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AS ESQUERDAS PRECISAM FAZER UMA REVISÃO E TRABALHAR COM AS BASES

De um modo geral, as esquerdas foram fulminadas nestas eleições, as quais tiveram um viés mais de direita e centro em todo país. Os partidos de esquerda, que cometeram seus desvios de conduta no passado mais recente, principalmente o PT, precisam, com humildade, fazer uma revisão, trabalhar as bases como antes, e não ficar apenas naquele discurso teórico de rechaçar com radicalismo o outro lado, com palavras de ordem e bordões batidos.

Está na hora de se reunir e corrigir os erros, porque insistir com os mesmos métodos é burrice. Tem que reaprender a falar a língua do povo das periferias, dos desempregados, das associações, dos camponeses e dos trabalhadores nas portas das fábricas. A linguagem das esquerdas, com suas arrogâncias e intelectualismos acadêmicos, não está alcançando as categorias mais baixas, os mais pobres e os mais carentes.

Cadê a nação negra?

Como entender em Salvador, a cidade mais africana do Brasil, com mais de 90% de negros, não eleger nenhum candidato de cor preta? De quem é mesmo a culpa? Dos próprios eleitores negros? Dos movimentos negros? Ou da esquerda que não soube atrair esse eleitorado para seu ninho?

Cadê a voz da nação negra? Depois ficam a lamentar de que Salvador não tem um prefeito negro. Tiveram, através do voto, várias oportunidades para ultrapassar essa barreira da discriminação, da desigualdade e do preconceito. O professor e tributarista Edivaldo Brito (negro), homem probo, preparado e intelectual tentou, mas não conseguiu.

O povo de Salvador tinha total condições de eleger uma mulher negra para governar a cidade. Várias se candidataram, mas o resultado foi ridículo, e um branco levou no primeiro turno. A escolha é “democrática”, mesmo nesse processo desigual de concorrência, mas fica complicado explicar o motivo da capital não eleger um negro para o executivo. Os tais “cientistas políticos” falam, mas quase nada esclarece esse quadro.

Em Conquista, tudo continua no mesmo

A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista (21 parlamentares) vai sofrer algumas mudanças (nove novos eleitos e três que estão retornando), mas para pior, quando muito o nível fica no mesmo em termos de conteúdo e peso. Precisa mais de gente preparada, para legislar e pensar em no sentido coletivo, e não apenas defender seus lotes eleitoreiros.

A bancada da esquerda (quatro ou cinco) vai ser uma merreca, comparada com a direita de vários partidos. Pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), nenhum candidato se elegeu. Entendo que fez um cálculo errado por não ter saído com um candidato próprio a prefeito. Tinha bons quadros competentes, de boa formação, mas o eleitor não conta muito com esses predicados. Tem que ter mais que isso na política.

Quanto a eleição para prefeito, como adiantei, houve uma polarização entre José Raimundo, do PT, e Hérzem Gusmão, do MDB. Vai haver segundo turno, e qualquer deles que saia vitorioso, nada vai mudar, porque um já governa, e o outro já governou a cidade. Se o PT levar, poderá ocorrer algumas mudanças de apoio, na Câmara, pois o que não faltam são oportunistas de plantão para virar a casaca.

Vai ser uma parada difícil para José Raimundo porque o eleitorado dele não altera muito de números diante dos possíveis apoios do PSOL e, talvez, da Rede. Já do outro lado, vamos ter os partidos de direita e da extrema de David Salomão, Romilson e Cabo Heling. Tudo indica que Hérzem acrescenta mais eleitores. É bom avaliar que entra na conta o bloco dos evangélicos e o da família militar.

SEM MUITAS MUDANÇAS

Neste domingo (dia 15/11), Dia da República, vamos ter eleições municipais em 5.569 cidades brasileiras para prefeito e vereadores. Sem uma reforma política ampla, não teremos muitas mudanças no quadro, como aconteceu com a proclamação da República, em 1889, quando a oligarquia do império continuou no poder e, com mais força, oprimindo os mais pobres e as classes trabalhadoras.

Em todas as eleições fazem uns remendos no sistema, e aí aparecem os tais “cientistas políticos” para dizer que o pleito ficou mais igualitário entre os candidatos. Tudo conversa para “boi dormir”, ou “conversa fiada”, pois as regras continuam desiguais na concorrência entre aqueles que disputam uma reeleição e os novos que não contam com a máquina do poder.

Nas prefeituras e nas câmaras

Nas prefeituras em geral, a corrida está polarizada entre a reeleição do atual executivo e o outro que é ex-prefeito, como ocorre aqui em Vitória da Conquista. A pergunta é sobre qual a mudança que irá acontecer, seja qual for o resultado do eleito? Portanto, tudo permanece com dantes na Casa de Abrantes, meu amigo “cientista político”. Ainda temos uma democracia mambembe, do tipo tupiniquim. Vai permanecer a hegemonia dos clãs.

Para a Câmara de Vereadores, o quadro ainda é pior, pois quando muito há uma mudança em torno de 30 a 40%. A maioria se mentem no cargo, tendo em vista que quase todos são candidatos à reeleição, contando com a vantagem da máquina que já exerce em relação aos que pretendem a vereança pela primeira vez. A concorrência é desleal.

Aqui em Vitória da Conquista são 21 vereadores (podia ser em torno de 15) e somente dois ou três não estão na disputa pela reeleição (um saiu como candidato a prefeito). Existem candidatos que já estão na Câmara há mais de 30 anos (transformaram a política numa carreira profissional), e estes já têm sua cadeira cativa com os mesmos eleitores de sempre.

A eleição no Brasil é como uma roda presa, com pouca velocidade. É uma matraca velha que precisa ser totalmente reformada, ou mudar para uma nova, de modo que o sistema seja destravado. Esses tapa-buracos de que falam os “cientistas políticos”, só servem para enganar a nossa democracia. É como um barco velho onde se veda um buraco ali e aparece outro acolá, para entrar água.

A nossa República (coisa pública) de 131 anos já nasceu velha, e foi decretada por um marechal num cavalo, com o simples gesto de desembainhar a espada por pressão de uma classe burguesa que se sentia ameaçada em perder alguns de seus privilégios e mordomias. De lá para cá, o país continuou sendo governado por uma aristocracia, por uma elite, ou por uma plutocracia que se recusa a fazer uma divisão social das riquezas.

De lá para cá já tivemos diversas ditaduras, alguns movimentos de libertação por justiça social e levantes de uma ou outra categoria, mas a desigualdade só fez se agravar. Já tivemos o café com leite, o gaúcho fazendeiro, um cigano que fez Brasília, generais, um operário, uma mulher e agora um bárbaro que veio com a intenção de destruir o pouco que se tinha conquistado de bom.

Quer sentir como anda o nível educacional e cultural do nosso brasileiro? Então perguntem aos eleitores sobre o feriado do dia 15 de novembro e o que significa para o Brasil. Com certeza, poucos saberão responder sobre sua história, e o que entendem por governo republicano, seu papel e sua representação na sociedade.

 

 

POVO SOFRIDO E RESIGNADO

O nosso povo brasileiro é sofrido e resignado, que passa dias numa fila exposto ao sol e à chuva por um auxílio, para suprir suas necessidades prioritárias de sustento, como o alimento para matar a fome dos seus. É também, infelizmente, um povo culturalmente safado e corrupto que rouba esse auxílio dos mais pobres, e ainda vai dormir sem nenhum remorso de consciência. Aliás, são esses ladrões salteadores que mais dormem tranquilo, sem nenhum remorso na consciência, porque nem estão ai para a pobreza dessa nação de filhos escravizados e submissos a torturas desumanas, como passar um dia na porta de um banco para tirar uma ajuda, que não é do governo, mas do suor do nosso trabalho. Mais cruel ainda é voltar de mãos vazias. É triste viver num país tão desigual, de mais de 70 milhões que vivem na corda bamba da pobreza, incluindo ai a extrema. Não posso ter orgulho do meu país que deixa seus filhos passando fome e sendo submetidos a tantas injustiças, vendo seus direitos sendo surrupiados. Não posso ter orgulho de um país onde é negada a educação para seus filhos, jogados no poço escuro da ignorância. Não posso ter orgulho do meu país onde 10% da sua população detém mais de 40% das riquezas, se deleitando em suas mordomias. Não posso ter orgulho do meu país onde o Congresso Nacional é um dos mais caros do mundo. Não posso ter orgulho do meu país onde mais da metade da sua população de 230 milhões não têm saneamento básico e moram em casebres, palafitas e favelas, com esgotos a céu aberto, sem água potável. Não posso ter orgulho do meu país que ainda vive sob o poder da chibata dos senhores poderosos. Não posso ter orgulho do meu país onde ainda persiste a escravidão dos mais pobres, pretos e brancos. Não posso ter orgulho deste país onde ainda se enaltece a homofobia, o racismo e a discriminação em geral. Quando vejo filas como nas fotos clicadas por mim (Jeremias Macário) rasga em meu peito a dor de viver num país tão injusto socialmente, dependendo das migalhas que saem dos banquetes de uma casta que transformou nosso Brasil num dos países mais pobres do mundo.

MATA DO POÇO ESCURO

Poema do jornalista e escritor Jeremias Macário, em homenagem aos 180 anos de emancipação política de Vitória da Conquista, completados no último dia 9 de novembro. O texto faz parte do livro “Andanças”, que pode ser encontrado na Banca Central e na livraria Nobel.

Tudo no alto era traçado,

Como se fosse um abraço,

Onde morava o sagrado,

Riscando o seu traço,

Na água farta escura,

Jorrando da escarpa,

Que saciava a cidade,

Pura clara e sem mistura.

 

Era tudo uma floresta,

Do irmão sol e da irmã lua,

Para dançar em sua festa,

Com a esbelta índia nua,

No Poço Escuro de mel,

Sem brancos e senhores,

Só com os deuses do céu

Num banquete de flores.

 

Devastaram tudo, seu moço!

E só uma mata rala restou;

A minação foi-se minguando,

Como dos bichos, o almoço;

O Poço fraco quase secou;

E até foi embora o orixá xangô;

O caboclo também se mudou,

Porque também foi o nosso nagô.

 

Num puxadinho nanico,

Tombaram um velho sagui,

Um macaco e um mico,

Pelos invasores exteriores,

Deixando em escombros,

A nossa bela Serra do Periperi,

Onde um dia passeou o Saci.

 

A serra tem gente por cima;

O capão de mata ainda respira;

O Poço virou coisa de rima;

No Escuro ainda conspira,

O homem do Senhor Criador,

Que escarra sangue na natureza,

Como se fosse um estripador,

Que desfigura a candura de beleza.

 

 

 

 

“O FUTURO DA HISTÓRIA HUMANA COMO CIÊNCIA”, QUE O BRASIL RENEGA

“Em tempos antigos, grande parte do Crescente Fértil (Iraque entre os rios Eufrates e Tigre) e da região mediterrânea oriental, incluindo a Grécia, eram cobertas de florestas. A transformação da região, de um bosque fértil em arbustos carcomidos ou desertos foi esclarecida por paleobotânicos e arqueólogos. Suas florestas foram derrubadas para a agricultura, ou cortadas para a obtenção de madeira para construção, ou queimadas como lenha. Por causa da baixa pluviosidade e, consequentemente, baixa produtividade primária (poucas chuvas), a recuperação da vegetação não conseguia acompanha o ritmo de sua destruição, principalmente pela presença de muitas cabras pastando. Sem as árvores e a cobertura de grama, sobreveio a erosão, e os vales encheram-se de lodo, enquanto a agricultura de irrigação, num ambiente de baixa pluviosidade, favorecia a salinização. Esses processos que começaram na era neolítica, continuaram nos tempos modernos. Por exemplo, as últimas florestas perto da antiga capital de Petra, na moderna Jordânia, foram derrubadas pelos turcos otomanos durante a construção da rodovia de Hejaz, pouco antes da Primeira Guerra Mundial”.

“Grandes áreas do antigo Crescente Fértil são agora desérticas, semidesérticas, estepes, solos muito erodidos ou salinizados, impróprios para a agricultura. A atual riqueza efêmera de alguns países da região, baseadas num único recurso não-renovável – o petróleo –  oculta a pobreza fundamental que vem de longa data”. O Saara africano também já foi fértil, rico em água, agricultável e abundante em animais silvestres. A depredação transformou a região num dos maiores desertos do mundo.

PANTANAL E AMAZÔNIA EM DESERTOS

Estes textos foram extraídos do livro “Armas, Germes e Aço”, do autor cientista e pesquisador Jared Diamond, mas podem servir de exemplo e lição para o Brasil de hoje que está derrubando e queimando suas florestas, principalmente do Pantanal e da Amazônia. No ritmo de destruição, num futuro não muito longo, essas regiões podem se transforma em desertos depois de serem usadas para plantação de grãos e pastagens para criação de gado. Não mais haverá água em abundância e animais silvestres. O problema é que os bárbaros de hoje negam a ciência, o aquecimento global e querem que tudo arda em chamas e cinzas, tudo pelo dinheiro, pelo capital.

Quanto ao Crescente Fértil, Diamond afirma que cometeram um suicídio ecológico, destruindo sua própria base de recursos. Destaca que a Europa setentrional e ocidental foi poupada deste destino, porque tiveram a sorte de viver em um ambiente mais resistente, com mais chuvas, em que a vegetação volta a crescer depressa. Para o pesquisador, a diferença nos ambientes de cada povo dita as regras. “As desigualdades nem sempre podem ser atribuídas à diferença inata dos próprios povos”.

De acordo com ele, se as populações da Austrália aborígine e da Eurásia tivessem sido trocadas durante o fim da era pleistocena, os aborígines australianos originais seriam hoje os ocupantes da maior parte das Américas e da Austrália, assim como da Eurásia.

Como exemplo disso, ele cita o que aconteceu quando os agricultores europeus foram transferidos para a Groelândia, ou para as Grandes Planícies dos Estados Unidos, e quando os produtores da China foram para as ilhas Chatham, as florestas tropicais do Bornéu, ou os solos vulcânicos de Java e Havaí. Os testes confirmaram que os mesmos povos ancestrais terminaram extintos, ou voltaram a viver como caçadores-coletores.

AS DIFERENÇAS CONTINENTAIS

A mesma coisa ocorreu com os caçadores-coletores aborígines da Austrália quando foram transferidos para as ilhas Flinders, ou para a Tasmânia. Acabaram extintos. “Os continentes diferem em inúmeras características ambientais que afetam as trajetórias das sociedades humanas. O primeiro conjunto consiste nas diferenças continentais entre as espécies selvagens de plantas e animais disponíveis como material inicial para a domesticação”.

Segundo ele, a produção de alimentos era decisiva para acumular excedentes que poderiam alimentar os especialistas não-produtores, e para a formação de grandes populações que disfrutam de uma vantagem militar, antes de qualquer vantagem tecnológica e política. Sobre as extinções de espécies selvagens candidatas à domesticação, Diamond concluiu que elas foram muito mais graves na Austrália e nas Américas do que na Eurásia e na África.

Outro fator de diferenças que afetam as trajetórias humanas, conforme seus estudos, está naqueles que influem no ritmo de difusão e migração que variava muito entre os continentes.  Foi muito mais rápido na Eurásia. Outro fator que influi é a facilidade de difusão intercontinental, que era variável. Alguns continentes são mais isolados do quer outros. Nos últimos seus mil anos ela foi mais fácil da Eurásia para a África subsaariana. O quarto e último fator é formado pelas diferenças continentais em área, ou tamanho da população total. Uma área maior, ou uma população maior, significam mais inventores potenciais e mais sociedades competindo entre si.

Para Diamond, foi isso que ocorreu com os pigmeus africanos e com muitas outras populações de caçadores-coletores expulsas por agricultores. Em contrapartida, o mesmo aconteceu com os conservadores produtores escandinavos na Groelândia, substituídos por caçadores esquimós, cujos métodos de subsistência e tecnologia eram muito superiores aos dos escandinavos nas condições existentes na Groelândia.

CONDIÇÕES AMBIENTAIS

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O CAOS NO TRANSPORTE PÚBLICO E A INSANIDADE MENTAL DE UM GOVERNO

QUE JUSTIÇA ELEITORAL É ESSA? SOMENTE NA RETA FINAL DA CORRIDA ELITORAL, A JUSTIÇA DA BAHIA TOMA A MEDIDA DE PROIBIR CAMPANHAS PRESENCIAIS! QUEM FEZ, FEZ, QUEM NÃO FEZ… QUEM CUIDA DESSE NOSSO BRASIL?

Um chefe de Estado não poderia ser deposto do governo por psicopatia e insanidade mental? Este é um assunto para ser analisado por um corpo de psiquiatras, mas vou focar na questão local de Vitória da Conquista sobre a questão também grave do transporte público, que é um problema que vem se arrastando há anos, desde governos passados.

Quando cheguei aqui, em 1991, para chefiar a Sucursal A Tarde, há quase 30 anos, Conquista já padecia dessa deficiência, e olha que a cidade não era tão grande como agora. De lá para cá, houve um avanço em seu crescimento, principalmente a partir dos anos 2000 quando muita gente de fora veio morar em Conquista por conta da implantação de várias faculdades e mais uma universidade.

SERVIÇOS DEFICITÁRIOS E O CLANDESTINO

Em pouco tempo, Conquista passou a ser a terceira maior cidade da Bahia com cerca de 350 mil habitantes. A construção civil e o comércio se expandiram, mas os serviços de transporte público não acompanharam o mesmo ritmo. Sempre venho dizendo em meus comentários que Conquista necessita, com urgência, de grandes projetos de infraestrutura, e um deles é na área de mobilidade urbana.

Nos últimos anos, a situação só veio a piorar, se transformando num verdadeiro caos e tormento para a população. Duas empresas faliram trazendo muita dor e sofrimento para os desempregados e usuários que precisam se deslocar no dia a dia. O gestor municipal fez uns remendos, tipo tapa buracos, como num barco velho que só entra água e dá sinais de afundamento.

Uma das causas que levou a se chegar a esse ponto crítico foi o surgimento do transporte clandestino de vans, kombis e até de pequenos veículos particulares. Tanto o prefeito como a Câmara de Vereadores não tiveram pulso forte para retirar das ruas os irregulares, tudo por uma questão política eleitoral.

Diante da pressão dos motoristas de vans, ninguém quis se levantar para conter a clandestinidade, com medo de perder voto. Com essa tremenda concorrência desleal, as empresas de ônibus não tiveram estrutura financeira e terminaram fechando as portas. Certo dia, fiquei por algum tempo num ponto de ônibus na Regis Pacheco, e fiquei surpreso com a quantidade de carros clandestinos, inclusive de particulares que paravam oferecendo o deslocamento para diversos bairros.

Não é a tal reforma do apertado Terminal da Laura de Freitas (ali mais parece um curral de fumaça de poluição sonora e visual) que vai resolver o grande problema do transporte público. Em pouco tempo aquilo ali vai ficar insuportável de fuligem. Tudo é bonito na maquete, mas não existe mais espaço para atender a demanda de uma cidade do porte de Conquista.

O BÁRBARO DA MORTE

Da questão regional para o nacional, o bárbaro da morte voltou a atacar dando a entender que o povo brasileiro não precisa se vacinar contra o coronavírus. Com seu maior cinismo, nos chama de maricas. Seu raciocínio é insano quando diz que todos um dia vai morrer, fazendo pouco dos cerca de 160 mil que já perderam suas vidas para a Covid-19. Em minha vida, nunca vi tanta estupidez!

Suas palavras são “bárbaras”, e o mais angustiante de tudo isso é que existem milhões de seguidores que o apoiam. Nunca soube em minha vida que vacina tem ideologia política, muito menos a ciência! Em sua briga com o governador de São Paulo, o cara não está nem aí para o sofrimento dos brasileiros, e ainda diz que, mais uma vez, ele saiu ganhando. O quê, imbecil?

Como se não bastasse, com a derrota de Trump (outro maluco que não quer deixar a Casa Branca), ele ameaçou guerrear com os Estados Unidos! Não é caso de insanidade mental?  Logo mais o Brasil vai se tornar numa segunda Coreia do Norte, ou até mesmo uma Caracas da América do Sul. Só rindo, pra não chorar!

 

A CONQUISTA DE HOJE E O QUE ELA ESPERA DE TODOS NÓS CONQUISTENSES

Vitória da Conquista completou ontem (dia 9 de novembro) 180 anos de emancipação política. Uma longa história que carecia de muitas homenagens e uma vasta programação cultural, política, social, de lazer e entretenimento, mas a pandemia da Covid-19 impediu uma festa maior. No entanto, o que mais importa é sua história cheia de fatos positivos, mas também negativos, como em qualquer vida humana.

De 1840, quando foi implantado o primeiro Conselho Municipal, no papel de uma Câmara de Vereadores, com seu intendente tipo prefeito, muitas coisas aconteceram, como grandes projetos e obras de infraestrutura nas áreas da educação, da saúde e também catástrofes, tragédias e episódios que marcaram sua longevidade. Foi terra dos coronéis, das rosas, dos tropeiros e sempre do frio que muitos costumam a chamar de “suíça baiana”.

A CHEGADA DA BR-116

Fotos aéreas de José Silva

Só para resumir alguns pontos da sua história, Conquista começou a se destacar como grande cidade do estado a partir dos anos 60 com a chegada da BR-116, ou Rio-Bahia, servindo de entroncamento entre o sul e o norte do país com outras cidades da região sudoeste. A partir desta década, o seu comércio (carro-chefe da economia) começou a crescer e a superar a atividade agropastoril.

Nessa passagem, ocorreu um fato triste que foi a ditadura civil-militar de 1964, justamente quando Conquista era só uma efervescência e referência na área cultural e educacional, com grandes talentos da música, da literatura, da poesia e da dramaturgia.

Em 8 de maio de 1964 aconteceu o pior que foi o cerco militar de 100 homens do regime ditatorial para prender aqueles que os generais consideravam como subversivos comunistas. Mais de 100 foram levados à cadeia, inclusive o prefeito José Pedral Sampaio, que teve seu mandato político cassado por 20 anos.

Vieram as décadas de 70 e 80, e o município continuou a se desenvolver, mesmo diante de toda turbulência da repressão, com atrasos na educação e na cultura. A chegada da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb deu mais um alento, mas a introdução da cafeicultura nesse período foi mais um ponto alto a favor do seu desenvolvimento, embora negativo para o meio ambiente por causa dos desmatamentos.

A DECADÊNCIA DO CAFÉ

No meado para o final dos anos 90, Conquista sofreu uma queda em sua atividade econômica com a decadência da monocultura do café, mas seus gestores e empresários procuraram logo outras alternativas para sair da crise. O comércio se fortaleceu por causa do seu grande raio de atuação em torno da região, que abrande cerca de 70 a 80 municípios.

Entretanto, isso só não bastava porque existia um grande vazio que era a falta de escolas de ensino superior. Um movimento de empresários e entidades da cidade começou a se reunir e a planejar uma saída para preencher esta lacuna. Com agressividade, começaram a nascer algumas faculdades particulares, culminando com a instalação de unidades da Universidade Federal da Bahia.

Com a educação superior a partir dos anos 2000, Vitória da Conquista tomou outro rumo, e desta vez foi a construção civil que deu sua arrancada desenvolvimentista com a vinda de muitos jovens da Bahia e de outros estados para estudar em Conquista. Podemos dizer que foi o período de maior avanço, tanto que seu índice de crescimento foi o maior do Norte e Nordeste.

Esse avanço, porém, não foi acompanhado de grandes projetos em infraestrutura, de modo que atendesse as demandas da população. Para seguir esse processo, Conquista hoje espera ter grandes projetos nos setores de mobilidade urbana, principalmente, construção da barragem para o abastecimento definitivo de água e mais estrutura na educação de base e na saúde, sem falar de uma política cultural para despertar, mais uma vez, os grandes talentos que estão aí adormecidos e necessitando de incentivo do poder público em geral.

Neste ano de eleições, Conquista espera que os políticos cumpram suas promessas de mais escolas, mais programas de emprego e renda, mais postos de saúde, de uma Câmara Municipal mais forte com gente preparada, séria e ética, com mais obras de mobilidade urbana e, especialmente, que olhem para os mais pobres no sentido de reduzir a miséria. Conquista espera, acima de tudo, que todos conquistenses cumpram com seu dever, para que haja mais justiça social e menos violência.

 

 

 

 

 

DE IMPERIAL VILA DA VICTÓRIA AO MAIOR PÓLO DE DESENVOLVIMENTO (Final)

CONQUISTADOR E DIZIMADOR

Português da cidade de Chaves, João Gonçalves da Costa iniciou sua lida como bandeirante muito cedo, tendo logo conquistado matas baianas. Em 1744 integra-se ao grupo de João Guimarães, como capitão-mor que partiu do norte de Minas Gerais (Minas Novas). Logo o capitão se destacou pelos seus feitos de conquistador e dizimador de tribos indígenas. Na busca pelo ouro esgotado em Minas e Rio das Contas, se embrenhou pelo sertão e terminou se fixando na região de Conquista em fins do século XVIII, se tornando grande proprietário de terras e gado.

Por ter expulsado os índios às margens dos rios Pardo, das Contas, dos Ilhéus, principalmente os valentes Imborés, ou Botocudos, se tornou num dos principais desbravadores. Mas, não foi só isso, João Gonçalves abriu estradas, ligando Conquista ao litoral e tirando o sertão do isolamento.

POVOADO INDÍGENA

Fotos reprodução e de José Silva

No final do século XVIII (1782), o desembargador de Ilhéus, Francisco Nunes da Costa determinou que João Gonçalves fundasse um povoado indígena no lugar chamado Funil, visando afastar os índios Pataxós ao sul da Capitania de Camamu, Maraú e Cairú, para facilitar a abertura das estradas que se tornaram passagem do gado que saía do “Sertão da Ressaca”.

Numa outra carta às autoridades da capitania, o desembargador mostrava a importância da expedição, discriminando o armamento entregue ao capitão-mor para explorar as cabeceiras do Rio das Contas. Durante dois meses de viagem, como conta em seus registros, o capitão percorreu matas e encontrou as aldeias dos mangoiós que assustavam moradores de Ilhéus e Porto Seguro. João Gonçalves sofreu uma doença grave e narrou a fuga dos índios e dos soldados da expedição. Dos 74, restaram apenas 34 soldados.

Nessa viagem, ele se deparou com cinco aldeias (cerca de duas mil almas) com as quais, depois de parlamentar com o chefe Capivara, conseguiu que aceitasse um tratado de paz, e ainda se comprometeu a ajudar as tribos contra os Imborés.

O nome de João Gonçalves é citado em outras correspondências enviadas pelo Intendente Geral do Ouro, João Ferreira Bittencourt ao Governo da Bahia, não poupando elogios pela sua bravura. Para o Intendente, o capitão era homem indicado para o processo de colonização da metrópole; para abrir a estrada Rio das Contas-Camamu; e povoar o “Sertão da Ressaca”, tudo feito com a devastação das aldeias indígenas em final do século XVIII.

Seu nome varou fronteiras e era sinônimo de valentia, audácia e fidelidade à Monarquia. “Não produz um século um homem do gênio deste capitão-mor” – assim escreveu o conde da Ponte em 1807. Apesar do seu ingresso no sertão com a missão de encontrar ouro, o capitão não é lembrado nos documentos como descobridor de minas auríferas.

Seu mérito foi ter desbravado o sertão com a abertura de estradas; descoberto rios; dizimado índios; e ter feito a ligação litoral-interior. Os índios tinham tanto medo da sua violência que pediram, em 1790, ao governador Fernando José de Portugal, que eles não ficassem subordinados ao capitão-mor.

O príncipe Maximiliano de Wied-Newied esteve no Brasil, em 1815, e no arraial da Conquista, em 1817. Na ocasião, conheceu o capitão com 86 anos e ficou impressionado com sua resistência. Provavelmente deve ter morrido com 88 anos, mas não se tem certeza.

INTEGRAVA O TERÇO DE HENRIQUE DIAS

Na época, conforme historiadores, a segurança da Colônia era feita pela Tropa de Linha (portugueses, comerciantes, proprietários, etc), Tropas Auxiliares chamadas de Terços (depois regimentos), Milícias e Corpos de Ordenanças (força local) onde os moradores faziam parte. Todas as vilas tinham um capitão-mor ou sargento-mor. As milícias estavam organizadas sob a forma de regimentos e funcionavam como força auxiliar da tropa de primeira linha. Os regimentos eram formados conforme a cor e a ocupação dos recrutados.

De acordo com Caio Prado Júnior, na Bahia, existiam quatro regimentos. O primeiro e o segundo eram constituídos por homens brancos. O terceiro e o quarto por homens de cor. Os pretos forros (libertos) pertenciam ao terceiro, conhecido por “Henrique Dias”. Os pardos e mulatos integravam o quarto.

Pouco se fala sobre os “Terços de Henrique Dias” só que eram formados por negros libertos, e a denominação era em sua homenagem por ter se destacado como comandante de umas das corporações que lutaram contra os holandeses em Pernambuco (chegou a perder uma das mãos na luta). Foi condecorado em 1639 com o título de Governador das Companhias dos Homens Negros e Mulatos. “Os Terços” foram extintos, em 1831, com a criação da Guarda Nacional.

O capitão João Gonçalves da Costa integrava o “Terço de Henrique Dias”, patente dada pela sua Majestade, com a incumbência de servir na conquista e descobrimento do mestre-de-campo João da Silva Guimarães. Ocupou um dos cargos mais cobiçados dentro da hierarquia militar e gozava de toda confiança do governo português.

Não se sabe se por puro preconceito, nos livros em geral de história e em apresentações de palestras no meio intelectual, mesmo em conversas em geral, João Gonçalves raramente é citado como negro pertencente ao “Terço de Henrique Dias”, conforme está registrado em sua carta de patente.

A DESCENDÊNCIA E O PODER DOS GONÇALVES

A criação e o comércio de gado foram fatores fundamentais para o povoamento e desenvolvimento do “Sertão da Ressaca”. A pecuária, então, foi primordial para a ocupação da terra. Depois das frustradas buscas pelo ouro, o capitão decidiu se fixar no Sertão, dedicando-se à criação de bovinos. No seu inventário dos bens do casal, quando da morte da mulher, o capitão declarou, entre outros bens, 700 cabeças de gado e 39 escravos, sem contar o plantio de algodão.

Entre final do século XVIII e início do século XIX, a Imperial Vila da Victoria era tão importante como qualquer vila do litoral. Além do algodão, era passagem das boiadas vindas do São Francisco para Nazaré-Cachoeira.

Na condição de proprietário do “Sertão da Ressaca”, o capitão deixou muitos herdeiros dos seus bens materiais e políticos na condução dos destinos da Vila da Vitória. Seu filho Antônio Dias de Miranda e o marido de sua neta, Luiz Fernandes de Oliveira ocuparam o cargo de Juiz de Paz do Arraial. Antônio Miranda e seu irmão Raymundo Gonçalves da Costa (filho natural) lutaram ao lado do pai no combate aos índios e na exploração do rio Pardo. Raymundo, inclusive, era tido como o terror dos índios pela sua bravura.

O capitão, na época, com mais de 20 anos, casou-se com Josefa Gonçalves da Costa, ainda menina de 9 anos, nascida em 1739, filha de João Mathias da Costa, português de Montalegre. Seu sogro, conforme declaração em seu testamento, morava no sítio Caetité, da Vila Nova de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio das Contas, e possuía uma sesmaria de três léguas doada pelo Governo de Portugal, em 1732. Na morte de sua mulher Clara, em 1741, declarou ter 11 herdeiros, entre eles sua filha Josefa.

Com sua morte, por volta de 1758, Mathias deixou uma grande riqueza (mais de mil cabeças de gado – fazendas, engenhos, escravos e grande número de devedores, inclusive João da Silva Guimarães).

Ao casar-se, o capitão recebeu um dote como era de costume. Depois foi intimado pelo juiz a comparecer e declarar seu dote, só que o capitão não atendeu ao chamado e fez um documento se abstendo da herança que cabia à sua mulher. Mesmo assim, a recusa não impediu que sua esposa ficasse com as fazendas Conquista e Catulés.

Mathias colocou em seu testamento que os filhos que não casassem com mulher ou homem de cor branca, ficariam fora do espólio. Daí historiadores concluírem que o capitão teve desentendimentos com o sogro, talvez ressentido pelo seu preconceito.

Do casamento com Josefa, o capitão teve oito filhos. João Dias de Miranda, Antônio Dias de Miranda, Lourença, Joana, José, Faustina, Manoel e Maria. Além desses, teve o filho natural Raymundo Gonçalves da Costa. Todos se fixaram na região como donos de vastas extensões de terras, tanto que ao longo do século XIX a família era considerada como a mais abastada do “Sertão da Ressaca”. Com o passar do tempo, e com as divisões das heranças, toda fortuna foi se fragmentando e desaparecendo.

A matriarca faleceu, em 1799, deixando muitos bens para o viúvo, como as fazendas Conquista, Catulés e Ribeirão. Esta última com mais de 10 léguas de cumprimento. Em vida, João Gonçalves fez muitas doações e chegou a construir a capela da Imperial Vila. Nos seus últimos anos, foi morar na fazenda Cachoeira, conforme cita o príncipe Maximiliano quando o visitou, em 1817.

Dos seus filhos, Antônio Dias chegou a ser capitão-mor e foi o que teve maior inserção na vida dos moradores da região. Residia na fazenda Urubu, em Poções, e foi assassinado em 1831. No entanto, Faustina superou todos os irmãos em termos de riqueza. Ela casou-se com o português Manoel de Oliveira Freitas. Em sua vida, o que mais chamou a atenção foi seu apego ao genro Luiz Fernandes de Oliveira a quem entregou seus negócios. Ele casou-se com Thereza de Oliveira Freitas e teve 12 filhos. Quando morreu, Luiz Fernandes deixou oito fazendas, conforme atestou seu filho Paulino Fernandes de Oliveira.

Posse de escravos, quantidade de gado, produção de lavouras e fazendas marcavam o nível de riqueza, importância e poder das pessoas. Os limites das propriedades eram imprecisos e os recursos naturais serviam para demarcar os limites das terras. Entre os proprietários, figurava Nossa Senhora das Vitórias através de doações do capitão que no início do século XIX já era chamado de coronel.

OS DOCUMENTOS DA CONQUISTA

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DE IMPERIAL VILA DA VICTÓRIA AO MAIOR PÓLO DE DESENVOLVIMENTO (PARTE I)

Este texto, de Jeremias Macário, pode ser encontrado nos livros de sua autoria, “A Imprensa e o Coronelismo” e em “Uma Conquista Cassada”, o qual fala da ditadura civil-militar de 1964, que cercou a cidade e cassou, na base da força das armas, o mandato democrático do prefeito da época José Pedral, na trigésima sessão da Câmara de Vereadores, em maio do mesmo ano.

Os Mongoiós ou Monochós, também conhecidos como Camacans, e os Pataxós e Amborés ou Imborés, eram os verdadeiros donos destas terras do sudoeste baiano, compreendidas entre os rios Pardo e das Contas, da região do São Francisco até São Jorge dos Ilhéus.

No centro deste vasto território chamado de “Sertão da Ressaca”, está hoje o município de Vitória da Conquista que virou pólo de desenvolvimento regional, e neste ano de 2020 está completando 180 anos de emancipação política (9 de novembro).

Fotos reprodução e de José Silva

A Imperial Vila de Nossa Senhora da Victória, antes Arraial da Conquista, foi criada pelo decreto imperial de número 124, em 19 de maio de 1840, desmembrando-se da Comarca de Caetité.

No entanto, a data política é comemorada em 9 de novembro quando aconteceu a posse da primeira Câmara Municipal. Com a proclamação da República, em 1889, a Vila passou a se chamar Cidade da Conquista, em 1º de junho de 1891, e em 1943 recebeu o nome de Vitória da Conquista.

A CHEGADA DA BR-116

O pequeno povoado, com as primeiras habitações de taipa cresceu, e em 1817, conforme registrou o príncipe alemão Maximiliano Wied-Newied, em visita ao lugarejo, já contava com 40 casas. A Vila expandiu-se aos poucos na encosta verdejante da Serra do Periperi; foi parada de tropeiros; mudou de nome; e começou a prosperar a partir da década de 1960 com a chegada da BR-116 (Rio-Bahia).

A cidade ampliou sua economia com a introdução da cafeicultura, em meado dos anos 70, e se firmou no início do século XXI com a implantação de novos projetos nas áreas da educação e da saúde até se transformar num dos maiores pólos de desenvolvimento do Estado e do Nordeste. Com cerca de 350 mil habitantes, é hoje a terceira maior cidade da Bahia.

CONQUISTA E SUA EVOLUÇÃO

Até antes da instalação da Vila, (1840), na residência do coronel Teotônio Gomes Roseira, situada na Rua Grande (Praça Tancredo Neves), o território pertencia ao município de Caetité. Depois a casa do coronel veio a se tornar Paço Municipal.

Naquela data de 9 de novembro foram escolhidos os conselheiros, membros do Conselho Municipal, hoje denominados de vereadores, para cuidar da sua administração. O presidente desse colegiado exercia o cargo de prefeito. O primeiro Conselho foi composto pelos cidadãos Manoel José Vianna, Joaquim Moreira dos Santos, Theotônio Gomes Roseira, Manoel Francisco Soares, Justino Ferreira Campos, Luiz Fernandes de Oliveira (primeiro presidente da Câmara) e Francisco Xavier da Costa.

Com governo próprio, a Vila começou a se organizar e, além do seu Conselho, foi instalada a Casa do Conselho a quem coube aprovar o Código de Posturas, com 80 artigos, para disciplinar os moradores, punir os transgressores e orientar o crescimento urbano, inclusive com regras para preservar os rios e as nascentes. Entre as normas, reprimia o batuque e o hábito de vagar pelas ruas durante altas horas da noite, especialmente os escravos sem o bilhete do seu senhor. A partir daí, foram contratados os primeiros funcionários públicos.

DE VILA A CIDADE EM 1891

Anos depois, em 1891, Conquista passou de vila a cidade, e as funções do presidente do Conselho Municipal passaram a ser exercidas por um intendente a que deram o nome de prefeito, com autonomia para governar. As ruas eram lamacentas e esburacadas, mas o primeiro intendente, Joaquim Correia de Mello, adotou algumas providências para melhorar o visual da cidade.

Por cerca de 100 anos, Conquista passou esquecida dos poderes públicos, contrastando com a evolução de outros centros urbanos. Segundo observadores, viajantes e cronistas da época, o esquecimento se deveu mais ao fato da sua distância em relação à capital. Até os anos de 1890, as ruas eram iluminadas por lampiões a gás, depois substituídos por carbureto. Só a partir de 1920 veio a energia elétrica.

Somente a partir deste período, a cidade veio a sair do isolamento quando um grupo de fazendeiros e comerciantes se reuniu e fundaram um consórcio para construir uma estrada carroçável ligando até Jequié. Nessa época, o trem já existia até Jaguaquara, e os trilhos avançavam às terras jequieenses. A linha até esta localidade chegou em 1927.

Com o passar dos anos, o aspecto urbano foi melhorando, mas o conquistense não se preocupou muito com a preservação da sua história, tanto que muitos sobrados e casarões foram sendo derrubados para dar lugar a edificações novas, como o velho barracão acolhedor de tropeiros que foi demolido em 1913.

Para se abastecer, os conquistenses dependiam das mercadorias, transportadas no lombo dos burros, vindas das cidades de São Felipe e Cachoeira, passando depois por Jequié (150 quilômetros). Mas, Conquista também tocava o gado trazido de Minas Gerais para fornecer carne para o Recôncavo.

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CONQUISTA 180

No próximo dia 9, Vitória da Conquista estará completando 180 de emancipação política, marcando a instalação do Conselho Municipal, na hoje versão da Câmara Municipal de Vereadores. O seu presidente foi o primeiro intendente da cidade. Uma pena que poucos conquistenses aqui nascidos sabem da sua verdadeira história, suas origens, seu fundador e como nasceu a vila, que depois de 180 anos se tornou na terceira maior cidade da Bahia, com cerca de 350 mil habitantes. De um modo geral, os brasileiros pouco sabem da história do seu país, do seu estado e do seu município. A história do seu povo é a história da sua identidade, da sua cultura e costumes. O mestiço, ou negro português, João Gonçalves da Costa, é pouco lembrado pelos conquistense e, na maioria das vezes, só citado como matador sanguinário dos índios aimorés e mongóis, descendentes dos Pataxós-mocoxós.  Seu nome só foi colocado numa pequena praça, próxima da Prefeitura. Quase ninguém sabe localizá-la e desconhece sua existência. Na procura pelo ouro, Conquista nasceu agropastoril, com a criação do gado bovino e, muito tempo depois,  veio se destacar na agricultura, principalmente do café nos anos 70 e 80. Hoje, seu carro-chefe é o comércio, que se desenvolveu mais ainda com a implantação do ensino superior. Primeiro foi a universidade estadual do sudoeste da Bahia. A partir dos anos 2000, Conquista experimentou uma grande avanço através da universidades federal e com a chegadas de várias faculdades privadas. Infelizmente, seu crescimento não foi acompanhado pela demanda de projetos na área da infraestrutura. Portanto, a cidade hoje ainda é carente de grandes obras nos setores de mobilidade urbana e de abastecimento de água, com a prometida construção de uma barragem de porte que atenda as reais necessidades da população. É bom lembrar também que Conquista já foi a cidade dos coronéis e intendentes, que mandavam com mão de ferro, ou na base do fuzil. A foto antiga, reprodução do fotógrafo José Silva, da Praça 9 de Novembro, inclusive, foi palco de lutas e disputas entre os coronéis, mas também de alegria com os antigos carnavais.





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