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NAS SINALEIRAS!

Fotos do jornalista e escritor Jeremias Macário. Procure e leia seus livros, artigos, crônicas, comentários e poesia.

As sinaleiras não somente servem para controlar o fluxo e o trânsito de veículos nas médias e grandes cidades, visando evitar acidentes graves, às vezes, com morte. Elas preservam vidas e devem ser obedecidas pelos motoristas, mas também, as paradas de minutos mostram outras realidades sociológicas, mercadológicas, filosóficas e até de entretenimento. Nelas, as crianças vendem balas, doces e alimentos variados para sobreviverem neste duro quadro social desigual do nosso Brasil. É o trabalho infantil que o capitão-presidente defende, quando o menor deveria estar nas escolas, ou brincando. Ali está a cara do nosso subdesenvolvimento e da falta de educação. Aparecem também os adultos pedintes, muitos dos quais por necessidade financeira, inclusive por se juntarem aos milhões de desempregado, mas tem os oportunista que fazem por preguiça e até para manter o vício das drogas. As sinaleiras também atraem os bandidos, principalmente à noite, para praticarem assaltos, muitas vezes com assassinatos. Tem ainda aqueles que aparecem para alegrar e tirar muita gente do estresse cotidiano, fazendo acrobacias e malabarismo. É a turma do entretenimento que sua para conseguir alguns trocados. Nelas se vendem água, frutas, artesanato e se distribui panfletos e propagandas de empresa. Elas também são chamas para os candidatos políticos, principalmente em época de eleições como agora, com os tais “santinhos”. Cuidado com os falsos profetas que prometem um monte de coisas e quando estão lá só fazem roubar e trair o eleitor. As sinaleiras também servem para o motorista apressado relaxar um pouco e pensar, por instantes, na vida que está lhe levando. Elas permitem até dar um beijo no amor ao lado, contando que não seja longo para não perder a atenção. Nas cores, o vermelho é um breque, o amarelo é o mais preocupante, embora represente o dourado, e o verde é a esperança de seguir em frente. O vermelho pode ainda ser sangue quando alguém tira a vida do seu semelhante, por vários motivos. Muitas vezes, as sinaleiras têm sido locais de ocorrências policiais, ou de uma troca de conversa com um conhecido que há muito tempo não é visto. Pode ser a oportunidade de passar seu telefone, ou seu Zap. Elas são pontos de comunicação e tem mais utilidades. É só usar a sua imaginação.

TANTA GENTE!

Poeminha de autoria do jornalista Jeremias Macário, do seu livro “Andanças”

Nunca vi,

tanta adversidade,

um monte de falsidade,

cinismo e egoísmo,

falando de socialismo.

 

Nunca vi,

tanto stress e ansiedade,

armação de malandragem,

atrativo de embalagem,

de conteúdo sujo e vazio,

e tanta gente viciado no cio.

 

Nunca vi,

tanta procura pela  cura,

doutrina holística e divina,

tanta maldade assassina.

 

Nunca vi,

tanta gente desatina,

furando o limite da fronteira,

como na correria cigana,

atrás do sonho de uma mina,

numa roleta cumprindo sina.

 

Nunca vi,

tanta gente robotizada,

em aparências falsificadas,

de faces plastificadas,

ocas e despreparadas.

 

Nunca vi,

tanto pacote tecnológico,

com a perda do lógico,

grudado ao emocional,

pra moldar o corporal.

 

Nunca vi,

tanta gente

se endividar tanto,

e depois limpar o nome,

voltar às compras contente,

no entra e sai do consome,

e de novo ficar inadimplente.

 

Nunca vi,

tanta gente acelerada,

nas ruas agitadas,

como estouro das boiadas,

vivendo em espaço apertado,

sem conhecer o outro do lado.

 

Nunca vi,

a natureza tão poluída,

a terra tão arrasada,

gente vivendo excluída

dos direitos normais

dos tratados universais.

 

Nunca vi,

tanta gente angustiada,

o homem aceitando calado

a corrida desenfreada

pela ganância material,

na UTI espiritual.

 

Nunca vi,

tanta indiferença nessa gente,

que não é mais temente,

nem sente o pulsar da veia,

o visual galopante do poente,

que nem ver passar a lua cheia.

 

Nunca vi,

tanta gente que mente,

prometendo o que não faz,

com promessa de obra falsa,

que só tem pintura de cal,

como poço d´água de sal.

 

Nunca vi,

o ser ficar tão sozinho,

no silêncio do seu ninho,

procurando o ponto calmo,

no livro do sábio salmo,

pra encontrar seu caminho.

 

Uns não acreditam em nada,

outros engolem tudo de vez;

acreditam até em conto de fada;

igualam religião, seita e magia;

confundem fé com filosofia,

candomblé e ciência com feitiçaria.

 

 

 

 

VOLTA ÀS AULAS E BAJULAÇÃO NO SUPREMO

TUDO CONVERSA FIADA”PRA BOI DORMIR”! ENGANA QUE EU GOSTO!

Como dizia o poeta cancioneiro, eles querem mesmo é bajulação. Todo final de mandato de um ministro do Supremo Tribunal Federal é aquela enxurrada de louvação do Congresso Nacional e do poder executivo federal, com entrega de medalhas, condecorações e direito a um monte de falsidades. Com o Dias Tofolli não poderia ser diferente. É um tal de morde e assopra e, nessa hora, a democracia é a mais “exaltada” depois de pisoteada.

Outro assunto que queria aqui abordar é com relação a volta às aulas nas escolas públicas, como está sendo anunciada pela Prefeitura de Brumado, na Bahia, mesmo contrariando posições dos pais e dos professores. Sinceramente, não consigo entender essa insistência dos governos no retorno ao ensino presencial ainda em plena pandemia, quando as unidades escolares estão fechadas há sete meses!

É uma faz de conta

Qual a intenção desse propósito já no final de ano? Só posso conceber que é para fazer de conta que ano letivo de 200 dias foi cumprido integralmente, colocando aí uma porção de aulas on-line que atingiram poucos alunos, tendo em vista que só poucos têm acesso à internet. Mesmo sem saber, no fim todos vão passar de ano, no faz de conta que o professor ensinou e o aluno aprendeu.

Não seria melhor começar tudo de novo, em pé de “igualdade”, do que adotar esse procedimento de desigualdade entre quem nada captou na aprendizagem e a minoria que conseguiu acompanhar alguma coisa? Para variar, mais uma vez, é o chamado jeitinho brasileiro, inclusive com uma questão tão séria como a educação, que já é deficitária, e esse quadro vem se arrastando há séculos, com alguns altos e baixos.

Além desse problema, temos ainda o mais grave que é a saúde das nossas crianças, dos jovens e, como consequência, a dos mais idosos que são os próprios pais e avós que podem ser contaminados pelo coronavírus. Sabemos que em muitas escolas públicas da nossa Bahia e do Brasil em geral, a estrutura, em termos de higienização, é precária. Muitos lugares, principalmente nas zonas rurais, não têm nem água encanada e potável para os estudantes lavarem as mãos.

Eles, os governantes, prometem seguir com rigor os protocolos recomendados pelos médicos infectologistas, mas sabemos que, na prática, isso não acontece, mesmo porque, sem a Covid-19, sempre faltaram outros produtos nas escolas, inclusive alimentos da merenda. Além disso, como manter um distanciamento entre crianças? É praticamente impossível. O resto é pura demagogia, como a bajulação entre os poderes ao ministro do Supremo que está deixando seu cargo.

Com a queda média móvel nos casos da Covid-19 e também no número de mortes, muita gente está relaxando nos cuidados, inclusive fazendo aglomerações em “paredões” e nas praias (viagens em feriadões), como se a pandemia fosse coisa do passado, o que constitui mais um grande risco na abertura das escolas. Se continuar esse quadro, vamos ter logo mais uma nova alta de contaminações.

Outro evento que pode impactar num retorno do vírus é o das eleições, cujas campanhas começam agora no final do mês. Mesmo sem a oficialização da Justiça Eleitoral, muitos pré-candidatos já estão promovendo aglomerações. Os eleitores que, fora de época, chamam os políticos de sujos e ladrões, como sempre, estão afundando na festa, torcendo para seus corruptos e antiéticos. Verdadeiramente, este não é mesmo um país que se pode levar a sério.

 

BANDOS, TRIBOS ACÉFALAS, AS CENTRALIZADAS E A CRIAÇÃO DO ESTADO

A LUTA DE CLASSES NAS TRIBOS CENTRALIZADAS E NO ESTADO

No capítulo “Do Igualitarismo à Cleptocracia”, em seu livro “Armas, Germes e Aço”, o cientista Jared Diamond faz uma viagem na história da humanidade há 40 mil anos, descrevendo a vida do homem em bandos, nas tribos acéfalas, nas centralizada onde já aparece a estrutura social e política de organização até a criação do Estado com suas leis, ordens e punições aos cidadãos que cometem delitos.

Primeiro, ele começa citando os bandos nômades da Nova Guiné onde fez suas pesquisas, chamados de fayus. Eles viviam como famílias solitárias, espalhadas pelo pântano e se reuniam uma, ou duas vezes ao ano para negociar a troca de noivas. São formados por cerca de 400 caçadores-coletores, divididos em quatro clãs. Seu número foi reduzido por causa dos assassinatos cometidos entre eles.

MISSIONÁRIOS E PROFESSORES

A incorporação dos bandos e das tribos à sociedade moderna muito se deveu ao trabalho dos missionários, professores, médicos, burocratas e aos soldados colonizadores. “ A disseminação dos governos e da religião sempre esteve interligada ao longo da história que está registrada, quer a disseminação fosse pacífica, como dos fayus, ou pela força.

Como exemplo de bandos, que ainda vivem de modo autônomo confinados, o autor da obra cita os da Nova Guiné e os da Amazônia, mas existem outros que se submeteram ao controle do Estado e até foram exterminados. Entre eles estão a maioria dos pigmeus africanos caçadores-coletores, os aborígines australianos, os esquimós e os índios das Américas.

Todos, de acordo com Diamond, foram caçadores-coletores em vez de produtores de alimentos estabelecidos. Esses humanos viviam, provavelmente, em bandos até pelo menos 40 mil anos atrás. Praticamente, o bando não tem liderança formal, conquista por qualidades, força, inteligência e uso da luta. O “líder” do bando é chamado de o “homem-grande”, como qualquer outro do grupo, sem nenhum privilégio de vida.

Na Nova Guiné, por exemplo, o bando é nômade porque tem que se mudar quando já cortaram os sagueiros maduros em uma área. Lembra o autor do livro que os gorilas, chimpanzés e os macacos bonobos africanos também viviam em bandos. “O bando é a organização política, econômica e social que herdamos de nossos milhões de anos de história evolutiva”.

“A organização tribal é bem representada pelos habitantes das regiões montanhosas da Nova Guiné, cuja unidade política antes da chegada do governo colonial, era uma aldeia, ou grupo de aldeias de pessoas com relações de parentesco”. O pesquisador aponta, como exemplo, os forés com os quais trabalhou, em 1964, com a mesma língua e a mesma cultura.

Em sua opinião, essa organização tribal começou a surgir por volta de 13 mil anos atrás no Crescente Fértil e depois em algumas outras áreas. Além de deferir do bando, em virtude da residência fixa e do maior número de membros, a tribo também é constituída de mais de um grupo de afinidade, denominada de clã.

Na estrutura tribal centralizada em sociedades, as soluções quanto às questões de conflitos entre estranhos são mais complicadas em grupos maiores. Numa tribo acéfala, quase todos são parentes consanguíneos, ou por afinidade. Mesmo assim, ela preserva um sistema de governo informal e igualitário. No bando, o poder do “homem-grande” é limitado.

Nas tribos, nenhum membro, ou bando tradicional, pode enriquecer mais do que os outros pelos próprios esforços, pois cada indivíduo tem deveres e obrigações para com os outros. Como nos bandos, as tribos não têm força policial, burocracia e impostos. Todos os adultos capazes participam do cultivo, da coleta ou da caça dos alimentos.

DESAPARECIMENTO DAS TRIBOS CENTRALIZADAS

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QUEM ROUBOU, ROUBOU, E QUEM…

A Procuradoria Geral da República e o Ministério Público Federal estão derretendo a Força Tarefa da Laja Jato como neve ao sol. Os processos estão sendo arquivados pelos tribunais federais regionais, inclusive os de Lula, José Serra e de outros companheiros, como o próprio Temer. Lembra no que deu o caso do caçador de marajás? A história se repete com o caçador de corruptos.

O Tribunal Superior de Justiça e a Polícia Federal estão dominados, desviando as atenções para o governador do Rio de Janeiro (uma briga vingativa entre o grupo da família bolsonarista), e quem roubou, roubou, e quem ainda não fez isso, pode seguir em frente que as portas estão sendo abertas. Está vencendo a impunidade, como sempre no Brasil!

Não se surpreendam se lá na frente o Lula e o seu PT se coligarem com o bando do capitão-presidente e seus generais. As cachorradas nas ruas, dando seus espetáculos, continuam soltas e não são novidades. O chefe está calado e matutando em seu canto, assuntando a boiada passar com seus vaqueiros enquanto vai sendo poupado das acusações, numa tática armada pela Procuradoria Geral da República.

Por pressão, o coordenador da Força Tarefa Deltan Dallognol jogou a toalha, com a desculpa fajuta de cuidar de uma doença do seu filho. Engana que eu gosto! Como diz o ditado, nesse angu tem caroço. No arrastão, houve uma debandada geral dos procuradores que perceberam que a Lava Jato está se transformando naquele trabalho idiota de enxugamento de gelo, ou melhor, num Lava Gelo.

O BRAÇO DO PODER DO MAIS FORTE

Não conheço e nem estou aqui defendendo suspeitos de corrupção, mas nesse imbróglio, ou rolo do governador do Rio e seus compassas, tem o braço do poder do mais forte. Tudo cheira a um esquema maquiavélico para enganar a opinião pública e encobrir os malfeitos do passado da família do capitão.

O Tribunal Superior Federal, com seus costumeiros ministros da soltura e dos arquivamentos, está aliviando a cara de muita gente. Cabral e outros perigosos logo vão estar livres. Até o Gedel das malas de dinheiro no apartamento voltou para sua mansão, sob o argumento de que poderia pegar Covid-19 na cadeia. Nesse caso, teria que abrir as grades das penitenciárias para todos os bandidos.

O esquema é desviar as atenções para o Rio de Janeiro enquanto vai-se enterrando a Lava Jato e abrindo as cadeias dos que foram presos pela Força Tarefa sob a batuta do juiz Sérgio Moro, que ontem era ovacionado pelos seguidores do Bozó e hoje está sendo excomungado e defenestrado pelos mesmos brutos da direita fascista. O negócio é deletar o juiz “caçador de corruptos”.

Cheira muito estranho esse afastamento tão rápido do governador do Rio de Janeiro pelo Superior Tribunal de Justiça, sem ouvir a defesa, quando o processo deveria primeiro passar pelo crivo da Assembleia Legislativa. Por que outros governadores que estão sendo alvos de investigação idêntica também não foram atingidos?

Longe de mim ser um defensor do governador carioca, muito pelo contrário, mas que o julgamento foi esquisito, isso foi. Estamos diante de mais um caso que foge aos tramites democráticos num estado de direito. Dizia um amigo meu que “neste mato tem coelho”, e dos grandes!

“RENDE BRASIL” COM MAIS VOTOS

Viram a proposta da reforma administrativa enviada pelo executivo ao Congresso Nacional onde deixa de fora as castas dos militares, do legislativo e do judiciário? Nossas praias vão continuar infestadas de tubarões sedentos de sangue brasileiro. A base da pirâmide vai permanecer pagando o pato.

Nesse bojo do conluio entre o poder executivo federal e o legislativo (o Congresso Nacional), que agora estão de lua-de-mel, está sendo lançado o “Renda Brasil”, ou “Rende Brasil”, porque vai render muita fartura e fortuna para os mesmos! A lavoura está sendo bem irrigada!

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DE CONQUISTA BROTAM BAIRROS

Foto do jornalista Jeremias Macário

Quando aqui cheguei, há quase 30 anos, para assumir a chefia da Sucursal do Jornal A Tarde, Vitória da Conquista tinha poucos bairros, e os mais conhecidos eram Alto Maron, Candeias, Recreio, Bairro Brasil, Ibirapuera, Patagônia, Kadija, Jurema, Guarani, dentre outros. De lá pra cá, a cidade experimentou um dos maiores crescimentos do Brasil, principalmente no final dos anos 90 e início dos anos 2000, e um dos fatores que mais contribuiu para isso foi o avanço na educação, com novas faculdades públicas e particulares. A construção civil foi o setor que mais se beneficiou com a vinda de novos estabelecimentos de ensino superior. Desse desenvolvimento brotaram novos “bairros” que, na verdade, não passam de logradouros e loteamentos que precisam ser oficialmente ordenados pelo poder público através de um novo Plano Diretor que nunca chega. Na falta desse planejamento, criou-se uma tremenda confusão, e qualquer ajuntamento de ruas termina virando nome de bairro, dado pelos próprios moradores. São tantos que aparecem todos os dias na mídia, que se for fazer uma lista, o número ultrapassa os 170 bairros existentes em Salvador. Onde resido, por exemplo, existem três CEPs com denominações de Jardim Guanabara, Felícia e Jatobá. Tem ainda quem chame de Filipinas. Cada conjunto de casas e pequenas ruas viram um bairro, e cada um dá um nome e endereço diferentes, criando um sério problema para os correios. É preciso que no próximo ano, no mais tardar, a Câmara de Vereadores estude a fundo esta questão e aprove o novo Plano Diretor, fazendo um ordenamento oficial dos bairros, bem como, dos nomes das ruas, que é outra torre de babel, com números de casas repetidos e desencontrados. Onde moro, por exemplo, a rua é conhecida como “G” e também de Veríssimo Ferraz de Mello. Em cada conta tenho um comprovante de endereço diferente. E cada vez mais brotam bairros em Conquista!

UNS BROTAM E OUTROS SUGAM

Autoria repentina do jornalista Jeremias Macário

Tem uns poemas que borbulham e brotam,

Como olhos d´água nas nascentes;

Outros lhe torturam e sugam sua alma,

Como vampiros de afiados dentes.

 

Não sei se é inspiração,

Ou o tema que lhe deixa com edema,

Pra botar uma dose na cuca

Viajar no extremo ácido surreal,

Mesmo que não seja coisa real,

E sentir o céu e o inferno;

Transar com o eterno Supremo,

Na pegada de uma corona bituca,

Da mística beleza maluca.

 

Só sei que uns brotam,

E outros sugam,

Mas alguma coisa fica e liga,

Como intriga política,

Onde tem o ódio e a intolerância,

Dos imbecis que arrotam,

Preconceito e ignorância.

 

Tem os racismos,

Os sabichões dos ismos

E a cria da homofobia,

Mas sempre vencem,

A fé, a ciência e a sabedoria

 

Misture, então, seu moço,

Esse extremo colosso,

De uns com os outros,

Que pode brotar,

Do espinho, a flor da poesia,

Que alguns chamam de amor,

Outros dizem que é dor,

E assim, uns brotam,

Outros torturam e sugam.

 

 

OS PARADOXOS BRASIL-BRASÍLIA E A EXPLOSÃO DA COVID-19 NAS ELEIÇÕES

A capital Brasília, de acordo com pesquisas feitas pelo IBGE, apresenta o maior poder aquisitivo do país, que influi, de certa forma, positivamente na qualidade de vida dos cidadãos. Essa constatação vem seguida de uma pergunta sobre o que produz Brasília para alcançar esse nível de destaque, tendo em vista não ser centro industrial e financeiro, sobressaindo mais na área de serviços.

A resposta está nos altos e supersalários dos três poderes executivo, judiciário e legislativo, que mamam, diuturnamente, nas tetas dos contribuintes, isto é, sugam todo nosso dinheiro público. Seu poder aquisitivo não advém do setor privado, e nem a São Paulo industrial, que é o carro-chefe da economia, consegue superar os valores salariais de Brasília.

Inchaço e péssimos serviços públicos

Este é um dos grandes paradoxos do nosso rico-pobre Brasil que contribui para os rombos fiscais e a crescente dívida pública com a emissão de mais e mais títulos para cobrir os déficits. Além dos altos salários, existe o inchaço do quadro de pessoal, feito por indicações políticas em todos os poderes. Como resultado, a prestação de serviços é péssima, deixando muito a desejar em termos de qualidade e produtividade.

É um paradoxo entranhado no outro. Mesmo contrariando a lei, os supersalários de magistrados, funcionários públicos que acumulam uma série de benefícios em suas caixas receptoras, deputados e outros cargos vão além do teto estabelecido e tolerado dos ministros do Supremo Tribunal Federal, de pouco mais de 40 mil reais mensais. Milhares ganham mais de 100 mil reais por mês.

É uma verdadeira farra, e ninguém quer abrir mão de suas mordomias, mesmo num estado de guerra sanitária. Estou falando de supersalários, mas ainda existem as benesses por fora nos três poderes. Cinicamente, ficam lá, vez por outra, “defendendo” dar mais umas migalhas para o povo, como forma de cala boca.

Portanto, Brasília é o monstro sugador do Brasil, um país rico, mas, paradoxalmente, pobre com a pior desigualdade social do mundo. A capital não produz praticamente nada, mas tem o maior poder aquisitivo. Vá explicar isso para um estrangeiro! Interessante que um bando de políticos cobra menos gasto público, justamente montado num Congresso mais caro do mundo. É muita hipocrisia, incoerência e insensatez!

É, minha gente, o Brasil é um poço de paradoxos e, se fosse listá-los aqui, passaria um mês escrevendo e não se esgotariam! Um dos mais escancarados e recentes está vindo do governo fascista e retrógrado que retira dinheiro do orçamento da educação e da saúde para botar na compra de armamentos para as forças armadas.

Lembra do menestrel Juca Chaves quando fala que o Brasil vai à guerra, comprou navios, torpedos, submarinos e vai ser uma potência nuclear? Aprovam arrojados projetos de saneamento básico (mais da metade da população não tem serviços de esgoto); reforçam o Fundeb (ensino básica) com mais recursos e, ao mesmo tempo, o governo corta verbas da educação. Será que alguém aí pode me explicar? Só queria entender!

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A PRIMEIRA LIVE DO SARAU A ESTRADA

Realizamos no último sábado (dia 29/08) a primeira Live do Sarau A Estrada com a participação de José Carlos (coordenação), professor Itamar Aguiar, Edna Brito, Alex Baducha, Regina Chaves, Jeremias Macário e Vandilza Gonçalves. Não foi o ideal em termos de quantidade de pessoas (faltou mais divulgação), mas foi total sucesso no sentido de interação, empatia e quanto aos temas debatidos, com um bom conteúdo e aproveitamento.

Essa foi uma Live para matar a saudade dos nossos eventos presenciais costumeiros que estão sem ser realizados há sete meses (o último foi no início de fevereiro) por causa da pandemia que não vai acabar com o nosso Sarau. A Live de três horas, das oito e meia da noite até por volta de onze e meia do sábado, foi muito prazerosa e até diria emocional, num papo bastante descontraído e informal.

NAÇÃO CIGANA

Durante os debates falamos de muitos assuntos importantes, principalmente na área social e cultural. Discutimos um pouco sobre a tecnologia e suas influências na história da humanidade, moradores de rua, mas o principal assunto que rolou foi sobre as nações ciganas, povo sem pátria, e que sempre foram excluídas das nossas sociedades.

Para completar e temperar ainda mais a Live, ainda sobrou espaço para declamação de poemas, e o músico e cantor Alex Baducha nos animou apresentando várias canções ao som do violão. Podemos dizer que foi uma noite inspirada de muita troca de informações, conhecimentos e aprendizagem, mantendo o mesmo formato do Sarau presencial. Pretendemos fazer outra Live ainda neste mês de setembro com mais participantes. Em breve comunicaremos ao grupo o dia e hora do evento.

Sobre as nações ciganas, o jornalista Jeremias Macário fez um resumo histórico desse povo que tem várias origens, mais precisamente vindos da Ásia, e que depois adentraram na Europa.  Os Calons e os Rum foram os grupos que mais se destacaram. Os primeiros, que viviam mais na Península Ibérica, vieram para o Brasil entre os séculos XVII, XVIII e XIX como degredados, mais por perseguições, exclusão e discriminação do que por crimes cometidos.

O rei D, João V, de Portugal foi um dos maiores perseguidores da nação Calon, também chamados de Kalé, mas no Brasil foram acolhidos até na corte de D. João VI, com apresentações artísticas durante saraus da família real. Como bons empreendedores, tudo fizeram na vida para sobreviver e manter unidos seus grupos, desde a venda de cavalos, consertos de caldeiras nos engenhos de cana, panelas, leitura das mãos pelas mulheres, venda de arreios e até de escravos de segunda mão para pequenos produtores rurais. No Rio de Janeiro, por muito tempo, viveram no Campo de Santana e dali sobressaíram homens ricos. Muitos foram tocados para o interior, para povoar o sertão – conforme ressaltou Itamar.

De acordo com Jeremias, no país por onde andavam sempre foram discriminados e perseguidos, e viviam em correrias tangidos pela polícia de um canto para outro, vistos como trapaceiros, preguiçosos, sujos, arruaceiros e até como bandidos. Quanto aos Rum, mais artísticos e circenses, esse povo chegou ao Brasil no final do século XIX com a leva de imigrantes estrangeiros, como italianos, alemães, poloneses e russos.

Como eram tão discriminados, eles davam nomes diferentes na alfândega. Uma curiosidade que poucos conhecem é que essa gente também tinha uma inclinação para política e, da sua descendência, saiu o primeiro presidente cigano brasileiro que foi Juscelino Kubitschek, neto de um cigano Rum legítimo de Diamantina. Portanto, já tivemos de tudo como presidente da República.

O professor Itamar Aguiar também fez algumas pinceladas sobre o tema, como todos os outros participantes, e até declamou um poema cigano. Logo, por acaso, enveredamos na questão dos moradores de rua através de um poema “No Olho da Rua”, de autoria de Jeremias Macário, declamado por ele mesmo.

Regina pediu a colaboração de todos do grupo para que contribuam com seu artigo que está elaborando para seu curso, falando da importância do Sarau A Estrada, que está completando dez anos de existência. No final da Live, cada um fez suas considerações finais e todos se despediram com emoção, com o gosto de mais outro evento virtual. É bom lembrar que durante essa pandemia, o Sarau vem produzindo uma série de vídeos, culminando numa curta-metragem colaborativa de 22 minutos que está sendo distribuída.

AS TRANSFERÊNCIAS TECNOLÓGICAS E AS QUESTÕES GEOGRÁFICAS E ECOLÓGICAS

Houve transferência de técnicas chinesas de fabricação de papel para o Islã quando o exército árabe derrotou o chinês na batalha do rio Talas. O Islã encontrou alguns artífices entre os prisioneiros de guerra e os levou com a intenção de montar uma fábrica de papel. Existia difusão de ideias proteladas, como foi o caso da porcelana inventada na China por volta do século VII. Chegou à Europa pela Rota da Seda no século XIV.

A narração consta do livro “Armas, Germes e Aço”, do cientista Jared Diamond, no capítulo que trata de “A Mãe da Necessidade”, destacando as questões das transferências tecnológicas e as interferências geográficas e ecológicas na difusão das ideias.

AS INVENÇÕES E LOCALIZAÇÕES GEOGRÁFICAS

Só em 1707 o alquimista Johann Bottger, depois de demoradas experiências, encontrou a solução e iniciou a fabricação das famosas porcelanas de Meissen. Do mesmo modo, os oleiros europeus tiveram que reinventar os métodos chineses de fabricação, por conta própria.

No caso da difusão, de acordo com Diamond, as sociedades diferem na rapidez com que recebem a tecnologia de outras comunidades, dependendo da localização geográfica. Os povos mais isolados da Terra na história recente eram os aborígines tasmanianos, que viviam em embarcações para atravessar oceanos em uma ilha a cerca de 160 quilômetros da Austrália, o continente mais isolado. Durante dez mil anos, os tasmanianos não tiveram nenhum contato com outras sociedades e não adquiriram nenhuma tecnologia diferente.

As sociedades localizadas nos principais continentes evoluíram a tecnologia mais depressa porque acumulavam suas próprias invenções e as de outras comunidades. O Islã medieval, localizada na Eurásia, absorveu invenções da Índia, da China e ainda herdou a cultura grega.

As tecnologias úteis persistem até serem substituídas por outras melhores. Qualquer sociedade passa por movimentos sociais, ou por modismos onde coisas economicamente inúteis se tornam valorizadas, e as úteis perdem, temporariamente, sua importância. Hoje quando todas sociedades estão conectadas umas às outras, não podemos imaginar que um modismo se perca ao ponto de uma tecnologia fundamental ser descartada.

Um exemplo foi o abandono de armas pelo Japão quando elas chegaram em 1543 por dois aventureiros portugueses com arcabuzes. Os japoneses ficaram impressionados e deram início a uma produção, aperfeiçoando a tecnologia. Por volta de 1600 possuíam armas melhores e em maior quantidade que qualquer outro país.

No entanto, existiam fatores contra a aceitação de armas, como a numerosa classe de guerreiros samurais para quem as espadas eram símbolos de status e consideradas obras de arte. A guerra japonesa envolvia combates isolados entre samurais que se orgulhavam de lutar elegantemente. Soldados camponeses atiravam deselegantemente. Além disso, as armas eram invenção estrangeira e passaram a ser menosprezadas. O governo começou a limitar a produção de armas através de uma licença para fabricação. Depois limitou a licença só para armas produzidas para o governo. Esse processo só terminou em 1853 quando uma frota americana cheia de canhões convenceu o Japão da necessidade de retomar a fabricação de armas.

Outros retrocessos desse tipo ocorreram na pré-história, como no caso dos aborígines tasmanianos que abandonaram até as ferramentas feitas de osso. A cerâmica foi abandonada em toda Polinésia. A maioria deixou de usar arcos e flechas na guerra.

A DIFUSÃO DA INVENÇÃO

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