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“DOS SUMÉRIOS A BABEL” (VI)

O MITO DE ADAPA E O DIREITO PENAL

Inventiva, a civilização sumeriana é rica em deuses e lendas, conforme narra o autor de “Dos Sumérios a Babel”, Federico Arbório Mella. Uma das mais conhecidas e perfeitas é “O Mito de Adapa”, segundo o escritor, usada até nas escolas do Egito.

No segundo milênio A.C., sob o cunho de Hammurabi, Babel se destacava como capital espiritual e farol da civilização da Ásia Anterior. Extraída das escavações arqueológicas, na forma das tabuinhas, nesta época a língua diplomática e comercial internacional era o acádico-babilônio.

Na religião, o culto na Suméria era disciplinado em todo país, mostrando quais deuses menores deveriam ser reverenciados. No grande templo de Marduk, por exemplo, não se adorava apenas ele, mas sua mulher, seu filho, sua família, toda a corte, ministros e, por fim, seus quatro cães de caça.

Conta a lenda que Ea, ou Enqui, procriou Adapa dando a ele ciência e sabedoria, menos a imortalidade. No templo de Eridu, na qualidade de sacerdote, Adapa trabalhava como cozinheiro-mestre e camareiro do seu pai.

Um dia Adapa amanheceu aborrecido e aprisionou o vento sul, quebrando suas assas, o que o impediu de soprar. Então, o deus Anu o convocou para que ele justificasse sua conduta inesperada. Antes de se apresentar, o pai orientou o filho sobre o melhor modo de se comportar para não ser condenado pelo deus.

O pai ainda alertou o filho de que Anu podia lhe oferecer como castigo o pão e a água da morte, devendo ficar prevenido para não se alimentar. Além do mais, aconselhou que se apresentasse vestido de luto diante do tribunal de acusação.

Disse também ao filho que se Tammuz e sua mulher Guichzida lhe perguntassem o porquê da vestimenta, deveria responder: “Estou de luto pela morte de Tammuz e Guichzida”. Com isso, os dois ficaram tão comovidos com a resposta que resolveram interceder em seu favor para que Anu não o castigasse como estava previsto.

O deus ficou tão penalizado com o pedido que decidiu oferecer pão e água da vida para Adapa. Porém, seguindo o concelho do pai, ele recusou a oferta, perdendo assim a ocasião de obter a imortalidade definitiva.

DIREITO PENAL

Como o Código de Hammurabi era muito rígido e rigoroso, os legisladores sempre procuravam meios de contornar as punições e recorriam às leis de Ur-Nammu, com atenuantes e penas substitutivas. As mais severas eram prescritas para os delitos contra a moral (homossexualidade). No caso de assassinato, a pena de morte só seria executada se o acordo de ressarcimento dos donos da família ficasse impossível.

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UMA “BOA” PARA O BODE

Carlos Albán González – jornalista

A modificação na formação das chaves da Copa do Brasil de 2018 tirou do Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista o pesadelo de ter que enfrentar um dos clubes da elite do futebol brasileiro. O sorteio apontou o Boa Esporte, de Minas Gerais, como o adversário do representante baiano na primeira fase do chamado “o mais democrático dos campeonatos”, pois dá oportunidade a qualquer um dos 91 concorrentes de 66 cidades de disputar a Taça Libertadores e o Mundial de Clubes. Para chegar lá, como mandante, no caso, o Conquista, não poderá nem empatar o primeiro jogo, programado para 31 de janeiro.

A Copa do Brasil, que se estenderá até a segunda quinzena de outubro, dará ao campeão o prêmio recorde de R$ 50 milhões; ao vice, R$ 20 milhões; aos semifinalistas, R$ 8 milhões; e R$ 4 milhões para quem disputar as quartas-de-final.

Fundado em 2005, o ECPP Vitória da Conquista vai disputar a Copa do Brasil pela quinta vez.

Sua melhor campanha foi em 2016, quando passou para a segunda fase depois de eliminar o Náutico em dois empates (0 a 0 em casa e 1 a 1 na Arena Pernambuco), sendo, posteriormente, desclassificado pelo Santa Cruz (derrota por 2 a 0). Sua estreia na Copa do Brasil ocorreu em 2013, eliminado (duas derrotas) pelo Sport do Recife. Em 2015 foi goleado, por 4 a 1, pelo Palmeiras, no “Lomantão”, onde também se deu sua queda em 2017, num empate com o Coritiba.

O ECPP Vitória da Conquista terá uma agenda mais cheia em 2018. Além da Copa do Brasil, jogará o Campeonato Baiano, de 21 de janeiro, data em que completa 13 anos, a 8 de abril, e o Campeonato Brasileiro da série “D”, marcado pela CBF para o período de 22 de abril a 5 de agosto. No torneio regional estreará contra o Atlântico, em Salvador (Barradão), e se apresentará diante de sua torcida, contra o Vitória, no dia 24 de janeiro, às 21h45. No Brasileirão, cujo chaveamento ainda não foi divulgado, o representante do sudoeste baiano integrará, com mais três clubes da região (Bahia, Sergipe e Alagoas), um dos 17 grupos.

Volta inesperada

Depois de 20 anos afastado das atividades profissionais, dedicando-se apenas às categorias de base e ao futebol feminino, o Conquista Esporte Clube anunciou, no final do ano passado, através de um dos seus dirigentes, Eduardo Andrade Correia, conhecido como Mesquita, a formação de um elenco para disputar o Campeonato Baiano da 2ª Divisão. Os desportistas conquistenses se surpreenderam com a notícia. O “cartola” garante que o clube está com as contas em dia e sem pendências tributárias.

A repentina inclusão do Conquista, campeão da série “B” em 1994, entre os seis times que vão disputar o acesso, e a exclusão do tradicional Ipiranga, não foram explicadas pelo conquistense Ednaldo Rodrigues, presidente da Federação Bahiana de Futebol (FBF).

O torneio terá a participação do Conquista, Galícia, Colo-Colo (Ilhéus), Atlético de Alagoinhas, Atlético de Teixeira de Freitas e  Cajazeiras (Salvador). Cada time jogará um mínimo de dez partidas e um máximo de 12 entre os dias 3 de março e 13 de maio. Apenas o campeão terá acesso à série “A”. Anotem a tabela de jogos da equipe azul e branca, com mando de campo no Estádio Lomanto Júnior: Dia 3/3 – Teixeira de Freitas (fora); 10/3 – 17 hs. – Cajazeiras (em casa); 18/3 – 16 hs. – Galícia (em casa); 24/3 – Colo-Colo (fora); 1/4 – 16 hs – Alagoinhas (em casa); 7/4 – Alagoinhas (fora); 15/4 – 16 hs – Colo-Colo (em casa); 21/4 – Galícia (fora); 28/4 – Cajazeiras (fora); 5/5 – 17 hs. – Teixeira de Freitas (em casa)

Caça-Rato reforça time

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NO PAÍS DO CIRCO SEM PÃO

Na Roma Antiga imperava o Panem et Circenses. No Brasil de hoje, dos profundos contrastes sociais, os governos demagógicos seguem linha semelhante, mas sem o pão que alimenta o corpo e a alma. Nesta época do ano as capitais, muitas das quais em estado falimentar, disputam quem dar a melhor e a maior festa com a justificativa de que atraem mais turistas e entra mais dinheiro, só que enriquece os mesmos 10% que detém a maior parte das riquezas.

Na Bahia das festanças todo o ano, por exemplo, o Neto ACM imita o avô na demagogia e estende um Réveillon por inacreditáveis cinco dias de farras e sua mídia o exalta como a maior Virada do Ano do país, quiçá do planeta. Aqui tem ainda a rivalidade acirrada entre prefeito e governador para ver quem faz mais muvuca, tudo de olho nas próximas eleições. A plebe cai dentro e aplaude, sem pensar e sem refletir.

Fora as festas de largo, aniversário da cidade e outras batucadas por aí nos feriadões, que são abundantes, no carnaval tem mais uma semana com tudo parado. Em Salvador, os gastos públicos com o Festival da Virada devem ficar em torno de R$12 milhões, além da contrapartida do investimento privado que recebe benefícios fiscais. Espera-se a presença de dois milhões de pessoas.

A mídia submissa que faz o seu papel de bobo da corte com suas reportagens fúteis e alienadas, a tudo se cala porque também recebe o seu quinhão na parte que lhe cabe. Tudo pelo divertimento desmedido num país pobre, com o argumento fajuto de que se está gerando mais renda e emprego. É o dinheiro do contribuinte engrossando a concentração de renda nas mãos de poucos, mas, ninguém vê isso. Infelizmente, a visão é curta porque a mente é inculta.

No Rio de Janeiro falido, os noticiários que vêm de lá são por demais ufanistas de que o Réveillon da capital é o maior do mundo, com tecnologia de queima de fogos de artifícios de primeira geração. Eles falam com orgulho, e os brasileiros do país da corrupção se sentem reconfortados. Esquecem da miséria e dos milhares de servidores públicos que estão com seus salários atrasados e ainda não receberam nem o 13º do ano passado.

Por que esses demagogos não fazem uma “briga” para ver quem oferece a melhor educação, quem tem os hospitais mais bem equipados e quem apresenta os menores de índices de violência do país? Quanto a estes itens obrigatórios pela Constituição, para reduzir as desigualdades sociais, eles não priorizam pela simples razão de que não dão voto.

Educação, saúde, segurança, saneamento básicos, habitação são todos pães que alimentam a alma humana e fazem com que a pessoa cresça e progrida na vida. Aqui, em nossa nação, a grande maioria não tem em quantidade suficiente nem o pão material. Portanto, o que temos é o circo sem pão, isto em todos os sentidos.

Os Césares da Antiga Roma construíam grandiosos coliseus e neles jogavam gladiadores para se matarem. Das arquibancadas, o povo vibrava, participava ativamente das festas de matanças com muito sangue e ainda desejava vida longa ao imperador. Há muita semelhança com o nosso circo, sem pão.

LINDO POR FORA E FEIO POR DENTRO

É verdade que o Rio de Janeiro continua lindo e maravilhoso com suas belas paisagens do Pão de Açúcar, do Morro da Urca, do Cristo, da Baia da Guanabara e do por do sol de encantar e tirar o fôlego de qualquer um, mas não gostei nada do que vi por dentro de suas ruas, avenidas, dos esgotos e lixos sendo despejados na Lagoa Rodrigo de Freitas, e só em pensar que é um Estado falido que foi roubado por políticos pilantras.

Como em outras capitais e grandes cidades do país, é muito feio ver a miséria estampada através de moradores de rua dormindo nas marquises, lixo espalhado em vários pontos, sem contar o vandalismo contra as lixeiras, monumentos e o patrimônio público em geral. Não poderia deixar de incluir aqui a violência que assusta e impede o povo de sair à noite para se divertir, bem como o sofrimento que estão vivendo os servidores públicos sem receber seus salários.

Nos dias em que passei no Rio durante o período natalino procurei esquecer todas estas mazelas internas e aproveitar ao máximo tudo de bom e bonito da natureza e dos pontos turísticos culturais, como os museus, muitos dos quais, infelizmente, fechados nos finais de semana. Outros estão em precário estado de conservação, como é o caso do Museu Nacional, cujos funcionários em protesto por não receber seus vencimentos.

Biblioteca Nacional por dentro

Ao entrar nesta instituição, fiquei surpreso quando vi que todas as esculturas gregas, romanas e egípcias estavam com uma tarja preta cobrindo suas faces. Conversei com um funcionário que explicou ser uma forma de protesto contra o corte de verbas do governo federal para manutenção e preservação do museu.

Percebi muitas estátuas desgastadas pelo tempo, as quais necessitam urgentemente de restauração. Além disso, o pessoal está com salários atrasados. É a cara de um país que não dá o mínimo de atenção para a cultura. Fiquei muito sentido por não conhecer totalmente a Biblioteca Nacional que está passando por uma lenta reforma sem tempo para concluir. O belo Teatro Municipal estava fechado.

Outro sinal de desleixo para com a nossa sofrida cultura é o fechamento de museus e pontos turísticos em final de semana, coisa que só acontece no Brasil. Estavam lacrados para visitação, justamente no domingo, o Museu Contemporâneo, em Niterói, e o Jardim Botânico, em dias próprios em que as pessoas estão mais disponíveis para conhecer estes lugares importantes e históricos.

MUSEU DO AMANHÃ

Nem tudo está perdido. Conhecer o Museu do Amanhã foi compensador para a alma. Com uma arquitetura arrojada e futurista, erguido na antiga Praça Mauá, suas instalações chamam a atenção logo na entrada com exposições modernas e interativas sobre o tempo e os nossos antepassados. Um deslumbramento a área destinada ao “Cosmos” em altas dimensões com imagens que fazem o visitante refletir sobre a vida e a origem do planeta terra, seus habitantes e transformações.

Igreja da Candelária – o antigo e o moderno

O Museu do Amanhã se soma hoje a mais um dos locais no Rio de Janeiro que não pode deixar de ser visitado pelo turista e de quem mora na capital. É como ir a Roma e não conhecer o Vaticano, como se diz por aí. As pessoas se interagem com a arte e ai aproveitei para pedalar uma bicicleta que gera energia e ilumina. Tudo ali dentro é dinâmico e repleto de informações e conhecimentos gerais. É uma aula de sociologia, história e ciência.

No Centro Cultural Banco do Brasil por dentro

Outro local prazeroso que pulsa arte com belas apresentações de fotografias e pinturas é o Centro Cultural Banco do Brasil com espaços de destaques que valorizam artistas nacionais e internacionais. Do Morro da Urca e do Pão de Açúcar, através de seus bondinhos, tem-se uma visão deslumbrante de como o Rio de Janeiro é lindo demais. O indivíduo sente-se que está flutuando no ar. Vale a pena o passeio apesar de caro (R$80,00 e meia para idosos).

Entre outros lugares imperdíveis, não poderia deixar de conhecer a sede do meu tricolor das Laranjeiras com seu antigo estádio onde aconteceram as primeiras disputas entre os times do Rio e São Paulo e da América do Sul. O gramado e as arquibancadas estão em bom estado de conservação. Pena que o time não está correspondendo aos anseios dos torcedores, precisando em muito melhorar seus resultados em campo.

A centenária Confeitaria Colombo com todo seu esplendor, a Igreja da Candelária que nos faz lembrar o triste episódio do massacre das crianças de rua e a Central do Brasil onde o presidente João Goulart com seu discurso em março de 1964 criou espaço para o golpe dos militares, também estiveram no meu roteiro de lugares históricos visitados na cidade maravilhosa.

Para encerrar a viagem, uma bela praia lá na Barra, passando depois pela avenida Oscar Nieymar (a ciclovia que desabou uma parte pela força das ondas do mar ainda continua fechada), pelo Arpoador, Leblon onde morou o baiano João Ubaldo Ribeiro, Ipanema e o Jardim Botânico.

Fora os pontos feios e de degradação do meio ambiente que retratam nossas profundas desigualdades sociais decorrentes dos desmandos e desvios de recursos dos governantes e políticos, o Rio de Janeiro, de Tom Jobim e Venicius de Moraes,  continua todo poético com seus belos morros que, infelizmente, ainda abrigam a violência do tráfico de drogas e as guerras pelo comando do poder das regiões.

Nada disso existiria de tão feio e falido se os governos tivessem feito seu dever constitucional de realizar programas sociais em benefício daquela gente pobre, impedindo que bandidos entrassem  nas áreas para fazer o que o poder público não fez durante tanto tempo. Agora eles, através das forças armadas, invadem as favelas com seus pesados tanques e armas para limpar suas sujeiras, como se isso fosse devolver a paz e o bem-estar social.

 

O JUDAS DA NAÇÃO QUE DEVE SER QUEIMADO

A tradição tupiniquim da queima do Judas todo final de ano já deve ter seu personagem predileto para ser torrado como o boneco traidor da Nação, aquele que está fazendo tudo para derrubar uma Operação de desmonte dos corruptos com a prisão dos ladrões dos cofres públicos. Você está com o intestino preso, ressecado? Então tome o laxante da marca “Gilmar Mendes” que ele solta tudo!

Pois é, o cara do Tribunal Superior Federal, o ministro-empresário e político está soltando todos os presos condenados em roubos e falcatruas, não somente da Operação Lava Jato que ele próprio critica com veemência. O pior de tudo é que ninguém dá um basta e enfrenta suas posições no colegiado. O cara desfaz, desdenha e menospreza seus colegas magistrados com aquela empáfia de que é o superior e dono da verdade.

Se um juiz manda o sujeito para o xilindró, com todas as provas do ladrão-mor, logo em seguida o Gilmar, se é seu amigo e companheiro, manda soltar, dizendo que a mala recheada de dinheiro, não pode ser objeto para arrolar. A Nação fica estarrecida, com tanto mandado de saída, que cada conduzido para a cadeia já leva no bolso o laxante “Gilmar”. O  homem manda soltar garotinho, barata e qualquer outro animal peçonhento. Só falta libertar o Cabral e todo bicho sujo e nojento.

Fora qualquer brincadeira ou verso para a queima do Judas do ano, com as heranças malditas, o ministro está atacando todas as investigações processuais, denegrindo o Ministério Público, ridicularizando o trabalho da Procuradoria Geral da República, sacaneando com o próprio Tribunal do qual é membro, e tentando reduzir a pó a Operação Lava Jato.

Os acusados, indiciados e os réus culpados por ladroagens e safadezas, metidos em trambicagens e malas de dinheiro estão dando risada, e a tudo assistindo de camarote. Romero Jucá, Collor de Melo, Renan Calheiros e todos os outros comparsas do Mordomo de Drácula nem precisam mais tramar para acabar com a “sangria” da força-tarefa das investigações.

Do outro lado, o que se percebe é uma nação traída por este e outros indivíduos, que não reage e permanece apática como se nada estivesse acontecendo. As instituições não se levantam, e o silêncio que irrita é geral. Existem muitos outros Judas neste país para serem queimados e estourados na fogueira, mas um merece ser eleito como o maior traidor.

A DESIGUALDADE SOCIAL É A PIOR DE TODAS AS VIOLÊNCIAS CONTRA O SER

Não se sabe ao certo como é no além, mas a desigualdade social é um estigma que o indivíduo carrega consigo desde o nascer até na morte. Basta olhar nos cemitérios as covas dos pobres com uma simples cruz e os túmulos suntuosos dos ricos, para sentir como ela é perversa na vida que já nasce morta. É através dela que muitos questionam a existência de Deus, indagando o porquê de Ele permitir tudo isso. Outros mais resignados dizem que foi assim que Deus quis, até quando o pobre tem dez filhos.

Não é coisa pronta de Deus. É coisa arquitetada pelos próprios homens, do estrangulamento impiedoso dos mais fortes contra os mais fracos. É fruto da natureza egoísta e da ganância desmedida do poder e do capital que só enxergam seus interesses exclusivos do lucro e do governar a serviço de si e das elites burguesas. A desigualdade fere a alma de morte e anula qualquer sentido de ser, do existir.

No Brasil ela sempre foi, desde os tempos coloniais, a mais carrasca de todas, senão uma das mais agudas do mundo. O deboche chega ao cúmulo de dizer que Deus é brasileiro. Se fosse assim, então Ele seria um ente desprezível. Brasileiro Deus para eles que vivem em suas mansões com fartos banquetes custeados e mantidos pela miséria e pela escravidão, de sangramento contínuo da carne humana e do espírito.

No nosso país, creio que essa desigualdade é mais ainda alimentanda pela total alienação, pelo individualismo e pela falta de indignação em protestar contra as mazelas e as corrupções. É cômodo jogar a culpa em Deus e passar todo o tempo fazendo caridades e assistencialismos que só fazem humilhar mais ainda o ser humano. Esmolas não vão nunca resolver a questão da desigualdade. No Natal aparecem os “socorristas” de plantão para enganar uma dor que logo depois volta a fustigar dia e noite.

OS NÚMEROS NÃO MENTEM

Vamos deixar de lado o blábláblá sociológico e filosófico e partir direto para os cruéis números da desigualdade social no Brasil que são estarrecedores. Não são as almas caridosas de final de ano que vão amansar uma tirana que rói continuamente as barrigas famintas, ou apagar as injustiças que ferem mortalmente as pessoas necessitadas. Não considero este tipo de ação como solidariedade, mas como remorso de consciência pelo que não é feito de real para curar o mal que corrói toda sociedade.

Bem, para começar, como diz a manchete dos jornais: “1% dos brasileiros ganha 36 vezes mais que a metade pobre do país”. No Brasil, a desigualdade é extrema e segue aumentando o abismo entre o 1% e os 50% com os menores salários. Os dados mortais de extermínio em massa são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É um verdadeiro genocídio entre irmãos, para ser bem redundante, provocado pela corrupção e por todos brasileiros que cruzam os braços ante a desgraça humana.

Pelos números, as 889 mil pessoas, correspondentes a 1% dos abonados, têm uma renda média mensal do trabalho acima de R$27 mil. Os 50% recebem os piores salários, em torno de R$700,00, bem abaixo do mínimo. Considerando os 5% com menores salários, a renda média é de míseros R$73,00 mensais. São quase cinco milhões nesta situação de degradação social. Nos centros urbanos, somente 23% têm uma vida satisfatória em termos de dignidade humana. A maioria luta para sobreviver.

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OS PEIXES SUMIRAM DO RIO!

Sentei num bar na orla de Juazeiro e veio logo àquela vontade de saborear um peixe, de preferência um surubim. Gosto demais!

Chamei o garçom e pedi a iguaria, sem me atentar do desastre ecológico provocado pela irracionalidade do homem.

Para minha decepção, prontamente o garçom respondeu que tinha carne bovina, de caprino, algumas aves, frango, menos peixe, meu senhor.

Mas, moço! Vocês aqui às margens do Rio São Francisco e não tem um peixe para servir?

O Velho Chico está aí morrendo ao lado – apontou para o rio o garçom, um tanto triste e envergonhado.

É essa a situação em que se encontra o Rio São Francisco, vivendo seus últimos dias em estado agonizante, enquanto os safados lá em cima roubam, inventam de fazer transposição de suas águas, canais, adutoras para comprar votos e desviam os recursos que deveriam ser investidos na sua revitalização.

Por coincidência, minutos depois do meu rápido diálogo com o garçom, sentou ao meu lado o primo Washington Macário de Oliveira, técnico- agente do Inema que luta para preservar o que ainda resta da destruição, e isso sem a estrutura ideal que deveria receber do órgão estadual.

Relatei do meu espanto por não encontrar nenhum tira-gosto de peixe para acompanhar a cerveja gelada. Fiz um discurso sobre a inconsequência do homem frente à natureza e destilei toda minha ira nos governantes e políticos.

Ele concordou, acrescentou outros pontos concretos com base em suas andanças de trabalho de fiscalização. Para meu consolo, informou que as águas do Velho Chico subiram um pouco em Bom Jesus da Lapa, na Bahia, com as últimas chuvas.

Como já estava revoltado mesmo, disse secamente que São Pedro não deveria mandar mais chuvas nas cabeceiras do Velho Chico. Chega de depender dele!

O que é isso, cara! Falou o primo com expressão de horror indo de encontro à minha afirmação, até certo ponto maluca.

Expliquei que, se os mandatários perdulários já se acomodaram quanto à renovação do rio em todo seu leito, ai é que não vão fazer nada mesmo com a chagada das chuvas. Vão continuar sempre esperando pela divina providência, enquanto o rio morre ano a ano, Se as águas retornam ai é que eles recolhem novamente os projetos para suas respectivas gavetas.

Em seguida fiz uma indagação: E quando a seca bater novamente no sertão? Vamos sempre ficar dependentes das chuvas e cada vez mais retirando água do rio de forma desordenada, com esse ímpeto avassalador de destruição? Não são as chuvas passageiras e temporárias que vão ressuscitar o Velho Chico e fazer com que eu chegue aqui e tenha a satisfação de comer um peixe nessa margem que já foi bela.

Com minha tirada inesperada, levei o primo a fazer uma reflexão e, em parte, concordou comigo, contando mais outras de suas histórias do trabalho incansável de fiscalização para impedir que o homem estúpido primitivo faça mais desgraça contra a natureza.

ARRASTÃO DE PEDINTES E AMBULANTES

Ainda continua linda a paisagem que resta do “Velho Chico” debruçado entre as cidades de Juazeiro e Petrolina. Não é mais o tempo dos navios vapores e as chalanas. Não mais o encanto de antes. Mesmo assim, ficamos  ali pensando e imaginando coisas, inclusive das nossas vidas.

Tudo respira poesia, infelizmente até a pobreza com seu grito de socorro. Mudamos de conversa e observei outra revoltante degradação humana, provocada pela demagogia e desleixo dos mandantes egoístas que só cuidam de si.

Primo, já percebeu quantos pedintes e ambulantes passaram em nossa mesa nesses poucos momentos em que estamos aqui? – Perguntei.

Outro papo de reflexão. A cena que constatei na orla de Juazeiro mais parecia um arrastão de pedintes esfomeados e outros vendendo tudo quanto é bagulho e miudezas para conseguir uns trocados.

É bom que fique claro que isso não acontece apenas em Juazeiro, mas, em todas as cidades multiplica a cada dia o número de pessoas vivendo na extrema pobreza. Estamos em plena marcha ré do retrocesso acelerado imposto pelas políticas fascistas do lucro a qualquer preço, empurrando o brasileiro para a escravidão. Cada um só pensa em si e o resto que se dane.

A orla de Juazeiro é apenas um dos tristes exemplos de cenas de agressão social e também ecológica, com sujeiras nos passeios e nas margens do rio que tanto abasteceu o homem com suas generosidades. Retribuímos com o instinto perverso e assassino do mal.

CALÇADÕES DE JUAZEIRO E APERTADOS DE CONQUISTA

Mas, existe também o lado bom e aprazível nas obras dos calçadões que se espalharam pelo centro, humanizando a cidade e aumentando o movimento do comércio. As pessoas circulam livremente e as crianças brincam sem a preocupação de carros transitando. Os calçadões deram vida, e o local virou  um shopping a céu aberto, sem contar o bom reforço policial de duplas dando mais segurança a moradores e visitantes.

Veio-me logo à mente o centro apertado de Vitória da Conquista, um emaranhado de ruas cheias de carros por todos os lados e passeios estreitos danificados, dificultando o movimento. As ruas Ernesto Dantas e a Francisco Santos, por exemplo, poderiam ser transformadas em calçadões livres para a população.

A Praça Barão do Rio Branco também deveria ser do povo e não num amontoado de carros. Hoje, para se atravessar a praça, as pessoas são obrigadas a se desviar dos veículos e o local ficou feio e confuso. O que se tem ali naquela artéria é uma imagem desorganizada, mais parecendo com um mercado árabe.

Está ainda na mentalidade do lojista conquistenses de que o cliente para comprar tem que parar o seu carro na porta do seu estabelecimento. Conversei com um empresário sobre colocar calçadões nestas áreas da cidade e ele deu um pulo contestando a ideia. Em sua opinião, tinha que abrir mais ruas na 9 de Novembro e entupir de carros. Mentalidade atrasada!

Na verdade, todo centro de Conquista passa uma imagem feia e poluída, tanto no aspecto virtual como sonoro. O local mais horrível da cidade é o Terminal Lauro de Freitas, o legítimo “CABEÇA DE PORCO”, sujo e irritante para se circular. Ônibus e carros ficam engavetados num tremendo engarrafamento insuportável soltando fuligens.

Sempre tenho dito que ali não dá mais para se fazer reforma, só se for para pintar os meios-fios e tudo fica no mesmo. Serviço ali não vai passar de uma maquiagem. É jogar dinheiro do contribuinte no lixo. O Terminal de Ônibus tem que ser em outro local mais amplo da cidade, e o atual ser urbanizado com quiosques, lanchonetes e outros atrativos para a população.

Por incrível que pareça, a maioria dos comerciantes não aceita transferir o Terminal porque acham que é ali, em meio à poluição e sujeiras que vendem mais. Os lojistas entendem que tirar o Terminal afugenta os consumidores. É o absurdo!

Cidade atrativa é cidade limpa, bem urbanizada e humanizada. Gostei dos calçadões de Juazeiro, e todos moradores com quem conversei apoiaram a iniciativa da prefeitura local. Os veículos estacionam nas ruas adjacentes aos calçadões, e no centro sobrou área até para os ambulantes.

ARQUIBANCADAS EXPÕEM RECORTE TRÁGICO DO QUE O BRASIL É

Mariliz Pereira Jorge – Jornalista

Colunista

Num país em que crianças apedrejam Papai Noel porque acabaram as guloseimas não dá para ficar surpreso, nem sequer chocado, com a barbárie dos torcedores de futebol. No domingo (10), em Itatiba, no interior de São Paulo, um grupo de voluntários participava de uma ação de Natal e foi hostilizado porque os doces acabaram. Papai Noel teve que fugir com trenó e tudo para não ser vítimas das pedras atiradas por crianças com idade entre 9 e 12 anos. Mas não escapou dos xingamentos. Foi chamado de filho da puta e mandado tomar naquele lugar.

Alguém duvida que é de uma infância assim que saem os torcedores que vão lotar as arquibancadas, ameaçar juízes, jogadores, depredar estádios por dentro e por fora, se envolver em brigas de morte com torcidas adversárias?

O que aconteceu na final da Copa Sul-Americana pode ter deixado muita gente assustada. Mas é o que acontece semanalmente em maior ou menor grau no futebol brasileiro. As brigas de torcida são responsáveis por dez mortes apenas em 2017. É o recorte trágico do que o Brasil é.

Vivemos todo tipo de intolerância em nossa sociedade: racismo, machismo, xenofobia.

Temos a quinta maior taxa de feminicídio do mundo, somos o país que mais mata travestis e transexuais. Não à toa, estamos no topo dos que mais registram mortes relacionadas ao confronto entre torcidas. As pessoas morrem apenas porque torcem por um time.

O poder público leva uma goleada atrás da outra na intenção de coibir a violência. Multa, interdita estádios, determina torcida única. Ou seja, apenas enxuga gelo.

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2018, UM MARCO NA HISTÓRIA DO CONQUISTA

Carlos Albán González – jornalista

Falta exatamente um mês para o começo da dolorosa caminhada, em direção ao calvário, de centenas de médios e pequenos clubes brasileiros, e a certeza que pesa sobre milhares de jogadores, de que ficarão desempregados a partir de abril. Por determinação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), responsável pelo mal elaborado calendário do futebol nacional, os campeonatos estaduais terão que ser realizados entre 21 de janeiro e 8 de abril, incluindo o domingo de Carnaval (10 de fevereiro), e coincidindo com as Copas do Nordeste e do Brasil. A programação da entidade nacional ficará em 2018 mais apertada, em função da realização da Copa do Mundo da Rússia, entre 14 de junho e 15 de julho.

Essa perversa política da CBF, aceita, sem reclamações, pelas federações estaduais, já “matou” cinco campeões baianos: Ipiranga (ex-Mais Querido), Botafogo (de muitos títulos), Galícia (tricampeão), Colo-Colo e Leônico. Com exceção de Bahia e Vitória, que vão disputar o Campeonato Brasileiro da série “A”; do Vitória da Conquista, que está inscrito na Copa do Brasil e Brasileirão da série “D”; e do Juazeirense, classificado para o Nacional da série “C”, os outros seis participantes, incluindo o Fluminense de Feira de Santana, que tem dois campeonatos baianos, vão ficar oito meses inativos em 2018.

Se o ano lhe for amplamente favorável em termos de resultados dentro de campo, o Vitória da Conquista permanecerá em atividade por oito ou nove meses. Seu presidente, Ederlane Amorim, garantiu que “tudo será feito para que 2018 venha a ser um marco na história do clube”. A Copa do Brasil tem seu término previsto para 17 de outubro, com o Conquista estreando em casa, em 31 de janeiro, contra o Boa Esporte, originário de Varginha, em Minas Gerais.

Ao lado de Fluminense de Feira e Jacuipense, o Vitória da Conquista será o terceiro representante da Bahia no Campeonato Brasileiro da série “D”, que contará em 2018 com 68 clubes, divididos, na primeira fase, em 17 grupos regionais. O torneio, cujo chaveamento ainda não foi definido, irá de 22 de abril a 5 de agosto.

Sem jogos de volta, o que demonstraria a imparcialidade do torneio, o Vitória da Conquista será prejudicado financeiramente, pois deixará de receber o Bahia em casa, na única oportunidade de lotar o “Lomanto Júnior”. Seu mais aguardado jogo será contra o Vitória, numa noite de quarta-feira (24 de janeiro). O horário de 21h45 foi imposto à FBF pela TV Bahia, que transmitirá a partida para todo o estado, submetendo o torcedor, que vai deixar o estádio no começo da madrugada do dia seguinte, a uma temperatura baixa.

O Conquista estreia dia 21 de janeiro contra o Atlântico, em Salvador, no “Barradão”. Em seguida, fará três jogos no “Lomantão”, contra Vitória, Jequié e Juazeirense, respectivamente, nos dias 24 e 28 de janeiro e 4 de fevereiro. Vai enfrentar o Bahia, dia 7 de fevereiro, na Fonte Nova. Volta pra casa para recepcionar a Jacuipense, em 18 de fevereiro, logo depois do Carnaval. Os dois representantes de Feira de Santana serão seus adversários em 25 de fevereiro (o Bahia, no “Jóia da Princesa”) e 4 de março (o Fluminense, no “Lomantão”). Despede-se da primeira fase do campeonato, dia 7 de março, em Jacobina.

O regulamento do Campeonato prevê que o primeiro colocado terá vagas asseguradas em 2019 na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil; o vice-campeão e o terceiro colocado participarão da Copa do Brasil. Mais duas vagas no pré-Nordestão serão destinadas aos melhores colocados no ranking da CBF (por ordem, Vitória, Bahia, Juazeirense, Fluminense, Vitória da Conquista, Jacuipense e Jacobina). O mesmo critério será adotado para os três convidados para a série “D”, desde que não estejam inscritos em outras séries, no caso, Bahia e Vitória.

No campeonato do ano passado, o Vitória da Conquista, como mandante, em seis partidas, arrecadou quase R$ 121 mil. Sua maior bilheteria foi no confronto com o Bahia. O público pagante de 2.974 torcedores proporcionou uma renda de R$ 47.700. Há necessidade de uma maior participação do torcedor, comparecendo ao “Lomantão”; do empresariado, assumindo o papel de patrocinador; e do poder público – a prefeitura anunciou na semana uma ridícula ajuda mensal de R$ 20 mil. A cidade deve abraçar o seu time.

Mais uma vez dou como exemplo a Chapecoense, 14º colocada no ranking da CBF. Fundada em 1973, ascendeu rapidamente no cenário futebolístico de Santa Catarina, chegando em 2009 à série “D” do Brasileirão; em 2016 conquistou a Copa Sul-Americana e este ano ganhou o direito de disputar a próxima Libertadores.

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