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EXECUÇÃO, MÍDIA E FUTEBOL

A polícia militar, principalmente, tem sua marca de violência e truculência. Sempre está ferindo de morte a cidadania, a liberdade e os direitos humanos. Toda sua linha de trabalho precisa ser reestudada e reformulada, com uma nova estrutura que se adeque aos novos anseios de respeito e igualdade social. Ela precisa rever seus conceitos para que renasça uma nova corporação, mas eles não querem nem ouvir falar nisso.

A vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL) defendia os direitos humanos e denunciava a agressão velada das polícias nas favelas da capital carioca, não somente da Maré, contra as minorias, os negros e os mais pobres. Recentemente acusou que estava havendo prisões arbitrárias de moradores, e isso já era previsível depois da onda de violência dos bandidos e a partir da intervenção federal.

Covardemente e de forma cruel, ela foi executada na quarta-feira, possivelmente por gente das milícias que dominam os morros do Rio e massacram os pobres, explorando e espalhando o terror a qualquer um que não obedeça ao seu comando.  Foi mais um atentado do opressor contra a liberdade e os direitos humanos.

Sobre a mídia, comentário de ontem em nosso espaço, reafirmo e não concordo com quem diz que a notícia é um espetáculo, e nem jornalismo é isso. Espetáculo é peça teatral. A tragédia do desabamento de um prédio em Salvador virou um espetáculo sensacionalista na filiada da “Grande Rede.”

Tragédias, mortes, desastres, crimes de execução, violências e outros fatos do cotidiano não podem virar espetáculos porque terminam desembocando para o sensacionalismo desvairado na boca dos jornalistas que se acham de atores. A carne é fraca! Notícia é fato real que deve ser tratada com racionalidade, embora mexa com sentimentos e emoções.

Quanto ao futebol (alô amigo e companheiro Carlos Gonzalez), gostaria de saber qual a diferença entre um jogo da “Libertadores” e outro da Liga de Campeões da Europa? Gonzalez tem a resposta na ponta da língua, mas diria que é a feiura de um e a beleza de se ver o outro.

Um é cheio de faltas estúpidas, de rasteiras para quebrar pernas, porradas, caneladas, chutões para o alto, passes errados e muita catimba. Praticamente não existe futebol. No outro existe plasticidade, espetáculo, poesia e a bola rola mais livre, e não é tão maltratada. Ah, o torcedor aprecia o bom futebol, sem agressões e truculências, mas, contrariando tudo isso, a mídia esportiva insiste que “Libertadores” é raça e tem que ter pegadas fortes, daí tantas faltas com o mínimo de tempo de bola rolando no gramado do campo.

O PORQUÊ E O JORNALISMO

Depois que a notícia virou espetáculo, recheado de apelos piegas e sensacionalismos, o jornalismo passou a esquecer de colocar em suas matérias o porquê dos fatos, deixando um vazio para seu público leitor, ouvinte ou o telespectador. Confundiram a arte de bem informar com o teatro e a novela.

Isso tem acontecido muito nas tragédias, nas catástrofes e nos desastres e, com raras exceções, as coberturas não têm questionado o porquê dos acontecimentos, fazendo um histórico complementar à pauta em questão. Geralmente, faz-se o factual, explorando o sentimentalismo, sem investigar o outro lado da história.

Um exemplo mais recente disso foi o desabamento de um prédio de quatro andares, em Salvador. Ficou sublinhado no noticiário que a construção foi erguida sem o acompanhamento de um engenheiro responsável, tampouco teve a licença do poder público como reza a lei. O que aconteceu, na verdade, foi uma tragédia anunciada.

Sobre esta questão das irregularidades na edificação de prédios, não somente em Salvador, sem a interdição por parte dos órgãos competentes, a mídia não deu destaque e quase nada falou sobre o assunto. Ateve-se apenas aos pesares sentimentais das famílias vítimas da tragédia.

Ao lado do factual, cabiam outras reportagens, através de entrevistas com especialistas, mostrando os riscos de se construir prédios sem o aval da engenharia e em locais inapropriados. Não se indagou do por que a obra não foi interditada pela prefeitura.

Limitou-se a dizer que o prédio foi feito com muito sacrifício por gente pobre, como se este fato social estivesse acima da vida. Depois do desastre, como sempre, todos passam a usar o nome de Deus em vão e criam-se os milagres, inclusive a própria mídia, a qual deveria ser mais racional.

Na maioria das vezes, uma ocorrência rende o desdobramento de outras pautas de cunho político, econômico e social levando o público a pensar e a refletir. Nos bons tempos da imprensa, quando ainda não havia internet, essa visão partia dos chefes de reportagens, dos editores e dos secretários de redação.

Nos dias de hoje parece que o jornalismo nosso de cada dia ficou preguiçoso e lerdo, se contentando com o óbvio. A preocupação maior, especialmente na mídia televisada (no rádio ainda é pior), é com o apelo sensacionalista.

A sensação que se tem é que o editor-chefe não filtra a apuração do repórter, e a matéria é publicada cheia de buracos e furos. Está mais para calhau. O resultado é que a informação sai capenga e incompleta, aspecto pouco analisado pelo leigo que recebe o produto deformado.

Claro que existe o jornalismo omisso, tendencioso, antiético e parcial com o propósito firme de distorcer ou ocultar os fatos, mas, muita coisa tem sido mesmo falta de profissionalismo da mídia atual. O que se percebe é que não se faz mais coberturas jornalísticas como antigamente, com competência e responsabilidade.

TESTE PARA NERVOS DE AÇO

Será que existe na vida estafante dos brasileiros coisa mais irritante e desgastante do que enfrentar o serviço de telemarketing para pedir um esclarecimento ou fazer uma reclamação? Não é nenhum teste para cardíaco, porque é caixão na certa, mas para quem tem nervos de aço. Estrangeiro nenhum resistiria tantos insultos. É desumano demais!

Pode ser qualquer um na área de telefonia, saúde, finanças ou um simples pedido de informação. Foi a pior desgraça que o sistema capitalista criou para atormentar a vida dos pobres mortais. Ainda não inventaram método de tortura igual, nem no tempo da ditadura militar. Pau-de-arara e choques elétricos são fichinhas. Nenhum regime conseguiu superar tamanho sadismo e barbaridade.

Ainda ontem eu e minha esposa caímos na besteira de ligar para o Cartão Ourocard Visa para solicitar uma explicação de uma cobrança esquisita do tipo Androceu SMLTDA – São José – BR no valor de R$14,30. Ficamos quase uma hora no celular na base da musiquinha, digite tal número, passe tais dados pessoais, senha, números e mais números, e ai tome a esperar pela atendente ou pelo atendente.

A mulher foi até paciente e calma, mas confesso, meu amigo, que entrei em pânico e desespero. Tive que encerrar a ligação aos gritos para não sofrer um ataque fulminante do coração. Não tenho nervos de aço. É a pior de todas as humilhações a que nós brasileiros estamos sujeitos no dia a dia, incluindo ai as violências das ruas e as injustiças sociais. O negócio foi feito para as empresas ludibriarem os indivíduos porque muitos desistem.

Telemarketing é bem pior que assalto, engarrafamento de trânsito, filas do INSS, marcação de consultas nos postos de saúde, cadastramento eleitoral e estrada toda esburacada como a superfície lunar, todos juntos de uma só vez. De dose em dose, o sistema consegue deixar a pessoa espumando de raiva.

Governo nenhum toma providência e nada de um projeto do Congresso Nacional para acabar de vez com este terrorismo capitalista safado. Se o povo brasileiro não fosse tão submisso e cordeiro, já teria havido uma mobilização geral com protestos para quebrar com pedras e paus todos os serviços de telemarketing do Brasil, como no código de Hammurabi, de dente por dente e olho por olho.

SARAU COMENTA POESIA DE CASTRO ALVES

Foi uma noite muito proveitosa na troca de conhecimento sobre a poesia de Castro Alves quando o “Sarau A Estrada” e a Academia de Letras de Vitória da Conquista prestaram, no último sábado (dia 10), uma homenagem ao poeta condoreiro que defendeu a liberdade, a abolição da escravatura no Brasil e sempre se colocou ao lado das causas sociais.

A sessão solene, antecipando a data do seu nascimento em 14 de março de 1847, foi aberta pela presidente da Academia, Nelma Suely Almeida Vieira, com a declamação do poema “Navio Negreiro”, seguida de um resumo da vida do poeta baiano pelo jornalista e escritor Jeremias Macário. Os debates prosseguiram com Benjamim Nunes e outros presentes ao encontro que também deram suas contribuições culturais sobre o tema.

O acadêmico e confrade Italvo Cavalcante de Oliveira chamou a atenção para a importância da obra do poeta no século XIX do Brasil escravo e indagou quais questões mais ele abordaria caso vivesse nos tempos atuais num mundo tão conturbado, lembrando as levas de refugiados das guerras e das crises sociais.

Ele transportou Castro Alves para os dias de hoje e disse que certamente iria empunhar seus versos em defesa dos refugiados e das injustiças contra a humanidade. O professor Itamar Aguiar trouxe para todos participantes da reunião uma pesquisa pouco conhecida sobre a última entrevista do poeta poucos dias antes de falecer em 6 de julho de 1871.

Nesta entrevista, Castro Alves fez grandes revelações sobre seu pensamento quando afirmou que a poesia, antes de tudo, tem que ser libertária e sempre se posicionar em defesa das causas sociais. Contou sobre sua passagem por Recife no curso de Direito quando foi colega de Rui Barbosa e com ele fundou a Sociedade Abolicionista do Recife.

O poeta não se furtou na sua última entrevista de falar sobre seus entreveros e discordâncias ideológicas com o escritor e intelectual sergipano Tobias Barreto. Revelou seu desejo de publicar outros livros, além do seu único “Espumas Flutuantes”, só que sua doença lhe tirou a vida aos 24 anos antes de realizar seus projetos.

O secretário geral da Academia, Evandro Gomes Brito e sua esposa Rozânia A. Gomes Brito se confraternizaram com todos e falaram da satisfação do encontro em conjunto com a turma do “Sarau A Estrada” que neste ano está completando oitos anos de debates e discussões sobre várias questões, inclusive já abrigou em sua sede no Espaço Cultural do mesmo nome o lançamento do filme “Corpo Fechado”.

Num clima fraternal e descontraído, o evento também contou com as presenças do ex-inspetor da PRF, Adalberto Peixoto do Couto, o conhecido Canarinho, Neide (esposa de Nunes), do grupo do “Sarau Colaborativo”, Baducha e Céu, Walter Lajes, Marta Moreno, Mano Di Souza e sua esposa Cleide, que nos brindaram com suas violas e cantorias até altas horas da madrugada, em complemento aos debates.

O fotógrafo José Carlos D´Almeida cuidou da cobertura fotográfica e a anfitriã Vandilza Gonçalves, sempre cordial e atenciosa, acolheu a todos com sua simpatia. O professor José Carlos e sua acompanhante e nosso companheiro Gildásio Amorim também se juntaram a nós nesta noite memorável onde, no bom sentido, a poesia de Castro Alves foi dissecada com debates literários de alto nível.

Como não poderia faltar num bom papo e à batida da viola, acompanharam as discussões uma boa comida, o vinho e a cerveja gelada trazidos por todos colaboradores do Sarau. Num clima harmonioso e de respeito, mas com temas calorosos e até acirrados em algumas ocasiões, outros assuntos foram tratados, além do central sobre a poesia do condoreiro indignado.

Com aprovação de todos, o próximo “Sarau A Estrada” ficou marcado para o dia 5 de maio, com o tema “50 Anos dos Movimentos Revolucionários de 1968 que Sacudiram a Terra” onde vamos fazer uma viagem passando pelos protestos na França, México, Estados Unidos, Alemanha, Brasil e na Tchecoslováquia, principalmente.

O VICTOR HUGO BRASILEIRO

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ESTÁ TUDO UM CAOS! CHAME O EXÉRCITO!

“Eu te salvei, gritou a mulher/E você me picou, mas por quê?/Você sabe que sua picada é venenosa e agora eu irei morrer/Oh, cale-se, mulher tola, disse o réptil com um sorriso/Você sabia muito bem que eu era uma cobra antes de me acolher”.

Esta fábula de Esopo é um alerta e cai muito bem para os tempos atuais. Serve para políticos aventureiros e regimes autoritários. As cobras venenosas estão ai. Com suas picadas já mataram milhares e, mesmo assim, de tão dissimuladas se fingem de inofensivas para serem acolhidas e continuar picando.

A grande maioria do povo brasileiro desconhece sua história e não está nem aí para está tal liberdade de expressão, mesmo porque, nem entende seu significado e importância. O mesmo pode-se dizer da democracia esquartejada e desacreditada. A crise moral e ética, a bagunça e a usurpação dos poderes, os quais deveriam ter respeito e dar exemplo de cidadania, nos levaram a esta triste realidade.

O caos, a desordem e a corrupção bateram forte na nossa porta! Então, chame as forças armadas para baixar o pau e por ordem na casa! Já ouviu papo de botequim sobre esta questão? Os bebuns (não só eles) aprovam intervenção militar, falam bem da ditadura e tascam conversas tortas, deturpadas e desconexas sobre aquele tempo. “Naquela época havia moralização e não existia corrupção” – grita de lá do canto o mais exaltado defensor, entornando mais um gole da maldita.

A FALÊNCIA E O MEDO

Por que o exército e as outras corporações militares correlatas estão no topo das aprovações entre todas as outras instituições do Brasil, inclusive da Igreja Católica? Tem suas razões, a começar pela falência das outras (legislativo, judiciário e o executivo) que levou o povo a perder as esperanças e a ter muito medo da violência de morte. A ignorância sobre a história passada é outro fator que contribuiu para elevar o índice de aceitação.

Pois é gente! A que ponto chegamos! E os aplausos efusivos e arrogantes ao Bolsonaro ditador e à bancada da bala no Congresso Nacional! Desilusão e revolta sufocadas de quem já tomou vários socos no estômago e não crê mais em nada. O jeito é se apegar a qualquer aventureiro que se diz salvador da pátria. Quando o barco está afundando, não se pode recusar socorro, até mesmo de piratas malfeitores e sanguinários.

Não são poucos os indivíduos que não têm nenhuma admiração pela liberdade, mesmo porque já perderam a capacidade de pensar e de refletir, pois há muito tempo engolem tudo que vem de cima. Para essa gente, liberdade é uma porta aberta para a entrada do anarquismo e do comunismo.

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UM DOS MAIS FEIOS DO BRASIL

No embalo do comentário “Um Caboclo no Futebol Brasileiro”, do amigo e companheiro jornalista, Carlos Gonzalez, aliás, bem fundamentado e esclarecedor, onde fala deste esporte tão querido e admirado neste país, mas maltratado pela corrupção e pela violência de quem deveria dar exemplo, quero aqui, se me permite, deixar minha impressão sobre este campeonato baiano.

De partida, vou ser logo direto no meu recado: Presidente vitalício Ednaldo Rodrigues, depois de mais de 20 anos à frente da FBF (Federação Baiana de Futebol), vê se larga esse osso e passa para outro! O futebol baiano, com um campeonato dos mais feios do Brasil, carece de renovação e sangue novo, antes que entre em total falência, ficando apenas o BA x VI de sempre.

Em total decadência, tem razão os torcedores do interior, com raras exceções, quando o time local galga uns pontinhos a mais, não comparecer aos estádios degradados, para assistir verdadeiros babas de várzeas, numa concorrência desleal e covarde com as equipes do Bahia e do Vitória.

As goleadas sofridas pelos times do interior, que deixam envergonhados os torcedores de suas cidades, demonstram tratar-se de um campeonato sem nenhum equilíbrio. O mais irônico de tudo isso é que a mídia esportiva ainda chama isso de “Baianão” e fica o tempo todo elogiando uma competição desigual (tem seus motivos comerciais). Até o mais leigo em futebol sabe que a final é quase sempre entre Bahia e Vitória.

Como disputar um campeonato de igual para igual onde um jogador do Bahia ou do Vitória ganha mais que todo um time do interior? Quando a rapaziada vai jogar na capital, viaja de ônibus, “batendo biela” na estrada e fica numa pensão barata, isso quando não é bate e volta. Onde ficam o preparo físico e o emocional dos atletas?

Verdadeiramente, isso não é profissionalismo. O pior de tudo é que todos, a mídia, torcedores, jogadores e dirigentes fazem de conta que a Bahia tem um campeonato pra valer, bem disputado. Os rubros negros e os tricolores da capital vibram e brigam quando ganham ou perdem. Saem gloriosos e convictos de que seus times estão fortes, isto até começar o Campeonato Brasileiro.

UM CABOCLO NO FUTEBOL BRASILEIRO

Carlos Albán González – jornalista

Os centenários Botafogo e Ypiranga já não fazem parte do mundo do futebol baiano. Como tantos outros clubes foram vítimas de um arremedo de torneio, denominado de estadual, imposto pela Confederação Brasileira de Desportos (CBF) às federações, que há décadas só fazem dizer “amém”, em troca de favores, incluindo uma espécie de propina de R$ 70 mil por mês.

Uma sessão de bajulação, a portas fechadas, regada a um bom uísque e sem a presença da imprensa, aconteceu nesta quinta-feira, num hotel da Barra da Tijuca, no Rio. Marco Polo del Nero, banido pela FIFA da presidência da CBF, reuniu os presidentes das federações estaduais para lançar como seu sucessor o desconhecido Rogério Caboclo.

A Federação Paulista ensaiou liderar uma manobra oposicionista, mas seu presidente foi dissuadido pelos seus colegas. No colégio eleitoral as 27 federações têm peso três, o que já garante a vitória a del Nero; os 20 clubes da 1ª divisão têm peso dois e os 20 da segunda, um. Na opinião do deputado federal Andrés Sanchez (PT-SP), presidente do Corinthians, o brasileiro está assistindo a mais um golpe.

A malfadada política da CBF em relação aos chamados pequenos clubes, não evita que a cada ano dezenas deles encerrem suas atividades em março. Na Bahia, com exceção de Bahia, Vitória, Fluminense de Feira de Santana, Jacuipense e Vitória da Conquista, que vão disputar duas séries do Nacional, estão afastados das competições de 2018 o Jacobina, Bahia de Feira, Jequié, Atlântico e Juazeirense.

Próximos passos do Conquista

Os torcedores do Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista respiram hoje aliviados. Beneficiado pelo regulamento do Campeonato Baiano deste ano, que determina a queda para a 2ª Divisão de apenas o último colocado da fase de classificação (Atlântico, de Lauro de Freitas), o representante do Sudoeste se despediu da competição promovida pela Federação Bahiana de Futebol (FBF) com mais uma derrota.

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OS SÚDITOS E SUAS CELEBRIDADES

Fogos pipocam no ar festivo das noites etílicas de muitas pirotecnias de cores. As luzes se cruzam nos céus. Foguetes bilionários sobem ao espaço para explorar o universo. Os ricos ficam mais ricos e os súditos vão ao compasso das suas celebridades que manobram as massas. Aqui até a morte tem sua hierarquia, mas os do alto das suas torres nos ensinam uma ilusória lição de que todos são iguais.

A afronta, o acinte, o deboche e outras atitudes de exibicionismo de riqueza e poder onde se usa as camadas menos favorecidas em termos monetários e culturais, para exaltações de suas vaidades promocionais, deveriam ser incluídos no rol dos crimes contra a humanidade, assim como o racismo, a injúria e a calúnia.

Num show de uma celebridade grávida por métodos de inseminação em laboratório, os súditos em delírio pedem bis e ela aponta que sua médica, ali ao seu lado, que sempre a acompanha em todos os lugares e nas suas apresentações, a recomendou não fazer mais esforço. Só com a liberação dela. É de dar inveja!

Tudo parece ser simples, normal, e sem nenhuma ofensa maior, não fosse a triste realidade de desigualdade social e de abandono em que vive a população brasileira, principalmente no que tange ao atendimento na área da saúde onde muitas gestantes parem nas ruas e em macas sujas nos corredores dos hospitais. Não me refiro apenas à questão da saúde, mas do estado de pobreza e miséria em geral em todas as áreas.

Esta mesma celebridade, faminta e insaciável por qualquer aparição, instigada pela mídia fútil farejadora de audiência, da sacada de um hospital de luxo só para abonados, conta suas historinhas de fada como foi o parto, a amamentação e como estão seus bebês gêmeos, e até quem é o mais guloso(a).

Os súditos lá embaixo de inocentes úteis vibram em histeria e querem saber mais coisinhas. Nas periferias, crianças desnutridas e outras que padecem de doenças graves não encontram vagas nos hospitais para tratamento de seus males, ou uma operação para salvar suas vidas.

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“AS TRÊS MORTES DE CHE GUEVARA” (FINAL)

ISOLADO E DESILUDIDO NO CONGO E NAS SELVAS DA BOLÍVIA

De dezembro de 1964 a março de 65, Che passou todo tempo fora de Cuba. Esteve em Moscou, Nova York e de lá para Argélia, de Bem-Bella, onde foi astro na conferência dos povos africanos com um discurso de rompimento político com a União Soviética, o que significava uma adesão à linha chinesa. Esteve na Tanzânia e no Egito, de Gamal Abdel Nasser, a quem disse que iria lutar no Congo e dele recebeu sinal de desaprovação.

Mas, de acordo com Flávio Tavares, autor do livro, os problemas e incômodos terminaram por fazê-lo sair de Cuba, quase que às pressas, ou às pressas mesmo. “Ou pelo menos, afoitamente, num gesto intempestivo ou de irritação pessoal, tão ao estilo argentino”, As contrariedades e divergências começaram bem antes destes episódios de sumiço.

De volta a Havana, em 10 de março de 1965, do aeroporto saiu rápido para uma reunião de 40 horas consecutivas com o chefe Fidel Castro. Ainda em Cuba, aproveitou seu amigo argentino Gustavo Roca para entregar uma carta para sua mãe Célia de la Serna de Guevara onde revelou as desavenças de cunho político com o comandante e o propósito de se dedicar ao trabalho voluntário de 30 dias no corte de cana e mais cinco anos numa fábrica de açúcar.

Em 15 de abril do mesmo ano a mãe escreveu outra carta achando tudo muito estranho e concluindo que o filho caiu em desgraça. Além de considerar um desperdício de ideia, reforçou sua posição contrária. “Creio que, se fazes o que dizes, não serás um bom servidor do socialismo mundial”. Esta carta não chegou às suas mãos.

O mais intrigante é que na véspera do Dia do Trabalho, Fidel e sua cúpula foram cortar cana no campo, mas sem o Che. Isto provocou uma especulação na mídia de que ele fora destituído e estava preso. Persistiu o mistério do seu paradeiro, e sua mãe morreu de câncer em 19 de maio de 1965 sem saber onde o filho se encontrava.

NO EGITO E NO CONGO

Sabe-se que no final de março, com seus homens de confiança, confinou-se num lugar remoto da ilha para treinamento militar. Em meados de abril chegou disfarçado (travestido de Ramón) ao Cairo decidido a lutar no Congo e se apresentou, sem sua identificação verdadeira, ao chefe rebelde Laurent Kabila que morava num hotel de luxo (seu quartel-general) com todas mordomias de bebidas, carros e mulheres.

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MAIS UMA CRISE NO FUTEBOL BAIANO

Carlos Albán González – jornalista 

O Tribunal de Justiça Desportiva do futebol da Bahia (TJD-BA) deveria vir a público para explicar quais foram os critérios adotados na interpretação das leis que regem o popular esporte, por ocasião do julgamento, no último dia 27, dos fatos vergonhosos que mancharam o Vitória x Bahia do dia 18, no Estádio Manoel Barradas (Barradão). Sem precisar do bola de cristal prevejo que o debilitado campeonato de 2018 vai trocar os campos de jogo pelas salas dos tribunais, por meses a fio, repetindo a crise de 1999, quando Bahia e Vitória dividiram o “caneco”.

Insatisfeito com o resultado do julgamento, a Procuradoria do TJD manifestou sua decisão de recorrer ao Pleno do órgão judicante, constituído de nove auditores, solicitando à presidência da Federação Bahiana de Futebol (FBF) a paralisação do campeonato, cuja penúltima rodada da fase de classificação está programada para o próximo final de semana.

Na opinião do procurador Ruy João, a continuidade do estadual pode provocar “dano irreparável ou de difícil reparação”. Numa entrevista aos jornais de Salvador o procurador qualificou de “absurdas e estarrecedoras” as punições aplicadas pelos quatro auditores (advogados de “reconhecido saber jurídico e reputação ilibada”) – o quinto se declarou impedido – da 1ª Comissão Disciplinar do TJD.

O principal questionamento da Procuradoria está relacionado com a ausência de punição para o responsável pela interrupção do jogo. O Vitória, que deu causa, recebeu uma multa de R$100 mil. Entidade jurídica, o clube se “personifica nos seus dirigentes, técnico e atletas. Então, alguém precisa ser apontado como responsável”, expõe Ruy João, estranhando a ausência, na lista dos punidos, de um membro da diretoria, do treinador Valter Mancini, do supervisor Mário Silva, e até mesmo do zagueiro Bruno Bispo, que recebeu o quinto cartão vermelho, deixando o seu time com apenas seis jogadores em campo, entregando a vitória ao Bahia, pelo placar de 3 a 0, como determina o Regulamento Geral de Competições da CBF, no seu artigo 56, incisos 3º e 4º.

Outra questão levantada pelo procurador diz respeito a não apreciação pelos auditores da leitura labial, encomendada pelo Globo Esporte, da frase de Mancini, mandando seu atleta receber o quinto cartão vermelho. Ruy João também discorda da absolvição do goleiro Lucas Fonseca, que aparece nas imagens das televisões como o iniciante da briga generalizada, ao imobilizar Vinicius pelo pescoço, para que seus companheiros do Vitória praticassem a bárbara agressão física. Com o supercílio sangrando, a vítima deu queixa numa delegacia policial.

Ao apresentar a denúncia contra os envolvidos na guerra do chamado “Ba-Vi da Paz”, um outro membro da Procuradoria, Hermes Hilarão Teixeira Neto, pediu a desclassificação do Vitória do campeonato deste ano e o rebaixamento para a 2ª divisão em 2019. Somente um dos auditores da 1ª Comissão Disciplinar do TJD acatou o pedido.

Dias de terror viveu Hilarião e sua família, com as ameaças de morte enviadas por membros a torcida organizada do Vitória “Os Imbatíveis”, considerada como uma das mais violentas do país. O procurador garante que dispõe dos números de telefones e endereços nas redes sociais de todos os agressores, passíveis de terem que passar uma temporada atrás das grades. :: LEIA MAIS »



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