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A FIDELIDADE DE UM POLÍTICO

Albán González – jornalista

O brasileiro comum tem o direito de escolher os seus candidatos, sem necessidade de justificar seu voto, mesmo que seja dado de forma leviana e inconsciente, colocando tiriricas, escadinhas e fernandinhos nos gabinetes governamentais e casas legislativas. Àqueles que só são lembrados em época de eleições não lhes é dado o  direito, expresso na Constituição de 1988, de exercer plenamente a cidadania. Negam-lhe a faculdade de ter acesso à educação, saúde, lazer, segurança, emprego e moradia.

Essa prática nociva, que contamina nossas instituições, não deve ser referendada pelo brasileiro que ocupa um cargo público; que se coloca na condição de líder de uma comunidade.

Refiro-me a um episódio ocorrido no último dia 18, aqui, em Vitória da Conquista. Participando de um encontro do seu partido, o MDB, Herzem Gusmão reiterou seu apoio incondicional, na condição de chefe do Executivo local, ao emedebista Lúcio Vieira Lima, candidato, mais uma vez, à Câmara dos Deputados.

Nas fotos, o prefeito segura um cartaz, onde dois dedos (polegar e indicador) fazem um “L”, imitando, coincidentemente, acredito, a mesma letra do alfabeto usada pelo Movimento Lula Livre.  Os dois sobrenomes do candidato são omitidos, por motivos óbvios.

Como escrevi na abertura deste comentário, o cidadão Herzem Gusmão tem plena liberdade para escolher seus candidatos nas eleições de outubro. Mas, como a principal personalidade hoje deste município, elevado a um cargo de gestor pela maioria dos seus moradores, surpreende-me ver o nobre alcaide “tomar o bonde errado”, indicando para seus conterrâneos o nome de um Vieira Lima.

Essa decisão extemporânea de Herzem vai de encontro aos interesses de alguns dos políticos locais, que já lançaram seus nomes à Câmara Federal. Alguns deles, ao que me parece, integram a bancada de sustentação ao prefeito na Câmara de Vereadores.

Será que Herzem não tem acompanhado o noticiário político-policial da imprensa nacional?  Vou avivar-lhe a memória: no dia 5 de setembro de 2017 a Polícia Federal encontrou num apartamento em Salvador a soma de R$ 51 milhões – as fotos das nove malas e caixas se tornaram a marca da corrupção no país. No material periciado havia impressões digitais dos irmãos Geddel e Lúcio.

Sem imunidade, Geddel foi “morar” no Presídio da Papuda, no Distrito Federal. Já o mano Lúcio, “blindado” pelo mandato, tem conseguido evitar seu julgamento pelo Conselho de Ética da Câmara, por suposta quebra do decoro parlamentar. Além de não haver interesse dos membros do colegiado, que se acham fora de Brasília, em busca da reeleição, Lúcio não tem sido encontrado – houve cinco tentativas – para receber a notificação.

A família Vieira Lima (a mãe Marluce e os filhos) tornou-se ré no Supremo Tribunal Federal (STF), depois de analisada a denúncia feita pela Procuradoria Geral da República (PGR). O trio responde às acusações de lavagem de dinheiro e associação criminosa, além do emprego de dois assessores parlamentares em serviços domésticos,  no apartamento de Marluce, no bairro do Chame-Chame, em Salvador.

Nos primeiros dias do seu governo Herzem Gusmão escolheu seus padrinhos políticos, os Vieira Lima e o presidente Michel Temer. Depois que a PF descobriu o “bunker”, no bairro da Graça, o nome de Geddel não foi mais mencionado pelo prefeito. Anunciada em várias ocasiões, a visita presidencial a Vitória da Conquista ficou apenas na promessa, mas o prefeito permanece entre os 10% dos brasileiros que apoiam Temer.

Nas hostes do MDB baiano tem candidatos que não querem ver os Vieira Lima nos seus palanques eleitorais. Um deles é João Reis Santana Filho, que se irritou ao ser questionado num debate na Rádio Sociedade da Bahia sobre sua relação com Geddel e Lúcio. “Nada tenho a ver com as malas. É problema deles. Sou ficha limpa. Fui ministro de Lula. Saí incólume. Lula está preso e eu estou solto”, respondeu o candidato emedebista ao governo baiano.

A fidelidade (qualidade rara entre os políticos) de Herzem é pouco comum nos dias atuais, reconhecida pelo próprio Lúcio, ao declarar recentemente que “somente Herzem me deu crédito”, no momento em que as portas se fecham para ele. A resposta do eleitorado conquistense ao seu prefeito se dará no dia 7 de outubro após o fechamento das urnas.

 

 

 

CÂMARA ABORDA QUESTÕES DOS TRANSPORTES E FAZ HOMENAGENS

Os funcionários da Viação Vitória, que teve seus ônibus interditados há mais de um mês e se encontra em estado falimentar, bem que quiseram ter acesso à tribuna livre da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista na sessão de ontem (dia 24/08), para falar de suas situações sem receber salários há meses, mas vão ter que esperar para a próxima plenária de quarta-feira (dia 29/08).

O vereador Dudé, líder do governo na Casa, chegou a bater boca com um empregado da empresa que insistia em falar, mas foi vencido pelo argumento do parlamentar que abriu questão de ordem, pois como reza o regulamento, existe uma fila de espera pela tribuna livre. A plenária aprovou sua posição de não abrir precedentes, mas houve um acordo para a concessão do espaço sobre o assunto na próxima sessão.

Como todos já devem saber, os funcionários da “Vitória” estão atravessando sérias dificuldades financeiras há mais de quatro meses, e não existe uma solução. São mais de 500 famílias que hoje dependem de doações da comunidade para se alimentar, sem contar atrasos em suas contas, como aluguel, carnês, cartões de crédito, pagamento de água e luz e outras dívidas no comércio.

Todos vereadores se prontificaram a ajudar, inclusive com seus próprios recursos, pois o quadro é caótico e de sofrimento. Os vereadores do PT bradaram contra o poder público municipal que ainda não tomou uma posição firme, de modo a aliviar os problemas dos empregados parados. Eles fizeram um pelo à Justiça no sentido de que os ônibus da empresa sejam penhorados para pagar as indenizações trabalhistas.

Dentro deste mesmo setor, que atualmente vive uma grande crise na cidade, muitos parlamentares se alternaram na tribuna para defender uma urgente regulamentação do transporte alternativo, principalmente dos motoristas de aplicativo. A oposição criticou a lentidão da Prefeitura Municipal em resolver as irregularidades das vans, muitas rodando de forma clandestina, repudiando a ausências de representantes do executivo nas discussões.

Outros assuntos foram abordados na sessão como a precariedade do Ceasa Atacadão, desprovido de qualquer nível de higiene para os consumidores, sem falar na total desorganização do local que virou espaço predileto dos ladrões de veículos. A vereadora Lúcia Rocha aproveitou seu tempo para falar da necessidade de revitalização do rio Verruga e da Lagoa das Bateias, hoje depósito de esgotos e sujeiras provenientes dos bairros vizinhos.

Com seu discurso político de duras críticas ao governo estadual do PT, o vereador Salomão aproveitou para chamar o candidato a senador Jaques Wagner de ladrão, citando as denúncias contra ele nas obras da Fonte Nova, na Copa de 2014.

Na ocasião, a Câmara prestou uma homenagem de moção de aplausos aos 90 anos da Polícia Rodoviária Federal, na presença de muitos componentes da corporação que receberam diploma de agradecimento pelos trabalhos prestados na região. O vereador Álvaro Pithon também homenageou o trabalho das forças armadas no país.

NA BASE DO COMODISMO E DO DEUS QUE ASSIM SEMPRE QUIS

Existe no planeta povo mais conformado, desprovido de indignação e que já se acostumou a conviver com os absurdos, as incoerências, as injustiças e as contradições? Aqui as respostas são sempre “fazer o quê” e “é assim mesmo”. Pela cultura comodista arcaica religiosa, o problema é sempre colocado como uma coisa da vontade de Deus que assim quis. A grande maioria entrega tudo nas mãos Dele e fica no aguardo de que Ele dê uma solução. Não mete Deus nesse bolo sujo, gente!

Somos responsáveis, direta ou indiretamente, pelas desgraças e mazelas, mas temos o péssimo hábito de sempre colocar Deus no meio de tudo que acontece de ruim. São culpados os governantes políticos e dirigentes, bem como todos nós que os escolhemos para os postos de comando. São também culpados os que se silenciam e fazem de conta que são mudos, surdos e cegos, ou não reagem nem protestam contra os malfeitos. “Não tenho nada a ver com isso”.

A barragem, o açude e o rio ficam na dependência das chuvas para se revitalizarem. Quando tudo está cheio, todos se esquecem das obras necessárias para que não mais falte água. Aqui mesmo em Vitória da Conquista temos um exemplo local da construção da barragem do Catolé, da qual ninguém mais comenta, isto porque “São Pedro mandou” encher o reservatório atual. Não se pensa mais nas próximas estiagens.

São Dele os castigos e as bonanças. Ele está presente em todas, até nos jogos de azar. Quando alguém escapa de um acidente, diz logo que foi Deus que o salvou. Ora, só ele que era o filho predileto? Os penados sertanejos passam o tempo no aguardo das dádivas caírem dos céus, A fé e a esperança são quase sempre os únicos guardiões, como verdadeiros patuás de salvação. É muito conformismo!

Cada um se refugia na sua cômoda individualidade e se recusa a pensar e a refletir. Prefere se extravasar nas torcidas de futebol, nos carnavais, nas paradas gays e de sambas, nos prazeres da vida, ou nas suas próprias paixões egoístas e excêntricas. Só os ignorantes analfabetos desprovidos de consciência política são perdoáveis.

De uma forma ou de outra, todos nós temos culpa pela degradação e horrores do sistema, pela miséria humana, pelo holocausto na saúde, pelas masmorras medievais das penitenciárias, pelas atrocidades, catástrofes naturais, ou não, pela violência brutal, pelos massacres e pela profunda desigualdade social estampada na miséria de milhões de brasileiros.

Nossa gente engole tudo que vem do alto, sem contestar, hoje mais que ontem, com medo de ser criminalizado como politicamente incorreto. Para tanto, a patrulha do racismo, do preconceito, da xenofobia, da homofobia e outras fobias e ismos está em todo lugar nos olhando e vigiando.

Um exemplo são as cotas que proliferam em todos os setores políticos e sociais, sem olhar a questão da meritocracia e da competência. Eles dizem que são saídas para reparação e inclusão. Do outro lado, negam a educação de qualidade para todos e deixam as escolas e as universidades públicas sucateadas. No Brasil existe reserva de mercado para tudo.

A grande maioria se ilude com os chefes demagogos que preferem falsas soluções simplistas a encarar as raízes do problema. Passa ano e entra ano, e o país continua no atraso, sempre com baixos índices de desenvolvimento. A desigualdade social só faz se aprofundar, e a nação continua carente de cabeças pensantes. Vive-se na base do Deus dará, e todos ficam “contentes”.

 

O CANTO DA SEREIA NA LUA CHEIA

Mochilas carregadas de trapaças para fazer truques de magias. De quatro em quatro anos eles aparecem assim no período da grande lua cheia da política brasileira, como deuses da salvação para todos os males. Os papos e os discursos não mudam. Os bois nem trocam de pastos, mas, mesmo assim, o povo se encanta com o canto da sereia para depois pagar o pato das mazelas.

Lobos, ratos, antas, hienas, avestruzes, cobras e outros bichos se juntam num monte de siglas, e cada um faz a sua dança celta feiticeira diante da lua cheia, pedindo proteção para uma boa colheita. Eles levam os frutos e deixam os bagaços e sabugos. Ao contrário do que diz a superstição, nesta época não viram lobisomem, mula sem cabeça nem monstros de assombração da meia noite.

Por incrível que possa aparecer, com voz mansa e os disfarces de sempre continuam a enganar os incautos, apesar de bater firme que dessa vez não vão mais se iludir. Que nada, basta pintar a lua cheia que todos ficam eufóricos e hipnotizados com suas cores e luzes brilhantes nos céus! Terminada a festa orgística, tudo continua como dantes na casa de Abrantes. Todos dizem as mesmas coisas, mas fazem diferente.

Todos já devem estar sabendo dessa lua cheia a que me refiro. Ela é dividida em regiões, e cada um disputa o seu lote com unhas e dentes, fazendo suas armações e astúcias demagógicas, para atrair os habitantes que nelas habitam. Uma sempre foi a mais cobiçada e não é mais rica. Trata-se do Nordeste pobre atrasado que apresenta os priores índices de desenvolvimento humano. É um campo propício para suas manobras populistas e assistencialistas.

Eles são muitos, mas só os mesmos de sempre conseguem abocanhar sua fatia necessária para sair de barriga cheia. Por exemplo, para a Câmara Federal são 5.051 em todo Brasil, para 513 cadeiras. Somente na Bahia, são 417 candidatos a federal que vão disputar a preferência de mais de 10 milhões de eleitores. Da bancada baiana, 32 dos 39 querem a reeleição.

Para o legislativo estadual, 538 brigam por 63 vagas. Dos atuais, 52 vão usar suas máquinas para manutenção em seus mesmos lugares. Dos 11 restantes, oito figuram na lista para o planalto prateado, ou dourado. Nessa lua cheia, 11.478 correm para assumir ou renovar seus assentos nas câmaras estaduais. É muita gente, mas o pirão de mais quatro anos é bom demais! É recheado de benesses e mordomais, sem contar as gatunagens de muitos, que eles costumam chamar de “por fora”.

Para presidente são 13candidatos, número que nos faz lembrar o azar. Para fechar o filme de terror, bem que a data principal dessa lua cheia poderia cair na sexta-feira 13. Os caras são os mesmos conhecidos. Para não ser, e sendo tão enfadonho e repetitivo, com o mesmo lero-lero.

O mais irônico de tudo isso é que nesta lua cheia eles vão usar um monte de dinheiro extraído, compulsoriamente, dos bolsos da população dessa terra de famélicos, doentes, violentados, explorados, desempregados e injustiçados. Os bichos ainda acham que é pouco. Cada um pode gastar de um (estadual) a mais de 10 milhões, mas com as trambicagens, vão, além disso.

São os custos mais caros do planeta, mas isso não quer dizer que somos os mais bem dotados de poder aquisitivo. Muito pelo contrário, meus amigos! O povo daqui é massacrado em todos os setores. É ludibriado, enganado, humilhado e pena em filas de saúde, e muitas outras, para receber um remédio ou um pedaço de pão.

Aqui são 12 milhões de analfabetos, mais de 50 milhões que vivem em condições de pobreza, 14 milhões em pobreza extrema, 32 milhões de crianças passam necessidades, mais de 13 milhões de desempregados (os números são bem maiores que isso), mais de 60 milhões de homicídios por ano e mais um tanto desses por acidentes de trânsito.

O mais inusitado de tudo isso é que ainda essa gente não fez uma guerra civil. É um povo conformado, que pouco berra e grita. Já realizou alguns movimentos, mas logo caem no esquecimento e, cada um, vai cuidar de seus afazeres individuais. Essa gente daqui não tem indignação e vota por favor ou coisa semelhante. Não se revolta. Não há revolução.

Aproveitando o tema fiz esse poema, ou modesto verso:

“NAS CILADAS DA LUA CHEIA”.

Os lobos ficam moucos na lua cheia/Do Planalto prateado do céu colonial/Onde os bandos fazem a farta ceia/Vinda do arado suado do braço serviçal/

As hienas viram renas na lua cheia/Para a engorda gulosa do grande dia/Enchendo seus trenós em cada aldeia/Para mais quatro anos de sodomia.

Os ratos armam ciladas na lua cheia/Como satânicos vendem gato por lebre/A pobreza mental segue o canto da sereia/E quem sempre paga o pato é a plebe.

Depois dessa festa da lua cheia/O feixe da fé começa a minguar/Até a veia da esperança vai-se embora/Chora o velho, a senhora e a criança/Na falta da justiça, do remédio e do pão/E do direito digno de viver e sonhar/De não mais ser boiada de patrão.

No aboio, ou no rasgo da guitarra/Vamos embora, minha gente!/Esse tempo de espera nos devora!/Vamos embora gente forte valente,/Não mais no aguardo do Deus dará!/Vamos acabar de vez com a farra/Dessa bicharada em nosso luar.

 

AS CURIOSIDADES DO MUNDO GREGO – FILOSOFIAS E SABEDORIAS (III)

PÍSISTRATO – A democracia ateniense era dividida em três partidos: o da Planície, conservador, aristocrático e latifundiário; o da Costa, dos ricos comerciantes; e o da Montanha, do proletariado urbano e rural.

Um dia um senhor deste último partido se apresentou ao Areópago (Conselho) e disse ter sido vítima de um ataque dos inimigos do povo. Mostrou seus ferimentos e pediu 50 homens para lhe proteger.

Apesar de velho, chamaram Sólon para dar sua posição. Vendo naquilo uma grande malícia de segundas intenções, e percebendo que não lhe davam ouvidos, desabafou indignado: Sóis sempre os mesmos. Individualmente, cada um de vós age como raposa, mas coletivamente, sóis um bando de patos.

O cara astuto era Pisístrato, também de família aristocrática e primo de Sólon que o conhecia muito bem. Ele sabia que a democracia sempre pende para a esquerda, por isso inventara suas ambições no proletariado. Ao invés de 50, Pisístrato reuniu 400 homens. Apoderou-se da Acrópole e proclamou a ditadura, naturalmente para o bem do povo.

O partido “A Costa” coligou-se com a “Planície”, derrubaram o tirano e obrigaram a fugir, mas logo voltou. Conta Heródoto que um dia se apresentou, às portas da cidade, um carro imponente e nele vinha uma linda mulher, com armas e o escudo de Palas Atena. Quando os batedores anunciaram que a deusa viera restaurar o ditador, o povo se inclinou. Foi ai que Pisístrato apareceu com seus homens. Uma aliança tornou a exilar o ditador.

Três anos depois, em 546, voltou pela terceira vez e restaurou o regime até sua morte. Pouco modificou da Constituição de Sólon e optou por eleições livres, sem culto à personalidade. Submeteu-se ao controle do Senado. Tinha do povo simpatia. Chamavam-no de tirano, mas no sentido de fortaleza. Possuía charme e falava com bons modos e calma. Sua política foi a de produção. Construiu modernas e poderosas embarcações.

O homem de ferro instituiu uma comissão para recolher e ordenar a Ilíada e a Odisseia que Homero deixara esparsas em episódios fragmentários. Evitou a guerra e deu a Atenas a posição de capital moral da Grécia. Criou os jogos pan-helênicos como ponto de encontro. Fugiu das tentações do poder absoluto, mas cedeu seu lugar para os filhos Hípias e Hiparco.

MILCÍADES E ARISTIDES – Pelos anos 490 a.C., seiscentos navios e duzentos mil soldados persas se apresentaram às portas da Grécia para invadi-la. Ao lado da pequena Plateia, apenas Atenas mandou seus poucos soldados se juntarem aos vinte mil homens do exército de Milcíades, que tinha pouca tradição militar.

No dia da batalha, na planície de Maratona, quem estava no turno era Aristides, que renunciou da missão a favor do colega, por considerar que tinha menos capacidade de atuar. Os soldados persas eram valentes, individualmente, mas não tinham ideias de manobra coletiva. No confronto, Dario perdeu sete mil homens contra pouco menos de duzentos de Milcíades, conforme narram os historiadores. Mandado anunciar a vitória em Atenas, o soldado Fedípoda fez vinte milhas correndo. Depois de dada a notícia, caiu morto, com o pulmão estourado.

Cheio de medalhas, o general transformou-se em almirante e pediu setenta navios que os levou a Paros. Lá exigiu cem talentos. O governo chamou de volta e obrigou a restituir só a metade. Milcíades não teve tempo porque morreu antes.

Restou Aristides, homem justo e honesto, tanto que depois da batalha teve a incumbência de guardar as tendas dos vencidos. Dentro delas havia notável riqueza e ele a entregou ao governo. Passou sua juventude combatendo a corrupção política e o peculato dos funcionários.

Em seu caminho dopou com Temístocles, orador brilhante que lhe fizera intrigas, propondo ostracismo para seu colega Aristides. Conta que na votação, um camponês analfabeto pediu a Aristides que escrevesse na lousa sua aprovação à proposta de Temístocles. “Por que queres mandar Aristides para o exílio? Fez-te algum mal? – perguntou o próprio Aristides. Não me fez nada – respondeu – mas estou farto de ouvi-lo chamar de justo. Aristides sorriu de rancor e marcou contra ele mesmo o voto daquele homem.

No ato da condenação, disse: Espero atenienses, que não tenham mais ocasião de se recordarem de mim, Atenas estava com os persas novamente às portas, conduzidos por Xerxes, em 485 a.C., com mais de dois milhões de homens e mil e duzentos navios.

Dessa vez Esparta, com seu rei Leônidas, e seu exército de 300 homens, se juntou a Atenas, Os trezentos sozinhos teriam vencido os dois milhões, se traidores não tivessem guiado os inimigos por uma senda desconhecida, às costas de Leônidas, que caiu com 298 dos seus, depois de ter causado 20 mil mortes. Dos dois, um se suicidou de vergonha, e o outro resgatou a honra caindo em Plateia. Foi escrito em sua lápide: Vai estrangeiro, dize a Esparta que nós caímos em obediência às suas leis.

Com relação ao ataque a Atenas, conta que um deputado propôs a rendição e foi morto na Assembleia. Sua mulher e seus filhos foram lapidados pelas mulheres. Os persas saquearam uma cidade vazia. Não podendo opor-se aos colegas que queriam a fuga, Temístocles mandou um escravo informar do plano da retirada a ser executado na noite imediata. Se a mensagem fosse descoberta, ele passaria por traidor.

Então, Xerxes rodeou o inimigo para não o deixar fugir. Com sua astúcia, Temístocles consegui obrigar os gregos a lutar, Xerxes em terra assistiu a catástrofe da sua frota com a morte de seus marinheiros por afogamento. Assim, Atenas e a Europa foram salvas, em Salamina, em 480 a.C.

TEMÍSTOCLES E EFIALTES – Após a batalha naval, o almirante mandou outro escravo informar Xerxes de que conseguira dissuadir os colegas da perseguição da frota vencida. O persa deixou na Grécia 300 mil homens aos cuidados de Mardônio. Houve um ano de trégua. Depois começou a luta sob o comando de Pausânias, rei de Esparta, com 100 mil homens. Mardônio perdeu 260 mil e Pausânias 59 mil.

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NO PAÍS DA DEPRESSÃO E DA ANSIEDADE

A notícia mais recente do reajuste salarial acima de 16% dado pelos próprios ministros do Supremo Tribunal Federal, com cascata em outros poderes do judiciário, do legislativo e do executivo, com impacto de bilhões no orçamento fiscal, nos deixa mais depressivos e ansiosos? E o aumento da violência, com mais de 60 mil homicídios por ano? E a mediocridade na política com 13 candidatos a presidente da Velha República?

Quem roubou a alegria e a felicidade de viver do brasileiro, mesmo dessa gente pobre e simples que sempre soube rir e driblar as adversidades com maestria e criação? Deixo aqui que cada um aponte o seu dedo para seus algozes. É uma questão de visão interpretativa e até mesmo ideológica de cada indivíduo ou grupo. A matéria merece reflexão e desprendimento, sem partidarismos, rancor ou critérios pessoais. É mito dizer que o Brasil é um país alegre e feliz?

Confesso que tenho os meus carrascos que transformaram o país descontraído e cordial num dos mais depressivos e ansiosos do mundo, conforme estudo recente de um organismo internacional. Sei que existem controvérsias de ordem política e até religiosa. O certo é que este estado de espírito tem muito a ver com a degradação social, mas também com a nova ordem evolutiva industrial tecnológica. Com o sentido oco do viver.

Neste aspecto entram as redes sociais onde as pessoas, na ansiedade do aparecer exibicionista de qualquer jeito, como se dissessem, estamos aqui, olhem para nós, quase não se falam pessoalmente. A máquina aniquilou o prazer do convívio e ainda deixou seu agente mais estressado. Com base no atual cenário confuso de depressão na economia e na política, nosso país foi naturalmente inoculando em seus habitantes um quadro depressivo.

Quem ou o quê nos levou a esta situação tão precária de exclusão? A informalidade é uma delas. O próprio sistema capitalista predador e consumista que criou uma sociedade de profundas desigualdades onde poucos são donos da maior parte e muitos quase nada têm? Será que nós mesmos não somos os maiores culpados devido à nossa covardia, conformismo e pela falta de indignação por não termos agido contra quem ou a coisa que nos levou à depressão e à ansiedade?

Sem perceber e até aceitando, sem contestar, iludidos ou não, fomos sendo levados aos poucos para esta vala comum da agonia e da aflição. Não creio nessa coisa de falta de religião, de contrição com algum santo, orixá ou deus qualquer, nem mesmo formação familiar. Fomos nos acomodando com o pouco que tínhamos, sem questionar o regime ou as pessoas que o implantaram.

Nosso mal não foi sempre colocar o individual acima do coletivo? Será que não foi este pecado social horrível que nos levou a este estado? As coisas foram se avolumando e sempre acreditamos no mito de que éramos um povo feliz e alegre. Assim nos dizem os gringos que nos enchem de orgulho e vaidade. Sentimo-nos de peito estufado e agora descobrimos que somos os mais depressivos, ansiosos e infelizes. Entendo que hoje a depressão não é somente aquele estado de “fossa braba” como se falava antigamente. A baixa estima em si já é um sintoma avançado, mesmo que se deixe a tristeza escondida num saco do quarto.

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MANIFESTO DOS PROFESSORES NA CÂMARA

Muito clamor e pronunciamentos sobre as penosas condições de trabalho dos profissionais que no dia a dia precisam cumprir com suas missões de levar o aprendizado às crianças e aos jovens. Aplausos e vaias fizeram parte das manifestações dos professores municipais em greve, que superlotaram o auditório da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, em sessão especial do dia de ontem (08/08).

Seus apelos de reajustes salariais e valorização da categoria, infelizmente, ainda não foram atendidos pelo poder público municipal que alega aperto fiscal no orçamento e pede à categoria maior compreensão diante da atual situação financeira. Aos professores se juntaram os trabalhadores da viação urbana Vitória, que também estão em greve por não receber seus vencimentos há mais de um mês.

Foi, na verdade, uma exposição de penúria de ambos os lados com histórias tristes de aperto financeiro para pagar suas contas particulares, inclusive com a falta de alimentação em seus lares. Diante do impasse que já dura mais de quinze dias, a Câmara constituiu uma comissão formada entre oposição e situação para dialogar com a Prefeitura Municipal, a fim de se encontrar uma saída, e que os alunos possam retornar às suas escolas.

A professora do Sindicato, Rute Prado, contou sua luta diária para ensinar e ainda ser dona de casa. Como tantas outras que batalham em vários turnos para sobreviver, disse que sua rotina começa pela madrugada e só termina por volta das 18 horas. Ressaltou ainda conhecer colegas que dão aulas à noite para complementar o salário. Outras se tornaram vendedoras para ganhar uns trocados a mais.

Teve momentos de tensão quando o vereador Álvaro Pithon foi vaiado ao colocar a culpa na administração passada pelo atual quadro, tanto em relação aos professores como da Viação Vitória que está fechada sem pagar seus funcionários. A vereadora Viviane, do PT, criticou a falta de representação do prefeito na sessão e até da própria professora Geane que hoje é uma servidora de confiança do executivo.

O motorista Walter, da empresa Vitória, relatou que 517 famílias estão atualmente passando por necessidades, e que não estão ainda pior porque centenas de pessoas da comunidade se dispuseram a doar alimentos. Agradeceu o apoio de todos e, em tom de desabafo e protesto, criticou duramente a prefeitura que interditou os ônibus da companhia urbana de transportes.

Entre outros projetos, requerimentos e moções aprovados na pauta de discussões, a casa legislativa marcou para 26 de setembro uma audiência pública para tratar do plano diretor da cidade, incluindo a facilitação para a regularização de imóveis sem documentação do habite-se.

Há muito tempo que Vitória da Conquista precisa atualizar e renovar seu plano diretor, principalmente no que tange ao ordenamento do solo, delimitação de bairros, numeração e denominação de ruas. Sem contar as irregularidades habitacionais por conta da burocratização e do alto custo, existe hoje uma bagunça generalizada na cidade em termos de nominação de bairros e ruas.

 

AS CURIOSIDADES DO MUNDO GREGO COM SUAS FILOSOFIAS E SABEDORIAS(Parte II)

Como diz o próprio título, registramos as principais curiosidades do mundo grego, extraídas do livro do autor Indro Montanelli, em prosseguimento ao comentário passado. Aproveite a leitura.

TALES – Os fundadores de Mileto eram guerreiros da guerra de Tróia que se perderam no naufrágio, inclusive o Ulisses. Como fugitivos usaram o método de matar todos os homens e casar com as viúvas de sangue orientais, bastantes bonitas.

Lá pelos idos de mil a.C., Mileto já era a cidade mais rica e evoluída do Mar Egeu. Seu governo começou com reis, passou para a aristocracia e depois a democracia. Ali foi fundada a primeira escola filosófica grega por Tales, nascido em 640, de uma família fenícia. Vivia distraído imerso em seus pensamentos.

Tido como um nada, mas conhecedor de astronomia, o rapaz pediu dinheiro ao pai e comprou todos os lugares de azeite de oliveira da ilha. Era inverno e os preços estavam baixos, mas previra um bom ano para a colheita. Seus cálculos deram certo e, no ano seguinte, como monopolista, pôde impor os preços e ganhar muito dinheiro.

Em sua viagem para o Egito colocou em prática seus conhecimentos de matemática, calculando, pela primeira vez, a altura das pirâmides. Fez a proporção, medindo a sombra sobre a areia no momento em que ele mesmo projetava uma sombra do tamanho do corpo.

Com seus teoremas, bem antes de Euclides, julgou que a terra fosse um disco flutuante sobre interminável extensão de água, personificada no Oceano. Imaginou a vida como alma imortal, cujas partículas se encarnavam numa planta, num animal ou num mineral. As que morriam seriam apenas momentâneas encarnações.

Ele procurava ensinar a maneira correta de raciocinar, mas não se incomodava quando não o compreendiam ou riam dele. Foi incluído na lista dos Sete Sábios, ao lado do legislador Sólon.

Quando lhe perguntaram qual a coisa mais difícil para um homem, respondeu “conhecer-se a si mesmo”. Sobre Deus: Aquilo que não começa e que não acaba. Sobre o que consiste a justiça para um homem virtuoso, afirmou que não fazer aos outros o que não queremos que nos seja feito.

Deixou como discípulo Anaximandro. Em 546, Ciro anexou a ilha ao império persa e a cultura grega entrou em agonia. Para Tales, as culturas e os impérios são apenas formas passageiras da alma imortal.

HERÁCLITO – Outro centro da cultura grega no sexto século foi Éfeso, com seu templo de Artêmis e seus poetas, com destaque para o esquisito Calino, tanto quanto o Heráclito, o Obscuro, pertencente a uma família nobre.

Como um São Francisco de Assis, deixou toda riqueza, ambições, posições sociais e retirou-se para uma montanha, vivendo o resto da vida como eremita, à procura da ideia que regula todas as coisas, em todas as ocasiões. Sustentava que a humanidade era um animal irremediavelmente hipócrita, estúpido e cruel, ao qual não valia a pena ensinar coisa alguma.

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OS LADRÕES DE ALMAS DO SERTÃO

Sem o pássaro preto, o cardeal, o azulão, o sabiá, o sanhaço, os periquitos, o galo de campina, o caboclinho, o papa capim, a coleira, as araras azuis, os papagaios, os tico-ticos, a nambu, a perdiz e outros animais silvestres da fauna como o tatu, o teiú e o veado, o nosso velho sertão, cansado e castigado por estiagens e ações dos homens, fica sem a sua verdadeira alma e vira um esquelético espantalho fantasmagórico.

Se alma é vida, quem vai cantar o sertão verde e renovado com as chuvas? Quem vai brindar com seus voos e agradecer a benção divina das águas caídas lá dos céus? Sem melodia e sem o estribilho das aves, a caatinga perde sua maior beleza e se torna um bioma sem ternura e sem os mistérios da vida. Não basta a sua aterradora desertificação que se vem processando há anos?

Prender seus pássaros e arrancá-los do convívio do seu lar é o mesmo que extirpar a alma do sertão. Nas gaiolas eles não cantam e fazem festa, lamentam a dor do cativeiro como o negro escravo do Alabama nas fazendas de algodão, ou no Nordeste nos engenhos de canas de açúcar.

Contra estes ladrões de almas e assassinos da fauna sertaneja, ainda bem que esta espécie de bioma, a única no mundo, tem contado com a ação do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia-Inema, do Ibama e dos movimentos ambientalistas em parceria com as polícias civil, militar e até a federal, como ocorreu recentemente (dias 24 a 28 de julho) em Senhor do Bonfim, no nordeste do estado.

Lá está a mão severa do primo Washington Macário de Oliveira, do Inema, com seus notáveis casos de disfarces para agarrar os criminosos do sertão. Como xerife durão que visita os mais longínquos lugares da Bahia, não costuma perder viagem, seja no campo em pontos mais escondidos ou nas feiras das cidades. Seu maior prazer é soltar os bichos, para raiva dos caçadores.

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NO CASO DE VITÓRIA DA CONQUISTA E OS EDUCADORES BRASILEIROS E BAIANOS

Por Carlos Gonzalez – jornalista

O descaso das autoridades governamentais neste país com o magistério pode ser tomado como medida aqui mesmo em Vitória da Conquista, onde a administração municipal se recusa a ouvir os professores, que reivindicam uma melhoria nos seus baixos salários.

Como se ainda estivéssemos no período da ditadura, que via no mestre, em sala de aula, um inimigo do regime, capaz de “fazer a cabeça” dos jovens, a Prefeitura de Vitória da Conquista multa em 17 mil reais o sindicato da categoria por ter protestado no interior do prédio da municipalidade, que pertence a todos que aqui trabalham e ajudam a pagar, com a cobrança de impostos, os salários de quase 9.000 servidores.

Eu não arriscaria a afirmar, pois tenho conhecimento apenas de seus métodos de governo, mas acredito que o Sr. Herzem Gusmão testemunhou, na infância e na juventude, o sacrifício do professor da escola pública. Um religioso, temente a Deus, que sempre cita o nome do Mestre dos Mestres em seus pronunciamentos públicos, não pode ser algoz daqueles mais necessitados.

Amigo Jeremias, eu não aprendi as primeiras letras com professores leigos da roça, onde você passou os primeiros anos de vida. Estudei em Salvador, na Escola Getúlio Vargas, Instituto Normal da Bahia, ambos no Barbalho, e Colégio Estadual da Bahia, no bairro da Liberdade. Diante do clima que existe hoje no interior das salas de aula, onde o professor não é respeitado, lembro-me que, na minha época, ele era visto como um educador, que se orgulhava do título de professor. Os alunos o recebiam de pé em sua entrada em sala.

No alto do pedestal dessa honrosa categoria profissional coloco um baiano, nascido em Salvador, em abril de 1917. Professor de Português e de História Geral e do Brasil, Adroaldo Ribeiro Costa, bacharel em Direito, exerceu vários cargos no campo do magistério do nosso estado. No entanto, a vida do Professor Adroaldo, como era chamado, ficou marcada pela criação do teatro infantil no Brasil, chegando a reunir 100 crianças e adolescentes em suas peças.

Contrário ao senso comum, Adroaldo é tratado hoje como autor do Hino do Esporte Clube Bahia. O seu nome deveria figurar entre os maiores educadores brasileiros, ao lado de Anísio Teixeira (1900-1971), Darcy Ribeiro (1922-1997), Paulo Freire (1921-1997) e Florestan Fernandes (1920-1995).

Companheiro de redação, no período do jornalismo romântico, sem internet e celular, que atualmente tanto ajudam os novos na profissão, você continua a clamar contra o que há de errado neste país. Aposentado, criou o blog “aestrada” para lhe servir de tribuna. Talvez ainda não tenha se dado conta de que vivemos numa terra devastada. A corrupção, sem a necessária punição, corroeu o que havia de fértil.

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