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A PANDEMIA JORNALÍSTICA E O MEIO AMBIENTE NUM PLANETA DESGASTADO

O OUTRO LADO DA HISTÓRIA DE UMA DESPOLUIÇÃO FORÇADA DA NATUREZA

Não há dúvida de que a situação da propagação do coronavírus, o Covid-19, no planeta já desgastado por doenças e desastres da natureza, provocados pela intervenção predatória humana, é muita séria e requer cuidados. No entanto, houve, desde o início, uma pandemia no noticiário jornalístico que criou pânico e histeria na população, com informações desencontradas e muitas outras que nem foram esclarecidas.

Na história da humanidade já ocorreram várias pandemias de vírus, pestes e doenças, como a bubônica no século XVIII e a gripe espanhola, em 1918, mas esta é devastadora e está fazendo a terra parar, como na música “No Dia Em Que a Terra Parou”, do místico compositor baiano Raul Seixas. A mídia tem o papel de fazer sua parte na divulgação, mas não sensacionalismo exagerados, na grande maioria, matérias demasiadamente repetitivas ao longo do dia.

As medidas de confinamentos e os decretos, muitos dos quais desastrosos, de fechamento de repartições, portos, aeroportos, rodoviárias, serviços de alimentação (bares e restaurantes), hotéis e de outras atividades batem em cadeias em nossas portas, e não se sabe aonde vamos chegar nos próximos dias. Por que não cancelaram o carnaval? Hipocrisia e falta de moral! A maioria individualista só pensa em abastecer suas dispensas. Tudo parece um apocalipse de final de mundo.

O MEIO AMBIENTE AGRADECE

De forma desordenada e abrupta, prefeitos e governadores tomam suas posições de fechamento de suas fronteiras e criam as mais diversas barreiras. Nessa histeria de paralisações, multidões, até poucos dias como formigueiros, estão deixando de circular e, consequentemente, emitindo menos gases tóxicos poluidores no ar, causando menos impacto ao meio ambiente, o maior beneficiário nessa catástrofe.

Nesse momento tão difícil, muita gente pode até achar irônica esta reflexão, mas o meio ambiente agradece em não estar recebendo tantas sujeiras, plásticos e outros bagulhos advindos do consumismo supérfluo. O certo é que está havendo uma despoluição forçada do planeta, com milhões de pessoas fora de circulação.

Esse é o outro lado da história, hoje focada quase que cem por cento no coronavírus, num país em desespero e sem estruturas para combater, controlar e atender às pessoas contaminadas. Sem recursos suficientes para testar e hospitalizar o contingente que cresce de infectados, os pobres, principalmente os idosos, serão as maiores vítimas dessa pandemia, como sempre acontece em ocasiões de tragédias e até mesmo através do aquecimento global. Vão confinar os idosos em campos de concentração?

Até quando a economia brasileira, já fragilizada, vai aguentar esse tranco de fechar os meios de produção e serviços? Como vai se sustentar com a abrupta queda na arrecadação, inclusive diante da necessidade premente de acudir a saúde com volumosos recursos? Não se sabe o que pode ocorrer nos próximos dias e até meses, como se comenta.

Como cidadão comum, queria aproveitar a oportunidade para fazer algumas considerações e indagações, e também expressar minha revolta com a atitude criminosa do capitão-presidente, que virou um simples fantoche no Quartel General do Planalto. Mesmo suspeito, num gesto irresponsável, se misturou aos seus amarelinhos correligionários (convocados por ele) na frente do Planalto.

Não dá para entender como ele foi o único a acusar negativo no teste do Covid-19 entre a comitiva infectada quando retornou dos Estados Unidos. Não se sabe muito bem os motivos dessa viagem à terra do Tio Sam (a mídia não explicou), quando o vírus já havia se alastrado na maioria dos países. Como um presidente diz ser um problema só dele em estar, ou não com o vírus? Em resposta, recebeu os panelaços da mesma classe que bateu para Dilma Rousselff.

MANIPULAÇÃO CIENTÍFICA?

Todos sabem que o coronavírus começou na China, mas até hoje não explicaram a sua verdadeira origem. Pode ter sido resultado de uma manipulação, ou experimento científico num laboratório onde alguma coisa deu errada e o “bicho” ganhou mundo através do pesquisador? Como ele surgiu? Ainda é um mistério a ser desvendado, mas a mídia não investiga esse outro lado. A verdade é que, por muito tempo, o governo chinês escondeu sua existência.

Por que até agora nada se fala da sua possível propagação nos países africanos? Essas nações não foram atingidas? Quanto à nossa realidade de país pobre e doente, não se vê mais notícias sobre os avanços da dengue, da chicunkuhya, da zica e de outras enfermidades. Não se mostra mais a precariedade dos hospitais públicos, e se algum deles está fazendo tratamento de algum doente da Covid-19. Os ricos e poderosos estão indo para o Sírio Libanês e para os particulares.

Todos os dias se vê, incansavelmente, as imagens televisivas (muitas distorcidas) de máscaras e o lavar de mãos com álcool e gel. Depois do lavar de mãos com todo aquele ritual, as pessoas não pegam mais em nada? Ficam imóveis? Qual a validade de tempo do produto para evitar a infecção. Vamos ter que passar o dia todo lavando as mãos? E o tempo de uso da máscara? Os governos vão ter que desinfetar, diariamente, todas as cidades brasileiras, o que é impossível.

Álcool e gel são as palavras mais usadas nessa avalanche de reportagens, e aí os oportunistas gananciosos desgraçados (acham que nunca vão morrer) aproveitam para estocar o produto e aumentar, assustadoramente, os preços para 30 e até 50 reais, inclusive numa máscara que custava cerca de cinco reais por unidade nas farmácias.

Infelizmente, a pandemia também serve para mostrar o lado cultural do colonizador nos termos estrangeirados, quando se podia muito bem se expressar em português, como o tal trabalho em casa, ao invés do “home office”, como se fosse mais elegante. Renegamos a nossa cultura para incorporar a do colonizador, e tome termos inglesados.

 

 

NOS TEMPOS DE MOLEQUE

Escrafunchando em meu baú de fotos (muitas foram perdidas), me deparei com a imagem da Praça Getúlio Vargas, da minha querida Piritiba, na Bahia, Piemonte da Chapada Diamantina, lá pelas bandas de Miguel Calmon e Morro do Chapéu. Bateu em meu peito a  saudade dos tempos de moleque, quando nessa área, ainda em terra batida, jogava futebol com outros meninos da cidade. Era uma zoeira só quando a bola caia no único bar da praça, e o dono esbravejava que ia furar nossa redonda. Foi nesse lugar onde aprendi os primeiros dribles e a dominar a danada que tanto engana muitos jogadores pernas de pau nos tempos atuais. Tudo era escondido do meu pai que detestava quem jogava futebol. Passávamos um bom tempo naquela peleja de defender e levar a bola até o gol adversário, marcado com algumas pedras e chinelos. Foto divulgação, da Prefeitura Municipal. Pronto: matei a saudade dos tempos de menino que não voltam mais, mas ficou dentro de mim a poesia da infância.

SERRA DO PERIPERI

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário onde retrata a depredação praticada pelos homens contra a Serra do Periperi, em Vitória da Conquista, a qual já foi uma floresta, quando, em torno dela, habitavam os índios nativos. Um louvor ao Cristo, às nações índias e às suas belezas naturais muito tempo antes da exploração predatória.

Deus salve os Mongoiós,

filhos das flechas Camacans,

guerreiros da nação Pataxós,

irmãos dos ferozes Imborés,

com seus disfarces em caracóis,

que levantam no cedo das manhãs,

para ouvir o conselho dos pajés!

 

El Rei mandou soldados bravos,

Guimarães e o capitão Gonçalves,

que na busca do ouro das matas,

fizeram dos índios seus escravos,

num massacre chamado Batalha,

onde correu sangue nas cascatas,

deixando a tribo toda humilhada.

 

Rasgaram trilhas os bandeirantes,

no pulo da onça braba Jaguatirica,

entre o Pau d’arco e a Sucupira,

onde fecunda uma Serra rica,

de fauna e flora que inspira,

a descrição do Príncipe ao sentir,

verdejante floresta do Periperi,

com tantos salves aos habitantes!

 

Desse vasto manto bento protetor,

de cores do Cardeal e de Bem-te-vi,

espiando a abelha fazer sua festa,

entre Angicos e o vôo do Jabuti,

só ficou o Poço Escuro como flor,

de bromélia e outra que ainda resta,

e um olho d´água que virou fiapo,

numa Serra toda rasgada em trapo.

 

O branco com seu pó envenenou,

os irmãos da lua, da terra e do sol;

secou o coração do nativo de dor,

na Pedra do Conselho dos Senhores,

onde cantava o Sabiá e o Rouxinol,

desde Jibóia ao Arraial da Conquista,

cidade que foi chamada das flores,

e inspiração para o Cristo do artista.

 

Máquinas lambem todo o chão;

cortam a Serra norte-sul do sertão,

e todas as raças brancas crioulas,

se esparramam como folhas,

no explorado chão de miséria,

que se vale de cascalhos e areias,

extraindo da flora toda a matéria,

até as últimas raízes de suas veias.

 

Brotam torres com suas propostas,

entre a fumaça de fazer asfalto;

e nos zincos das suas encostas,

o pobre do lixo cata comida e aço,

num pôr-do-sol ainda rajado,

no Cristo de Cravo crucificado,

perdoando os homens de cobalto,

que tiraram da Serra seu espinhaço.

 

O filho da Serra lá nas alturas,

esculpiu solitário suas esculturas;

foi o poeta do metal e da  imagem;

sonhou e morreu sem homenagem,

dos mortais idólatras dos materiais,

que só pensam nos prazeres carnais,

ainda fazendo ao Periperi todo mal,

mesmo com o tal Parque Municipal.

 

 

 

CÂMARA HOMENAGEIA AS MULHERES

Fotos do jornalista Jeremias Macário. Pronunciamento da vereadora Lúcia Rocha

Numa sessão especial bastante concorrida, a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista homenageou, ontem, (dia 11/03), o Dia Internacional da Mulher que aconteceu no último domingo (dia 08/03).

A vereadora Lúcia Rocha foi a autora da indicação em homenagem às mulheres e falou das conquistas do gênero feminino nos últimos anos, apesar de ainda se ter muito a avançar no âmbito político, trabalhista, econômico e social, numa sociedade ainda com a cara patriarcalista.

Em seu pronunciamento, Lúcia Rocha discorreu sobre sua trajetória de vida como mulher desde os anos 80, culminando com sua eleição para assumir uma cadeira no legislativo conquistense em 1992 onde permanece até hoje como parlamentar atuante.

Citou o nome de várias mulheres que galgaram seus espaços antes ocupados pelos homens, destacando a luta de Loreta Valadares que combateu a ditadura civil-militar de 1964 e sofreu torturas por defender a liberdade de expressão.

Os trabalhos foram abertos pelo presidente da Casa, Luciano Gomes, que passou o comando das atividades para sua colega Viviane Sampaio. Após a formação da mesa, composta por representantes de entidades das mulheres conquistenses, houve a apresentação do Coral de Libras que entoou várias músicas e foi bastante aplaudido pela plateia.

Os discursos, como já era esperado, foram focados na questão da violência contra as mulheres, que ainda persiste nos tempos atuais e do aumento de feminicídios registrados em Conquista, na Bahia e no Brasil durante o ano passado.

Na oportunidade, foi elogiado o trabalho da “Ronda Maria da Penha” em proteção às vítimas de espancamentos, principalmente por parte de seus companheiros. Foram denunciados também os abusos sexuais, inclusive contra menores, sofridos pelas mulheres e crianças.

A sessão especial, que acontece todos os anos, não se resumiu a homenagens, mas foi também uma forma de mobilização visando o reconhecimento da força da mulher na sociedade atual.

CAMINHADA DO BODE PELO AGRESTE NORDESTINO

Carlos González – jornalista

Livre do rebaixamento para a série B do Campeonato Baiano de 2021, o Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista, com a vitória no domingo diante do Fluminense de Feira de Santana, soma 7 pontos ganhos, com chances remotas de vir a disputar as semifinais do torneio deste ano. Mandando as suas partidas num estádio que não oferece o mínimo conforto à população da terceira cidade do estado, onde as condições climáticas, na maior parte do ano, são instáveis, o time conquistense foi incentivado em casa, nas três primeiras apresentações no Baianão, por apenas 3.413 torcedores, que deixaram nas bilheterias R$ 57.800, ficando o Conquista com R$ 4.924,02.

Contando unicamente com a ajuda financeira dos patrocinadores – o clube, acredito, ainda não foi buscar o apoio da Havan, que tem colaborado com o esporte nas cidades onde instalou suas lojas – e dos sócios, o Vitória da Conquista vai ficar por dois meses longe de sua torcida. O tempo vai permitir que a Comissão Técnica aprimore o elenco que vai disputar a série D do Campeonato Brasileiro, a partir de 23 de maio. A Prefeitura deve também aproveitar esse período para melhorar as instalações do estádio Lomanto Júnior – o gramado que custou R$ 1 milhão necessita de tratamento -, que vai receber atletas, torcedores e imprensa esportiva de outros estados, além dos nossos.

Depois de ouvir o choro dos seus filiados mais pobres (as classes C e D), reclamando que, a maioria dos seus profissionais, após realização dos campeonatos estaduais, de janeiro a março, ficam desempregados até o início do ano seguinte, a CBF decidiu ampliar para 64 o número de participantes do Brasileirão da série D, além de estender o torneio, com 26 datas, por seis meses.

Os 64 times serão divididos regionalmente, para evitar viagens longas, em oito grupos, com jogos de ida e volta. Significa que, cada equipe fará, no mínimo, 14 partidas. Após a primeira fase, com término em 4 de julho, os quatro melhores classificados de cada chave seguirão na competição. A final está prevista para 22 de novembro, qualificando os semifinalistas para a série C do próximo ano.

O Vitória da Conquista, Atlético de Alagoinhas e Bahia de Feira de Santana serão os representantes do futebol baiano. Incluído no grupo 4, o alviverde, em algumas viagens, vai trocar as baixas temperaturas do inverno conquistense pelo calor do Agreste nordestino. Na verdade, o habitat natural do bode, a mascote do clube. Seus adversários serão o ABC de Natal, Freipaulistano (Frei Paulo, Sergipe), Itabaiana (da cidade sergipana do mesmo nome), Potiguara (Mossoró, Alagoas), Jacyobá (Pão de Açúcar, Alagoas), Central (Caruaru, Pernambuco) e Coruripe (da cidade alagoana do mesmo nome).

Os jogos do Conquista no Lomantão estão programados para os sábados, às 20h20, exceto das 6ª e 10ª rodadas, diante do Itabaiana e Central, respectivamente, marcados para uma quarta-feira, no mesmo horário. Tabela do representante baiano na primeira fase do Brasileirão da série D:

23/5 – Coruripe (em casa)/6

30/5 – Freipaulistano

13/6 – ABC (em casa)

20/6 – Potiguar (em casa)

27/6 – Central

01/7 – Itabaiana (em casa)

04/7 – Jacyobá

11/7 – Jacyobá (em casa)

18/7 – Itabaiana

22/7 – Central (em casa)

01/8 – Potiguar

08/8 – ABC

15/8 – Freipaulistano (em casa)

22/8 – Coruripe

 

 

 

A VIA BAHIA FOI ALVO PRINCIPAL DA CÂMARA EM MEIO A BATE-PAPOS

As sessões da Câmara de Vereadores de Conquista se transformaram em bate-papos de encontro. A de ontem, dia 7/03, não foi diferente com muitas conversas paralelas, tanto dos parlamentares entre eles, como da plateia. Mesmo assim, o alvo das críticas foi a Via Bahia que, durante todos esses anos, não cumpriu com seus contratos de melhorias da BR-116 (Rio-Bahia) e ainda quer a renovação da concessão que foi cortada pelo governo federal.

Em Seu pronunciamento da Tribuna, o vereador Jacaré foi duro nas críticas contra a Via Bahia que nada fez no trecho de Conquista, como as construções das passarelas, dos viadutos no anel viário e a duplicação da rodovia entre Planalto e Bate Pé, sem contar outros serviços nesse corredor viário.

Comissão em Brasília

Na ocasião, informou que uma comissão da Câmara, formada por ele, o presidente da Casa, Luciano Gomes e Nildma Ribeiro, esteve semana passada em Brasília junto ao Ministério dos Transportes que prometeu realizar essas obras assim que outra empresa assumir a concessão, visto que o acordo foi definitivamente cortado com a Via Bahia. Ressaltou que, se a outra firma não fizer, que o governo federal faça.

Outros parlamentares, como Bibia, David Salomão e Cícero Custódio se juntaram às críticas contra a empresa. Por várias vezes, Custódio teve que interromper sua fala por causa do bate-papo avançado, inclusive com relação à Mesa Diretora e outros colegas que ficam conversando enquanto outro parlamentar faz seu discurso.

Mais no papel de prefeito do que de vereador, Álvaro Phiton fez rasgos de elogios ao prefeito Hérzem Gusmão, principalmente no tocante às suas ações na área da educação que, segundo ele, vem sendo levada a sério com bons resultados no ensino. Como mais uma das suas realizações, citou a inauguração de uma escola no bairro de Campinhos.

Em seguida, pediu licença da Mesa, como se fosse o próprio prefeito, para se retirar da plenária porque iria visitar o bairro Panorama para ver de perto os estragos provocados pelas fortes chuvas da madruga, que arrebentaram várias ruas da cidade.

O temporal, com relâmpagos e trovões, (choveu mais de 70 milímetros de água) provocou vários transtornos em Conquista, atingindo em cheio a Praça Bartolomeu de Gusmão. A tempestade arrastou carros, derrubou muros e alagou várias casas e lojas, sem falar que deixou ruas e avenidas cobertas de pedras que sempre descem da Serra do Piripiri.

O vereador Coriolano Moraes lembrou das comemorações do Dia da Mulher, neste sábado, dia 8 de março, destacando o aumento de feminicídios no Brasil durante o ano passado, e condenou os ataques diários contra as mulheres, incluindo os abusos sexuais e maltratos contra crianças e adolescentes. Bibia pediu mais atenção do poder público para a situação de precariedade do bairro de Nossa Senhora Aparecida e solicitou que a TV Sudoeste fosse lá registrar os fatos, ao invés de ficar fazendo picuinhas políticas.

Ainda sobre a questão da Via Bahia, que nesta semana fez uma reunião conclamando a comunidade a apoiar a continuação de sua permanência no contrato da BR-116 (compareceu pouca gente no encontro), Itamar Figueiredo, do Movimento Pró-Conquista, também endossa as críticas e apoia o seu cancelamento como concessionária porque durante todo esse tempo quase nada fez em benefício da região de Conquista.

Disse que os serviços de duplicação e viadutos do anel viário são muito importantes para o desenvolvimento da cidade e do município, especialmente agora com o novo Aeroporto Glauber Rocha. A duplicação, de acordo com os vereadores, fortaleceria o escoamento da produção, sem falar que evitaria os acidentes de trânsito com mortes que sempre estão ocorrendo em torno da cidade.

O CORONEL DAS DESCULPAS

Quem bate esquece, mas quem apanha, não. Dias desses vimos umas cenas de brutalidade de um policial desajustado esmurrando um jovem de menor em Salvador, se não me engano numa das ruas de Paripe ou Piripiri. O coronel deu suas justificativas costumeiras e chamou a mãe ao seu quartel para pedir desculpas pelo comportamento estúpido do militar.

O que me chamou a atenção foi que o coronel, comandante da Polícia Militar da Bahia, foi o mesmo que pediu desculpas à família do pintor de Dias D´Ávila que foi alvejado e morto por uma ação atrapalhada de seus subordinados. Isto aconteceu no ano passado e depois disso ninguém mais tocou no assunto.

Nesta semana ocorreu outro episódio idêntico de espancamentos em Salvador. Como todos já sabem, as vítimas são sempre negras e pobres das periferias, o que denota preconceito, racismo e homofobia, como foram registradas através das palavras proferidas pelo policial que nunca deveria ter vestido uma farda da corporação.

O caso Maicon

Fico aqui a imaginar, no primeiro fato a que me referi, por exemplo, como um cara daquele, que deu porrada no menino (as cenas são fortes), passou no concurso e no teste de psiquiatria! Será que ele perdeu e teve um QI (Quem Indica por fora). Falo isso porque conheci um fato assim.

No momento em que descrevo essas atitudes de violência desmedida e de tamanha ignorância, veio-me à cabeça o caso do menino Maicon aqui de Vitória da Conquista, que foi morto por policiais numa diligência atabalhoada. Primeiro, desapareceram com a criança. São quase dez anos e não se deu nenhuma solução para o problema. É mais um processo arquivado em nossa cidade, e a sociedade não se manifestou. Afinal, trata-se de uma família pobre e humilde.

Agora, pedir desculpas virou um marketing de relações públicas para dar condolências aos familiares e explicar, diante da mídia, que a instituição não tolera e nem compactua com esse tipo de abordagem brutal, e que vai apurar e punir os responsáveis. Nem é preciso dizer que tudo depois cai no esquecimento, e a imprensa pula para outra cena de tortura. Investigar mais o quê, senhor comandante? As imagens já dizem em tudo! Fosse comigo, ou com algum parente meu, dispensaria no ato as desculpas.

Nos últimos tempos essas práticas chocantes de violência contra os cidadãos civis, que têm seus direitos desrespeitados publicamente, e até mesmo de desvios de conduta dentro da corporação, se tornaram corriqueiras e comuns, e não mais fatos isolados e excepcionais como antigamente. Está havendo uma generalização, e a única coisa que ainda a pessoa tem coragem de clamar, entre choro e lágrimas, é por justiça, que quase nunca chega.

A instituição precisa ser repensada

Quero deixar bem claro que, quando faço essas críticas, não me julguem que quero colocar a polícia contra a população. Meu intuito é expressar meu pensamento, minha revolta e minha opinião (há anos que venho falando isso), de que esta instituição precisa urgentemente ser repensada, reformulada e recriada em outros moldes de atuação, com outra filosofia de trabalho. Não adianta discutir isso com um oficial. Sabemos qual é a resposta.

O nome “polícia militar”, como sistema de segurança, só existe no Brasil. Para começar, a corporação precisa criar e praticar o conceito de segurança pública onde não se confunda firmeza com abuso de poder e opressão. A lei para o policial do tipo banda podre é corporativa. Quando ele comete um ato “criminoso”, tem como penalidade o seu recolhimento ao quartel por uns dias e depois volta a atuar nas ruas. A prisão é ficar em seu batalhão.

Sabemos que a grande maioria dos policiais são originários de famílias pobres, negros e que passaram por vários tipos de discriminação. Quando o indivíduo cai dentro da corporação militar parece querer extravasar sua raiva e seus complexos justamente nos mais excluídos. Coloca-se na posição de empregado a serviço da elite, tida como patronal que lhe paga. Quanto a essa questão, a psicologia pode melhor explicar.

Para que servem os treinamentos que dão o passaporte para o policial trabalhar nas ruas e lidar com a população? São mais preparos de força e manuseio de armas e pouco de relações humanas, de como tratar o cidadão com respeito? Todos são considerados bandidos até que provem o contrário? Diante do quadro atual, prefiro ser assaltado por um bandido que ser abordado por um policial porque com este não tem diálogo. Vai logo no tabefe e acusa a pessoa de desacato à autoridade.

O que questiono são esses métodos de treinamento que têm gerado mais violência. Por que tanta resistência às mudanças para criação de uma nova polícia, a começar pelo nível de instrução e formação do candidato? Durante este tempo de preparação, o comando não percebe diferenciar o joio do trigo? Aqueles de caráter violento que não podem colocar uma arma na cintura e ir fazer diligências? Alguma coisa precisa mudar, para não ficarmos só nos pedidos de desculpas.

O SONO DA BORBOLETA

 

Enebriada pelo cheiro calmante da cidreira, a borboleta tira sua soneca e pousa para as lentes, num flagrante poético do encontro do tempo com a natureza, quando ela é bem cuidada e respeitada. A planta que serve para fazer um chá para quem sofre de insônia nessa vida depressiva do corre-corre humano e desesperador pelo capital, cedeu também seu espaço e sua erva para o ser que vive e embeleza o meio ambiente, e até leva esperança para quem está aflito e desanimado com o que acontece nesse nosso país de tantas injustiças sociais. Elas sempre sobrevoam meu quintal de dezenas de plantas que são aconchego para as aves que me saudam com alegria e cantares. É mais um flagrante do jornalista Jeremias Macário.

 

 

 

 

NINGUÉM QUER SABER DA LIÇÃO

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Estamos embarcando,

Rumo à última estação,

Numa viagem sem volta,

Na troca do ser pelo ter,

No insano guloso consumo,

No viço do cio pelo insumo,

E ninguém quer saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Vai o sol e vem o escuro;

O vento tufão gira mundo;

As florestas viram monturo;

Os mares lixeiras atômicas;

Megalônicas cidades da fome,

Das covas zumbi e o lobisomem,

E ninguém que saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Nascentes morrem nas cabeceiras;

Derretem dos polares as geleiras;

Desaparecem o urso e o salmão;

Das águas os monstros tsunamis;

Rios cimentados estouram canais,

E a selva de pedra vira um caos,

No calor de mais de 60 graus,

E ninguém que saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Tem gente que não acredita,

Nos sinais do aquecimento global;

E cada um aumenta as chaminés;

Mentem nas mesas do clima,

Com mais gases e torpedos no ar;

Adoram seus deuses como Ramsés,

Que não passam de estátuas do mal,

E ninguém quer aprender a lição

Prefere ter mais armas na mão.

NA AUSÊNCIA DE UM ESTADO FALIDO, O TRÁFICO E A RELIGIÃO OCUPAM ESPAÇO

Assim como o tráfico e as milícias com seus crimes dominaram as favelas onde o Estado elitista, burguês e capitalista, até mesmo conivente, sempre esteve ausente, negando a inserção de políticas públicas sociais, também correntes religiosas conservadoras e fanáticas ocuparam seus espaços nas pobres periferias excluídas, para inocular suas doutrinas oportunistas, muitas vezes de intolerância e ódio.

Nessa encruzilhada de bolsões de miséria e ignorância, é muito difícil saber onde está a diferença entre o mal e o bem. Para os esquecidos que não se sentem valorizados como gente, sem perspectivas de futuro, quem chega com o “bálsamo” da palavra de salvação e a proteção de vida é bem-vindo e até louvado. É um conforto. O mal, ou o mau, desaparece para se transformar em bem do bom que “sustenta” seu corpo faminto e “alimenta” a alma que se sentia vazia.

Dessa forma entram o tráfico e a religião dos oportunistas no espaço pobre e miserável deixado pelo Estado, que criou no país uma legião de ignorantes e excluídos do seio da sociedade, servos obedientes e fanáticos desses falsos profetas da verdade e da razão. Nos últimos anos, muitos deles galgaram o poder político com os votos desses rebanhos perdidos que foram atraídos para seus covis da maldade e do fanatismo religioso.

Terreno fértil

Não literalmente como na carta de Pero Vaz Caminha, do aqui em se plantando tudo dá, esse terreno de pobreza e de ignorância que perdura há séculos, com a falta de educação e saber, tornou-se fértil e de fácil cooptação, não somente para os políticos aventureiros e extremistas na caça dos votos, mas também para os traficantes de drogas e milicianos, bem como para o avanço do evangelismo fundamentalista.

Ao longo dos anos, os governantes aproveitadores e egoístas criaram um campo minado, altamente perigoso e prestes a explodir. Sem mais controle, para os traficantes e milicianos (mistura com militares) que invadiram os morros onde o Estado criminalizou os moradores, usa-se a força da violência na base do fuzil e dos tanques, matando até mesmo mais inocentes que criminosos.

Os monstros de várias cabeças dos dois lados (governo e tráfico) só fazem crescer, e quem aparece para denunciar as injustiças, realizar e cobrar programas sociais, se torna alvo das balas assassinas deles. A população fica entre a cruz e a espada. Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega.

Sem apoio político-social e opção de melhoria de vida, o tráfico encontra o campo propício para cooptar a população, principalmente os jovens, que entram numa viagem sem volta para o inferno. Por sua vez, o político bandido usa isso para lucrar, formando organizações criminosas empresariais, muitos delas se unindo aos traficantes e milicianos.  Está assim montado um Estado paralelo num espaço que deveria ser responsabilidade dos governantes.

Há quase quarenta anos, o ex-presidente João Goulart já dizia que “a maior parte do povo brasileiro é pobre, desnutrida, desprotegida, desinformada, analfabeta e sem oportunidades de estudo. Quando surge um governo voltado para a maioria dos brasileiros, fere os privilégios dessa minoria que domina a economia e escraviza nossos trabalhadores”.

Neopentecostais

O quadro continua atual e aí sobra espaço para o tráfico e a religião, especialmente tomado pela nova onda de neopentecostais ultraconservadores que estão espalhados em cada esquina das cidades. Nas periferias estão mais concentradas as pessoas que chegam às levas dos brejões mais longínquos dos interiores abandonados em busca de sobrevivência e dias melhores.

Acontece que esse indivíduo é mais um número nas estatísticas da pobreza desassistida. Sem infraestrutura, na maioria das vezes sem moradia própria, sem contar com programas de ação social por parte dos órgãos públicos, convivendo numa situação de precária educação e saúde e sem o reconhecimento como pessoa humana, ele não passa de mais um zé ninguém.

Nesse ambiente de abandono e desvalorização do ser, entram as igrejas com suas doutrinas fanáticas como salvadoras de almas, que prometem alento para o desespero e dias melhores em troca de um dízimo. Um pedreiro, servente ou um encanador que nunca foram valorizados são acolhidos e passam a ter voz naquela comunidade religiosa, muitos até como novos pastores.

O contingente desses descamisados, desvalorizados e de baixo nível de instrução, cooptados e doutrinados num processo de lavagem cerebral, com a pregação de intolerância contra as outras religiões, como o candomblé, por exemplo, só faz aumentar no Brasil.

Muitas dessas religiões propagam e incutem em seus fiéis, a maioria frágil e de fácil manipulação, a ideia de que fora da igreja não há salvação, e que só Cristo salva. Nessa linha pentecostal extremista e conservadora, dia desses ouvimos de uma cantora gospel que os católicos não são filhos de Deus.





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