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VISÕES DAS ÁFRICAS

Poema acabado de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Nasci na Região dos Grandes Lagos,

Ao pé do Baobá da Montanha da Lua,

Entre reis e adivinhos de Muzagos,

Onde a livre aldeia da mãe terra flutua,

No triângulo dourado da escravidão,

Nas visões geográficas das Áfricas.

 

Sou do Congo belga sanguinário,

Da Etiópia do Mussolini ditador,

Da Argélia dos tambores da dor.

Da Península Ibérica das Áfricas

 

Cresci bantu-ketu-jeje Magrebe,

Lamento negro criado no arado,

Sou do Crescente Fértil sumério,

Um lambuzo do império mulato,

Nas visões lendárias das Áfricas.

 

Não mais gado domado do colonizador,

Sou a voz de Mandela, sim Senghor,

Soynka, Mia Couto, Diop, Chebel e Cabral,

Fela-Kuti, Fanon, Mudimbe e Fatema,

Pan-africano com minha raiz cultural,

Na arte da escrita, da música e do cinema,

Nas visões dos “Intelectuais das Áfricas”.

 

Sou da Guiné, Benin, Angola e Senegal,

Rota das correntes, massacres de horror,

Carnes da negritude curadas com sal,

Forte como as ondas do mar Orixá Criador,

Nas visões históricas islã das Áfricas.

 

 

 

CIGANOS PRESTAM DEPOIMENTO

A pedido do Instituto dos Ciganos do Brasil-ICB, os ciganos vítimas de violências e ameaças depois da morte de dois policiais no dia 13 de julho deste ano, no distrito de José Gonçalves, em Vitória da Conquista, estão prestando depoimentos à Justiça em audiências fechadas sem a presença da imprensa devido ao sigilo das testemunhas.  Nove pessoas serão ouvidas, mas outras deverão ser incluídas ao longo do processo.

O ICB preparou um relatório minucioso e encaminhou para várias instituições de direitos humanos no Brasil e no exterior, inclusive solicitou a federalização dos crimes em Vitoria da Conquista e região. Com exceção do ICB, da equipe de trabalho e dos depoentes, ninguém está tendo autorização a participar das audiências.

Na manhã do dia 13/07, numa terça-feira, dois policiais militares, 1ª Cl PM Robson Brito de Matos, 30 anos, e o 1º Ten PM Luciano Libarino Neves, 34 anos, morreram após troca de tiros com os ciganos no município de Vitória da Conquista, no distrito de José Gonçalves. As unidades de cidades vizinhas da PM, com apoio da Companhia Independente de Policiamento Tático (CIPT/Rondesp Sudoeste), e de outras Companhias Especializadas fizeram um cerco na região para capturar os ciganos, que fugiram em veículos.

Na caça aos ciganos, oito deles foram mortos, inclusive menores. De acordo com a versão do comando da polícia militar, em todas as operações houve reação dos suspeitos pelas mortes dos soldados. O pai dos ciganos chegou a ser baleado e preso. A matriarca com os netos e outros familiares foram obrigados a fugir de Conquista por causa de ameaças e atos de violência.

Como forma de apoio, o Instituto implantou o Grupo de Apoio as Comunidades Ciganas Solidariedade, Respeito, Esperança e Responsabilidade (Gacoc) dentro de um acordo ético de sigilo. Esse Grupo foi formado a partir da necessidade de se criar uma comissão de proteção e incentivo às famílias enlutadas pelas mortes dos ciganos, bem como, em prol das mulheres ciganas e suas crianças, que foram inseridas no Provita/SP, no dia (26/07) e, por falhas no processo deste acolhimento, causando insegurança para estes vulneráveis, que temendo represálias, abandonaram o programa e foram acolhidas, no dia (2/08), pelo ICB.

De acordo com nota do Instituto, os excessos da polícia, no entanto, se espalharam por toda comunidade. As famílias foram desalojadas e perderam todos seus bens. O ICB luta contra toda e qualquer forma de preconceito, como homofobia, anti-ciganismo, ciganofobia, racismo, sexismo e machismo.

A questão agrária

Na data dos acontecimentos, em 13 de julho, consta ainda da nota que o cigano Solon Mattos revelou à matriarca que o acampamento do seu povo estava correndo perigo. Na ocasião, houve troca de tiros e dois policiais foram mortos.

A matriarca narra que a cigana Rita Mendes e seu filho Solon tinham informado dois dias antes do 13 de julho que algumas pessoas da redondeza estavam incomodadas com o acampamento e que os vinte e dois lotes que comprados era de outra pessoa poderosa, e que iriam dá um jeito para tirar nossa terra.

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O BUFÃO DA INDEPENDÊNCIA

Nunca vi manifestações brasileiras com cartazes em inglês. O que é que é isso, minha gente! Outras atitudes estúpidas, por centenas de vezes repetidas, são as faixas pedindo intervenção militar, mas com o Bozó capitão no poder. Esses apoiadores imbecis, que são minorias do nosso povo, ou são ingênuos demais, ou ignorantes que não conhecem nada da nossa história da ditadura.

O mais provável é que eles não têm memória. Só têm meleca nos cérebros. No golpe civil-militar de 1964, os maiores cabeças que incitaram as forças armadas a derrubar o governo constitucional de Jango Goulart, como Ademar de Barros, Carlos Lacerda e outros, foram cassados, presos e até mortos.

Se houver uma ruptura no Estado de Direito pelos generais da ativa, o primeiro a ser detido será o capitão-presidente, seguido dos que estão à frente dessa intentona contra a democracia. Ai, meu amigo, esse bando que vomita ódio e intolerância, solta fake news nas redes sociais e comete atentados contra as instituições vai ficar calado, sem liberdade de expressão e não mais fazer barulho nas ruas.

Outra loucura é a proposta esdruxula de depor os ministros do Supremo Tribunal Federal e o próprio Bozó escolher os dele, o que significa que ele vai ter uma corte só para ele fazer o que bem quiser. Nesse caso, ele vira uma espécie de ditador tirano, ou até mesmo decrete uma monarquia imperial, passando de pai para filho, de Neros para Calígulas.

Há muito tempo, esse maligno se tornou num tremendo falastrão que diz que vai arrebentar, enquadrar ministros e acabar com as eleições. Os mais malucos, fanáticos e doentes mentais são os que o seguem cegamente, numa mistura de evangélicos, homofóbicos, racistas e zumbis saídos das covas.

De tanto prometer que vai dar golpe e nada ocorre, passou a ser um desacreditado bufão, e agora em plena comemoração da independência do país, que não merece tanto escárnio. Os maiores culpados disso tudo são os avestruzes prepotentes de passado recente que enterraram a cabeça na terra e deixaram sair dos túmulos os extremistas bárbaros verdes-amarelos integralistas de Pátria, Família e Tradição.

Esses generais e coronéis de pijama que ainda mijam e cagam no penico deveriam colocar a mão na consciência, se é que ainda têm isso, e cair fora o quanto antes porque estão sujando de sangue a farda do exército, da marinha e da aeronáutica. Estão prestando um enorme deserviço à pátria,  e a história um dia vai cobrar seus desvios de conduta, tudo por vaidades, dinheiro, status e mordomias. Deviam se envergonhar do que estão fazendo, servindo um governo que é inimigo da nação.

Agora está berrando que vai convocar o Conselho da República. Não passa de mais um blefe e se fizer isso vai, mais uma vez, quebrar a cara. As forças armadas não vão entrar nessa doideira num país nessa situação caótica em todos os aspectos, desde o âmbito interno até no clima externo onde o Brasil está isolado das outras nações. Esse cara é a encarnação do AntiCristo. Temos que dar um basta nessa aberração!

QUE INDEPENDÊNCIA?

Dizem os historiadores e muitos estudiosos que a nossa “independência” de Portugal, chamada de “Grito do Ipiranga” (serviu até de galhofas e deboches) não aconteceu nenhum tiro, assim como na Proclamação da República, em 1889, coisas inéditas no planeta. Esse é o nosso Brasil varonil, deitado em berço esplêndido.

No entanto, a história não foi bem assim. Até antes da data de 1822, principalmente a partir do século XVIII, ocorreram muitos levantes, movimentos e rebeliões em vários cantos – Confidência Mineira, Alfaiates, a Revolução Pernambucana e tantas outras manifestações – em favor da libertação do jugo de Portugal.

Não podemos esquecer que em 1823 – sete meses depois – houve sim, lutas na Bahia, e sangrentas, para expulsar em definitivo os portugueses do território brasileiro. Então, não foi tão assim na chacota, de que não houve tiros e batalhas. No 7 de setembro, D. João VI já não queria mais bancar a colônia depois dos conquistadores terem levado tudo de nós. Rasparam o tacho, como se diz no popular.

Quinhentos e vinte e um anos depois continuamos vivendo nessa tremenda confusão de incertezas e indecisões, como um adolescente ou uma pessoa que ainda não encontrou o seu caminho. Vivemos ainda no sofá do divã do psicanalista, sem saber quem somos e para onde vamos. É triste dizer isso, mas é uma realidade nua e crua.

Ainda estamos lutando pela nossa independência social e econômica, principalmente. Hoje, os maiores inimigos estão dentro do nosso próprio país e são aqueles contrários à liberdade e a igualdade. Existe uma elite atrasada, com a mesma mentalidade de há mais de 500 anos, que não aceita o pobre crescer na vida.

Depois de mais de 500 anos ainda continuamos sendo exportadores de matérias-primas (ferro, petróleo cru, soja, milho, café, algodão e carnes), dependentes de produtos industriais, tecnologia sofisticada, da química fina e da pesquisa vindos de outros países. Nossa educação é uma das piores do mundo, bem como as desigualdades sociais.

Depois de mais de 500 anos ainda valorizamos mais a cultura de fora do que a nossa, estampando camisas de super-heróis norte americanos com letreiros em inglês, ao invés dos nossos personagens e animais dos nossos biomas. Seguimos derrubando as matas e destruindo nosso ecossistema.

Nesses mais de 500 anos nos acostumamos a conviver mais com a opressão do que com a liberdade democrática, e agora monstros do retrocesso e do golpe rondam as nossas vidas. A corrupção se tornou na maior praga da nossa terra, e mais de 30 milhões de brasileiros passam fome. A cidadania está longe do alcance da grande maioria.

Depois de mais de 500 anos permanecemos emergentes, vivendo num capitalismo selvagem onde o trabalhador não passa de um escravo disfarçado de colaborador. Não bastou o grito de independência, e não atravessamos ainda o portal da Velha República para uma sociedade nova e mais igualitária.

“FRAGMENTOS”

O lançamento do livro “Fragmentos”, da advogada, poeta e psicanalista em formação, Ana Priscila C. Luz, ontem (dia 03/09), sexta-feira, às 17 horas, marcou a reabertura das atividades da Biblioteca Municipal José de Sá Nunes, que ocorrerá oficialmente no próximo dia 8 (terça-feira) depois de uma temporada praticamente fechada por causa da pandemia.

A poetisa conquistense, estudiosa de idiomas e cozinheira autodidata, como ela mesmo se expressa, sempre foi apaixonada pela literatura desde criança. Suas influências vão de Adélia Prado e Francesco Petrarca. Ela é também autora de “Poeta em Pânico” e editora-chefe da Rádio Melodia.

Júlia Cândido Viera escreve na orelha da obra que o leitor vai mergulhar no interior da autora, “reconhecendo em cada verso, o resultado da sua busca por localizar-se nessa existência”.

“Ao ler seus poemas somos levados a imergir para seu Eu e saborear tudo aquilo quem a torna quem é, uma mulher inquieta, que não se contenta com o óbvio e que já compreendeu que a dúvida é aquilo que nos leva a encontrar nossa melhor versão” – destaca.

A apresentadora de Ana Priscila diz que este livro é uma forma de mostrar ao mundo que, mesmo em situações adversas, é possível tornar belo aquilo que nos fere. Afirma ainda que os estudos da psicanálise a levou a tornar verso tudo aquilo que um dia foi tormenta.

Dentre alguns de seus poemas podemos citar “Cena Primitiva” onde a poetisa escreve: O mundo inteiro transa/menos nossos pais/Essa imagem mental/já é demais. Em “Nessun dorma” – O sono cai como uma luva/no meu corpo/É meu cismar torto/que resiste. Noutro verso intitulado “Liv e Ingmar” – Viviam em ilha recôndita./Juntos, eram a pangeia./Imersos, solidão ontogênica./Tão definitivos/quanto impermanentes. “Quando me apaixonei”, Ana narra Invadiu minha fronteira,/se instalou de vez. /Sem eira nem beira,/coisa de tez.

O evento foi realizado na Biblioteca Municipal, hoje dirigida pela atriz Jean Marie que, durante este período da pandemia, operou várias mudanças e deixou o ambiente mais aprazível para a leitura. Ela e sua equipe recuperaram todo material referente à memória de Vitória da Conquista e abriram um espaço de exposição de livros só de escritores da terra.

O funcionamento da Biblioteca, após mais de um ano com atendimento limitado, ficará restrito a 50% da ocupação do espaço, dentro de todos os regramentos recomendados contra a Covid-19. A sua sede está localizada no Bairro Conquistinha, próximo ao centro da cidade.

Fotos da Biblioteca Municipal, cujas atividades serão oficialmente reabertas no próximo dia 08/09 (terça-feira) com limitação de 50% da sua ocupação por causa da pandemia. Fotos de Jeremias Macário

AS NUVENS E O TEMPO

Do meu quintal cercado de plantas (algumas floridas), pássaros a cantar, o beija-flor a bailar e entre hortas da terra viçosa, fico a mirar as nuvens e o tempo que sempre estão mudando de posições, de acordo com a direção do vento, ora forte e fraco, do sul, do oeste, leste e norte como se fossem nossas vidas cotidianas. A depender do tempo, as nuvens mudam, ficam leves esparsas e pesadas, cuspindo suas rajadas como que anunciando tempestade, como nas imagens captadas pelo jornalista e escritor Jeremias Macário. São imprevisíveis como os seres humanos dos tempos atuais, que sempre mudam de roupagem. É a metamorfose ambulante como na canção do poeta compositor Raul Seixas. Com as bruscas mudanças climáticas, decorrentes da intervenção humana na natureza, o vento quente, repentinamente, se torna frio. Assim vivemos no Brasil de hoje onde predominam as incertezas, com nuvens sombrias e tempos de medo e falta de esperança. Quando o céu está limpo, dizem que é céu de brigadeiro, de se voar tranquilo. Na atualidade, quando olhamos para o alto, só enxergamos nuvens carregadas, ventos incertos de trovoadas de correntes elétricas, num tempo de divisões, com imagens e figuras estranhas como as nuvens que cortam nossas cabeças.

NÃO VIM PARA CONSTRUIR

Versos satíricos de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Não vou mais comprar arroz e feijão,

Vou comprar fuzil pra matar meu irmão,

Ser um idiota ignorante nesta terra plana,

Não vou usar máscara e tomar vacina,

Pra você uma banana, fela da puta sacana.

 

Sou AntiCristo ladrão de palmito,

Tenho o meu direito individual,

De cagar na corte do Supremo Federal,

Canalhas jornalistas, gays comunistas,

Meus seguidores me chamam de “mito”.

 

Não vim como o messias construir,

E sim com minha loucura destruir,

Essa maldita subversiva cultura,

Derrubar cada pau dessa Amazônia,

Com minha democrata ditadura.

 

Negro se vende por quilo e arroba,

Índio tem que ser expulso e morto,

Cada dia falo minha merda ôba-ôba,

Rio tem que ser enterrado com mercúrio,

Sou Deus pelo caminho curvo e torto,

Militar bom é quem atira e rouba.

 

Vou detonar todo esse Pantanal,

Acabar com essa bicharada no lamaçal,

Com esse Mané, José e Juvenal,

Estourar essa tal camada de ozônio,

Com minha bombinha de plutônio.

 

Tenho meus generais de pijama,

Que ora urinam no pinico e na cama,

Todos são uns velhos frangotes,

Iludo meus apoiadores com lorotas,

Que acreditam que ainda tenho botas.

 

Sou o capitão expulso da negação,

Desmascarado da moto da morte,

Os malucos ainda entram na minha,

E na dos meus filhos da rachadinha

Que morra o fraco e viva o forte.

 

Fui até contrabandista garimpeiro,

Detesto todo cabra do estrangeiro,

Menos meu Tio Sam Trampeiro,

Meu Brasil dourado, Pátria Amada,

Eu sou a pregação besta fera do nada.

 

Que morram todos de fome e pandemia,

Alegria, Alegria e viva a mordomia,

O sol não bate mais nas bancas de jornais,

Bate nas fake news das redes sociais,

E o Brasil do dia a dia conta seus mortais.

 

Povo armado jamais será escravizado,

Atiro em quem não estiver do meu lado,

O coletivo social que vá pro espaço,

Sou o tirano desse povo colonizado,

E para vocês mando chupar o bagaço.

 

 

 

PRESTAÇÃO DE CONTAS DE VEREADORES E COBRANÇA POR SERVIÇOS DA VIA BAHIA

NÃO VAI DEMORAR MUITO TEMPO E LOGO A CÂMARA DE VEREADORES VAI VIRAR UM CULTO EVANGÉLICO

Prestação de contas de vereadores e mais uma cobrança da Via Bahia para que a empresa realize serviços no Anel Viário de Vitória da Conquista, de modo a reduzir o número de acidentes de veículos foram os principais assuntos em destaque dos parlamentares na sessão de ontem (dia 01/09), na Câmara Municipal.

Os vereadores evangélicos sempre usam a tribuna com uma citação da Bíblia antes e depois de suas falas. Não que tenha nada contra religião (cada um tem o direito de professar sua fé e ter sua igreja), mas dizem que o nosso Estado é laico, conforme dita a Constituição.

Uns chegam até a ser agressivos quando misturam religião com política, xingando raivosamente os adversários e defendendo o governo do capitão-presidente. O vereador Augusto Coutinho, por exemplo, meteu o malho em Lula e no PT como se fossem satanás, chamando o pré-candidato à presidência da República de ex-presidiário. Suas críticas contaram com reações da oposição no legislativo.

Depois de lido os requerimentos, as indicações de sempre e as moções de aplauso e pesar, o primeiro a falar foi Admilson Pereira (o falatório na plenária é ensurdecedor), que fez um apelo ao poder executivo para que construa quebra-molas no povoado de Cabeceiras (o município já é campeão desses monstrengos) e aproveitou para prestar contas de seu mandato.

O colega Nildo de Freitas também enumerou uma série de serviços que vem realizando em sua vereança e solicitou da Secretaria de Mobilidade Urbana a instalação de mais radares na Avenida Brumado, de forma que os motoristas tenham mais prudência ao trafegar naquela via.

A vereadora Lúcia Rocha fez uma espécie de prestação de contas da sua viagem a Salvador na semana passada, segundo ela, para tratar do problema de escassez de água em Conquista.

Na ocasião, disse ter mantido contato com o presidente daquela Casa, Geraldo Júnior, quando foi bem recebida pelo legislativo da capital, que ficou de lhe outorgar o título Maria Quitéria pelos seus oito mandatos (32 anos) como parlamentar conquistense. Lúcia ainda pediu ao poder público a revitalização das praças locais e da Lagoa das Bateias.

A reforma da pista de skate e do Ginásio Raul Ferraz foram as principais reivindicações do vereador Alexandre Xandó. Afirmou que está trabalhando junto ao deputado federal Waldenor Pereira para que faça uma emenda parlamentar em benefício das atividades da capoeira em Conquista.

Orlando Filho e Ivan Cordeiro citaram a inauguração, na semana passada, da casa Escuta Protegida para Crianças e Adolescentes como um projeto exemplar na Bahia, que contou com a presença da ministra Damares, dos Direitos Humanos, elogiando as ações do governo Bolsonaro e criticando o PT.

A vereadora Viviane Sampaio rebateu seus colegas dizendo que eles esqueceram de falar que as ações de proteção à criança começaram no governo do PT, a exemplo do Conquista Criança. “A construção dessa casa tem todo um histórico, com início em 2013 através do Centro de Atendimento à Criança”.

Fernando Jacaré assinalou que o projeto é uma vitória de todos. Na oportunidade, voltou a fazer duras críticas à concessionária Via Bahia que até o momento não cumpriu com sua parte de ampliação da Rio-Bahia (BR-116) e construção das passarelas e viadutos no Anel Viário. “Conquista não aguenta mais esse descaso da Via Bahia”.

SAUDADES DOS TEMPOS QUANDO ERA RESIDENTE UNIVERSITÁRIO

Eram os anos iniciais da década de 1970, e o regime ditatorial com o general Médici era de chumbo e tirania. A duras penas frequentava a Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia-Ufba (terminei a graduação em 1973). Nos primeiros meses de 1970 lutava aguerridamente para conseguir uma vaga na Residência Universitária, mas meu pai, um roceiro, não tinha documentos exigidos pela reitoria que provasse ser pobre necessitado. Questão da maldita burocracia!

Para sobreviver, vivia de bicos (quando arranjava) morando num pardieiro ali no Politeama (centro), comendo pão três vezes ao dia, misturado com mel Karo feito do milho. A barriga roncava e pedia socorro quando passava nas portas dos restaurantes. Da calçada olhava lá dentro as pessoas realizando suas refeições. Às vezes enganava o estômago quando um amigo trazia do restaurante universitário uma comida dentro de uma lata vazia de Nestlé.

Basta de lamento. Meu foco era mesmo morar na residência universitária, destinada aos estudantes carentes, e eu era um deles, mas o processo estava emperrado. Lembro que todos dias passava no Departamento da UFBA que administrava as três residências, localizado na Rua João das Botas, no Canela. A ansiedade era grande e todos os dias revisava a lista dos aprovados, que fica no balcão. Para ter certeza, olhava duas e até três vezes para certificar seu meu nome não estava incluído, e nada.

Fotos arquivo “A Tarde”

Aquilo me deixava ainda mais angustiado porque o cerco se fechava, mas não dava trégua à briga para conseguir minha vez. Quando se está na pior, os argumentos brotam mais fortes como uma explosão vinda do coração. Para encurtar, um dia cheguei lá com minha surrada malinha, e o responsável pelas casas, de tanta insistência, liberou o meu nome. Não consegui me conter de tanta alegria.

Não me lembro muito bem, mas já era o segundo semestre de 1970 e lá fiquei na R1, a maior de todas, no Corredor da Vitória, até o final de 1973. Foram três anos e meio de muitas boas lembrança, de farras de caipirinhas, aventuras e confabulações entre colegas. Não tinha nada, mas era feliz.

O mais difícil era que os homens da ditadura nos vigiavam dia e noite. Quando entrava uma cara nova, nós ficávamos com as antenas ligadas porque poderia ser um agente espião, e aí nada de grupinhos a três trocando ideias proibidas. Aliás, era proibido pensar.  Duas pessoas falando já era perigo à vista. Compensávamos a repressão e o medo com as curtições de final de semana no pátio da Residência (a R1), tomando umas cachacinhas (não tinha grana para cerveja em bar).

O bom era que não me preocupava mais com passar fome porque tinha a moradia e mais duas refeições garantidas (o café da manhã a gente se virava como podia). Sem dinheiro, fazia os percursos entre as faculdades onde tinha disciplinas na base da velha paleta, mas sem reclamar. Vivia numa boa, dentro do possível. Não me importava com dinheiro e nem com roupas.

Não sei como, me tornei vice-presidente da R1 ao lado de Aroldo que fazia medicina. Vez por outra o regime trancafiava alguém e sumia com um estudante. Assim aconteceu com meu companheiro presidente, e aí tive que assumir o seu lugar. Podia ser a bola da vez. Andava apreensivo, e os colegas ficavam na butuca quando pintava alguma coisa fora do normal. Algumas vezes tive que dormir fora, inclusive nas moitas do Abaeté.

A ditadura torturava, matava e desaparecia, como fizeram com meu amigo residente Machado, um negro do curso de engenharia. Sumiu sem deixar rastro. Todos os anos, no dia 7 de setembro, as residências eram cercadas por policiais militares, do exército e os federais. Ninguém saia. Certamente os generais temiam que fizéssemos um levante e, sem armas na mão, derrubássemos a dita cuja. Dificilmente um confiava no outro, mas tínhamos aqueles grupos mais seguros com os quais trocávamos nossas figurinhas.

Lá se foram 50 anos e não é que estão passando sobre nossas cabeças aquelas nuvens sombrias e pesadas que achávamos que não mais existiam! Sempre me recordo daqueles tempos de estudante da R1. A R2 ficava e ainda fica no Largo da Vitória e a R3, a Feminina, no Canela.

Neste domingo (dia 29/08) as lembranças jorraram outra vez quando vi e li uma matéria no jornal “A Tarde” sobre a situação das residências universitárias, com uma foto da escadaria de entrada do prédio neoclássico. Logo bateram as saudades quando era residente universitário.

Confesso que me imaginei ali descendo e subindo todos os dias. Muitos acontecimentos, muitas discussões, brigas e amizades seladas. Pena que as notícias não são nada animadoras. Hoje tem mais uma unidade na Avenida Garibaldi (quatro ao todo), e todas juntas têm capacidade para 389 alunos. Com a pandemia, só a metade está sendo ocupada. Muitos voltaram para suas cidades de origem.

Para começar, as residências sofreram drasticamente os efeitos dos cortes de verbas federais destinadas ao Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). Foram subtraídos R$6,5 milhões somente neste ano, 18% menor que o investido em 2020. Mesmo assim, a número um, (a R1) está sendo reformada porque seu prédio já é antigo e carece de cuidados.

A R1, da qual tive o privilégio de morar (adquirida pela Ufba em 1950) entrou em processo de tombamento, e o atual prefeito de Salvador, Bruno Reis, chegou a assinar o pedido, mas depois voltou atrás e revogou o decreto alegando que se trata de um patrimônio federal e que a prefeitura não tem recursos para bancar sua preservação.

Pode ter outros interesses escusos por detrás por parte do setor imobiliário que já derrubou a maioria dos casarões do Corredor da Vitória (ainda tem o Museu Costa Pinto), transformando o local numa selva de pedra. A situação da R2 (Largo da Vitória) não é diferente. A R3 (antiga residência feminina) foi transferida para uma casa alugada na Graça, que abriga 100 estudantes. A R4 foi construída em 2012, na Avenida Garibaldi, e atende até 190 estudantes.

Por causa das reformas e a pandemia, a R1 está com apenas 40% da sua capacidade de 80 alunos. Lembro que cheguei a morar no térreo, um local mais fechado e úmido que atualmente apresenta mais problemas na estrutura, e também no primeiro e segundo andares.

Sem recursos, a gente mesmo lavava nossos “paninhos de bunda” nuns tanquinhos que ficavam na parte externa. Sábado era o dia das “lavadeiras”. Ao lado fica o restaurante (saudades dos bandejões e das batidas de talheres quando a comida não estava boa). Os milicos ficavam de olho em nós. Todos eram vistos com subversivos e perigosos comunistas.

Para entrar hoje na residência é necessário ter renda familiar de até um salário mínimo e meio, estar regularmente matriculado na Ufba e não ter outra graduação em paralelo. O candidato tem que ser do interior. As exigências não mudaram muito de lá para cá, mas meu pai não tinha renda fixa. Vivia da lavoura e dependia do tempo chuvoso ou seco.  Tive que conseguir meu teto na “tora”, no convencimento de que era lascado mesmo.

OS RETARDATÁRIOS IGNORANTES E O FUZIL NO LUGAR DO FEIJÃO

“Ao invés de comprar feijão, idiota, compra fuzil”. O pior de tudo isso é que ainda tem gente na frente do Palácio Alvorada para ouvir e aplaudir uma barbaridade desse tipo. Em que país estamos vivendo, em que mundo, em que idade? Acreditem! Estamos no Brasil e em pleno século XXI.

Atrás desse cara abominável, representando o AntiCristo, seguem milhões de ignorantes retardatários entre jovens e idosos que insistem em não se vacinar contra a Covid-19, argumentando ser um direito individual. Oh Senhor, perdoe porque eles não sabem o que dizem ou fazem! Será que alguém que atenta contra a vida de outro merece perdão?

A nível federal estamos sendo sugados por uma forte enxurrada para uma “boca de lobo”, mas as autoridades municipais e governamentais, em consonância com a Justiça, precisam, urgentemente, tomar medidas drásticas para punir esses elementos perniciosos que confundem o individual com o coletivo.

Essas pessoas, se é que são mesmo, devem ser punidas através de diversos instrumentos que lhes privem de determinados benefícios, como continuar trabalhando em qualquer empresa privada ou pública, serem proibidas de frequentar bares e restaurantes, eventos, estádios, viajar, participar de concursos, editais, entre outras atividades. Elas não têm mais o direito de ir e vir, como reza a Constituição.

Por que com tanto avanço tecnológico dos meios eletrônicos, com tantas invenções e criações científicas, com o homem explorando a vastidão do espeço sideral e a evolução da internet, milhões preferem o retrocesso e escolhem as trevas no lugar da luz? A inteligência está regredindo? Não vai demorar muito e os seres humanos vão perder a fala.

O que passa na cabeça dessa gente que prefere o fuzil ao feijão e se recusa a se imunizar, mesmo diante de todas as evidências científicas provando ser a saída para sairmos dessa pandemia? Algum transtorno ou trauma mental de infância? Uma necessidade de se aparecer diante dos outros para dizer que é diferente? Neurônios deteriorados, apodrecidos? Influência das fake news nas redes sociais?

Aqui mesmo em Vitória da Conquista um médico que não se vacinou, terminou sendo contaminado e veio a óbito. Ele não foi sozinho. Deve ter levado outros para o além, ou pelo menos empurrado um familiar ou amigo para um leito de intubação hospitalar.  Que direito individual é esse? Na própria Constituição, a sua vida e a do outro está acima de tudo. Oh quanta ignorância!

Não dá para conviver com pessoas desse tipo. Não se trata de uma questão de intransigência. Estamos falando de vida. Seja imbecil, retrógrado, extremista em seus pensamentos, de direita ou o que quiser em termos ideológicos, mas não atente contra a vida do outro através da contaminação de um vírus que é mortal e deixa sequelas horríveis. Para esse tipo de pessoa, eu quero é distância e que não pise os pés em minha casa.





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