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O CINISMO DO APAGÃO ENERGÉTICO

Mais do que em outros governos, esse pessoal do mordomo de Drácula não tem mesmo nenhuma vergonha na cara. Trata o povo como burros, otários e idiotas desmemoriados. Sobre o apagão geral de ontem, que deixou o Norte e Nordeste nas trevas, o ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, disse que não existe mais nenhum risco de outro apagão.

É mesmo muito cinismo dessa gente, visto que outros antecessores no cargo já falaram a mesma coisa. É mais um governo irresponsável e incompetente que este coitado povo tem que aturar e engolir. Se a categoria de terceiro mundo é o última indicação, o Brasil é o mais atrasado do planeta e, acima de tudo, o que mais maltrata seus filhos como se fossem bagaço de cana.

Como se não bastasse o desprezo que eles têm para com os brasileiros, o próprio ministro chegou a dizer que a energia retornaria às 20h30min. Aqui em Vitória da Conquista, a escuridão foi de 16horas até 22horas. Portanto, seis horas de aflição e transtornos. Os prejuízos foram incalculáveis, principalmente para o setor de bares, restaurantes e hotéis. Foi um final de tarde e noite de sufoco para os conquistenses.

Hoje, quinta-feira, muita gente deve amanhecer na porta da Coelba, na Avenida Olívia Flores, para relatar suas ocorrências e enfrentar a torturante burocracia para ser ressarcido de suas perdas. Verdadeiramente, este não é apenas um país desprovido de seriedade, mas o país que tem como marca o improviso.

Como já disse o poeta cancioneiro Raul Seixas, “a solução é alugar o Brasil”. É uma saraivada de trapalhadas e atrapalhões que fazem parte de um governo retrógrado que não preza pela meritocracia e competência. No aqui e agora, qualquer um pode ser ministro, e até um menino de menor chega a ocupar um cargo de chefia no Ministério do Trabalho. Cada vez mais, sinto-me triste, envergonhado e agredido nos meus direitos.

PLANEJAMENTO FOI UM BLEFE

Quando assumiu o comando da intervenção federal militar no Rio de Janeiro há cerca de um mês, o general Braga Neto pediu um tempo para apresentar seu planejamento, mas agora se percebe que tudo não passou de um blefe no jogo político.

A violência continuou desenfreada e culminou com a execução da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes há uma semana. Depois de muito blábláblá pra lá e pra cá, imagens de câmaras no trajeto do assassinato que não levam a nada, desvio de lotes de munição e muita pirotecnia de políticos, nada de concreto na investigação da polícia que investiga polícia.

Enquanto isso, nosso dinheiro está sendo jogado no ralo, e os profissionais do crime, que não são nada bestas, já tiveram tempo suficiente para apagar os rastros. O povo ainda está nas ruas, mas até quando? Não bastam discursos inflamados de que o ato bárbaro foi um atentado à democracia. Será que toda esta trapalhada de um aparato militar é proposital?

Sem apresentar uma estratégia, um general (o interventor) pede três bilhões de reais (o governo federal oferece um), e o outro general Villas-Boas (o comandante do exército) afirma o óbvio de que a violência tem suas raízes históricas de décadas de ausência do Estado no campo social. Diz-se preocupado e deixa a sensação de que a intervenção não vai resolver o problema.

Depois dessa confusão toda de balas perdidas e palavras cruzadas, integrantes da Comissão Externa da Câmara dos Deputados que acompanha a intervenção constataram que a dita cuja segue improvisada, sem planejamento. “É inaceitável se jogar com improviso e brincar com a vida das pessoas como o governo tem feito”- acusou o deputado federal Alessandro Molon, membro da Comissão.

Sem estratégia e sem plano, os bandidos continuam na sua marcha violenta de matar e aterrorizar. Do outro lado, os homens fardados com seus tanques, fuzis e metralhadoras simplesmente desfilam e exibem suas forças de guerra, entrando e se retirando das favelas, como agora está fazendo na Vila Kennedy, que seria transformada num exemplo de vitrine para devolver a paz aos moradores.

Outra questão é a truculência e a opressão militar contra os moradores, como denunciado pela ex-vereadora assassinada em referência a Acari pelo 41o Batalhão. Isso me faz lembrar a história das chamadas volantes do governo em perseguição a Lampião e seus cangaceiros no final dos anos 20. Quando menino ouvia dizer dos mais velhos que não se sabia quem era o pior e o mais temeroso no sertão. Era a tática de terra arrasada.

Neste cenário geral de terror, estratégia e planejamento de verdade até agora só da parte dos bandidos e dos milicianos ou agentes policiais que mataram, impiedosamente, a vereadora Marielle e seu motorista. O resto é incerto.

Em meio a tanta violência e confusão dos “bate-cabeças”, os assassinos aproveitaram para detonar suas pistolas contra quem clamava por justiça. Neste Brasil do passado e do presente, dá para acreditar que o crime será desvendado, ou vão pegar um bode expiatório qualquer, para dar uma satisfação da incompetência?

DISFARCES DOS JUÍZES NÃO CONVENCEM

Na semana passada, milhares de juízes pelo país a fora fizeram movimentos em defesa de seus penduricalhos, como auxílio moradia, gratificações, auxílio-alimentação e outros benefícios. No entanto, disfarçaram nas conversas de que as manifestações foram por mais condições de trabalho, aumento no número de magistrados e garantia na qualidade dos serviços prestados à comunidade.

Foi uma atitude vergonhosa quando alegaram que seus salários de mais de 30 mil reais estão congelados há mais de quatro anos. Muitos chegaram a afirmar que a campanha contra seus privilégios parte de um grupo que tem a intenção de desestabilizar a Operação Lava Jato. Todos sabem que se trata de mais uma casta que destoa da realidade tão desigual do Brasil, e que em países ricos não tem estas mordomias.

A sociedade pobre não aguenta mais sustentar as benesses dos três poderes (Legislativo, Judiciário e Executivo) que governam de costas para o povo. Não venham com essa de retaliação, senhores juízes! O auxílio-moradia é para quem não tem residência, mas o Sérgio Moro, por exemplo, tem em Curitiba e recebe. O Bretas e sua esposa juíza no Rio de Janeiro recebem dois auxílios-moradia. Pode?

Na folha de janeiro, apenas o auxílio-moradia para juízes federais custou mais de oito milhões de reais para o povo, o que projeta um gasto superior a 100 milhões para este ano. A soma de todos os penduricalhos ficou em mais de 10 milhões no mês, ou 123 milhões ao final do ano.

A gratificação com exercício cumulativo se situou em 6,2 milhões em janeiro, ou 74 milhões na estimativa anual. O auxílio-alimentação foi de 1,7 milhão em janeiro.  Toda esta dinheirama está isenta do imposto de renda.

Recente notícia dá conta que o Supremo Tribunal Federal vai contratar uma empresa com rede de lava jatos e oficinas mecânicas para limpeza e manutenção da sua frota de 88 veículos. O custo máximo anual previsto é de mais de um milhão de reais. No ano passado o custo foi em torno de 300 mil. É isso aí, e o povo sem educação é violentado nos seus direitos, passa fome e morre nos corredores sujos dos hospitais.

A SAGRADA CARTEIRA QUE JÁ TEVE SUA VALIA E OS CALOTEIROS DA TERCEIRIZAÇÃO

Foi-se o tempo em que ter uma Carteira do Trabalho era uma honra para o trabalhador brasileiro que sempre carregava a digníssima no bolso com segurança para comprovar nas batidas policiais que não era um vagabundo qualquer.

Hoje com a crise econômica, o desemprego e a reforma trabalhista que escravizou de vez a mão-de-obra, ela anda saudosista amarelada pelos cantos, e o seu dono cabisbaixo se sujeitando às negociatas opressoras do patrão, para não morrer de fome. Quando demitido aceita acordos de conciliação sem antes passar pela rescisão como ainda manda a lei.

A grande maioria dos ativos aptos a trabalhar está na informalidade fazendo bicos pelas ruas para levar um pouco de comida para casa. Só em janeiro deste ano mais de dois milhões entraram no mercado informal se somando a outros milhões de invisíveis às leis e aos direitos trabalhistas. Mais de 80% desconhecem os termos da nova reforma.

A pobre da Carteira, que já foi símbolo de autoestima, perdeu sua valia. Como agora o negociado está acima do legislado num país de 13 milhões de desempregados e de profundas desigualdades sociais de famintos, o capital ganancioso e concentrador de renda dita suas normas.

Do outro lado do balcão, humilhado e desprezado, o escravo operário é obrigado a aceitar tudo calado se quiser comprar um pedaço do caro pão para seus filhos. Existe ainda a figura do intermitente, aquele coitado avulso que só é chamado de tempos em tempos para mais um serviço. Dele extrai o rentável lucro fácil, sem gastos adicionais de adicionais  trabalhistas.

As férias foram esquartejadas, e o décimo terceiro profanado em pedaços. O santo labor do suor derramado com sacrifício foi prostituído. Tem empresa que deixa o empregado acumular várias férias por mais de dois anos e, para disfarçar de uma fiscalização que não mais existe, manda o serviçal trabalhar sem bater o ponto. Acabou o sagrado descanso.

No lugar da dor física e moral do chicote do senhor no lombo até abrir a carne em sangue do negro africano, criaram o mourão da reforma trabalhista do Brasil “moderno” onde só existe o poder de barganha do lado capitalista burguês. Embora com outros métodos disfarçados de bater e castigar, a dor no corpo e na alma em chagas continua intensa e dolorida. O psicológico sente-se destruído pela envergadura da exploração.

Toda classe empresarial apoiou e bateu palmas, mas a reforma é um tiro no pé no propósito intencional do governo de aumentar a arrecadação da previdência social, sem contar o tempo maior que o trabalhador terá que arcar para se aposentar.

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SEBASTIÃO E MARIELLE SÃO LEMBRADOS PELA CÂMARA MUNICIPAL DE CONQUISTA

Numa sessão onde o vereador David Salomão foi chamado de mentiroso e manipulador pelo seu colega Rodrigo Moreira, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista prestou, nesta sexta-feira (dia 16), homenagens ao ex-deputado estadual e empresário da saúde, Sebastião Rodrigues Castro pelo seu falecimento nesta semana, e à vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, executada a tiros na última quarta-feira (dia 15).

No início da sessão, os vereadores e os presentes na plenária da Casa fizeram dois minutos de silêncio, um pelo homem íntegro que militou por vários anos na política de Conquista e da Bahia, com reconhecimento nacional, e o outro pela ativista defensora das minorias e dos direitos humanos que foi morta barbaramente no centro da capital carioca, possivelmente por agentes polícias ou milícias que agem nas favelas do Rio.

O primeiro a falar foi Álvaro Pithon que pediu para que a mesa diretora fizesse um registro de pesar pela morte de Sebastião Castro. O vereador exaltou a personalidade e a atuação de Castro em Conquista e como deputado baiano. Lembrou também da vereadora Marielle e condenou o assassinato brutal de uma grande militante.

Coriolano Morais seguiu na mesma linha e aproveitou a ocasião para comentar sobre a situação dos transportes coletivos em Conquista. Segundo ele, o sistema está falido, e acrescentou que as duas empresas não cumprem os contratos com a prefeitura. Acusou ainda que as Vans circulam na cidade sem nenhum controle como se estivessem regulamentadas e legalizadas. “Liberaram as Vans sem regulamentar”, e exigiu providências.

Sobre a vereadora do Rio, Nildma Ribeiro frisou que luto é luta e que ela vai continuar presente. Destacou seu trabalho em defesa das periferias. “Era uma voz das minorias, dos negros e das mulheres. Ela sempre estará presente em nossas vidas”. Lembrou que a vereadora há muito tempo vinha denunciando a opressão dos militares contra os menos favorecidos.

O vereador Cícero Custódio também prestou sua homenagem aos dois e bradou contra o abandono das estradas rurais, da saúde e da educação pelo poder público municipal. Em certo momento irritou-se pedindo mais disciplina e silêncio da plateia quando um parlamentar está com a palavra. Em certo momento, interrompeu sua fala até que todos se calassem para ouvi-lo.

Viviane Sampaio teceu as mesmas críticas feitas por Coriolano quanto o problema dos transportes coletivos de Conquista e concordou que o setor  falido. Bibia denunciou a Via Bahia dizendo que até agora nada fez para beneficiar as vias de acesso dos bairros em torno do Anel Viário, como nos bairros Guarani e Nossa Senhora Aparecida.

Dudé concentrou seu discurso nas homenagens a Sebastião e à vereadora Marielle. Assinalou que Sebastião deixa um grande legado para a cidade e para a Bahia. Sugeriu, inclusive, que a Avenida Brumado passe a se chamar de Sebastião Rodrigues de Castro.

Sem fazer nenhuma homenagem, mais uma vez, David Salomão destoou dos outros e, com sua agressividade de sempre, se posicionou contra as blitz de trânsito na cidade, afirmando ser um absurdo o cidadão sair da sua casa e ter seu carro apreendido e multado, só que nada mencionou sobre  irregularidades dos motoristas punidos.

Aproveitou para atacar verbalmente o Governo do Estado e ainda criticou a Casa, segundo ele, por ter congelado os salários dos vereadores. Foi chamado de mentiroso e manipulador de votos por Rodrigo Moreira. Com relação às blitz e apreensão de veículos irregulares, na minha opinião,  o sr. Salomão deve estar achando que besta e otário é quem anda correto com seus documentos e cumpre seus deveres.

 

EXECUÇÃO, MÍDIA E FUTEBOL

A polícia militar, principalmente, tem sua marca de violência e truculência. Sempre está ferindo de morte a cidadania, a liberdade e os direitos humanos. Toda sua linha de trabalho precisa ser reestudada e reformulada, com uma nova estrutura que se adeque aos novos anseios de respeito e igualdade social. Ela precisa rever seus conceitos para que renasça uma nova corporação, mas eles não querem nem ouvir falar nisso.

A vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL) defendia os direitos humanos e denunciava a agressão velada das polícias nas favelas da capital carioca, não somente da Maré, contra as minorias, os negros e os mais pobres. Recentemente acusou que estava havendo prisões arbitrárias de moradores, e isso já era previsível depois da onda de violência dos bandidos e a partir da intervenção federal.

Covardemente e de forma cruel, ela foi executada na quarta-feira, possivelmente por gente das milícias que dominam os morros do Rio e massacram os pobres, explorando e espalhando o terror a qualquer um que não obedeça ao seu comando.  Foi mais um atentado do opressor contra a liberdade e os direitos humanos.

Sobre a mídia, comentário de ontem em nosso espaço, reafirmo e não concordo com quem diz que a notícia é um espetáculo, e nem jornalismo é isso. Espetáculo é peça teatral. A tragédia do desabamento de um prédio em Salvador virou um espetáculo sensacionalista na filiada da “Grande Rede.”

Tragédias, mortes, desastres, crimes de execução, violências e outros fatos do cotidiano não podem virar espetáculos porque terminam desembocando para o sensacionalismo desvairado na boca dos jornalistas que se acham de atores. A carne é fraca! Notícia é fato real que deve ser tratada com racionalidade, embora mexa com sentimentos e emoções.

Quanto ao futebol (alô amigo e companheiro Carlos Gonzalez), gostaria de saber qual a diferença entre um jogo da “Libertadores” e outro da Liga de Campeões da Europa? Gonzalez tem a resposta na ponta da língua, mas diria que é a feiura de um e a beleza de se ver o outro.

Um é cheio de faltas estúpidas, de rasteiras para quebrar pernas, porradas, caneladas, chutões para o alto, passes errados e muita catimba. Praticamente não existe futebol. No outro existe plasticidade, espetáculo, poesia e a bola rola mais livre, e não é tão maltratada. Ah, o torcedor aprecia o bom futebol, sem agressões e truculências, mas, contrariando tudo isso, a mídia esportiva insiste que “Libertadores” é raça e tem que ter pegadas fortes, daí tantas faltas com o mínimo de tempo de bola rolando no gramado do campo.

O PORQUÊ E O JORNALISMO

Depois que a notícia virou espetáculo, recheado de apelos piegas e sensacionalismos, o jornalismo passou a esquecer de colocar em suas matérias o porquê dos fatos, deixando um vazio para seu público leitor, ouvinte ou o telespectador. Confundiram a arte de bem informar com o teatro e a novela.

Isso tem acontecido muito nas tragédias, nas catástrofes e nos desastres e, com raras exceções, as coberturas não têm questionado o porquê dos acontecimentos, fazendo um histórico complementar à pauta em questão. Geralmente, faz-se o factual, explorando o sentimentalismo, sem investigar o outro lado da história.

Um exemplo mais recente disso foi o desabamento de um prédio de quatro andares, em Salvador. Ficou sublinhado no noticiário que a construção foi erguida sem o acompanhamento de um engenheiro responsável, tampouco teve a licença do poder público como reza a lei. O que aconteceu, na verdade, foi uma tragédia anunciada.

Sobre esta questão das irregularidades na edificação de prédios, não somente em Salvador, sem a interdição por parte dos órgãos competentes, a mídia não deu destaque e quase nada falou sobre o assunto. Ateve-se apenas aos pesares sentimentais das famílias vítimas da tragédia.

Ao lado do factual, cabiam outras reportagens, através de entrevistas com especialistas, mostrando os riscos de se construir prédios sem o aval da engenharia e em locais inapropriados. Não se indagou do por que a obra não foi interditada pela prefeitura.

Limitou-se a dizer que o prédio foi feito com muito sacrifício por gente pobre, como se este fato social estivesse acima da vida. Depois do desastre, como sempre, todos passam a usar o nome de Deus em vão e criam-se os milagres, inclusive a própria mídia, a qual deveria ser mais racional.

Na maioria das vezes, uma ocorrência rende o desdobramento de outras pautas de cunho político, econômico e social levando o público a pensar e a refletir. Nos bons tempos da imprensa, quando ainda não havia internet, essa visão partia dos chefes de reportagens, dos editores e dos secretários de redação.

Nos dias de hoje parece que o jornalismo nosso de cada dia ficou preguiçoso e lerdo, se contentando com o óbvio. A preocupação maior, especialmente na mídia televisada (no rádio ainda é pior), é com o apelo sensacionalista.

A sensação que se tem é que o editor-chefe não filtra a apuração do repórter, e a matéria é publicada cheia de buracos e furos. Está mais para calhau. O resultado é que a informação sai capenga e incompleta, aspecto pouco analisado pelo leigo que recebe o produto deformado.

Claro que existe o jornalismo omisso, tendencioso, antiético e parcial com o propósito firme de distorcer ou ocultar os fatos, mas, muita coisa tem sido mesmo falta de profissionalismo da mídia atual. O que se percebe é que não se faz mais coberturas jornalísticas como antigamente, com competência e responsabilidade.

TESTE PARA NERVOS DE AÇO

Será que existe na vida estafante dos brasileiros coisa mais irritante e desgastante do que enfrentar o serviço de telemarketing para pedir um esclarecimento ou fazer uma reclamação? Não é nenhum teste para cardíaco, porque é caixão na certa, mas para quem tem nervos de aço. Estrangeiro nenhum resistiria tantos insultos. É desumano demais!

Pode ser qualquer um na área de telefonia, saúde, finanças ou um simples pedido de informação. Foi a pior desgraça que o sistema capitalista criou para atormentar a vida dos pobres mortais. Ainda não inventaram método de tortura igual, nem no tempo da ditadura militar. Pau-de-arara e choques elétricos são fichinhas. Nenhum regime conseguiu superar tamanho sadismo e barbaridade.

Ainda ontem eu e minha esposa caímos na besteira de ligar para o Cartão Ourocard Visa para solicitar uma explicação de uma cobrança esquisita do tipo Androceu SMLTDA – São José – BR no valor de R$14,30. Ficamos quase uma hora no celular na base da musiquinha, digite tal número, passe tais dados pessoais, senha, números e mais números, e ai tome a esperar pela atendente ou pelo atendente.

A mulher foi até paciente e calma, mas confesso, meu amigo, que entrei em pânico e desespero. Tive que encerrar a ligação aos gritos para não sofrer um ataque fulminante do coração. Não tenho nervos de aço. É a pior de todas as humilhações a que nós brasileiros estamos sujeitos no dia a dia, incluindo ai as violências das ruas e as injustiças sociais. O negócio foi feito para as empresas ludibriarem os indivíduos porque muitos desistem.

Telemarketing é bem pior que assalto, engarrafamento de trânsito, filas do INSS, marcação de consultas nos postos de saúde, cadastramento eleitoral e estrada toda esburacada como a superfície lunar, todos juntos de uma só vez. De dose em dose, o sistema consegue deixar a pessoa espumando de raiva.

Governo nenhum toma providência e nada de um projeto do Congresso Nacional para acabar de vez com este terrorismo capitalista safado. Se o povo brasileiro não fosse tão submisso e cordeiro, já teria havido uma mobilização geral com protestos para quebrar com pedras e paus todos os serviços de telemarketing do Brasil, como no código de Hammurabi, de dente por dente e olho por olho.

SARAU COMENTA POESIA DE CASTRO ALVES

Foi uma noite muito proveitosa na troca de conhecimento sobre a poesia de Castro Alves quando o “Sarau A Estrada” e a Academia de Letras de Vitória da Conquista prestaram, no último sábado (dia 10), uma homenagem ao poeta condoreiro que defendeu a liberdade, a abolição da escravatura no Brasil e sempre se colocou ao lado das causas sociais.

A sessão solene, antecipando a data do seu nascimento em 14 de março de 1847, foi aberta pela presidente da Academia, Nelma Suely Almeida Vieira, com a declamação do poema “Navio Negreiro”, seguida de um resumo da vida do poeta baiano pelo jornalista e escritor Jeremias Macário. Os debates prosseguiram com Benjamim Nunes e outros presentes ao encontro que também deram suas contribuições culturais sobre o tema.

O acadêmico e confrade Italvo Cavalcante de Oliveira chamou a atenção para a importância da obra do poeta no século XIX do Brasil escravo e indagou quais questões mais ele abordaria caso vivesse nos tempos atuais num mundo tão conturbado, lembrando as levas de refugiados das guerras e das crises sociais.

Ele transportou Castro Alves para os dias de hoje e disse que certamente iria empunhar seus versos em defesa dos refugiados e das injustiças contra a humanidade. O professor Itamar Aguiar trouxe para todos participantes da reunião uma pesquisa pouco conhecida sobre a última entrevista do poeta poucos dias antes de falecer em 6 de julho de 1871.

Nesta entrevista, Castro Alves fez grandes revelações sobre seu pensamento quando afirmou que a poesia, antes de tudo, tem que ser libertária e sempre se posicionar em defesa das causas sociais. Contou sobre sua passagem por Recife no curso de Direito quando foi colega de Rui Barbosa e com ele fundou a Sociedade Abolicionista do Recife.

O poeta não se furtou na sua última entrevista de falar sobre seus entreveros e discordâncias ideológicas com o escritor e intelectual sergipano Tobias Barreto. Revelou seu desejo de publicar outros livros, além do seu único “Espumas Flutuantes”, só que sua doença lhe tirou a vida aos 24 anos antes de realizar seus projetos.

O secretário geral da Academia, Evandro Gomes Brito e sua esposa Rozânia A. Gomes Brito se confraternizaram com todos e falaram da satisfação do encontro em conjunto com a turma do “Sarau A Estrada” que neste ano está completando oitos anos de debates e discussões sobre várias questões, inclusive já abrigou em sua sede no Espaço Cultural do mesmo nome o lançamento do filme “Corpo Fechado”.

Num clima fraternal e descontraído, o evento também contou com as presenças do ex-inspetor da PRF, Adalberto Peixoto do Couto, o conhecido Canarinho, Neide (esposa de Nunes), do grupo do “Sarau Colaborativo”, Baducha e Céu, Walter Lajes, Marta Moreno, Mano Di Souza e sua esposa Cleide, que nos brindaram com suas violas e cantorias até altas horas da madrugada, em complemento aos debates.

O fotógrafo José Carlos D´Almeida cuidou da cobertura fotográfica e a anfitriã Vandilza Gonçalves, sempre cordial e atenciosa, acolheu a todos com sua simpatia. O professor José Carlos e sua acompanhante e nosso companheiro Gildásio Amorim também se juntaram a nós nesta noite memorável onde, no bom sentido, a poesia de Castro Alves foi dissecada com debates literários de alto nível.

Como não poderia faltar num bom papo e à batida da viola, acompanharam as discussões uma boa comida, o vinho e a cerveja gelada trazidos por todos colaboradores do Sarau. Num clima harmonioso e de respeito, mas com temas calorosos e até acirrados em algumas ocasiões, outros assuntos foram tratados, além do central sobre a poesia do condoreiro indignado.

Com aprovação de todos, o próximo “Sarau A Estrada” ficou marcado para o dia 5 de maio, com o tema “50 Anos dos Movimentos Revolucionários de 1968 que Sacudiram a Terra” onde vamos fazer uma viagem passando pelos protestos na França, México, Estados Unidos, Alemanha, Brasil e na Tchecoslováquia, principalmente.

O VICTOR HUGO BRASILEIRO

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ESTÁ TUDO UM CAOS! CHAME O EXÉRCITO!

“Eu te salvei, gritou a mulher/E você me picou, mas por quê?/Você sabe que sua picada é venenosa e agora eu irei morrer/Oh, cale-se, mulher tola, disse o réptil com um sorriso/Você sabia muito bem que eu era uma cobra antes de me acolher”.

Esta fábula de Esopo é um alerta e cai muito bem para os tempos atuais. Serve para políticos aventureiros e regimes autoritários. As cobras venenosas estão ai. Com suas picadas já mataram milhares e, mesmo assim, de tão dissimuladas se fingem de inofensivas para serem acolhidas e continuar picando.

A grande maioria do povo brasileiro desconhece sua história e não está nem aí para está tal liberdade de expressão, mesmo porque, nem entende seu significado e importância. O mesmo pode-se dizer da democracia esquartejada e desacreditada. A crise moral e ética, a bagunça e a usurpação dos poderes, os quais deveriam ter respeito e dar exemplo de cidadania, nos levaram a esta triste realidade.

O caos, a desordem e a corrupção bateram forte na nossa porta! Então, chame as forças armadas para baixar o pau e por ordem na casa! Já ouviu papo de botequim sobre esta questão? Os bebuns (não só eles) aprovam intervenção militar, falam bem da ditadura e tascam conversas tortas, deturpadas e desconexas sobre aquele tempo. “Naquela época havia moralização e não existia corrupção” – grita de lá do canto o mais exaltado defensor, entornando mais um gole da maldita.

A FALÊNCIA E O MEDO

Por que o exército e as outras corporações militares correlatas estão no topo das aprovações entre todas as outras instituições do Brasil, inclusive da Igreja Católica? Tem suas razões, a começar pela falência das outras (legislativo, judiciário e o executivo) que levou o povo a perder as esperanças e a ter muito medo da violência de morte. A ignorância sobre a história passada é outro fator que contribuiu para elevar o índice de aceitação.

Pois é gente! A que ponto chegamos! E os aplausos efusivos e arrogantes ao Bolsonaro ditador e à bancada da bala no Congresso Nacional! Desilusão e revolta sufocadas de quem já tomou vários socos no estômago e não crê mais em nada. O jeito é se apegar a qualquer aventureiro que se diz salvador da pátria. Quando o barco está afundando, não se pode recusar socorro, até mesmo de piratas malfeitores e sanguinários.

Não são poucos os indivíduos que não têm nenhuma admiração pela liberdade, mesmo porque já perderam a capacidade de pensar e de refletir, pois há muito tempo engolem tudo que vem de cima. Para essa gente, liberdade é uma porta aberta para a entrada do anarquismo e do comunismo.

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