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OS GENOCÍDIOS CONTRA O MEIO AMBIENTE E A LIBERDADE DE IMPRENSA NO PAÍS

A boiada está passando literalmente no Amazonas com a derrubada e a queima da floresta por grileiros de terras e madeireiros, com a anuência do governo federal que sucateou o Ibama e o CnBio. Em mais alguns anos as novas gerações de estudantes só vão conhecer esse bioma nas escolas através de fotografias.

Em pouco mais de dois anos de governo do capitão-presidente e do playboy do Meio Ambiente, o estrago já foi feito. É um verdadeiro genocídio que estão cometendo contra a nossa natureza e, de tabela, para o planeta. Outro genocídio, além de vidas humanas nessa pandemia, é contra a liberdade de imprensa onde o Brasil está numa classificação das piores do mundo.

CARTA À EMBAIXADA

Infelizmente, não consigo expressar coisas positivas. Os governadores enviaram uma carta à Embaixada dos Estados Unidos relatando a destruição e pedindo socorro, só que não vai resultar em muita coisa. Além dos desmatadores, temos os garimpeiros jogando mercúrio nos rios e riachos.

A Amazônia está sendo transformada numa grande pastagem de bois. O ilegal está sendo legalizado, para vender carne bovina para o exterior, enquanto aqui o pobre não pode comprar um quilo da proteína por causa do alto preço. Vai tudo para o mercado externo que rende mais lucros para os capitalistas rurais.

Em meu entendimento, a missiva deveria ter outro conteúdo bem explícito, dirigida à nação, solicitando a renúncia, ou afastamento do presidente antes que aconteça o pior, aliás já está ocorrendo. No futuro, a história não vai nos perdoar. A situação é gravíssima e não saímos das picuinhas partidárias onde cada um só está preocupado em defender sua sardinha.

Depois dos desmatamentos entram as chamas que ardem, impiedosamente, a Floresta Amazônica. O cerco foi fechado com o desmantelamento dos órgãos, e a indicação dos genocidas. Os próprios servidores denunciam que a partir de agora todos relatórios e multas contra infratores são obrigados a passar pelo crivo dos chefes que seguem a regra de “um manda e o outro obedece” do general.

Precisamos de menos blábláblá, falatórios, depoimentos, cartas e mais ação dos brasileiros e das instituições defensores do meio ambiente.  Não há mais tempo para esperar. Cada árvore derrubada e queimada é menos ar para respirar, menos animais, mais rios secos e mais índios expulsos e mortos. É a extinção de tudo que foi construído há milhões de anos.

Outro crime que nos igual à Venezuela e a outros países ditadores da América Central, da Ásia, da África e do Oriente Médio é o que está sendo perpetrado pelo atual governo federal contra a liberdade de imprensa, com ataques diretos aos jornalistas pelo capitão, com xingamentos, humilhações, palavrões de baixo calão e até com ameaças físicas.

Democracia no conceito dele é uma via de mão única onde ele dita sua ordem, suas ideias negacionistas, sua ideologia retrógrada e autoritária, seus preconceitos racistas e homofóbicos, e todos têm que obedecer. Para ele, uma ditadura é uma democracia. Ele se considera o rei monarca intocável que não pode ser contestado.

 

FOI TUDO MENTIRA E FICA O DITO PELO NÃO DITO

A Operação Lava-Jato teve um fim melancólico e vergonhoso. Teve morte prematura. A impressão que fica para a sociedade é que foi a maior farsa da história brasileira, tanto quanto o mensalão. E o judiciário, hem! Que papelão! Um bando de magistrados trapalhões! No fim, ninguém roubou, recebeu suborno, benefícios e mimos dos empresários. Num passo de mágica, os réus foram inocentados, e os juízes viraram réus. Ninguém foi corrupto ou corruptor. Fica o dito pelo não dito. Está tudo zerado.

Lembro quando tudo isso começou, e as pessoas diziam que dessa vez o Brasil ia ser passado a limpo, e que a gente ia ter um novo país. Nos passaram o conto do vigário e, praticamente, todos foram soltos, vivendo em suas mansões e tramando outras falcatruas. A Petrobrás não foi dilapidada e ninguém recebeu propinas. Os julgados e condenados agora estão livres e afirmando que dessa vez se fez justiça.

TUDO FOI UMA ESTÓRIA

A história vai contar que tudo não passou de uma estória. Os delatores foram verdadeiros artistas da imaginação fértil para criar tantos enredos escabrosos, inclusive das escutas telefônicas. Dilma não foi culpada pela compra da Refinaria de Passadina, nos Estados Unidos (ninguém foi), e Lula não fez nenhum conchavo para manter sua turma no poder. Aliás, a aquisição da empresa só gerou lucros. Foi o negócio da China!

No final de tudo, a impunidade saiu vitoriosa e merece até um troféu de honra ao mérito. Foi a maior heroína! E vamos que vamos continuar nos lambuzando na corrupção, outra que se deu bem. Tanta confusão! Tanto gasto com o nosso dinheiro para prender gente e viajar para lá e para cá de jatinho! Os ricos ficaram mais ricos, e os pobres ficaram miseráveis. A fome se alastrou por todos os recantos do país; o desemprego cresceu; a educação foi jogada no lixo; e a saúde permanece em estado terminal.

Você aí tem alguma coisa boa para nos contar? Então diga logo para nos servir de consolo, e não ficar falando que tudo é só lama. No próximo ano das eleições gerais para presidente, governadores, deputados e senadores vamos começar tudo de novo com “o nós contra eles”, ou para variar, o “eles contra nós”. Mais uma vez vamos eleger a psicopatia, o genocídio e o atraso.

Os eleitores vão para as ruas espumando de raiva com suas bandeiras brasileiras amarelo e verde berrando “PT nunca mais”, e o poço do país vai ser ainda mais fundo. Do outro lado, as bandeiras vermelhas vão tremular com seus rompantes de radicalismo e intolerância. No meio de todo esse circo macabro, os eleitores otários deixam se contaminar pela cegueira, cada um se odiando, até pai contra filho, filho contra pai e irmão contra irmão. Cada um vai votar em seu ladrão, em seu canalha para crescer mais ainda o bolo recheado da corrupção.

Os políticos já estão maquinando suas estratégias. Aliás, essas já são bem conhecidas e manjadas para a compra do voto do analfabeto, do pobre coitado que se vende por um favor qualquer. O sistema eleitoral arcaico, coronelista e retrógrado vai seguir dando as cartas. Nem direita, extrema-direita, centro e esquerda aceitam reforma. Nessa hora, todos se unem por uma causa que beneficia a todos. Vale a lei da selva, a evolução darwinista  onde somente os fortes prevalecerão.

Os três poderes fazem seus complôs, brigam, se xingam, mas suas mordomias, seus altos salários, suas verbas indenizatórias, suas benesses vão permanecer garantidos. As migalhas ficam para os súditos da ralé, com as cestas básicas e as bolsas famílias famintas.

Todos vão “defender”, de armas nas mãos, a democracia da barriga vazia, a democracia da desigualdade social, das injustiças e da fome, tanto quanto a atual pandemia, só que ela mata de forma mais lenta. Todos vão ficar contentes e agradecer, porque a ignorância nesse país está acima da razão.

Mais uma vez, estou sendo um espírito de porco e um pessimista, ou um brasileiro que não se orgulha do seu país. Basta de tanta reclamação! Tudo são mil maravilhas, principalmente quando se tem um dinheirinho no bolso para fazer aquela farrinha no bar com os amigos, com um carrinho na porta.

O Brasil vai muito bem, obrigado, e tudo que acontece ou aconteceu de ladroagem não passou de mentiras, de fake news e imaginação de maluco. O judiciário está aí para isso, inocentar os poderosos e prender os pobres desgraçados.

Fica o dito pelo não dito. Não adianta contestar, protestar e nem se espernear porque ninguém lhe ouve. Você não passa de um velho rabugento e ranzinza que fica por aí falando um monte de besteiras. Tudo continua como antes na casa de Dantes. E viva a bagunça, a desorganização, a esperteza e agora o negacionismo da idade medieval! A terra é plana, meus amigos, e só o Brasil é redondinho e liso.

BOCAGE – “AQUELE QUE VIVEU INTENSAMENTE”

A Abril Educação, em “Literatura Comentada”, numa seleção de textos biográficos e históricos de Marisa Lajolo e Ricardo Maranhão, desnuda a vida do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage, falecido em 1805, que ficou conhecido como um desbocado de boa vida, fazendo o povo sofrido rir, mas que rompeu com as tradições ao falar a verdade, mesmo numa época onde era preciso agradar aos poderosos e seguir as regras clássicas acadêmicas.

Um jornal de Lisboa, de 22/12/1805, noticiou o falecimento de Bocage com 40 anos de idade, vítima de um provável aneurisma. Diz a nota que nos últimos anos ele vivia em companhia de sua irmã Maria Francisca e uma filha desta, sustentando ambos com traduções de livros didáticos.

Ex-membro da Armada Real Portuguesa, Bocage esteve na Índia, viajando num navio que fez escala no Brasil. Ele prestou serviços à Coroa nas colônias ultramarinas de Goa e Damão, dirigindo-se depois para Macau à revelia de seus superiores. Em sua vida, sempre foi um rebelde e debochado.

No retorno a Lisboa publicou suas primeiras poesias com o título de “Rimas”. Diante do sucesso, foi convidado a ingressar na Academia de Belas-Artes onde adotou o pseudônimo de Elmano Sadino. De temperamento forte e violento logo se desentendeu com vários poetas da Academia, desligando-se da agremiação. Foi acusado de heresia e perseguido, julgado e preso por algum tempo.

Ao recuperar a liberdade, segundo o jornal, com a promessa de converter-se, o poeta abandonou sua antiga boemia, vivendo o resto de sua vida como homem exemplar. A Abril Educação simulou uma entrevista como furo de reportagem, indagando se lá embaixo você é considerado um grande boa-vida, desbocado e briguento. Será que você não pode se apresentar aos nossos leitores de um jeito mais descontraído?

Bocage responde que “posso sim…Ponha aí então: Aqui dorme Bocage, o putanheiro/Passou a vida folgada e milagrosa/Comeu, bebeu”. O poeta nasceu em 15 de setembro de 1765, em Setúbal, Portugal. Em 1781 foge de casa e assenta praça como soldado, no Regimento de Infantaria, em Setúbal. Em 1783 muda-se para Lisboa e engaja-se na Armada Real Portuguesa.

O poeta foi autor de piadas e poemas pornográficos, sempre censurado e proibido, com ampla circulação clandestina. Escreveu versos desenxabidos e convencionais, cheios de alusões mitológicas e paisagens bucólicas? Ou foi o poeta que rompeu com o arcadismo, mergulhado em si mesmo que fez poemas de morte, amor e sofrimento? Ou o satírico irreverente que ironizou a sociedade e funcionários corruptos? Sabe-se, de acordo com a crítica, que ele é o avesso do Bocage popular. Para os mestres, foi um poeta sublime, herdeiro direto do soneto camoniano. A fama de boêmio e a tradição da poesia erótica só fizeram lhe comprometer.

Para outros que não dão ouvidos a professores, Bocage é uma espécie de mito. É quase uma metáfora: “Seu nome acoberta tudo o que de pornografia e libertinagens corre por aí”. Comentam os críticos da literatura que a censura portuguesa deste Bocage é paralela à tradição crítica, que considera qualquer obra satírica inferior a qualquer lírica.

A biografia do poeta apresenta um Bocage pecador arrependido, contrito e confesso no final da vida, reconciliado com Deus e com os homens. “Este Bocage oficial, portanto, é um poeta cuja trajetória de vida é exemplar, do ponto de vista de uma sociedade moralista e repressora, que encara prisão, doença, miséria e morte como castigo justo de uma vida violenta e inconformada”.

Boa parte da poesia de Bocage, conforme comentários dos autores da sua biografia e história, é composta de longos poemas circunstanciais e desinteressantes, que celebram acontecimentos do seu tempo, como as poesias dedicadas ao nascimento da rainha Maria Teresa, filha de D. João e Carlota Joaquina, ou os versos que choram a morte de um cidadão importante, como D. José, em 1777 (ele assumiu o torno em 1750, tendo como Secretário do Estado, o marquês de Pombal).

Em muitas vezes, o poeta se autocondena, falando de seus poemas como incultas produções da mocidade/Escritos pela mão do fingimento/Cantados pela voz da Dependência. Em “Já Bocage não sou… no final o poeta renega, aparentemente, todo seu passado de boemia e irreverência e se faz defensor de valores tradicionais e cristãos, quando diz “Se me creste, gente ímpia…/Rasga os meus versos…Crê na Eternidade”

A obra de Bocage é fruto de uma Academia douta e esnobe a exigir frieza de composição. No entanto, fora da Arcádia, no calor das ruas, o clima era propício para denúncias da hipocrisia social, da corrupção e da politicagem. Temas que não apareciam nas normas conservadoras do Arcadismo.

Fora dela, existiam os ecos da Revolução Francesa e a ascensão da burguesia. A poesia se transforma em mercadoria, e precisava agradar ao público que a pagava. “Fruto de tudo isso… é a poesia censurada de Bocage, irrompendo de improviso em botequins e estalagens”. “Era preciso falar a verdade”. “Era preciso voltar-se para o homem”

“CALANGO VAI, CALANGO VEM”

O bicho calango é parente da lagartixa; parece com o camaleão e tem jeito de um mini jacaré terrestre. Sabe-se que ele é catingueiro, arisco e roda o mundão da terra árida à procura de alimento. Talvez por isso lembre aquela cantiga, ou verso “Calango vai, Calango vem” por circular em várias partes. Aqui em Vitória da Conquista, José Barbosa dos Santos, de 60 anos, capixaba, mas da terra do frio, é mais conhecido como “Calango”, e pode ser encontrado em várias partes da cidade, com suas sacolas vendendo os mais variados objetos inusitados, como óculos que não quebram, canivetes, lamparinas, tesouras, utilidades domésticas, gravadores e tudo mais que você pensar. Foi o primeiro vendedor ambulante móvel de Conquista, e há 49 anos que trabalha nesse ramo. Em sua atividade, já criou e formou quatro filhos, e se diz incansável na luta. Só parou um pouco uns meses quando começou a pandemia no início do ano passado. Seu apelido de “Calango” foi bem apropriado, porque o “bicho” também gira toda a cidade e é insistente quando se trata de ganhar uma grana para manter o seu sustento e o da sua família. Quem por essa terra não conhece “Calango”? Ele pode ser visto todos os dias nos arredores da Praça Barão do Rio Branco, nas filas dos bancos e em bares e restaurantes. É o “bicho” sertanejo andador que nunca desiste do cliente. A esta altura, ele é mais conquistense que capixaba. “Calango vai, Calango vem”, e lá vai ele com suas bugigangas nas sacolas, nos bolsos e nas capangas. Pode-se dizer que  “Calango” já é um patrimônio de Vitória da Conquista

NEM SEI SE SOU…

Versos do jornalista e escritor Jeremias Macário, que fazem parte do seu último livro “ANDANÇAS”.

Meu amigo camarada,

Desculpe meu jeito serial,

Assim fui criado e feito,

Numa couraça de crença,

De um sistema desigual.

 

O tempo é uma cilada,

Entre o amor e a dor,

Nem sei se sei, se sou,

Como um quase nada,

Ou um pouco de cada.

 

A morte só é uma graça,

Quando vira uma piada,

Em conversa na praça,

Mas passa sem dar risada,

Com sua sentença marcada.

 

Nem sei se assim sou,

Um pavio do candeeiro,

Na face de um escravo e patrão,

Como lobo, e um cordeiro,

Vigilante errante de plantão.

 

Nada que reluz me conduz;

Faço destinos em pedaços,

De fios de algodão e de aços,

Ora sou laço nos espaços,

Ora sou simples traços.

 

Nem sei se sou encanto,

Alegria, lamento e pranto,

Em alguma parte desse canto,

Que mais parece um conto,

De encontro e desencontro.

 

Uma hora penso ser corda,

Grossa de sisal, ou de viola,

Outra hora, sou uma estola;

Procuro quem me consola,

E a dura realidade me acorda.

 

Nem sei se sou criatura,

Como diz a benta Escritura,

Nessa eterna via de procura,

De caminhos de aventura,

Cheios de ódio e de ternura.

 

Nem sei aqui qual meu papel,

Se é de cortina, ou de véu,

E assim vou indo ao léu,

Como a semente ao vento,

Do nascente ao sol poente.

 

 

 

 

 

MAIS UMA CPI DO FIM DO MUNDO

VITÓRIA DA CONQUISTA SE TORNOU UM PONTO FORA DA CURVA NA BAHIA NA QUESTÃO DO COMBATE Á PANDEMIA. O PODER PÚBLICO PREFERIU CONTRARIAR O DECRETO DO GOVERNO DO ESTADO; BATER DE FRENTE E FLEXIBILIZAR AS MEDIDAS. É UMA VERGONHA!

Quanto ao título acima, com minha idade e experiência jornalística de anos, confesso que já vi este filme. A grande maioria das CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) sempre terminou em lambanças, gatunagens e até em subornos para não convocar elementos envolvidos na questão proposta pela investigação.

Oxalá não se torne mais uma do fim do mundo, pois já começou errada no que tange à sua finalidade que era exclusivamente apurar negligências cometidas pelo governo federal (Ministério da Saúde, presidente e outros órgãos da saúde) no combate à pandemia da Covid-19, principalmente o caso de Manaus, no Amazonas.

GOVERNADORES E PREFEITOS

No puxa, encói do bate-boca entre os políticos e até nas ameaças do capitão-presidente contra o Supremo Tribunal Federal, ela foi esticada para atingir também governadores e prefeitos no tocante à utilização de recursos federais. Por aí se vê que já começou errada, e tem tudo para ser o fim do mundo, sem prazo para terminar. Talvez até a pandemia se acabe antes dela.

Que me lembre e saiba, nunca vi um acusado nas investigações ir para a cadeia. Os processos sempre terminam engavetados na Justiça. Se o Congresso Nacional tivesse coragem, e não estivesse tão comprometido, como sempre esteve, deveria sim, abrir um entre os mais de 60 pedidos de impeachment contra o capitão, que já cometeu tantas barbaridades, como nenhum outro na história do Brasil.

Vamos ver e ouvir muitos xingamentos. A tropa palaciana, com certeza, vai procurar tumultuar as discussões; emperrar requerimentos; e atentar contra a nossa frágil democracia que vive aos troncos e barrancos. A bola da vez é o general ex-ministro da Saúde que falou de alto e bom tom que “um manda e o outro obedece”.

Na verdade, as mazelas e os absurdos cometidos que terminaram por agravar a crítica situação de milhares de mortes em Manaus por falta de oxigênio, com o envio de um carregamento de cloroquina, vão respingar na farda do general. No entanto, no fim não vai dar em nada. O chefe que mandou fazer as besteiras vai ficar incólume. Acho que a maioria não está acreditando nessa CPI do fim do mundo.

Com tantas trapalhadas, o Brasil está sendo peça de galhofas no exterior, como ocorreu no parlamento francês nesta semana. Quando o ministro francês falou do receituário do Bozó com relação ao uso da cloroquina no tratamento da Covid-19, os deputados caíram nas gargalhadas.

O ministro precisou pedir mais compostura para não melindrar a terrível diplomacia brasileiro, que se isolou do resto do mundo. Ninguém quer receber mais brasileiro em seu país por temer a contaminação. As mortes aqui em nosso país estão num ritmo acelerado, e cientistas já estimam que podemos atingir a triste cifra macabra de 500 mil até o final do ano, ou até mais, Isso é um genocídio coletivo.

CONQUISTA NA CONTRAMÃO DO COMBATE À PANDEMIA DA COVID-19

A Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista escancarou mesmo na flexibilização das tímidas medidas impostas na Bahia pelo Governo do Estado, colocando os interesses do comércio lojista acima da vida. A impressão que temos é que uma média de mortes de duas a três pessoas por dia é muito pouco para o poder público, que prefere seguir pelo caminho da desobediência civil do decreto estadual, pela contramão do combate à pandemia.

É essa bagunça e a falta de alinhamento que têm deixado a população ainda mais psicologicamente ansiosa, estressada e depressiva diante dessa tragédia que se abateu sobre o Brasil, o maior do mundo em mortes diárias. No caso específico de Vitória da Conquista, quase 400 pessoas já perderam suas vidas, a maioria de pobres dos bairros mais periféricos.

NÃO CONVENCEM

As justificativas de alteração do toque de recolher, das 22 horas para às 5 horas da manhã, a abertura de todos estabelecimentos aos sábados e a liberação de bebidas nos bares e restaurantes anunciadas pelo porta-voz oficial da prefeita não convencem, quando os hospitais do SUS que atendem Covid-19 estão com suas capacidades de leitos de UTI acima dos 90%.

Esse “comitê gestor de crise” continua insistindo em apontar só os números de conquistenses que estão doentes nas unidades de saúde, sem citar os pacientes da região, como se eles não existissem. Conquista não tem nenhum hospital municipal que atende Covid, a não ser o Esaú Mattos que é uma maternidade.

Todas as outras três unidades de saúde são públicas que atendem pelo SUS, e é justo que recebam também gente de fora. A economia de Conquista depende dos municípios em torno dela para sobreviver. São cerca de 80 e mais de 20 mil pessoas que estão aqui todos os dias movimentando o comércio e outros setores, inclusive da educação e da construção civil.

Sobre esse relaxamento das medidas, a TV Sudoeste apenas entrevistou o presidente da CDL, e é claro que ele apoia. Não existe um especialista no assunto para dar outro parecer? Afinal de contas, são os comerciários que ficam na linha de frente nos quadrados apertados em contato direto com os clientes.

A única coisa que a Prefeitura de Conquista tem feito é contrariar os decretos do governo estadual. Não se move para estabelecer algumas políticas públicas para ajudar aos mais necessitados, como vem fazendo vários municípios pelo brasil a fora.

A Prefeitura fala que os bares não podem vender bebidas em pé e nem realizar ajuntamentos com shows musicais. Acontece que não existem fiscais suficientes para controlar os descumprimentos dos protocolos. Será que vamos ter uma nova Amazonas ou um novo Manaus aqui em nossa casa?

Outra questão preocupante é quanto as feiras da Ceasa (Juracy Magalhães e centro) e da Feirinha, no Bairro Brasil. Além das sujeiras que se tem visto, não existe um distanciamento entre as barracas, e nos finais de semana a aglomeração corre solta como se estivéssemos vivendo em tempos normais.

Confesso que sempre frequentava a Feirinha aos domingos para fazer minhas compras devido aos preços dos produtos serem mais acessíveis, mas a última vez em que estive lá (há quase um ano) fiquei assustado com as aglomerações. Por precaução, deixei de ir à popular Feirinha.

Não me consta que exista alguma normatização de distanciamento, ou a Prefeitura tenha feito, pelo menos, alguma limpeza de desinfecção nesses locais. A única ação desse poder público é flexibilizar tudo e não fazer nada para combater essa pandemia.

É justamente dos moradores da zona oeste, nos bairros mais periféricos e pobres, que tem saído a maioria dos caixões da Covid, mas ninguém importa com isso, e nem conhece as famílias enlutadas que perderam seus entes queridos. O negócio é só lucrar e ganhar mais dinheiro, enquanto o fantasma da fome perambula pelas ruas pedindo um prato de comida, pelo amor de Deus.

 

ESTÁ DIFÍCIL SER OTIMISTA NO BRASIL

Matam a pandemia da Covid-19, a fome e a violência, cada vez mais aterrorizando com seus crimes brutais e hediondos. O cara lá de cima só pensa em armar a população e tramar a favor de uma intervenção militar, com seus generais no poder a manchar suas fardas de sangue.

A esta altura de 2021, ainda no início do segundo trimestre, já tem gente por aí com saudades de 2020, e olha que só ouvimos que tudo vai melhorar, que tudo vai passar, mas quando? Ainda está em meu ouvido o Feliz Ano Novo. Nesse ritmo de tantas mazelas, está muito difícil ser otimista no Brasil.

O povo já vive desesperado, angustiado, estressado e desesperançoso. O medo está nos vencendo. No dia a dia só notícias ruins com aumentos nos preços dos combustíveis, dos alimentos e até da água e da luz. A pandemia avança, enquanto a vacinação vai a passos de caranguejo.

Nosso país, com um desajustado no poder que só faz confundir e desconstruir, não é mais aquela magia turística atraente. Os investidores passam por fora e somos vistos como trogloditas negacionistas da ciência que ainda acreditam que a terra é plana e que a pulga vem da areia.

Temos hoje uma nação que caminha de cabeça baixa, sem saber até quando pode suportar tanta humilhação, descontrole e desorganização. A curto prazo, ou talvez a médio, não enxergamos um Brasil que pode emergir desse buraco que, cada vez, fica mais profundo.

Tudo isso faz bater um desânimo e uma incerteza quanto ao nosso destino. Nesse rumo, tudo pode acontecer de pior. Com evangélicos no poder, caímos no radicalismo, no fundamentalismo e no retrocesso. Até o nosso meio ambiente está sendo vítima das atrocidades.

Gostaria muito de fazer um texto positivo e otimista, mas seria falso dizer que as coisas logo vão mudar para melhor. Vamos ter que esperar por mais tempo. Uma grande parcela da nossa gente ficou cega, muda e surda. Não reagimos, e quem contesta contra os absurdos e as barbaridades que estão ocorrendo, são perseguidos e até ameaçados de morte, como cientistas, intelectuais e políticos mais sérios.

Quando vamos acordar para essa triste realidade? Não se trata agora de questão partidária entre lulistas, direitistas, centristas e esquerdistas. Trata-se de uma nação que está sendo levada para o abismo e que precisa de união para que ela mude de direção. Chega de tanto ódio e intolerância! Nosso povo está entrando numa profunda depressão. Está difícil ser otimista!

“VIDA E MORTE DE M. J. GONZAGA DE SÁ”

Dizem os críticos literários que “Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá” foi a melhor obra do escritor Lima Barreto, embora o público em geral sempre comenta e aponta “Triste Fim de Policarpo Quaresma” onde ele fala dos costumes da sociedade da época, com suas trambicagens e velhacarias. inclusive com personagens ciganas.

Em “Literatura Comentada”, da Abril Educação, Antônio Arnoni Prado destaca que neste livro o narrador Augusto Machado traça um esboço biográfico de seu dileto amigo Gonzaga de Sá, um velho bacharel em Letras, solteirão e voltairiano, religioso sem deixar de ser cético e maníaco por balões.

Na narrativa de Augusto, o autor vai alternando o relato biográfico com suas próprias reflexões sobre a vida e os homens. O tom é cheio de ternura pelo amigo, morto quando se abaixava para colher uma flor, numa tarde que ele e o narrador se encontraram no Passeio Público.

Entre os escritos do amigo falecido, Augusto encontra, numa página perdida de papel o que considera ser a teoria filosófica de Gonzaga, com a ideia de que só o acaso decide sobre a sorte das coisas. O texto de Gonzaga se refere ao inventor de uma máquina de voar que passa anos e anos montando seu engenho e se decepciona no momento de fazer o aparelho subir. Por um acaso, a máquina não sai do chão.

Gonzaga era ele mesmo um homem sem ilusões, frio e espirituoso. Evitou doutorar-se para fugir das hipocrisias das solenidades. Contentou-se em não ir além de mero funcionário da Secretaria dos Cultos, com intuito de sobrar mais tempo para estudar. Tinha uma verdadeira febre de conhecimento.

Através de árduas pesquisas, ele cultivava uma visão crítica de seu tempo, lendo tudo o que caia nas mãos. Para tanto, evitou o casamento e se afastou das obrigações mundanas.

Augusto vai recolhendo as impressões críticas de Gonzaga, um anônimo das ruas do Rio de Janeiro. Para Gonzaga, de acordo com a narrativa, havia muitas coisas erradas na nossa terra, como a insuficiência nas artes do desenho até a nossa estúpida mania da aristocracia, o preconceito em relação aos negros, o elitismo e a injustificada idolatria pelo “doutor”.

Gonzaga se orgulhava de fazer parte do povo mais humilde que se formou em nossa terra, e detestava a gente de Petrópolis. “Eu sou Sá, sou o Rio de Janeiro, com seus tamoios, seus negros, seus mulatos, seus cafuzos e seus “galegos” também”. Passava os momentos de folga andando no meio do povo, perambulando pelos bairros populares distantes. Havia nele uma certa nostalgia do passado, uma espécie de busca do espaço perdido da infância e dos tempos felizes de moço. Ele é o primeiro a apontar a causa social na modernização arquitetônica do Rio de Janeiro. Sente no começo do século o isolamento entre os bairros e o distanciamento entre ricos e pobres.

Quanto a este assunto, é um cético que se apieda pelos indivíduos. Um cético que tem opiniões práticas acerca do Barão Rio Branco que havia transformado o Rio em uma chicana particular, distribuindo o dinheiro do Tesouro como bem entendia.

De acordo com o narrador, Gonzaga deplorava a comercialização da cultura, a linguagem descuidada dos jornais e os falsos intelectuais reformadores, que só sabiam mostrar o radicalismo de suas convicções nas mesas de cafés. Sua consciência da realidade se agravava diante da miséria e do analfabetismo daqueles que eram explorados e “viviam sob o aguilhão dos deveres”.

Gradativamente, ele vai se resignando, encolhendo-se diante da opressão e da injustiça. Começa a achar que a única saída para os oprimidos estava na morte. “A morte tem sido útil… toda civilização resultou da morte”, cultivando a ideia de que o intelectual não deve, com suas teses, conspurcar a pureza dos ingênuos. Admitia que só o sofrimento engrandecia o homem.

O narrador Augusto Machado, como que pressentindo a morte do amigo  Gonzaga, experimenta a tristeza de sua ausência, aproveitando ao máximo os últimos momentos de convivência e refletindo sobre o sentido da vida.

O BRASIL VIVE UM GENOCÍDIO E PRECISA DE AJUDA HUMANITÁRIA INTERNACIONAL

É preciso que se tenha a coragem de dizer, e não é nenhum exagero, que está havendo um genocídio no Brasil pelo descaso no combate à pandemia da Covid-19. Diante do atual quadro aterrador de mortandade em massa, o país precisa com urgência de uma ajuda humanitária internacional.

A história se repete, como ocorreu e ainda ocorre com as guerras e a fome em diversos países do continente africano onde as nações ricas e poderosas fazem de conta que nada está acontecendo. Pela primeira vez, o país está registrando maior número de óbitos que nascimentos. Tem 2,7% da população mundial, e acusou 27% de todas as mortes. É um disparate.

André Cairo faz o seu protesto num apelo aos governadores e prefeitos em defesa da vida. Seu cartaz já diz tudo. O povo necessita de ajuda humanitária.

A COVID E A FOME

Os brasileiros não merecem ser julgados e sentenciados ao cadafalso da morte porque têm um governo que, ao invés de unir esforços com governadores e prefeitos para combater o mal, só tem praticado desagregação; subestimado a doença como “gripezinha”; se posicionado contra os protocolos de isolamento; incentivado aglomerações; e adotado uma diplomacia ideológica externa desastrosa que emperrou a compra de vacinas.

Os dados estatísticos e os fatos não negam, a começar pelo número diário de mortes, o maior do mundo, com recordes acima de quatro mil, sem contar o colapso nos hospitais e os milhares de casos de vidas perdidas por falta de insumos e vagas nos leitos de UTI. Do outro lado, a vacinação é lenta, e agora se agrava com a escassez de doses, o que indica que o quadro tende a se agravar, como prevê os cientistas.

Como se não bastasse, num momento de mais de 14 milhões de desempregados, a Covid fez escancarar a peste da fome que também está deixando uma multidão debilitada de barriga vazia e morrendo aos poucos por falta de comida nas geladeiras e nas panelas. É um quadro aterrador que está a carecer de uma ajuda humanitária internacional porque as doações e o parco auxílio emergencial não estão dando conta da demanda.

O problema não está apenas restrito ao Brasil, mas afeta também os outros países, principalmente os nossos vizinhos da América do Sul. Portanto, é uma questão mundial. Os cientistas brasileiros estão sendo amordaçados por suas posições de alerta, e até as instituições, das quais fazem parte, chegam a sofrer cortes de verbas para desenvolver seus trabalhos.

O último mês de março foi tenebroso e o mais letal depois de um ano que o coronavírus aterrissou em nossa terra e encontrou um campo fértil. Os infectologistas fazem um prognóstico ainda mais terrível para abril, podendo chegar a mais de cinco mil mortes por dia. Até agora, mais de 345 mil pessoas perderam suas vidas, deixando famílias destroçadas para sempre.

Sem vacinas suficientes (somente pouco mais de 10% de uma população superior a 230 milhões de habitantes receberam a primeira dose) para imunizar o povo, o Brasil foi emboscado pelo vírus numa encruzilhada da morte. A nação brasileira não pode ser punida por uma diplomacia desastrosa de um governo negacionista que criou atritos com laboratórios e países fabricantes de matérias-primas para as vacinas.

Existe um conjunto de fatores negativos que transformaram nosso país num cenário de genocídio, como numa guerra onde o inimigo invisível só faz avançar porque encontrou aqui um “exército” desorganizado, bagunçado, sem liderança no comando e sem as armas avançadas para neutralizar o exterminador.

As aglomerações nas portas dos bancos são verdadeiros convites à Covid-19 que só faz elevar o número de mortes em mais de quatro mil por dia no país. Aonde vamos parar? 

Aqui mesmo em Vitória da Conquista temos os reflexos disso com uma prefeitura que está mais preocupada com o movimento do comércio lojista do que com a vida, e vem rebatendo as medidas restritivas do Governo do Estado. Tem sido inerte com relação a iniciativas próprias que outros municípios vêm tomando nas áreas política e social. Com quase 400 mortes, a cidade registra hoje uma média de três óbitos por dia, o que é um número bastante alto.





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