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OS VÍRUS SÃO BEM MAIS INTELIGENTES DO QUE OS NEGACIONISTAS DA CIÊNCIA

Em tempos de pandemia do coronavírus, para quem aprecia uma boa leitura, recomendo ler o autor de “Armas, Germes e Aço”, de Jared Diamond, fisiologista e biólogo, professor e membro da Academia Americana de Artes e Ciência que, em sua obra, faz uma viagem de 13 mil anos de história dos continentes. Concluiu que a dominação de uma população sobre outra tem fundamentos militares, ou nas doenças epidêmicas que dizimaram sociedades de caçadores-coletores e agrícolas.

Antes de entrar na parte terceira do livro “Do Alimento às Armas, aos Germes e ao Aço”, Diamond faz um relato científico sobre a evolução dos animais, incluindo o homem através dos tempos desde seus ancestrais gorilas e os chipanzés, passando pelo homo sapiens e o de neandertal. Mostra a viagem do homem para outros continentes e sua evolução através dos tempos.

Até o Novo Mundo e a Covid-19

A partir do ano 11 mil a.C. e, principalmente, oito mil no Crescente Fértil (Ásia), maior celeiro do mundo na produção de alimentos, o autor descreve a domesticação das plantas silvestres e dos animais mamíferos pelos agricultores e caçadores-coletores nos diversos continentes, a começar pela África, Eurásia, Ásia, Polinésia até o Novo Mundo das Américas.

Depois de uma longa introdução científica sobre as diversas formas de domesticação, suas causas e efeitos do surgimento agrícola dos grãos, legumes, fibras, tubérculos e a expansão da produção de alimentos (“Vastos Céus e Eixos Inclinados”), o autor entra no capítulo “O Presente Letal dos Animais Domésticos”, a parte mais interessante por nos remeter ao presente atual em que vivemos com o mortal Covid-19.

Você vai ter uma visão geral das formas de contaminação do homem pelos diversos germes, bactérias, micróbios e vírus que já mataram milhões nos últimos quatro ou cinco mil anos. O leitor vai descobrir como os germes, os micróbios, as bactérias e os vírus são inteligentes durante seu processo de reprodução e evolução. São bem mais inteligentes que os humanos que não acreditam em suas existências e negam a ciência, se deixando contaminar e infectando os outros.

Comparando os caçadores-coletores com os agricultores, o biólogo diz que estes tendem a expirar germes piores, possuir armas melhores e tecnologias mais poderosas, além de ter governos centralizados capazes de empreender guerras de conquistas. Para ilustrar os elos que interligam a criação de animais e culturas agrícolas aos germes, ele conta o caso de um casal doente no hospital com uma enfermidade misteriosa onde depois o médico descobriu que o marido havia mantido relações sexuais com ovelhas. Com isso, Diamond quis mostrar a importância das doenças humanas de origem animal.

Os principais assassinos da humanidade

De acordo com ele, a maioria ama platonicamente seus bichos de estimação, citando o carinho exagerado por ovelhas. Um censo na Austrália constatou mais de 17 milhões de habitantes contra quase 162 milhões de ovelhas. “Muitos de nós, crianças e adultos, chegam a contrair doenças infecciosas dos animais de estimação”.

Destaca que a varíola, a gripe, a tuberculose, malária, peste bubônica, sarampo e cólera foram os principais assassinos da humanidade ao longo de nossa história. Essas doenças infecciosas foram transmitidas por animais, “embora a maioria dos micróbios responsáveis por nossas próprias epidemias agora esteja restrita aos seres humanos”.

“Até a Segunda Guerra Mundial, segundo ele, uma quantidade maior de vítimas morreu por causa de micróbios trazidos com a guerra do que dos ferimentos das batalhas”. Em sua conclusão, os vencedores das guerras passadas nem sempre foram os exércitos com os melhores generais e as melhores armas, mas quase sempre aqueles que carregavam os piores germes para transmiti-los aos inimigos.

Aponta que os exemplos mais terríveis do papel dos germes na história vêm da conquista das Américas pelos europeus a partir de Colombo, em 1492. “Mais numerosos que os ameríndios vítimas dos conquistadores espanhóis foram as inúmeras vítimas dos micróbios espanhóis assassinos. Muitos outros povos nativos foram dizimados por germes eurasianos e o inverso aconteceu com os conquistadores europeus nas regiões tropicais da África e da Ásia”.

Em sua observação, assinala que para um micróbio, a propagação pode ser definida matematicamente como o número de novas vítimas contaminadas por cada paciente original. “Esse número depende de quanto tempo cada vítima permanece capaz de infectar novas vítimas, e da eficácia com que o micróbio é transmitido de uma vítima para a seguinte”.

Os micróbios e as maneiras de passar para outros

Eles, os micróbios, desenvolveram diversas maneiras de passar de uma pessoa para outra, e de animais para as pessoas. O que melhor se propaga deixa mais “filhotes”, ou bebês, e acaba favorecido pela seleção natural. “A melhor maneira do germe se alastrar é esperar que seja transmitido passivamente para a próxima vítima. Essa é a estratégia de aguardar que um hospedeiro seja comido pelo próximo hospedeiro”. Um exemplo por ele descrito, é o caso da bactéria salmonela. Outro caso ocorre com o verme responsável pela triquinose, que passa dos porcos para nós, esperando que se mate o animal e seja comido sem o cozimento adequado.

“Esses parasitas passam para uma pessoa quando ela ingere carne de um animal. No entanto, o vírus do kuru nas regiões montanhosas da Nova Guiné era transmitido para pessoas que se alimentavam da carne humana. Alguns micróbios, porém, não esperam que o hospedeiro morra e seja comido. Eles pegam carona na saliva de um inseto que pica o hospedeiro e sai voando para achar um novo”.

Um dos exemplos são os mosquitos, pulgas, piolhos ou moscas africanas tsé-tsé, que transmitiam malária, peste bubônica, tifo e a doença do sono. Existe o micróbio que passa de uma mulher para o feto e contamina o bebê no nascimento.

As lesões da pele causadas pela varíola também transmitem micróbios por contato corporal direto ou indireto – assinala o cientista. O autor do livro cita, como exemplo, a ação criminosa dos homens brancos dos Estados Unidos que, para exterminar os índios nativos, enviaram-lhes de “presente” cobertores usados antes por pacientes com varíola.

“A bactéria do cólera provoca em sua vítima intensa diarreia que espalha bactérias no sistema de abastecimento de água das novas vítimas potenciais, enquanto o vírus responsável pela febre hemorrágica coreana propaga-se através da urina dos ratos. O vírus da hidrofobia (raiva) se aloja na saliva de um cão contaminado e ainda provoca no animal o furor de morder”.

Pelo esforço físico do próprio micróbio, os campeões, conforme aponta o biólogo, são vermes como o ancilóstomo e o esquistossoma que penetram na pele de um hospedeiro em contato com a água e a terra na qual suas lavras foram excretadas nas fezes de uma vítima anterior. “Do ponto de vista de um germe, são estratégias evolutivas inteligentes para se disseminar”.

Afirma o autor que os anticorpos específicos desenvolvidos contra um micróbio que nos contamina reduzem a probabilidade de uma reinfecção depois de curados. Por experiência, sabemos que há certas doenças, como a gripe e o resfriado comum, contra as quais nossa resistência é apenas temporária. “Podemos acabar contraindo a malária outra vez. No entanto, contra o sarampo, caxumba, rubéola, coqueluche e a varíola, nossos anticorpos conferem imunidade permanente”.

O VÍRUS E O FRIO

Nesses tempos de pandemia, Vitória da Conquista está mais vazia e sua gente tem procurado se afastar das ruas por causa do vírus e também do frio, que em muitas noites tem marcado 12 e 10 graus com a sensação térmica de até 7 graus. Como em todo planeta, por irônico que pareça, o meio ambiente tem agradecido à Covid-19 pela redução da poluição através das paradas e das limitações no funcionamento das indústrias, do comércio e dos serviços, apesar de ter causado até agora quase 100 mil mortes somente no Brasil. Quanto ao frio gelado, tem sido difícil suportar as temperaturas baixas e sempre os mais pobres são os que mais sofrem nas periferias em suas casas apertadas e com pouca proteção. Aliás, com relação ao vírus, acontece o mesmo. É a categoria mais atingida por diversos fatores que todos já sabem, como o baixo poder aquisitivo, o desemprego e menos recursos para se proteger da doença, que em Conquista se agrava a cada dia, principalmente com a reabertura do comércio. Essa imagem do centro da cidade, na Praça Barão do Rio Branco, foi captada pelo jornalista Jeremias Macário.  O frio vai logo passar. E o vírus também vai, mas não se sabe quando.

O CAVALO DEUS REI

Um dos poemas mais recentes de autoria do jornalistas Jeremias Macário

Como nas carruagens de fogo,

Galopeia, galopeia o deus rei,

Livre no orvalho a galopar,

Na poeira do cascalho da areia,

Que arou o chão do agricultor.

 

Como um poderoso Prometeu,

Da Ásia ao Novo Mundo veio,

Como deus dos incas-astecas,

Com Pizarro executou Ataualpa,

Cortez prendeu o rei Montezuma,

Massacrou os índios das Américas,

Do oeste sem lei, puxou diligências,

Tudo pelo ouro pra suas excelências.

 

Do cavalo o homem sua força sugou,

Cortou serras e matas da mãe terra,

Nas bigas da arena foi gladiador,

Mudou todas as formas de guerra,

Criou novos reinos e fez heranças,

Com aço espalhou armas e doenças,

Ainda impôs suas fanáticas crenças,

Como nas Cruzadas das matanças.

 

Cavalo-vaqueiro nos rastros da res,

Nos agrestes dos engaços do Nordeste,

Das Volantes no cerco à Coluna Prestes,

De valentes tenentes rumo ao Pantanal,

E sem ele não teria o Caubói faroeste,

Nem o som da divina canção do genial,

Assovio italiano de Ênio Marricone,

Nas filmagens áridas de Sérgio Leone.

 

Campolina, manga-larga machador,

O puro sangue mustang e o árabe,

Pelo deserto beduíno o alado voou,

Na África teve que arrastar escravos,

Com Alexandre cavalgou até a Índia,

Colonizaram nações com os bravos,

O deus rei cavalo dos papas templários,

Dos arsenais, santuários e das catedrais.

 

No frio russo como máquinas biônicas,

Guerreou nas batalhas napoleônicas;

Júlio César no rio ergueu sua espada,

Por anos foi o maior rei dos romanos,

E o sanguinário Átila usou seus cascos,

Pra queimar toda grama por onde passou,

E os mangoiós adoravam o deus animal,

O feroz que lutou até a I Guerra mundial.

 

 

CONVERSA COM OS BICHOS

Esta crônica faz parte do livro “ANDANÇAS”, de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, lançado há pouco tempo e pode ser encontrado na livraria Nobel e na Banca Central, ou através do próprio autor pelo e-mail macariojeremias@yahoo.com.br e pelo tel 77 98818-2902.

Oh! meu gafanhoto: Veja o estouro da boiada. Não se tem mais certeza de nada. O mundo gira depressa e a locomotiva passa. O tempo engole a gente e não se espera o retardatário nas estações. É a corrida competitiva do ouro de tolo. Até os passarinhos não conseguem fazer seus ninhos sossegados. Quase que não se cruza mais com o vizinho. Não existe mais tropa de tropeiros, nem comitiva. As muralhas separam nações, para acirrar o ódio e o pavor.

O nível dos rios baixa e suas águas não escoam livremente. Correm apertadas entre lixo e erosão. Os bancos de areia avançam e o leito seco mata o sapo perereca. É o silêncio da morte chegando. Não mais as árvores das sombras cativantes. O vermelho guará prenuncia o perigo ao se alimentar da lama do mangue terminal. Na lança dos nativos, suas penas cores de sangue lembram o ritual da dança antropofágica.  Resta navegar, com presteza, nos desvios dos vazios.

O sertão está virando carvão, e o mar em esgoto venenoso. A terra se desloca, treme e arrebenta; cospe fogo como dragão; e sai de rotação. O tufão arrasta, contorce, torce e arremessa tudo que encontra em sua frente para o alto das montanhas. As ondas surgem como monstros marinhos; engolem o litoral; e sugam gentes e destroços. Destroem as façanhas dos homens e tudo vira um roto lamaçal.

As calotas se derretem; o clima esquenta, queima e a paisagem fica cinzenta. E eu cá, meu gafanhoto, a meditar na revolução e no paraíso original, sem o ímpeto de querer seguir a vida. Sonhei um mundo de poetas, sem polícia para bater, sem censores e sem câmaras de olhos malditos a vigiar. Sonhei um mundo sem grades, sem homens bombas e sem terras divididas em fronteiras. Sonhei com o vento sem fúria e com o livre viver, sem ter que me censurar antes de falar.

Não deixe, gafanhoto, que o sol derreta sua cara, nem se consuma nos desejos do inferno de Dantes. Não negocie ideologia e ética por estética.  Esteja vigilante para as armações das mentes. Contemple a luz do dia. Cuidado com a fera que espreita. Não deixe seu amor partir, mesmo que não seja eterno. Ouve o que diz a canção do mar nas dobras das ondas virando sal. Fica se for preciso ficar, para desafiar. Se não estiver incluído entre os melhores, não use como consolo o outro por ser o pior. Nunca se acomode com seu problema só porque o outro está em situação mais difícil. Seu cérebro pode estar cheio de estrias, rugas, celulites e varizes.

Não seja o próprio lobo de si mesmo. oh gafanhoto peregrino! Não se enrosque nos clichês dos desejos fúteis e supérfluos. As mãos se estendem nos sinais das vias, mas os carros seguem velozes e fechados, levando desesperanças. Outros cortam os caminhos. Os olhos verdes, azuis, pardos, castanhos e negros não se fitam mais. É isso aí, meu gafanhoto: Tenta refletir e controlar as emoções. As armadilhas dos amores são cheios de dores.  A naja e a ninfa têm suas próprias magias. O leão ostenta seu poder superior de rei. O uirapuru tem seu encanto no canto. O tangará faz sua dança sincronizada para sua fêmea namorar. O gavião peneira para nas alturas e desafia a gravidade, na busca da sua sobrevivência. O homem vive o desespero de vencer; de domar o tempo; o envelhecimento; e alcançar a imortalidade. Perdemos nossas referências e características. Temos reis e rainhas sem poder e sem trono. Procure, ao menos, ser a fênix.

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EM TEMPOS DE PANDEMIA

Em tempos de pandemia, só o capitão-presidente pega “mofo” por ter ficado em casa 20 dias, contrariando a ciência e a recomendação dos infectologistas e epidemiologistas. Ele quis dizer, indiretamente, para os brasileiros não ficarem em casa. Seu incentivo é que haja aglomeração. Nem acredito no teste dele. Pois é, ficar em casa só pega “mofo” quem não usa a mente e o corpo para produzir algo de bom para si e para os outros, como minhas hortas em casa, escrever, ler, fazer vídeos com poemas, esculturas, exercícios físicos  e inventar outras coisas para manter a mente sã e o corpo são. Desde que começou a Covid-19, tenho procurado ficar em casa, quando possível, ocupando minhas 24 horas a que ainda tenho direito. Nesses tempos, procure ocupar sua mente mais que o corpo, inclusive com leituras que, infelizmente, é o hábito de poucas pessoas. Essa horta é um dos meus frutos em tempos de pandemia. Esse cara do” mofo”, lamentavelmente, ainda tem seguidores da morte, ou do seu próprio mofo, que utilizam o tempo para contaminar os outros com seus radicalismos, racismos, ódios, fascismos e fundamentalismos. Propagam por ai o que há de pior em termos de retrocesso humano. Na foto do jornalista Jeremias Macário

UNS SE VÃO E OUTROS FICAM

De Jeremias Macário, em homenagem ao meu compadre e amigo-irmão “Luizão”

Olá, meu amigo-irmão!

Pra você que se foi,

Partiu sem me avisar,

Assim é a nossa vida:

Uns chorando nascem,

Outros no silêncio se vão,

E muitos por aqui ficam,

Para seguir o ciclo da lida,

Desse misterioso círculo,

Que nunca vai se fechar.

 

Todos, compadre-irmão!

Temos que aprender a lição

Das horas certas e incertas,

Com a sua conta a pagar

Todos os meses e dias,

Preenchendo essas guias,

Enfadonhas e burocráticas,

Que só as linhas do amor,

Nos consolam dessa dor.

 

Os que amaram o viver,

A quem a todos cativou,

Aprendeu fazer sua conta,

Sem nunca ligar para o ter,

Como em sua via fez você,

Do jeito que nos ensinou,

A não se desviar do traço,

E quando por acaso lá se for,

Manter o mesmo afago,

Do abraço do dia que chegou.

 

Assim é o ciclo da vida,

Meu compadre, amigo-irmão:

Uns nascem e outros se vão,

E toda gente que aqui ficou,

Continua a fazer sua conta,

Como diz a canção do poeta,

Para o dia que vai chegar,

De um círculo, meu amigo,

Que nunca vai se fechar.

 

 

VIRTUAIS E COM COMPROMISSOS SÉRIOS

Como já comentei dia desses, essas eleições municipais para prefeito e vereadores vão ser bem diferentes, de pouco contato presencial, reuniões e palanques limitados, e bem mais virtuais através das redes sociais, sem excluir a propaganda impressa em folhetos, “santinhos”, cartazes e carros de som.

Diante desse quadro nacional, com um governo federal negacionista da ciência e sem liderança, sem contar a falta de gestão de muitos governos estaduais e municipais para controlar a situação e a pobreza e o desemprego generalizados que dificultam o isolamento social, não sabemos ao certo quando tudo isso vai passar.

Com essas incertezas, vamos continuar na insegurança e na ausência de confiança para a aproximação mais pessoal durante a campanha, principalmente, com relação aos grupos mais vulneráveis, não somente idosos, como pessoas com doenças crônicas e, infelizmente, os mais pobres.

VOTE EM QUEM TEM COMPROMISSOS

Como vai ser mais virtual e com outros métodos, o eleitor tem que ficar ainda mais atento, pesquisar mais o candidato e votar em quem tem compromissos com a vida, com o meio ambiente, com a educação, com a cultura de sua comunidade e, especialmente, com o social. Tudo isso tem que ficar bem claro para o eleitor, sem esquecer da competência, do preparo para o cargo e da honestidade do candidato. É só analisar o passado de cada um.

Passou do tempo de dar um basta nos candidatos-vereadores que confundem seu papel de legislador com o de executivo e adotam aquela cultural coronelista do assistencialismo, confundindo e aproveitando da vulnerabilidade do eleitor.

A Câmara Municipal de Conquista, por exemplo, precisa de mudanças no sentido de legislar pelo coletivo da cidade, e não ficar cada um voltado, exclusivamente, para seu “lote”, atendendo e promovendo interesses particulares que, indiretamente, significa a compra de votos. Quem vota por favor está sendo vendido.

Nesse aspecto, no caso de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, a Câmara de Vereadores precisa estar atenada e estruturada à altura do engrandecimento da cidade em termos de grandes projetos de infraestrutura, como a questão da água, da mobilidade urbana, do novo plano diretor urbano e definir uma política cultural para o município visando, sobretudo, a atração de mais investimentos públicos e privados para a geração de renda e emprego. O setor criativo sempre foi esquecido pelo poder público, como política secundária.

Mais uma vez, vai ser uma eleição de poucos recursos em que o candidato, pelo seu próprio perfil, tem que convencer o eleitor a votar em quem tem esses compromissos com a cidade, para exercer sua real função de vereador. Necessitamos de uma Casa com conteúdo e força, e não aquela que sempre diz amém para o executivo e faz vistas grossas no âmbito da fiscalização.

É tempo de mudar e eliminar quem é contra a ciência; excluir o fundamentalismo religioso; renegar os seguidores da morte; e, principalmente, que ainda conserva ideias preconceituosas, racistas e retrógradas, como defender intervenção militar e fere de morte a nossa democracia.

PARA ONDE CAMINHA A HUMANIDADE?

A minha interrogação é para onde caminha a humanidade? Não bastam as doações e as campanhas de cestas básicas quando se fixa somente no socorro material daquele momento de catástrofe, se não houver uma renovação dos espíritos. Ainda estamos num estágio muito atrasado quando ainda discutimos a cor da pele, a questão de gênero, as origens de cada indivíduo e quem é de direita ou de esquerda. Ainda estamos muito atrasados quando defendemos a opressão no lugar do livre pensar, sem atacar e violar o direito e a liberdade do outro.

Até há pouco tempo, e ainda hoje, mais raramente, tenho ouvido pessoas otimistas comentarem e dizer que a humanidade caminha para um termo de vivência solidária, com irmandade de fronteiras abertas para todos. Sinceramente, não é a paisagem que vejo, mas uma outra sombria, de governos extremistas, negacionistas da ciência, neonazistas, xenófobos, moralistas, racistas, fundamentalistas e nacionalistas.

Nem é preciso falar muito, mas quem ler e acompanha atentamente o passado tenebroso da história mais antiga e a recente, tudo parece nos levar àqueles tempos de trevas da Idade Média, do terror que foi o nazifascismo das primeiras décadas do século XX e do medo nuclear da guerra fria na polarização entre Estados Unidos e a União Soviética.

Violação dos direitos humanos

Pode até ser exagero, mas basta olhar para o comportamento segregacionista e extremista de um Donald Trump, de governos de linha dura e nacionalistas que estão se implantando na Europa, na Ásia, no Oriente Médio e no próprio Brasil, seguindo a mesma toada, para se chegar à conclusão de que estamos nos distanciando do humanismo desejado. Estamos sim, regredindo no tempo para um isolamento entre as nações, com o fim das liberdades e a violação dos direitos humanos.

Não consigo entender do porquê dessa onda mundial da negação da ciência, como na era da Inquisição, de tanta propagação de ideias retrógradas, atitudes racistas, desse nacionalismo de ódio e intolerância e radicalismo fanático religioso. Com a chegada desse coronavírus, a impressão que temos é que esse caminho extremista ao retrocesso se alargou e se escancarou mais ainda. Não acredito que o nosso planeta vá ser mais humano quando tudo isso passar.

Quando vejo um monte de gente dizer que as quase 90 mil mortes no Brasil pela Covid-19 é mentira da mídia, que o aumento dos desmatamentos e das queimadas no Pantanal e na floresta Amazônica é invencionice dos contras esquerdistas comunistas, que deve haver intervenção militar no Brasil e apoiar as mesmas posições preconceituosas e racistas do governo do capitão-presidente, em nome de uma falsa moral familiar e patriótica, não dá para pensar num futuro melhor.

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UM JORNALISTA DEFENSOR DA CIDADE NO LEGISLATIVO CONQUISTENSE

Carlos González – jornalista

Venho observando, desiludido e, porque não dizer, revoltado com os rumos que a política brasileira tomou nas últimas décadas, conduzida, com poucas exceções, por homens públicos que se utilizam da boa-fé do eleitor, lastimavelmente desinformado. Aproveitando-se de um mandato, ou de um cargo no governo, desviam recursos da educação e saúde, pondo em prática sua índole criminosa. Nas últimas eleições deixei de escolher os ocupantes das vagas nas casas legislativas (deputados e vereadores), como uma forma de condenar as quadrilhas de gravata e paletó. Prometi nunca mais entrar numa seção eleitoral.

Mas, nas últimas semanas mudei radicalmente de opinião, ao tomar conhecimento de que meu amigo e ex-colega Jeremias Macário é pré-candidato a uma vaga no Legislativo de Vitória da Conquista. Nos nossos bate-papos de fim de semana incentivei-o a se dedicar a esse pleito, por achar que ele conhece muitíssimo os problemas do município.

Conheço Jeré há mais de 40 anos. Trabalhamos juntos na Redação de “A Tarde”, num período em que os seus profissionais se orgulhavam do título que o jornal exibia, de “maior e melhor do Norte e Nordeste do País”. Especialista em várias áreas do jornalismo, Jeremias se dedicou com mais profundidade à economia, passando, com os anos, de repórter a editor, o que lhe deu oportunidade de assessorar instituições e empresas dedicadas ao comércio, indústria e agronegócio na Bahia.

Como prêmio ao seu trabalho, Jeremias foi promovido a chefe da Sucursal de “A Tarde” em Vitória da Conquista.  Sem contar com os instrumentos modernos das comunicações, que hoje facilitam o trabalho do jornalista, Jeré, ao lado de uma equipe de repórteres e fotógrafo, atravessou, como se fosse um bandeirante, todo o sudoeste baiano, a Chapada Diamantina, indo até as margens do Rio São Francisco, valorizando, principalmente, Vitória da Conquista, mostrando aos leitores do “vetusto vespertino da Praça Castro Alves” a economia, cultura, esportes, entretenimento, turismo e aspectos sociais de uma região até então pouco conhecida dos baianos.

A Sucursal tinha também uma função comercial, recebendo material publicitário e distribuindo, de domingo a domingo, os exemplares do jornal aos anunciantes e bancas. O proprietário de um ponto comercial na Avenida Olívia Flores me revelou que vendia na época 100 exemplares por dia. Marketing e relações públicas também faziam parte do trabalho de Jeremias, recepcionando e levando aos pontos turísticos da cidade as pessoas credenciadas pela direção do jornal, além dos colegas, independente dos veículos de comunicação a que pertenciam.

Título de Cidadão

A ocupação de difundir o município foi reconhecida pela Câmara de Vereadores, a chamada “Casa do Povo”, concedendo-lhe o justo título de Cidadão Conquistense, do que muito se orgulha o sertanejo nascido em Piritiba.

Aposentado, Jeré não vestiu o pijama. Com residência fixa em Conquista, trocou a velha Remington pelo computador, continuando a se dedicar ao mundo das letras, com a visão voltada para a cidade que o abraçou. Criou o blog “aestrada”, com a finalidade, sobretudo, de denunciar os abusos cometidos contra os indivíduos vítimas das desigualdades sociais e econômicas. Posicionou-se em defesa da cultura conquistense, abrindo o “Espaço Cultural aestrada”, onde recebe mensalmente em sua casa músicos, escritores, jornalistas e artistas plásticos, para discutir os mais variados temas culturais.

Diante do pouco que expus nestas linhas sobre a vida profissional e cultural de Jeremias Macário, perdi o direito de rasgar meu título de eleitor. Acho-me agora no dever de ir este ano à urna para dar-lhe uma cadeira na Câmara de Vereadores do município. Quero deixar bem claro que não falo como colega e amigo de Jeré, mais de um jornalista observador, que se interessa pelas condições de vida e planejamento das cidades; com 45 anos passados das redações do “Estadão” e “A Tarde”; com viagens a trabalho; e como subcoordenador de Jornalismo nas gestões de quatro prefeitos de Salvador.

 

 

AS VÍSCERAS DESSA GENTE!

É mais um texto extraído do livro “ANDANÇAS”, de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, recentemente lançado e que pode ser encontrado na livraria Nobel e na Banca Central, da Praça Barão do Rio Branco, em Vitória da Conquista, ou ser adquirido diretamente pelo autor através do e-mail macariojeremias@yahoo.com.br e tel 77 98818-2902.

A sociedade tecnoconsumista cria, recria, inventa, reinventa, acresce botões, classifica os estilos sexuais e nos trata como poções. Ela dissolve, ilude, engana, derrete, conduz, seduz, atiça desejos supérfluos, discrimina, agride e tritura tudo na máquina das ilusões.

Os idiotas consumistas genéricos acreditam; perdem suas identidades; exercitam a beleza estética; e tornam acéfalos de espírito. Eles querem o espetáculo contraditório disforme de massas musculares enormes, ou corpos esqueléticos coliformes, mas nos ensinam que temos o livre arbítrio.

Conte sua história. A felicidade do sucesso é expor a vida íntima em troca de três minutos num programa de audiência televisiva evasiva. Tudo que se revela não passa de um monte de mentira contraditória, sem vitória. A imagem da lente inventa e foca as vísceras; amplia as fezes e os vermes; e extirpa o pus lá de dentro do ventre. O homem é esmagado como barata nojenta.

É viva a corrida da busca pela glória! Não importam os meios. Tem que ser competitivo vencedor. A alma sempre está à venda numa bandeja de prata e não falta o comprador-financiador. A máquina foi feita para fabricar o stress, com suas técnicas infalíveis. Você tem que ser o primeiro a chegar à boca do cofre, senão outro pode arrombá-lo.

Como na roleta russa, o suor ferve e escorre na pele; as veias parecem explodir; o coração arrebenta, enquanto se espera o detono da bala. Num só impacto, sua cabeça será esfacelada. Cada corrida é um teste. É o jogo de vida ou morte. Tudo por um punhado de dólares, como na cobiça do faroeste.

Seu cuspe não vale nada se não alcançar a maior distância. Não é preciso aprender a ser humano e ter espírito de cooperação. Seu lado sentimental e emocional vive em constante processo de ebulição. Só existe uma via hegemônica, ou logo se falece na estrada. Nada de pensamento diverso. Siga a métrica e a rima do verso.

Na cultura capitalista, só o cliente é tudo, e o empregado, instrumento do lucro a qualquer custo. As relações entre o patrão se resumem ao trabalho. Depois é só jogar fora o caroço. Não existem espaços para erros.

O mercado é regido pela tabuada rigorosa do somar e multiplicar. Nada de dividir e diminuir. É só decorar e seguir suas normas impostas. Quem não assim fizer, está fora. Não importa se é fingido ou hipócrita. A ordem vem de lá como se apresentar; apertar a mão; olhar reto; sentar sem cruzar; vestir almofado; e até andar de lado, bem caprichado.

Aprenda na cartilha o que deve ser dito à frente do entrevistador. Prepare-se para os enigmas do QI. Decifra, ou seja, devorado. Você é domesticado para mentir e mudar de personalidade, sem remorso. Você tem prazo de validade.

A aparência da sociedade consegue encobrir, por um tempo, as condutas desequilibradas e desajustadas. O princípio é ser corretamente político, e nada de apontar a verdade. Não seja maluco, meu camarada. Siga pelo caminho que lhe indicaram. Ser o que se é não é mais o ideal.

Nossa terra precisa de um novo movimento antropofágico. Uma gente que incinere este lixo exportado de fora. Nosso estômago está cheio de bichos estranhos roedores. Nossa carne não é a nossa carne. Nossas vísceras são de outros canibais. Nossas cabeças não são mais dos antepassados ancestrais.

Povo aniquilado pelas ditaduras da beleza, do som, do corpo sarado, da estética, dos cosméticos e das cirurgias de plásticas monstruosas. Por que nos exigem tantos estilos para tudo? Vivemos trancados num armário bolorento, com cheiro de mofo, mas achamos que está todo perfumado. A única opção é viver engarrafado.

Estamos cheios de feriadões fabricados pela mídia, que dita o nosso comportamento e fala o que ela quer e não o que queremos. Todos saem estressados das metrópoles, para ficarem mais estressados nas estradas e nas filas dos restaurantes com hotéis lotados. Brigam todo tempo com a mulher e os filhos. O tempo vai engolindo a gente, sem, ao menos, aprender a viver, para morrer.

Temos um monte de coisas, sem uma sequência lógica dos fatos, mesmo porque a vida não tem lógica, e a felicidade de agora já foi embora. Depois que falo já não é mais a mesma fala. Qual o agora você é feliz? O antes ou o depois?

Dinheiro muito pode ser pouco, e dinheiro pouco pode ser muito. Solidão pode ser amor, e amor pode ser solidão. As andanças não têm fim quando se procura o sentido, mas você vai continuar a andar. Mesmo sem sentido, o destino é andar, mesmo que não haja destino.

As pessoas são rotuladas por tipos, como o metrossexual, ubersexual, o nerd, o “X”, o “Z”, o “Y”, o “CDF”, o branco, o negro, o rico, o pobre, o feio, o bonito, o da terceira idade, sem direito a quarta, mas todos têm que ser consumista; andar de celular; dar presentes no Natal; se vestir legal; e usar as redes sociais, para serem normais.

Afinal, você é subdesenvolvido ou emergente? Diferente ou indiferente? Alienado ou escória da sociedade? Ativo ou passivo? Pensando bem, sou nada e o tudo, e a mosca na sopa de Raul Seixas. Sou a navalha e a faca de dois gumes. Sou o metal usado dos dois lados pelo poder, que diz ser cedo a aposentadoria aos 65 anos, enquanto o mercado capital discrimina aos 40. Fico sem saber quem sou e para aonde vou.

Minhas vísceras estão sempre abertas ao sistema, que vigia o tempo, constantemente, mesmo debaixo do esgoto. O roto fala do esfarrapado, e o correto é o tolo. Que bosta é esta de que a vida me deu régua e compasso, se nem sou dono do meu próprio passo! Sou um maço de cigarro amassado.





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