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NÃO VIM PARA CONSTRUIR, MAS PARA DESTRUIR

O título lembra uma parábola bíblica do Messias Salvador, mas é uma parábola do mal, vinda de um cara apagado, de passado sombrio e tenebroso, que saiu das trevas demoníacas dantescas, para destruir de vez o Brasil e deixar como rastro uma terra arrasada. Foi escolhido por uma gente desiludida, traída em suas esperanças de justiça e honestidade, dividida, vítimas de lavagens cerebrais de falsos pastores, de seguidores nazifascistas e fardados que brotaram de seus quartéis para aniquilar de vez os excluídos e praticar o genocídio em massa.

Não veio para construir, mas para destruir através da desarmonia, da desagregação e impor a força da violência por meio das armas, para realizar seus desejos mais psicopatas e terríveis, começando por cortar todas cabeças viventes do conhecimento e do saber. Sua missão é extirpar todas ideias evoluídas civilizatórias, tidas por ele como maléficas, terroristas e esquerdistas comunistas que precisam ser degoladas pela lâmina afiada da sua guilhotina. Ele representa o grande e temeroso inquisidor do “Santo Ofício”.

A TIRANIA DA DITADURA

Com sua capa preta, uma foice e uma caveira na mão, ele prega a tirania da ditadura e a morte a quem não for seu fiel seguidor. Solta palavrões e xingamentos contra os escribas da imprensa e a todos aqueles que defendem a liberdade de expressão. Discrimina negros, gays; menospreza as mulheres e todas as classes “inferiores”, na sua concepção, colocando todos no cesto de lixo como vagabundos imprestáveis. Estão transformando o Brasil num inferno.

Em seu disfarce desprezível e cínico, chama o Brasil de Pátria Amada Idolatrada, mas escolheu os ministros mais incapazes e preconceituosos para concluir sua tarefa de vim para destruir, e não para construir. O ministro da Educação é um analfabeto e racista que usa isso como liberdade de expressão, e ainda chama os ministros do Tribunal Superior Federal de bandidos. Em plena pandemia, insiste em realizar o Enem para eliminar os mais fracos.

Esse capitão destrói a saúde quando coloca no Ministério um general para sonegar informações do setor. Aliás, depois do Mandetta e do outro médico que ficou na pasta apenas um mês, o próprio capitão-presidente é o ministro que manda retirar programas destinados à preservação da saúde da mulher e demite técnicos da área, alegando que eles querem derrubar seu governo.

O ministro do Meio Ambiente é outro grande destruidor das florestas que quer transformar a Amazônia numa fazenda de gado e numa extensão livre de garimpos para desterrar os índios que, na visão do governo, não é gente e nem faz parte da nação brasileira. O próprio ministro disse que era hora de passar a boiada das normas de regramentos, sem o crivo do Congresso Nacional e da sociedade, no momento em que todos estão focados na Covid-19.

A ministra dos Direitos Humanos manda menino vestir azul e menina vestir rosa, e que os jovens mantenham suas virgindades. Em relação às medidas restritivas de isolamento social decretadas por governadores e prefeitos, prometeu que vai mandar prendê-los porque, simplesmente, acha que eles, em seu papel de salvar vidas, violaram os direitos humanos.

Outro exterminador dos mais pobres e dos que já vivem no purgatório da miséria é o ministro da Cidadania que, por ordem do seu chefe maior da capa preta, manda cortar milhões em verbas do Bolsa Família, como numa espécie de extermínio seletivo das vítimas do racismo estrutural social que já perdura há séculos no país. Para completar, desvia recursos do próprio programa para a Secretaria de Comunicação fazer propagandas institucionais de cunho retrógrado e conservador.

Destrói a Fundação Palmares quando indica uma pessoa altamente racista para o cargo, visando acabar com os movimentos negros. Em gravação, o diretor da Fundação chama seus irmãos da mesma cor de escória maldita e xinga, com palavrão, o Zumbi dos Palmares. Declara que não vai haver mais Dia da Consciência negra. A estratégia montada é dividir para destruir.

Nessa linha de, não vim para construir, mas para destruir, o capitão está conseguindo acabar de vez com a cultura e com as artes em nosso país, quando extinguiu o Ministério da Cultura. A Secretaria da Cultura não funciona, restando apenas a Cinemateca que está perdendo seus audiovisuais.

Como o que importa é mesmo destruir, implodiu o Ministério do Trabalho, deixando os trabalhadores, sem sindicatos e organização, ainda mais vulneráveis e enfraquecidos para negociar diretamente com os patrões capitalistas. Sem poder de barganha e com mais de 13 milhões de desempregados, os trabalhadores passaram a ser reféns de um regime escravista dos séculos XVII e XIX.

Não foi por falta de aviso, mas, através de seus pronunciamentos estapafúrdios e preconceituosos, ele já dizia que sua missão quando eleito seria destruir, e não construir. De presidente, o cara virou ministro de todos os ministérios, sem falar das diretorias, das quais ele é diretor, como da Polícia Federal e outras instituições. “Dou liberdade aos ministros, mas sou eu que mando”. Assim segue a parábola do mal, de não vim para construir, mas para destruir.

 

 

ASSASSINOS!

Essa é uma foto do meu amigo baiano fotógrafo Evandro Teixeira que registrou com suas lentes os anos de chumbo da ditadura civil-militar de 1964 no Brasil, que deixou um rastro de torturas, desaparecidos e mortes. As feridas ficaram abertas até hoje porque os torturadores não foram punidos, mas o povo brasileiro escreveu “Nunca Mais”. Mesmo assim, em pleno século XXI, um grupelho de fascistas raivosos, racistas e homofóbicos sai às ruas para pedir a sua volta, e o capitão-presidente apoia abertamente que a assassina retorne para calar com a liberdade de expressão, fechar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. São assassinos, em plena pandemia do coronavírus ceifando a vida de mais de 30 mil brasileiros, que deveriam ser presos por crime de responsabilidade. Por afrontar a Constituição, o seu chefe desequilibrado e sem nenhuma capacidade para presidir o país, já deveria ter sido cassado. A sociedade precisa reagir e dar um basta nesse governo que desagrega toda a nação, disseminando o genocídio, principalmente das camadas mais pobres. Por menos, dois presidentes foram cassados. Não dá mais para tolerar essa psicopatia que está levando nosso país ao abismo!

AQUELA MULHER!

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Quem é aquela mulher?

Tão linda e bela,

Com jeito de pantera,

Que me olhou,

Como se fosse pai dela?

 

Olhei simplesmente,

Como uma mulher,

Não com olhar paternal,

Mas como formosa carnal,

Pra fazer amor com ela.

 

Quem é aquela mulher,

Que me disse sincera,

Que eu era o pai dela?

 

Quem é aquela mulher,

Que apareceu na festa,

Me espiou pela fresta,

Da luz pela janela,

E na saída me beijou,

Como se fosse pai dela?

 

Mas não foi assim,

Que abracei ela.

 

Quem é aquela mulher,

Que nem procurei saber,

Sobre o nome dela?

 

Sumiu e foi embora,

Imaginando,

Que sou o pai dela.

 

Quem é aquela mulher,

Que não me deu

A sua delicada costela,

E deixou sua doce imagem,

Pintada em minha tela,

Tão bonita e tão bela?

 

Podia ser uma fera,

Ou ter sido uma quimera.

 

 

PRECÁRIO E EM DESARMONIA SOCIAL

DIZ O DITADO QUE “BRASILEIRO SÓ FECHA A PORTA DEPOIS DE ROUBADO”

O Brasil de hoje é um dos únicos países do mundo mais desarrumado e vulnerável no combate à pandemia do coronavírus. Sem uma coordenação central de firme liderança nacional, num país onde tudo é precário e confuso, estamos vivendo uma desarmonia social, com extermínio em massa da pobreza e da miséria, que pode ter os números de vítimas mortais do vírus mais que dobrados dos atuais existentes (mais de 30 mil e quase 600 mil infectados).

Não quero ser nenhuma ave agourenta como o corvo ou a cauã que farejam cadáveres, mas o quadro caótico brasileiro no âmbito político, social e econômico que vivenciamos hoje, dá muito medo e pavor, em meio a todo esse panorama apocalíptico global. Vivemos aqui uma desarrumação única no planeta nas tomadas de decisões, quando deveria ser o momento de maior ordenamento, união e planejamento científico, visando a destruição do maior inimigo de todos.

AMBIENTE PROPÍCIO

Com um capitão-presidente que, ao invés de somar, desagrega com suas psicopatias e tendências genocidas, essa Covid-19 letal encontrou aqui no Brasil um ambiente propício e um terreno “fértil” para a sua propagação. Basta acompanhar os noticiários e tudo estampa confuso, turvo e gerador de pânico em nossas mentes, porque as medidas são feitas de forma experimental de toques de recolher, feriados antecipados, fechamentos e aberturas, sem uma disciplina correta e certeira. As imagens não negam.

Em minha opinião, esse negócio de abrir o comércio por setores e em horários diferenciados em quase nada influencia a contenção no surgimento de mais vítimas do vírus, pois as pessoas vão para as ruas como se tudo estivesse acabado. A maioria das cidades ainda está com índices alarmantes de duplicação e até triplicação de casos, quando não devia optar pela abertura.

Como o Brasil adora em tudo imitar os países ricos e desenvolvidos, até no modo de se vestir, comer e gastar, só imagino que seja mais uma cultura da imitação e do complexo de superioridade. Acontece que na Europa e na Ásia, o coronavírus chegou mais cedo, junto com o isolamento social que é levado a sério nesses continentes, porque a mentalidade da população em seguir normas é bem diferente da nossa, sem contar que são sociedades mais organizadas e conscientes.

PRECÁRIO EM TODOS OS SETORES

Quando falo precário, me refiro a todos setores da vida brasileira, especialmente no âmbito da saúde onde unidades hospitalares de muitos estados entraram em colapso, e muitas pessoas estão morrendo por falta de infraestrutura e recursos humanos para o devido atendimento no momento necessário.

Precário na economia que já vinha há muitos anos em estado de recessão, com o desemprego de mais de 13 milhões de pessoas e mais outros milhões vivendo na informalidade. Com a chegada do vírus, veio o caos social, piorando mais ainda a pobreza e levando um grande contingente a morar nas ruas. Isso significa que milhões estão passando fome e, sem alimentação adequada, o organismo fica sem anticorpos para lutar contra o vírus.

Precário na educação e, consequentemente, na cultura. Sem educação e cultura, as pessoas são desprovidas de consciência no devido tratamento da higiene e na prevenção de não deixarem ser contaminados e nem contaminar os outros. Culturalmente, o brasileiro é indisciplinado e não tolera seguir normas, ao contrário dos povos europeus e orientais asiáticos.

O Brasil é precário no saneamento básico onde mais da metade da população não possuem serviços de esgotamento sanitário e moram em casebres e favelas apertadas, expostas a todo tipo de doenças. Precário nos transportes coletivos nas médias e grandes cidades onde ônibus e metrôs circulam lotados, num espaço favorável à expansão do vírus.

CALÇAS CURTAS

Por tudo isso e muito mais de precariedades e deficiências, sem falar de um governo sem Ministério da Saúde (a pasta é comandada por um general) e que contraria as recomendações científicas (muitos sentem orgulho da ignorância), criando um clima de desarmonia e incertezas, o distanciamento e o isolamento social no Brasil são como calças curtas abaixo dos 50% do seu tamanho, ou bermudas pela metade.

Nesse momento mais difícil da nação, quando todos deveriam estar irmanados para vencer o inimigo comum, grupos de extrema-direita (nazifascistas) vão para as ruas pedir ditadura militar, e o presidente destrambelhado e desembestado participa da insensatez e apoia o trancamento do Congresso Nacional e do Tribunal Superior Federal. Para se vingar, veta uma verba de oito bilhões de reais para estados e municípios estruturarem o setor da saúde.

Diante de todo esse quadro aterrador, não é preciso ser especialista em infectologia ou na medicina, para se prever que a tendência é crescente de muito mais mortes e de casos de contaminação. Oxalá minha visão esteja equivocada, mas, infelizmente, vamos ver mais sofrimentos, mais perdas de vidas, mais covas se abrirem nos cemitérios e mais choros e lágrimas nessa pátria tão maltratada, vilipendiada e precária.

TORCEDORES UNIDOS PEDEM DEMOCRACIA

Carlos González – jornalista

Jair Bolsonaro conseguiu, no final de semana, o que até então era considerado como improvável: unir os torcedores arquirrivais do São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos, que até já cometeram assassinatos entre si, num movimento em favor da democracia. O ato realizado na Avenida Paulista tende a se expandir por outras partes do país. No domingo, em Salvador, integrantes da principal organizada do Vitória, “Os Imbatíveis”, ensaiaram um protesto nas ruas da Mouraria; aficionados do Flamengo se defrontaram com bolsonaristas na Praia de Copacabana; a Praça da Bandeira, em Belo Horizonte, foi o local de encontro entre atleticanos e cruzeirenses.

A mobilização de torcedores coincide com o aceno do presidente da República ao clube mais popular do Brasil, em mais uma investida para acabar com o isolamento social, aconselhado pela OMS e pelos mais renomados cientistas e pesquisadores do mundo, e decretado por governadores e prefeitos, como o método mais eficaz para impedir a expansão do novo coronavírus. Os 30 mil brasileiros que não desapareceram nos porões da ditadura militar (1964-1985) vão morrer vítimas da pandemia.

Sem uma consulta prévia à chamada nação rubro-negra, principalmente ao Departamento Médico do clube, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, fez rapidamente as malas e rumou para Brasília, levando na bagagem seu colega do Vasco da Gama, Alexandre Campello. Com a adesão do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, Bolsonaro ofereceu aos clubes cariocas, para treinos e jogos, o Estádio Mané Garrincha. O Flamengo vem realizando há semanas treinos presenciais, descumprindo decreto do prefeito Marcelo Crivella.

Pressionada pelos seus dois principais filiados , a Federação Carioca, com o apoio dos clubes do interior do estado, decidiu marcar o reinício do campeonato para 14 de junho. Fluminense e Botafogo se posicionaram contra, sob o argumento de que o retorno dos jogos este mês colocaria em risco funcionários, comissão técnica, atletas e seus familiares, no momento em que o Rio registra cerca de 70 mortes diárias de infectados pelo vírus. Ao mesmo tempo, o governador fluminense, Wilson Witzel, assinava decreto, prorrogando as medidas preventivas e de enfrentamento ao Covid 19.

Prefeitos têm feito apelos – alguns até instituíram a cobrança de multas – para que seus munícipes fiquem em casa. Ocorre que, o brasileiro, ou não acredita na existência da pandemia, que já faz do seu país o segundo do mundo em número de mortes, ou é dotado de uma demasiada insensibilidade, que se revela desprovido de conhecimentos, cultura e recursos financeiros.

Essa indiferença, que impede que a taxa de isolamento social nas cidades chegue a 70%, facilita a propagação do vírus, levando o sistema de saúde a um colapso. No entanto, estamos assistindo, com perplexidade, a reabertura do comércio em municípios do interior do país, onde a fiscalização do poder público está ausente. Estudos constataram que pequenas cidades do Nordeste elevaram os índices de contaminação a partir da chegada de ônibus clandestinos,  procedentes de São Paulo. Em Vitória da Conquista esse índice não chegou aos 40%.

Pressionado,  Herzem Gusmão avalizou a reabertura do comércio. Resistiu até quando pôde, mas teve que se dobrar àqueles que “choram de barriga cheia” e que põem a vida humana em segundo plano. Buzinaços interromperam seu descanso; lojista acusado de financiar a indústria de fake news resgatou o verde do movimento integralista (fascista), usando seus empregados em manifestações de protesto; pastores evangélicos, preocupados com a perda da fonte de renda dos seus templos, pleitearam o acesso dos fieis aos cultos; o vereador David Salomão impediu a interdição de uma barbearia, dirigindo ofensas ao prefeito. O ato de Herzem acendeu o sinal vermelho no Comitê Científico do  Consórcio Nordeste, criado para auxiliar os governadores da região no enfrentamento à Covid 19.

Voltando ao futebol, treinos e jogos na Bahia estão proibidos, pelo menos, até o dia 21 deste mês, por decisão do governo do Estado. Federação e clubes não têm intenção de se insurgir contra o decreto governamental. A Arena Fonte Nova, assim como o Maracanã e Pacaembu, foi transformada num hospital de campanha para receber os infectados pelo coronavírus.

Logo após a suspensão do campeonato,  em 17 de março, o Vitória da Conquista dispensou todos os integrantes do Departamento de Futebol, incluindo os atletas, minorando uma crise financeira, que vem afetando grandes clubes brasileiros e europeus. Impediu também o surgimento de casos – no Vasco foram 75, sendo 16 jogadores – de infectados pelo Covid 19. O clube conquistense e os outros 67 participantes do Brasileiro deste ano da série D receberam da CBF uma ajuda de R$ 120 mil, e a promessa de transporte, hospedagem e alimentação durante a disputa do torneio, que ainda não tem data marcada. O presidente Ederlane Amorim agradeceu o auxílio, revelando que pensou em abrir mão da vaga, mas foi avisado de que o clube poderia ser punido pela CBF.

 

 

SEM ROMARIAS EM UMA ANO PERDIDO

Em mais de 320 anos de romarias religiosas em Bom Jesus da Lapa, na Bahia, talvez este ano seja o primeiro de toda sua história que os peregrinos deixarão de marchar de várias partes do Brasil para testemunhar sua fé e pagar suas promessas numa das grutas mais visitadas do país.

As romarias começam a agora em julho e vão praticamente até o final do ano, como a Procissão das Águas e a Nossa Senhora da Soledade, sem falar da maior ao Bom Jesus. Não há dúvida que não somente a Igreja Católica, mas toda economia do município vai entrar em colapso, principalmente o setor hoteleiro.

MAIS DE UM MILHÃO

Todos os anos, conforme as estimativas feitas pelos organizadores das festas, Bom Jesus da Lapa recebe mais de um milhão de pessoas, não apenas da Bahia, mas também de outros estados da Federação. Tudo leva a crer que os fiéis vão ter que professar sua fé de distância, ou de maneira virtual.

Quem já esteve na Romaria do Bom Jesus, como eu que já fiz várias coberturas jornalísticas, sabe como a cidade ferve no maior dia, com hotéis totalmente lotados e o comércio cheio de consumidores nas lojas de lembranças, artesanatos e nos bares e restaurantes. É um formigueiro de gente.

Esse vazio vai, com certeza, provocar uma situação de crise financeira em todos os setores da economia do município, especialmente no segmento de serviços, inclusive artistas locais e muita gente de fora que viaja de longas distâncias para ganhar uns trocados para a sobrevivência.

Não vai ser somente Bom Jesus da Lapa que vai sofrer os impactos, mas todas as cidades que estão no roteiro das romarias, sobretudo as da região sudoeste a partir de Vitória da Conquista, como Brumado, Caetité, Igaporã, Riacho de Santana e municípios vizinhos que fazem caravanas utilizando o transporte de vans e ônibus.

Claro que toda essa ausência dos tradicionais romeiros e até mesmo turistas que se deslocam para Bom Jesus da Lapa nessa época do ano se refere ao letal coronavírus que deixou estragos irrecuperáveis por muito tempo e transformou 2020 num ano perdido para o futebol, para o ensino educacional já precário, para as festas juninas, para a cultura de um modo geral e outras atividades que movimentam o Brasil.

PARECE UMA MALDIÇÃO

Além das perdas nos eventos religiosos e culturais, a propagação da Covid-19, particularmente em nosso país pobre, desgovernado e politicamente em caos, deixa em todos nós um sentimento de tristeza, medo, pavor, dor e lágrimas pelos mais de 30 mil brasileiros abatidos por essa pandemia que continua a avançar pelos rincões do nosso território já arrasado por outros desmandos.

Você não sabe o que é pior! Parece mais uma maldição que caiu sobre nós. De um lado, o terror do vírus. Do outro, um capitão-presidente desatinado e sem postura, que sai de helicóptero com o nosso suado dinheiro para apoiar um grupo de nazistas e fascistas de carteirinha pedindo ditadura no Brasil.

Ele escancarou de vez, se misturando entre os contras à democracia, montado num cavalo em plena pandemia! Não respeita nem os mortos! Faz acordos com deputados ladrões e corruptos. Aquilo mais pareceu uma encenação da proclamação nazista de Hitler em 1933. O que será do nosso país, em terra arrasada? A nação unida tem que d

SEMPRE SOBRA PARA OS POBRES

DIZ O VELHO DITADO QUE “CACHORRO QUE LATE MUITO, NÃO MORDE”.

Não é necessário fazer pesquisas para constatar que a pandemia do coronavírus está matando as classes sociais daqueles que estão na linha da pobreza, os abaixo dela e os que vivem em estado de miséria. Sempre são os mais vulneráveis, a começar pela falta de educação e, consequentemente, desprovidos de poder aquisitivo.

A mídia praticamente não atentou para este lado e, desde o início, focou o alvo somente nos idosos, como se fossem os únicos vetores. Isso serviu para que jovens e adultos até os 50 anos abrissem a guarda, e agora estão sendo as maiores vítimas do vírus. Mesmo entre idosos e jovens, a grande maioria é de pobres que vivem nas periferias e favelas, em barracos apertados, sem condições de sobrevivência e cumprir com o isolamento social.

Sem educação, consciência política e social, essa categoria vive todo tempo exposta, em decorrência da situação financeira e porque não tem a cultura da higienização. Por outro lado, a maioria precisa sair de suas casas ou casebres para ganhar o pão de cada dia através da informalidade, como ambulantes ou outras atividades, como se diz na gíria, “se virar nos 30”, ou “fazer um bico”.

Aliás, como sempre venho comentando, as catástrofes, as tragédias, as enchentes, os deslizamentos de terras e outras pandemias sempre atingem os mais pobres, daí o Brasil, que aparece no mundo como um dos países com maior desigualdade social, ser hoje o quinto do planeta mais contaminado pelo coronavírus.

Esse é um fato histórico que vem se arrastando há séculos, e cada governo que passa é pior que o outro. O atual do capitão-presidente sofre de psicopatia contra a ciência e o conhecimento, chegando a alguns de seus membros defender a maluca tese medieval de que a terra é plana. Outros têm o DNA nazifascista, racista, homofóbico e misógino.

É uma mistura indigesta onde o pobre é quem mais padece, inclusive seguindo os comportamentos bárbaros, se bem que tem gente com outro nível mais alto que acompanha as proposições retrógradas, autoritárias e arcaicas. O Brasil de hoje é único no mundo nesse aspecto, sobretudo no momento atual no que concerne o tratamento contra esse vírus letal.

Os abonados têm suas clínicas e hospitais particulares com maior estrutura em termos de equipamentos de primeiro mundo, sem contar que vivem em suas casas de luxo e se alimentam bem. Vivem mais despreocupados psicologicamente, e isso fortalece a mente que, por sua vez, protege o corpo. O rico tem o organismo mais imunizado e possui mais anticorpos para enfrentar a doença. O pobre já tem a mente e o físico mais enfraquecidos e vulneráveis.

ABERTURA PRECIPITADA

Conforme determinação do gabinete do prefeito, o comércio de Vitória da Conquista começa a ser aberto nesta segunda-feira, mesmo diante do crescente número de contaminação do coronavírus devido ao baixo nível de isolamento social de um povo sem disciplina e consciência política, social e educacional, características próprias do brasileiro. Mesmo com os dois meses de fechamento, o movimento das pessoas nas ruas não caiu no nível desejado, principalmente na Travessa Ramiro Santos e na Praça 9 de novembro. Nesta segunda feira ela pode estar assim, como nesta imagem clicada pelo jornalista Jeremias Macário. As pessoas não temem o perigo, e cada um acha que o vírus só pega nos outros. Esquecem os lamentos, os choros e as lágrimas derramadas pelos parentes dos seus mortos. No Brasil, mais de mil ainda estão sendo infectados por dia. É um índice muito alto, mas os estados estão também abrindo o comércio. De um lado, o coronavírus matando e, do outro, a psicopatia de um governo que está levando o Brasil ao abismo. Vamos ter dias ainda mais terríveis e turvos. Esta abertura é precipitada e temerária. Nossa gente detesta seguir normas, e a fiscalização é deficitária. Vamos ver no que vai acontecer. Só nos resta rezar. A situação tende a piorar nesta terra Pau Brasil, tão maltratada e vilipendia por salteadores e bandidos.

VIAJANTE

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Vou tocando meu caminhão,

Cortando o asfalto desse chão,

Seguindo sem mais ninguém,

Vou levando a minha carga,

Para outro lugar do além.

 

Essa estrada maluca,

Queima a nossa cuca,

E vou assim nas retas,

Sumindo nas curvas,

Ouvindo as ondas longas,

E deixando vaga as curtas.

 

Vou por aí tocando,

Minhas duras lutas,

Nas frenéticas disputas,

Namorando prostitutas,

Conhecendo cidades,

Valentes e covardes.

 

Meu abrigo é a boléia,

Meu canto é da solidão,

Onde guardo a amada,

Levando minha carga,

De química e de feijão.

 

Pra bem longe vou rodando,

Sem saber quem eu sou,

E assim dirijo meu destino,

Rezando pro meu divino,

Com meu jeito de latino,

Sem rimar amor e dor.

AINDA É TEMERÁRIA ESSA ABERTURA

Para um país que nunca chegou ao nível de 70% de isolamento social, mesmo com medidas drásticas de fechamento de ruas, bairros e toques de recolher à noite, sem muito resultado, ainda é cedo para os estados e municípios começarem a abrir o comércio. Já disse aqui e repito que o nosso povo é indisciplinado e, geralmente, não obedece ordens. Não somos como os orientais.

Como o Brasil sempre procurou imitar e copiar decisões de países estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos, da Europa e até asiáticos, só imagino que é mais um acompanhamento do que está acontecendo por lá. Acontece que são realidades diferentes, porque na Europa e na Ásia, por exemplo, o vírus começou a atuar mais cedo, bem como, o isolamento foi respeitado pela população, mais disciplinada e mais consciente.

ISOLAMENTO SÉRIO

Nesses países, como China, Japão, Coréia do Sul, Itália, Espanha, para não citar outros, a pandemia matou milhares de seres humanos e só veio baixar com o isolamento sério, com quase todos os habitantes ficando em suas casas. Aqui, a situação começou a se agravar lá pelos meados de março, e os governadores e prefeitos demoraram de tomar medidas mais drásticas. Não acreditaram muito no que viria pela frente.

Com a curva ainda ascendentes de mortes na maioria das capitais e das grandes cidades, como Vitória da Conquista, somado com a indisciplina do brasileiro e da falta de consciência social, educacional e política, é temerária a abertura do comércio, mesmo impondo restrições e fases para cada setor da economia. A verdade é que a nossa gente só segue normas na base do ferrão, da pressão e do policiamento ostensivo.

Não sou nenhum infectologista, nem epidemiologista, mas com o quadro crescente de contaminação e mortes, cerca de 26 mil e mais de 400 mil infectados no Brasil, a abertura gradual deverá acelerar mais esses números, e aí fica difícil se fazer um retorno forçado de fechamento. Não quero ser pessimista, e oxalá esteja sendo, mas a tendência é piorar com as aglomerações, como estamos presenciando em muitos lugares da Bahia e de outros estados.

Sabemos que o caso do Brasil é um dos mais graves do mundo (em mortes por dia superou a de todos países), inclusive na América do Sul, porque se trata de um país com profundas desigualdades sociais, de muita pobreza, miséria e desemprego, cujas pessoas nessas categorias são as maiores vítimas do coronavírus. Por outro lado, tem uma economia em frangalhos, em estado terminal e falido, com um governo sem liderança de comando. Uma bagunça!

Mesmo assim, não se pode colocar a economia acima das vidas, decidindo a abertura das atividades laborais quando a pandemia ainda dá sinais de crescimento. O tiro pode sair pela culatra, e mais pobres e pessoas vulneráveis (os maiores grupos de riscos) serem abatidos por esse vírus tão mortal. As autoridades deveriam repensar seus planos e poupar mais vidas, o dever mais importante de um governante.

 





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