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BANDO DE BÁRBAROS E SELVAGENS!

Coisa feia o que vimos nos últimos dias 12 e 13 (terça e quarta-feira) no futebol brasileiro através da torcida selvagem do Flamengo! Coisa de marginais primitivos! Aliás, uma vergonha o nosso futebol, com um campeonato medíocre, sem craques há muitos anos, e gente que não tem o mínimo quilate esportista.

Fazer barulho no hotel onde os adversários estão hospedados é atitude primitivista das antigas! Futebol é no campo com classe, coisa que não existe mais no Brasil. Não passa de provincianismo, termo que nem estes elementos baderneiros sabem o que é. Sentiria vergonha do meu time se fosse flamenguista, mas ainda bem que não sou.

No dia do jogo (quarta-feira) foi outra imagem de selvageria praticada por bárbaros da pior espécie. Depois ainda dizem por aí que estamos num mundo civilizado. Os caras queriam ganhar na marra, na tora e no arrastão. Flamengo e Corinthians têm duas torcidas no Brasil que nos envergonham por serem as mais agressivas, conforme fatos concretos ocorridos nos últimos anos.

Nem os jogadores deram exemplo, como regem as normas esportistas. No final da partida renegaram as homenagens pelo vice-campeonato da Sul-americana. Cadê a diretoria do time e da comissão técnica para colocar decência e respeito nesses jogadores indisciplinados? Isso é uma péssima conduta, e em nada contribui para o futebol.

Aliás, há anos que o nosso futebol vive em decadência, culminando com o 7×1 que levou contra a Alemanha. Depois de Neymar, nunca mais surgiu um craque neste país. A maioria é de nível médio, e alguns estão um pouco acima da média. Não mais que isso. Temos pernas-de-pau de “bater o pau”.

No campo, só rasteiras, chutes a esmo, brutalidades, cusparadas, xingamentos, preconceitos, racismo, cotovelos nas caras e dedos imorais em partes íntimas, como no jogo Ponte Preta e Vitória. Quase nada se vê de dribles fantásticos, jogadas eloquentes e jogo limpo e educado. Com eles, não dá mesmo para falar em educação. É o item mais raro na cabeça dessa gente. Os técnicos também não dão exemplo. A deformação é total, descambando para a degeneração geral.

O que aconteceu nestes últimos dias no Rio de Janeiro, no Maracanã e em torno do estádio foram cenas horripilantes e bárbaras para o mundo, justamente no Brasil que já está com sua imagem tão manchada lá fora diante de tantas corrupções e mazelas. Isso nunca foi futebol.

DOS SUMÉRIOS A BABEL (V)

O POEMA DA CRIAÇÃO

No livro “Dos Sumérios a Babel”, o autor Federico A. Arbório Mella cita que, provavelmente, Hammurabi (1792-1750 a.C.) foi o maior rei da Mesopotâmia, e Babel era uma cidade próspera no mesmo porte de Assur, Larsa e Echunna. Para manter boas relações com estas potências, o jovem rei usou da diplomacia através de cartas com frases gentis e cheias de promessas.

Com suas habilidades, disciplina, acordos e força, Hammurabi conseguiu dominar todas as nações em torno do seu reino, inclusive Mari, do último Zimri-Lim. No decorrer de nove anos, fundou um império e empreendeu o grande trabalho de unificação entre sumérios, acádicos, amorritas, cananeus, assírios e tribos das montanhas. Proclamou-se, então, rei das Quatro Partes do Mundo, com o título de “Sol de Babel”.

No seu reinado, procurou montar um Estado centralizado, nomeando governadores a ele subordinados; criou taxas para os templos; distribuiu terras para seus soldados; e dividiu a população em classes sociais entre burgueses, plebes e escravos.

Seu propósito era criar uma Nação, e tão logo, reuniu seus sábios e ordenou que inventassem o acádico-babilônio como língua diplomática daquela parte do mundo. A unificação se deu também no plano religioso, não proibindo a liberdade de culto, mas impondo ordem entre os milhares de deuses semíticos e sumérios.

Nas escolas de teologia nasceram as grandes trindades de Anu, Enlil e Ea (Céu, Terra e Água Doce). Depois deles, Sin, Chamach, Ictar e um novo deus Abad, da tempestade. Marduk, o deus da capital Babel, assumiu importância emblemática. Para conferir-lhe esplendor, os sacerdotes criaram o “POEMA DA CRIAÇÃO”, o mais sacro da Mesopotâmia, chamado de “Enuma Elich”, o que significa “Quando no Alto”.

O Céu não tinha nome, e embaixo só existia o Apsu (o Oceano) e Mummu (reunião das águas doces com as águas salgadas). Como o Destino ainda não estava estabelecido, Apsu e sua mulher Tiamat criaram os primeiros deuses Lakhmu, Anchar e Quichar. Anchar procriou Anu, igual a si mesmo, e Anu fez Nudimmud (Ea, Enqui).

Depois deles nasceram muitos outros que tomaram toda terra fazendo muito barulho, não deixando Apsu e Tiamat dormirem em paz. Irritado, Apsu resolveu exterminar este enxame de vagabundos, seguindo os conselhos malignos de Mummu, mas a mulher se opôs.

As vítimas divinas choram, e o sábio Ea, compadecido, deteve a ameaça pondo em ação um esconjuro mortal com o qual consegue matar Apsu no sono. Depois se apodera de Mummu, amarra-o, tira-lhe a coroa, castra-o e lhe arrebenta o cérebro. O vitorioso fixa os lugares sagrados do oceano e ali estabelece sua residência.

Foi, então, no meio do Oceano, no Santuário dos Destinos, que a mulher de Ea colocau Marduk no mundo, o mais sábio dos deuses. De belas formas, nutrido com leite divino, seu pai lhe deu duplas virilidade, visão e audição. Quando Marduk estava irado, da sua boca saiam chamas e seu esplendor era igual a de dez deuses.

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O CINEMA ROUBOU A CENA DO SARAU

Com o lançamento do filme “Corpo Fechado”, de Marcelo Lopes, na noite do último dia 9 (sábado), no Espaço Cultural A Estrada, o cinema roubou a cena do Sarau Colaborativo que teve como tema “Cultura e Memória”. Foi uma noite memorável de debates, mesmo porque o documentário de 70 minutos versou sobre o assunto tratado pelos participantes do evento que encerrou as atividades do ano.

Como visitantes de primeira vez que abrilhantaram nosso Sarau que está completando sete anos na estrada tivemos o prazer de receber o médico oftalmologista Armênio Souza Santos e os cineastas Xeno Veloso (mineiro) e Beto Magno que vieram somar às discussões por duas horas onde cada um emitiu sua opinião sobre o mundo da cultura.

O filme “Corpo Fechado” é um longa que envolve depoimentos de personalidades populares, acadêmicos, literários, escritores, jornalistas e outros profissionais sobre causos, imaginações, lobisomens, mortos que voltam à terra dos vivos e lendas do universo material e sobrenatural, mas também histórias verdadeiras como a Guerra do Tamanduá, na região de Vitória da Conquista, e os feitos do coronel Horácio de Matos e seus jagunços, em Lençóis, na Chapada Diamantina.

A obra de Marcelo Lopes navega também pelo mundo do candomblé e traça um paralelo com o imaginário cultural popular. Trata-se de um refinado trabalho de pesquisa de suma importância, principalmente, para estudantes e professores, mas é, acima de tudo, um filme que deve ser visto por todos, com falas do escritor João Ubaldo Ribeiro, do professor Itamar Aguiar e pesquisadores da nossa cultura.

Além dos visitantes, estiveram presentes ao Sarau Colaborativo, músicos, cantores e compositores como Mano Di Souza, Walter Lajes, Dorinho e Marta Moreno que nos honraram com suas violas e cantorias. Nunes e sua esposa Neide, Elen e o professor Adilson, Gildásio Amorim, o fotógrafo José Carlos D´Almeida, Cleide, Jésus, o contador de histórias e estórias e o próprio Itamar Aguiar completaram o grupo que sempre prestigiou nossos eventos.

Recebidos pela dona da casa Vandilza Gonçalves, sempre prestativa com todos, os debates foram acompanhados de um vinho, uma cerveja gelada, e claro, poções de tira-gostos que ninguém é de ferro e precisa se abastecer para dar mais inspiração. Itamar nos premiou com seu conhecimento falando sobre cultura e memória, segundo ele, não só de quem tem o saber, mas de toda gente que não sabe ler e escrever, mas tem a oralidade para interpretar a natureza e se expressar em forma de poesia e filosofia.

Falou também Armênio Santos, anunciando, na ocasião, que pretende em breve lançar uma obra sobre a história de Conquista com “H” Maiúsculo. Para tanto, está reunindo nomes e personalidades que vão contar esta história. Não foi somente o cinema que roubou a cena do Sarau. O tronco de uma árvore traçada em cipó, montada por Jeremias e Vandilza, com frases em cartazes sobre a vida e o momento político do país, foi outra surpresa da noite.

O jornalista e escritor Jeremias Macário fez um rápido comentário sobre a efervescência cultural na Bahia entre as décadas de 50 até 70 com acentuada decadência nos tempos posteriores, principalmente com o endurecimento da ditadura e a chegada da música comercial descartável, sem conteúdo. Para este espaço ele denominou de iluminismo às trevas na nossa cultura.

Como ponto de arrancada para a disseminação da cultura em nosso território, o jornalista citou a criação da Universidade Federal da Bahia, comandada pelo reitor Edgar Santos. A partir dai surgiram grandes nomes de expressão no cenário baiano e nacional no campo político, na literatura, na música, no teatro e na ciência.

Um Reisado deverá abrir, dia 6 de janeiro, a próxima temporada de Saraus de 2018, conforme ficou combinado entre os participantes. Como resultado dos nossos encontros, a intenção do grupo é elaborar e gravar um CD aproveitando o formado do evento, com músicas, causos e declamações de poemas, num trabalho totalmente autoral.

Para colocar a iniciativa em prática, estão sendo realizadas as primeiras reuniões visando selecionar as obras e os autores, bem como indicar possíveis patrocinadores que deverão custear a gravação, tendo como retorno a divulgação de seus nomes ou marcas de suas empresas nas capas dos Cds. Um projeto define os objetivos e propósitos da obra.

DOS SUMÉRIOS A BABEL (IV)

A EPOOEIA DE GUILGAMECH (Final)

Nas duas últimas tabuinhas da escrita cuneiforme, Utinapistin revela para Guilgamech (Gilgamés) que foi sobrevivente do Dilúvio de que fala a Bíblia, na personagem de Noé. Na décima tabuinha, o rei, todo coberto de peles de animais, se apresenta a Siduri-Sabitu, guardiã da Árvore da Vida, com seu coração cheio de dor. A deusa, então, resolve trancar-se dentro da sua casa para não recebê-lo.

Gilgamés bate furioso na porta e a senhora pergunta o porquê da sua longa viagem. Adverte que nunca encontrarás a vida que procuras. “Quando os deuses criaram os homens, estabeleceram para eles a morte e guardaram a vida para si”, e aconselha a gozar a vida como ela é, que no fundo é bela. Insiste ainda que retorne para Uruk onde todos o amam.

O rei não se convence do argumento e continua a insistir para que ela mostre o caminho para Utinapistin. “Atravessarei o mar, ou vou caminhando pelo litoral”. Diz a deusa que, a não ser pelo Sol, ninguém pode navegar pelas Águas da Morte. No momento da discussão, aporta o barqueiro de Utinapistin  que tinha vindo buscar ervas e frutas no bosque.

Então, Siduri-Sabitu manda que ele vá até ao barqueiro para ver se ele consente que o leve pelo mar. Gilgamés corre e grita pelo barqueiro, só que ninguém responde. Com raiva arrebenta várias caixas cheias de pedras que estavam no barco e termina encontrando o homem chamado Ur Chanabi.

Dirige-se a ele e pede que o leve até seu patrão, mas o barqueiro responde que ficou impossível porque ele destruiu as caixas de pedras que serviam para ajudar na navegação pelas Águas da Morte. Para contornar o problema, o barqueiro impôs que o rei cortasse cento e vinte troncos e os embarcasse no lugar das pedras.

Prontamente Gilgamés fez o trabalho na maior rapidez possível e os dois puderam velejar pelas ondas turbulentas até às Águas da Morte. Ur ordena ao passageiro tomar o machado e enfiar os troncos no fundo do mar, mas adverte que ele poderá morrer se as Águas da Morte tocar em suas mãos.

De longe, Utinapistin a tudo observa e indaga a si mesmo o motivo do desaparecimento das caixas de pedras. Por que agora um estranho, sem a sua permissão, está sem sua barca? Conclui que não pode ser um mortal. Vai, então, ao encontro do rei e se apresenta como aquele que encontrou a vida.

Gilgamés fica feliz e começa a contar sobre sua dor e o sofrimento durante toda travessia, só para lhe conhecer. Vai direto ao assunto e afirma que quer destruir os espíritos da morte para acabar com o prazer deles. Como obter a vida eterna? – indaga

Aconselhou que ele deixe de lado os lamentos e a ira, pois a sorte dos deuses é diversa da dos homens. “Mesmo que tua natureza seja dois terços divina, teu pai e tua mãe te criaram homem. Um terço te impele ao Destino dos Homens. A morte põe termo a toda vida. Não são eternas as casas, os pactos e nem as heranças paternas. Os deuses estabelecem os dias da vida, mas não contam os da morte”.

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FALTA DE RECURSOS EMPERRA OBRA DO AEROPORTO DE CONQUISTA

Em termos de obras de infraestrutura no âmbito estadual e federal, Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, vem sendo severamente castigada nos últimos anos. Ao invés de ajudar, a politicagem só tem atrapalhado. Nas épocas das eleições os conquistenses ficam fartos de promessas, mas depois os pais dos projetos somem e os serviços se arrastam por anos.

Há mais de dez anos que se tenta construir um novo aeroporto porque o atual é problema e não comporta mais a demanda. A Barragem do Rio Catolé tem mais tempo ainda de anunciada e o povo sofre com a falta e os racionamentos de água. Uma simples reforma do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima já dura quatro anos. Perde a cultura e os artistas estão sem espaço para apresentar seus trabalhos.

Fotos de José Carlos D´Almeida

Depois da novela da construção da pista e do prédio do Corpo de Bombeiros que levaram anos para serem concluídos, agora é a do Terminal de Passageiros, cuja obra está emperrada por falta de liberação de verbas, tanto da parte do governo federal como estadual.

Os serviços foram iniciados em março deste ano, previstos para serem concluídos em um ano, mas estão quase parados, segundo avalia o empresário José Maria, membro do movimento pelo aeroporto de Vitória da Conquista. Agora não se sabe quando o Terminal ficará pronto.

Orçada em R$28 milhões com contrapartida de 20% do Governo do Estado, as liberações foram trancadas por questões políticas, e as empresas terceirizadas, praticamente, interromperam os trabalhos por falta de recursos. No momento, cerca de 10 homens estão em atividade. Neste ritmo, o Terminal de Passageiros levaria cinco ou mais anos para ser finalizado.

Pelo que se sabe, até agora o Estado só investiu cerca de R$270 mil, e o governo federal não está colocando sua parte como devia. A realidade é que a obra caminha a passos de tartaruga, conforme relatou José Maria, ao informar que na semana passada foi divulgada a licitação para construção dos acessos, como tudo indica, mais outra novela pela frente.

AEROPORTO FRACIONADO.

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UMA ANÁLISE DO BRASILEIRÃO 2017

Carlos Albán González – Jornalista

O baixíssimo nível técnico do torneio; a interminável “dança” dos técnicos; a carência de jogadores considerados craques; os constantes erros de arbitragem, que, de certa forma, influíram na classificação do campeonato; o exemplo dado por um munícipio de Santa Catarina, a aula de finanças dada pelos dirigentes do São Paulo; o “interesse” do presidente da CBF, Marco Polo del Nero, em acompanhar, pela TV, longe dos estádios, todo o Brasileirão, deixando, inclusive, de viajar para a Moscou, a fim de acompanhar o sorteio da Copa do Mundo de 2018, com receio de ser preso no exterior; a ampliação da participação do Nordeste no próximo ano, apesar do sofrimento e das ameaças de enfarte de torcedores rubro-negros baianos e pernambucanos; a regular campanha do Bahia, que poderia ter ido mais longe; e o toque retal que manteve o Vitória na Série “A”.

Esses, na visão de quem acompanha o futebol da Europa, principalmente o da Espanha, e assistiu ao Campeonato Brasileiro da Série “A” pela TV paga e pela leitura dos artigos assinados por conceituados jornalistas esportivos, foram os fatos – posso ter esquecido de alguns – que marcaram a principal competição do esporte nacional em 2017. Se a Seleção Brasileira dependesse de, pelo menos, 50% dos “pernas de pau” que praticam um futebol pobre de técnica e de virtuosismo pelos campos desse imenso território, o Brasil estaria fora do Mundial da Rússia.

Depois de assistir a um jogo, mesmo entre times que estão nas últimas posições dos seus respectivos campeonatos, disputados na Espanha, Alemanha, Inglaterra, Itália e França, o fã do futebol no Brasil não esconde sua irritação ao ver duas equipes do seu país tocando insistentemente a bola para os lados ou para trás, sem arriscar as jogadas em profundidade ou pelas laterais das áreas; o drible é prioibido; o número de faltas passa dos 40 por partida; placar de 1 a 0 é goleada, porque os escassos gols resultam normalmente de bolas paradas ou alçadas sobre as áreas. Você tem a impressão de que está trocando o concerto de uma orquestra sinfônica pelos ruídos de uma banda de axé. O que mais exaspera é conviver com a passividade, o desinteresse, a falta de empenho, as simulações e as agressões verbais a árbitros e assistentes, praticados por jogadores mantidos com o dinheiro dos torcedores.

Infelizmente, esses defeitos podem ser notados nos jogos das divisões de base – são dezenas de torneios realizados durante todo o ano. Os menores de 20, 17 e 15 anos sonham com o futebol europeu, em se tornar um novo Neymar. Alguns nem chegam a vestir a camisa dos clubes brasileiros. Arrumam a mochila e vão tentar a sorte em lugares distantes, como China, Turquia, Azerbaijão, Islândia e Coréia do Sul.

Com as atenções voltadas para a Copa Libertadores, cujo título conquistou pela terceira vez, o Grêmio praticou, na minha modesta opinião, o melhor futebol do Brasileirão, elevando a vaidade do seu técnico, Renato Gaúcho, que se acha melhor do que seus colegas europeus e reivindica uma estátua na Arena Gremista. Ajudado pelas arbitragens e com o apoio de sua torcida, que sempre lotou o Itaquerão, o Corinthians comemora seu sétimo campeonato nacional.  Hernanes, que voltou ao São Paulo, depois de uma temporada na Itália, pode ser eleito o craque da galera. O mais bem votado entre os nordestinos é Zé Rafael, do Bahia, 11º colocado.

Além dos três primeiros colocados, os paulistas Corinthians (Fábio Carille), Palmeiras (Cuca) e Santos (Dorival Júnior), Cruzeiro (Mano Menezes), Fluminense (Abel, que sofreu a perda de um filho de 18 anos, pode receber um prêmio especial da CBF), Botafogo (Jair Ventura) e Avaí (Claudinei Oliveira), mesmo rebaixado, mantiveram os seus treinadores por todo o campeonato. Rogério Ceni, ídolo do São Paulo, não foi aprovado na sua primeira experiência como técnico e quase leva o seu clube ao rebaixamento. Em 2018 vaii dirigir o Fortaleza, promovido à Série “B”. Vanderlei Luxemburgo, de volta da China, também quase derruba o Sport do Recife.

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FAMÍLIA SOFRE COM TRAGÉDIA DA EMBASA

Dia e noite durante mais de 20 anos ouvindo o estrondo ensurdecedor das bombas d´água quando eram ligadas. Não dá para imaginar a angústia de ter que suportar o barulho das máquinas vibrando em toda casa! Sem sossego, batem o estresse e a angústia. Difícil dormir em paz! As reclamações na Justiça e os apelos à empresa não surtiram efeito. Nada foi resolvido para evitar uma tragédia anunciada que terminou por acontecer.

Como previsto, o desastre bateu na porta da família do jornalista Ricardo Benedictis na noite do dia 12 de outubro por volta de uma hora da madrugada, no bairro Petrópolis, em Vitória da Conquista. Quando dormiam, todos foram surpreendidos com uma tromba d´água das bombas da adutora da Embasa, destruindo tudo pela frente e comprometendo as estruturas da residência. Por pouco não ocorreu o pior.

A família foi dividida. Uma parte foi morar em hotel e outra em apartamento. Quase dois meses e nenhuma solução para o problema que desagregou oito adultos e três crianças. A única coisa concreta foi a construção do muro que foi derrubado pela enxurrada das águas daquela noite. Os prejuízos dos móveis, objetos pessoais e outros utensílios da casa não foram ressarcidos.

No dia primeiro de dezembro, Ricardo Benedictis usou a Tribuna Livre da Câmara de Vereadores para relatar todo o acontecido e disse que as negociações foram emperradas, principalmente quanto ao conserto da residência que ficou comprometida com rachaduras.

A Embasa pediu vários orçamentos e, entre o mais baixo, ofereceu apenas custear 20% do valor do serviço, o que, segundo Ricardo, não é justo e viável. Diante do impasse, a ação passou para a alçada da Justiça, tornando mais lenta a solução desejada pela família, qual seja o retorno com mais tranquilidade para sua casa, mesmo com o incômodo e a ameaça das bombas da adutora que continua funcionando no mesmo lugar.

No seu desabafo, o jornalista fez duras críticas ao Ministério Público e à Justiça que nesses 25 anos não deram uma solução para a questão das bombas da Embasa, instaladas ao lado da sua residência. Criticou a lentidão do judiciário brasileiro que, em sua opinião, não é capaz de restituir os devidos direitos reclamados pelos cidadãos.

Na ocasião, Ricardo alertou que outras tragédias, como a da noite de 12 de outubro, também poderão ocorrer em outras adutoras da Embasa em diversos bairros da cidade, como em Ibirapuera. Elogiou a atenção dada pelos prepostos da empresa em Conquisto, caso do gerente financeiro Luciano Dórea, mas criticou a posição de endurecimento da diretoria, em Salvador, para pagar os prejuízos sofridos.

O vereador Álvaro Pithon apoiou a causa da família Benedictis que se encontra em situação vexatória morando em hotel e apartamento alugado, e criticou a empresa estatal que até o momento não se dispôs a resolver o problema. Presente na sessão da Câmara, a deputada federal, Alice Portugal  prometeu intermediar uma solução justa junto à diretoria da Embasa.

A sessão da Câmara também contou com a presença de André Cairo que há 28 anos comanda o Movimento Contra a Morte Prematura, em Conquista, e falou da Tribuna Livre sobre diversos problemas da cidade, como a poluição sonora que perturba os moradores.

Pediu que o poder público municipal cumpra a leis estabelecidas sobre o sossego das pessoas que são agredidas todos os dias com altos decibéis de carros de sons e outros equipamentos sonoros, os quais funcionam  além do limite permitido.

Em sua fala, destacou que o Plano Diretor Urbano não está sendo cumprido, citando a falta de acessibilidade, principalmente para as pessoas com necessidades especiais. André Cairo também aproveitou para criticar a Embasa em razão da escassez de água em vários pontos da cidade.

O vereador Dudé pediu da Casa mais clareza e transparência com relação aos projetos da cidade, os quais não estão sendo apreciados como deviam, e denunciou que as comissões instaladas no início do ano não estão funcionando. Ele espera que esta situação seja revista no próximo ano legislativo.

 

OS DEMÔNIOS ESTÃO AVANÇANDO

Durante anos saqueiam os recursos da Previdência Social; as grandes empresas e fazendeiros sonegam e deixam de recolher as tarifas devidas; devedores recebem benefícios e são dispensados de pagar; e o gestor do tesouro nada faz para impedir a bancarrota de terra arrasada.

Para cobrir o déficit, se é que existe, e se existe deveria ter sido evitado, vem o governo da oligarquia com sua tropa de demônios, com apoio integral da mídia passiva conivente, e empurra goela abaixo uma reforma para o trabalhador fechar o caixa roubado. Assim foi feita a trabalhista e a terceirização para manter o capitalismo incompetente que vive das tetas públicas.

A sociedade acomodada que a tudo assiste, simplesmente cruza os braços e nada faz. Como a tendência é que as irregularidades e as imoralidades vão continuar no seu ritmo de máquina mortífera, dentro de mais 10 ou 15 anos lá surgem eles de novo com outras reformas ainda mais massacrantes. Assim caminham a Previdência e o holocausto contra os trabalhadores.

Diante de todo este cenário de filme de terror, portamo-nos como serviçais da senzala e verdadeiros inocentes úteis, marchando e carregando nas mãos bandeiras e cartazes dos senhores patrões escravocratas da Casa Grande. Com seus métodos malignos, nos dividem através do ódio de uns contra os outros, enquanto eles, do alto de suas mordomias e benesses dos seus poderes, nos desprezam e nos tratam como lixo descartável.

De um lado os corruptos facínoras com suas sujeiras nos empurram para as profundezas do Inferno de Dante. Do outro, os retrógrados e conservadores da extrema-direita disseminam a intolerância e o atraso, prometendo a salvação divina. Na verdade, não passam de demônios disfarçados de santos que aproveitam da fragilidade humana e enganam os incautos.

Eles se multiplicam como gafanhotos do Egito e, por estarem em todos os lugares e espaços, já invadiram nossos lares. Tanto um lado como o outro, são como as tropas de Átila, os generais sanguinários assírios e os russos dos tzares que destroem tudo que encontram pela frente. O pior é que por onde passam arrebanham seguidores, principalmente jovens que há anos vêm sendo doutrinados em suas cartilhas, numa criminosa lavagem cerebral.

Quanto a onda nefasta do conservadorismo de extrema, com suas vestes rosa de família, pátria, religião e intervenção militar, há tempos já previa a chegada dessa força de demônios disfarçados de anjos. Quando alertava, os amigos de botequins torciam a cara e faziam troça de mim, argumentando que não existia mais clima fértil para estas ervas daninhas prosperarem.

Subestimar é nocivo porque o inimigo vai ganhando terreno com mais facilidade. Hoje os grupos de extrema-direita, encabeçados, principalmente, por evangélicos fundamentalistas e militantes radicais da moral e dos bons costumes estão por todas as partes, desde o Congresso Nacional, nas assembleias, câmaras, nas escolas, faculdades, universidades, e até nos ambientes de trabalho.

Dentro deste pacote horrendo dos demônios, tem o grupo daqueles que escancara e rouba mesmo, e tem o dos elitistas, rentistas, da mídia e capitalistas, eternos vampiros sugadores, que apoia e aplaude as medidas que retiram as conquistas dos trabalhadores, aposentados, idosos e dos mais fracos. Esta turma não está nem ai para família, pátria e religião, mas, muitos da ala dos pregadores lunáticos da falsa moral são agressivos e ameaçam com morte.

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CARTA DE UM CAMPO DE REFUGIADOS

Trabalhadora humanitária do ACNUR conta sua experiência na emergência em Bangladesh

A Coordenadora para Resposta de Emergência do ACNUR, Joung-ah Ghedini-Williams, está em Bangladesh, onde cerca de 620 mil refugiados chegaram após atravessarem a fronteira de Mianmar. Aqui está seu depoimento após passar um dia no campo de refugiados de Kutupalong, em Cox’s Bazar.

COX’S BAZAR, Bangladesh, 27 de novembro de 2017 (ACNUR) – Imagine o horror de tentar sobreviver, tentar alimentar seus filhos e manter algum senso de conforto enquanto você está perdendo seus entes queridos, ou observando sua casa sendo incendiada e reduzida a cinzas. Esta é a realidade de algumas pessoas que conheci aqui em Bangladesh.

Muitas são mulheres, tentando o melhor que podem para seus filhos assustados e angustiados, embora elas próprias estejam lutando para dar algum sentido para tudo que aconteceu nos últimos meses. Ontem uma mãe perdeu sua filha. Ela estava tentando ser forte diante de seus outros filhos, mas todos estavam claramente abalados. Eles já viviam há muito tempo com medo, sem nunca saber quando poderiam ser as próximas vítimas da violência que tirou a vida de tantos dos seus parentes e vizinhos.

Várias mulheres me disseram que testemunharam o sequestro de jovens meninas, e a prisão de pais, filhos e irmãos que nunca mais foram vistos.

Conheci muitas outras no centro de transição do ACNUR, onde os recém-chegados mais vulneráveis podem permanecer por até três dias antes de serem transferidos. Estas são as famílias que necessitam de assistência especial antes de poderem continuar: idosos, pessoas com deficiência, mulheres grávidas, mães om bebês e crianças desnutridas ou doentes. Existem várias famílias que sobreviveram a um horrível acidente de barco. Das 42 pessoas a bordo, quatro foram mortas. Vinte e dois outros ficaram feridos o bastante para precisar de tratamento hospitalar.

Eu também vejo colegas do ACNUR, obstinados e dedicados, que me deixam orgulhosa desta organização na qual continuo acreditando após 20 anos de serviço. As equipes do ACNUR estão na linha de frente, nas fronteiras, nos campos de refugiados e nos centros de transição, desde o início da manhã até tarde da noite.

Conheço colegas que saíram esta manhã às 4:30 para chegar às áreas fronteiriças. Ontem à noite, eu estava no telefone recebendo informações até quase meia-noite.

Estamos fazendo de tudo para alcançar todas as pessoas que precisam de nossa assistência, até mesmo as que estão nos mais distante dos campos e acampamentos onde os veículos não conseguem chegar. Hoje andei por sete quilômetros e subi o equivalente a 16 andares de escadas. Um colega me contou sobre um dia que ele percorreu mais de 18 quilômetros. Ele foi encarregado de identificar famílias vulneráveis e garantir que todos com necessidades específicas acessassem serviços essenciais. Ele entrevistou quase uma centena de famílias naquele dia e voltou com os pés doloridos, mas com um sorriso orgulhoso de seus esforços.

Colegas de vários países e origens – ex-banqueiros, professores, engenheiros de várias religiões e países – estão trabalhando juntos incansavelmente para planejar novos assentamentos para as famílias recém-chegadas. Não importam as condições climáticas, chuva pesada ou sol brutal, eles estão fazendo tudo, desde estradas no centro de trânsito a sessões de terapia para uma dúzia de mulheres Rohingya. Essas mulheres sobreviveram à violência sexual e são fortes o suficiente para compartilhar suas histórias.

Conheci diversas corajosas famílias Rohingya que têm apenas um pouco mais do que as roupas do corpo, o peso de seu trauma, da perda, e as dolorosas lembranças da violência que as forçou a fugir de suas casas.

No entanto, à medida que o sol se põe na recente extensão do campo de Kutupalong, estou cercada pelo som de batidas de martelo, serrotes, conversas e risos animados enquanto as famílias constroem novas casas com bambu, cabos e lonas de plástico que lhes fornecemos.

Eu vejo crianças empinando as pipas que fizeram com sacos de plástico e pedaços de galho, e ficando felizes quando seus brinquedos finalmente se elevavam acima deles. Eu sinto o aroma dos jantares preparados para as famílias compartilharem, usando os kits de cozinha que o ACNUR oferece. Eu sei que pode ser difícil explicar a importância de tais utensílios tão simples em uma zona de emergência, mas sem eles, como as pessoas cozinhariam? Como as pessoas começariam a reconstruir suas vidas?

Quero deixar claro: há ainda muito trabalho a ser feito. As necessidades são enormes. Mas isso simplesmente significa que há muito o que podemos fazer, que há tantas pessoas que podem ser ajudadas.

Os sorrisos que vejo nos rostos das crianças mostram essa simples verdade: todos os esforços e cada doação fazem a diferença. O ACNUR está recebendo doações para ajudar aos refugiados rohingya pelo link: goo.gl/GyvGah.

 

A REFORMA DO FIM DO MUNDO

É um tremendo absurdo que o Centro de Cultural Camilo de Jesus Lima, de Vitória da Conquista, esteja fechado há quatro anos e se deteriorando por causa de uma simples reforma que mais parece o fim do mundo. Durante este período os artistas ficaram sem um espaço adequado para desenvolver e apresentar seus trabalhos, visto que a cidade já é carente em termos de atividades culturais.

Por apresentar riscos em suas instalações, além de equipamentos quebrados, a unidade foi interditada pelo Conselho Regional de Engenharia. A obra que se arrasta é de responsabilidade do Governo do Estado, mas a classe artística, os políticos (Câmara de Vereadores), a mídia e todos os demais segmentos da sociedade têm sua parcela de culpa por esta situação vexatória que vive a cidade.

Por que tanto tempo para realizar uma reforma que, segundo se tem anunciado, importa num custo em torno de 500 mil reais? É uma vergonha para a terceira maior cidade da Bahia com mais de 300 mil habitantes. Isso mostra a falta de mobilização e a pouca importância que se dá para a cultura local, embora muita gente de fora tenha uma falsa impressão de que Conquista tem um alto nível cultural. Já teve em tempos passados.

Cadê os supremos intelectuais que se consideram donos da cultura de Conquista?  Onde está o poder de pressão junto ao Estado? Os deuses da cultura e seus sacerdotes receiam fazer cobranças mais incisivas ao governo com receio de incomodar seus representantes? O que mais se ouve é o barulho do silêncio do amém de todos, principalmente daqueles que se acham donos da história de Conquista.

Para uma grande parte do povo que é inculta, devido às mazelas do nosso sistema político, o fechamento de um centro de cultura não faz nenhuma falta e não tem importância. Para os artistas e as pessoas mais cultas, este é o retrato do total imobilismo e individualismo. Fora algumas vozes isoladas, não há reação e manifestações de repúdio e protestos. É vergonhoso demais!

12ª MOSTRA CINEMA CONQUISTA

Como o Centro de Cultura se encontra fechado há quatro anos, a 12ª Mostra de Cinema de Conquista deste ano teve que ser realizada num espaço da Escola Normal. O evento aconteceu entre os dias 19 e 24 de novembro com programação e participação reduzida. Mesmo assim, o público teve a oportunidade de assistir filmes de longa, média e curta-metragem premiadas no Brasil e em outros países.

Conferências, oficinas, debates, exposições e apresentações também fizeram parte da programação. A Mostra deste ano homenageou o cineasta baiano Tuna Espinheira pelo seu trabalho deixado para a área cinematográfica. Nos seus 44 anos dedicados ao cinema, Tuna direcionou atenção especial à temática baiana.

Numa realização do Instituto Mandacaru de Inclusão Sociocultural, a  iniciativa, organizada por Esmon, contou com apoio cultural e institucional do Canal Brasil, TVE Bahia, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Curso de Cinema e Audiovisual da Uesb, Programa Janela Indiscrita e ajuda financeira da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista e do Governo do Estado que está há quatro anos sem concluir a reforma do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima.



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