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DE VOLTA AO “VELHO CHICO”

Estou aqui, mais uma vez, em Juazeiro, no norte e agreste do sertão, celeiro das frutas que emanam das terras áridas, revendo o Rio São Francisco, mais carinhosamente chamado de o “Velho Chico” que tanto deu e ainda dá sustento a este povo. Não se sabe até quando ele vai resistir aos maltratos dos homens que só fazem dele retirar suas riquezas e não repor as perdas e revitalizá-lo.

Basta uma temporada de estiagem e o “Velho Chico” entra em colapso e em estado terminal, mostrando extensas áreas de areia e o mar invadindo suas águas na foz. Os governantes lá de cima de suas mordomias e castas sempre prometem cuidar, repor suas matas ciliares e não sugar tanto suas águas, mas não passa disso. A ganância do capitalismo vil só quer saber de lucrar e tome mais projetos de irrigação, sem a devida sustentabilidade.

Quando batem as chuvas em suas cabeceiras, ele volta a se erguer e se encorpar, e aí o governo federal esquece de colocar em prática a revitalização. Ainda bem que estou revendo, porque não se sabe até quando o “Velho Chico” vai aguentar tanta destruição! Suas margens não são mais as mesmas, e as cidades em torno dele derramam esgotos e todo tipo de sujeiras.

Mesmo em decadência, ele continua transportando e rendendo frutos, como uvas, mangas e melões que são exportados para diversos países do mundo. Os pescadores e ribeirinhos não têm mais a mesma fartura de anos passados, depois de tantas hidrelétricas, da transposição em canais para outros estados nordestinos e falta de preservação. Os peixes estão escassos e não é mais navegável como antes. Só os barquinhos atravessam com dificuldades

O seu futuro é incerto, principalmente agora com o governo do capitão-presidente que só pensa em castigar o meio ambiente com seus projetos malucos, como o de transformar o paraíso de Angra dos Reis num lixo capitalista de uma Cancun mexicana. O “Velho Chico” pede socorro e seus afluentes vão desaparecendo desde Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

Sempre que venho a Juazeiro, ou visito outras cidades banhadas pelas suas águas, presto a minha homenagem ao “Velho Chico” estraçalhado, cujas nascentes estão sumindo na Serra da Canastra. Do jeito como está, haverá um dia que se transformará num fiapo, ou num riacho. Ai será o desastre para todo Nordeste.

As canções hoje não falam mais de sua abundância de outrora, mas do seu definhamento e do seu fim. São cantos e poemas de lamento. É muito triste ver o que está acontecendo, mas faço a minha oração para que os homens se compadeçam e não fiquem só esperando por “milagres” das chuvas de São Pedro. Passou da hora de todo o povo, os artistas, intelectuais, ambientalistas e toda gente, sem distinção, se levantar e protestar contra sua depredação. Não vamos deixar o “Velho Chico” morrer e só ficar na lembrança das fotos.

 

 

UM LANÇAMENTO MUITO ESPERADO

Quero agradecer aos amantes da cultura que estiveram presentes ao lançamento do livro “ANDANÇAS”, de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, na noite do último dia 14 de junho, na Casa Regis Pacheco. Foi uma noite cultural também de lançamento do nosso “CD Sarau A Estrada” e exposição de artes plásticas da pintora e artista Elizabeth David.

O que mais importou não foi a quantidade, mas a qualidade dos amigos, artistas, como Alex Baducha, Walter Lajes e Alan Karded, intelectuais e outras pessoas que ainda se mostram como força resistente em defesa da cultura, que está tão desprezada e com suas flores murchas, como assinalou o autor da obra.

O livro foi um lançamento que estava sendo esperado há muito tempo porque foi um projeto colaborativo onde muitos assinaram o “Livro de Ouro”, numa espécie de pré-venda. A impressão do trabalho na gráfica Eureka, com arte final e visual de Beto Veroneze, foi um dever cumprido que durou mais de três anos, mas saiu com uma linda capa.

Perdeu que não compareceu e ainda não adquiriu a obra de contos, causos, prosas e versos, com várias letras já musicadas por artistas da terra, como Walter Lajes, Papalo Monteiro e Dorinho Chaves. Ainda haverá outros lançamentos em breve, em Vitória da Conquista, e em outras cidades da região.

Na ocasião, o autor apresentou seus outros livros “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo” e “Uma Conquista Cassada” que fala da ditadura civil-militar em Conquista, na Bahia e no Brasil e que está sendo útil para pesquisas de estudantes e professores, inclusive sendo indicado nas escolas e faculdades.

“Andanças” foi um trabalho árduo e difícil por falta de patrocínio, mas muitos colaboraram para que o projeto fosse concretizado. É isso, caros ,amigos, fazer cultura neste país é coisa de “doido” , mas estamos aí para continuar na luta pela divulgação do conhecimento e do saber que, infelizmente, os governantes nem querem saber, e entendem, como o atual capitão, que educação é gasto e não investimento.

O CD Sarau foi outro projeto inédito que exigiu muito sacrifício, mas terminou saindo com 22 faixas intercaladas com músicas, poemas e causos. Foi o resultado dos nossos saraus no “Espaço Cultural A Estrada” que completou nove anos. Participam músicos e compositores como Alex Baducha, Walter Lajes, Marta Moreno, Jânio Arapiranga. Evandro Correia, Dorinho Chaves e outros poetas e contadores de causos. O CD começa com abertura de um texto onde conta a história do sarau e como surgiu a ideia da obra documental.

A exposição de artes de plásticas, de Elizabeth David, veio a se juntar à nossa noite cultural na Casa Regis Pacheco, e muitos tiveram a oportunidade de apreciar seus belos quadros campestres, com muito colorido e alegres, que mostram flores vivas e paisagens do campo. Vamos continuar unindo literatura com outras linguagens artísticas porque, na verdade, todas são irmãs e nos dão sentido à vida.

A QUEIMADA NO PÔR-DO-SOL

Flagrante de um pôr-do-sol nas lentes do jornalista Jeremias Macário, em Bom Jesus da Lapa. Por si só, a imagem já diz tudo na linda paisagem e a na triste queimada no agreste do sertão em tempos secos.

0 SISTEMA TECNOTÓXICO

Poema do jornalista Jeremias Macário

Neste mundo de tanta tecnologia

A sabedoria caiu no coito da orgia;

O homem ficou ainda mais idiota,

Que nem sabe mais abrir sua porta,

E como tropa segue cego sem rota.

 

Ainda jovem plantei árvore, livro e fiz filho,

E dai Raul, continuo um cara insatisfeito,

Um andarilho sem sentido e sem conceito,

Nesse sistema que nos empurra pro poço;

Sou como um cão faminto roendo um osso.

 

A máquina roubou o seu lugar;

Planta na terra mais agrotóxico;

Colhe veneno alimento de matar;

Tudo fresco e vistoso por fora,

Que se come até a casca na hora.

 

O homem corre dia e noite, noite e dia;

Respira no ar as partículas de dióxido,

E lá vai o elemento andante tecnotóxico

No sistema tóxico de tanto pó e negócio,

Que suga sua alma e cada gota de energia.

 

Sou um invento contente tecnotóxico;

O sistema que manda fazer isso e aquilo;

Beber ácido e comer a comida a quilo;

Ser um ativo neste mundo competitivo;

Fumar tóxico e engolir fumaça de monóxido.

 

Sou do sistema um átomo e fio de conectar;

Sempre carrego na cabeça a senha do celular;

Excremento que por ai vagueia sem um tema,

Pronto pra aprender o teorema do esquema,

E repetir na entrevista tudo que me perguntar.

 

Não tenho nome, sou número tecnotóxico,

Moço engravatado e um liso comportado,

Se quiser um emprego de gari ou deputado,

Sigo a linha padrão de um bom capitalista

E nada de artista, ativista ou comunista.

 

Minha artéria venenosa de competição

No sistema bruto sem caráter e sem lição,

Nem vejo miséria nesse mundo tecnológico;

Como na fila o hamburguer cheio de tóxico,

E nem quero saber dessa coisa de ser lógico.

 

A DEMOCRACIA DOS GENERAIS E UM PAÍS EM DECADÊNCIA CULTURAL

O capitão-presidente está agora voltando aos estádios de futebol e, em declaração pública, se vangloriou que está sendo aplaudido como o general Médici quando do tempo duro da ditadura civil-militar no início dos anos 70. Que triste lembrança de mais uma apologia a um regime de opressão! Enquanto ele construía as arenas e ia aos estádios, presos políticos estavam sendo torturados e mortos nos porões dos Dops e nos quarteis das forças armadas.

Nessa democracia dos generais em que estamos vivendo, quase 50 anos depois, lamentável constatar que quase ninguém sabe mais do que aconteceu naquela época, nem quem era o general Médici, especialmente os frequentadores dos estádios onde o “Bozó” passou a frequentar e recebeu aplausos. Sem cultura, o nosso povo vai sendo tragado pela decadência de um país sem memória. Ele, pelo menos, deveria respeitar a dor das famílias que perderam seus entes queridos.

A esta altura da minha idade queria ver um país educado, altivo, instruído e não engolindo e aceitando barbaridades, impropérios e bravatas preconceituosas. Não queria ver meu povo se afundando na ignorância porque temos um presidente que não valoriza a educação, a ciência e o conhecimento. Instiga as pessoas a viverem nas trevas do saber.

Não queria ver a flores da nossa cultura tão murchas, sem mais falarem. Não queria ver o povo de armas na mão, mas cada um com um livro na mão. Não queria ver gente morrendo nos corredores dos hospitais por falta de atendimento médico. Não queria ver crianças, adultos e idosos pisando nos esgotos à céu aberto por falta de saneamento básico. Não queria ver tantas epidemias de mosquitos e doenças que não deveriam mais existir.

Não queria ver meu país sendo vendido e torrado no mercado a preço de banana, aumentando mais ainda a legião de desempregados. Não queria ver tanto ódio e intolerância, tanta bestialidade e irracionalidade. Não queria ver tantos índices negativos e tanta desigualdade social, com milhões vivendo na extrema pobreza. Não queria ver as pessoas catando alimento nos caminhões de lixo. Não queria ver tanta alienação e tanto desprezo à cultura, como se ela fosse um tumor maligno.

LANÇAMENTO

Na sexta-feira passada (dia 14) lancei meu novo livro “ANDANÇAS”, na Casa Regis Pacheco, e senti angústia, fracasso e alegria ao mesmo tempo. Foi uma noite cultural de lançamento da obra, do nosso CD Sarau e apresentação de artes plásticas da artista Elizabeth David. Angústia tive por ver tão pouca gente naquele recinto, não que eu me considere uma celebridade famosa, como das redes sociais e das tvs..

Não somos uma banda de sertanejo, de arrocha, de pagode e sofrência que atrai mais de 60 mil pessoa enlouquecidas e histéricas, mas senti a falta de segmentos que se dizem mais representativos da nossa sociedade, como da Secretaria de Cultura, de algum vereador, de algum deputado, de entidades da área, da Prefeitura Municipal, os quais em tempos passados se sentiam no dever e na obrigação de incentivar, apoiar e estimular a cultura.

É um grande mito dizer que Vitória da Conquista é uma cidade cultural, e ainda mais que é uma suíça baiana, só porque teve e ainda tem uns poucos que se destacaram nas artes e nos estudos. Alguém aí pode até estar dizendo que estou querendo ser admirado ou coisa assim, mas falo também no que tenho visto em outras atividades culturais. O artista desta terra é pouco prestigiado.

Ao mesmo tempo, me senti alegre e com orgulho de ter realizado mais um árduo trabalho com apoio de amigos que assinaram o livro colaborativo na espécie de uma pré-venda. Demorou, mas fiquei satisfeito por ter cumprido com minha missão. Senti como se fosse mais um resistente na trincheira em defesa da cultura e do conhecimento. O “Parto” foi muito difícil, mas está aí “Andanças”  para quem tiver interesse de apreciar a sua leitura de causos, contos, prosas e poemas.

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O SOCIAL E O CAPITAL

Foto do jornalista Jeremias Macário, na Praça Nove de Novembro, em Vitória da Conquista, durante o embate entre o social e o capital que, diante do progresso, pressionou o poder público para retirar os ambulantes de artesanato do local por conta de dar uma imagem aparentemente mais desenvolvida à cidade, dentro dos padrões “civilizatórios”. Na luta pelo espaço, o artesão fez uma greve de fome, mas cometeu um erro de português. Isso não importa. O importante é que deixou uma mensagem social sobre a situação do nosso país que privilegia o capitalismo selvagem que criou mais de 13 milhões de desempregados, graças à política burguesa dos nossos governantes.

NÃO QUERO MAIS ESTA LIÇÃO

Poema de autoria de Jeremias Macário

Meu poema não fala de libido e amor,

Lembra de um gado em disparada,

Como no verso galopeiro de Vandré;

Ele é mais de dor ferida que de flor;

É cálice amargo, vida de caça fuzilada,

Como na angústia do Drumond de José.

 

Não quero esta assassina lição,

De esquecer a milenar sabedoria;

Não quero soldado para abater,

Fazendeiro com guia pra matar,

Brasileiro comer pedra pra viver,

No país de um futuro sem razão.

 

Quando a mente vira aço se cala,

E o artista se quebra em pedaços;

Não protesta contra esta estupidez,

Em nossos peitos o cara mira a bala;

Voltam-se aos tempos dos cangaços;

E o povo freguês nunca tem sua vez.

 

A mídia quer mesmo é bajulação,

Como o profeta Raul Seixas anuncia;

Fazer sua média atrás do capital vil,

E os canalhas encurtam nossa educação;

Querem um povo de cangalhas e servil;

Negam a ditadura e cospem democracia.

 

Como no rasgo da viola do vate,

Não quero aprender esta lição

Dos inimigos da nossa cultura;

Sou menino e visto o rosa;

Sou a menina desse céu azul;

Quero o saber da Sociologia,

De toda parte, do norte ao sul,

O livre pensar da nossa filosofia,

E gritar bem alto a minha prosa;

Marchar firme contra esta loucura

Da apologia a essa arte do descarte.

 

 

 

ESTUDANTES DA FAINOR APRESENTARAM TRABALHOS NA CÂMARA MUNICIPAL

Diagnósticos sobre a situação dos idosos, situação do Estatuto da Criança e dos Adolescentes, a Pastoral dos Menores, dos presidiários, dos deficientes físicos e suas dificuldades de mobilização, dos moradores de rua, da violência contra as mulheres e o feminicídio em Vitória da Conquista foram apresentados ontem (dia 12) na sessão da Câmara de Vereadores pelos estudantes de direito da Faculdade Fainor.

Da Tribuna Livre da Casa, o professor Carlos Públio abriu os trabalhos falando das pesquisas realizadas pelos estudantes como disciplina de trabalho, com intuito de detectar os problemas dessas camadas da população, para que os poderes públicos, como a Prefeitura Municipal e a própria Câmara, possam corrigir os problemas e encontrar uma solução para que essas pessoas vivam com mais dignidade, respeitando seus direitos constitucionais.

Cada estudante fez um breve relato sobre o objeto do seu estudo,  mostrando dados precisos a respeito da situação das diversas categorias que necessitam de amparo dos poderes executivos e legislativos através de políticas públicas. Os alunos de direito fizeram um apelo a todos vereadores para que apresentem projetos visando a melhoria dessa gente.

. Uma das conclusões é a de que, praticamente, não existem estatísticas e estudos sobre a real situação dos idosos, dos deficientes, dos moradores de rua e dos outros segmentos que foram pesquisados no trabalho, o que dificulta a aplicação de ações públicas voltadas ao bem-estar dessas pessoas em Vitória da Conquista.

Durante mais de 30 minutos, cada grupo fez uma exposição do que apurou in loco, conversando com agentes de instituições e entidades que cuidam dessas pessoas que ainda vivem em situação de vulnerabilidade, e chegou a uma realidade de que o poder público tem feito muito pouco no campo social, político e econômico.

De um modo geral, mal ou bem, essas camadas da população têm contado com o apoio quase que exclusivo da iniciativa privada, especialmente de entidades religiosas, como no caso dos moradores de rua e dos idosos  onde muitas casas, como “Anuncia-me”, têm ajudado  os mais necessitados e excluídos. Os presidiários, por exemplo, precisam de políticas ocupacionais de modo que haja uma ressocialização dos presos. Os estudantes citaram dados quantitativos e as deficiências.

SERVIDORES PÚBLICOS E CARTEL

Na ocasião, representantes dos servidores públicos municipais ocuparam a Tribuna Livre para clamar pelos seus direitos trabalhistas, sobretudo quanto aos reajustes salariais, e pediram mais diálogo por parte do poder público, e que o legislativo apoie suas reinvindicações. O presidente da Câmara, Luciano Gomes, respondeu que a Casa sempre tem recebido os sindicatos  e exercido seu papel de mediação nas questões.

Outro debate que esquentou o ambiente e deixou muitos parlamentares  indignados, como Hermínio Oliveira, foi quanto aos preços dos combustíveis cobrados na praça de Vitória da Conquista, considerados absurdos e exorbitantes.

Foi instalada uma CPI para apurar se existe cartel do combustível na cidade, tendo em vista que o custo da gasolina e do etanol, por exemplo, em outras cidades da região é bem mais baixo, inclusive com diferenças de 40 a 50 centavos por litro. A Câmara quer que a Promotoria Pública e a OAB regional se engajem neste trabalho para averiguar se está mesmo ocorrendo o crime do cartel do combustível, e que os responsáveis sejam devidamente punidos.

 

LANÇAMENTO DE “ANDANÇAS” VAI SER NESTA SEXTA-FEIRA NA REGIS PACHECO

Numa noite cultural, nesta sexta-feira (dia 14) a partir das 20 horas, vamos ter na Casa Regis Pacheco (Praça Tancredo Neves) o lançamento do livro “ANDANÇAS”, a mais nova obra do jornalista e escritor Jeremias Macário que dessa vez mistura ficção com realidade, ao contrário do “Conquista Cassada” que foi um trabalho de pesquisa sobre a ditadura civil-militar em Vitória da Conquista, na Bahia e no Brasil e vai também estar lá no evento.

Na ocasião, vai ocorrer ainda o lançamento do nosso “CD Sarau A Estrada” com cantorias de artistas da música, causos e declamações de poemas. Para completar, a artista plástica Elizabeth David vai abrilhantar a noite com uma exposição de seus belos quadros. Portanto, vai ser uma noitada cultural com a apresentação de várias linguagens artísticas.

“Andanças”

Contos, causos, histórias e versos, “Andanças” é um livro que mistura ficção com realidade, ou, como queira, um fantástico realístico, mas que também contém pesquisas em temas específicos, romanceados e curiosos sobre a ditadura civil-militar de 1964, e na viagem título “Pelas Brenhas do Mundo” de um anônimo andarilho mochileiro das décadas de 60 e 70, os anos livres e revolucionários que mudaram hábitos, costumes e conceitos ultrapassados.

Sem a preocupação com estilo ou escola literária, o livro “Andanças”, de 368 páginas, formato de 16 cm por 23,5 cm, capa em quatro cores, ilustrações no miolo e arte final de Beto Veroneza, pode ser lido de trás pra frente, de qualquer ponto, sem sequência linear.  Tem também poemas, muitos dos quais já foram musicados por artistas locais, como Walter Lajes, Papalo Monteiro e Dorinho Chaves.

A obra do autor, que já escreveu “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo no Sudoeste” e “Uma Conquista Cassada – Cerco e Fuzil na Cidade do Frio”, retrata cenas do Nordeste, do homem do campo, do retirante da seca, da coivara, do jeito matuto catingueiro;  e fala de amor, ódio, raiva, tempo, saudade, mulheres, erotismo, vida e morte.

Sobrou ainda espaço para a cultura da corrupção, da gatunagem e do levar vantagem em tudo. Nos versos rolam a imaginação, o fingimento, o olho visível no invisível e o foco no real e no irreal. Trata-se de uma publicação colaborativa (muitos amigos assinaram o “Livro de Ouro”, numa espécie de pré-venda), onde o leitor vai curtir e viajar na imaginação, sem regras. A obra nasceu da veia jornalística do autor e tem o tempero realístico e sentimental. De um modo sutil, é também um autorretrato da sua vida em alguns contos e causos.

Entre outros lançamentos, trabalhos, artigos, crônicas e comentários, “Andanças” é mais uma publicação que demandou dedicação e sacrifício, mas também contou com a ajuda de muitos amigos que alavancaram o trabalho literário.

 

AINDA SOBRE CINEMA NOVO NO SARAU

Das figuras importantes influenciadoras do Cinema Novo deixamos de citar na matéria sobre o “Sarau a Estrada”, os nomes de Cacá Diegues, Roberto Santos (A Hora e a Vez de Augusto Matraga), Walter Lima Júnior (Menino de Engenho), Triguerinho Neto, Walter da Silveira e Lima Barreto, sem contar o filme Limite entre os mais listados pelos entrevistados e pesquisadores no livro “A Geração Cinema Novo, de Pedro Simonard.

Em sua obra, o autor fala do isolamento e da consagração do movimento, quando o grupo se desligou da sua classe de origem ao criticar a Chanchada pela sua xenofilia e identificação com a cultura norte-americana e europeia. O povo não se sentia representado por esses jovens intelectuais que diziam que ele agia erradamente. O público que era todo urbano não ia ver os filmes do Cinema Novo.

Ressalta o autor, que a classe média e a burguesia não viam os filmes porque não gostavam da imagem do Brasil que lhes era mostrada. Entre 1961/62, a Cinemateca Brasileira exibiu filmes clássicos no Sindicato da Construção Civil de São Paulo, e os operários não mostraram interesse, mas o documentário  Zuyderzee, de Joris Ivens, sobre o processo de construção de um dique na Holanda, teve grande repercussão.

Os temas do Cinema Novo não despertavam interesse nos operários. Pedro Simonard diz que o Cinema Novo era um movimento endógeno. Os diretores exibiram seus filmes em importantes festivais internacionais. Somente a partir dai, a classe média passou a demonstrar maior receptividade porque tinha o aval dos intelectuais dos países desenvolvidos.

Mesmo assim, não foi suficiente para abocanhar  maior fatia do mercado exibidor brasileiro, nem desalienar o povo. Sem isso, não seria possível combater o imperialismo e o colonialismo cultural, nem criar o novo homem. Para fugir do isolamento, os cinemanovistas passaram a participar das elaborações das políticas estatais, porque com a ditadura seria impossível tomar o Estado.

Após o golpe de 64, segundo Simonard, o movimento viu-se obrigado a buscar apoio do Estado autoritário que censurava suas produções e dificultava a exibição e a exportação dos filmes. Nessa conjuntura, uma das principais aliadas foi a Comissão de Apoio à Indústria Cinematográfica, criada, em 1963, no governo de Carlos Lacerda.

No entanto, o decreto trazia regras que definiam um controle ideológico para a produção. Muitos filmes foram produzidos pela Comissão, como Desafio, de Paulo César Saraceni, O Padre e a Moça, de Joaquim Pedro de Andrade, A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos e Menino de Engenho, de Walter Lima.  Premiou Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, Garrinha, Alegria do Povo, de Joaquim Pedro e Porto das Caixas, de Saraceni.

“Nunca os cineastas brasileiros alcançaram tanto respeito e foram ouvidos tão amplamente por setores importantes da sociedade quanto neste período” disse, ao destacar que em 14 anos (1950-1964) formou-se no Brasil, principalmente, no Rio de Janeiro, uma geração cinematográfica, produzindo filmes comprometidos com a realidade brasileira.

As críticas à Vera Cruz e à Chanchada marcaram posição contra tudo quanto foi feito em cinema até então. Outro sucesso foi criar uma incipiente indústria cinematográfica no país, formando-se uma mão-de-obra especializada. Órgãos e instituições financeiras, estatais ou privadas, começaram a ajudar o Cinema Novo.

Entretanto, Simonardo aponta alguns fatores que prejudicaram o desenvolvimento do Cinema Novo, como a tradição messiânica do intelectual brasileiro que encarava o povo como um grupo sem vontade própria; ter se colocado como dono da verdade de que o povo tinha que ser conscientizado; não ter elaborado uma política de distribuição; e ter encarado o grande público de maneira preconceituosa numa relação de mão única

 





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