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LEMBRANÇAS DO TREM

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Foi-se o tempo de menino,

Espiando o telegrafista,

Com batidas de artista,

Mandar tocar o sino,

Como se fosse um hino,

Pra lembrar aos viajantes,

Que em poucos instantes,

Vai ter máquina na pista.

 

Lá vem o trem a se arrastar,

Nas serras diamantinas,

Como cobra a deslizar,

Por entre as colinas.

 

Lá vem o trem roncando,

Com suas patas de ferro,

Levando usinas de sonhos,

Nas cabeças dessa gente,

Soltando o seu berro,

E avançando imponente.

 

Lá vem o trem groteiro,

Pelas esquinas do sertão,

No seu traço rotineiro,

Picado lento e ligeiro,

Parando nas estações,

Como fazia o tropeiro.

 

Lá vem o trem das matinas,

De janelas sem cortinas,

No seu balanço manso,

Apitando pra avisar,

Que logo vai parar,

Na Estação de Paiaiá.

 

Lá vem o trem penitente,

Puxando a sua corrente,

Nos trilhos do dormente,

Como um rezador,

Que vai curando a dor

Da alma do doente.

 

Lá vem o trem lembrança,

Dos dias que era criança,

Matando minha saudade,

De no embalo pongar,

E mais adiante se soltar,

Pra na linha caminhar,

Vendo o meu trem sumir

No horizonte de lá,

E noutra cidade chegar.

 

Em sua última viagem,

O trem partiu para o além,

E levou a minha bagagem,

Ficando só na mente,

A marca daquela fumaça,

Na minha cinzenta vidraça.

 

Lembrança da valente,

Piritiba de toda gente;

Do sábado de feirante;

Do poema cortante;

Do poeta Aragão,

Que mistura pavio,

Mandioca com feijão,

E ainda nos dá razão,

Pra xingar de delinquente,

O governo indecente,

Que deixou esse vazio,

Do nascente ao poente.

 

A PANDEMIA DA VIOLÊNCIA POLICIAL

AS CENAS DE ESPANCAMENTOS E TORTURAS SÃO CHOCANTES

Vamos apurar os fatos e punir os culpados no rigor da lei – respondem os coronéis-comandantes diante das imagens incontestáveis de espancamentos, e até de mortes contra civis brasileiros, não importando se são suspeitos bandidos ou inocentes cidadãos de bem. Faltam dizer que vamos investigar, mas que não vai dar em nada, quando muito um afastamento temporário dos fardados brutamontes das ruas.

Sabem do que estou falando nestes tempos tão sofridos do coronavírus que ceifa vidas e deixa milhares com medo, pânico e passando fome. Refiro-me à pandemia da violência policial que estampa cenas também de horror e barbárie dos passados autoritários e tirânicos de ditaduras e atrocidades. Desses policiais dos cassetetes e de armas em mão. Não sabemos de onde vem tanta frustração e recalque para destilarem tamanha raiva e sadismo.

Aqui mesmo em Vitória da Conquista já aconteceram tantos casos semelhantes de extermínio, mortes por despreparo policial e agressões em pessoas durantes abordagens que terminaram sendo arquivados e esquecidos pelas autoridades que deveriam ter dado uma satisfação à comunidade, como, por exemplo, do menino Maicon que foi morto por uma ação atabalhoada da polícia militar.

TANTA RAIVA E VIOLÊNCIA!

Nos dizem os oficiais comandantes que eles foram treinados para lidar com equilíbrio e tratar bem o cidadão que paga seus salários. Então, por que chegam a descarregar tanta violência, principalmente nas pessoas mais pobres e negras das periferias? Há séculos que a polícia militar tem essa imagem de truculência, e sempre é reforçada com mais tanques, bombas e armamentos pesados, para combater a própria violência da bandidagem.

No entanto, a violência só faz aumentar e nada muda. De um lado, a polícia baixando o sarrafo no povo e, do outro, o marginal criminoso assaltando e também matando. A violência não cessa, a não ser nas estatísticas do sádico capitão-presidente que disse ter feito, em seu governo, acabar com os índices da criminalidade no país. Com certeza, ele mandou apagar os dados no mapa das informações da violência, como ocorria na ditadura civil-militar de 1964.

Se criam batalhões especiais, mais carros, mais fuzis, metralhadoras, granadas e até foguetes para combater a violência, o número de roubos, o tráfico de drogas, a extorsão, os homicídios, a violação dos direitos humanos deveriam cair, mas só fazem aumentar no país. Então, alguma coisa está muito errada neste método ultrapassado de policiamento. Algo precisa ser mudado e revisto.

Reformulação nem pensar

Errar é humano, mas persistir no erro é muita burrice, como fala o ditado popular. Vá falar em reformulação da polícia militar que lá vem os comandantes e as autoridades federais a soltar palavrões e a defender que tudo fique como está, que não se pode fazer mudanças numa corporação centenária, como se fosse um mito sagrado intocável.

Preferem manter os interesses corporativos, treinamentos retrógrados, ultrapassados e fardados de baixo nível sem condições de exercer a função de segurança da população, enquanto se assiste todos os dias na televisão cenas degradantes e medievais de torturas, porradas, sangramentos, botinadas, pernadas, cacetadas e até tiros pelas costas contra nossos brasileiros, e isso, sem punição rigorosa aos transgressores e criminosos da lei, que deveriam estar ali para defende-la e obedecê-la.

Quase todos os países reformulam e estão sempre reformulando e repensando suas polícias e guardas, que não são militares, menos o Brasil que registra um dos maiores índices de violência e abusos de direitos humanos do mundo, praticados pelas suas corporações. Aqui, não temos protestos e manifestações de ruas condenando a brutalidade, só pedidos isolados de justiça, muitas dores, choros e lágrimas que nunca passam.

Além desse mortal coronavírus, o brasileiro tem que conviver com várias outras pandemias, como da violência policial desregrada, do desemprego, da saúde, da fome que mata lentamente e tem como remédio único o alimento, da dengue, da injustiça social, da falta de saneamento básico, da ignorância e tantas outras que deixam um rastro de pobreza, doenças e misérias nessa terra arrasada.

PSB APÓIA O NOME DO JORNALISTA E ESCRITOR JEREMIAS MACÁRIO COMO PRÉ-CANDIDATO A VEREADOR

Numa reunião descontraída e objetiva nesta segunda-feira (dia15/06) por volta das 18 horas, no Espaço Cultural do Sarau A Estrada, entre José Carlos, Genivan Neri e o jornalista e escritor Jeremias Macário ficou definido os primeiros passos de apoio à pré-candidatura do jornalista para disputar uma vaga à Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, como representante do Partido Socialista Brasileiro (PSB).

José Carlos e Genivan apontaram as dificuldades nos tempos atuais no Brasil e em Conquista do fazer uma política diferenciada e séria voltada para os interesses coletivos, no caso mais específico da nossa comunidade conquistense, sem dispor de recursos suficientes para concorrer com outros nomes com maior poderio, inclusive com a máquina pública em mão.

José Carlos alertou que a candidatura a vereador, que exige um maior corpo a corpo e relacionamento com os eleitores, é bem mais difícil e complicada do que a de uma majoritária, principalmente com poucas condições financeiras e humanas que dispomos para trabalhar. A de vereador tem um maior universo de concorrentes para os eleitores onde muitos já têm seus nomes definidos por vários motivos pessoais.

No entanto, Jeremias Macário, que expôs suas razões políticas de lançar seu nome, se disse honrado em ser pré-indicado pelo PSB, com o qual se identifica ideologicamente, acrescentando ser mais um desafio entre muitos outros de sua vida, talvez o mais difícil que é fazer política honesta neste país, quando o povo está desiludido e descreditado com a classe diante das inúmeras decepções.

Como pré-candidato a vereador pelo PSB, o jornalista e escritor Jeremias Macário destacou em sua possível campanha a defesa da cultura, dos artistas de um modo geral, abrangendo todas as linguagens, sem distinção, dando voz a todos, mas sem esquecer das questões sociais do nosso povo mais carente e pobre que passa necessidades, milhares até em estado de fome, que continuam esquecidos e abandonados pelas políticas públicas dos nossos governantes.

Também José Carlos e Genivan lembraram a importância de o partido ter um candidato que foque nos grandes projetos para Vitória da Conquista, como do abastecimento de água, o problema da mobilidade urbana (a crise nos transportes coletivos), a infraestrutura do novo aeroporto Glauber Rocha e o anel viário da cidade que, por falta de viadutos e passarelas, ainda mata muita gente nos acidentes de trânsito.

Jeremias disse que Conquista precisa de projetos à altura do tamanho da cidade como capital do Sudoeste e terceira maior do estado. Esteve também presente ao encontro, a professora Vandilza Gonçalves, esposa do jornalista que está se lançando pré-candidato a vereador de Vitória da Conquista. Conversamos também sobre a situação política atual e a necessidade da constante prevenção contra a Covid-19 que já ceifou a vida de mais de 45 mil pessoas no Brasil.

“CIGANOS NO BRASIL – UMA BREVE HISTÓRIA (II)

A lembrança que tenho quando ainda era menino sobre os bandos de ciganos pelas estradas a vagar foi de meu pai com um facão em riste a bradar no milharal contra aquela gente diferente que estava a colher espigas de milho na maior algazarra. Meu pai, depois de dar muito duro nas plantações, chamava-os de “ladrões” e “vagabundos” e os escorraçava da roça aos gritos. Eles o xingavam de “gajão” usurário.

Sempre ficou em minha mente a imagem de um povo errante, e que todos nas redondezas temiam sua passagem por aquelas bandas, e uns avisavam os outros quando eles estavam vindo, como forma de ficarem atentos e impedir suas investidas. Homens, mulheres e crianças se arrastavam com cavalos e mulas carregadas com badulaques. Aquelas cenas me fascinavam, e mais tarde me despertaram a curiosidade de conhecê-los melhor.

De um povo trapaceiro

O estereótipo sempre foi de um povo trapaceiro que agia como ladrões, adivinhos do futuro, que vivia de lugar em lugar armando e levantando suas tendas à beira das estradas e fazendas. Na verdade, o que havia era muito preconceito da sociedade e visão errada contra uma nação que sempre viveu em correrias pelo mundo porque adotou suas próprias regras e modos de sobrevivência, e só quer ter o direito de ir e vir, sem serem perseguidos.

Com a leitura de “Ciganos no Brasil – uma breve história”, de Rodrigo Correia Teixeira, passei a ter um outro conceito dos ciganos, diferente do estigma que sempre carregaram por causa de uma sociedade tida civilizatória que não aceita a diferença, achando que existe um padrão único de vida. No primeiro comentário, falamos de suas origens, grupos e como chegaram ao Brasil trazidos como cargas de Portugal.

Políticas anti-ciganas portuguesas

Rodrigo Teixeira prossegue em sua pesquisa descrevendo que as perseguições aos ciganos portugueses se acentuaram a partir do reinado de D. João V, de 1706 a 1750, quando centenas foram degredados para as colônias ultramarinas, inclusive o Brasil. A deportação continuou até final do século XVIII. De 1780 a 1786 foram enviados grupos de 400 ciganos anualmente para o Brasil.  É até impossível determinar quantos vieram para aqui. No entanto, segundo Teixeira, os primeiros que aportaram ao Brasil eram portugueses e não embarcaram voluntariamente.

Foi o que ocorreu com João de Torres e sua mulher Angelina, só pelo fato de serem ciganos. Insinua o autor que ele deve ter pago um suborno porque sua pena foi mudada para cinco anos no Brasil. Não se tem certeza se ele embarcou, ou quanto tempo ficou aqui. De acordo com o historiador, com base em documentos, a deportação mesmo para valer começou a partir de 1685, e que eles deveriam ir para o Maranhão (antes iam para as colônias africanas).

Teixeira cita o pesquisador Donavan, destacando que uma forma de D. João V expor publicamente sua determinação era ordenar a deportação de uma pequena quantidade, em torno de 50 homens, 40 mulheres e 43 crianças presos em Limoeiro. Tudo indica que uma parte foi para a Capitania de Pernambuco, outra para o Ceará e outra para Angola. A ordem era que não deixassem retornar para Portugal.

A Câmara de Olinda remeteu depois uma carta ao rei, comunicando que eles viviam espalhados pela capitania cometendo toda sorte de crimes, principalmente de furtos e assassinatos. A câmara pedia que eles fossem para o Ceará. Também, em 1718, consta que muitas famílias foram enviadas para a Bahia “por causa do escandaloso procedimento no reinado”. A primeira capital colonial tornou-se uma das mais importantes cidades para os ciganos do Brasil. Em Salvador, tudo indica que foram alojados nos bairros da Mouraria e Santo Antônio d´Além do Carmo.

Inquisição do Santo Ofício e em Minas

Historiadores apontam ainda a presença de ciganos nas Minas de Ouro em fins do século XVII, na busca do metal, e também por ser um lugar difícil para a inquisição do Santo Ofício. Augusto de Lima Júnior relata que houve grande escassez de alimentos em Ouro Preto por volta de 1700. No ambiente de desespero, negros escravos e bandos de ciganos armados saltearam vivos e saquearam os mortos. João Dornas Filho diz que eles chegaram a Minas através do Rio São Francisco.

No entanto, o estudioso do livro, afirma que foi somente a partir de 1718 que várias famílias de ciganos foram para Minas. A presença deles é registrada desde início dom século XVIII, o que contrariava as intenções da coroa portuguesa que ordenou que fossem remetidos para o Rio de Janeiro de onde então seriam mandados para Angola. O documento os chamava de “ladrões salteadores”. A ordem se estendia a quem os hospedassem em suas casas ou fazendas. No entanto, o governador de Minas advertia que as queixas eram somente por serem ciganos. Dornas Filho acrescenta narrações, sem fontes, sobre a ação de salteadores na Serra da Mantiqueira.

O que conta o autor da obra é que, aproveitando da fama, bandidos se faziam passar por ciganos, usando seus nomes e até agindo próximo onde eles se acampavam. Consta que, em 1726, em São Paulo, foram solicitadas medidas contra os ciganos. A política era que eles se mantivessem em movimento. “Minas Gerais expulsa seus ciganos para São Paulo, que os expulsa para o Rio de Janeiro, que os expulsa para Espírito Santo e de lá para a Bahia, que manda novamente para Minas Gerais” e voltam para a Bahia.

Entregues aos mestres

As ordens judiciais determinavam que os rapazes de pequena idade fossem entregues aos mestres, para aprenderem algum ofício e artes mecânicas. Quanto aos adultos, que assentassem praça de soldados, ou trabalhassem em obras públicas, proibindo o comércio de bestas e escravos, de modo que não ficassem juntos por muito tempo e vivessem em bairros separados. As mulheres deviam ficar recolhidas, ocupando os mesmos afazeres que usam as do país. Quem transgredisse as leis deveriam ser degredados por toda vida para a ilha de São Tomé, ou do Príncipe

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CENAS DEGRADANTES E O SUICÍDIO COLETIVO DE UM POVO IRRACIONAL

LOUVÁVEL A POSIÇÃO DA MULHER ELEITORA QUE LAMENTOU AS MORTES BRASILEIRAS PELO CORONAVÍRUS E SE DISSE TRAÍDA PELO PRESIDENTE-CAPITÃO QUE PREGOU ACABAR COM A VELHA POLÍTICA E ESTÁ FAZENDO ACORDOS COM O “CENTRÃO”, NA BASE DO “TOMA LÁ, DÁ CÁ”, SEGUINDO A MESMA LINHA DO PT DE LULA, QUE ELE TANTO CONDENOU. FOI ESCORRAÇADA, MAS DEU SEU RECADO E VOZ A TODOS AQUELES QUE VOTARAM NELE E HOJE ESTÃO ARREPENDIDOS.

Enquanto milhares morrem pela Covid-19 e outros passam fome e choram por uma cesta básicas, muitos pegam filas nas portas das lojas para comprar supérfluos. Pregar isolamento social no Brasil é como pregar no deserto. As lágrimas estão secando, e poucos importam para os sofrimentos alheios. Assim caminha a humanidade brasileira…fingindo que sente dor.

O povo brasileiro, infelizmente, já se habituou a ver os maiores absurdos e histórias macabras que, em outros países desenvolvidos, não se admitiria e nem se imaginaria que acontecessem com seres humanos. Não nos chocamos mais com o tratamento abaixo do nível desumano. Muitas coisas parecem mentiras.

De tão repetidos, os horrores da vida se tornaram normais porque outros piores logo aparecem nas telas da mídia para se superarem. Não há reação de revolta, não há indignação, e as lágrimas, as dores e os gemidos parecem não tocar os corações e mover sentimentos. As mentes mentem e estão entorpecidas pela hipnose da insensibilidade. É um povo que vaga desgarrado em caminhos perdidos e diferentes. São tantas as encruzilhadas da morte, sem ser trágico e dramático! Até a esperança e a fé estão se esvaindo! As lágrimas estão secando.

No exterior, as pessoas devem estar estarrecidas e a perguntar o que está acontecendo com o nosso tão rico Brasil ao presenciarem tantas desgraças que se abatem sobre essa gente, principalmente agora com a pandemia do coronavírus que, a cada dia, estampa cenas degradantes e deprimentes, coisas típicas dos tempos medievais dos séculos XV ao XVIII. Sem educação e cultura, o nosso país ainda é uma mistura desses séculos, e ainda não saiu do XIX nas questões da dignidade humana.

A última dos horrores das vítimas da Covid-19 foi a imagem de um pai preparando sua criança no caixão em plena rua, ao lado de um container de lixo. Essa foi a mais recente de tantas outras desumanas nesses tempos da pandemia, como a de corpos mortos enrolados ao lado de doentes em camas e UTIs de hospitais, o sepultamento em valas comuns como se fossem meras carniças e tantas outras que não mais despertam empatia e compaixão, como se fossem normais. A sensação é que o Brasil está descendo as escadas mais inferiores do inferno de Dante.

O Brasil vive uma barbárie e é o único no mundo mais despreparado, desorganizado e precário para combater o coronavírus que só faz avançar. Além dessa pandemia mortal, existem outras de ordem social, na área da saúde em colapso, na desastrosa política de um sádico psicopata, no baixo nível educacional e cultural, na economia, na depredação ambiental, na violência policial e na falta de saneamento básico que ceifam vidas diariamente.

Tudo junto forma um cenário aterrador apocalíptico com tendência de acelerar ainda mais o número de vítimas pela Covid-19, que pode duplicar e até triplicar. Já está havendo um genocídio em massa, sobretudo nas classes mais pobres e entre os que vivem na linha da miséria.

Se o Brasil fosse um país sério e gozasse de uma plena democracia, o presidente, não só estaria cassado, como preso numa cadeia de segurança máxima. Por menos, o primeiro ministro da Itália está sendo investigado por negligência por não ter tomado medidas antecipadas de isolamento numa província.

UM POVO DESEMBESTADO COMO GADO

Diante desse quadro confuso, desarrumado e de incertezas, não existe espaço para o otimismo, pelo menos a curto e médio prazo quando temos um povo, em sua grande maioria, desprovido de educação e cultura, que só segue as normas de isolamento e distanciamento social se for na base do ferrão de vaqueiro brabo, ou do policiamento repressivo.

Existe pouca consciência humanitária, e pior ainda no âmbito político de saber revidar as atrocidades e dar um basta. Chega de tantas calamidades! O povo parece gado desembestado quando se abrem as porteiras de uma flexibilização que não deveria ocorrer, como está acontecendo em Vitória da Conquista, aqui em nossa casa.

O modo individualista e egoísta de se comportar leva a atitudes irresponsáveis de desobediência civil que só é controlável através da força policial. Não dá para entender como tem gente que invade as praias para curtir um banho de mar e praticar lazer e esportes nas areias, mesmo diante de uma placa de interditado por um decreto municipal. A impressão é que todos foram induzidos a um suicídio coletivo de maiores proporções.

Como tem gente que faz filas nas portas das lojas de confecções, de perfumes, de sapatarias, móveis, de utensílios eletrônicos e outros ramos para comprar produtos como se fossem essenciais e imprescindíveis à vida? Para essas pessoas, uma camisa, uma calça ou um sapato são objetos de primeira necessidade, cujas compras não podem ser adiadas. Nem estão aí para aglomerações nas ruas e entram irracionalmente de cabeça no consumismo, como se fossem imunes ao vírus. É uma massa irracional!

Tudo isso reflete a falta de educação e cultura, muito diferente da mentalidade racional de países europeus e orientais asiáticos que cumprem e incorporam as regras de isolamento, sem precisar de repressão policial. Aqui, o fechamento de ruas e bairros, os toques de recolher, as campanhas e os decretos surtem pouco efeito porque não existe consciência coletiva no sentido de cada um se proteger para proteger os outros e vencer o vírus.

É lamentável o que está acontecendo no Brasil! De um lado a pobreza, a miséria, milhares morrendo nos hospitais precários (mais de 40 mil), muita gente desesperada sem emprego e passando fome e, do outro, pessoas com dinheiro contado, mas preocupadas em consumir coisas supérfluas, como se fossem essenciais. Nem estão aí para a situação de crise e caos em que vive a nação. Nem estão aí para os que estão perdendo suas vidas para a pandemia! Não dá para entender tanta insensibilidade, tanta falta de solidariedade e tanto egoísmo acumulado! Parece que todos estão correndo em disparada para um suicídio coletivo!

 

LAPA SEM ROMARIAS

Uma pena e dá tristeza não ver aquele “mundareú” de romeiros tirando seus chapéus para receber a benção do Bom Jesus da Lapa, de Nossa Senhora da Soledade, ou encher as ruas do centro na Procissão das Águas. Não dá para assimilar ver uma imagem da cidade tão vazia que todos os anos recebe mais de um milhão de romeiros, isso há mais de 320 anos de romarias. Pois é, o coronavírus vai fazer isso neste ano de pandemia que já ceifou mais de 40 mil brasileiros, e esse número, infelizmente, pode duplicar ou triplicar. Os hotéis, que sempre estiveram lotados nesta época do ano, entre julho a dezembro, vão estar vazios, como a gruta do Bom Jesus da Lapa, no oeste baiano. A atividade mais forte da economia da cidade, que é o turismo religioso, vai sofrer um colapso, bem como dos municípios vizinhos que servem de roteiro para os romeiros que saem de todas as partes do Brasil para pagar suas promessas. Depois de mais de três séculos, pela primeira vez, vamos ter uma romaria virtual. É o que tudo indica, diante dessa pandemia que aqui, neste nosso país, encontrou terreno “fértil” para se propagar por causa da política de desagregação do governo federal, da pobreza que só faz se alastrar e da precariedade na saúde, na educação, no campo social e na economia. Foto reprodução.

FRONTEIRAS DAS BARBÁRIES

De Jeremias Macário, em homenagem a Camilo de Jesus Lima.

Deixa essa gente avançar a fronteira, gente!

Deixa essa gente ir em frente com sua dor!

Abra os espaços de aços e baixe as armas!

Idosos, crianças e a gente de toda idade;

São filhos dos bombardeios do horror;

Gente do mar revolto e da terra quente,

Faminta de olhos tristes e mãos desarmadas,

Pés que se arrastam em busca da liberdade.

 

Olha aquela gente, moço, que mira o poente!

Sente como vem em direção da nossa gente?

Como o povo do deserto fugindo do Faraó;

Uns com seus filhos e outros andando só,

Cortando mares, montes, cercas e serras;

Passos apressados para fugir da barbárie,

Do ódio étnico-religioso de “santas guerras”.

 

Abra a fronteira pra essa gente atravessar!

Gente que vem da espada dos templários!

Como sangria do terror nazista maoísta,

Do poder radical do deus fundamentalista,

Que não porta lenços revolucionários;

Só mochilas com as saudades do seu lar.

 

O mundo vai ser todo murado e cercado!

Como fazendas fortalezas latifundiárias,

E quem não tiver terra, gente, vai ser boiada;

Viver como escravo e comer a ração dada,

Como palestino perseguido na Faixa de Gaza;

Latino clandestino entre o México e a estrada;

Haitiano na Amazônia pra vagar numa Plaza,

E todo refugiado como párias nas ferroviárias.

 

As lágrimas se misturam às poeiras,

No rosto daquele solitário menino,

Saído dos escombros das antigas ruínas,

Da linha de fogo das mortais fronteiras,

Do chão lendário e mítico do beduíno,

Onde um dia gerou o filho real ungido,

Para pregar convivência sem conflito,

E poder desbravar seu sonho sem finito.

 

Das profecias dos tempos os sinais:

A marcha de horrores estarrece o mundo,

Vinda das montanhas áridas em chamas;

Cruza além-mar das profundas sepulturas,

Para cobrar dívida do passado de usuras,

Dos exploradores dos miseráveis salários,

Em nome de seus bárbaros cruéis ideários,

De expandir seus territórios imperiais.

 

Deixem que os vivos das longas andanças,

Vindos dos porões dos barcos sufocantes,

Deste dantesco inferno dos mil demônios,

Derrubem essas amaldiçoadas fronteiras;

Sigam em direção de seus novos horizontes,

Para acalentar o choro e curar as feridas,

Nascidas do ventre de suas pátrias partidas!

 

Lá vem gente avexada pra fazer a travessia!

Não para guerrear por domínio de etnia,

Nem para detonar as igrejas e as mesquitas;

Lá vem gente que só pede por passagem!

Numa homérica viagem sem eiras nem beiras,

Como ventania que não teme o sol e o frio;

Sem tanques, sem bombas, símbolos ou fuzil;

Gente que só quer atravessar as fronteiras!

Gente que só quer passar por essas gentes,

Das cercas farpadas e de armas nas mãos.

 

Quem é essa gente vinda da África e da Ásia?

Navega perdida pelo Mediterrâneo e o Egeu,

Nos mares revoltos do Olimpo de Prometeu,

Para ingressar na Grécia dos sábios filósofos,

Na Itália dos césares romanos conquistadores,

Que sai da Síria, Líbia, Sudão e da Turquia,

Em longa jornada até a Croácia e a Hungria,

Que se amontoa nas estações chiques de trem;

Pendura e se espreme nos macios vagões,

Como se fosse para campos de concentrações!

Gente que morre em frigoríficos de caminhões,

Para a Inglaterra, França, Áustria e Alemanha,

Países que dessa pobre gente se envergonha.

 

Que civilização é esta tão fútil primitiva,

Que solta foguetes acima espaços lunares;

Investe bilhões com bombas nucleares,

Como sempre fez o letal ianque do norte,

Que exterminou toda sua gente índia nativa,

E agora cala e deixa essa gente à própria sorte?

 

Que civilização é esta tão hipócrita cristã,

Que aponta o outro lado como o eixo do mal;

Trata os mulçumanos como se fossem animais,

Atirando dos muros sanduiches e gazes letais?

É uma civilização individualista e ainda pagã.

 

Não é esta uma civilização com a mente sã;

Nem é a minha, nem dos que rogam por paz,

Mas a deles que vendem uma história irreal,

E invade nações só para aumentar o cabedal.

 

Que civilização é esta da criança morta a boiar,

Nas ondas da praia vindas do outro lado de lá,

De um mar de tormentas de lágrimas a derramar,

Em plena era tecnológica assassina irracional,

Que não aprendeu com o fim do império romano,

Com o tempo da opressão do reino Otomano,

Com a brutal Cruzada das iras religiosas,

Com as câmaras de gás de seres em fornalhas,

Com as inquisições das fogueiras criminosas,

Com os czares e tiranos bestas feras canalhas?

 

Que civilização é esta amedrontada e dividida;

Desumana que caminha para a destruição fatal,

Que fez um pacto com o diabo pelo vil metal,

Que criou os filosofismos e outros tantos ismos,

Numa história banhada de sangue e barbarismos?

 

Como já disse uma vez o grande poeta da terra:

“Me solta gente que eu quero atravessar a fronteira”.

 

DA DEMOCRACIA À DITADURA NO BRASIL

A nova Medida Provisória autorizando que o ministro da Educação nomeei os reitores das universidades públicas, a sonegação de dados na saúde sobre as mortes de brasileiros pela Covid-19, a intervenção na Polícia Federal e o apoio do capitão-presidente às manifestações a favor de uma intervenção militar no país com o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal são indicações incontestáveis de que o Brasil está assassinando a democracia para ressuscitar a ditadura e o autoritarismo.

Não há mais dúvidas de que a intenção e a estratégia do governo federal são de calar a liberdade de expressão, implantar a censura, cassar políticos e governadores através de um novo Ato Institucional aos moldes do tenebroso AI-5 da ditadura de 13 de dezembro de 1968 que asfixiou o país por mais de 20 anos. As ações de retrocesso estão aí bem visíveis e demonstram que já estamos entrando nesse túnel das trevas. Estamos na boca da maldita ditadura!

Só não ver quem não quiser ou se faz de mudo, surdo ou cego. Existem ainda aqueles que acham que nada têm a ver com isso e não dão nenhum valor à liberdade. Outros são alienados, incultos e tem aqueles milhões de brasileiros que hoje estão mais preocupados em matar a fome. Existe ainda o silêncio dos bons, dos intelectuais e da elite burguesa que está mais preocupada com os lucros e aproveita para massacrar os trabalhadores.

Enquanto isso, os radicais nazifascistas brutos saem de seus buracos sujos e esgotos, de onde estavam escondidos, para destruir a democracia, chamando de terroristas e esquerdistas comunistas todos aqueles que ainda estão na trincheira em defesa do livre pensa dentro das leis constitucionais. Na verdade, quem são mesmo os terroristas da nação?

Muitas instituições e entidades estão reagindo contra as investidas desses trogloditas que querem derrubar a nossa frágil democracia, mas as vozes ainda são tímidas e esparsas, enquanto a deles já nos ensurdecem e causam pânico e terror. Precisamos de mais força e vigor de todos os segmentos da sociedade para dizer que não vamos permitir que eles violem os nossos direitos.

Cadê os estudantes, os professores, os trabalhadores, os sindicatos que ainda duramente sobrevivem, os próprios jornalistas e todos os injustiçados e pobres, para gritar bem alto que eles não vão passar por cima do nosso Estado de Direito. Como no poema de Maiakovski, vamos expulsá-los enquanto estão em nosso quintal roubando nossas flores. Não vamos permitir que entrem como ladrões e roubem nossa casa sagrada. A democracia precisa de vigilância constante de 24 horas, porque esses caras não tiram férias.

“CIGANOS NO BRASIL – UMA BREVE HISTÓRIA” (I)

O autor da obra, Rodrigo Correia Teixeira, desmistifica o estigma da visão estereotipada dos ciganos como sujos, embusteiros, baderneiros, trapaceiros e preguiçosos. Eram vítimas de uma sociedade segregacionista. Nascer cigano era ter seu destino marcado do lado oposto da “boa sociedade”. Sempre foram prejulgados, inclusive por crimes não cometidos, como de ladrões, assassinos, salteadores e até sequestradores de crianças.

Perseguidos por D. João V, de Portugal, muitas das vezes condenados injustamente, eram embarcados para o Brasil Colônia, mas até certo ponto bem aceitos na corte de D. João VI e no primeiro Império, como artistas dançarinos, músicos e circenses. Muitos ficaram ricos como negociantes de escravos, mas suas atividades mais fortes eram no ramo do comércio de cavalos, bestas e a prática da “buena dicha” (leitura das mãos), no caso das mulheres.

Caminhos inóspitos e as correrias

Afirma o escritor, na conclusão do seu livro, que, “como nômades ou sedentarizados, perambulavam por caminhos inóspitos, acampavam em áreas pouco propícias e se estabeleciam em espaços insalubres nas cidades”, como é o caso do Campo de Santana, ou Rua dos Ciganos (Constituição – Praça da República, no Rio de Janeiro).

Destaca que “a sobrevivência foi a realização mais duradoura, o grande evento da história cigana”. Ele cita Angus Fraser, como maior historiador sobre o assunto, quando diz que, quando se consideram as vicissitudes que eles encontraram, deve-se concluir que a sua principal façanha foi a de ter sobrevivido”. Teixeira acrescenta que “o universo cigano, mais que de duplicidade, é repleto de multiplicidades, entre as quais estão as relações com os não-ciganos, as identidades dos grupos e as imagens que se formaram dos ciganos”.

Fraser critica os que fizeram história para destruir a diversidade cigana. “Eram vistos como de natureza perigosa, uma encarnação da imoralidade”. Já o autor, que viajou em sua pesquisa desde o Brasil Colônia ao século XIX, declara que o discurso oitocentista projetava uma sociedade sem conflito e sem mudança cultural que não fosse o progresso de criação do “ser brasileiro”, como estratégia para o controle da população.

Mesmo diante de tantas discriminações, segundo o escritor, eles se adaptaram, penetrando nas lacunas que a economia criava, como grande trunfo. A solução das autoridades políticas, através das posturas municipais, era expulsar os bandos de ciganos de uma cidade para outra, de província em província, como ocorria entre Bahia e Minas Gerais e vice-versa. Na verdade, eles viviam em correrias. As municipalidades usavam seus códigos de posturas e, uma vez burlados, partia-se para a violência e perseguição dos bandos, provocando pânicos. Assim surgiram as correrias, com sangramentos e tiroteios.

Sobre suas origens

O estudo de Rodrigo Teixeira é uma versão modificada da sua dissertação de mestrado em História “Correrias de ciganos pelo território mineiro (1808-1903)”, defendida em 1998 na Fafich/UFMG. De acordo com ele, não existe uma precisão sobre as origens dessa gente. Dizem terem vindo da Ásia onde os atos de trapaçarias e malandragens não eram considerados crimes.

Esse povo terminou penetrando na Europa Central e nos Balcãs com a denominação de Rom (majoritários), de Romani (portadores da verdadeira língua cigana), ou Roma no plural. O Rom é subdividido em natsia (nação), Kalderash (mais autênticos e nobres), Matchuara, Lovara e Tchurara. Alguns estudiosos consideram esse grupo como verdadeiros ciganos. Existiam ainda os Macwaia, mais sedentários. Os Rudari, provenientes da Romênia onde muitos foram escravos.

O grupo é dos Senti (Manouch), expressivos na Alemanha, Itália e França. Vieram para o Brasil no final do século XIX. Os Calon, de língua Caló, são originários da Península Ibérica (Espanha e Portugal) e migaram para países europeus e das Américas. Muitos deles eram fabricantes e consertadores de caldeiras, alambiques e outros utensílios de cobre, zinco e latão, mas o forte era o negócio de cavalos e bestas, bem como outras bugigangas, ouro e bijuterias. Chegaram ao Brasil deportados de Portugal desde o século XVI. Todos eles foram perseguidos por serem diferenciados da sociedade e viverem livres das normas impostas pela sociedade.

Degredados de Portugal e como imigrantes

No reinado de D. João V, de Portugal, milhares de calons presos e acusados por crimes (muitos não cometidos) foram forçados a virem para o Brasil e colônias portuguesas africanas, como Angola e Moçambique. Espertos, muitos driblaram as ordens de irem para África e entraram em navios com destino ao Brasil. Já os Rom chegaram em nosso pais no final do século XIX, misturados com os imigrantes italianos, poloneses, alemães e até russos. Aqui eles arrumavam um jeito de se confundir como imigrantes e até mudavam seus nomes.

“Cada cigano tem uma forte identificação com seu grupo familiar, ou com as famílias que têm o mesmo ofício”. Para o autor, “cada cigano é portador de um conjunto singular de elementos dessa identidade, embora não haja uma noção de individualidade tal como no mundo ocidental”. Tais diferenças não impediam que houvesse solidariedade, um fator de fortalecimento. É difícil calcular a população de ciganos brasileiros. Conforme dados oficiais, de 1819 a 1959, migraram para o Brasil 5,3 milhões de europeus. No desembarque registrava-se apenas a nacionalidade do imigrante.

“Amaldiçoados”

Historiadores apontam também os ciganos como de origem grega, e até eles próprios falavam ter vindos do Egito e do Oriente Médio. Quanto ao aspecto de serem tipicamente nômades, os ciganos chegam a contar um tipo de lenda de que foram amaldiçoados a andarem perdidos pelo mundo porque um bando não acolheu Maria, José e o menino Jesus em suas tendas quando a Família Sagrada fugia para o Egito.

Em termos de comportamento e posição ideológica, os ciganos estão mais para anarquistas pelo próprio desregramento contra as leis, e por terem seus próprios hábitos e costumes. Para a Igreja Católica, eles são pagãos e vivem em concubinato porque adotam seus rituais nos casamentos e nos sepultamentos de seus irmãos. As relações deles com a sociedade nunca foram tranquilas, conforme relata o autor da obra “Ciganos no Brasil”.

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