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SESSÃO DA CÂMARA LEMBRA OS 13 ANOS DA LEI MARIA DA PENHA

Com a participação de várias representantes de entidades da sociedade que combatem a violência contra as mulheres, a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista realizou, ontem, dia 07/08, uma sessão especial para lembrar os 13 anos da Lei Maria da Penha, concluindo que muito ainda tem por fazer para reduzir as agressões sofridas contra o sexo feminino, principalmente por parte de maridos e parentes.

Na ocasião, foram citados números de violências que, infelizmente, só têm aumentado, apesar das leis terem endurecido contra os agressores. Falaram  em defesa da mulher as vereadoras Nildma Ribeiro, Viviane Sampaio, a diretora da União das Mulheres de Conquista, Maria Otília Soares, Luciana Silva, da Comissão das Mulheres da OAB regional, a capitã Débora Brito Nascimento e outras representantes da Faculdade Fainor e da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb.

Saúde pública

A vereadora Nildma Ribeiro destacou que a violência contra a mulher no Brasil é uma questão de saúde pública, que cabe também aos homens se conscientizarem a respeito do problema. Lembrou que agosto é o mês de combate contra este tipo de violência, e que está com projeto no sentido de estabelecer o dia 17 como data municipal de combate ao feminicídio.

Ela citou ainda que 43% das vítimas são menores de 14 anos, e 18% entre 15 a 18 anos. A maior parte das agredidas tem relação com o agressor. Otília afirmou que, apesar das leis de prevenção, “ainda temos muito trabalho pela frente”. Segundo ela, “a violência em sí já é uma doença, pior ainda quando é contra a mulher”. “Isso é uma praga, e uma prática abominável em nossa sociedade”.

A representante da OAB, Luciana indagou por que foi preciso estabelecer uma lei para proteger a mulher, e respondeu porque vivemos numa sociedade desigual onde as mulheres são as maiores vítimas. Todas elogiaram o trabalho da polícia através da Ronda Maria da Penha, uma mulher que por muitos anos foi agredida pelo seu marido e terminou ficando paraplégica numa cadeira de rodas, daí a origem da criação da lei, mas ainda persiste a impunidade em muitos casos.

Outras leis e a incoerência

No Brasil existem muitas leis e estatutos de proteção em defesa de várias camadas da população, como o Estatuto da Criança, do Idoso e do Consumidor, só para citar alguns, mas, na prática pouca coisa funciona, sem contar nas incoerências e paradoxos quando o cidadão procura reivindicar seus direitos.

O Estatuto do Idoso, por exemplo, é um dos mais violados e desrespeitados.  Basta olhar nas ruas as vagas de estacionamento ocupadas por quem não tem direito. Outra questão é a incoerência da lei que não é reparada, se for comparada com a população de idosos no país.

De acordo com as estatísticas, mais de 30% dos habitantes já estão na faixa superior aos 60 anos, mas as lotéricas e bancos só reservam um caixa para atendimento prioritário, incluindo ai mulheres grávidas, deficientes e pessoas com crianças, tornando um sofrimento maior para este tipo de usuário do que se ele for optar pela fila normal. É uma total incoerência do poder público, e que o brasileiro não reclama.

O mesmo acontece com relação a vagas de estacionamentos para carros nas médias e grandes cidades, como em Vitória da Conquista, por exemplo. No centro existem poucas vagas destinadas aos idosos e, para piorar ainda mais a situação, tem muita gente que não é idosa, mas ocupa o local. Além de incoerentes, a grande maioria das leis no Brasil não é cumprida.

 

EVOLUÇÃO DO IMPÉRIO NOS SÉCULOS I E II DA ERA CRISTÃ

Foi brilhante a evolução do Império nos dois primeiros séculos da era cristã, num único Estado civilizado entre os países do Mediterrâneo. Só as tribos selvagens germânicas, que nunca se dobraram a Roma, os eslavos, finlandeses, os nômades do deserto, os negros da África central, os iranianos e os mongólicos da Ásia ficaram de fora. A população podia mover-se livremente, com exceção dos servos orientais presos ao solo, conforme descreve o autor de “História de Roma”, M. Rostovtzeff.

O Mediterrâneo era um grande lago romano, bem como o Mar Negro, os rios da Europa Ocidental e o Nilo, que transportavam mercadorias e passageiros. A comunicação com a Índia era segura através dos portos egípcios. Pelas estradas era fácil viajar para o Atlântico e outros mares. Uma rede de estradas semelhantes cobria a Ásia Menor, Síria, África do Norte e Grã-Bretanha. Toda segurança era garantida pelas forças armadas nas comunidades de autogoverno.

SEM ASSOCIAÇÕES SUBVERSIVAS

O Estado mantinha destacamentos especiais de polícia em Roma (brigada de bombeiros), Lião e Cartago. A vida municipal estava livre do controle do governo central, mas não aceitava clubes de caráter subversivo em seus limites. Apenas as comunidades cristãs eram perseguidas, mas não se sabe se o eram como associações (collegia illicita), ou acusadas, individualmente, por se recusarem a participar do culto ao imperador. Haviam associações fechadas como escolas filosóficas.

No Oriente, as constituições, ou cartas das cidades, variavam muito entre sí. Indiferente, o governo romano apoiava a aristocracia, e via com desagrado a democracia. Na maioria das cidades gregas, a Constituição era oligárquica. A Alexandria recebia tratamento excepcional, isto é, tinha direitos reduzidos e era controlada rigorosamente pelo governo romano.

A maioria das comunidades italianas e nas províncias tinham suas constituições dadas pelo governo central. A cartas eram padronizadas, obedecendo ao mesmo esquema, determinando a criação de instituições municipais, magistrados, conselho de anciães ou decuriones (senadores locais) e uma assembleia popular. Eram acontecimentos importantes as eleições dos conselhos e dos magistrados, com competições acirradas.

Quando eleito para o Augustales (associação de libertos) era uma honra muito disputada por recolher fundos para o culto ao imperador nas cidades. Na Ásia recebia o título de guardiões do templo do imperador. A maioria dos edifícios públicos nas cidades gregas eram construídos por meio de subscrições particulares entre os ricos. Em Roma, a coisa era mais complicada. A população, calculada em mais de um milhão de habitantes, não tinha direitos políticos e municipais. Era totalmente controlada pelo imperador, seus ministros e pelo Senado. Augusto fez de Roma a verdadeira capital do mundo e seus sucessores seguiram os passos. A capital tornou-se, aos poucos, a mais agradável para se morar.

A ordem era mantida pela polícia imperial, com sete regimentos de bombeiros. Funcionários especiais fiscalizavam os aquedutos, esgotos, o curso do Tibre, a conservação dos edifícios públicos, ruas e avenidas. Não existiam, em outro lugar, templos tão nobres e fóruns ricamente adornados, arcos triunfais e uma floresta de estátuas. Os teatros, anfiteatros e circos eram amplos. Nenhuma tinha mais bibliotecas públicas e museus, ou uma galeria de estátuas construídas por Augusto no seu fórum de famosos comandantes romanos.

200 MIL MANTIDAS PELO ESTADO

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“ANDANÇAS” NO MUSEU HISTÓRICO DE JEQUIÉ

Nesta sexta-feira, dia 9, às 19h30min, no Museu Histórico João Carlos  Borges, em Jequié, o jornalista e escritor Jeremias Macário, estará lançando seu mais novo livro “ANDANÇAS” com o show do músico, cantor e compositor Walter Lajes, dentro do projeto “Cantorias Literárias” que já aconteceu em Vitória da Conquista, na Casa Regis Pacheco e na Livraria  Nobel.

O evento conta também com apoio do jornal “ A Folha”, do jornalista Ari Moura, e “Andanças” é uma obra que mistura ficção com a realidade, através     de causos, histórias, prosas e poemas, muitos dos quais musicados por artistas locais como o próprio Walter Lajes (Na Espera da Graça), Dorinho Chave (Lágrimas de Mariana)  e Papalo Monteiro (Nas Ciladas da Lua Cheia).

Nos próximos dias 15 e 16 do corrente mês, o livro será lançado em Guanambi e Bom Jesus da Lapa, com o show do cantor e compositor Alex Baducha, numa mistura de música com literatura. Em Jequié, no dia 9, vamos realizar uma noite cultural para quem comparecer ao lançamento da obra, que contou com a colaboração de muitos amigos e apoiadores da cultura.

“Andanças” e “Uma Conquista Cassada”

“Andanças” foi um trabalho feito com muito esforço e dedicação, que demorou mais de três anos para ser publicado devido à falta de patrocínio. Existem capítulos e versos dedicados à Vitória da Conquista, como figuras lendárias da cidade do passado, fatos e versos sobre a Serra do Piripiri, a Mata Escura, O Cristo de Mário Cravo e as obras do artista Cajaíba.

Coube espaço também para comentários inéditos sobre a ditadura civil-militar de 1964, mostrando o outro lado do regime, em relatos diferenciados do livro “Uma Conquista Cassada -cerco e fuzil na cidade do frio”, de sua lavra, que também será apresentado aos interessados pelo assunto histórico da ditadura. Este livro está sendo indicado aos estudantes por professores das escolas públicas e universidades.

O trabalho do novo livro também exigiu uma parte de pesquisas, como a história de um mochileiro no capítulo “Pelas Brenhas do Mundo”, que percorreu várias lugares do planeta e esteve presente nos acontecimentos históricos mais importantes, como “O Maio de 68”, na França, A Primavera de Praga, as guerrilhas na África e a Guerra do Vietnã.

Numa linguagem simples, beirando ao realismo fantástico em muitas passagens, “Andanças” é prazeroso de ser ler, sem regras e amarras sequenciais. Pode ser lido de qualquer parte e está dividido em dois que é “A Estrada” dedicada aos amantes da poesia solta e s

O GIRASSOL DA VIDA

Quem não se encanta com o girassol  florido nos campos. Como o próprio nome já diz, a flor gira em direção ao sol para receber seus raios da vida. Com seu cacho de sementes, utilizado na indústria do óleo comestível, e suas pétalas em torno, faz o ser humano esquecer os problemas e amar mais ainda a natureza, tão maltratada pelos homens. Vamos ser um girassol da vida e amar os outros, ao invés de odiar com tantas intolerâncias. A foto é do jornalista Jeremias Macário que plantou uma dessas maravilhosas plantas em seu quintal entre as hortas e outras espécies medicinais, além de nativas do nosso sertão nordestino.

MENTE BRASILEIRA

Letra de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

A mente moura ibérica, negra e índia,

Essa mistura mestiça brasileira mente,

Mente feio o eleitor na urna ao ir votar,

Depois o eleito só quer tirar seu proveito,

Promete pão e escola e dá circo e esmola;

Enganam o governo e o caro parlamentar,

E a avenida histérica se divide pra xingar.

 

Gente falsa compra sapato em Nova York;

Só quer falar I love “very  good, nok, nok”;

Rouba meu cofre e sempre se diz inocente,

O demente mente que a ditadura não existiu,

Mente na TV que não tem feito preconceito,

Faz de conta que lê e só vê as redes sociais,

Avança os sinais e se diz humano solidário,

Apoia os fascistas e o corrupto salafrário.

 

Mente vil brasileira tão incoerente mente,

Onde o forró lambada virou coisa imoral,

A puta finge amor na cama que já gozou,

A igreja prega que a inquisição já passou,

O malandro se gaba de esperto inteligente;

Todos só querem em tudo levar vantagem;

O Nordeste não tem mais cabra da peste,

Como Suassuna com sua viagem armorial;

Mente brasileira de cultura ainda colonial.

 

 

O IMPÉRIO ROMANO NOS DOIS SÉCULOS DA ERA CRISTÃ

Dentre os sucessores de Augusto que mantiveram o Império mais metódico nos dois primeiros séculos da era cristã, Cláudio, Vespasiano e Adriano realizaram um trabalho mais frutífero. Tudo se concentrava nas mãos do imperador através de um Escritório Central (editos, cartas, finanças, petições), e os chefes de departamento assumiam o caráter de ministros. As decisões dos tribunais eram presididas pelo imperador, funcionando como juiz de apelação.

Para os diferentes ramos dos assuntos, o Escritório Central dividia-se em departamentos, e cada um era supervisionado por um chefe ( liberto ou servo pessoal). A partir de Oto passou a ser por um funcionário (rationibus) da classe equestre. O mais importante era o departamento das finanças, incluindo as propriedades do imperador (rationes).

O papel dos magistrados

O súdito comum, com exceção do habitante da capital, estava muito menos em contato com os representantes do governo do que em qualquer Estado moderno. Os magistrados eletivos da comunidade faziam a ponte entre o homem da rua e o Estado. Eles tinham completo controle da cidade e seus assuntos. Eram juízes de primeira instancia e davam ordens à polícia.

Atuavam ainda como agentes do governo na estipulação e coleta dos impostos, e impunham ao povo outras obrigações, como a construção e a conservação das estradas, o transporte dos funcionários, dos bens e do correio do governo. O imperador vigiava todos os atos dos governadores e estes sabiam que nas reuniões anuais estavam sujeitos a queixas contra atos violentos e ilegais praticados por eles no poder.

Neste período, grandes números das cidades estavam mergulhados em dívidas, incapazes de administrar suas finanças. Então, foram criadas comissões para estudar os fatos. No tempo de Trajano, inspetores (curatores) passaram a exercer tal função, cobrando providências das autoridades municipais. Só uns poucos departamentos eram controlados pelos imperadores, que cuidavam de suas imensas fortunas.

Além dos agentes, outro grande número de procuradores, atuando nas provinciais, recolhia também impostos diretos e supervisionava as receitas e as despesas, incluindo o pagamento do exército e o custo da administração do domínio estatal. Eles eram numerosos e ricos no Egito. Com o tempo, os imperadores resolveram estender a cobrança de impostos sobre heranças, escravos libertados, leilões e sobre importações e exportações. A princípio, eram fiscais especiais e depois a tarefa passou a ser exercida por funcionário nomeados pelos imperadores.

Exército de soldados e funcionários

Com o tempo, o imperador viu-se não só à frente de um exército de soldados, mas também de funcionários nomeados, pagos e julgados por ele. Em épocas remotas, os postos mais altos pertenciam às classes equestres (vir egregius, ou vir perfectissimus), e as funções inferiores exercidas pelos libertos e escravos. O título de vir claríssimus era reservado aos senadores.

Os equestres recebiam entre 60 mil a 300 mil sestércios e podiam tornar-se  comandantes da guarda pretoriana (praefctus praetorio), ou governador do Egito, e até mesmo controlador do fornecimento de cereais (paefectus annonae). Podiam ainda comandar o corpo de bombeiros, ou servir como procuradores nas províncias.

Como pontifex máximo, o imperador era o chefe da região estatal, sendo venerado em todo o Império. No entanto, a vida religiosa de seus súditos não era afetada pelo Estado. Ele não tinha ligação direta com a administração da Justiça e com a codificação do Direito Civil ou Criminal. Essas funções eram dos tribunais locais, tanto na Itália como nas províncias. O Direito Romano e os códigos penais por vezes entravam, em conflito, especialmente na Grécia.

Como governador de muitas províncias, o imperador no papel de apelação, proferia sentenças nos casos mais importantes. Como chefe do exército, elaborava as principais regras do Direito Militar e, como chefe da administração financeira, fazia com que os procuradores elaborassem um esquema de relações legais.

O Direito Romano

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“FOI TUDO UMA BALELA DA COMISSÃO”

Ninguém foi morto pela ditadura civil-militar de 1964 (aliás, nem houve), inclusive na guerrilha do Araguaia, ninguém foi torturado, ninguém foi desaparecido e nem político foi perseguido por ter se posicionado contra o regime dos generais. Tudo foi criação da esquerda, e as organizações das lutas armadas mataram uns aos outros. “Foi tudo uma balela”, coisas desses comunistas sanguinários, matadores de criancinhas e idosos.

O mais espantoso, desumano e aterrador das declarações sobre os acontecimentos históricos do passado tenebroso, estamos agora ouvindo neste país há sete meses, e o mais grave, da boca de um capitão-presidente que outrora foi expulso do exército por indisciplina. Esse cara não bate bem da cabeça, e nunca deveria estar à frente de uma nação por tripudiar e jogar mais sal nas feridas abertas dos familiares que perderam país, mães, irmãos e parentes nos anos de chumbo, que ninguém quer mais que se repita.

Com sua atitude de sádico, ele contesta todos documentos e depoimentos que comprovam as mortes e os desaparecimentos de presos políticos (para o cara não passaram de vagabundos criminosos e terroristas), com versões chulas, só  com o intuito de confundir mais ainda a cabeça dos incultos e ignorantes que nada sabem da história do seu país, a não ser através de conversas de bêbados em portas de botequins.

Como brasileiro, sinto-me envergonhado e triste, principalmente quando tais barbaridades e sandices partem de um “presidente” da República, eleito pelo voto de raiva contra um partido de esquerda, que terminou por criar monstros e aberrações de quatro cabeças, os quais acham que ditadura só existiu e existe do outro lado das cortinas de ferro. Estamos num governo de retrocesso que acha que não tem viés ideológico. Seus seguidores só sabem abrir suas garras para criticar o outro governo da linha opositora que já passou e cujo chefe está preso.

POR QUE DESTRUÍRAM E QUEIMARAM?

Se “tudo foi uma balela” de uma Comissão de Estado, por que os centros de investigações das forças armadas, os departamentos de políticas investigativas opressoras, as delegacias, oficiais e generais desapareceram e queimaram documentos históricos de torturas, desaparecidos e mortes, como nos arredores do aeroporto de Salvador e em outros lugares?

Por que até hoje muitos arquivos chamados de “confidenciais”, depois de mais de cinquenta anos dos macabros episódios, não foram abertos ao público? Vá fazer uma pesquisa num quartel desses que serviu de porão de torturas e você encontrará a maior dificuldade. Os militares ainda dizem que são sigilosos e Segredo de Estado, como é o caso da Operação Condor que envolveu vários países da América do Sul, como Argentina, Chile e Uruguai que puniram os mandantes das carnificinas e atrocidades. Aqui no Brasil as feridas não foram fechadas, e decretaram uma anistia imposta.

Por essa e outras é que aparece um cara e quer acabar com a nossa memória, e dizer para essa geração que não mais ler, que nada sabe da sua história, que só sabe apertar parafusos, empregar a palavra competir, devassar a vida dos outros nas redes sociais e tudo faz por uma fama de 15 minutos, que não existiu ditadura, e que esse negócio de morte e desaparecidos “foi uma balela” de Comissão da Verdade.

Gostaria de saber o que pensam os generais e as forças armadas de hoje sobre essas declarações de negacionismos da nossa própria história. O que acham os quartéis de hoje de que tudo o que ocorreu durante o regime militar “foi uma balela”?  Estão todos de acordo? É um complô para destruir os fatos que aconteceram no passado? Nosso Brasil não merece isso, ter sua imagem tão deformada e vilipendiada lá fora? O pior é que a maioria ignara acredita que “tudo foi uma balela”.

Por termos uma educação de péssima qualidade e um nível cultural tão baixo, sem contar os fanáticos direitistas, é que é fácil enganar nossa população, transformando os vilões em vítimas, como agora no caso das revelações do Moro com os promotores da Operação Lava Jato, que por sinal se acabou. A grande mídia tem muita culpa nisso por contribuir para abafar os erros e ilícitos das classes e das castas dominantes.

 

 

 

NÃO FAÇA DEBOCHE COM NOSSO NORDESTE

Somos Bahia, Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão e Ceará; de terra árida, semiárida; de espinhaço sertanejo cinzento retorcido pela seca e colorido de paisagens floridas das chuvas; de gente brava e forte; de pele negra e mestiça que nas veias corre o sangue da cultura popular, da poesia cantada em versos, do repente, do cordel, da oratória e dos intelectuais escritores que encantaram o Brasil e o mundo com suas lendas, mitos, seus contos e histórias. Somos o Nordeste rico e desértico empobrecido pelo abandono das políticas discriminatórias de governos a serviço do lucro do capital.

Somos sim, todos “Paraíbas” de Ariano Suassuna, de José Lins do Rego, de Geraldo Vandré, de Zé Ramalho, de Elba Ramalho, de grandes repentistas, cancioneiros e forrozeiros, e não do seu conceito chulo, ridículo e pejorativo, sr, capitão-presidente, que nega que exista fome no Brasil; desmente pesquisas de instituições renomadas como do IBGE, do Inpe que mapeia os desmatamentos, do Ibama e do IcmBio que querem preservar o meio ambiente; que pretende censurar nosso cinema e extinguir a Ancine; e que ainda insiste em dar um file mignon ao seu filho, colocando-o como Embaixador do país nos Estados Unidos porque aprendeu fritar um hambúrguer e entregar pizza em Washington.

A REPULSA NORDESTINA

Essas coisas sim, são ridículas e não merecem muitos comentários, mas a   repulsa dos nossos nordestinos e do Brasil, que está com sua imagem ferida, dilacerada e mal vista lá no exterior por ter um presidente de ideias retrógradas em gênero e grau, e que deseja destruir a natureza indicando uma jovem fazendeira inexperiente para cuidar de um parque de preservação. Nós nordestinos condenamos o retrocesso de pensamento e o preconceito contra o nosso povo trabalhador e honesto que construiu São Paulo, o sul e, para matar sua fome, serviu de escravo na extração da borracha no Amazonas para os senhores estrangeiros capitalistas. Milhares foram tratados como bichos, mortos e esquecidos nas florestas infernais infestadas de doenças.

Não venha avacalhar com sua mesquinhez nossa sofrida região, castigada pelas secas, e depois pedir desculpas cínicas, afirmando que adora o Nordeste durante a inauguração do Aeroporto Glauber Rocha (baiano) de Vitória da Conquista que, por sinal, foi um fiasco em termos de representação (nem as filhas Ava e Paloma do homenageado compareceram). Em repúdio ao ato do capitão-presidente, “pois considero oportunismo político o uso indevido do nome do meu pai” – disse Paloma Rocha, que achou melhor não vir ao evento. Seu protesto se estende contra o golpe à cultura e ao cinema brasileiro. A Câmara de Vereadores de Conquista não compareceu em decorrência da falta de participação popular na inauguração, e porque teve dificuldades para o credenciamento de seus membros, autoridades e da própria imprensa.

Então, sr. Capitão, não venha com este papo de Nordeste cabra da peste para agradar seus bajuladores, que não é essa a nossa identidade como gente decente. Para gostar e amar esta terra, esta região de tantas bravuras e conquistas, a revitalização do Rio São Francisco, o “Velho Chico”, cansado dos maltratos dos homens e do poder público que nele joga lixo e esgotos, já seria um gesto suficiente que redimiria sua sandice e seu desconhecimento sobre nós nordestinos, onde aqui aportou as primeiras naus de Cabral e os ancestrais da Ásia.

SOMOS NORDESTINOS

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Fotos do jornalista Jeremias Macário. O mundo admira as belezas da Chapada Diamantina, no Nordeste

Sinto-me orgulhoso de ser nordestino, sertanejo-catingueiro, e seu deboche me ofendeu profundamente, sr, capitão! Somos Bahia de Ruy Barbosa, de João Ubaldo Ribeiro, de Irmã Dulce, de Caetano Veloso, de Castro Alves, de Gil, de Jorge Amado, de Luiz Alberto Muniz Bandeira, de Gregório de Matos, de Euclides Neto e de tantos outros que honraram e ainda honram esta terra de pele negra, mulata e branca; do maior polo petroquímico da América do Sul, do sincretismo religiões, do carnaval, do samba, de belas praias litorâneas, da Chapada Diamantina, a mais admirada do mundo,  do cacau, do café e outras tantas riquezas naturais, minerais e industriais.

Somos o Nordeste das lutas e rebeliões pela independência do Brasil na Bahia, em Pernambuco e no Maranhão. Somos o Nordeste de Sergipe, de Tobias Barreto, de Alagoas, de Graciliano Ramos, de Pernambuco, de Gilberto Freire, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Patativa do Assaré, do rei do Baião Luiz Gonzaga e do Movimento Armorial de Ariano Suassuna com o resgate da nosso cultura do colonialismo estrangeiro, do Rio Grande do Norte, de Câmara Cascudo e do Ceará, de José de Alencar.

Somos o Nordeste do Maracatu, dos reisados rebequeiros, da cultura da gravura popular, da expressão cultural ibérica, negra e mestiça, do frevo, do forró, do Bumba Meu Boi, da resistência contra a ditadura e o fascismo que limitam e oprimem nossas mentes, do sol que clareia todo o Brasil, do turismo mundial, das capitais encantadoras, dos lençóis maranhenses, do Parnaíba, no Piauí, de Belchior, Fagner, Alceu Valença, do celeiro de frutas que abastece o país e manda para o exterior. Somos o Nordeste que não perde a fé em sua gente.

Somos o Nordeste que engrandece este Brasil tão roubado e sugado pelas elites e as castas da corte que não desapegam dos seus privilégios e mordomias, para restituir a dignidade e a justiça para o nosso povo brasileiro, principalmente o nordestino que muito tem a receber. Seu preconceito, sr. Capitão, só faz agravar e aumentar mais ainda a dívida social, política e econômica secular e bilionária dos governantes para com o Nordeste.

 

 

 

A CULTURA AUSENTE DA FESTA

Carlos Albán González – jornalista

Caro leitor, é concebível que se promova uma festa em homenagem ao filho mais cultuado de uma cidade e, nos discursos, com viés político, o nome do homenageado foi omitido? Os que ocuparam o palanque e se dirigiram a uma plateia, previamente escolhida, na inauguração do aeroporto, batizado com o nome de Glauber Rocha (1939-1981), “emporcalharam a memória de quem difundiu a cultura nacional”, como escreveu Henrique Cavalleiro, filho mais velho do cineasta conquistense, falecido há 38 anos.

A revolta de Henrique foi acompanhada por suas irmãs, que se recusaram a comparecer ao ato de inauguração. Paloma Rocha justificou a ausência, condenando o que classificou como oportunismo político do presidente Jair Bolsonaro “com o uso indevido do nome de meu pai, o que considero como mais um golpe contra a cultura brasileira, hoje ameaçada pela censura”.

Avra Rocha manifestou sua recusa em vir a Vitória da Conquista, reclamando, através das redes sociais, da “intenção política de se utilizar o nome do meu pai num projeto onde a cultura e a dignidade humana são manchadas por uma consciência sórdida”. Observou Avra que, nesse ano em que Glauber faria 80 anos, “faz-se necessário recordar a visão de um Brasil liberto, como ele sempre sonhou”.

A ofensiva contra a cultura nacional externada no ato do último dia 23 também foi comentada por outra descendente de um baiano que engrandeceu o nome do nosso país no exterior. Paloma, filha de Jorge Amado (1912-2001), ao fazer o lançamento da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), considerou um insulto ao povo baiano ter sido alijado da cerimônia.

Num passado recente, Jorge Amado, Glauber Rocha, Monteiro Lobato e Paulo Coelho, foram perseguidos – presos, torturados, censurados e exilados – por governos inimigos da cultura. Nos dias atuais já se notam no horizonte sinais de intimidação. No caso, a supressão do Ministério da Cultura, a filtragem a que serão submetidas obras do cinema nacional, e a provável revogação da Lei Rouanet.

A LITERATURA

Nessa atual fase de falta de incentivo à cultura, a literatura, observo, tem sido a mais desamparada. O escritor é obrigado a lutar contra os preços cobrados pelas gráficas; as exigências das editoras, a internet; a divulgação pelos meios de comunicação; a literatura portuguesa deixou de fazer parte do currículo do ensino fundamental nas escolas públicas; e o fechamento de livrarias.

Na verdade, o brasileiro não tem o hábito da leitura. Segundo a Associação Internacional de Leitura, nossos conterrâneos leem em média um livro por ano, enquanto chilenos, uruguaios e argentinos leem quatro: nos países desenvolvidos a média é de 20. Essa diferença se reflete no número de livrarias. O setor no Brasil vive sua maior crise, com as redes Saraiva e Cultura em processo de recuperação judicial. Nos últimos dez anos foram fechadas 21 mil lojas no Brasil. O número de estabelecimentos em atividade é menor do que Buenos Aires, capital da Argentina.

“ANDANÇAS” EM CONQUISTA

Conquistense por adoção, o baiano de Piritiba Jeremias Macário, com formação universitária em jornalismo, chefiou a Sucursal de “A Tarde”, por mais de uma década, em Vitória da Conquista. Nesse período, enriqueceu a cultura do sudoeste baiano, divulgando, através do jornal de maior circulação do Nordeste, as atividades culturais da região.

Seu amor à arte levou-o a criar o espaço cultural “A Estrada”, a promover saraus literários, a editar o blog “aestrada” e a lançar quatro livros.

Ultimamente, Jeremias vem sendo mais uma vítima da crise que desabou sobre a cultura e do não reconhecimento de uma parcela da população desta cidade, principalmente daqueles que se beneficiaram do jornalista que ele foi, por mais de 30 anos.

Para conseguir levar sua última obra – “Andanças – aos leitores, Jeremias se transformou num mascate literário, percorrendo o sertão baiano. Imita, mais de meio século depois, o cordelista José Gomes (1907-1964), conhecido como Cuíca de Santo Amaro. O irreverente trovador, temido pelos políticos, vendia os seus cordéis nas ruas e ladeiras de Salvador.

 

 

 

 

 

 

AS BELEZAS DO “VELHO CHICO”

Mesmo maltratado pelos homens que desmataram suas margens e jogaram lixo e esgotos no seu leito, sem falar na transposição e na exagerada irrigação, o Rio São Francisco, o “Velho Chico” ainda guarda suas belezas, como este pôr do sol  na orla de Juazeiro flagrado pelo jornalista Jeremias Macário com sua máquina, em suas andanças pelo sertão nordestino.





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