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PARA AONDE VOU?

Poema mais recente do jornalista e escritor Jeremias Macário

Como um navegante solitário,

Nesse cenário controverso,

Vou viajando em meu universo,

No galope do meu cavalo,

Como um vassalo do vento,

Sem pensar no senhor rei tempo,

Com meu jeito estúpido de amar,

Roendo a corda e consumindo alento,

Sem acreditar que existe outro lar.

 

Nem imagino para aonde vou,

Cantando pneus entre as curvas,

Vou pegando as enfadonhas retas,

Até o infinito monte do horizonte,

Na ânsia de alcançar as tais metas,

Mesmo quando as vistas ficam turvas,

Nesta comichão de tantos insumos,

De juras entre os diabos e os deuses,

Nas encruzilhadas de vários rumos,

Ouvindo a viola do cancioneiro poeta,

Que em seu peito rasga o verso profeta,

Sobre a vida nesse capital de esmola.

 

Vou viajando por aí sem destino,

Como mais um retirante nordestino,

Na busca da verdade e da razão,

No conflito teórico da classe marxista,

Entre o ateu da direita ao esquerdista,

Entre a ciência e a fé na religião,

Vou indo como chama da liberdade,

Outras vezes como tocha apagada,

Como um todo, como um nada,

Nesse deserto do camelo beduíno,

Com minhas lembranças de menino.

 

Para aonde mesmo eu vou?

Não importa, se tiver uma porta,

Para sacodir a sujeira da poeira,

Dessa breve vida incerta estradeira.

 

 

POR UMA CÂMARA MAIS FORTE

Volto a insistir que Vitória da Conquista, com cerca de 350 mil habitantes e a terceira maior cidade da Bahia, merece ter uma Câmara de Vereadores (21 parlamentares) mais forte, mais preparada, representativa e não tão submissa ao poder executivo como é atualmente. Como ela hoje está composta, é uma vergonha em se tratando da importância e do tamanho do município no contexto do estado, do Nordeste e até a nível nacional.

Para haver uma mudança nesse quadro, que considero negativo, não basta que haja uma renovação acentuada de seus membros, mas que se eleja candidatos imbuídos do seu papel como legisladores e fiscalizadores do prefeito, e não que simplesmente digam amém porque é do mesmo partido. O parlamentar tem que entender que ele foi eleito pelo povo e só ao povo tem que dar satisfação.

UMA CÂMARA FRACA

Além do número exagerado por conta do sistema arcaico político brasileiro, a Câmara de Conquista é fraca em todos os sentidos, e isso é uma constatação geral da população que quer ver mais atuação em termos de criação de projetos de lei, e representantes com melhor nível de instrução. Não se trata de discriminação com relação a “A” ou a “B”, mas de se cobrar do vereador, assim como do deputado, que ele tenha uma formação razoável de conhecimento intelectual.

Não queremos um legislativo municipal apenas para formular indicações, defender seus lotes, ou redutos eleitorais, como nos velhos tempos do coronelismo, e fazer moções de aplausos, muitas das quais desmerecidas, com cunho de bajulação. Carecemos de uma Câmara que pense mais alto em termos coletivos, e tenha mais conteúdo para propor leis e aprovar, ou desaprovar projetos, mesmo que contrarie o executivo de seu partido.

Temos uma Casa que há anos é viciada no assistencialismo (nem todos), cujos representantes estão lá por quase 40 anos, num sistema por demais atrasado, onde o seu eleitor se tornou um escravo do voto por causa de todo tipo de favor e ajuda que recebe do “seu vereador”. É um tipo de servidão que se repete de quatro em quatro anos, e isso vai passando de geração em geração.

BAIXO NÍVEL DE EDUCAÇÃO

Infelizmente, essa situação calamitosa tem muito a ver com o baixo nível de educação e de cultura do nosso eleitor em geral, e isso não acontece somente em Vitória da Conquista, mas em todo Brasil. As profundas desigualdades sociais também contribuem para que esse esquema se perdure.

No geral, a nossa gente tem dado pouco valor para o papel da Câmara em sua cidade e termina elegendo pessoas despreparadas (até analfabetas), só porque o cara é seu amigo, compadre, “gente boa”, “bom de papo”, ou que um dia lhe fez um favor, e não analisa o outro lado, se ele tem condições, ou não, de exercer a função de um vereador.

Portanto, qualifique mais seu vota na hora de votar em seu vereador que irá lhe representar e ser a sua voz no legislativo. Durante a campanha eleitoral, como agora, muitos apresentam propostas genéricas, muitas das quais de competência do prefeito, numa inversão clara de valores. A maioria não tem foco.

Claro que a ética, a seriedade e a honestidade contam bastante no candidato, mas, além desses requisitos prioritários, ele tem que ser uma pessoa com um bom currículo em sua vida, inclusive no sentido escolar. É lamentável, mas esses pontos não têm sido considerados na hora do voto porque temos um eleitorado que deixa muito a desejar em termos de instrução e conscientização política.

OS BÁRBAROS DA CULTURA E DO MEIO AMBIENTE

Eles estão avançando e destruindo nossa cultura, nossas florestas, nossos campos, nossos rios, nossos animais, nossos lares, nossa liberdade, nossos centros de pesquisas e nada fazemos para impedir toda essa insanidade. A história um dia vai nos julgar e nos condenar como cúmplices desses crimes de lesa-humanidade.

Rasga em meu peito a dor de ver a nossa cultura e o meio ambiente sendo tratados em meu país como quinquilharias que não têm muita serventia para o ser humano. Como lixos descartáveis, um está sendo visto como instrumento perigoso, coisa de esquerdista comunista, e o outro como meio que pode ser desmatado e queimado para virar lucro para os capitalistas. Este cenário de retrocesso entristece o cidadão, e faz perder o orgulho pelo seu Brasil.

Rasga em meu peito a dor em ver o nosso patrimônio material e imaterial sendo aos poucos destruído por um governo de bárbaros que abrem a boca para falar em “Deus, Pátria e Família”, mas pisoteiam a nossa cultura, envergonham o nosso país lá fora, com imagem de atrasados, e tomam atitudes de intolerância contra homossexuais, negros e outras categorias excluídas há séculos, negando a própria existência de um Supremo uno para todos.

QUAIS VALORES?

Que valor de pátria é esse em que ela está sendo humilhada e submissa por uma potência em decadência? Tudo isso só pode ser psicopatia! De que família eles estão falando? Da rosa e da azul? Da família que é desajustada se nela houver um filho gay? Que cultura esses bárbaros querem nos impor e implantar em nossas cabeças? A do preconceito e a da discriminação? De quais valores eles estão falando?

Rasga em meu peito a dor em ver a nossa cinemateca, o orgulho nacional da história do nosso cinema e da nossa gente, sendo abandonada como um depósito de tralhas velhas que podem ser jogadas na fogueira do ódio. Seus arquivos estão sendo consumidos pelas traças e os cupins. Pelo desleixo e irresponsabilidade, há pouco tempo foi-se o nosso Museu Nacional, riqueza cultural de uma nação, destruído pelas labaredas do fogo.

Rasga em meu peito a dor em ver livros sendo queimados porque seus autores se tornaram críticos do governo bárbaro neofascista, ou porque seus escritos, na concepção dos negacionistas da ciência e da vida, são “imorais” e não devem ser lidos porque expressam ideologias diferentes. Doe muito ver a propaganda do desestímulo à leitura, e o menosprezo pelo conhecimento e pelo saber.

Em toda a minha vida, nunca imaginaria ver as linguagens artísticas e os artistas de um modo geral, almas de qualquer nação, sendo apagados pela borracha maldita da ignorância, sem o devido apoio para seus trabalhos. Um teatro, um cinema, um espaço cultura, uma biblioteca ou uma livraria que fecha sua porta é como mais uma luz que se apaga e nos leva à escuridão. Representa a volta para um período medieval.

Doe muito um casarão antigo ruir pelo desgaste do tempo e, em seu lugar, erguer um templo do capital. As pessoas parecem que estão anestesiadas pelo invento da tecnologia das redes sociais e perderam o sentimento pela cultura. Não mais importam que suas liberdades de expressão sejam ameaçadas pelos bárbaros que invadiram as nossas casas, para enaltecer a homofobia, o racismo e a violência.

Primeiro castraram a educação para que o povo ficasse inculto e a viver no limbo da ignorância. Assim é bem mais fácil ser manipulado e usado como inocente útil, como massa de manobra. Poucos ainda estão posicionados na trincheira da resistência para que a nossa cultura não seja sepultada no cemitério dos esquecidos. Os que ainda lutam, são isolados e discriminados como doentes infecciosos, ou malucos que devem ser internados num manicômio.

O MEIO AMBIENTE ARDE

Assim como a cultura, rasga em meu peito a dor de ver o intestino, as tripas e todos os órgãos do nosso meio ambiente sendo extirpados pela ação dos bárbaros, que querem arar mais terras para nelas expandir suas plantações de grãos e fazer mais pastos para criação de gado. Tudo vale para vender mais soja e carne para o exterior.

Rasga em meu peito a dor de ver o Pantanal e a Amazônia arderem em chamas até serem transformarem num deserto seco, como o Saara africano que há milhares de anos era uma terra produtora de alimentos e abundante em água e animais. Querem tornar o Pantanal num Iraque desértico de hoje onde há 8.000 anos a.C. foi a Mesopotâmia do Crescente Fértil, celeiro agrícola dos sumérios e dos babilônios para todo o mundo.

Rasga em meu peito a dor de tanto ver todos os dias animais silvestres sendo sapecados pelas labaredas assassinas dos homens incendiários da natureza, com o intuito de ganhar mais dinheiro. Os bárbaros pretendem ainda acabar com as restingas e os manguezais para neles montarem suas fazendas de peixes, ou construírem seus balneários.

Com suas máquinas destruidoras, suas metralhadoras e seus fuzis, os bárbaros expulsam os índios de suas reservas para nelas extrair metais com o veneno do mercúrio e outros produtos tóxicos que matam e secam os rios das florestas. Temos hoje uma nação de olhos omissos que se fazem de cegos e não reagem contra a barbárie de um governo que não veio para construir, mas para destruir.

Diante de toda essa barbaridade, ainda saem pregando por aí o lema de “Deus, Pátria e Família”, como se fosse uma boa nova de salvação contra o que eles chamam de “comunistas traidores”. Para os bárbaros, os demais são os “inimigos da fé”, por não concordarem com lunáticos do fanatismo religioso moralista, que escondem suas sujeiras em quatro paredes.

 

 

 

 

AS CULTURAS DOMESTICADAS E AS LÍNGUAS ANCESTRAIS DA ÁFRICA

De acordo com o pesquisador Jared Diamond, as culturas da África Ocidental foram domesticadas primeiro. Depois vieram as da Indonésia e, por último, as dos europeus. O historiador Christopher Ehret empregou a abordagem linguística para determinar a sequência em que as plantas e animais domesticados foram utilizados pelos povos de cada família linguística africana.

Em sua dedução científica, Diamond escreve em seu livro “Armas, Germes e Aços”, que os povos que estavam domesticando sorgo e milhete no Saara milhares de anos atrás, falavam as línguas ancestrais das línguas Nilo-saarianas modernas. As evidências permitem ter uma ideia da existência de três línguas, como a Nilo-saariana, nigero-congolês e afro-asiática. A África abriga hoje 1.500 línguas, incluindo a língua austronésia de Madagascar.

ÍNDIA E EGITO à COSTA DA ÁFRICA

Há milhares de anos, segundo um observador comerciante, existia um próspero comércio marítimo que ligava a Índia e o Egito à costa da África Oriental. Com a expansão do Islã, depois de 800, o comércio no Oceano Índico passa a ser arqueologicamente bem documentado por grandes quantidades de produtos como cerâmica, vidros e porcelana do Oriente Médio e da China, encontrados em povoações no litoral da África Oriental

Quando o navegante português Vasco da Gama, tornou-se o primeiro europeu a contornar o cabo sul da África, alcançando a costa do Quênia, em 1498, encontrou povoações swahilis dedicadas ao comércio, e levou um timoneiro para guiá-lo naquela rota direta para a Índia. Havia um comércio intenso entre a Índia e a Indonésia.

A África Subsaariana nem sempre foi um continente negro, como pensamos hoje. Os pigmeus espalhavam-se pela floresta tropical da África Central, enquanto os coissãs se localizavam nas áreas secas da África Subequatorial. Em Zâmbia, no norte da zona ocupada pelos coissãs, os arqueólogos acharam crânios de humanos semelhantes aos coissãs modernos, assim como ferramentas de pedra parecidas com aquelas que eles ainda estavam fazendo a época em que os europeus chegaram à África Meridional.

A OCUPAÇÃO DOS BANTOS

Como os bantos tomaram o lugar dos coissãs do norte, indícios sugerem que a expansão dos ancestrais dos agricultores desse povo das savanas no interior da África Ocidental para o sul, em sua floresta litorânea mais úmida, pode ter começado por volta de 3.000 a.C. Os bantos criavam gado e mantinham culturas, como o inhame. Não conheciam o metal e ainda se dedicavam muito à caça, à pesca e à coleta. Á medida que os bantos se espalhavam pela zona da floresta equatorial da bacia do Congo, faziam hortas e aumentavam em quantidade. Começaram a subjugar os pigmeus caçadores-coletores.

Na África Oriental, os bantos obtiveram o milhete e o sorgo, bem como o gado bovino de seus vizinhos nilo-saarianos e afro-asiáticos. Os historiadores quase sempre acharam que o conhecimento da metalurgia chegou à África Subsaariana a partir do norte. Por outro lado, a fundição do cobre já era feita no Saara e no Sael, desde 2.000 a.C.

Os ferreiros africanos descobriram como conseguir temperaturas nos fornos de suas aldeias e fabricar aço mais de 2000 antes dos fornos do inventor inglês Henry Bessemer, no século XIX, na Europa e na América. Quando aprenderam a usar o metal, os bantos formaram um pacote militar-industrial insuperável na África subequatorial.

Em poucos séculos, num dos avanços mais rápidos da pré-história, os agricultores bantos tinham limpado todo caminho até Natal na costa oriental da África do Sul. Segundo o pesquisador, certamente foram estabelecidas relações comerciais e de casamento entre os coissãs e os agricultores bantos. No entanto, sempre os bantos ocuparam a maior parte do espaço anterior dos coissãs.

Os povos bantos do extremo sul, os xosas, foram até o Rio do Peixe, na costa sul da África do Sul, 800 quilômetros a leste da cidade do Cabo. Em 1652, ano em que os holandeses chegaram à cidade do Cabo, trazendo suas culturas adequadas às chuvas de inverno originárias do Oriente Próximo, os xosas ainda não haviam ultrapassado o Rio do Peixe.

OS BRANCOS E OS XOSAS

Depois que os brancos sul-africanos mataram, contaminaram ou expulsaram as populações coissãs do Cabo, eles podiam alegar que haviam ocupado o Cabo antes dos bantos, e assim reivindicar direitos anteriores. Embora os europeus pudessem abastecer suas tropas através do Cabo, foram necessárias nove guerras e 175 anos para que seus exércitos subjugassem os xosas.

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UMA LEGISLAÇÃO DESIGUAL E INJUSTA

Volto aqui a bater na mesma tecla quanto a necessidade urgente de uma ampla reforma política para colocar o Brasil nos trilhos do desenvolvimento e até extirpar do nosso convívio o câncer da corrupção. A atual legislação eleitoral é desigual, desleal e sempre protege os mais fortes e àqueles que usam a máquina do poder para se reelegerem.

Uma situação bem discrepante é com relação ao tempo de propagando nas redes de televisão e rádio, onde os partidos de maior representação ocupam um espaço bem superior aos pequenos. Pode até haver uma lógica matemática nisso, mas não é justo, porque o tempo é pago pelo contribuinte e o bolo deveria ser dividido em partes iguais, não importando o tamanho da legenda.

ELEIÇÕES E AS DESIGUALDADES SOCIAIS

Eu comparo a propaganda eleitoral no Brasil nas emissoras com o quadro de profundas desigualdades sociais onde o país desponta como o campeão no mundo nesse aspecto. Com essa desproporção absurda, como um candidato sério e competente de boas intenções de um partido pequeno pode disputar uma eleição com outro grande, ou com aquele que já está no poder e usa o aparelho público a seu favor? Este é mais um fator para que não haja mudanças na política, e a nossa democracia continue sem a solidez desejada por todos.

Alguém aí pode dizer que existe um monte de partidos desnecessários no Brasil, um número muito excessivo que pode ser cortado pela metade, ou mais que isso. Concordo plenamente, e isso pode ser feito através de uma reforma política, como já me referi em outras ocasiões. Apenas afirmo que um erro não justifica o outro. No conjunto, o sistema imposto é imoral e favorece as artimanhas da corrupção no caixa 2 e outros malfeitos.

Como nas outras, esta desigualdade ocorre na eleição para prefeito e para o legislativo também, no caso específico das câmaras de vereadores, onde praticamente os mesmos continuam sendo reeleitos por muitos anos (parlamentares já estão lá por mais de 30 anos), com uma Casa velha, ultrapassada e sem a devida representatividade, como acontece em Vitória da Conquista.

AS LIVES NÃO SÃO BEM APROVEITADAS

Com a pandemia da Covid-19, nasceram as lives como mais uma forma de comunicação entre as pessoas isoladas, e também usadas para reuniões de trabalho, seminários e debates de uma maneira geral. Como outros meios de interação da internet, acontece que este instrumento não tem sido bem aproveitado como deveria, levando a certas banalizações. Como diz um amigo meu de Fortaleza (Ceará) a live é uma coagem e muitas saem com ruídos no áudio, sem contar que virou uma mania.

Mesmo assim, a live é bem mais autêntica nas entrevistas jornalística porque o entrevistado está mostrando sua cara, diferente das coberturas por e-mail (caiu em desuso) e pelas redes sociais. Não há dúvida que é mais uma maneira de evitar o contato pessoal diante da possível contaminação pelo coronavírus.

Nestas eleições, as lives viraram uma febre como meio do candidato se apresentar para seu público, mas a grande maioria termina sendo cansativa, enfadonha e monótona por ser longa demais, com temas mais de ordem nacional do que regional. Com isso, cai o interesse do participante internauta, visto que a grande maioria prefere ficar navegando de canal em canal de site em site e de foco em foca.

O eleitor local, como no caso particular de Vitória da Conquista, quer ouvir propostas para sua cidade, e o que o candidato pretende fazer se for eleito, tanto no caso do legislativo, como do poder executivo. No lugar disso, a maioria ideologiza demasiadamente os temas, e passa o tempo fazendo críticas aos seus adversários de partido.

Faltam nas lives, mais foco e objetividade nas discussões. Muitos, com suas vaidades, procuram mais exibir seus conhecimentos teóricos que ninguém está a fim de ouvir. Um candidato a vereador, por exemplo, deve se centrar no seu papel fundamental como legislador e fiscalizador do executivo, e não ficar divagando em ações de competência da prefeitura.

Assuntos como projetos de lei para a cidade, a realidade da nossa Câmara como representante da comunidade, seu nível de conteúdo e as principais prioridades da cidade são pouco focalizados. A discussão tem que ser, exclusivamente, em torno dos nossos problemas locais, no sentido de que haja mais atração e interação do público pela live.

 

ESQUECERAM DO “VELHO CHICO”!

É, meu “Velho Chico”, faz um ano que estou aqui sem poder ir lhe fazer uma visita, como sempre faço duas vezes no período de 12 meses! A pandemia da Covid-19 impediu que eu viajasse até ai para sentir de perto seu leito mais encorpado com as águas das chuvas que caíram em suas cabeceiras. Ainda bem que, com todos percalços e desventuras, São Pedro mandou chover e lhe tirar da UTI em que se encontrava com a sequidão! Com mais água correndo em suas margens, ninguém fala mais de suas necessidades de revitalização, principalmente com este governo da morte que quer destruir o meio ambiente. Apesar de paradoxal, quando batem as águas, todos esquecem de você, inclusive a nossa mídia, e só voltam a citar seu nome quando seu leito se encontra em estado terminal de penúria. As águas sobem, e aí eles acham que está tudo resolvido, até que venha outra temporada de estiagem.  Nessas épocas, todos começam, falsamente, a lamentar suas perdas e o seu prenúncio do fim, desde os ribeirinhos, ambientalistas, pescadores e os que curtem sua orla nos momentos de lazer e prazer. Quando você está cheio, eles só querem aproveitar suas riquezas e belezas, sem se preocupar em lhe preservar das depredações. Os seres humanos são assim mesmo, muito ingratos! Querem mais receber do que doar, não sabendo que o tempo de desgaste pode acabar de vez com sua exuberância e abundância. Ai, não adianta mais chorar!

EU ESTAREI LÁ!

Poema mais recente do jornalista e escritor Jeremias Macário

Quando se abrirem as fronteiras,

As pedras das muralhas caírem,

Para cada um construir o seu lar,

Que a guerra facínora fez ruína,

De falsas juras de altas torturas,

Eu estarei lá só para te ajudar.

 

Quando teu ser perdoar meu ser,

E o sonho de uma igualdade una,

Preencher essa oca vazia lacuna,

Do existir sem o sentido de viver,

Eu estarei lá só para te amar,

 

Quando você estiver triste e depressivo,

Andar por aí como se fosse morto-vivo,

Isolado pela sua raça, gênero e nação,

Nesses oceanos de predadores humanos,

Num caminho escuro, sem um futuro,

Eu estarei lá para clarear tua  razão.

 

Quando a fome roncar pra ladrão,

Minha fina viola nordestina sonora,

Vai rogar ao Pai e a Nossa Senhora,

Pra do alto mandarem o teu manjar,

E eu estarei lá para entoar uma canção.

 

Quando tudo for ódio e intolerância,

Os brutos te negarem a fé e a ciência,

Trocarem a semente da cura pela dor,

Com esse tóxico veneno da ganância,

Eu estarei lá para te dar minha flor.

 

Quando não houver porta de saída,

Não mais tiver esperança na lida,

Mesmo com a volta da paz e calmaria,

Tentar abandonar a tua amada Maria,

Eu estarei lá só para te levantar.

 

 

 

 

 

VALE TUDO POR MAIS QUATRO ANOS

Carlos A. González – jornalista

Parabéns, prefeito! Vitória da Conquista – na verdade, sua administração – acaba de ganhar mais uma medalha (de latão), ao ser incluído entre os quatro municípios – os outros são Indaiatuba (SP), Uberaba (MG) e Fortaleza (CE) – que apresentam os índices de contaminação da covid – 19 mais altos do país. A possibilidade de ficar mais quatro anos num emprego agradável transportou Herzem Gusmão para outra galáxia, onde todos gozam de ótima saúde. Esse mimo também é cobiçado por 295 gestores dos 417 municípios baianos. Entre os mais de 500 mil – um recorde – candidatos a vereador, 80% deles buscam um novo mandato, ou seja, continuar na “doce vida”

O quê há de comum entre Donald Trump, Jair Bolsonaro e Herzem Gusmão?  Pergunta fácil: todos eles priorizaram, neste trágico ano de 2020, o instituto da reeleição, hoje condenado, no Brasil, pelo seu mentor intelectual, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Simplesmente, não deram o suporte necessário para o combate ao vírus, que facilmente se propagou, tirando a vida de milhares de brasileiros e norte-americanos.

Os dois presidentes e o prefeito criaram uma espécie de corrente, cada um usando métodos diferentes, mas com o objetivo de se manterem no poder. Os elos desse grilhão, que une Washington, Brasília e Vitória da Conquista, só podem ser quebrados pelos eleitores, utilizando a força do voto.

Herzem Gusmão, o elo mais frágil dessa corrente, cometeu nos últimos nove meses o erro de acompanhar os passos do presidente Bolsonaro  no enfrentamento da crise sanitária, privilegiando a economia em prejuízo da saúde da população mais pobre. Liberou totalmente as atividades comerciais, mostrando, claramente, que estava agindo em benefício do seu eleitorado: o empresariado, que pôs uma das suas lideranças, a presidente da CDL local, na chapa situacionista.

Nesses oito meses de dor e sofrimento, Estado e município travaram uma guerra de palavras, que já é do conhecimento de todos.  A última batalha se deu há poucos dias. Diante das taxas de transmissão do vírus em Conquista, superiores às do Estado, o secretário estadual de Saúde, Fábio Vilas-Boas manifestou sua preocupação, declarando que “é lamentável que o prefeito não tome nenhuma providência para combater o coronavírus. A cidade está abandonada do ponto de vista de dosagem. Nós temos oferecido o RT-PCR (método usado para detectar o vírus) para utilização em toda a região, mas a prefeitura não tem feito a parte dela”.

A prefeitura não respondeu até o momento. Também tem se mantido em silêncio sobre a vacina, não acompanhando o presidente Balsonaro na sua caótica condução da emergência sanitária. Há poucos meses Herzem se deixou levar por decisões ilusórias vindas do Planalto: incentivo às aglomerações, críticas ao uso de máscara, negação ao distanciamento social e prescrição da cloroquina, medicamento que abarrota o almoxarifado municipal.

Nesse afã de permanecer no poder, Herzem cometeu deslizes, punidos com multas pela Justiça Eleitoral, entrou em rota de colisão com os professores da rede municipal, que ameaçam denunciá-lo à Organização Internacional do Trabalho (OIT). Por fim, foi acusado de estar usando a estrutura do Hospital Esaú Matos em troca de votos

“O trabalho deve continuar”. O slogan da campanha da chapa situacionista tem levado moradores da periferia e da zona rural a perguntar: “Que trabalho?”. Convivendo com a poeira e a lama, eles reclamam do fechamento de escolas, da falta de médicos e medicamentos nos postos de saúde, da ausência de saneamento básico, do transporte coletivo inconstante. Quando muito, com a chancela de algum vereador, a rua do desvalido ganha um maldito quebra-mola, uma praga que se alastra por toda a cidade.

Revolta da Vacina

Trinta mortos, 110 feridos, 945 presos na Ilha das Cobras e 461 deportados para o longínquo Acre. Este foi o saldo da Revolta da Vacina, um motim popular ocorrido no Rio de Janeiro entre 10 e 16 de novembro de 1904. Um grupo de militares do Exército tentou se aproveitar do clima de anarquia para invadir o Palácio do Catete, sede do governo federal, sendo repelido pelas tropas leais ao presidente Rodrigues Alves (1848-1919).

A rebelião foi associada à obrigatoriedade da imunização contra a varíola, a peste bubônica e a febre amarela, doenças infecciosas, causa das mortes dos moradores das áreas mais pobres do Rio. Os insurgentes e negativistas interpretaram o ato imperativo presidencial, executado pelo sanitarista Oswaldo Cruz (1872-1917), como uma invasão de privacidade.

Estamos vivenciando hoje uma conjuntura parecida com a de 1904, com variantes diferentes. No começo do século passado o Brasil era governado por um estadista, um líder político, que exerceu seu mandato, segundo os historiadores, sem a influência de partidos e ideologias. A firmeza de caráter de Rodrigues Alves não é uma característica dos políticos atuais.

Os que não aprovam a vacinação, obrigatória ou não, contra a Covid-19, são os ideólogos do fascismo, devotos de Jair Bolsonaro. São os insanos que manifestam nas redes sociais a repulsa a tudo que vem da China, inclusive a vacina, ignorando que o país asiático é o maior comprador do que produzimos.

Quando 160 mil brasileiros já morreram, vítimas do coronavírus, pesquisa feita pela revista científica Nature revela que 83% dos brasileiros aguardam ansiosos a chegada de uma vacina, independente do país fabricante.

O Brasil é uma referência mundial em imunização. O Instituto Butantã e a Fundação Oswaldo Cruz, responsáveis pelos programas de testes, gozam da confiança da maioria da população. Anualmente, os dois respeitáveis laboratórios produzem mais de 300 milhões de doses de vacinas contra dezenas de doenças.

O primeiro rompimento na corrente deve acontecer no próximo dia 3, quando será conhecido o futuro presidente dos Estados Unidos. As pesquisas mostram uma ligeira vantagem do democrata Joe Biden. O sistema eleitoral americano é complexo, porque nem sempre o voto popular prevalece sobre dos delegados democratas e republicanos – no pleito de 2016, líder em todas as pesquisas, Hillary Clinton, com 3 milhões de votos a mais, perdeu para Trump.

 

COMO A MÍDIA NUTRE OS BRUTOS EXTERMINADORES DO NOSSO FUTURO

O politicamente correto (uma linha ilusória e subjetiva) e as ações humanistas do bem não têm tanto espaço na mídia como as declarações dos brutos exterminadores do futuro quando mostram suas garras contra o meio ambiente, contra as conquistas da igualdade de gênero e raça e, de um modo geral, descarregam suas raivas homofóbicas, xenófobas e racistas, incitando a violência e atentando contra a vida.

Para estarem sempre em evidência, usando a controvérsia, os extremistas de plantão, como o Trump e seu filhote no Brasil, só para se situar nesses exemplos, usam diariamente as ferramentas dos veículos de comunicação (redes sociais, jornais, rádios e televisão) para permanecerem sempre visíveis e ganhar notoriedade popular. O mal tornou-se alimento principal dos brutos porque sabem que serão bem mais recompensados e chamam mais a atenção andando na contramão.

MAIS QUESTIONADORA

A mídia precisa ser muito mais questionadora em suas publicações, principalmente nesta era dos ultraconservadores onde muitas nações, através de seus representantes totalitários, optaram em adotar posições retrógradas, como ocorreu recentemente com a declaração extremista de países (o Brasil participou da lista junto com os Estados Unidos), mostrando suas presas homofóbicas em nome da família, da pátria e da vida.

Com seus factoides e mentiras, que vão se tornando verdade para o povo, Donald Trump comanda o extremismo e bate de frente contra a imprensa porque sabe que, com suas polêmicas, é evidência cotidiana confirmada e tem seus dividendos com mais acompanhantes, admiradores e apoiadores. Com suas atitudes masoquistas, sempre estão com suas tiradas tiranas contra a humanidade.

O Brasil tem o seu representante que reza em sua cartilha, desprezando o meio ambiente, tratando a Covid-19 como uma “gripezinha”, ideologizando a vacina e até incitando o povo para não a tomar. Ele segue o mesmo método bruto de xingar a imprensa e os jornalistas, até com ameaças veladas, para histerismo de seus seguidores da morte. E assim ele vai ganhando seu espaço na galeria dos estúpidos, soltando seus petardos em nome da “família, da vida e da pátria”.

São os exterminadores do futuro que vão conquistando seus avanços, dizendo para seus povos que esse é o caminho correto de uma boa moral, a qual para eles está degradada, mesmo discriminando, cortando direitos humanos, oprimindo, censurando a liberdade de expressão, destilando ódio contra os homossexuais, negros e todos aqueles seus contestadores, chamando-os de esquerdistas comunistas e inimigos da pátria. A estratégia deles é sempre estarem expostos na mídia, como o cara valente e corajoso que diz a “verdade”. Mas, qual mesmo a verdade?

CRIMES CONTRA A HUMANIDADE

Como influenciadora e formadora de opinião (também pode deformar), a mídia tem seus grandes pecados, porque falta ao povo em geral, consciência política e discernimento de separar o joio do trigo. O povo gosta do que conhece, mas gosta também daquilo que é desconhecido e que é bom.  Faça um show de boas músicas de conteúdo e melodia e o povo vai apreciar.

No caso do Pelé, a mídia o trata como o super-herói da nação, afirmando que todos devem seguir seu exemplo, mas não mostra seu outro lado que chegou a renegar seus filhos com negras, e ainda apoiou a ditadura, só para não ir mais além no que tange ao seu comportamento como pessoa. Agora vem ai as homenagens a Maradona, e ela (a mídia) é capaz de pontuar que ele serve de exemplo para todos nós.

Ele, o Pelé, pode até ser considerado como um dos maiores esportistas do futebol mundial de todos os tempos (é questionável), mas não pode servir de exemplo para nossos jovens, para essa nova geração. Melhor seria ficar apenas com o Pelé, só como jogador. Este é só um exemplo, mas existem outros milhares que a mídia sai por aí criando como falsos heróis, reis, rainhas e príncipes. A música de péssima qualidade, a que deve mesmo ir para o lixo, tem várias personagens que são endeusados pela mídia.

No campo político, estamos diante de fatos estarrecedores de governantes que estão cometendo crimes contra a humanidade, com a complacência de uma grande parte da mídia que falha em seu papel de responsabilidade em criticar, denunciar, explicar, condenar e questionar. Não se pode ficar apenas no campo do factual, como se fosse apenas a divulgação de um boletim de ocorrência. A mídia precisa ser menos superficial e ter mais conteúdo.

No lugar de construir, de respeitar e valorizar a pessoa humana, de proteger a natureza e a vida, de amenizar a violência e combater a intolerância, o que temos como governantes são verdadeiros exterminadores do nosso futuro, do nossos filhos e netos. O bombardeio de palavras e declarações malignas é forte, e eles não tiram férias, crescendo o número de seguidores, enquanto as instituições (nem todas) vacilam em suas posições de protesto e movimentos para aniquilar essa onda de ideias medievais.

 

AS LÍNGUAS SEMÍTICAS E A AFRO-ASIÁTICA

De acordo com estudiosos, as línguas semíticas formam apenas uma das seis ou mais ramificações de uma família de línguas muito maior que é a afro-asiática, localizadas na África. A própria subfamília semítica é africana (12 de suas 19 línguas sobreviventes estão restritas à Etiópia). As línguas afro-asiáticas surgiram na África.

Segundo o autor do livro “Armas, Germes e Aço”, Jared Diamond, talvez tenham surgido na África as línguas faladas pelos autores do Velho e do Novo Testamento e do Alcorão, os pilares morais da civilização ocidental, com as três maiores religiões cristã, judaica e islã.

SEM LÍNGUAS DISTINTAS

Destaca o cientista que, entre os cinco grupos africanos (negros, brancos, pigmeus, coissãs e indonésio), apenas os pigmeus não têm línguas distintas. O local de suas origens foi tomado por agricultores invasores, cujas línguas foram adotadas por pigmeus sobreviventes. O mesmo ocorreu com os negritos malaios e filipinos, que adotaram línguas austro-asiáticas e austronésia.

Muitos falantes dessas línguas, conforme seus estudos, foram subjugados por falantes das línguas afro-asiática, ou nigero-congoleses. As coissãs ficaram restritas à África meridional. Os coissãs e suas línguas, antes espalhados no extremo norte de sua atual distribuição na África, assim como os pigmeus, foram também subjugados pelos negros e deixaram legados apenas linguísticos de suas presenças.

A família linguística nigero-congolesa está em toda África Ocidental e pela maior parte da África subequatorial, não oferecendo nenhum indício do lugar onde a família se originou. No entanto, um pesquisador reconheceu que todas as línguas nigero-congolesas da África subequatorial pertencem a um único subgrupo chamado de banto, que abrange quase a metade das 1.032 línguas nigero-congolesa e mais da metade de seus falantes.

As línguas bantas mais características, e as não bantas acumulam-se na área de Camarões e da Nigéria Oriental. Todos esses dialetos ingleses, na concepção de Diamond, foram apenas um subgrupo de ordem inferior da família de línguas germânicas. Os demais subgrupos (escandinavas, alemãs e holandesa) aglomeram-se no noroeste da Europa. O inglês surgiu dessa localidade, e de lá espalhou-se pelo mundo.

Registros históricos dão conta que o inglês foi realmente levado de lá para a Inglaterra por invasores anglo-saxões nos séculos V e VI. Nessa linha de raciocínio, os quase 200 milhões de bantos, praticamente expulsos do mapa da África, surgiram em Camarões e na Nigéria. No passado, a área ocupada por pigmeus e coissãs era bem mais ampla, até serem dominados pelos negros.

QUANDO OS EUROPEUS CHEGARAM

A produção de alimentos resultou em altas densidades demográficas, germes, tecnologia, organização política e outros ingredientes do poder. Quando os europeus chegaram à África subsaariana, nos anos 1400, os africanos estavam desenvolvendo cinco grupos de culturas agrícolas, cada qual cheia de significados para a história desse povo.

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