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VIAJANTE

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário, que faz parte do livro “ANDANÇAS”

Vou tocando meu caminhão,

cortando o asfalto desse chão,

seguindo sem mais ninguém,

vou levando a minha carga,

para outro lugar do além.

 

Essa estrada maluca,

queima a nossa cuca,

e vou assim nas retas,

sumindo nas curvas,

ouvindo as ondas longas,

e deixando as turvas.

 

Vou por aí tocando,

minhas duras lutas,

nas frenéticas disputas,

namorando prostitutas,

conhecendo cidades,

valentes e covardes.

 

Meu abrigo é a boléia,

meu canto é da solidão,

onde guardo a amada,

levando minha carga,

de química e de feijão.

 

Pra bem longe vou levando,

sem saber quem eu sou,

e assim rodo sem destino,

rezando pro meu divino,

com meu jeito de latino,

sem rimar amor e dor.

VEREADORES DISCUTEM EMPRÉSTIMO DE 60 MILHÕES PELA PREFEITURA MUNICIPAL

Teve até críticas do eleitor do capitão-presidente Bolsonaro, o Bozó, por parte do vereador David Salomão (surpresa na plateia), se posicionando contra o corte de verbas na educação, enquanto, conforme declarou, o Congresso Nacional pretende aumentar os recursos do Fundo Partidário para as próximas eleições municipais, “o que é uma canalhice” – bradou o parlamentar, mas o tom das conversas que dominaram ontem (dia 18/09) na sessão da Câmara foi o empréstimo de R$60 milhões que a Prefeitura Municipal quer contrair com a Caixa Econômica, para obras nos bairros de Vitória da Conquista.

Na busca pela aprovação do projeto do executivo, a bancada da situação ao governo argumentou que o empréstimo é necessário, e vai beneficiar muitos bairros pobres da cidade em obras de pavimentação de ruas, drenagens, reforma do Estádio Murilão, na zona oeste,  e serviços de iluminação para o município (R$10 milhões), principalmente, mas a oposição coloca a questão do endividamento como ponto a ser analisado, e que só vai votar depois que tiver mais esclarecimentos e transparência onde o dinheiro vai ser aplicado.

Onde serão investidos

Outro questionamento da oposição é quanto os R$45 milhões que já foram tomados, e ainda não houve uma prestação de contas, nem foram totalmente investidos e pagos. Os vereadores oposicionistas têm receio de um alto endividamento do município. O vereador Valdemir Dias, do PT, por exemplo, afirmou que quer saber onde esses recursos serão investidos, e aproveitou para denunciar a péssima situação da Lagoa das Bateias, também assunto de duras críticas por parte do seu colega Cícero Custódio.

Outro que questionou o empréstimo foi Coriolano Moraes, também do PT, destacando que o executivo municipal não concedeu aumento salarial aos servidores, e agora solicita da Câmara aprovação para um empréstimo de R$60 milhões. Segundo ele, tem que haver responsabilidade econômica para que, no futuro, os vereadores não sejam chamados de culpados.

Do mesmo partido, a parlamentar Viviane Sampaio rebateu críticas do colega Jorge Bezerra, que achou que os contrários ao projeto estavam sendo hipócritas, quando se está falando em beneficiar as comunidades mais carentes. Ela usou o termo para diferenciar de responsabilidade. Rodrigo Moreira disse que não se pode fechar os olhos para o problema do endividamento, também concordando no sentido de que haja responsabilidade na votação.

Além de citar que o salário mínimo fixado pela Constituição não dá para atender as necessidades do trabalhador, e apontar que hoje os brasileiros estão morrendo nas filas dos hospitais por falta de atendimento, mas que o governo federal tem dinheiro para dar para político fazer eleições, David Salomão enfatizou que a Câmara aprova os R$60 milhões quando o prefeito prestar contas dos R$45 milhões, chamando de desastrosa a atual administração pública. O parlamentar Danilo Kiribamba denunciou que a saúde de Conquista se encontra na UTI, acrescentando que o Hospital de Base só vive superlotado.

A vereadora Lúcia Rocha, da situação, elogiou o trabalho de pavimentação que a Prefeitura Municipal vem realizando no Bairro Conveima, e anunciou que o prefeito prometeu construir uma Feira Coberta no Vila América. Hermínio Oliveira adiantou que, em reunião com o prefeito Hérzem Gusmão, conversou sobre a criação de uma guarda municipal, com objetivo principal de proteger o patrimônio de Vitória da Conquista. Informou que o projeto do poder público será apreciado pelo legislativo agora em outubro.

 

OS REVOLUCIONÁRIOS IRMÃOS ROMANOS NA LUTA POR UMA REFORMA AGRÁRIA

Desde a história da humanidade, todas as vezes que progressistas, ou as esquerdas tentaram se juntar às classes superiores capitalistas para criar leis de cunho social, para favorecer às camadas inferiores, terminaram sendo derrotadas por traição.

Um exemplo disso aconteceu há mais de dois mil anos, em Roma, com os irmãos Gracos quando decidiram implantar uma reforma agrária para distribuir terras do Estado aos proletariados. Acabaram sendo mortos numa trama armada pelos nobres e o Senado. No Brasil, tivemos inúmeros casos semelhantes onde as reformas sociais não vingaram.

Interesses familiares

Estamos em plena Roma do século II a.C. das variadas correntes do pensamento e dos reformadores nacionalistas amantes da Grécia. O grande mal, como explicitou o autor de “História de Roma”, M. Rostovtzeff, era o poder de uma classe única, de um pequeno grupo de nobres que só visavam seus interesses familiares.

Tudo isso levava a uma desmoralização da classe dominante corrompida que aceitava subornos e comprava votos nas eleições. Mera coincidência comparar esse quadro com o Brasil de muitos tempos e de hoje. Muitos procuravam um remédio para a moléstia, como Catão que queria afastar a influência grega, perseguindo os representantes da aristocracia governante.

MODERADOS E RADICAIS

Em meio àquela turbulência, Cipião e seus amigos propuseram medidas de reformas moderadas no sistema social e econômico, mas os radicais pensavam numa renovação da guerra entre as classes, onde o partido popular seria conduzido ao poder, como antes, pelos tribunos do povo, através do modelo ateniense, visando enfraquecer o Senado.

Todos partidos viam que o momento exigia reformas na vida social, especialmente na economia, onde havia uma expansão das grandes propriedades e redução das pequenas áreas. Diante disso, aumentava a população escrava e caia o número dos que formavam o exército, diminuindo o poder militar do Estado.

O sistema do trabalho escravo durante o governo de Tibério Graco (133 a.C.) representava um perigo, e os romanos tinham consciência disso, tanto que aconteceu uma grande rebelião deles na Sicília e na Ásia Menor. A lei de Licínio, aprovada no século IV e renovada no século II, limitando a área da terra pública que qualquer cidadão poderia ocupar, era uma letra morta.

Na Grécia era um costume confiscar os latifúndios e dividir entre os necessitados. Aqui no Brasil se tentou fazer isso, mas não se foi muito longe por causa da ganância e a reação das elites reacionárias. Em Esparta houve uma distribuição no século III a.C., feita pelos reis Agis e Cleômenes. Em Roma, as terras pertenciam ao Estado e tal medida seria viável, como alguns pensavam.

Na Itália, a questão dos aliados era importante, no sentido de obter o direito de voto, mas, com o tempo, tornava-se cada vez mais difícil por causa da negação do Senado e dos magistrados. Tudo foi feito para remover as dificuldades, mas sem resultados, o que provocou descontentamento e tentativas de revoltas armadas. Em 125 a.C., após a morte de Tibério, os revolucionários pelas mudanças, tendo à frente Fregelas e Ásculo, foram reprimidos.

A nobreza, como no nosso Brasil, mesmo sabendo dos perigos, não aceitava realizar as reformas necessárias para apaziguar os ânimos. Ela não cedia, temendo perder seus lucros. No entanto, alguns senadores mais jovens, educados pelas ideias democráticas gregas, estavam dispostos a realizar as reformas.

OS IRMÃOS GRACOS

Um desses senadores, hábil e íntegro, foi Tibério Semprônio Graco, embora de família plebeia, galgou a aristocracia na vida pública. Seu pai teve uma carreira gloriosa, e sua mãe pertencia à casa dos Cornélios Cipiões. Ainda jovem, aos 15 anos, Graco lutou em Cartago. Em 137 foi eleito questor com a idade de 25 anos, e enviado à Espanha com o cônsul Caio Mancino, o qual o obrigou a assinar um acordo vergonhoso de rendição para salvar o exército.

Mesmo assim, ao retornar a Roma, aliou-se ao grupo dos reformadores do Senado, liderados por Ápio Cláudio e Públio Grasso. Casou-se com a filha de Ápio e, seu irmão mais novo Caio, com a filha do outro líder. A parir de seus argumentos, Tibério preparou um projeto, cuja finalidade era melhorar a qualidade do exército. Para atingir seu objetivo, procurou melhorar as condições dos camponeses romanos, concedendo terras aos cidadãos.

Assembleia Popular e a lei agrária

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FANTASMAS, RACHADINHAS, IMPUNIDADE E O RIO DAS TRAGÉDIAS

” Quanto mais veemente for um prelado contra os gays, quanto mais forte for sua obsessão homofóbica, maior a probabilidade de este não estar sendo sincero e de a sua veemência esconder algo de nós”. Esta frase é do escritor Frédéric Martel, autor do livro “No Armário do Vaticano”, que deve ser lido por todos, especialmente pelos católicos e cristãos.

Não é esta a questão da qual pretendo tratar, mas serve para uma reflexão quando uma pessoa evoca, ou aborda veementemente um determinado tema, como moralidade, democracia, honestidade, ética, combate aos marajás e à corrupção, ou se posiciona tanto homofóbico, xenófobo e racista. Vivemos hoje numa sociedade tão dividida, entre o ódio e a intolerância, que não sabemos mais quem é quem.

FANTASMAS E RACHADINHAS

É um Brasil no divã, onde o psiquiatra dorme de tanto ouvir fatos, declarações e acontecimentos estarrecedores, que não mais estarrecem os brasileiros. Há pouco, o moço Carlos Bolsonaro disse que através da democracia o país não irá resolver seus problemas, insinuando uma intervenção ditatorial pelo governo. Tem muita coisa de podre neste reino.

Será que ele falou isso para esconder seus “fantasmas” que ele emprega em seu gabinete de vereador do Rio de Janeiro, ou melhor, Rio das Tragédias? Com uma ditadura, seus funcionários “fantasmas” não poderiam ser revelados pela mídia. Tudo seria encoberto, como foi durante o regime civil-militar de 1964.

O seu irmão Flávio adota, ou adotava outra prática chamada de “rachadinhas”, quando era deputado pelo Rio de Janeiro (novamente o Rio, que não é mais maravilha). O esquema é bem conhecido e usado no meio político, quando existe uma “combinação” do parlamentar com o seu empregado subordinado para que ele devolva uma parte do seu salário para sua polpuda conta.

Como todo tipo de corrupção, é mais um ato abominável, e mais grave ainda porque ambos são filhos do capitão-presidente, que tanto condenou as maracutaias do governo passado de esquerda, veementemente odiado por eles. Alvos de investigações, tudo estão fazendo para encobrir os malfeitos e confundir a “Justiça”, como a troca de chefias em órgãos estratégicos encarregados de apurações de fraudes e roubos.

IMPUNIDADE E RIO DE TRAGÉDIAS

Como aquela história na cabeça deles, de que ditadura e ideologia só existem de esquerda, o mesmo vale para o caso da corrupção que, se for de direita, o processo deve correr em sigilo. Mais ainda, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que até ontem vagava pelos corredores e camarins do PT, hoje baixa um ato que favorece os advogados do filho do capitão-presidente e de mais de 100 investigados, inclusive um colega seu de toga, É mais musculatura e forças à impunidade, que está ficando obesa na extrema-direita. Basta lembrar que a Operação Lava Jato já se encontra na cabeceira da morte.

E por falar nessa danada da impunidade, monstro horroroso que mais enfraquece o Brasil e à sua já debilitada democracia, nenhum desmatador do meio ambiente e das florestas na Amazônia foi até hoje punido. As multas de milhões (só existem no papel) não são pagas porque as nossas leis foram feitas com ilimitadas brechas para premiar os infratores. Com isso, a injustiça conseguiu ocupar o lugar da justiça, que só existe para o pobre e quem procura andar correto.

Por fim, queria me referir ao nosso Rio de Janeiro, de lindas paisagens, a segunda capital do Brasil, que se tornou, infelizmente, num Rio de Tragédias, a começar pelos últimos governadores (Cabral, Garotinho, Pezão), corruptos declarados, e os desmoronamentos de pontes, prédios, túneis e incêndios, como o mais recente num hospital particular que ceifou a vida de11pessoas idosas.

Até parece uma maldição, porque tudo de ruim vem acontecendo no Rio do desgoverno, onde os milicianos, muitos conhecidos e amigos dos bolsonaros, e os traficantes que lotearam seus territórios, como no Porto de Itaguaí, paraíso dos contrabandistas.

Não se pode esquecer do assassinato da vereadora Marielle Franco que até hoje não se “descobriu” o mandante do cruel crime. Em tudo isso impera a diabólica impunidade. Tem atualmente o Rio um prefeito fanático evangélico que faz de tudo para censurar a cultura e a liberdade de expressão, e um governador que incentiva a matança por parte dos militares, e comemora um tiro certeiro num ser humano (não importa se é bandido) como se fosse um bicho qualquer.

 

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, o companheiro Edilsom Barros fez uma parceria musical, aproveitando a letra “A Dor da Finitude”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de tratar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas do autor do livro estão sendo trabalhados para, em breve, também entrarem no rol das letras musicadas.

NO MEU QUINTAL

Meu quintal é como se fosse minha aldeia onde saio do mundo exterior para mergulhar no meu interior, entre as flores, plantas, inclusive medicinais, e minhas hortas onde colho folhas variadas para o consumo. No meu quintal, foto do jornalista Jeremias Macário, ainda tem um espaço cultural que me enche de vida através do conhecimento dos livros. No meu quintal, curto a vida e até esqueço que ela é passageira. Meu quintal é o meu planeta.

MEDOS E SEGREDOS

Meu espírito como ondas,

se bate nos rochedos

dos medos e da procura,

do infinito mistério,

que nos leva à tortura.

 

Anda em estranhas veredas,

baixadas, cumes e ladeiras,

e até em largas alamedas,

por entre belas palmeiras.

 

Tenho pavor do escuro,

que assombra com a sombra,

do passado de olho no futuro.

 

Tenho receio do segredo,

que insiste em esquecer,

seu roteiro de raiva e medo.

 

Não quero ser outra vez,

devorado pela insensatez

dessa gente sem enredo.

 

Vivo a engolir mensagens

e a usar  mil blindagens

pra fugir do fogo cruzado.

 

Sou como ferro ferrado,

vagando como manadas,

fugindo do fio das espadas.

 

Queria sair livre por aí,

perambular pelo universo

até não ter mais pra onde ir.

 

Queria que meu verso,

só fosse canto e encanto,

e nada de dor e pranto.

 

VEREADORES COBRAM OBRAS EM SESSÃO CADA VEZ MAIS BARULHENTA

Está ficando cada vez mais difícil acompanhar as sessões da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista por causa das conversas paralelas entre as pessoas da plenária e do auditório, mais parecendo uma feira onde todos falam ao mesmo tempo, cumprimentando compadres, amigos, parentes, ou fazendo pechinchas pelos preços das mercadorias. O barulho começa na leitura da ata e da pauta de discussões, e envereda durante os pronunciamentos dos parlamentares.

A sessão de ontem (dia 11/09), onde os vereadores cobraram obras ao poder público nos bairros e na zona rural, não foi diferente, e o presidente da Casa, Luciano Gomes, foi  obrigado a interromper os trabalhos por diversas vezes pedindo silêncio aos presentes à reunião, que tratou de vários temas e concedeu moções de aplausos à TV Sudoeste pela realização do Festival de Inverno no final de agosto e ao funcionário da Receita Federal, Jânio Freitas, pelos seus 40 anos de serviços na instituição.

Obras de pavimentação

O líder das comunidades de Vila Marina e Recanto dos Pássaros, Javan da Silva, ocupou a Tribuna Livre para reclamar da situação em que se encontram esses bairros, com ruas esburacadas e, principalmente, sem pavimentação. Cobrou mais atuação por parte do legislativo, afirmando que seus representantes não têm aparecido nesses locais para avaliar e ajudar a resolver os problemas. Prometeu fazer outras demandas, inclusive junto à mídia, para que as reivindicações dos moradores sejam atendidas.

O vereador Álvaro Phiton usou da palavra para denunciar que uma parte da cobertura da Feira do Alto Maron continua descoberta desde a gestão passada da Prefeitura Municipal quando várias telhas (cerca de 35) desapareceram, e não se sabe que rumo tomaram.

O parlamentar Edmilson Pereira procurou fazer um relato suscinto das ações do seu mandato, e acrescentou ter apresentado projetos de melhorias para Vila Marina, Cidade Modelo, Lagoa das Flores e outros bairros, especialmente no que tange à pavimentação asfáltica e esgotamento sanitário.

Outros vereadores, como Bibia (Bairro Nossa Senhora Aparecida), Sidney Oliveira e Cícero Custódio também procuraram, mesmo em meio a tanto barulho de conversas na plateia, mostrar suas atividades, através de requerimentos, em benefício de suas comunidades.

Fernando Vasconcelos preferiu falar sobre o aumento de acidentes fatais no trânsito de Vitória da Conquista, como o que aconteceu no último final de semana na Avenida Olivia Flores onde uma jovem de 18 anos perdeu a vida. Além da TV Sudoeste, outras entidades e personalidades foram homenageadas na sessão de ontem pelos serviços prestados a Vitória da Conquista nos últimos anos, e foram aprovados títulos de cidadãos que serão entregues no final do ano.

 

MAIS UMA OBRA SEM A VISÃO DO FUTURO

É claro que o novo Aeroporto Glauber Rocha de Vitória da Conquista oferece uma estrutura bem mais moderna e ampliada em relação ao antigo que mais parecia com um barracão e era uma vergonha para a cidade, principalmente, quando o tempo fechava, com os constantes cancelamentos de voos. No entanto, a terceira maior cidade da Bahia, com cerca de 350 mil habitantes, merecia uma obra de maior grandeza, com uma visão do futuro para, pelos menos daqui a 100 anos.

Estive visitando o novo equipamento, que durou mais de dez anos para ser construído, desde seu projeto inicial até sair do papel e ser, finalmente, concluído. Fiquei ali imaginando, como tudo neste nosso país, não existe planejamento para o futuro. As coisas são feitas para mal atender o tempo atual. No caso do novo aeroporto, dentro de mais 50 anos ele estará defasado porque, com o crescimento populacional, a demanda será outra.

Embarque e desembarque

O Terminal é apenas um vão com uma área de embarque e desembarque, sem um primeiro andar com uma vista panorâmica onde muitas pessoas gostam de apreciar a pista de aterrisagem e decolagem das aeronaves, com lojas e outros serviços. Vi muita gente encostada nas cercas ao lado para ver um avião chegar. Com o passar dos anos, ele vai começar a apresentar suas deficiências e pedir por ampliação.

Com relação à rotatória, na BR-116, como muitos já chamaram de “rotatória da morte”, a obra não passa de mais uma arapuca da Via Bahia, e uma vergonha para a cidade. Espera-se que o Governo do Estado tome uma providência e construa logo um viaduto antes que ocorram tragédias com mortes. No projeto ainda constava uma pista paralela à BR, no sentido de evitar maiores engarrafamentos e agilizar o deslocamento dos passageiros.

Quanto ao acervo de Glauber Rocha, foi uma iniciativa merecida em homenagem ao cineasta conquistense e baiano, um trabalho cultural onde muitos que por ali estão passando ou visitando aproveitam para conhecer a obra de um cineasta que engrandece a Bahia e o Brasil, e fez parte dos criadores do Cinema Novo.

E o que fazer com a antiga área do aeroporto Otacílio Fonseca? A população já apresentou diversas sugestões, como implantar um espaço de lazer, e até o empresário José Maria, que levantou a ideia de construir um centro de convenções, mas considero que o melhor projeto seria mesmo edificar ali um centro administrativo no local, com a sede da prefeitura e todas as secretarias, de modo a desafogar o trânsito no centro de Vitória da Conquista.

 

A DERROCADA DE UM IMPÉRIO QUE DOMINOU O MUNDO POR MIL ANOS

A escorcha dos impostos para sustentar os soldados mercenários; um exército corrompido que indicava e derrubava imperadores; a divisão do reino em dois, Oriente e Ocidente; o desgaste do povo (não mais acreditava no estoicismo racional greco-romano)  com os governos e os deuses que não mais satisfaziam seus desejos, preferindo aderir à pregação de uma nova religião chamada cristianismo que prometia vida e esperança além-túmulo; a debandada dos grandes proprietários de terras levando a agricultura ao atraso; a rebeldia de muitas províncias se tornando independentes; as lutas entre tribos e as invasões de bárbaros,  foram, entre outros, os principais fatores que contribuíram para o declínio do Império Romano a partir do século III da era cristã.

O livro “História de Roma”, do autor M. Rostovtzeff, faz uma análise profunda sobre o Império Romano, desde a sua formação tribal com lendas, mitologias e verdades, a época dos grandes reis, o tempo republicano, a revolução dos irmãos Gracos que buscaram implantar uma reforma agrária e foram assassinados, a tomada do poder imperial pelo grande general Caio Júlio César, a consolidação do império por Augusto, o chamado divino filho de César, as depravações e tiranias cometidas por imperadores como Calígula, Nero, Cômodo, Domiciano e outros, as divisões, a escravidão cruel imposta por Roma, a bonança nos séculos I e II, a evolução religiosa e a vida nas províncias até o declínio do Império e suas causas.

O DECLÍNIO

Destaca o escritor no final da sua obra que, após a época de Diocleciano e Constantino, o Império Romano continuou existindo por muitos séculos, dividido, porém, em duas partes, o Ocidental, tendo como capital Roma, e o Oriental, comumente chamado “Bizantino”, porque sua capital Constantinopla, ou Roma dos romaioi, fora fundada por Constantino no local da antiga Bizâncio. A estrutura que esses dois imperadores construíram era nova em seu todo, diferente das concepções greco-romanas, e mais de acordo com as teorias políticas do Oriente iraniano e semita.

Relata Rostovtzeff, que o Império Ocidental foi gradualmente se fragmentando em várias partes, que eram a Itália e as antigas províncias, governadas, em alguns casos, por chefes de diferentes tribos germânicas que haviam tomado alguma parte do mundo romano. Na época de Diocleciano, Constantino e seus sucessores, os germanos se sobressaiam no exército e na corte imperial. No Oriente, o processo de dissolução é mais lento e as velhas tradições são mantidas. A influência do Oriente é mais forte, e o governo tende a adaptar-se aos regimes mais despóticos. O centro de gravidade passa da península balcânica para a Ásia Menor.

QUEDA NA TÉCNICA AGRÍCOLA

Os países, de acordo com o autor, que haviam sido os principais centros da política entram em decadência, sendo substituídos pelas regiões da Ásia e Europa, com importância decisiva na história da humanidade. Antes desempenhavam papel secundário. Os antigos centros começam a entrar em declínio. As condições mais primitivas no âmbito social, econômico e intelectual tomam lugar das velhas instituições. Há modificação dos métodos agrícolas, passando do capital e do científico para rotinas primitivas do atraso. O solo passa a ser tratado por pequenos proprietários, cultivadores ou arrendatários.

Naquela época, o Império possuía muitas terras, mas o problema era encontrar agricultores que pagassem arrendamento, e trabalhadores que cultivassem o solo. A escassez de mão-de-obra era uma prova de que a população deixara de crescer. O baixo índice de natalidade e extinção das famílias se estendiam a outras camadas sociais. A migração da força de trabalho foi interrompida pelo declínio do comércio e da indústria. O lugar era preenchido por estrangeiros do Reno, do Danúbio, germanos, iranianos e eslavos. A inundação da força de trabalho de fora penetrou nas partes centrais do Império, aumentando ainda mais a queda da técnica agrícola e da produtividade.

A atividade industrial que abastecia o mercado local diminuiu sua produção, enfraqueceu e acabou morrendo, e com ela desapareceu o intercâmbio dentro do Império. Embora o Estado cuidasse do transporte do que era necessário à corte, o comércio se ocupava de vender artigos de luxo importados do Oriente, passando às mãos dos mercadores daquela região (sírios, levantinos e judeus). O esplendor oriental tinha grande atração para os germanos e iranianos que ocupavam altas camadas da sociedade.

A prosperidade das cidades foi minada por essas condições econômicas. As grandes resistiram por mais tempo. Ainda no século IV eram erguidos grandes edifícios em Roma, mas no século seguinte acontece a decadência. A nova capital, Bizâncio-Constantinopla, transformou-se na capital do mundo, de luxo abundante, adornada de uma arquitetura imponente nos palácios e igrejas. Alexandria, Cartago, Éfeso, Antioquia ainda sobreviviam, bem como Ravena, Mediolano (Milão),Trèves, Nicomédia e Nicéia, onde os coparticipantes do poder real mantinham suas cortes.

Desaparecimento da classe média

As igrejas cristãs e os mosteiros eram os únicos prédios novos. O mato começou a crescer nas cidades e os antigos edifícios entraram em deterioração. O aspecto social e econômico permaneceu o mesmo dos tempos de Diocleciano e Constantino, ou seja, conservou as mesmas feições do século III. O imperador com sua família e cortesãos, oficiais, altos prelados e a burocracia constituíam as classes superiores. Todos tinham bens, em proporções variáveis, principalmente de terras.

Na escala social vinham depois os negociantes e especuladores, na maioria semitas. A classe média urbana estava desaparecendo com suas antigas famílias se misturando à ralé que trabalhava para o Estado, ou entre a população rural (serva do poder ou dos grandes senhores). A escravidão, mesmo como instituição, foi perdendo sua importância econômica.

Cita o autor do livro, que a capacidade de trabalho decaiu, os gostos se vulgarizaram e um pequeno grupo de privilegiados foi entrando em decadência, como o nível intelectual. As escolas existiam, mas já não atraiam quase ninguém, a não ser entre as classes superiores que cuidavam de preparar seus alunos para o serviço público. A educação básica se resumia no aprendizado do grego, do latim e do conhecimento dos principais clássicos. Uma educação superior incluía a retórica (falar, escrever e estudar assuntos jurídicos).

A LEI DO MUNDO

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