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AS CURIOSIDADES DO MUNDO GREGO – SABEDORIAS E FILOSOFIAS (IX)

Por volta de 350 a.C. os ricos em Atenas se tornaram tão antissociais que preferiam lançar seus bens ao mar a reparti-los com os pobres. Tinham mais ódio à riqueza alheia do que compaixão pela miséria pessoal. Aristóteles conta que existia um clube aristocrático que tinha como juramento agir contra a coletividade. Muitos se rebelaram contra as desordens, as sonegações, a corrupção e os abusos. Cada um procurava defender seus interesses, como no nosso país de hoje.

EPAMINONDAS – Atenas, Tebas e Esparta ainda se mantinham em condições de salvar uma Grécia desordenada e ensanguentada por volta de 400 a.C. As riquezas, segundo Aristóteles, se concentravam na classe patronal, que as guerras haviam reduzido a um pequeno número. Esparta continuava prepotente e prevaricadora.

Com um corpo de 12 mil mercenários espartanos, sob o comando do ateniense Xenofante, o rei persa Ciro foi derrotado e morto em Cunassa. O episódio encheu de orgulho a Grécia e convenceu Agesilau, rei de Esparta, de que a Pérsia era um grande império, mas de barro.

Atenas e Tebas se uniram aos persas de Artaxerxes. Em Cnido, o almirante ateniense Cônon destruiu a frota espartana em 394 a.C. Agesilau mandou oferecer todas as cidades gregas da Ásia em troca da neutralidade. Em 387 houve a paz de Sardes. Chipre e toda Ásia grega passaram a ser persas.

Esparta continuou sendo a maior potência, mas sendo vista como traidora e impôs governos oligárquicos na própria Beócia. Com isso, o jovem Pelópidas tramou uma conspiração e junto a outros assassinaram os ministros espartanos e reorganizaram a Confederação da Beócia. Pelópidas proclamou a guerra santa, decretou mobilização geral e confiou o comando do exército a Epaminondas, um dos personagens mais complexos da antiguidade.

Mesmo homossexual (na Grécia não era sinônimo de efeminação), Epaminondas, de família aristocrática, era sisudo e quieto desde menino. Por incrível que pareça, não gostava de guerra. Quando lhe ofereceram o comando respondeu: Pensem bem. Se fizerem de mim seu general, eu farei de vocês os meus soldados e, como tais, terão uma vida muito dura.

Epaminondas dispunha de seis mil homens contra dez mil de Esparta. Com sua tática, colocou um grupo de trezentos jovens homossexuais em dupla que juraram fidelidade até a morte. Esparta foi derrotada. O general convenceu-se que poderia dar a Tebas o primado. Entrou no Peloponeso, libertou Messene e fundou Megápolis.

Ódios e ciúmes impediram a unificação da Grécia. Atenas saudou a vitória contra Esparta, mas via com maus olhos o crescimento de Tebas, Chegou a coligar-se com o inimigo para derrubar Epaminondas. Deu-se a batalha de Mantinéia em 362 a.C. e venceu outra vez, mas foi morto por Grilo, filho de Xenofante. Com ele, morreram os sonhos da hegemonia de Tebas.

A DECADÊNCIA DA “POLIS” – Atenas voltou a sonhar com a supremacia e voltou a construir os antigos muros, se cuidando para não cair nos mesmos erros depois de Péricles, mas não teve jeito. Criou nova Confederação com colônias submetidas a ela, adotando mesmos métodos. Muitas cidades se rebelaram e veio a segunda Confederação em 355, em meio a revoltas e repressões.

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ITARANTIM TERÁ PRIMEIRA MINA DE NEFELINA DA AMÉRICA DO SUL

Ainda neste ano entrará em operação no município de Itarantim, no sudoeste da Bahia, a primeira mina de Nefelina Sienito da América do Sul, como resultados dos trabalhos de pesquisas realizados pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM).

A jazida possui reservas superiores a 50 milhões de toneladas, e a nefelina, hoje vinda de outros países, é uma matéria-prima essencial para as indústrias de vidro e cerâmica. De acordo com a CBPM, a implantação da mina comprova a boa política de investimentos da estatal e a vocação da Bahia no segmento mineral.

Como terceiro maior produtor nacional em minérios, a Bahia também conta com a mina de vanádio em Maracás, a única da América do Sul, com maior teor deste mineral no mundo.

Em Itarantim, a empresa privada, genuinamente baiana, B4FMineração, vai explorar a nefelina, com investimentos superiores a 20 milhões de reais e capacidade inicial instalada para produção de 50 mil toneladas por ano, com previsão de chegar a 120 mil no próximo ano.

O empreendimento atenderá a 90% do mercado cerâmico de nefelina do Brasil, além de fornecer o produto para Estados Unidos, México e Espanha. A empresa vai empregar 60 pessoas em sua maioria moradores de Itarantim e região. Em 2019 serão gerados mais de 100 empregos diretos e 300 indiretos.

O estado possui um grande potencial mineral, como urânio e ferro (Caetité), ouro (Jacobina), quartzo azul, quartzo de Macaúbas, esmeralda (Pindobaçu) e até de diamantes, em Nordestina, beneficiando a região chamada do sisal. Só em diamantes, 85% das exportações brasileiras são oriundas da Bahia.

O EXTERMÍNIO DOS JUMENTOS

Em seu espaço “Análise Política, Fatos e Causos, em o “A Tarde”, o meu amigo e companheiro jornalista Levi Vasconcelos abriu, com sua sensibilidade que lhe é peculiar, o título “Alguns Animais Sofrem Ameaça de Extinção. Jumento é de Extermínio”.

Foi bastante apropriado seu comentário no momento em que estamos assistindo passivos a matança criminosa dos jegues que são símbolos do Nordeste e que tanto serviram às populações do campo e das cidades no transporte de mercadorias, água e lenha, para o sustento de milhares de famílias.

Lembrou em seu espaço que no dia 25 próximo, a Frente Nacional em Defesa dos Jumentos vai protestar no Farol da Barra. A defesa deve ser de todos nós nessa campanha de acabar de uma vez com o abate dos jumentos que está ocorrendo em Miguel Calmon, Itapetinga e Amargosa por uma empresa chinesa que só se interessa pelo couro.

Vamos nos conscientizar e defender a criação de santuários de preservação dessa espécie tão dócil, que não fez e nem faz mal a ninguém. Diz Levi em sua coluna: “Dizem os ativistas da causa animal que algumas espécies exigem atenção especial por estarem ameaçadas de extinção, quase sempre por conta de uma ação mais irresponsável do que intencional do homem, mas no caso dos jumentos há um diferencial perverso: a ameaça é de extermínio por conta de uma ação deliberadamente assassina”.

A indignação nas redes sociais é crescente contra o intenso abate desses animais em frigoríficos de Miguel Calmon, Itapetinga e Amargosa, às vezes mais de 300 por dia. Os atravessadores das empresas pegam os jegues soltos nas estradas e outros são comprados por míseros 50 reais. Levi pergunta: “que mal fez esta espécie de tantos e tão serviços prestados à humanidade para ter um destino tão cruel”?

A estupidez ainda é maior quando se sabe que esses animais são abatidos tão somente para o aproveitamento do couro como matéria-prima para bolsas, calçados e afins nos países asiáticos. Esses animais inocentes, na verdade, já deveriam ter sido declarados patrimônio do Nordeste. Até quando vamos admitir calados a este massacre?

UMA PROFISSÃO DESACREDITADA

Estudo feito em 35 países revela como a população enxerga a carreira de professor. Apenas 9% dos brasileiros acreditam que os alunos respeitam os docentes e só 1 em cada 5 pais aconselharia profissão aos filhos. O Estado de São Paulo publica reportagem de Isabela Palhares sobre o assunto. Veja trechos da matéria e reflita sobre o assunto.

São Paulo – Percepção de falta de respeito dos alunos, salários insuficientes e uma carreira pouco segura para os jovens. É assim que a maioria da população brasileira enxerga a profissão docente e coloca o País como o que dá menos prestígio aos professores. Esse cenário foi revelado pelo Índice Global de Status de Professores de 2018, divulgado na noite desta quarta-feira, 7, pela Varkey Foundation, organização voltada para a educação. O levantamento avalia como a população de 35 países enxerga a profissão.

Heleno Oliveira, que continua a ser professor mesmo depois da piora do prestigio da profissao

Já pensei em desistir. O que me segura é perceber que posso fazer a diferença na vida de alguns’, conta Oliveira  Foto: GABRIELA BILO / ESTADAO

Enquanto há uma tendência global de crescimento no prestígio dado aos professores, o Brasil regrediu nos últimos cinco anos. Em 2013, quando o estudo foi feita pela primeira vez e avaliou 21 nações, o País aparecia na penúltima colocação. Na edição deste ano, com a piora na percepção sobre o respeito dos alunos e com menos pais dispostos a incentivar seus filhos a seguir a profissão, o índice nacional piorou e colocou o País como lanterna do ranking.

Para chegar ao indicador, foram entrevistadas mil pessoas, de 16 a 64 anos, em cada país e mais de 5,5 mil docentes. No Brasil, apenas 9% acreditam que os alunos respeitam seus professores – na China, o líder, 81% veem esse respeito. O dado aparece em consonância com o fato de que só 20% dos pais brasileiros afirmam que encorajariam seus filhos a seguir a carreira – ante 55% dos pais chineses.

O estudo também indica que o brasileiro subestima a jornada de trabalho da profissão. A sociedade estima uma carga horária semanal média de 39 horas, ante o relato dos professores de uma média de 48 horas. Segundo a pesquisa, essa percepção é forte nos países latino-americanos e se diferencia de países como FinlândiaCanadá e Japão, onde os docentes trabalham menos horas do que a percepção de suas comunidades.

A mesma tendência é observada em relação aos salários. Enquanto brasileiros consideram que um salário justo para os professores seria de U$ 25 mil (cerca de R$ 93 mil) ao ano, a remuneração real média relatada pelos profissionais é de U$ 15 mil (cerca de R$ 56 mil).

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EÓLICA PRODUZ A MESMA CAPACIDADE DE ITAIPU E BAHIA É 2a MAIOR POTÊNCIA

Os dados saíram em setembro e foram divulgados pela Associação Brasileira de Energia Eólica, dando conta de que a produção de energia eólica no Brasil atingiu a marca de 14 gigawatts, equivalentes à mesma capacidade instalada de Itaipu, a maior usina hidrelétrica do país.

São 14,34 GW em 568 parques eólicos e mais de sete mil aerogeradores em 12 estados, sendo que o Nordeste agrega a maior parte da produção. O Rio Grande do Norte aparece em primeiro lugar, com 146 parques e 3.949,3 megawatts, seguido da Bahia, com 133 parques e potência de 3.525 MW. O Ceará vem em terceiro lugar, com 80 parques e 2.049,9 MW.

A fonte eólica tem mostrado grande avanço nos últimos anos, passando de 1 GW em 2011 para os 14 de agora, completamente conectados às redes de transmissão. Segundo os estudos, em média a energia gerada por estas eólicas equivale, atualmente, ao consumo residencial de cerca de 26 milhões de habitações, ou 80 milhões de pessoas.

Segundo a Associação, a energia produzida com ventos está chegando a atender quase 14% do sistema interligado nacional. No caso do Nordeste, os recordes de atendimento ultrapassam 70% da energia produzida na região. É bem mais sustentável que as hidrelétricas que provocam grande impacto ao meio ambiente.

Na Bahia, os primeiros parques surgiram no sudoeste, na região de Caetité, Guanambi e Igaporã há uns dez anos, mas houve um grande atraso na implantação das redes de transmissão pela Chesf. Pelo clima tropical no Brasil, especialmente no Nordeste, a energia eólica, uma fonte limpa, poderia ter hoje uma capacidade bem maior que atual, se tivesse sido planejada bem antes.

Hoje os parques estão espalhados por vários municípios como Morro do Chapéu, Irecê, América Dourado, Santo Sé, Casa Nova, Campo Formoso, dentre outros. A tendência é que em pouco tempo a Bahia seja a maior produtora, superando o Rio Grande do Norte, sem contar a energia solar onde o estado aparece em primeiro lugar, destacando a grande usina de Bom Jesus da Lapa.

VAMOS ACABAR COM O ABATE DOS JUMENTOS NO NORDESTE

O que estão fazendo com os jumentos no Nordeste é um verdadeiro crime. Simplesmente estão abatendo cruelmente os animais que tanto ajudaram os sertanejos na labuta diária para transportar mercadorias das roças para as feiras e até já foram jegues-pipas e jegues-lenhas, matando a sede e a fome de muita gente. Eu mesmo cheguei a utilizá-los para transportar água e lenha para centenas de casas de família em Piritiba, no final dos anos 50.

O que se percebe é que as ongs, os movimentos ambientalistas e protetores dos animais não se importam com esta espécie, tanto quanto com as baleias e as tartarugas que são utilizadas para atrair turistas e ganhar dinheiro. Jegue não rende atração e renda, nem dar visibilidade e prestígio para os pesquisadores.

Está na hora da mídia em geral e todos os órgãos se unirem para acabar de vez com o abate indiscriminado dos nossos inocentes jumentos que estão sendo extintos, só para venderem a carne e o couro para a China e países asiáticos por alguns punhados de dólares. Estou sugerindo uma campanha para proibir de vez que sejam levados aos matadouros, comprados por míseros 50 e 100 reais. Muitos morrem durante os transportes como está acontecendo com os animais que estão sendo levados para um frigorífico de Itapetinga.

REPORTAGEM DE JORNALISTA

Na semana passada, meu companheiro jornalista Mário Bittencourt fez uma série de boas matérias para o “Correio”, denunciando o confinamento dos jumentos em Itapetinga. Segundo sua reportagem, sem guia de trânsito os animais morreram durante viagem e foram desovados.  )

Em seu material jornalístico, Mário informa que, por determinação da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab),  a cidade de Itapetinga, no sudoeste da Bahia, não poderá mais confinar animais deste tipo em propriedade alguma do município. A medida foi em razão de mais um caso de maus-tratos a jumentos registrados no dia 29 de outubro.

Destaco trechos da matéria do jornalista quando assinalou que o diretor de Defesa Animal da Adab, Rui Leal, disse nesta quarta-feira (31) que a partir de agora os animais, que são oriundos de outras cidades da Bahia e de outros estados nordestinos, deverão ser levados diretamente para serem abatidos no Frigorífico Sudoeste, e precisam ter ainda a guia de trânsito animal (GTA).

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MOSTRA CINEMA CONQUISTA HOMENAGEIA CHICO LIBERATO

Esta sendo realizada no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, de 4 a 9 deste mês, a Mostra de Cinema Conquista – um olhar para o novo cinema, marcando a 13º edição, com filmes, mesas temáticas, conferências e arte. O evento foi aberto no domingo, às 19 horas, com a participação de um grande público que lotou o auditório do Centro. Na ocasião, o artista plástico e cineasta Chico Liberato e sua família foram homenageados pelos organizadores da Mostra.

Na abertura dos trabalhos foi apresentado um concerto que evoca as paisagens do sertão, com algumas das músicas que fizeram parte dos filmes de Chico Liberato e do repertório nordestino erudito, com apresentação musical “Paisagens Sonoras”, regência de João Omar, participações da Orquestra Conquista Sinfônica, João Liberato e “paisagem visual”, de Patrícia Moreira.

A homenagem contou ainda com a exposição “Chico Liberato-Transfiguração” que propõe um questionamento livre sobre a formação da imagem e suas transversalidades, começando pela origem da produção do homenageado nas artes plásticas, até seu consagrado trabalho no cinema de animação.

Sob a coordenação de Esmon, realização da Ong Mandacaru, apoio cultural de diversas empresas e financeiro da Prefeitura de Vitória da Conquista e Governo do Estado, além da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, abriram a Mostra o curta “Amarilis”, de Chico Liberato e a animação A Cidade dos Piratas, de Otto Guerra, de 80 minutos.

Na segunda-feira (dia 5) foram exibidos os filmes Mini Miss, de Rachel Daisy Ellis (16 minutos), Quilombo Rio dos Macacos, de Josias Pires, Desertos Verdes, Plantações de Eucaliptos, Agrotóxicos e Água, de Marcelo Lopes, Ex´Pajé, de Luiz Bolognesi, Próxima Parada: Suiça, de Kauan Oliveira, A Retirada para um Coração Bruto, de Marco Antônio Pereira e Arábia, de Afonso Uchôa e João Dumans.

A programação no Centro de Cultura começa sempre às 15 horas com encerramento por volta das 22 horas com apresentação de documentários e filmes de ficção curtas e longas, destacando Solo Seco e Rachado, de Daniel Leite Almeida, Histórias que Nosso Cinema não Contava, de Fernanda Pessoa, dentre outros no dia 6(terça-feira).

Para o dia 7 (quarta-feira) o público pode apreciar No Intenso Agora, de João Moreira Sales, Nascida para Matar, de Lorena e Rogério Gonçalves, dentre outros. Para os dias 8 e 9, a Mostra exibe O Baú do Zulú, de Raul Ribeiro, Conte Isso Áqueles que Dizem que Fomos Derrotados, documentário de Alano Bemfica, Pedro Maia, Camila Bastos e Cristiano Araújo, A Moça do Calendário, de Helena Ignez, Dr, Ocride, de Edson Bastos e Henrique Filho que fala da fazenda do Povo construída pelo escritor Euclides Neto, em Ipiaú.

Além de filmes, a programação contempla realização de conferências, lançamento de livros e outras atividades. Entre os dias 6 e 9 acontece “Papo de Cinema”, no Centro de Cultura, das 11 às 12 horas.

Entre 5 a 9 de novembro, a Mostra Cine Tenda está sendo exibida na Praça J. Murilo e na rua Joana Angélica, no Bairro Flamengo. De 5 a 8 nas escolas municipais (Mostra Itinerante) em Baté-Pé, Iguá, Pradoso, Inhobim e São Sebastião.

 

UMA DATA ESQUECIDA NO PAÍS QUE JOGOU A CULTURA NO LIXO

Ouvi por aí, lendo em algum lugar, que um bom texto é como uma canção harmoniosa e suave que encanta os ouvidos. Acrescento que é como ouvir o canto do cancioneiro quando ele e sua viola estão bem afinados. Assim como o violeiro, o violinista, o pianista e o saxofonista numa orquestra, o bom texto acalma a alma, mesmo do mais ímpio. Em sua essência, o leitor lê o livro, ou é o livro quem lê o leitor?

Ao falar do texto de uma matéria jornalística, de um artigo, de um comentário opinativo ou interpretativo, de uma tese de mestrado, de uma redação do Enem que virou outro vestibular, a intenção foi fazer uma caminhada até o livro, não importando o gênero. Este personagem tão nobre e velho distinto, mais uma vez passou esquecido em sua data nacional comemorativa no dia 29 de outubro, e logo em meio ao voto do ódio e da intolerância política.

Nestes momentos conturbados de tantas crises, que falta ele faz para clarear nossas mentes numa direção mais sensata e de lucidez! Ainda nesta semana, li um comentário do escritor Luiz Carlos Amorim num jornal em que dizia ser o livro o guardião da história da humanidade. O receptáculo de toda inteligência e criatividade do homem. A tristeza é que ele não seja tão popular quanto deveria, pelo menos no Brasil.

Diria que se ele fosse mais lido, reverenciado e apreciado, nossa sociedade seria mais humana, menos violenta, mais ética e mais respeitosa com os outros. Luiz Carlos fala que ele ainda é caro e aponta como alternativas as bibliotecas e os sebos. Da minha parte, entendo que a questão não é ser caro, mas a falta de hábito por culpa dos governantes que nunca priorizaram a educação. Deixaram o povo nas trevas e não vejo perspectivas de luz no fim do túnel.

O escritor fala dos e-books (o livro eletrônico) e os e-readers que estão se popularizando e têm uma pequena legião de seguidores. Não vai muito longe disso e, infelizmente, não vejo nisso nenhuma revolução cultural. O público do digital é inexpressivo, ao contrário do que previa os “futuristas” quando surgiu o computador. Quem não tem o costume de ler, não utiliza o eletrônico nem o livro de papel, ou o impresso. Esta é a minha opinião.

Por tocar no assunto, o livro de papel nunca deixará de existir, mas alguns insistem que ele terá seu fim com a evolução da internet. Acredito, no entanto, que não é a tecnologia da informática que vai intensificar o hábito da leitura, nem o audiolivro. Sem uma educação de qualidade e uma política de incentivo à cultura, vamos continuar sendo um dos priores leitores do planeta, bem abaixo de muitos países latinos. Nunca ganhamos um Nobel da Literatura, apesar de grandes autores.

Monteiro Lobato já dizia que um país se constrói com homens e livros. Ainda está longe de isso acontecer. Temos mais de 200 milhões de habitantes com poucos livros nas mãos. O professor Walber Gonçalves de Souza escreveu certo dia que somos uma nação de pouquíssimos leitores, uma média de livros lidos por pessoa bem abaixo daquilo que deveria ser um padrão aceitável em relação aos países desenvolvidos.

Ele lembra que os índices nacionais e mundiais que apontam a qualidade da nossa educação, sempre colocam o Brasil numa posição vergonhosa e triste. Uma pesquisa detectou que a maioria dos professores não incentiva seus alunos a serem docentes. Os motivos são vários, como falta de reconhecimento social, condições de trabalho, indisciplina dos alunos, entre outros. A sociedade prefere manter-se na ignorância e na obscuridade. Não quer saber do conhecimento. Prefere o fútil consumismo.

Walber faz uma Alegoria da Caverna de Platão, dizendo que nossa sociedade dá sinais de que prefere manter-se no mais profundo breu das cavernas e disposta a matar quem desejar apresentar a luz. Ser professor virou chacota e descaso por parte das políticas públicas. Transformou-se em profissão medíocre que não atrai jovens. O melhor mesmo é cultivar a ignorância.

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A PREPOTÊNCIA E A BURRICE ELEGERAM O BOLSONARO PRESIDENTE

Um capitão da reserva, deputado federal do chamado baixo clero, sem muita expressão, a não ser através de suas polêmicas de extrema-direita, virou um fenômeno de massa, um mito, e tornou-se domingo (dia 28/10) no presidente do Brasil, graças à prepotência da cúpula do PT e a burrice na votação do primeiro turno quando Ciro Gomes era apontado nas pesquisas para o segundo turno como o único que poderia derrotar qualquer candidato, inclusive os dois que ficaram para a final da disputa eleitoral.

Esses dois fatores e mais a corrupção que levou o país a mergulhar numa crise ética e moral, sem precedentes, formaram o conjunto da obra que deu a vitória a Bolsonaro, ou Bolzonaro de família italiana de Anguillara, com as palavras de ordem, pátria, família e Deus no arrastão dos evangélicos e conservadores. Na verdade, a corrupção não foi só do PT, mas o partido foi o carro-chefe que irritou os brasileiros pelo seu orgulho e bravatas do seu líder maior em não fazer uma autocrítica, uma mea culpa. Mais uma vez, não pensaram no Brasil, mas exclusivamente no poder.

Primeiro foi o fora Dilma com o impeachment e o apoio a Temer, o mordomo de Drácula, que castigou os trabalhadores e cortou programas sociais com as reformas fiscal e trabalhista. Os desmandos continuaram, os 13 milhões desempregados não voltaram ao mercado, a falta de segurança piorou e o novo presidente foi indiciado em atos de corrupção. Os bate panelas ficaram calados e agora voltaram para eliminar o PT do poder.

Faltou humildade e sobraram provocações de há muito, do tipo “é nós contra eles” e até ameaças de luta armada caso perdesse o poder e seu chefe maior fosse preso. Com seu estilo agressivo em seus discursos de palanque, o próprio Lula perderia essas eleições se a ele fosse dada a liberdade e o direito de se candidatar. Talvez até com diferença maior. Como resposta, numa espécie de vingança e rancor reprimidos, o outro lado do eleitorado preferiu o outro, ainda mais ofensivo nas palavras.

Nunca uma eleição no Brasil foi tão carregada de ódio, intolerância, violência e fake news. A maior vítima foi a verdade. Bem antes do Bolsonaro se declarar postulante ao cargo, a esquerda, intelectuais, artistas e muita gente não acreditavam que ele se elegeria, que a extrema-direita e o retrocesso teriam voz. A facada no dia 6 de setembro o beneficiou e fez crescer mais ainda a revolta contra o PT. O sentimento de raiva transbordou.

As redes sociais ajudaram o candidato, mas o esquema de repúdio e revolta já estava armado para eleger o presidente que bate continência para a bandeira dos Estados Unidos, que tratou os quilombolas de animais pesos pesados por arrobas, xingou mulheres de vagabundas que não serviam nem para serem estupradas, defendeu a ditadura e a tortura, falou em banir os vermelhos, disse que preferia um filho morto a ser gay, elogiou o torturador Carlos Brilhante Ustra e fez até apologia à violência na base de todos armados.

No segundo turno apareceu o Bolsonaro bonzinho vítima da facada de um aloprado, defendendo a liberdade de expressão e de cada um ter o direito de ser o que quiser, uma imprensa livre, a Constituição e a democracia, mais benefícios para o Bolsa Família que ele tanto criticou, os homossexuais, a união de todos e um governo de conciliação. Até desculpou-se, coisa que o PT não fez e continua no mesmo tom, de ter falado tantas bazófias no calor das discussões. Desapareceu a pregação fascista e raivosa para dar lugar a ideias, de certo modo, até progressistas. Virou o candidato da “esquerda”.

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OS JUMENTOS HUMANOS ESTÃO ACABANDO COM OS JEGUES DO SERTÃO

Cantado em prosas e versos por repentistas, trovadores e muitos outros artistas, inclusive pelo grande Luiz Gonzaga, o jegue até transportou o menino Jesus no deserto até o Egito, para livrá-lo da perseguição de um rei. Pode-se até dizer que se trata de um animal sagrado.

Há uns 40 a 50 anos na Bahia os sertanejos viviam apreensivos com os caçadores de jegues que eram apanhados nas estradas, ou comprados nos pastos secos por preços irrisórios, para serem levados a um abatedouro de jumentos, burros e cavalos, instalado em Senhor do Bonfim, no norte do estado. Se não me engano, as carnes, as vísceras e os couros eram exportados para o Japão ou para a China. Como jornalista cheguei a fazer uma reportagem sobre o caso.

Lembro que um desses atravessadores, tipo corretor de jegues, esteve no terreno do meu pai fazendo uma proposta indecente de compra para levar seu animal, que tanto nos servira para carregar mandioca na roça e transportar a farinha para a feira da cidade de Piritiba. Meu pai, como se diz no popular, virou uma fera co0ntra o chamado holocausto do jegue e escorraçou o sujeito da porta na ponta da faca. Saiu correndo sem olhar pra trás.

Meu pai tinha uma grande estimação e dever de gratidão pelo jumento, como se fosse um ente irmão que sempre ajudou no sustento da família, trabalhando dia e noite. Ficou revoltado com a ação das matanças indiscriminadas e jurou que seu jegue morreria caduco de velho em seu pasto, e assim aconteceu. Foi um gesto de amor e reconhecimento.

Nas feiras das cidades e nos povoados do interior, eles tinham até currais de recolhimento, enquanto o sertanejo ia vender suas mercadorias e fazer suas compras. Cada um trazia os seus jumentos carregados de farinha, frutas, verduras e cereais, e retornavam para suas casas montados neles, proseando e contando causos no ritmo da lentidão do tempo, na base do trote vagaroso. Eram bem tratados e cada um valorizava e preservava seu bichinho.

Este holocausto dos jumentos perdura até hoje, e pouco se tem feito para evitar esta barbaridade dos humanos jumentos. Por muito tempo o jegue é um símbolo do Nordeste e está na hora de se criar um movimento para evitar seu desaparecimento, como existem as sociedades, os grupos e as ongs protetoras das baleias, das tartarugas, das araras, dos papagaios, dos cachorros e de outros animais para evitar suas extinções na terra.

São ações válidas, mas o pobre do jegue, por ser também chamado de jumento, de burro imbecil, não merece a mínima atenção dos ambientalistas. É como se essa espécie fosse considerada de classe inferior imprestável, de pouca importância para a preservação ambiental, substituída pelas máquinas dos cavalos de aço motorizados. Ninguém no campo quer mais saber do jumento, e em pouco tempo só vai ser lembrando pelas novas gerações através de fotos. Enquanto isso, prolifera a raça dos humanos burros jumentos que primam pelo ódio e a intolerância.

Passados os anos, a sociedade capitalista avarenta irracional continua exterminando os nossos inocentes animais da espécie, que por séculos serviram o nordestino no transporte de cargas. Como sempre, esses gananciosos do lucro agem como jumentos animais levando os outros mais nobres inofensivos para o abate, sem contar as crueldades praticadas contra esses bichos antes de entrarem nos matadouros da morte.

Há algum tempo a carne passou a ser exportada, o que aumentou o risco de extinção. Na Bahia, por exemplo, foi autorizado pelo governo o abate em Miguel Calmon, Amargosa e em Itapetinga onde, nesta cidade, se constatou a prática de terríveis maltratos por parte de uma empresa da China. Ninguém mais falou do assunto.

Para reforça a luta em defesa desses animais foi instalada em 2016 a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, que promoverá em 25 de novembro, atos em várias cidades do Brasil, inclusive em Salvador. Medidas similares devem ser multiplicadas como no Ceará onde criaram “santuários”, áreas destinadas a abrigar os jegues que são abandonados pelos donos e vagam pelas margens das rodovias, passando fome e morrendo atropelados.

 



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