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NO PAÍS DA IMPUNIDADE

Carlos González – jornalista

Dissimulados, embiocados, camuflados e submetidos a cirurgias plásticas faciais; morando em luxuosas mansões, apartamentos e em fazendas-modelo; levando uma vida de nababo; evitando os olhares curiosos dos vizinhos e o assédio da imprensa; fazem voto de silêncio, Assim vive uma casta de brasileiros. Investigados por crimes contra o erário público, – raros são os que passam alguns dias numa cela – porque logo são transferidos para o regime da prisão domiciliar. Eles têm consciência de que vivem no país da impunidade.

Nessa lista de privilegiados figuram presidentes, governadores e prefeitos, seus ministros e secretários, políticos, diretores de estatais, assessores parlamentares, empresários, magistrados, funcionários públicos do alto escalão, lideranças neopentecostais e dirigentes esportivos. A maioria continua a receber gordas aposentadorias.

Alguns desses endinheirados cidadãos contaram na sua vitoriosa carreira criminosa com fieis auxiliares, os chamados testas-de-ferro, também apelidados de “laranjas”. O silêncio é a arma de defesa dos acusados. Denunciar (ou ameaçar) quem está por detrás dos desvios de verbas públicas e de lavagem de dinheiro pode significar a morte.

Dessa extensa lista lembro os nomes dos ex-policiais Ronnie Lessa e Elcio Queiroz, genuínos bodes expiatórios, acusados de autoria dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes; vítima de “queima de arquivo”, capitão PM Adriano Nóbrega, morto em Esplanada, na Bahia, antes de revelar uma suposta ligação dos Bolsonaro com a milícia carioca; sequestro e morte, em janeiro de 2002, do prefeito Celso Daniel, de Santo André (SP), crime praticamente insolúvel, que colocou o PT como suspeito.

PC e Fabrício

Tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Mello às eleições presidências de 1989, o empresário PC Farias exorbitou de suas funções na captação de recursos. Após a posse de Collor, a  sede de poder do assessor e amigo se estendeu por toda a cadeia governamental, envolvendo o presidente, que passou a ser alvo de protestos populares, estimulados pela delação do irmão Pedro Collor. Pressionado, renunciou em 29 de dezembro de 1992, horas antes de o Congresso aprovar o impeachment.

Acusado de extorsão e formação de quadrilha, PC fugiu do país. Preso em novembro de 93, em Bangcoc, na Tailândia, foi condenado a sete anos de prisão; em dezembro de 95 ganhou a liberdade condicional; em 23 de junho de 96 foi morto, junto com a namorada Suzana Marcolino. Suicídio, crime passional, duplo homicídio. A dúvida perdura até hoje. Quatro dos seus seguranças foram indiciados como autores, mas, posteriormente, absolvidos por um júri popular.

Muito se discute a semelhança entre os dois “tesoureiros” Além da calvície e da estatura mediana, Fabrício Queiroz e PC Farias  estiveram e estão ligados ao poder central. O alagoano foi, de fato, o principal assessor de Fernando Collor, que não vê analogia nos dois casos; Fabrício goza da confiança do clã Bolsonaro, haja vista que fez do silêncio um juramento, mesmo tendo experimentado por quase dois meses a dura vida numa prisão.

Fabrício e a mulher Márcia Aguiar (levou um período foragida) cumprem prisão domiciliar, concedida pelo ministro Gilmar Mendes, da STF, e sob  a proteção do advogado bolsonarista Frederico Wassef, o Anjo, numa rua discreta em Jacarepaguá.

Segurança e motorista dos Bolsonaro desde 1984, o ex-PM foi acusado de operar a “rachadinha” (apropriação de parte dos salários dos funcionários do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, hoje ocupando uma cadeira no Senado).

O dinheiro arrecadado entre os assessores parlamentares, incluindo suas duas filhas, apontadas como “laranjas” do esquema criminoso, era “lavado” no mercado imobiliário ou repassado para diversas contas bancárias. Uma delas, pertencente a Michelle Bolsonaro, recebeu cheques no valor total de R$ 89 mil. Essa transação inspirou o roqueiro Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, a compor a música “Micheque”.

Dizendo-se vítima de ofensa, calúnia, injúria e difamação, Michelle procurou a Delegacia de Crimes Eletrônicos, de São Paulo, solicitando que a obra satírica seja retirada das plataformas digitais e que se proíba sua execução em locais públicos e privados.

Antes de se refazer de uma contrariedade, a primeira-dama volta às páginas dos jornais. Segundo o noticiário dessa quinta-feira, os R$ 7,5 milhões doados pelo frigorífico Marfrig para a realização de 100 mil testes rápidos da Covid 19, foram desviados para o programa “Pátria Voluntária”, administrado por Michelle, e repassados pela ministra Damares Alves, a que encontrou Jesus no alto da goiabeira, para distribuição, sem concorrência, entre instituições evangélicas.

 

 

NA ESPERA DE NOVOS PROJETOS

Fotos de Jeremias Macário

Estamos na corrida eleitoral para vereadores e para prefeito, que irão comandar por mais quatro anos os destinos da terceira maior cidade da Bahia. E o que Vitória da Conquista mais espera dos candidatos eleitos? Diria que mais projetos de infraestrutura que estejam à altura do tamanho da nossa cidade. Um dos primeiros é a questão da água através da construção de uma nova barragem, cujo empreendimento caiu no esquecimento depois que São Pedro mandou chuvas mais constantes para o município. É bom lembrar que se trata de uma promessa política de mais de 20 anos, passando pelos governos do PT. Outro problema sério é quanto à mobilidade urbana onde o transporte coletivo é um caos, e o povo sofre com falência de empresas e ônibus lotados caindo aos pedaços. Conquista necessita de inovações com outros meios de deslocamento, como BRT e VLT. Mesmo com algumas mudanças (novos semáforos, aberturas de algumas ruas e outras sinalizações), o trânsito continua travado, e não é a tal reforma do apertado Terminal de Lauro de Freitas que vai desafogar as ruas e avenidas. Locais de lazer e entretenimento  são outras urgências para que a nossa cidade se torne mais humana, com melhor qualidade de vida. Não basta urbanizar algumas praças e avenidas. A Lagoa das Bateias continua abandonada, suja e sendo local de despejo de esgotos. Nada se fez nos últimos oito anos para que o local passasse a ser atração de todos moradores em finais de semana. Outra carência é a falta de uma política cultural que contemple todas as linguagens artísticas, como artes plásticas, literatura, teatro, dança, música e demais expressões. A cultura tem sido tratada como um objeto de decoração na mesa do prefeito. Como prioridade de tudo isso, está a educação que precisa ser bem mais valorizada, tanto o corpo docente como discente. Pelo seu porte, Conquista espera por obras de grande porte e de uma Câmara autêntica, competente e fiscalizadora, que não passe todo o tempo dizendo amém para o poder executivo, aprovando moções de aplausos e fazendo assistencialismo. Por fim, vamos elaborar um novo plano diretor urbano, para o seu ordenamento.

BIOMAS EM CHAMAS

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Esses malditos agro-capitais,

Querem é derrubar e queimar,

Nossas milenares florestas tropicais.

 

Bendito é o rio que corre livre das chamas!

Louvado o canto divino do sabiá nordestino,

Que roga ao Norte a se unir ao pampa sulino,

Para defender proteger nossos ricos biomas.

 

Em meus olhos desse Supremo Criador,

Oh quanta tristeza ver essa beleza em chamas!

Pelo cruel homem destruidor dos biomas,

Na ganância do sempre ter mais riqueza

 

As araras da caatinga presas em suas garras,

O tuiuiú pantaneiro voa na fumaça da secura,

Nas selvas raras reina a canção do uirapuru,

Os nativos em seus ritos benzem seus biomas,

Para que a mãe terra pare de arder em chamas.

 

No enlace sacro das águas com as divindades,

Da foz que se enrosca com o balanço do mar,

No namoro eterno que nasce do vento com o ar,

Cada ronco do motosserra é um gemido vil,

Da morte animal nas chamas do nosso Brasil.

 

No árido deserto das fornalhas de carvão,

Sumiram a rolinha ”fogo pagou” e o gavião,

No cerrado granado só a soja para a China,

Não mais o pequi e o esvoaçar da campina,

 

Sai o madeireiro e entra o mercúrio garimpeiro,

E a vida ora em memória da fauna e da flora,

Do Saci e do Curupira banidos da nossa cultura,

E nada cura essa ira de um futuro de chamas,

Ao dele fazer um monturo de nossos biomas.

 

No Brasil de nossas eras destas bestas feras,

De ratos em suas farras a esporrar suas taras,

O cara acusa o índio-caboclo de incendiários,

Assim fez Nero com os cristãos na Roma real,

E nele se encarnou do seu mal lá do seu altar,

Para varrer da Amazônia, os donos do seu lar.

 

Esses malditos agro-capitais,

Querem é derrubar e queimar,

Nossas milenares florestas tropicais.

 

 

O DINHEIRO E A “MÁQUINA” SEMPRE FALAM MAIS MALTO NAS ELEIÇÕES

COM A MINHA DESISTÊNCIA NA DISPUTA POR UMA CADEIRA À CÂMARA DE VEREADORES, OPTEI EM APOIAR O NOME DE MOZART TANAJURA PELA SUA ÉTICA E CAPACIDADE.

Por mais que se fale para o eleitor que vote consciente no candidato, para que sua escolha não seja errada, é muito difícil essa advertência ser seguida em nosso país, devido a vários motivos por demais conhecidos, como, por exemplo, o baixo nível educacional. Mais uma eleição, agora municipais, onde falam mais alto o dinheiro e a “máquina” pública dos que estão no páreo pela reeleição.

Vamos particularizar o pleito em Vitória da Conquista fazendo referência aos 21 vereadores da Câmara (um número absurdo para nossa realidade) onde somente poucos contam com a competência para legislar e exercer seu papel, conforme é exigido por lei de um representante parlamentar. Sempre tenho dito que a nossa Câmara está num nível bem abaixo da posição da nossa cidade como a terceira maior da Bahia.

POUCA RENOVAÇÃO

Como acontece de quatro em quatro anos, não será dessa vez que vamos ter uma renovação digna e expressiva, com eleitos preparados e conscientes do seu dever para o cargo, principalmente em termos de conteúdo e seriedade. Logo de largada, sabemos os que vão ser reeleitos, porque a disputa é totalmente desigual para os novos, mas ninguém quer saber de uma reforma política.

É uma disputa que já começa com os 21 lá na frente, dobrando a curva para a reta de chegada. Para alcançar alguns e ficar entre os vencedores, infelizmente, conta muito ter uma boa grana para investir nesse curto tempo de propaganda. Ouvi gente falando aqui, em Conquista, em gastar um milhão de reais, o que não deixa de ser um chute, ou exagero.

Geralmente, quem vai “torrar” muito dinheiro para tentar ser eleito não é o candidato ideal, pois esse cara já entra na Casa com outras intenções, não de representar o povo e buscar melhorias para a comunidade em termos coletivos. No frigir dos ovos, a renovação que houver não vai significar real mudança. Tudo vai continuar como Dantes…

Muitos, inclusive faço referência à minha pessoa, desistiram de prosseguir na caminhada por questões financeiras, porque o núcleo regional do partido não dispõe de recursos para, pelo menos, ajudar seu filiado na divulgação do seu nome entre o eleitorado. Como o sistema é bruto, não adianta ter boas intenções e se considerar capaz para sua função.

Outro problema que me fez desistir foi a pandemia da Covid-19, sabendo que muitos inescrupulosos colocam sua candidatura acima da vida e passa por cima das leis porque sabem que não existe punição severa. A Justiça Eleitoral neste Brasil é uma das mais fracas, talvez a mais, no quesito rigor no cumprimento das regras.

Diante de tantas ilegalidades que se vê por aí, quando muito ela elege um bode expiatório e aplica uma multa, a qual nunca é paga porque se recorre. Essa Justiça não tem estrutura eficiente e até faz vistas grosas para quem age desonestamente com fake news, dinheiro ilegal por debaixo do pano, compra de votos nas madrugadas das noites, assistencialismo barato, dentre outras falcatruas.

Para ser bem realista, nunca foi uma Justiça confiável, desde os tempos iniciais da República e do coronelismo. Vale sempre a lei do mais forte. Como tive que desistir, embora com a vontade de marcar meu espaço e dar a minha contribuição leal, com ética na política, optei por apoiar o candidato Mozart Tanajura pelo seu passado de retidão e porque é uma pessoa preparada para representar nossa cidade no legislativo.

UMA HOMENAGEM À CIÊNCIA NA ARTE DO ESCULTOR ALAN KARDEC

Confesso que não consegui entender as críticas veladas e raivosas contra a escultura de um coronavírus e nele sendo aplicado uma injeção, ou uma vacina, feita pelo artista Alan Kardec, e que foi instalada nas imediações da Avenida Olívia Flores.

Muitos se expressaram nas redes sociais – e até aí é um direito de cada um – como um desrespeito e uma afronta aos mortos pela Covid-19, que em Vitória da Conquista está em torno de 140 pessoas e mais de 140 mil no Brasil.

NÃO COM ÓDIO E DEBOCHES

Em minha opinião, é uma homenagem prestada à ciência, aos médicos e aos técnicos da área de saúde que estão na linha de frente nos hospitais no combate à doença, e salvando vidas. De um modo geral, a arte é para ser vista e interpretada subjetivamente de várias maneiras, e é passível de críticas, mas não com manifestações de ódio, intolerância e até deboches, com memes.

O próprio autor da arte, um grande e talentoso escultor conquistense que tem dedicado toda sua vida a mostrar seu valioso trabalho, com recursos próprios, disse encarar as críticas com naturalidade, e que sua intenção foi puramente a de homenagear à ciência que está batalhando para encontrar uma vacina, ou medicamentos para acabar de vez com o vírus, de forma que a vida no planeta, de cerca de oito bilhões de habitantes, volte ao seu normal.

Alan, que é muito conhecido por suas polêmicas – e assim deve ser a vida inquieta de um artista – tem centenas, ou até milhares de obras espalhadas pela cidade que são apreciadas por muita gente. Como se não bastasse, em breve ele deverá entregar ao público o “Museu Kard” de esculturas, fruto do seu incansável trabalho de um operário abelha ou cigarra da cultura.

Infelizmente, não somente em Conquista, mas em todo nosso país, a nossa cultura tem sido jogada na cesta de lixo, censurada por moralistas dos “bons costumes” e até esconjurada. Arte deixou de ser reflexão da vida e da alma.

Essa gente das críticas ácidas, na sua grande maioria sem base fundamentada de conhecimento, não tem coragem de fazer cultura, não liga e nem dá importância para ela. Pouquíssimos hoje valorizam uma boa música, um bom filme, uma boa peça teatral, um poema, a leitura de um bom livro e, raramente, frequentam museus e salões de artes plásticas.

Nessa era de trevas, com odor podre medieval inquisitório ultraconservador, quase todos artistas hoje são vistos como comunistas esquerdistas que merecem ser queimados nas fogueiras. São espécies em extinção, como centenas de animais da nossa natureza. São pessoas que têm se mantido solitários nas trincheiras da resistência.

A SOLIDÃO DOS ARTISTAS

Como jornalista, pelo pouco que tenho feito pela cultura, escrevendo e elaborando minhas letras poéticas, me sinto vítima dessa solidão, onde meu produto tem o mínimo de valorização e merecimento. Também respondo como Alan, de que as críticas não me abalam. Muito pelo contrário, me dão mais forças para continuar na peleja.

Um exemplo disso são os nossos pioneiros vídeos de textos-poéticos que, com uma pequena equipe e um celular na mão (Jeremias Macário, Vandilza Gonçalves e José Carlos D´Almeida) vêm sendo realizados desde o início de março com a chegada da pandemia, e distribuídos para grupos de amigos, conhecidos, interessados e parentes. Com a colaboração financeira de algumas pessoas, conseguimos fechar um curta-metragem de pouco mais de 20 minutos.

Temos ainda o nosso “Sarau Cultural A Estrada” que neste ano completou dez anos de existência, produzindo conhecimento e troca de ideias. Com meus textos, tenho ouvido e recebido críticas invejosas de forte cunho ideológico, mas não é por isso que vou parar, e creio também que Alan está ainda mais inspirado para nos brindar com suas novas criações.

Neste Brasil de tantos retrocessos, arte hoje é destruir o meio ambiente, com derrubadas de árvores e queimadas; praticar a homofobia e o racismo; chamar o negro de escória; e defender que a terra é plana. Arte hoje em nosso país é acabar com o Ministério da Cultura, com a nossa cinemateca; apoiar a volta da ditadura; negar a ciência; e dizer que a Covid é uma “gripezinha”. Arte hoje é reduzir recursos do Ministério da Educação; roubar os cofres públicos e alimentar a corrupção com o fim da Força Tarefa da Lava Jato. Arte hoje é chamar os artistas de comunistas e bando de vagabundos imprestáveis.

CALDEIRÕES DE RAÇAS COM EXCEÇÃO DA CHINA QUE TEVE UNIFICAÇÃO PRECOCE

As seis nações mais populosas do mundo, com exceção da China, são caldeirões de raças que conquistaram a unificação política, e que ainda mantém centenas de línguas e grupos étnicos. A Rússia, um país eslavo, nem mesmo havia começado sua expansão além dos Montes Urais até 1582 – ressalta o cientista Jared Diamond, em seu livro “Armas, Germes e Aço”.

Índia, Indonésia e Brasil também são criações políticas, abrigando cerca de 850, 670 e 210 línguas, respectivamente. Somente a China revela-se política, cultural e linguisticamente monolítica. Foi unificada politicamente em 210 a.C. Ela só teve um sistema de escrita, ao passo que a Europa utiliza vários alfabetos modificados. Com mais de 1 bilhão de habitantes, mais de 800 milhões falam o mandarim, e outros 300 milhões sete outros dialetos.

CHINESES DIFERENTES

É bem verdade, que os chineses do norte e os do sul são geneticamente e fisicamente diferentes. Os do norte (mais altos, mais pesados, mais pálidos e olhos menores) são parecidos com os tibetanos e os nepaleses, enquanto os do sul, mais semelhantes aos vietnamitas e aos filipinos.

A Europa ocidental absorveu cerca de 40 idiomas só no período de seis a oito mil anos desde a chegada das línguas indo-europeias, como o inglês, o finlandês e o russo. A China tem também mais de 130 pequenas línguas, faladas apenas para alguns milhares. Por exemplo, os falantes do miao-iao (Cerca de 100 mil) são refugiados do Vietnã e levaram essa família de língua para os Estados Unidos, onde são conhecidos pelo nome de hmong.

Outro grupo é a austro-asiática que está espalhada pelo leste do Vietnã à península malaia e ao sul da Índia setentrional. Boa parte dessa fragmentação ocorreu nos últimos 2.500 anos e “está bem documentado historicamente”. Outros grupos étnicos chineses eram menosprezados e considerados como primitivos. A história da dinastia Zhou, de 1100 a 210 a.C. descreve a conquista e a absorção da maioria da população de línguas não-chinesas pelos Estados de falantes do chinês.

A China setentrional era originalmente ocupada por falantes do chinês e de outras línguas sino-tibetanas. Diz o autor do livro, que um motim linguístico deve ter passado sobre o sudeste da Ásia para o sul da China (Tailândia, Miamar, Camboja, Vietnã e Malásia).

Sabemos que o inglês não substituía a língua dos índios. Para acontecer isso, os imigrantes que falavam o inglês mataram a maioria dos índios por meio da guerra, homicídios e introduzindo doenças, sendo os sobreviventes obrigados a adotar o inglês,

PRIMEIROS CENTROS

A China foi um dos primeiros centros mundiais de domesticação de plantas e animais. As culturas mais identificadas eram o milhete ao norte, e arroz ao sul. Os sítios chineses pesquisados também continham ossos de porcos e galinhas. O búfalo-da-índia, o bicho-da-seda, os patos e gansos eram importantes. Os produtos posteriores incluem feijão, soja, cânhamo, frutas cítricas, chá, damascos, pêssegos e peras.  As contribuições ocidentais mais significativas para a China foram o trigo, a cevada, vacas, cavalos e cabras.

A tradição chinesa da metalurgia do bronze teve suas origens no terceiro milênio a.C., e acabou resultando na mais antiga produção de ferro no mundo, por volta de 500 a.C. Nos 1500 anos seguintes houve uma grande proliferação de invenções tecnológicas, como o papel, a bússola e a pólvora. Surgiram cidades fortificadas no terceiro milênio a.C., com cemitérios simples e suntuosos, mostrando as diferenças de classe.

A imensas muralhas urbanas de defesa, palácios e o Grande Canal comprovam que existiram governantes com mobilidades de forças populares. Relatos escritos das primeiras dinastias, remontando a Xia, também indicaram o grande potencial chinês, por volta de 2000 a.C.  Textos europeus dos tempos romanos e medievais descrevem a chegada da peste bubônica e da varíola, de modo que esses germes podiam ser de origem asiática oriental. A gripe dos porcos deve ter aparecido na China.

Os extensos rios que atravessam a China (O Amarelo e o Yang-tsé) facilitaram a difusão de culturas agrícolas e de tecnologia entre a costa e o interior. Todos esses fatores geográficos contribuíram para a unificação cultural e política precoce na China, ao passo que a Europa, com terreno mais acidentado, resistiu à unificação. A China desenvolveu um único sistema de escrita, ao contrário de outras civilizações.

As três primeiras dinastias Xia, Shang e Zhou surgiram na China setentrional no segundo milênio a.C. Escritas preservadas do primeiro milênio a.C. mostram que o chinês étnico já se sentia culturalmente superior aos “bárbaros” não-chineses. Os do norte costumavam considerar “bárbaros” até mesmo os chineses do sul.

Os Estados organizados pela dinastia Zhou do norte espalharam-se para o sul durante o primeiro milénio a.C., culminando na unificação política, em 210 a.C. O primeiro imperador Qin condenou todos os livros históricos por considerá-los inúteis e ordenou que fossem queimados. As históricas expansões para o sul dos birmaneses e laosianos completaram a sinificação do sudeste tropical da Ásia.

Até mesmo a Coréia e o Japão foram influenciados pela China, embora o isolamento geográfico garantiu que não perderiam seu idioma, ou a distinção física e genética, como aconteceu no sudeste tropical da Ásia. A Coréia e o Japão adotaram o arroz da China, o trigo, a cevada, a metalurgia do bronze e a escrita entre o segundo e o primeiro milênio a.C. “O prestígio da cultura chinesa ainda é tão grande na Coréia e no Japão que este país nem pensa em descarta seu sistema de escrita derivado do chinês”.

 

UMA AVE RARA E SÁBIA

Dizem que a coruja simboliza sabedoria, talvez por isso seja uma ave rara e difícil de ser encontrada em nossa natureza e no reino animal. Quando vista em algum lugar, bate logo aquela vontade de dela se fazer uma imagem como recordação, mais ainda quando se está com uma máquina ao lado. Não é fácil chegar perto, sem antes bater suas asas para outro ponto distante. Tive sorte dela se deixar ser fotografada pelas minhas lentes, mesmo com seu jeito cismado do tipo sertanejo matuto que demora para confiar no estranho. Além de ser uma curiosidade, a coruja não é muito de se enturmar e se relacionar com outras espécies. Não é de muito ajuntamento e aglomeração, como nos tempos atuais de pandemia. Pelo menos neste aspecto temporário, devemos seguir seu exemplo e sermos  sábios como a coruja, para evitar ser contaminado pelo vírus e passar para outros.  Em seu próprio habitat, e quando está sozinha, ela nos passa uma importante lição, de que sejamos observadores com o que acontece em nosso entorno. De qualquer forma, é um predicado de sabedoria. Apesar de chamar a atenção quando é vista em algum lugar, ela nem está ai para bonitezas onde faz seus descansos meditativos sobre o tempo, tanto que existe aquele ditado de que “quem gaba o toco é a coruja”. A coruja nos passa introspecção e nos faz pensar na vida, nos deixando mais leve e relaxado. Ao vê-la quieta, fico imaginando o que ela está pensando em fazer.

TAPA NA CARA

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Deixaram o corpo estirado na maca,

No corredor de um sujo hospital,

Não ganhou nem o seu funeral,

E eu, nem ao menos protestei,

Por nos tratar como bruaca.

 

Fizeram esculacho da nossa lei,

Escarraram em minha cara,

Nos surraram com reio e caiçara,

Na carne tremida pelo frio vento,

Da urina fedida do cru cimento,

E mais uma vez com tudo me calei.

 

A noite pode até ser uma menina,

Mas o dia é uma ave de rapina,

Entre chibatas nos espinhaços,

E rações nos tachos de melaços,

Lembram as épocas da coivara,

Que se acordava com tapa na cara.

 

O tempo que amacia e suaviza,

Também alisa e retalha a pele,

Penetra e endurece as juntas,

Torce e retorce o seu corpo,

E nos faz andar lentamente,

Até nos deixar seco indiferente.

 

 

 

 

O “CONTROLE” DA COVID EM CONQUISTA E O ÍNDIO-CABOCLO INCENDIÁRIOS

Na visão enrolada do secretário de Administração da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, a Covid-19 no município continua sob “controle”, mesmo com mais de sete mil pessoas que já foram infectados e o registro de quase 140 mortes, num período de praticamente seis meses. Enquanto isso, a flexibilização segue de vento em poupa, numa coligação com o comércio lojista (sua vice na chapa a prefeito manda na CDL) e o setor de serviços.

Por que a Secretaria de Saúde não se pronuncia sobre o assunto em Conquista, já que a questão é da sua competência, e não da Administração? Além do órgão público, é preciso que a mídia televisada, também ouça especialistas, como infectologistas, médicos e epidemiologistas, para dar um parecer independente sobre os números do coronavírus. No geral, as matérias são BOs (Boletins de Ocorrências). A mídia pouco questiona os fatos, e o público só recebe realizes.

Cadê as imagens de fiscalização?

Precisamos de outras versões mais balizadoras e analíticas, e não somente de um porta-voz oficial, com os mesmos pronunciamentos postados, e afirmando que os excessos cometidos, com relação aos relaxamentos, estão sendo fiscalizados. Como é mostrado em Salvador e outras cidades, cadê as imagens de fiscais combatendo as aglomerações em festas, bares e restaurantes, com barulheira e som alto nos finais de semana?

Assim, não dá muito para acreditar na situação somente ouvindo uma única versão do porta-voz oficial do poder público! No meu entender, a Covid-19, em Conquista, se mantém em aceleração, e o quadro pode ainda mais se agravar com a entrada oficial das campanhas eleitorais na corrida pelo poder no executivo e à Câmara de Vereadores. Não me atrevo a ir a um bar ou restaurante tomar a minha predileta cerveja com os amigos.

O ÍNDIO E O CABOCLO

Do âmbito regional ao nacional, assistimos, na última terça-feira, pela televisão, uma enxurrada de vexames e mentiras ditas na ONU pelo capitão-presidente que, por incrível que pareça (são os absurdos brasileiros), começa a ganhar popularidade, por conta dos auxílios emergenciais e dos seus cultuadores e idólatras ultraconservadores.

Diante da verborreia vergonhosa na ONU, a conta da depredação contra o meio ambiente sobrou para o pobre do índio e do caboclo que se transformaram em personagens incendiárias do Pantanal e da Amazônia, logo eles que ao longo desses séculos foram massacrados e dizimados pelos poderosos.

O que sobrou dessas etnias em nossas matas, está sendo empurrado para fora de suas terras, justamente pelos garimpeiros, grileiros e fazendeiros, os verdadeiros culpados pelas chamas que ardem a nossa mãe natureza. Ele acha que está enganando a quem? Certamente deve estar seguindo a cartilha do assessor de propaganda de Hitler, de que uma mentira contada mil vezes, vira verdade.

Poderia aqui elencar uma série de inverdades contadas aos brasileiros e ao mundo, como o controle da pandemia pelo governo federal, quando o vírus já ceifou 140 mil almas, e mais de três milhões já foram contaminados.

É muito duro ouvir que o Brasil é o país do mundo que mais preserva suas florestas e que mais soube conter o avanço da pandemia. Dá nojo e vontade de vomitar! Outras barbaridades foram pronunciadas, e até a mídia entrou no rol dos culpados pelos incêndios em nossos biomas.

O cara fala de democracia, mas defende a volta da ditadura, num governo que se aproxima claramente do fascismo; ameaça de forma agressiva a imprensa; comete crimes contra o meio ambiente, desmobilizando o Ibama e outros órgãos de preservação e, mesmo assim, ganha popularidade.

Poderia dizer que tudo está virado de cabeça para baixo, não fosse o caso de termos uma grande massa brasileira analfabeta, ignorante, sem conscientização política e, acima de tudo, pobre e miserável que “sobrevive” há anos de esmolas de cestas básicas. Poderia afirmar, lamentavelmente, que ele se apropriou da Covid para “comprar” o eleitor com o auxílio emergencial.

Basta um dinheiro no bolso, e o resto de ruim e destruidor é esquecido. Está comprovado que a miséria e a ignorância sustentam qualquer maluco no poder. É só soltar uma grana. Somos tão atrasados que ainda não saímos do coronelismo autoritário. O poder bebe da fonte da miséria e faz de tudo para que ela continue assim, dando voto.

O FUTEBOL SEM APITO E A COVID-19

Em meio a toda esta tormenta em que a nossa democracia corre um sério risco de ser engolida pelas ideias fascistas que encontraram um terreno fértil, criado pelos ressentimentos contra as esquerdas alopradas no campo da política, acompanhamos, nos momentos de descontração, um futebol insosso onde o juiz perdeu o apito com mudanças de regras que deixaram o esporte preferido dos brasileiros sem a “tesão” e o atrativo de antes.

Como se não bastasse ver o Brasil em chamas e garimpeiros fazendo protestos para que não haja fiscalização do Ibama contra as ilegalidades que estão envenenando nossa mãe terra e os rios, sem falar na expulsão dos nossos índios, temos uma multidão inconsciente que partiu para o relaxamento em relação à pandemia da Covid-19, que já ceifou quase 140 mil pessoas e continua matando.

VIDAS PERDIDAS NÃO SE RECUPERAM

O prefeito de Brumado, que insiste na volta às aulas neste final de ano, se junta às barbaridades, dizendo que o vírus não passa de uma panaceia e que a parada das atividades escolares também significa perda de vidas. Ora, um ano perdido de ensino pode ser recuperado, mas nunca uma vida que já se foi. Desde o início dessa “peste”, venho defendendo que neste ano fosse proibido a realização das eleições, o retorno às escolas e ao futebol.

Com relação a esta modalidade esportiva, que tanto empolga e cria polêmicas e discussões, as mudanças feitas nas regras foram para pior, como a substituição de cinco jogadores durante a partida, e essa tal criação do VAR que desmoralizou o árbitro em campo. A todo momento para o andamento da “peleja” a fim de rever jogadas. Marca-se um pênalti e volta-se atrás, e vice-versa. Ainda criaram as atais paradas técnicas.

Com toda essa confusão, sem público nas arquibancadas e jogadores sendo infectados pelo corona, o futebol ficou “pálido”, e a bola murchou, a não ser para aqueles torcedores fanáticos e doentes que chegam a declarar que seu time é a sua vida, coisa de cabeça oca que teve os neurônios queimados na falta de um sentido existencial.

Outra coisa que irrita no futebol de hoje é o número excessivo de faltas violentas, principalmente perto da pequena área do gol quando o adversário atacante está levando vantagem, ou deu um drible desconcertante na zaga. Ai, o “perna de pau” vem lá e bota para arrebentar, com uma tremenda rasteira. Deveria haver uma regra onde toda falta cometida nessas imediações do campo fosse batida de forma direta, sem barreiras. Só assim evitaria, ou reduziria o número de entradas faltosas. A “redonda” agradeceria voar e correr mais tempo nas quadro linhas, sem ser tanto perturbada e maltratada pelos brutos.

Sou Tricolor das Laranjeiras e já joguei futebol em minha juventude quando fui da seleção de Amargosa e do Seminário de Padre onde estudei, mas nos tempos mais recentes, confesso que estou perdendo aquele entusiasmo de antigamente, de tanto ver jogadores medíocres e mudanças nas regras, que só tiraram o atrativo e a empolgação do nosso esporte predileto que criava discussões calorosas, no bom sentido e com respeito.

O RETORNO DAS AGLOMERAÇÕES

Quanto à questão da Covid-19, é também lamentável o que vem ocorrendo com as pessoas que foram tragadas pelos negacionistas da ciência, e até defendem que a terra é plana. Voltaram-se às aglomerações e ajuntamentos nas festas e bares, sem os devidos regramentos recomendados pelos infectologistas e epidemiologistas.

Esses tipos de comportamentos irracionais, infelizmente, vão resultar no aumento das contaminações e de mais mortes, com a posterior obrigatoriedade de restrições e fechamentos da economia, o que significa prejuízos e sofrimento para os mais vulneráveis e pobres.

O capitão-presidente, que sempre fala em democracia, mas queria fechar o Supremo Tribunal Federal com tropas das Forças Armadas, vai à ONU e mente quando declara que os governadores e prefeitos são os maiores culpados pelas quase 140 mil mortes.

Ora, o Ministério da Saúde (dois ministros médicos deixaram a pasta para não trair seus juramentos), agora dirigido por um general (ele entende de armas), passa todo tempo fazendo propaganda da Cloroquina e é contrário a isolamentos. O próprio governo não dá exemplo quanto ao simples uso de máscaras.

Em conluio com a CBF, o próprio Ministério recomenda a abertura dos estádios de futebol ao público, onde se sabe ser impossível manter o distanciamento entre torcedores, especialmente no calor das partidas e dos xingamentos a juízes, adversários e ao seu próprio time quando está perdendo. Mesmo com a capacidade reduzida para 30%, vai ser inevitável as aglomerações nas entradas e saída, sem falar das ocasiões que se parte para a violência.

 





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