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QUEM OLHA PARA OS PROFESSORES?

Não dá para esquecer a primeira professora. Quando ainda menino e já labutava na roça com meus pais, lá pelos idos dos anos 50, Nina foi a minha primeira professora leiga, mas o que mais me marcou na vida foi sua penosa pobreza como agregada-escrava de um grande latifundiário. Aprendi com ela a escrever meu nome e a ler alguma coisa soletrando as palavras. Coube a esta personagem real privilegiar um dos capítulos do meu livro “Andanças” que ora, sem patrocínio, luta para ser lançado.

Os tempos se passaram e tive outros notáveis mestres até início da década de 70 quando ainda estes profissionais do ensino eram valorizados e respeitados por pais e toda sociedade. Os alunos aprendiam a lição e eram ávidos por estudar. Havia normas nas escolas que eram obedecidas, mas os travessos, como eu, recebiam castigos na frente dos outros colegas. A questão dos métodos é discutível, mas isso é outro assunto.

Regime disciplinar certo ou errado, a verdade é que até a década de 70, mais ou menos isso, o professor ainda era olhado com carinho, e sua pessoa era reverenciada por onde passava como autoridade intelectual da comunidade, no mesmo nível do juiz, do padre e do prefeito. O mestre, como era chamado, se sentia realizado, reconhecido e contente como o que fazia, distribuir seus conhecimentos para os outros.

Estourou a ditadura militar de 1964 e, em pouco tempo, o educador passou a ser olhado como um inimigo subversivo que poderia provocar uma rebelião entre os estudantes. Sua missão de ensinar começou a ser mutilada e vigiada dia e noite. O saber virou um perigo comunista e muitos foram torturados nos porões do regime. Outros foram banidos e exilados.

Apesar das condições adversas, a profissão de professor ainda continuava sendo digna, mas o cenário do estudo e da educação foi se deteriorando. Piorou ainda mais a partir do processo de redemocratização do país em fins dos anos 80, quando por lógica deveria ter melhorado, mas não, atingiu seu pico de degradação e humilhação nos dias de hoje, repudiado e visto como um “zé ninguém qualquer”, sem importância.

Até anos atrás imaginava que professor não ficava desempregado e teria mercado garantido porque sempre ia ter gente para aprender e mais escolas seriam abertas. Ledo engano, meu amigo, o que se vê hoje em nossa pátria é de cortar o coração e dói muito, basta ser humano e um pouco sensível. Não é somente a questão do desemprego que faz derramar lágrimas dos olhos dos professores, mas também as agressões violentas dos alunos, e os assédios morais de chefes e pais que aniquilam de vez a autoestima daqueles que continuam, a duras penas, nas degradantes salas de aulas.

Quase ninguém olha para eles, mas tenho ouvido muitos lamentos e choros de professores desiludidos com a profissão, inclusive vivendo em estado de depressão e ansiedade. Em seus cantos isolados, como se fossem renegados criminosos, muitos passam necessidades e até fome. Para sobreviver, recorrem à ajuda de parentes e perambulam pelas cidades atrás de um bico. Sujeitam-se até a trabalhos domésticos ou a vender bugigangas nas ruas.

Aos que ainda permanecem atuando, o poder público não os valoriza e nega qualquer pedido de aumento, alegando limite fiscal quando, no entanto, contempla outras categorias, as quais, o chefe do executivo considera serem mais fundamentais em termos socioeconômico e político. Afinal de contas, a educação nunca foi prioridade dos governantes.

Vivemos, infelizmente, numa sociedade fútil consumista e sem instrução que pouco liga pra greve de professores. Os chefes dos executivos que deviam dar bom exemplo, também não. Como não tem de imediato o mesmo impacto de uma paralisação de caminhoneiros, bancários e até mesmo de garis (sem desprestigiar a classe), deixam a coisa rolar por tempo indeterminado. Preferem manter as escolas fechadas, sem educação. Em suas contas retrógradas significa menos gastos.

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UM PACIENTE EM SEU LEITO DE MORTE QUE LUTA PARA TER ALTA DEFINITIVA

Pelos trópicos abaixo da linha do Equador um paciente chamado Brasil luta em seu leito terminal para ter alta definitiva. Esteve diversas vezes nas enfermarias onde os médicos diagnosticaram pronta recuperação, mas, de uma hora para outra, o doente foi acometido de infecção hospitalar braba que o levou à unidade de tratamento intensivo. O quadro, ora piora, ora melhora, abrindo espaço à esperança.

Há séculos, este paciente dos trópicos foi vítima de uma esquadra de gente estranha que aqui aportou trazendo consigo bactérias, vírus, bacilos, vermes e outros organismos que contaminaram seus nativos que viviam sadios. Ao longo da sua história, estes corpos nocivos se expandiram na população e se tornaram resistentes aos antibióticos e outros medicamentos. De lá para cá, vive-se tempos de altos e baixos, entre melhoras e estado de falência de seus órgãos.

Os vermes da corrupção, os vírus oportunistas sem caráter, as bactérias de aproveitadores, as hepatites virais silenciosas, os mosquitos ceifadores intolerantes e predadores em forma de monstros carnívoros de malfeitores ladrões infectaram-se neste paciente gigante adormecido onde encontraram  ambiente fértil de reprodução e se multiplicarem em milhões que a todo tempo se alimentam do que as células produzem para manter este ser vivo, mesmo em agonia.

Muitas tentativas foram feitas para expulsar os micróbios e vermes deste corpo, inclusive com pulverizações venenosas e outras até com fogo e bombardeios, mas eles conseguem se ramificar e criar sistemas fortes, esquemas de disfarces e outros métodos enganosos, tornando-se imbatíveis e cada vez mais resistentes. Eles vão destruindo tudo o que encontram pela frente, cada vez mais deixando o paciente debilitado.

Estão por todas as partes do organismo como uma metástase cancerígena. Cada elemento maligno pertence a uma categoria e se unem no corporativismo quando se sentem ameaçados em seus postos privilegiados. Criaram, por conta própria, um emaranhado de regras de defesas deles mesmos.  Vivem de mordomias extraídas de fontes geradas por uma massa produtora que labora dia e noite para manter o paciente ainda vivo, embora depressivo e em estado de ansiedade, das mais agudas.

Estes vírus, bactérias, fungos e pragas pré-históricos, muitos deles até herbívoros e carniceiros de planícies, planaltos e pântanos, são impiedosos e caem dentro de suas vítimas pequenas e frágeis para matar. Dilaceram tudo pela frente. Não estão nem ai para choros e ranger de dentes. Secam lágrimas e sugam todo sangue de suas presas.

Quando atacadas por alguma força tarefa de combate, se fazem de inocentes coitados e são prontamente protegidos por ordenados excrementos potentes que colocam novamente esses assassinos tumores na ativa. Eles devoram tudo que o paciente produz para sobreviver, mesmo em estágio terminal.

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VEREADOR FAZ PRESTAÇÃO DE CONTAS

Com o auditório da Câmara Municipal de Vitória da Conquista superlotado de lideranças comunitárias e convidados, o vereador Coriolano Morais, o Cori, do PT, realizou uma plenária de prestação de contas no último dia 28 (sábado pela manhã). Ele destacou a importância da seriedade política e o papel do parlamentar de fiscalizar o executivo e buscar melhorias para o povo, e não ser apenas um gerente de fazer favores de interesse pessoal.

Prestigiaram o ato o presidente do PT da Bahia, Everaldo Anunciação, a diretoria regional do partido, o deputado federal Josias Gomes e o estadual Jean Fabrício Falcão, do PC do B. Os oradores falaram da atuação firme de Cori no município, não deixando de relatar a atual situação política e econômica em que vive o país. Os representantes do PT voltaram a defender a campanha do “Lula Livre” e a candidatura do ex-presidente à presidência da República, mesmo estando preso em Curitiba.

PRESTAÇÃO DE CONTAS

Na sua prestação de contas, Cori reafirmou a sua luta prioritária pelos  direitos da população. Citou que ao longo dos anos do seu mandato apresentou 43 projetos-de-lei, 30 emendas parlamentares, 98 requerimentos, 428 indicações e 48 audiências públicas que beneficiaram milhares de pessoas nas zonas urbana e rural.

As ações contemplaram setores da educação, da saúde, do campo, do transporte e funcionários públicos. Na educação, por exemplo, realizou articulações de emendas para ampliação, reforma e construção de escolas e creches, bem como, criou projetos para valorização dos professores, monitores e merendeiras.

Na saúde, apresentou emendas para construção de postos médicos em Dantilândia, Francisco das Chagas, Vila América e Nossa Senhora Aparecida e projetos voltados para a saúde da criança. No setor do transporte público, Cori fez denúncias sobre a situação precária das empresas de ônibus da cidade, defendendo o direito dos trabalhadores, inclusive com ação junto ao Ministério Público para instalação de inquérito civil público para apuração de irregularidades na contratação  e concessão do transporte público coletivo.

Outro item de destaque do seu trabalho na área cultural foi a indicação de projetos de incentivo à leitura, emendas para construção de quadras poliesportivas e aquisição de equipamentos de lazer para praças e espaços públicos em localidades como Inhobim, Jardim Guanabara e Nossa Senhora Aparecida.

Sua atuação também se direcionou para a zona rural com articulações de emendas destinadas ao convívio com a seca através da construção de poços artesianos, cascalhamento de vias, incentivo à agricultura familiar e fortalecimento da educação no campo.

DEPUTADO FABRÍCIO

Um dedicado ao incentivo da cultura, do esporte e do lazer no município e região, o deputado estadual Fabrício Falcão fez questão de prestigiar a plenária de prestação de contas do vereador Cori, também apresentando suas ações durante seus mandatos, como apoio na publicação de livros (“Uma Conquista Cassada”, do jornalista e escritor Jeremias Macário), CDs de artistas locais da música e outros trabalhos nessa área.

No campo do esporte e lazer, o deputado Fabrício sempre se preocupou em  apoiar e a investir, através de emendas parlamentares, no desenvolvimento de ações dessa natureza em bairros mais pobres de Conquista com formação de núcleos no Guarani, Ibirapuera, Urbis II, Jardim Valéria e Patagônia. Apoiou diversos campeonatos de futebol, maratonas e caravanas de lazer, sem contar a apresentação de projetos de escolinhas esportivas.

AS CURIOSIDADES DO MUNDO GREGO COM SUAS FILOSOFIAS E SABEDORIAS (parte I)

“O mito e a lenda são inseparáveis da história; mesmo em nossa época, eles crescem em torno dos grandes acontecimentos históricos e, mais ainda, ao redor de grandes personagens históricas”- do escritor e professor M. Rostovtzeff, autor do livro “História da Grécia”.

Ele mesmo diz na introdução da obra que esta civilização antiga, chamada pelo próprio de greco-romana ou Mediterrânea, desenvolveu-se primeiramente no Oriente Próximo, sobretudo no Egito, Mesopotâmia e Ásia Central, nas ilhas do Mar Egeu e na península do Balcãs.

O zênite da criação cultural, de acordo com o filósofo, foi alcançado no Egito e na Babilônia no terceiro milênio a.C.; novamente pelo Egito no segundo milênio e, ao mesmo tempo, pela Ásia Menor e parte da Grécia; pela Assíria, Babilônia e Pérsia nos oitavo, sétimo e sexto séculos a.C.; em seguida pela Grécia dos séculos sexto ao segundo a.C; e pela Itália no primeiro século a.C. e no I d.C.

A civilização antiga ainda vive como base de todas as manifestações da cultura moderna. A grega só se tornou mundial como resultado de um contato novo e prolongado com as culturas orientais, após a conquista do Oriente por Alexandre Magno. Em complemento, diz o autor que ela se tornou propriedade do Ocidente, isto é, da moderna Europa, simplesmente porque foi adotada na íntegra pela Itália.

CURIOSIDADES, FILOSOFIAS E TRAPAÇAS

Mas, minha proposta mesmo é falar sobre as curiosidades específicas do mundo grego, suas filosofias e sabedorias, extraídas do livro “História dos Gregos”, do autor Indro Montanelli. Creio que muitos professores e estudiosos do assunto desconhecem peculiaridades interessantes sobre os grandes personagens e acontecimentos desta civilização, descritas pelo autor.

Como são muitas, vamos só pontuar as mais importantes. Historiadores dizem que a primeira civilização grega nascera na ilha de Creta e tivera seu apogeu no tempo do rei Minos por volta do século XIII a.C. O deus dessa gente se chamava Vulcano e correspondia ao Zeus dos gregos e ao Júpiter dos romanos. Quando se irritava, seus fiéis se recomendavam à deusa mãe, uma espécie de Nossa Senhora, para que o acalmasse.

Este reino desaparecera entre os séculos VIII e VII. Muitos falam num terremoto e outros em decorrência da invasão dos aqueus (tribo céltica da Europa Central) que destruiu tudo em Creta. A partir dali, o povo chamado de pelágios (povo do mar) tornou-se grego e os aqueus implantaram vários reinados, dos quais Homero se tornara um grande trovador.

De acordo com escavações arqueológicas feitas pelo alemão Henrique Schliemann, Tróia existiu e nela os aqueus, que vieram da Tessália para o Peloponeso, tiveram seu tempo de apogeu e decadência depois da guerra.

HOMERO – Existem dúvidas sobre sua existência, mas, conforme a lenda, foi um trovador cego do século VIII a.C. pago pelos senhores para ouvir dele histórias maravilhosas. Na obra da “Ilíada e a Odisseia”, o autor Indro considera Ulisses um dos mais descarados, mentirosos e trapaceiros da história. Sua grandeza só é medida pelo sucesso, única religião daquele povo.

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OS ESCRITORES E OS BUMBUNS ESTRAGADOS

Não vi nenhuma citação ou lembrete nos meios de comunicação sobre a passagem do Dia do Escritor, 25 de julho. Também pudera, num país que pouco valoriza a leitura de livros e onde é lanterna na lista mundial nos testes de redação nas escolas! Não dá para esperar outra coisa dessa sociedade consumista onde a estética do bumbum está acima do exercício da mente e da beleza de se cultuar o conhecimento e o saber.

As festas literárias, aqui e acolá ainda nos dá certo alento de esperança, mas muito pouco se for comparar com outras nações, e me refiro às próximas de nós, como na Argentina, Peru, Colômbia e Chile, só para apontar estas que já foram detentoras de prêmios Nobel de Literatura. Aqui, as nossas escolas se arrastam nos índices precários de educação, que nunca foi prioridade e meta principal de desenvolvimento dos governantes.

Hoje fiquei espantado e, ao mesmo tempo, surpreso com uma matéria num jornal da capital, cuja manchete diz que “Salvador lidera ranking de número de leitores de livros”. A pesquisa é da consultoria JLeiva Cultura & Esportes, em parceria com o Instituto Data Folha e Fundação Roberto Marinho. Entre doze capitais, Salvador possui maior número de leitores.

Destaca o estudo que 72% dos soteropolitanos leram, ao menos, um livro no período de junho a julho de 2017, equivalente a quatro pontos acima da média geral. Logo em seguida aparecem Belo Horizonte (70%), Rio de Janeiro e Porto Alegre com 69%. De acordo com o diretor da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, o resultado é fruto de um trabalho intenso de estímulo à leitura e à escrita na cidade de Salvador.

Ao mesmo tempo, fiquei sem entender quando a mesma pesquisa atesta que Salvador é a capital que menos frequenta bibliotecas (32%) e ocupa a última colocação em atividades como ida a museus (19%) e festas populares (36%). É a segunda pior marca de frequência em concertos e circos. Não parece um equívoco ou contradição? Dá para confiar nesses dados? Uma explicação é que o cenário é decorrente da desigualdade econômica e social. O argumento só me convence em parte.

OS BUMBUNS ESTRAGADOS

Nesta semana, para variar, os bumbuns químicos e siliconados estragados roubaram a cena dos escândalos diários de corrupção, o que demonstração, de qualquer forma, a degradação moral e ética em que vive o nosso país. A mídia, principalmente a Globo, caiu de pau no “Dr. Bumbum”, mas deixou de mostrar o outro lado das pessoas que, mesmo sabendo dos riscos desses procedimentos com médicos e atendentes não especializados em cirurgias plásticas, colocam a busca do corpo perfeito, sem necessidade, acima até de uma possível morte.

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SARAU A ESTRADA PROJETA SEU CD

Uma comissão formada por Jeremias Macário, Vandilza Gonçalves, Marta Moreno, Baducha, Dorinho e Jhesus se reuniu nesta quinta-feira (dia 19), no Espaço Cultural A Estrada, para traçar os primeiros passos concretos de criação e gravação do “CD Sarau A Estrada” com até 20 faixas que vão contar a história do evento cultural que está completando oito de existência.

Dentre outras decisões, ficou acordado que o CD será totalmente autoral e contará com vários estilos musicais, inclusive regionais, além da linguagem literária através de declamação de poemas, causos e textos que sempre ilustraram e fizeram parte dos nossos saraus. Uma faixa será gravada ao vivo e, possivelmente, será uma música do cantor e compositor Dorinho em parceria com o jornalista Jeremias Macário, autor da letra.

O material, que pretende ser inédito em Vitória da Conquista pelo seu conteúdo eclético e de formato dinâmico pela variedade das apresentações, será gravado no estúdio de Baducha e terá a participação dos fundadores e frequentadores mais assíduos do Sarau, desde 2010. Na sua primeira etapa, cada artista irá arcar com a gravação da sua obra.

HISTÓRIA DO SARAU

Para a abertura da mídia ficou também definida a apresentação de um texto de um minuto que irá relatar a história do Sarau e o propósito da impressão do CD como documento-memória da nossa atividade cultural colaborativa que reúne amigos e já discutiu vários temas, como Cordel, cultura nordestina, Geraldo Vandré, Castro Alves, Venicius de Morais, Raul Seixas, movimentos revolucionários de 68, educação no Brasil e tantos outros.

Não necessariamente nesta ordem, as faixas seguintes serão ocupadas pela música “Na Espera da Graça”, do cantor e compositor Walter Lajes e letra de Jeremias Macário. O próprio Walter entrará com outro trabalho, exclusivamente seu.

Dorinho cantará duas canções musicadas por ele com letra de Jeremias e Jhesus irá declamar dois causos em faixas diferentes. Baducha e sua esposa Céu ficaram encarregados de duas músicas autorais, bem como a cantora Marta Moreno com sua linda e suave voz.

O filósofo e professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, Itamar Aguiar, declamará um poema ou falará sobre o Sarau e o CD. Mano Di Souza e sua esposa Cleide vão gravar duas obras musicais em conjunto, ou separados.

Temos ainda na programação o cantor e compositor Moacir Mocego com suas músicas próprias, Vandilza, Regina Chaves, Nadir e o fotógrafo José Carlos D´Almeida com declamações de poemas, fechando o CD com um causo curto de Dorinho, contador de histórias como nosso amigo Jhesus.

Cada causo, poema ou texto vão ter duração máxima de dois minutos, reservando quatro minutos para os musicais. Para custear a gravação no estúdio, os artistas de causos e poesias contribuirão com R$30,00 cada um. As músicas com voz e violão, R$50,00 e instrumentada, R$100,00 para cada obra.

Os indicados ao CD do Sarau já podem começar a preparar seus trabalhos musicais e declamações dos poemas, devendo entrar em contato com nosso amigo Baducha no telefone 98852-4775, Jeremias através do número 98818-2902 ou pelo grupo com Marta ou Vandilza, para confirmar suas participações e marcar horários de gravações.

 

VAMOS TOMBAR AS MURIÇOCAS DE JUAZEIRO COMO PATRIMÔNIO MATERIAL!

Que beleza curtir Juazeiro da Bahia com seus 140 anos debruçado ao lado do “Velho Chico”, com Petrolina de Pernambuco na outra margem, e ainda ter o pôr-do-sol no fim de tarde por detrás da ponte que liga as duas cidades! Que saudades do antigo bar “Vaporzinho” no cais que dava vida às noites etílicas e divertia tanta gente alegre tragando amor! Lá se foram os “vaporzinhos”, mas ainda tem os barquinhos cruzando o rio São Francisco na sua labuta diária de transportar os passageiros de lá pra cá.

Pena que encostaram o “Vaporzinho” num canto como um condenado criminoso qualquer, ou um ser contagioso! Mas, tudo isso me faz lembrar os velhos tempos de muitas farras com os amigos Renato, Bubú, Jorge sem carteira, “Toinho” que já se foi, Gilson que também partiu, Titio, Nivaldo com suas palhaçadas, amigas e namoradas Grécia, Rutinha, Regina, Tereza e tantos outros em bares e botequins. Quantas batucadas e presepadas de discussões acirradas, seguidas de reconciliações para outros esquemas e badalações! Tudo começava no bar de dona “Ritinha” até quando ela não se danava e botava toda aquela “molequeira” pra fora.

Naqueles invernos e verões quentes de quarenta anos atrás, as muriçocas de Juazeiro já estavam de olho em nós, mas, na falta de coragem e destemor, o álcool que nos jogava no sono profundo dos braços de Orfeu era uma arma poderosa e infalível para encará-las, se é que se pode falar assim. No outro dia o estrago já estava feito pelo corpo, mas ninguém se importava e nem xingava as danadas que faziam e ainda fazem suas moradias nos esgotos a céu aberto.

Para os desavisados visitantes que inocentes não sabiam e nem sabem como enfrentar os bandos que em tropas tramam seus ataques para se alimentar de sangue dos humanos, aquilo era e ainda é tormento e desespero. Um coitado viajante contou-me, certa vez, que na sua primeira noite numa pensão acordou debaixo da cama com o rosto todo inchado. As vampiras em trabalho de equipe derrubaram o homem e chuparam todo seu sangue. Não teve mais ânimo e saiu fugido da cidade como se corria de um fogo cruzado dos cangaceiros de Lampião. O estranho ficou irreconhecível.

É mesmo verdade as histórias das centenárias muriçocas de Juazeiro, que o diga meu caro primo Washington Macário de Oliveira, técnico, fiscal e inspetor de meio ambiente do Inema, que ainda continua no encalço incessante dos prisioneiros de pássaros no sertão Bahia, com seus disfarces de detetives que deixam a turma da CIA de queixos caídos.

Apresar de todo seu cuidado e proteção em favor dos animais, sem falar aqui do seu mal-estar de tanto ver o “Velho Chico” no seu leito de morte, um dia vi o primo irado em sua casa com uma raquete matando as pobres muriçocas indefesas, pulando de um lado e do outro, suado de tanto exercitar. O esforço não impedia que elas atacassem em bandos de nuvens sem fim. A briga era feia, mas nada adiantava a matança.

Fiquei horrorizado com aquela cena. Se não me engano foi no mesmo dia e noite que me convidou, no Bairro Castelo Branco, para tomar uma gelada no bar do seu amigo. Pelas tantas da noite, lá foi eu para mais uma de suas armadilhas, e nem me lembrei das “bichinhas” irritantes que zunem no seu ouvido lhe deixando com os nervos em frangalhos. Não sabia que elas adoram forasteiros, e os nativos ficam tranquilos quando eles aparecem em seus territórios. Só assim conseguem umas tréguas temporárias e ainda gozam de nós chegantes.

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A SUPREMACIA DO FUTEBOL EUROPEU

Carlos Albán González – jornalista  

Antes das finais da 21ª Copa do Mundo, realizada na Rússia, o jornalista Jeremias Macário fez algumas observações sobre a supremacia do futebol da Europa em relação ao praticado nas Américas, em particular no Brasil. Sigo o caminho traçado pelo colega e amigo para colocar minha visão a respeito desse abismo entre os dois continentes, fruto de diversos fatores, do caráter socioeconômico à miscigenação e à moralidade administrativa.

O domínio europeu no futebol deverá aumentar nos próximos anos. A previsão foi feita pelo esloveno Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, eleito em setembro de 2016. “Com infraestrutura e as condições cada vez melhores estamos colocando quatro seleções nas semifinais do Mundial. Nossa vantagem – a última conquista sul-americana, com o Brasil, ocorreu em 2002 – é atestada nos campeonatos com equipes sub 20 e sub 17, em torneios de clubes, e, principalmente, na administração das finanças”, admitiu o dirigente europeu. A vitória da França em Moscou ampliou para 12 o número de títulos mundiais da Europa, contra nove das Américas.

 

Em maio de 2015 um carro de combate anticorrupção passou por cima do futebol no mundo. O Comitê de Ética da FIFA afastou por oito anos a Joseph Blatter, presidente desde 1998 da entidade maior. A punição foi estendida a Michel Platini, o ex-jogador da França que se encontrava à frente da UEFA. Ambos estão em liberdade – o Blatter chegou a ser visto nos estádios da Copa, nos últimos dias.

 

Os ventos da moralidade, infelizmente, não atravessaram o Atlântico para varrer a corrupção aqui no Brasil. Quando irrompeu a onda anticorrupção na Europa e nas Américas, os cartolas, com exceção de José Maria Marin, preso na Suíça e aguardando a sentença condenatória em Nova Iorque, permaneceram impunes. Como não houve empenho das autoridades brasileiras para lhes dar um castigo continuam a mandar na CBF. O sucessor de Marin, Marco Polo Del Nero, afastado temporariamente do cargo pela FIFA, usou de uma manobra ilegítima para colocar uma marionete no seu lugar.

 

Os cartolas da Conmebol (sul-americana) e Concaf (norte-americana e Caribe) não tiveram a mesma sorte. Em maio e dezembro de 2015, por ordem do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, trabalhando em parceria com a justiça suíça, foram presos e respondem a processos por suborno e formação de quadrilha.

 

O atual presidente da Conmebol, o paraguaio Alejandro Domínguez, que tomou posse em janeiro de 2016, vem procurando reabilitar o nome da confederação. A pedra no seu caminho é a entidade brasileira, cujo presidente, Antônio Carlos Nunes da Silva, 80 anos, um ex-cabo da Aeronáutica e coronel reformado da Polícia Militar do Pará, foi chamado de traidor e ignorado na Rússia pelos seus colegas sul-americanos, por não ter atendido a uma orientação da Conmebol.

 

A CBF mostrou mais uma vez que não se recusa abrir o cofre quando se trata de agradar àqueles que lhe são úteis. Além dos 120 familiares dos jogadores brasileiros, passaram quase um mês na Rússia, com todas as despesas pagas, dezenas de “passageiros do voo da alegria”. Presidente de fato da entidade, Del Nero optou por ficar no Brasil, onde tem certeza de que não fará companhia na prisão ao seu amigo Marin.

 

Eleitores fieis aos três últimos cartolas que ocuparam a direção  da CBF, os 27 presidentes de federações estaduais foram convidados a ocupar um assento no alegre vôo, mas apenas 16 viajaram, entre eles o conquistense Ednaldo Rodrigues, que há quase 20 anos preside a Federação Bahiana de Futebol (FBF).

 

Poder econômico e miscigenação

 

Os salários altíssimos, pagos em dólares e em euros, enchem os olhos de todo garoto pobre desta parte do mundo, a partir dos primeiros chutes numa bola. Neymar é o exemplo para muitos pequenos brasileiros, e, por que não, para os seus pais, que sonham em deixar a periferia das cidades. Por outro lado, os clubes, com dívidas elevadas, almejam surgir um jovem e promissor atleta para colocá-lo à venda. :: LEIA MAIS »

O QUARTETO LAXANTE E ARQUIVADOR

“No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise” – Dante Alighieri, escritor italiano.

Toda nação clama por honestidade, o fim da corrupção e das mordomias, menos desperdício do dinheiro público e mais investimentos na educação, na saúde e na segurança. O povo acorrentado num pelourinho chamado Brasil está cansado de ser chicoteado. A democracia sangra neste tempo de caos e fizeram do voto uma arapuca com enganoso alpiste onde os mesmos serão eleitos.

Em contrapartida, o legislativo, o judiciário e o executivo fazem deboche com “projetos venenos” dos agrotóxicos, “pautas bombas” de mais gastos, votações de mais cabides de empregos nas estatais e o laxante do solta políticos e empresários bandidos – ladrões, sob o comando de um quarteto  arquivador de processos que tudo faz para anular a Operação da Lava Jato.

De forma escancarada, sem nenhum pudor, com seus truques jurídicos de araque, os ministros do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Marco Aurélio de Mello e Lewandowski se juntaram para libertar presos criminosos investigados e condenados pelo Ministério Público, Polícia Federal e toda força tarefa da Lava Jato, alimentando o verme da impunidade que tem colocado o país de joelhos.

O arroto das sentenças de solturas coincidiu com a euforia da Copa do Mundo, justamente quando a seleção brasileira ainda estava ganhando, e os atos espúrios abriram brechas para que um desembargador suspeito cometesse o desatino de mandar libertar o ex-presidente Lula, passando por cima de um colegiado superior. Simplesmente, o magistrado aproveitou a cancela aberta para fazer passar o dono da boiada.

Nós queremos um Brasil melhor, mais justo e sem castas privilegiadas que ganham 150 a 200 mil reais por mês, enquanto o pobre padece para receber mil reais num regime trabalhista escravagista, e o aposentado abrevia sua morte com um benefício miserável. Eles da elite nobre burguesa cupim insistem no contrário para permanecerem no bem bom, depenando o país que é motivo de chacota lá fora no exterior.

Escorados em suas benesses, vivendo em mansões e palácios, eles têm mil recursos nas brechas das leis, arquitetadas pelos mesmos para se livrarem dos roubos e crimes praticados contra a nação. Os próprios executores dessas leis beneficiam aos seus e gozam de altas mordomias e distinções como o auxílio-moradia com gastos de um bilhão de reais até o final deste ano.

São altamente perigosos e matam milhares de crianças, jovens e idosos por ano nas filas e corredores de hospitais por falta de assistência médica e através da violência bruta nas grandes cidades, originária da ignorância e da miséria que prosperaram no Brasil porque eles meteram a mão nas verbas da educação. No lugar, mandam tanques, fuzis e metralhadoras de extermínio sumário.

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SEM PLANEJAMENTO E DISCIPLINA NÃO SE VAI MUITO LONGE NA VIDA

É meu caro amigo jornalista Carlos Gonzalez, que tanto pesquisa e escreve sobre nosso pobre futebol, sem disciplina a coisa desanda, como aconteceu com a seleção na Copa deste ano na Rússia e na de 2014 aqui mesmo no Brasil diante da Alemanha quando tomou de 7 x 1.

Primeiro começa com o oba-oba da mídia esportiva, principalmente da Rede Globo que, ao invés de fazer jornalismo, dá uma de torcedor enchendo a cabeça dos brasileiros de que tudo está bom, ganhando só de times fracos.

Com raras exceções de alguns colunistas mais sérios e profissionais, só se ler e se ouve bobagens elogiosas de que o time tem bons jogadores e que o técnico está antenado. Os torcedores, as maiorias emotivas e pouco racionais ficam eufóricas e acreditam que desta vez vai.

Outro fator é a falta de cultura de planejamento e disciplina como o europeu, e até mesmo dos asiáticos e africanos, tanto que atualmente não tem mais seleção besta e ingênua como antigamente há 20 ou 30 anos. Houve uma evolução geral, e o Brasil, como os outros países da América do Sul, ficaram pra trás.

A única coisa que o brasileiro sabe fazer é torcer contra a Argentina quando enfrenta outro país, e não olha para seu próprio umbigo. Vi muita gente me criticar porque queria que os hermanos também saíssem vencedores.

O raciocínio é que os argentinos são nossos adversários e também se colocam contra nós. A mesma coisa fazem quando Uruguai joga contra outro time. Chamo isso de complexo de inferioridade e falta de senso de territorialidade. “Se não der para nós, que também não dê para eles” – é o pensamento que norteia a maioria.

O resultado todos viram. Depois das quartas, a Copa Mundial virou uma Eurocopa só deles, provando que o nosso futebol é mesmo inferior ao dos europeus. Na Copa de 2014 só a Argentina foi para a final com Alemanha, e todo Brasil torceu contra o país sul-americano.

Eufóricos e manipulados pela mídia, os torcedores, lá no fundo, dão provas de que não confiam na seleção. Preferem que o time mais fraco ganhe do mais forte quando este será seu próximo adversário. Foi o caso da Bélgica que enfrentou o Japão. Sem disciplina e organização iria cair mais cedo ou mais tarde. Enquanto o Brasil não tiver estes requisitos, dificilmente irá para uma final.

No passado, o futebol sul-americano com toda sua suingada era bem superior ao europeu. Aí, os dirigentes de lá começaram a importar jogadores do Brasil e de outros países. Aperfeiçoaram o esporte e hoje se superaram. Para encher o ego da seleção, sempre dizem que o Brasil é o favorito e o melhor.

A seleção entra na onda do já ganhou, acompanhada de mulheres, filhos, tios, tias, gatos e papagaios e os jogadores esquecem de se concentrar num só foco que é vencer e ser campeão da terra. Asn últimas copas estão aí para comprovar a falta de planejamento e disciplina.

 



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