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A ALMA DA NOITE

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Laboratório de câmaras escuras,

a noite revela cenas existenciais,

dos negativos da luz do dia,

feitos de efeitos, olhar e juras,

de alma de gente doída e ferida,

entrecortada de medo e de poesia,

nos fleches de nossos manuais.

 

Com seus cabelos negros e soltos,

a noite é face de candura e prantos,

navegando no além mares revoltos,

nas ondas de desencantos e encantos,

encontros e desencontros que se vão

no orvalho da fumaça da manhã,

que isala o cheiro do meu chão.

 

Sua alma vaga na trama do enredo,

na crença e no engano da ilusão,

nos becos do dilacerado medo,

que não se rende na prece bendita,

do poeta surreal bruxo-maldito,

que se disfarça até de rei Salomão

e desaparece na estrela infinita.

 

A noite é caverna de etílico porre,

de boemia e trago de sal sagrado,

do segredo jamais aqui revelado,

da angústia que nunca morre,

por mais que a canção console,

e o riso dê uma risada amorosa

como faz a minha carinhosa rosa.

 

Sou a alma desta noite aflita,

que pede a ti o meu perdão;

sou espírito que chora e grita

pela tua bondade e gratidão,

que não me deixe tão sozinho,

como um acuado ferido animal,

na embriaguez visceral do vinho.

 

A minha alma é peregrina noite,

do dia e da penada escuridão,

que aparece repente na esquina,

para pedir o amparo de tua mão,

e sentir teu semblante de menina;

clarear-me na tua réstia de luz,

que o santo guerreiro te conduz.

 

A alma da noite me atormenta,

chicoteia os meus pensamentos,

tragando os goles do meu passado,

ora aliviando com seus unguentos,

os ferrões doídos desse presente,

de insetos que se passam por gente,

que de poder e usura se alimenta.

 

 

 

SARAU DEBATE A INQUISIÇÃO CATÓLICA

Mais um debate polêmico foi colocado em discussão na noite do último dia 05/10 (sábado) pelo Sarau Colaborativo, realizado no Espaço Cultural A Estrada, com a participação de artistas, professores e interessados que sempre têm prestigiado nossos momentos culturais, recheados também de declamações de poemas, causos e até de encenação teatral.

Dessa vez, o tema foi “Inquisição, ou Tribunal do Santo Ofício”, cujo palestrante foi o advogado Evandro Gomes Brito, uma autoridade no assunto em Vitória da Conquista, que não deixou escapar datas e nomes de inquisidores, uma passagem tenebrosa da Igreja Católica que pediu perdão à humanidade na pessoa do Papa João Paulo II.

Os trabalhos foram abertos pelo jornalista e escritor Jeremias Macário, que determinou tempo ao expositor, colocando as pontuações e considerações para o final, feitas pelo professor Itamar Aguiar, Alex Baducha, Jovino Moreira e outras pessoas. Na ocasião, o próximo evento, no início de dezembro, encerrando o ano, será “A História da Música Brasileira”, tema escolhido pela maioria.

NO CONCÍLIO DE VERONA

De maneira brilhante e com uma memória invejável, Evandro Gomes afirmou que a Inquisição da Igreja Católica Apostólica Romana teve início no Concílio de Verona, na Itália, pelo Papa Lúcio III, em 1184, com a finalidade de julgar e condenar as pessoas que não aceitassem os ensinamentos da Igreja, as quais poderiam ser queimadas nas fogueiras, ou serem presas, tendo seus bens confiscados em qualquer hipótese.

O Papa Inocêncio III, em 1198, colocou a inquisição em prática, através de São Domingos de Gusmão, que dizimou os albigeneses, no sul da França, incluindo mulheres, velhos e crianças. Quando alguém era acusado e preso por heresia, seria ouvido, sem defesa. O suposto herege sofria vários tipos de tortura.

“Concluído o inquérito, havia o auto de fé, com desfile dos condenados, todos vestidos de Sambenito, traje que identificava os hereges. O desfile seguia a um templo religioso. Após o sermão, os condenados eram conduzidos a uma grande praça, onde as fogueiras acesas os esperavam” – destacou o palestrante.

Evandro ainda citou os termos técnicos da inquisição, como Termo de Graça – edital convocando o povo para confessar suas culpas, ou denunciar terceiros, sob pena de serem punidos; renunciar aos crimes graves; abjurar de Levi – renunciar à sodomia, bruxaria e bigamia; e Termo de Segredo, onde o preso assinava o processo, comprometendo-se a nada revelar sobre o que passou com ele. O Papa Inocêncio IV (1243-1254) com a Bula “Ad Extirpanda” permitiu a tortura, em 1252.

Gomes ainda falou da Inquisição em Portugal, no início de maio de 1536 pela Bula do Papa Paulo III, na Espanha, em 1478 pelo Papa Sisto IV, com final em 1834. “Ai aparece o maior monstro do mundo, Dom Frei Tomás de Torquemada, que sentia o maior prazer em torturar e queimar um herege”. Teve ainda a Inquisição Medieval (do século XII ao XV) e a Moderna.

De acordo com ele, a inquisição e a tortura ainda continuam nos tempos atuais, ao citar o coronel Carlos Brilhante Ustra, inquisidor e torturador nos tempos da ditadura civil-militar de 1964. Muitas mulheres foram vítimas, como Joana D´Arc. No Brasil, os acuados eram lavados para Portugal, para serem punidos. Ressaltou também que a Igreja Católica chegou a canonizar muitos santos adeptos da tortura, como Santo Tomás de Aquino.

A atriz Edna Brito nos brindou com a encenação do belo poema “Tapiá”, de autoria de Carlos Jehovah, fazendo o papel de uma velha.  Jeremias Macário fez um comentário sobre o livro “No Armário do Vaticano – poder, hipocrisia e homossexualidade”, de Frédéric Martel, falando da rigidez dos prelados e cardeais que fazem cerrada oposição ao Papa Francisco, que deseja realizar aberturas na Igreja com relação a diversas questões, como o aborto, o celibato dos padres e o próprio homossexualismo, descrito na obra pelo autor. O professor Jovino fez uma breve apresentação do seu no livro L.I.D.E;R – Ideias e Princípios, lançado recentemente.

O professor Itamar fez algumas considerações sobre o assunto, descrevendo o histórico da religião católica até os nossos tempos atuais, concordando com os pontos apresentados por Evandro Gomes. O Sarau Colaborativo contou ainda com as presenças de Rozânia Gomes Brito, Tânia, Léu, Regina, Rosângela Oliveira, João Bezerra, Francisco, Graça Araújo, Dalva Magalhães, Clóvis Carvalho e Vandilza Gonçalves, a nossa anfitriã que nos serviu, no final, um saboroso ensopado de carneiro, acompanho de um vinho e uma geladas.

 

NOS ALIMENTAMOS DE AGROTÓXICOS

Está muito difícil falar em alimentação saudável no Brasil, o país campeão do mundo no uso de agrotóxicos, embora membros do atual governo contestem os dados, argumentando que isto é em razão da sua extensão territorial, e da grande área agricultável. Rebatem que, quando se compra o uso por hectare, o Brasil cai para o sétimo lugar e, por tonelada, para o 13º.

A nutricionista Sandra Chaves diz desconhecer esses indicadores, e confirma que o Brasil é o líder mundial no consumo de agrotóxicos, cerca de sete quilos por ano, “o que é um escândalo”. Comemos sete quilos de agrotóxicos por ano!  Para se ter uma ideia, em Barreiras, as lavouras de algodão são pulverizadas 35 vezes em um mês. “Isso se espalha no ar”.

Sem comentários

Ex-integrante do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), extinto pelo novo governo destruidor, em 1º de janeiro deste ano, Sandra afirma que esteve em Mato Grosso e constatou casos de famílias inteiras intoxicadas. Não vi a mídia comentar nada sobre o Dia Mundial da Alimentação, no último 1º de outubro.

A verdade é que estamos nos alimentando de agrotóxicos, e ficam as pessoas e a própria imprensa recomendando que devemos ter uma alimentação saudável. Como? É até uma incoerência. Além desse absurdo, a nutricionista alerta que o Brasil pode voltar ao mapa da fome, denunciando violações quanto ao direito humano à alimentação.

Os alimentos no Brasil estão se tornando em verdadeiras drogas no organismo, talvez mais perigosos que a poluição do ar. No entanto, o cigarro é sempre o vilão da história. Em oito meses este governo liberou 353 agrotóxicos, verdadeiras bombas que matam em pouco tempo. Isso viola o direito a uma alimentação adequada.

A nutricionista destaca que existem 614 substâncias usadas como agrotóxicos no mundo. Dessas, apenas 97 estão proibidas no Brasil, e 517 venenos estão liberados. Muitas substâncias tóxicas não são mais aplicadas lá fora. A extinção do Consea, tal como de proteção e evolução dos direitos humanos.

No Conselho estavam presentes movimentos da agroecologia, da agricultura familiar e do pequeno produtor. De acordo com Sandra, suas demandas não estão presentes no legislativo, porque a bancada ruralista é a favor dos agrotóxicos. Pena que nada foi feito para que o Conselho voltasse a existir. Aos poucos estão nos retirando benefícios sociais e direitos adquirido e vamos aceitando passivamente, num caminho de retrocesso do país, quando deveria evoluir.

Somos mesmos submissos, individualistas e conformistas. Verdadeiramente, perdemos o senso de coletividade, deixando uma terrível herança para as novas gerações que já vivem alienadas há anos, deitadas em berço esplêndido.

 

 

LAGOA DAS BATEIAS

Lá só existe mesmo o título, mas nenhuma Lagoa das Bateias, em Vitória da Conquista, que foi tomada pelos esgotos, matos e todo tipo de sujeira, como se pode ver na foto clicada pelo jornalista Jeremias Macário. Os equipamentos foram quebrados, e há anos os moradores e todos os conquistenses pedem ao poder pública a sua urbanização para que seja um local de lazer e entretenimento. Fizeram uma roçagem, mas a situação continua a mesma. Seria mais um local a ser visitado e usado para a prática de esportes.

EXISTE E NÃO EXISTE

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Ainda existe

processo sem prisão,

a tortura sem história,

corrupção com vitória,

o crime que compensa,

a manipulação da imprensa,

o sonho feito de cristais,

como promessas sagradas

dos amantes e dos casais.

 

Ainda existe

a vergonha da esmola,

a escola sem lição,

país sem educação,

criança sem livro,

rei fajuto de camisola,

a justiça da pistola,

o cruel capital,

o empreiteiro pardal,

o ladrão de gravata

o coronel da chibata,

o amolador de navalha,

o ferreiro do fole

e o político canalha.

 

Não existe

relógio sem hora,

piora sem melhora,

cordel sem rima,

cantador sem viola,

presente sem passado,

chato que não amola,

sandália sem poeira,

cavalo sem crina,

cidade sem feira

país sem hino,

nem vida sem sina,

romaria sem peregrino,

e criatura sem destino.

OS VEXAMES DO BRASIL NO EXTERIOR

Soberania nacional, valores morais, família, pátria, massa de manobra, amarras ideológicas, combate à corrupção e socialismo derrotado pelos militares em 1964 foram os termos mais usados, em tom agressivo, pelo capitão-presidente em seu discurso de abertura dos debates na ONU. A sua fala foi mais um vexame para o nosso país no exterior, e uma vergonha para os brasileiros que estão sendo vítimas de piadas e chacotas.

Fora de contexto, e de viés fascista ultraconservador, inclusive com ofensas a chefes de Estado, foi um pronunciamento desprovido de conteúdo do que o governo vem fazendo pela preservação da Amazônia, do meio ambiente em geral, pela defesa dos direitos humanos e o que o país tem a oferecer aos seus parceiros em prol da redução do aquecimento global, de modo a acalmar os mercados que receiam se afastar dos acordos firmados na Europa. Outro vexame passou seu ministro do Meio Ambiente que nem o deixaram falar na comissão do clima! Horrível!

QUEM É ELE?

Quem é ele para falar em soberania e pátria quando anuncia vender nossas estatais, inclusive a Petrobrás, e o nosso patrimônio, para os capitalistas ianques e seus associados a preços de banana? Bate continência para a bandeira norte-americana e comunga das mesmas ideias do maluco Donald Trump.!

Quem é ele para falar de corrupção, família e valores morais quando seus próprios filhos estão envolvidos em maracutaias de fantasmas e rachadinhas na Câmara e na Assembleia do Rio de Janeiro, e o chefe tudo faz para atrapalhar as investigações e jogar a sujeira debaixo do tapete? Em conluio com suas bancadas ruralistas, evangélicas e da bala na Câmara (leis de abuso de autoridade e de anticrimes), seu governo está acabando com a Operação Lava Jato, tendo como mentor o ex-juiz e ministro Sérgio Moro.

Seu governo continua fazendo o mesmo dos anteriores, que ele chama de esquerda socialista desastrosa, no toma lá dá cá político do Congresso Nacional, para aprovar suas medidas direitistas e conservadoras, inclusive o nome por ele, exclusivamente, indicado do Procurador Geral da República e do seu próprio filho para ser Embaixador nos Estados Unidos.

Quem é ele para falar de amarras ideológicas e massa de manobra (velho chavão muito usado no passado pela própria esquerda comunista) quando expõe em público sua linha autoritária fascista e usa uma índia na ONU como “representante” das tribos indígenas, que contestaram sua presença?

E A ÍNDIA, NÃO FOI MANOBRADA?

Diz que o cacique Raoni está sendo usado como massa de manobrar para governos europeus atacar a nossa soberania nacional, como no caso do francês. A índia, por ele manobrada, defende a mineração e a produção agrícola por terceiros nas próprias reservas indígenas. O que é para ele coerência, contradição e ideologia? Na sua concepção, ditadura só existe de esquerda. Ou ele diz coisa sem coisa porque é mesmo despreparado e imbecil!

Quem é ele para criticar com agressividade o socialismo e dizer que os médicos cubanos vieram trabalhar no Brasil como escravos, quando o próprio, que se acha defensor da soberania, abre brechas para o capital nacional e estrangeiro explorar, impiedosamente, nossos trabalhadores, tornando-os escravos dos senhores patrões, num universo de mais de 13 milhões de desempregados e outros milhões vivendo do subemprego como serviçais, num ambiente desumano e humilhante?

Tudo está bem escancarado e à vista de uma oposição cega, surda e muda que nada vê, nada escuta e nada fala, enquanto o Brasil passa vexame e vergonha no exterior, e ficando cada vez mais isolado das outras nações do mundo, por causa do seu retrocesso social, político e econômico, incluindo aí os cortes de verbas na educação e na pesquisa.

Até quando ele vai nos ofender com suas declarações racistas, preconceituosas e retrógradas de defesa da ditadura (não existiu para o capitão Bozó) e dos torturadores, causando perplexidade no exterior? Não é somente a oposição, o povo brasileiro não se indigna e nem reage, enquanto ele e sua tropa vão traçando e impondo sua linha nazifascista.

 

SPARTACUS E A GUERRA DOS ESCRAVOS

Muitos já devem ter assistido o famoso filme “Spartacus”, de Stanley Kubrick, baseado numa história real da escravidão romana pelos idos dos anos 71 a.C., do livro de Howard Fast (1914-2003), um judeu que foi militante político contra a opressão e as injustiças. O livro foi adaptado para o cinema em 1960.

Numa linguagem dinâmica e poética, a narrativa da obra prende o leitor do início ao fim, com passagens fortes sobre os escravos que se rebelaram contra seus senhores opressores. Seu líder “Spartacus”, um trácio, conseguiu reunir mais de 70 mil escravos para guerrear por uma Roma livre e justa onde todos teriam os mesmos direitos.

Prisioneiros de guerra

Diferente da escravidão no Brasil, mais de mil anos depois, cujos negros eram apanhados e comprados no continente africano e transportados em navios negreiros, os escravos romanos eram, na verdade, povos das províncias da Europa (celtas, gauleses, germanos e outros), Ásia Menor e do Oriente, como do Egito, que se tornaram prisioneiros de guerra, ou foram subjugados durante a formação do Império Romano.

Tanto aqui como lá, os escravos eram duramente castigados, e fica difícil avaliar a dimensão maior ou menor das torturas impostas. No Império Romano muitos deles eram levados acorrentados para as minas escuras de ouro e cobre, e passavam muito tempo sem ver a luz do dia, nus e pouco se alimentando, inclusive crianças obrigadas a entrarem em lugares estreitos. Nem precisa dizer que milhares delas morriam, tais como os adultos.

Em Roma daquela época, aqueles que se rebelavam eram crucificados e pendurados nas cruzes, geralmente às margens das estradas para servirem de exemplo para os outros. O autor do romance narra, poeticamente, com detalhes, essas cenas degradantes e horríveis numa viagem feita por amigos, de Roma para Cápua, uma cidade muito bonita e cobiçada pela fabricação de seus finos perfumes.

Como relata Howard Fast, os escravos mais fortes e de alto vigor físico eram comprados por treinadores de gladiadores e levados para as arenas romanas, para lutarem, como forma de divertir e entreter o povo que era servil ao governante ou imperador. Numa luta de espadas entre dois gladiadores, ou através de bigas, só um deles sobrevivia. Existiam também negros escravos trazidos da região de Cartago (Tunísia) que usavam redes nas lutas.

Além de Spartacus, sua mulher e seus companheiros lugares-tenentes (Judéia, África e da Gália), de propósito para a obra se tornar mais realista com o tempo, o autor utiliza jovens em viagem, um general, um treinador de gladiador, um tribuno, o próprio Cícero e gentes pobres do povo como principais personagens, mostrando, cada um, seus pontos de vista sobre a política romana, orgias da época, corrupções e as canalhices daqueles que estavam no poder.

“A estrada foi aberta em março e dois meses depois, na metade de maio, Caius Grassus, sua irmã Helena e a amiga Cláudia Marius prepararam-se para passar uma semana com parentes em Cápua”… “As duas moças viajavam em liteiras abertas, cada uma carregada por quatro escravos estradeiros que podiam fazer 15 quilômetros num andar suave, sem descansar.”

Souberam antes de partir que iam passar por alguns pontos de punições, que, na verdade, eram as crucificações de escravos. “Nós olharemos apenas para a frente” – disse Helena. Mal se notava um corpo nu masculino pendurado nela.

Acompanhe nos próximos capítulos as narrações fascinantes do autor que descreve as penúrias dos escravos nas minas da Núbia, e a revolta deles, comandada por Spartacus que, com seu exército, venceu muitas batalhas contra os romanos e, por pouco, não invadiu e derrubou o Senado e todo o poder de Roma.

OS CARROS-PIPAS ENTRAM EM CENA

Praticamente a metade dos 417 municípios baianos estão em estado de emergência por causa da seca que voltou a castigar o semiárido que há anos sofre com as estiagens, fazendo entrar em cena os conhecidos carros-pipas, famosos por serem barganhas de votos nos anos eleitorais na chamada “indústria da seca”

Fotos de Jeremias Macário

Na região sudoeste, por exemplo, a situação é bem crítica, principalmente nos municípios de Anagé, Tanhaçu, Brumado, Aracatu, Presidente Jânio Quadros, Maetinga, Condeúba, Cordeiros, Belo Campo, Tremedal e Encruzilhada onde passei neste final de semana e vi de perto a penúria do sertanejo para salvar o resto de seus rebanhos, porque as lavouras se foram.

A paisagem cinzenta

É muito triste ver o verde do sertão ceder lugar para o cinzento dos galhos secos das árvores, e o gado berrando de sede porque os poços, barragens e tanques não têm mais água para os animais, depois de mais de cinco meses sem chover, como confirmou um senhor de Encruzilhada que estava nas margens da estrada pastoreando suas cabras que ainda comiam um resto de bagaço.

Só o mandacaru verde consegue sobreviver na paisagem estorricada, e os mais persistentes se mantém ao seu torrão na espera da graça da chuva que o Deus mandará. Muitos não aguentaram e partiram para outros lugares na busca de um trabalho para matar a fome. O carro-pipa, mandado pelos governantes, demora de chegar e não dá para atender a demanda de todos.

Em passagem por Encruzilhada neste final de semana lembrei dos meus tempos de repórter na ativa quando saia para fazer coberturas jornalísticas sobre a seca neste sertão da Bahia, e sentia o sofrimento do pequeno agricultor para atravessar os períodos de estiagem prolongada. Muitas vezes cheguei a entrar nas cozinhas rústicas de fogão a lenha e só via uma panela cozinhando uns caroços de feijão para o “almoço” de meio-dia.

Os tempos passaram, e a situação continua a mesma, sem uma solução onde o homem possa conviver com a seca. Os governantes só fazem prometer. Passa eleição e o quadro só faz piorar a cada ano de seca.  Os projetos ficam pela metade porque a corrupção leva a outra parte. Os carros-pipas nunca saem de cena. Aliás, bem que já poderiam ser tombados como patrimônio nacional. Uma vergonha!

A ESCORCHA NOS PREÇOS DA GASOLINA

É uma vergonha! Ninguém consegue conter o cartel da gasolina em Vitória da Conquista, e os consumidores não têm mais a quem apelar. Foi só a Petrobrás reajustar os preços nas refinarias, e no outro dia muitos postos já estavam com novas tabelas de aumento, mesmo com estoques anteriores adquiridos pelo custo inferior ao anunciado pela estatal nesta semana.

É muita ganância dos empresários do setor, que montaram uma verdadeira escorcha nos preços dos combustíveis na praça de Conquista, considerados um dos maiores do estado, como já ficou comprovado em pesquisas feitas pela Câmara Municipal e pelo testemunho de cidadãos que sempre estão viajando em trabalho e em atividade de lazer.

Não é justificável

O pior de tudo é que esta escorcha não é justificável porque os comerciantes adquirem o produto nas unidades de distribuição de Jequié a uma distância de 150 quilômetros, portanto, um frete bem menor que cidades da região, para não citar outras fora do nosso perímetro. Eu mesmo comprovei isso há pouco tempo quando em viagem para Juazeiro, passando pela Chapada Diamantina até o norte da Bahia.

É um absurdo o está acontecendo! A Câmara de Vereadores de Conquista, juntamente com o Ministério Público, OAB e outras instituições, prometeu dar uma resposta através de uma comissão de inquérito, mas continua o silêncio que perturba o espoliado consumidor que não tem a quem mais recorrer, a não ser ao Papa, ou ao bispo da arquidiocese que está mais perto de nós.

Fizeram tanta zoada no legislativo municipal e na mídia, em forma de denúncias, que todos acreditaram que agora o cartel e a escorcha seriam quebrados, com multas e penalidades pelo crime contra nossa economia. Como tudo neste nosso Brasil de conluios e conchavos, até agora não deu em nada.

Com o novo aumento nas refinarias, o litro da gasolina na cidade já está beirando os R$4,90 e os R$5,00 o litro, e não adianta pesquisar e andar muito porque a diferença é coisa de dois ou três centavos. Por que os preços dos combustíveis em Conquista são tão altos?  Será que é por causa do poder aquisitivo da população? Porque aqui é uma suíça baiana, como muitos chamam!

Uma cidade cara

Aliás, não é somente a gasolina. Nos últimos anos, Vitória da Conquista tornou-se em uma das cidades da Bahia mais caras para se viver, talvez a mais. Muitos produtos e serviços, como o seguimento imobiliário, aqui ofertados se igualam aos de Salvador em termos de custos. Até há pouco tempo, Conquista tinha fama de ter um comércio onde se adquiria mercadorias baratas, com preços mais baixos, em conta. A cidade cresceu e isso já não existe mais, por conta da ganância capitalista, como ocorre no caso dos combustíveis.

Assim fica difícil atrair turistas e visitantes como porta de entrada para cidades da Chapada Diamantina, conforme é intenção de um movimento de empresários, principalmente com o novo aeroporto que logo vai estar defasado. Não é somente o aeroporto que vai trazer mais desenvolvimento. Sempre tenho dito que Conquista precisa ser repensada em muitos pontos, inclusive a nível cultural, para atrair mais investimentos e gente de outros estados.

Mas, o nosso caso específico é o alto preço da gasolina, considerado um escândalo, e que está deixando muita gente de cabeça quente e sem dormir direito, especialmente taxistas, aplicativos do Uber, prestadores de serviços de transportes e vendedores que sempre estão viajando para comercializar seus produtos. Para o pobre do tipo classe média baixa, está difícil manter um carro em Conquista com esse cartel da gasolina.

POUSANDO PRA FOTO

Essa é “cria” do quinta,l e é tão mansa que virou modelo fotográfico. Essa foi um dos flagrantes do jornalista Jeremias Macário. Vive entre as plantas e passeia nas hortas se alimentando de insetos, e até  de folhas. Já alertei para não subir no telhado por causa da infernação dos gatos do vizinho. É parente do jacaré, quiçá dos dinossauros, a chamada lagartixa que é muita encontrada no agreste do nosso sertão. É, normalmente, arisca, mas essa do nosso  quintal gosta de ouvir música e pousa até pra foto. Adora ser fotografada, como se vê na imagem.





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