque não existe uma placa indicativa, causando freqüentes abalroamentos, com prejuízos materiais e vítimas. Menciono ainda as faixas de pedestres apagadas e os cruciantes quebra-molas, condenados em portaria pelo Denatran, mas objetos de requerimentos dos  vereadores interioranos aos seus prefeitos.

Como ex-repórter de Esportes de “O Estado de S, Paulo” aconselho à prefeitura, aproveitando o recesso de sete meses do futebol local, realizar uma ampla reforma no Estádio Lomanto Júnior, construindo instalações para a imprensa escrita (jornalistas que vêm cobrir jogos interestaduais se queixam da falta de um local para trabalhar), instalando cadeiras numeradas no setor central das arquibancadas e plantando um novo gramado.

A falta de lazer na cidade tem chamado a minha atenção. Nos finais de semana aqueles que não dispõem de recursos para irem às praias de Ilhéus e Porto Seguro, ou aos confortáveis sítios na zona rural, têm como opção o bate-papo nos botecos ou os shows musicais de qualidade duvidosa.  O Parque de Exposições Teopompo de Almeida, que só dá acesso ao povo três ou quatro vezes por ano, poderia ser utilizado como área de entretenimento, dispondo de uma infraestrutura que venha a agradar adultos e crianças.

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OS PONTOS MAIS FEIOS DE CONQUISTA QUE DEIXAM MÁ IMPRESSÃO DA NOSSA CIDADE

Tem gente que tem raiva da mídia e de seus jornalistas quando estampam matérias mostrando a realidade de abandono, falta de manutenção, sujeira e destruição de logradouros, ruas, avenidas, praças e equipamentos importantes da cidade. Os políticos no poder, mesmo aqueles que se dizem democráticos, ficam irados e até ameaçam a vida de chefes e redatores da imprensa, revivendo os tempos dos coronéis.

Digo isso porque senti na pele, tempos atrás, a reação e o ódio daqueles que sempre acharam que você é contra a cidade e nela não merece viver quando faz reportagens críticas mostrando pontos negativos. Não aceitam o papel da imprensa e ai só querem condenar os responsáveis, se bem que não concordo com oposição ao poder constituído meramente por questões pessoais.

AS QUATRO MARMOTAS

Sem mais nariz de cera, me arrisco, mais uma vez, visto que já estou acostumado a apanhar, a ressaltar aqui os pontos atuais mais críticos e feios de Vitória da Conquista que devem ser evitados pelos moradores e não se recomenda que sejam mostrados a visitantes. Pena que seja nesta Conquista, capital do sudoeste, que já foi conhecida como a cidade das flores, da cultura e decantada como a suíça do sertão baiano pelo seu clima no inverno.

O Atacadão da Ceasa, da Avenida Juracy Magalhães, a Feira da Ceasa, no centro, o Terminal de Ônibus da Lauro de Freitas, apelidado como “Cabeça de Porco” e a Lagoa das Bateias são quatro marmotas da cidade, se bem que existem outros locais que precisam ser cuidados com urgência para não desfigurar mais ainda nossa polis, como a Praça Barão do Rio Branco e adjacências, ultimamente poluída por carros, propagandas de todo tipo e invadida por camelôs e vendedores de frutas.

Temos ainda o aeroporto que é uma vergonha para quem chega e sai, sem contar o caótico trânsito que necessita de um grande projeto de mobilidade urbana. A área cultural em todas suas linguagens artísticas pede socorro e carece de ser reativada. Conquista é uma das cidades que mais cresce no Norte e Nordeste e merece ser tratada como média a grande porte, não como uma pequena. Temos ainda a questão da água que não foi resolvida, enquanto não for construída a barragem do Catolé. Saímos do racionamento graças as chuvas de São Pedro, mas a cidade não pode ficar dependente da providência divina.

Vamos começar falando da Ceasa Atacado, da Juracy Magalhães, que já deveria ter sido interditada pela Vigilância Sanitária e pelo Ministério Público se vivêssemos num país sério que respeitasse e colocasse em primeiro lugar a higiene e a saúde de seus cidadãos.

Se já não esteve lá, não aconselho que vá, nem leve ninguém, principalmente de fora para visitá-lo. É um dos pontos feios da cidade onde impera a sujeira por todo lugar com verduras e frutas expostas ao chão, boxes inacabados e outros em estado lamentável, espaços apertados sem iluminação e ventilação e banheiros precários.

Há muitos anos, comerciantes e o poder municipal discutem maneiras de reformar e ampliar o Centro de Abastecimento, mas nunca se chega a um acordo sobre as responsabilidades de renovação de suas instalações. O local não oferece condições de funcionamento e pode ocorre um acidente tipo daquelas tragédias anunciadas que sempre acontecem em nosso país.

A Feira da Ceasa é outro local carente de requalificação e ordenamento do seu comércio para dar melhor comodidade ao feirante e ao consumidor. Os boxes e seus balcões de refrigeração de vendas de carnes e derivados em geral não estão mais dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura quando foram implantados há mais de 15 anos.

Os corredores estão sempre sujos com um lodo escuro onde cachorros e outros animais transitam procurando restos de comida e carcaças de ossos em seus vãos. Em frente dos galpões fica difícil transitar por causa do grande número de pequenas bancas de verduras e frutas que tomaram todos os espaços.

Dentre os pontos mais desgastados e que não atendem mais a demanda de uma cidade de mais de 300 mil habitantes, que sempre está crescendo, talvez o Terminal de Ônibus da Laura de Feitas, chamado por muitos de “Cabeça de Porco”, seja o mais horrível em termos de falta de espaço para circulação de ônibus e veículos pequenos, sem contar a poluição das descargas dos automóveis.

Em épocas de eleições, fala-se muito em melhorias da área, mas não há como fazer isso num logradouro que não tem mais espaço para obras de ampliação, a não ser algumas pinturas e serviços de consertos que não vão devolver ao local às reais necessidades da população. Sempre insisto que a saída é implantar outra estação próxima do centro e urbanizar aquele terminal, humanizando mais o espaço, em benefício dos usuários e comerciantes. No mais, é jogar dinheiro do povo fora com maquiagens.

Outro local em total degradação que poderia ser hoje um dos mais visitados da cidade por todas as idades, para lazer e entretenimento, é o Parque da Lagoa das Bateias, construído há seis anos no governo do prefeito José Raimundo. Muitos equipamentos estão quebrados e quase ninguém frequenta o lugar.

É uma área bonita e que tinha tudo para ser aprazível, mas encontra-se poluída pelos esgotos que nela cai de várias partes urbanas do lado oeste da cidade, formando um bolsão de sujeiras propício para criação dos mosquitos da dengue. O mau cheiro é insuportável e poucos animais frequentam a Lagoa.

São os pontos mais críticos que carecem, urgentemente, de projetos de requalificação para que Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, não passe tanta vergonha ao receber visitantes, e restitua aos seus moradores a beleza característica dela como portal do sertão e passagem para todas regiões do país.

 

 

O MEIO AMBIENTE AGRADECE

A greve dos caminhoneiros revelou absurdos, caos no abastecimento de produtos em geral, o mau caráter de milhares de brasileiros, tanto de consumidores como de comerciantes, desvios de personalidades, perigosas tendências ideológicas para a ditadura, mas teve muitos pontos positivos, e um deles foi o alívio que se deu para o meio ambiente, retirando do ar grandes quantidades de poluentes de fuligens e gás carbônico.

Nisso tudo, depois de tantos transtornos, a natureza agradece pela menor circulação de carros nas estradas e nos centros urbanos. O movimento serviu para alertar a todos que a corrente maluca, fascista e reacionária que prega uma intervenção militar no país, não é mais tão insignificante e sem importância como era vista por muitos há dois ou três anos.

Há mais de cinco anos venho dizendo que a extrema direita era perigosa, mas sempre fui contestado de que não existia clima para isso. E agora, existe? Muitos generais já começam a ficar impacientes. Serviu também para atestar que o mercado governa o Estado, e não o inverso. Estamos sendo fritados num frigideira capitalista.

Apesar de muitos gestos de solidariedade, serviu ainda para mostrar o grau elevado de egoísmo e individualismo dos gananciosos avarentos, tão perniciosos quantos os políticos corruptos. Serviu para confirmar os erros do passado, desde o governo de Washington Luiz, na década de 20, quando se deu prioridade ao sistema rodoviário, intensificado mais ainda no mandato JK. Na época, Juscelino abriu mais estradas para favorecer a Fábrica Nacional de Motores, conhecida como “Fênêmê”, ou Fome, Necessidade e Miséria, para que seus caminhões pudessem rodar e transportar as mercadorias.

As medidas de retirada da CIDE e redução de 46 centavos do óleo diesel não vão resolver o problema, e não passam de ações paliativas, tendo em vista que vai persistir a loucura da política de preços dos combustíveis, embutidos com a variação do dólar e a cotação do petróleo no mercado internacional. A ira vai continuar e pode enveredar para uma convulsão social.

Com a intenção do governo morto de cortar gastos nas já debilitadas áreas da educação e da saúde, para compensar o pequeno subsídio dado ao diesel, vai afundar mais ainda o Brasil e aprofundar a desigualdade social obscena. Nada de cortes nas mordomias e privilégios nas castas roedoras dos nossos recursos, encasteladas nos poderes executivo, legislativo e judiciário. A tudo eles assistem de suas torres reais como se fossem intocáveis.

Até 1988 o governo federal ficava com 24 reais dos 100 ganhos por cada brasileiro. Nos tempos atuais leva entre 34 a 36 reais. A média de aposentadoria do trabalhador comum gira em torno de mil e setecentos reais por mês. Um funcionário do executivo se aposenta com uma média de sete mil reais. No legislativo essa média sobe para 16 mil reais. Para aonde vai tanto dinheiro pago pelo contribuinte? Nem precisa dizer.

Voltando para o meio ambiente, que agradece a greve dos caminhoneiros, o aumento de 34% no número de viagens de bicicletas compartilhadas no período demonstra seu lado positivo. Nas capitais de São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Recife e Rio de Janeiro ocorreram 118 mil viagens contra 88 mil na semana anterior às manifestações. Muitos animais que servem de alimentos para os humanos morreram de fome antes do tempo, mas outros milhares ganharam mais alguns dias de vida. É uma ironia!



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