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AS CONTAS COM RESSALVAS E OS ALTOS GASTOS COM PUBLICIDADE

Com 23 recomendações e ressalvas, inclusive advertência de que cometeu “pedalada fiscal” e infringiu a Lei de Responsabilidade Fiscal, as contas do Governo Rui Costa (PT), referentes a 2017 foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado, mais um órgão vitalício peso pesado pago pelos contribuintes para encostar coligados políticos. Com a base montada, no legislativo as contas passam tranquilamente.

Num estado ainda pobre em educação, saúde, tão desigual e carente de saneamento e segurança, o governo gastou no ano passado R$162 milhões com propaganda e publicidade, um crescimento de 28% em relação a 2016, um absurdo para uma inflação em torno de 6% e um desempenho praticamente zero do Produto Interno Bruto (PIB), sem aumento salarial para o funcionalismo público. As universidades estaduais pedem socorro.

O conselheiro-relator Pedro Lino destacou na “pedalada fiscal” o fato do governo ter deixado R$1,6 bilhão em Despesas de Exercícios Anteriores (DEA), ou seja, os empenhos de contratos feitos para serem honrados em 2018. Isto significa que o estado gastou mais do que arrecadou e constitui crime de responsabilidade fiscal.

A auditoria do TCE mostrou quase R$1,6 bilhão em DEA, o que representa 3,87% da despesa total empenhada em 2017. A irregularidade estaria ferindo o Artigo 37, inciso 4º da Lei de Responsabilidade Fiscal. De 2013 a 2017, o montante em Despesas de Exercícios Anteriores só fez crescer. O custo com pessoal ultrapassou 90% do limite legal dos gastos.

Outro item sempre pago pelo povo que fica desfalcado em suas necessidades diz respeito às isenções fiscais concedidas a empresas para se instalarem aqui por um punhado minguado de empregos. Muitas delas, depois de certo tempo, vencido o prazo das benesses, fecham as portas e se mudam para outro lugar. Outras dão calote, como a chinesa JAC Motors que nem abriu sua fábrica em Camaçari e levou a bolada.

Em 2017, o estado concedeu um total de R$2,8 bilhões em isenções fiscais e renunciou outros R$16,1 milhões, não informados pela Secretaria da Fazenda. Segundo advertência de Pedro Lino, isso demonstra falta de transparência, ausência de planejamento e de critérios para concessão, fiscalização e avaliação de incentivos fiscais concedidos.

O valor de R$2,8 bilhões, de acordo com a conselheira Carolina Costa, equivale a 83% do piso a ser investido em saúde e educação. Portanto, é preciso fiscalizar e controlar o custo-benefício destas operações de transferência de incentivos fiscais, conforme recomendaram estes conselheiros em seus pareceres.

Outras ressalvas dizem respeito ao pagamento por ofício, sem prévio empenho, relativo às contraprestações de contratos de Parcerias Público-Privadas no total de R$355 milhões, e o fato do estado não ter executado as emendas parlamentares impositivas (sou contra este artifício político no legislativo) a que têm direito os 63 deputados estaduais. Os governos são assim: Quando estão fora criticam e quando estão dentro fazem o mesmo de seus opositores. Todos farinha do mesmo saco.

 

 

HOMICÍDIOS NAS AMÉRICAS E A FOME DOS IEMENITAS E NOS PAÍSES DA ÁFRICA

As nações mais ricas lançam foguetes bilionários no espaço e triplicam seus arsenais armamentistas investindo trilhões, enquanto milhões morrem por ano vítimas de homicídios nas Américas, de fome no Iêmen e em toda a África que ainda sofre a miséria do colonialismo. Os homens egoístas com suas tecnologias e muito dinheiro pensam em encontrar outro planeta para fugir da terra, a qual eles mesmos se encarregaram de detonar.

O Brasil passou a ter entre 2015 e 2016 a sétima maior taxa de homicídios das Américas, com um indicador de 31,3 mortes para cada 100 mil habitantes (no mundo a taxa é de 6,4 homicídios), conforme relatório da Organização Mundial de Saúde. Vítimas historicamente de governos tiranos. populistas, corruptos e incompetentes, a Honduras, por exemplo, lidera o ranking com 55,5 homicídios para cada 100 mil pessoas.

Nos últimos dez anos, 553 mil pessoas morreram de forma violenta no Brasil, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)m e do Fórum Brasileiro de Seguram Pública. Em 2016, pela primeira vez, o país ultrapassou a taxa de 30 homicídios por 100 mil habitantes, com recorde de 62.517 assassinatos.

O aumento ocorreu num período em que o país se transformou em potência nos mercados emergentes, e depois afundou economicamente. Como sempre liderando índices negativos, o Norte e o Nordeste registraram as maiores violências nas estatísticas.

No Brasil, um Estado criminoso de dentro dos presídios manda no Estado classificado de direito, mas falido. De fora, “as autoridades” demonstram poder que não existe. Enganam o povo com suas entrevistas de domínio, mas às ocultas, nos muros medievais das cadeias, se rendem aos acordos do comando do outro Estado que ordena tocar fogo em ônibus e delegacias.

Talvez nestas estatísticas não esteja incluída a matança e a execução de civis por policiais militares que acreditam na força para acabar com a violência. Aliás, o policial é também violento por despreparo para lidar e tratar o cidadão com respeito. Um exemplo foi a recente ação deles, em Salvador, contra uma mulher negra e grávida. Nossa sociedade é hipócrita. Fosse um civil batendo numa mulher, a reação da mídia e dos presentes seria diferente. Dá a entender que policial pode espancar mulher, mas o civil, não. Fosse nos Estados Unidos, toda nação negra tomava as ruas para protestar. Aqui nada acontece, como o assassinato do artista plástico numa cidade da Região Metropolitana há pouco tempo. Ninguém falou mais nisso. Outros casos desse tipo vão ocorrer, sem punição.

A NEGAÇÃO DO SOCIAL

A pobreza e a miséria que sepultam pessoas antes do tempo são também consequências de uma elite burguesa colonialista egocêntrica que tudo faz para negar a melhoria social do povo desta região das Américas. A Venezuela ficou em segundo lugar, com 49,2 homicídios para cada 100 mil habitantes. Sofrendo dos mesmos males, El Salvador ficou em terceiro lugar, com 46.

Com altos índices de homicídios seguem a lista dos massacres a Colômbia em quarto lugar com 43,1 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Depois vem Trinidad e Tobago com 42,2 e Jamaica no sexto com índice de 39,1. As taxas das Américas, na média, são superiores às demais regiões do globo.

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SETE MESES SEM FUTEBOL EM CONQUISTA

Carlos Albán González -jornalista

Vitória da Conquista, terceira cidade baiana, onde a maioria de sua população, de mais de 380 mil habitantes, tem poucas opções de lazer, vai ficar o resto do ano sem o seu futebol, prematuramente eliminado das competições que vinha disputando até o mês passado. Os uniformes alviverde do Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista e o alviceleste do Conquista Futebol Clube já devem estar nos armários, protegidos com naftalina.

O ECPP Vitória da Conquista divulgou nota em sua página na internet agradecendo o apoio em 2018 dos seus sócios e torcedores, pelo “comparecimento em nossos jogos, passando uma energia que nos motiva a continuar o nosso trabalho, buscando representar a  nossa cidade da melhor maneira possível”. Prometendo maior dedicação em 2019 o clube estende os agradecimentos aos 19 patrocinadores e aos meios de comunicação.

Nenhuma referência é feita sobre a quebra de contrato e os direitos trabalhistas do elenco de profissionais (jogadores e comissão técnica). Por fim, o comunicado revela que os planos para os próximos sete meses é de trabalhar com as divisões de base, visando a Copa São Paulo de Futebol Júnior, em janeiro.

O balanço financeiro do ano de cinco meses do Conquista ainda não chegou ao conhecimento dos torcedores. Numa consulta aos borderôs da CBF e da FBF constatei que somente nos seus dois primeiros jogos em 2018, contra Vitória e Jequié, pelo Campeonato Baiano, foi registrado um lucro de R$ 57.377,27, correspondente a um público pagante de 4.581pessoas. Já na terceira partida diante do Juazeirense o torcedor começou a se afastar do Estádio Lomanto Júnior.

Nos quatro últimos jogos – um deles, contra a Jacuipense, foi programado pelo presidente da FBF, o conquistense Ednaldo Rodrigues, para a noite de Quarta-Feira de Cinzas. Pelo torneio baiano o déficit foi de R$ 15.496,10.

No dia 30 de janeiro o Conquista deixou de ganhar R$ 1 milhão, prêmio dado pela CBF aos clubes que passaram para a segunda fase da Copa do Brasil. Diante de 1.399 torcedores o representante baiano empatou sem gols com o Boa Esporte, resultado que, pelo regulamento da competição, favoreceu a equipe mineira, deixando ainda com os baianos um prejuízo de R$ 10.994,14.

Antes de terminar o semestre o Vitória da Conquista ainda tinha um compromisso, talvez o mais importante da temporada: o Campeonato Brasileiro da série D. A CBF forneceu passagens aéreas, hospedagem e alimentação para 25 pessoas nos jogos em Campina Grande (Paraíba), Itabaiana (Sergipe) e Boca da Mata (Alagoas). Com apenas 6 pontos ganhos em seis partidas o ECPP não passou da primeira etapa, perdendo a oportunidade de subir um degrau mais alto no futebol brasileiro.

Chamou a minha atenção o fato de que o Conquista realizou suas três partidas no “Lomantão”, com pouca divulgação, em três noites frias de segundas-feiras, para um platéia de 1.350 pagantes, que deixou nas bilheterias a quantia de R$ 11.225,00. Ao mandante restou um prejuízo de R$ 23.459,15.

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AS NECESSIDADES DE CONQUISTA

Depois de ler o comentário do meu colega jornalista Jeremias Macário sobre as imperfeições desta cidade onde vive há mais de 20 anos, tendo ocupado a chefia da sucursal de “A Tarde”, na época o maior jornal do Norte e Nordeste do país, decidi registrar a opinião de um  morador, que trocou há quatro anos a atormentada Salvador pela tranquilidade, – embora há quem não concorde, – de Vitória da Conquista.

Companheiro Jeremias, a projeção que você deu a Vitória da Conquista e a toda a região sudoeste da Bahia não deve ter lhe rendido palavras ou gestos elogiosos daqueles que agiram com prejuízos para o município, notadamente os políticos. Mas, tenho certeza, que as críticas feitas, com as melhores intenções, receberam os aplausos do povo, embora uma minoria tenha revelado ganas de quebrar os seus ossos. Provavelmente, você foi vítima de ameaças, como muitos dos nossos colegas que labutam no interior do Brasil. Muitos deles foram assassinados.

A minha intenção, na verdade, é colaborar com os leitores de “aestrada”, ampliando a lista de problemas, de fácil solução, que tenho observado nesse curto período de vivência nesta cidade.

O primeiro deles é a quase completa ausência de placas de sinalização de ruas e avenidas e as relativas à circulação de veículos e pedestres. A prefeitura, com adesão de uma empresa privada, já deveria ter instalado postes nas esquinas dos logradouros. Com a expansão das áreas residenciais da cidade muitas ruas são indicadas pelas letras do alfabeto.  Verdadeira barafunda se constitui a numeração de casas e prédios. Cada proprietário coloca o número que mais gosta, com o consentimento da municipalidade.  A população agradeceria, principalmente taxistas, entregadores e carteiros.

Com relação ao trânsito são muitos os cruzamentos onde o motorista fica em dúvida qual é a via preferencial, porque não existe uma placa indicativa, causando freqüentes abalroamentos, com prejuízos materiais e vítimas. Menciono ainda as faixas de pedestres apagadas e os cruciantes quebra-molas, condenados em portaria pelo Denatran, mas objetos de requerimentos dos  vereadores interioranos aos seus prefeitos.

Como ex-repórter de Esportes de “O Estado de S, Paulo” aconselho à prefeitura, aproveitando o recesso de sete meses do futebol local, realizar uma ampla reforma no Estádio Lomanto Júnior, construindo instalações para a imprensa escrita (jornalistas que vêm cobrir jogos interestaduais se queixam da falta de um local para trabalhar), instalando cadeiras numeradas no setor central das arquibancadas e plantando um novo gramado.

A falta de lazer na cidade tem chamado a minha atenção. Nos finais de semana aqueles que não dispõem de recursos para irem às praias de Ilhéus e Porto Seguro, ou aos confortáveis sítios na zona rural, têm como opção o bate-papo nos botecos ou os shows musicais de qualidade duvidosa.  O Parque de Exposições Teopompo de Almeida, que só dá acesso ao povo três ou quatro vezes por ano, poderia ser utilizado como área de entretenimento, dispondo de uma infraestrutura que venha a agradar adultos e crianças.

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OS PONTOS MAIS FEIOS DE CONQUISTA QUE DEIXAM MÁ IMPRESSÃO DA NOSSA CIDADE

Tem gente que tem raiva da mídia e de seus jornalistas quando estampam matérias mostrando a realidade de abandono, falta de manutenção, sujeira e destruição de logradouros, ruas, avenidas, praças e equipamentos importantes da cidade. Os políticos no poder, mesmo aqueles que se dizem democráticos, ficam irados e até ameaçam a vida de chefes e redatores da imprensa, revivendo os tempos dos coronéis.

Digo isso porque senti na pele, tempos atrás, a reação e o ódio daqueles que sempre acharam que você é contra a cidade e nela não merece viver quando faz reportagens críticas mostrando pontos negativos. Não aceitam o papel da imprensa e ai só querem condenar os responsáveis, se bem que não concordo com oposição ao poder constituído meramente por questões pessoais.

AS QUATRO MARMOTAS

Sem mais nariz de cera, me arrisco, mais uma vez, visto que já estou acostumado a apanhar, a ressaltar aqui os pontos atuais mais críticos e feios de Vitória da Conquista que devem ser evitados pelos moradores e não se recomenda que sejam mostrados a visitantes. Pena que seja nesta Conquista, capital do sudoeste, que já foi conhecida como a cidade das flores, da cultura e decantada como a suíça do sertão baiano pelo seu clima no inverno.

O Atacadão da Ceasa, da Avenida Juracy Magalhães, a Feira da Ceasa, no centro, o Terminal de Ônibus da Lauro de Freitas, apelidado como “Cabeça de Porco” e a Lagoa das Bateias são quatro marmotas da cidade, se bem que existem outros locais que precisam ser cuidados com urgência para não desfigurar mais ainda nossa polis, como a Praça Barão do Rio Branco e adjacências, ultimamente poluída por carros, propagandas de todo tipo e invadida por camelôs e vendedores de frutas.

Temos ainda o aeroporto que é uma vergonha para quem chega e sai, sem contar o caótico trânsito que necessita de um grande projeto de mobilidade urbana. A área cultural em todas suas linguagens artísticas pede socorro e carece de ser reativada. Conquista é uma das cidades que mais cresce no Norte e Nordeste e merece ser tratada como média a grande porte, não como uma pequena. Temos ainda a questão da água que não foi resolvida, enquanto não for construída a barragem do Catolé. Saímos do racionamento graças as chuvas de São Pedro, mas a cidade não pode ficar dependente da providência divina.

Vamos começar falando da Ceasa Atacado, da Juracy Magalhães, que já deveria ter sido interditada pela Vigilância Sanitária e pelo Ministério Público se vivêssemos num país sério que respeitasse e colocasse em primeiro lugar a higiene e a saúde de seus cidadãos.

Se já não esteve lá, não aconselho que vá, nem leve ninguém, principalmente de fora para visitá-lo. É um dos pontos feios da cidade onde impera a sujeira por todo lugar com verduras e frutas expostas ao chão, boxes inacabados e outros em estado lamentável, espaços apertados sem iluminação e ventilação e banheiros precários.

Há muitos anos, comerciantes e o poder municipal discutem maneiras de reformar e ampliar o Centro de Abastecimento, mas nunca se chega a um acordo sobre as responsabilidades de renovação de suas instalações. O local não oferece condições de funcionamento e pode ocorre um acidente tipo daquelas tragédias anunciadas que sempre acontecem em nosso país.

A Feira da Ceasa é outro local carente de requalificação e ordenamento do seu comércio para dar melhor comodidade ao feirante e ao consumidor. Os boxes e seus balcões de refrigeração de vendas de carnes e derivados em geral não estão mais dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura quando foram implantados há mais de 15 anos.

Os corredores estão sempre sujos com um lodo escuro onde cachorros e outros animais transitam procurando restos de comida e carcaças de ossos em seus vãos. Em frente dos galpões fica difícil transitar por causa do grande número de pequenas bancas de verduras e frutas que tomaram todos os espaços.

Dentre os pontos mais desgastados e que não atendem mais a demanda de uma cidade de mais de 300 mil habitantes, que sempre está crescendo, talvez o Terminal de Ônibus da Laura de Feitas, chamado por muitos de “Cabeça de Porco”, seja o mais horrível em termos de falta de espaço para circulação de ônibus e veículos pequenos, sem contar a poluição das descargas dos automóveis.

Em épocas de eleições, fala-se muito em melhorias da área, mas não há como fazer isso num logradouro que não tem mais espaço para obras de ampliação, a não ser algumas pinturas e serviços de consertos que não vão devolver ao local às reais necessidades da população. Sempre insisto que a saída é implantar outra estação próxima do centro e urbanizar aquele terminal, humanizando mais o espaço, em benefício dos usuários e comerciantes. No mais, é jogar dinheiro do povo fora com maquiagens.

Outro local em total degradação que poderia ser hoje um dos mais visitados da cidade por todas as idades, para lazer e entretenimento, é o Parque da Lagoa das Bateias, construído há seis anos no governo do prefeito José Raimundo. Muitos equipamentos estão quebrados e quase ninguém frequenta o lugar.

É uma área bonita e que tinha tudo para ser aprazível, mas encontra-se poluída pelos esgotos que nela cai de várias partes urbanas do lado oeste da cidade, formando um bolsão de sujeiras propício para criação dos mosquitos da dengue. O mau cheiro é insuportável e poucos animais frequentam a Lagoa.

São os pontos mais críticos que carecem, urgentemente, de projetos de requalificação para que Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, não passe tanta vergonha ao receber visitantes, e restitua aos seus moradores a beleza característica dela como portal do sertão e passagem para todas regiões do país.

 

 

O MEIO AMBIENTE AGRADECE

A greve dos caminhoneiros revelou absurdos, caos no abastecimento de produtos em geral, o mau caráter de milhares de brasileiros, tanto de consumidores como de comerciantes, desvios de personalidades, perigosas tendências ideológicas para a ditadura, mas teve muitos pontos positivos, e um deles foi o alívio que se deu para o meio ambiente, retirando do ar grandes quantidades de poluentes de fuligens e gás carbônico.

Nisso tudo, depois de tantos transtornos, a natureza agradece pela menor circulação de carros nas estradas e nos centros urbanos. O movimento serviu para alertar a todos que a corrente maluca, fascista e reacionária que prega uma intervenção militar no país, não é mais tão insignificante e sem importância como era vista por muitos há dois ou três anos.

Há mais de cinco anos venho dizendo que a extrema direita era perigosa, mas sempre fui contestado de que não existia clima para isso. E agora, existe? Muitos generais já começam a ficar impacientes. Serviu também para atestar que o mercado governa o Estado, e não o inverso. Estamos sendo fritados num frigideira capitalista.

Apesar de muitos gestos de solidariedade, serviu ainda para mostrar o grau elevado de egoísmo e individualismo dos gananciosos avarentos, tão perniciosos quantos os políticos corruptos. Serviu para confirmar os erros do passado, desde o governo de Washington Luiz, na década de 20, quando se deu prioridade ao sistema rodoviário, intensificado mais ainda no mandato JK. Na época, Juscelino abriu mais estradas para favorecer a Fábrica Nacional de Motores, conhecida como “Fênêmê”, ou Fome, Necessidade e Miséria, para que seus caminhões pudessem rodar e transportar as mercadorias.

As medidas de retirada da CIDE e redução de 46 centavos do óleo diesel não vão resolver o problema, e não passam de ações paliativas, tendo em vista que vai persistir a loucura da política de preços dos combustíveis, embutidos com a variação do dólar e a cotação do petróleo no mercado internacional. A ira vai continuar e pode enveredar para uma convulsão social.

Com a intenção do governo morto de cortar gastos nas já debilitadas áreas da educação e da saúde, para compensar o pequeno subsídio dado ao diesel, vai afundar mais ainda o Brasil e aprofundar a desigualdade social obscena. Nada de cortes nas mordomias e privilégios nas castas roedoras dos nossos recursos, encasteladas nos poderes executivo, legislativo e judiciário. A tudo eles assistem de suas torres reais como se fossem intocáveis.

Até 1988 o governo federal ficava com 24 reais dos 100 ganhos por cada brasileiro. Nos tempos atuais leva entre 34 a 36 reais. A média de aposentadoria do trabalhador comum gira em torno de mil e setecentos reais por mês. Um funcionário do executivo se aposenta com uma média de sete mil reais. No legislativo essa média sobe para 16 mil reais. Para aonde vai tanto dinheiro pago pelo contribuinte? Nem precisa dizer.

Voltando para o meio ambiente, que agradece a greve dos caminhoneiros, o aumento de 34% no número de viagens de bicicletas compartilhadas no período demonstra seu lado positivo. Nas capitais de São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Recife e Rio de Janeiro ocorreram 118 mil viagens contra 88 mil na semana anterior às manifestações. Muitos animais que servem de alimentos para os humanos morreram de fome antes do tempo, mas outros milhares ganharam mais alguns dias de vida. É uma ironia!

ESTÃO BRINCANDO COM FOGO!

Uns malucos de ideias retrógradas que desconhecem por completo a história aproveitaram a greve dos caminhoneiros para pedir intervenção militar no país. Essa turma de idiotas nem imagina que não teriam voz e vez se o Brasil vivesse mesmo numa ditadura do tipo da de 1964.

Essa gente está brincando com fogo e continua achando que o regime foi bom para afastar os comunistas, e insiste em não acreditar nos fatos de tortura, mortes e desaparecimentos. Infelizmente, por falta de leitura, muitos dos nossos jovens estão entrando nessa onda estúpida.

“A Humanidade está destinada a não aprender nada da história e a repetir sempre, em todas as gerações, os mesmos erros, as mesmas injustiças e bestialidades”.  Não foi nenhum autor contemporâneo quem proferiu isso, mas o historiador grego Tucídides que viveu por volta de 450 anos antes de Cristo.

O governo federal diz que tem grupos políticos infiltrados no movimento da categoria, impedindo centenas de motoristas de pegar a estrada. Por que, então, não aponta que corrente é esta, se da direita, da extrema ou da esquerda, e qual o grupo político que está comandando esta infiltração?

Sem transparência para a sociedade, fica parecendo uma denúncia falsa e mentirosa, só para confundir e desclassificar os grevistas. Todos querem saber, com clareza, quem são esses grupos e os responsáveis. Falou-se em empresas, mas a coisa ficou muito vaga. Vamos dar nomes aos bois.

A mídia também não apurou com precisão, deixando apenas transparecer que tem pessoas forçando a barra para pedir intervenção militar. Se for essa gente, tem que ser execrada e expurgada pelo bem da coletividade.

Por falar em ditadura, passou do tempo de nos libertar do complexo de vira-lata, mencionado pelo dramaturgo Nelson Rodrigues. Ainda nos comportamos como colonos das nações que sempre nos exploraram, como a Inglaterra, com a qual nos contagiamos com seus rituais babacas de reis e rainhas.

Apesar de historiadores, pesquisadores e testemunhos já terem largamente divulgado fatos ocorridos naquela época, o brasileiro só acredita quando a narração parte de documentos do Departamento de Estado dos Estados Unidos, logo eles que estavam comprometidos com as ações de repressão até o pescoço. Os norte-americanos foram os principais responsáveis pela derrubada do governo João Goulart, e colocaram a CIA para treinar torturadores dos presos políticos.

UMA OPORTUNIDADE PERDIDA PELO POVO PARA MUDAR A CARA DO BRASIL

Todos almejam mudanças para o Brasil, mas, sem sacrifícios, sem greves, paralisações, protestos e manifestações que perturbam e prejudicam vidas. Ninguém quer abrir mão do seu sagrado direito de ir e vir. E como fica o direito de greve do outro? Para ter este direito constitucional tão propalado, todos têm o dever de lutar por ele, cedendo algo de si, com sacrifícios, como apoiar os justos movimentos.

Grupos de trabalhadores e muita gente entendeu isso, mas grande parte não. É aquele velho hábito de se beneficiar sem participar. No lugar de apoiar, consumidores, donos de postos de combustíveis e comerciantes procuraram exercitar suas habilidades individuais e egoístas através dos aumentos avarentos de preços e compras em demasia para estocar produtos, como gasolina e alimentos.

Ao invés de unir, passaram a brigar entre si, cada um defendendo, exclusivamente, seu lado, isto é, seus interesses, como se não fizessem parte de uma só nação. O movimento poderia ter sido o início do estouro de uma boiada, para mandar um recado direto de que é o povo quem manda.

No lugar de lamentações, queixas e de transtornos, o povo, os sindicatos, os estudantes e demais classes econômicas perderam a oportunidade de tomar as ruas, praças e avenidas e se juntar às causas dos caminhoneiros que são, ou eram de todos nós brasileiros.

Preferimos ficar, mais uma vez, no comodismo e enganarmos a nós mesmos, Preferimos a enrolação e a demagogia do governo que, cinicamente, disse estar ao lado do povo como protetor para que não fosse prejudicado. Não sabemos quando outro cavalo selado vai passar em nossa porta para a conquista da mudança.

Essa de estar ao lado do povo, é uma tremenda mentira. Esta corja de aproveitadores oligarcas e reacionários, incluindo parte da mídia burguesa tendenciosa, é tão insensível aos reclamos dos mais desfavorecidos e afetados que demonstrou mais preocupação com a paralisação dos aeroportos do que com a área da saúde, no caso dos hospitais (falta de oxigênios, matérias diversos e medicamentos) vital para a vida humana. Foi a impressão que ficou.

CHAMA OS GENERAIS PARA RESOLVER

Agora, minha gente, toda vez que cai um esqueleto do trem fantasma nas curvas, toda vez que o mordomo de Drácula e seus vampiros se sentem ameaçados, imediatamente chama os generais com seus exércitos para socorrê-los da incompetência. O governo usa as forças armadas como panaceia para todos os males.

Estoura uma crise (caso da intervenção militar no Rio de Janeiro), chama o exército para com sua força bruta acabar com reivindicações justas e o direito sagrado da greve. Parece coisa de coronel das antigas que na hora dos apertos e ameaças botava seus capangas e jagunços para trucidar, espancar e até matar os mais fracos e continuar subjugando com mão de ferro. Isso é covardia e falta de competência para gerir crises por eles criadas.

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ÊTA GENTE HIPÓCRITA E EGOÍSTA!

Depois de ver comportamentos hipócritas e egoístas de comerciantes e consumidores com relação à greve dos caminhoneiros, mais uma vez tenho motivos e sinto-me incrédulo quanto à viabilidade de mudanças políticas, econômicas e sociais para o meu país.

Nas entrevistas em geral, as pessoas almejam mudanças diante das crises de ordem moral e ética, mas sem fazer sacrifícios, como se isso fosse possível, isto porque continuam presas ao seu individualismo de só agir em proveito próprio. Sem olhar o outro, nesta hora cada um só procura defender o seu lado egoísta.

Esta recente greve está sendo um retrato fiel da falta de consciência política da maioria do povo. Do lado dos comerciantes, os oportunistas usurários e avarentos procuraram aproveitar a ocasião para aumentar absurdamente os preços dos combustíveis e dos produtos de primeira necessidade.

Muitos se posicionaram contra as manifestações, exclusivamente porque estavam deixando de ganhar mais dinheiro e encher os bolsos, sem ao mínimo ligar que todos podem ganhar lá na frente, pressionando o governo a mudar esta voraz política de preços no caso dos combustíveis. Não têm nenhuma moral de criticar os políticos. São espelhos deles.

Da parte dos consumidores, as matérias jornalísticas mostraram também como as pessoas em geral são hipócritas e egoísticas. É a mulher que corre ao supermercado para encher o carro de mantimentos, materiais de limpeza e outros produtos, para abastecer sua casa, e na fila fica sem graça ao responder ao repórter que não pensou nos outros, mas em si mesma e da sua família.

É o fazendeiro que correu ao posto de gasolina com seus empregados e abarrotou sua caminhonete de combustíveis, dizendo que tinha que cuidar do seu negócio. Na certa, deve ter feito boa oferta em dinheiro ao dono do estabelecimento. O personagem é mais uma figura da ganância individualista, e que pouco importa pra mudança do Brasil.

Como o produtor rural, milhares disputaram corridas aos postos e até brigaram para armazenar combustíveis em vasilhames e transportá-los em seus veículos, cometendo infrações contra a lei de trânsito. O crime compensa. As tristes cenas dão real dimensão da ausência de solidariedade, na base do cada um que se vire como puder.

Nas ruas, praças e avenidas, a grande maioria criticou a greve, simplesmente porque estava atrapalhando sua vida, como se fosse possível fazer uma omelete sem quebrar os ovos. Teve uma senhora que disse concordar com mudanças para o país, mas sem greves e paralisações que incomodam a população, especialmente no caso particular dela. Durma com um barulho desse!

Para mim, esta greve, que provocou tanto impacto no abastecimento e em vários setores da economia, serviu para mostrar o quanto os brasileiros estão perdidos, alienados e tragados pelos seus egoísmos doentios, quando deveriam se unir e juntar forças solidárias para alterar os rumos dessa política de retrocesso.

Para quem quer refletir sobre os acontecimentos, a greve demonstrou que ainda somos uma nação do vale tudo, da lei do mais forte, onde os órgãos governamentais e instituições (Ministério Público, Defesa do Consumidor, OAB e outras) se escondem em seus palacetes e togas para assistir comodamente o circo do alto de suas mordomias.

Nem precisa aqui mencionar também o despreparo absoluto da parte do governo federal, no sentido de apresentar, de imediato, planos para controlar a situação de desabastecimento em atividades vitais da sociedade e medidas para atender as justas reivindicações dos caminhoneiros que, aliás, não são só deles, mas de todo o povo brasileiro.

Depois de uma semana de bate cabeça e trapalhadas, tanto do legislativo como do executivo, só apresentaram propostas temporárias e paliativas somente para o diesel. O povo vai continuar pagando caro pela gasolina e o álcool. Nisso tudo, fica o recado de que sem mudança de mentalidade do brasileiro, não são as eleições que vão mudar o Brasil.

 

APROVEITADORES, VILÕES E AVARENTOS

Todos condenam os corruptos, principalmente os políticos que meteram a mão no dinheiro público e são culpados por tirar a comida da boca de crianças pobres, negar a educação de qualidade aos jovens e provocar a morte de milhares de brasileiros nos corredores dos hospitais.

No entanto, muitos desses indivíduos não perdem tempo para tirar proveito pecuniário para si nas ocasiões de crise em meio a protestos contra a massacrante política neoliberal do governo, como o aumento sufocante nos preços dos combustíveis, praticamente diário.

Agora mesmo, na greve dos caminhoneiros, apareceram os oportunistas safados e avarentos para cobrar até R$9,00 pelo litro da gasolina. Esses caras que esconjuram os políticos corruptos se igualam a eles, ou ainda fazem o pior, porque são verdadeiros lobos travestidos de cordeiros no meio da população.

Em minha sincera opinião, se estivéssemos num país sério, não somente os postos de gasolina deveriam ser lacrados. O ato deveria ser seguido da imediata prisão dos donos dos estabelecimentos comerciais. Se o consumidor fosse mais consciente politicamente não aceitaria comprar o produto em hipótese nenhuma e se uniria aos protestos.

Infelizmente, somos todos individualistas, e nesta hora cada um só procura ver o seu lado, e o resto da sociedade que se lasque. Enchem o tanque do carro por R$9,00 e até R$10,00 o litro e ainda sai se achando de sabido e esperto. É a mesma pessoa que chega lá em frente da bomba e acha um absurdo o preço de R$4,50 o litro.

Ao invés de apoiar a greve dos caminhoneiros, esses elementos estão agindo de forma contrária. São traidores, levianos, falsos e hipócritas. Não merecem viver em coletividade e são tão iguais ou piores que os donos de postos aproveitadores que fazem carteis e estão ali só para explorar.

Diante de situações desse tipo, como acreditar que este país vai dar certo? Como ter esperanças e orgulho de ser brasileiro? Eles nem pensam que agindo dessa maneira, todos vão terminar sendo prejudicados, de uma forma ou de outra. Diante de tantos fatos insensatos, não dá para ter certeza que vamos mudar com as próximas eleições.

É por isso que eles, o mordomo de Drácula e sua turma de vampiros continuam debochando da nossa cara quando propõe apenas retirar o imposto da Cide, de cinco centavos. O outro Pedro Parente, presidente da Petrobrás, age somente como vilão capitalista que visa exclusivamente o lucro e está vendendo os ativos da estatal para as multinacionais,

O Parente não está nem ai para opinião pública e bate firme de que não vai mudar a política de preços da Petrobrás, como se fosse propriedade dele. Com seu típico cinismo, diz apenas que pode baixar o preço do diesel por apenas 15 dias. Todos dão às costas para o povo e não apresentam nenhuma solução sólida e definitiva.

Os políticos do Congresso nos fazem de bestas e otários, apresentando medidas paliativas que não passam de embromação. Pergunta se eles querem cortar suas mordomias e privilégios de verbas indenizatórias, para aliviar o déficit público? Não muda porque, cá entre nós, tem gente do mesmo quilate degradante deles.

 



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