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ATÉ QUANDO VAMOS TER QUE ESPERAR?

 

De um especialista da área de saúde disse esperar que o presidente da República tome medidas restritivas para o uso da máscara e do isolamento social. É muita ingenuidade em se tratando de um cara que desde o início da pandemia faz o contrário e critica os governadores e prefeitos que estão fechando o comércio e decretando o toque de recolher.

O número de casos e mortes pelo vírus só aumenta, numa tragédia que estava anunciada desde as eleições municipais, as festas de final de ano e o carnaval clandestino. Até quando vamos esperar que mais gente morra nesse país desgovernado? Até quando vamos ter de aturar esse genocídio em massa de um presidente que incentiva as aglomerações?

Os secretários de saúde dos estados estão apelando para que o governo federal tome atitudes de restrição porque a situação está insustentável. Não fossem as ações dos governadores e prefeitos já teríamos registrado 500 mil mortes, como nos Estados Unidos que têm uma população bem maior. Se depender dele, vamos chegar a essa cifra mortífera até o final do ano.

É claro que a população brasileira (em parte) tem sua parcela de culpa por promover aglomerações, mas, o capitão presidente e seus generais têm a maior. Vamos esperar que a história lá adiante nos julgue por omissão, ou vamos dar um basta nessa mortandade? Vejo mais uma vez em minha vida esses generais e outros oficiais manchando suas fardas de sangue.

Diante desse quadro tão caótico e absurdo, ainda presenciamos lojistas e prestadores de serviços em protesto na porta da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista contra o fechamento de dois dias úteis do comércio. Além de provocar aglomeração, esses indivíduos só pensam exclusivamente no dinheiro.

A nação brasileira é, ao mesmo tempo, masoquista e sádica. Infelizmente, estamos num caminho de suicídio em massa onde não existe consciência coletiva, respeito aos outros e preservação da vida. De tão desesperadas, sem sentido de existência e como quem não têm nada a perder, essas pessoas estão mesmo querendo morrer.

É tudo confuso porque não existe uma coordenação central, e cada um toma a sua medida, inclusive com relação aos critérios de vacinação. Tem muita gente sendo imunizada só porque trabalha numa empresa de saúde, como atendente, recepcionista ou é agende da área, que nem está mais entrando nas casas.

Nesse caso, os comerciários que estão no dia a dia em contato com clientes nas lojas são bem mais prioritários no atual momento. Cada secretário e cada prefeitura faz o que quer. Não existem mais protocolos e ordem de prioridade. Cada um interpreta a sua própria maneira de ver a liberdade, do direito de ir e vir e de agir como bem entende. É um povo sem guia. Até quando vamos esperar que se dê um basta nesse desmando?

 

AMEAÇA DE PUNIR OS ESTADOS QUE ADOTAREM MEDIDAS RESTRITIVAS

A PREFEITURA DE VITÓRIA DA CONQUISTA CONTINUA SEM TOMAR NENHUMA MEDIDA RESTRITIVA CONTRA O AVANÇO DA COVID-19, ENQUANTO OUTROS MUNICÍPIOS DA BAHIA AMPLIAM AÇÕES PARALELAS AOS DECRETOS DO TOQUE DE RECOLHER E FECHAMENTO DO COMÉRCIO NO FINAL DE SEMANA DO GOVERNO DO ESTADO. É UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA.

As barbaridades do capitão-presidente contra os brasileiros nesses tempos de pandemia não têm limites, mesmo diante de mais de 250 mil mortes vítimas da Covid-19. Ele debocha, nega a ciência, emperra as negociações na compra das vacinas e, como se não bastasse tudo isso, agora ameaça punir os governadores dos estados que estão adotando medidas restritivas para barrar o novo surto do vírus, que está colocando a rede hospitalar em colapso.

Parece que ele tem o gosto da morte na boca e sente prazer em ver tanta gente tombando nos corredores dos hospitais. É uma psicopatia! Diante de toda essa tragédia nacional, ele anda sem máscara, solta impropérios na frente de seus seguidores e provoca aglomerações.

VEIO PARA DESTRUIR

Ele não veio para salvar vidas, mas para destruir, não só o Brasil, mas todos que nele habitam. Chegou ao absurdo de dizer que vai cortar, como se isso fosse possível, o auxílio emergencial (uma merreca de 250 reais) para o estado, cujo governador decretar medidas de restrição. Então, não vai haver mais auxílio porque todos vão ser obrigados a endurecer as medidas. Ele joga o povo contra o governador, ou o prefeito, não importando quem morra.

Por muito menos que todo esse conjunto da obra maléfica, dois presidentes sofreram impeachment, mas ele, cercado de generais por todos os lados, sobrevive a cerca de 60 pedidos de afastamento que estão engavetados na Câmara dos Deputados. Agora, com o Centrão, que o próprio o chamou de ladrão e escória, ele pode tudo, num misto de democracia com militarismo.

Enquanto isso, as imagens de choros e os noticiários de um vírus letal deixam os nossos lares cada vez mais em pânico. De um lado, um governo sem planejamento e coordenação, que desde o início fez pouco caso da Covid-19, chamando-a de “gripezinha” e receitando cloroquina. Do outro, uma grande parcela da população (a maioria de jovens brucutus), desrespeitando as recomendações científicas e caindo nas baladas e festas.

Quem tem mais culpa por tudo quanto está acontecendo de tão terrível em nosso país? O governo federal, ou o povo? Coloque sua consciência para funcionar e faça a sua avaliação. Digo, porém, que o maior exemplo, bom ou ruim, parte do chefe da casa (homem ou mulher). Numa casa onde os pais são desequilibrados e desajustados, os filhos tendem a ser violentos, agressivos e não respeitar os outros que estão ao seu lado.

Estamos vivendo momentos caóticos como nunca ocorreram na história do nosso Brasil. Estaríamos numa guerra civil, ou numa grande convulsão social, se os brasileiros não fossem tão cordatos, conformados, apegados à esperança e à fé, submissos e tolerantes ao sofrimento. Suportam todo tipo de dor, perdas e humilhação, mesmo em lágrimas.

Nas filas sem fim, dia e noite, ao sol ou na chuva, a passos lentos e suados, o brasileiro segue em frente calado, lutando para manter apenas sua sobrevivência. A grande maioria não vive, resiste à morte até onde pode. Das alturas, ele consegue se equilibrar num fio que balança com o vento. Enquanto isso uma minoria privilegiada e poderosa se deleita nas mordomias.

O brasileiro é solidário em parte, quando expressa seu sentimento de ajuda na forma de doações materiais. A sua outra banda é individualista e egoísta que não age pensando no coletivo. Isso está fielmente retratado no caso atual do vírus, quando muitos não se submetem aos protocolos e partem para as aglomerações, como se tudo estivesse normal. O pior é que não temos um guia condutor de exemplo, que deveria vir lá de cima.

Um ano de Covid, e começamos com o carnaval de fevereiro, depois o São João clandestino (a festa foi oficialmente proibida no Nordeste), os feriadões, as eleições que deveriam ter sido prorrogadas, as festas de final de ano, um novo carnaval de festas fechadas, incentivadas e induzidas pelas lives da turma do axé music, os pancadões e, para fechar, as comemorações de torcidas de futebol em bares e restaurantes, como a mais recente do Flamengo.

Agora, pegue todos esses ingredientes indigestos e misture. Com certeza, vai resultar num caldeirão de Covid. A tampa não vai suportar a pressão, e a tendência é explodir como uma bomba radiativa destruidora. Quem promove essas aglomerações não passa de suicida kamikaze.

O elemento permissivo e imbecil mata os outros que estão mais próximos, inclusive pai, mãe, tia, avós e outros parentes. Como o ser humano chega a esse ponto? Vem aí o São João que, por causa dessa insensatez, terá que ser novamente cancelado. Nessa toada, vamos repetir o mesmo erro do passado. Estamos sim, no país da burrice onde prevalece a autodestruição.

AS NUVENS E SUAS IMAGENS

Dizia um político mineiro, se não me engano Tancredo Neves, que a política é como as nuvens. Você olha para os céus e elas estão sempre mudando de lugar. Só faltou afirmar que no Brasil a política muda de acordo com a máxima do toma lá, dá cá. Diferente da nuvem, a política é pilantra, e aqui só se faz politicagem. Mas, não é disso que quero tratar no momento. Na natureza, elas são belas e poéticas. Nos relaxa. Quando carregadas, transmitem esperança de chuvas, ou tristeza de seca quando vazias e ralas. Fora isso, as nuvens, olhando bem para os céus, como na foto do jornalista Jeremias Macário, compõem diversas imagens de pessoas, montanhas, animais selvagens, florestas, acidentes geográficos, colinas, rostos diferentes e ainda fazem aquele efeito vermelho-sangue no pôr-do-sol. Nessa imagem, por exemplo, dá para você navegar na imaginação, como a aparência de um dromedário, ou uma grande ave pré-histórica. Olhando bem, no alto vejo a imagem de um ser humano. Parece também com uma grande avestruz. Gosto sempre de mirar as nuvens e desenhar as minhas imagens em meu cérebro, e logo em seguida aparecem outras. É uma terapia olhar as nuvens e fazer suas imagens. Já olhar a nossa política, dá nojo, irritação, revolta e vergonha. Ela não merece a nossa consideração e passa uma péssima imagem do nosso país aqui dentro e lá fora, no exterior.

SERTÃONESTE

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

“Que sol quente que tristeza,

Que foi feito da beleza,

Tão bonita de se olhar…”

Como lamenta o nosso Vandré,

Que tanto falou de esperança e fé,

Da “gente desse lugar”.

 

Até a corda está cara,

Couro cru não tem mais,

Então vai mesmo é de pano,

O corpo véio que virou vara,

Nesse Nordeste bíblico desumano.

 

SertãoNeste, carrasco de aço,

Riscado seco chão do agreste,

Do repente da letra no compasso,

Que das cinzas como a Fenix,

Valente ergueu o Sul e o Sudeste.

 

SertãoNeste do bravo Corisco,

Que não se entrega não,

Nessa terra da vela na mão,

Toda traçada de espinho,

Que da chuva brota o verde,

Da serra desce o São Francisco,

Pra fazer o milagre do vinho.

E matar a fome do ribeirinho.

 

A PEC CORPORATIVISTA DA IMPUNIDADE E A DESCONFIANÇA NAS VACINAS

Quando a Câmara dos Deputados aprovou a manutenção da prisão do parlamentar Daniel Silveira, cuja detenção em flagrante foi votada por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal, por ele ter pregado o fechamento do STF e pedido a volta do AI-5, ato que endureceu a ditadura civil-militar de 1964, logo pensei comigo que viria por aí uma medida corporativista para blindar seus pares da Casa Legislativa.

Não deu outra. Como revide ao STF, os canalhas querem votar, às pressas, uma PEC (Projeto de Emenda Constitucional) que garante, em definitivo, a total impunidade dos deputados, mesmo que sejam flagrados praticando ato criminoso. Essa PEC é como se desse ao deputado uma autorização expressa até para matar alguém, como um James Bond do filme 007 onde ele tem um passaporte da rainha para assassinar quem quer que seja.

Tudo foi combinado com antecedência entre eles para não ficar tão vergonhoso passar por cima de uma decisão do STF e soltar o deputado. Foi mais uma forma de engabelar a sociedade, como eles sempre fazem nessas ocasiões e, vamos reconhecer, são mestres nesse tipo de disfarce. No momento, jogam uma imagem de sérios, para depois mostrar a desfaçatez e como jogam sujos. Mordem e depois assopram.

Do Centrão, que já foi chamado de ladrão e de escória pelo próprio governo que aí está e, com a mesma cara de pau, depois fez acordo com o grupo, não dava para esperar outra coisa. Para quem tem memória, sabe muito bem que foi esse mesmo Centrão que já derrubou vários governos, com quais se conluiou e se envolveu em falcatruas e corrupções.

O pior e o mais lamentável, é que, no caso do corporativismo, não é somente o Centrão que se reúne para proteger seus colegas dos malfeitos e se tornarem intocáveis e privilegiados, nessa frágil democracia, onde é uma grande mentira essa de que todos são iguais perante as leis.

Os ditos partidos de esquerda e “oposição” (são raras as exceções) também estão lá nas negociações de costas viradas para o povo, como no caso da detonação da Lava-Jato, visando passar uma borracha em seus crimes. A camarilha é uma só quando se trata de corporativismo. Cá em baixo, na ralé, os súditos se dividem em xingamentos, ódios e intolerâncias onde cada um defende o seu canalha. É assim caminha o nosso Brasil. Lá em cima, eles riem de nossas caras de otários.

Uma discussão que gera desconfiança

Outro assunto que quero abordar, se me permitem, é quanto essa discussão pública entre os laboratórios e o governo federal sobre de quem é a responsabilidade no caso de uma vacina vir a provocar danos físicos e até mentais na saúde da pessoa que recebeu a dose de imunização.

Essa questão só faz abrir mais espaço para as fake news dos horrorosos negacionistas da ciência contra a vacinação. É uma polêmica que só faz gerar mais desconfiança sobre essa, ou aquela vacina. A essa altura já tem gente idiota dizendo que esse aumento de contaminação e mortes é decorrência da vacina.

Claro que se trata de uma imbecilidade, visto que os países que até agora mais vacinaram sua população, como a Inglaterra e Israel, estão registrando uma redução dos casos de infecção e mortes, inclusive com os hospitais mais desafogados e menos procura por leitos. No entanto, essa gente do mal não se cansa de soltar informações desencontradas e irracionais.

No mundo, somente o Brasil, a Argentina e a Venezuela estão contestando essa cláusula de responsabilidade, gerando mais demora nas negociações, enquanto mais de mil pessoas morrem diariamente em nosso país, que bateu nesta quarta-feira a marca de 250 mil vidas perdidas para esse maldito vírus.

No Brasil, a situação ainda é mais complicada em razão, principalmente, da falta de organização e planejamento por parte do governo federal desde o início da pandemia no ano passado. Como se não bastasse a pequena quantidade de vacinas, ainda temos os criminosos dos fura-filas. Portanto, essa discussão entre contratantes e contratados só traz pontos mais negativos diante de todo esse caos e confusão.

 

MAIS UM GENERAL NA PETROBRÁS DO PETRÓLEO QUE NUNCA FOI NOSSO

NÃO SABIA QUE AGENTES DE SAÚDE, PORTEIROS, VIGILANTES, RECEPCIONISTAS E OUTRAS FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS DE HOSPITAIS E CLÍNICAS FIZESSEM PARTE DA LINHA DE FRENTE NO TRATAMENTO DOS PACIENTES DE COVID-19. POIS É, MESMO COM A ESCASSEZ DE VACINAS, TODOS ESTÃO SENDO IMUNIZADOS, CONTRARIANDO O PROTOCOLO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE, MAS ESSE NÃO EXISTE.

Na verdade, o assunto é sobre a Petrobrás, se não me engano, criada na década de 50 com o slogan de que o petróleo era nosso. Papo furado, tanto quanto aquele que a gente está cansado de ouvir, de que todos são iguais perante a lei. Essa é mais uma grande mentira, uma falácia de caloteiro. Coisa de vigarista que, infelizmente, muitos acreditam e terminam sendo enganados. Não existe democracia de barriga vazia. A questão não é só liberdade.

Mais uma vez, se não estou equivocado, o último general que dirigiu a Petrobrás foi Ernesto Geisel no final da ditadura civil-militar de 1964 ao final dos anos 80. Naquele tempo, era general com general-presidente. Agora será mais um general que vai bater continência para um capitão-presidente, e tende a destruir a empresa estatal, a que mais levou porrada e serviu de fonte de ladroagens para corruptos na história do Brasil.

CADÊ OS TRILHÕES?

Em tempos mais recentes, com a descoberta do présal, no Governo Lula, a promessa era de que os lucros com o petróleo (o país se tornou autossuficiente de uma hora para outra) iam encher a cuia dos pobres, praticamente zerando as desigualdades sociais. A presidente Dilma chegou a falar em trilhões para os setores da saúde e da educação.

O resto da história todos já sabem, pelo menos os que têm memória e sempre estão atentos às informações. Os gatunos vieram como salteadores e lambuzaram suas mãos no ouro negro. Deixaram a Petrobrás falida e endividada. Até agora eles colocam como maior culpa pela destruição da empresa o aprisionamento dos preços dos combustíveis, e quase nada comentam dos roubos.

Portanto, o petróleo nunca foi nosso, mas deles e, mais uma vez, aparece o destruidor do futuro para torrar seus ativos por preços de banana e sugar com o que ainda restou de um pouco de carne e nervo da caveira. Pelo menos desse capitão a gente já sabia que ele não veio para construir, mas para destruir.

Sua intenção não é somente atingir a Petrobrás, mas também o Banco do Brasil, os Correios (falido), a Eletrobrás, e depois vem a Caixa Econômica Federal. Com seu grosso jargão, lá de muitos anos, de enxugar o Estado, o destruidor já enxugou a saúde e a educação que já estão mais subnutridos do que nordestino na miséria da fome.

Não fossem os destruidores do futuro, os preços da gasolina e do diesel poderiam ser um dos mais baixos do mundo, sem abalar as estruturas financeiras da Petrobrás. Por que temos que ficar reféns dos preços internacionais e da variação do dólar? Por que exportamos tanto petróleo cru e importamos o acabado? É assim que somos autossuficientes? Por essas e outros é que os norte-americanos fazem chacotas de nós, dizem que somos os ricos e eles os pobres.

É mais um general sob o comando do capitão, como o do Ministério da Saúde que prescreve cloroquina para os pacientes de Covid, e para Manaus manda cargas do medicamento no lugar de oxigênio. É mais um desastre genocida.

Ele disse em campanha que ia acabar com a corrupção e acabou com o combate a ela, para blindar seus filhos dos malfeitos. Como a Petrobrás e outras estatais, o Brasil como um todo nunca foi nosso, mas deles que riem com as nossas caras de otários. Sempre fomos os bobos dessa realeza que só destila veneno como cobras peçonhentas.

CONQUISTA AMEAÇOU DESOBEDECER O DECRETO DO GOVERNO DO ESTADO

O poder público municipal de Vitória da Conquista continua inerte e inoperante quanto a medidas para conter o avanço do novo surto da Covid-19, pior que o primeiro no início do ano passado. Conquista seria a última cidade baiana a desobedecer ao toque de recolher decretado pelo Governo do Estado, e só depois resolveu se engajar no esforço de conter a transmissão do vírus, com a promessa do governador de abrir novos leitos em Caetité.

Acusar que os hospitais públicos de Conquista estão cheios porque a maioria dos pacientes é de fora é um despropósito, insensatez e até desumano. Outra mentalidade atrasada é exigir a criação de novos leitos quando nada se faz em termos de prevenção para reduzir as aglomerações. Isso é o mesmo que enxugar gelo. Até quando o Estado vai ter a capacidade financeira de instalar mais e mais leitos, se a contaminação continuar aumentando?

NÃO FAZ NADA

Na verdade, a Prefeitura de Conquista não vem fazendo nada em termos de medidas restritivas na cidade para reduzir o número de casos, mais de 100 por dia, com uma média de duas mortes (no final de semana foram registrados cinco). Depois de um ano, quase 300 pessoas perderam suas vidas, e a dor só é mais sentida pelos parentes e amigos da vítima da Covid.

É mais que justo que os três hospitais públicos, o Geral, o HCC e o São Vicente recebam pacientes da região. A prefeitura não tem nenhuma unidade Covid, e Vitória da Conquista, com mais de 300 mil habitantes, há anos se alimenta economicamente dos cerca de 70 a 80 municípios que gravitam em torno dela. Tire as mais de 50 mil pessoas que diariamente circulam na cidade, fazendo compras, tratamento de saúde e resolvendo outros problemas, e o comércio de Conquista em pouco tempo entrará em falência.

Outro motivo é que esses hospitais atendem pelo SUS. Já disse aqui e repito que não adianta criar novos leitos se não for acompanhado de medidas de isolamento. Essa de não obedecer ao decreto do Governo do Estado só pode ter partido do prefeito Herzem Gusmão que há dois meses está internado no Sírio Libanês, pago com o nosso dinheiro. E como ficam os que procuram o SUS e encontram as portas fechadas por falta de vagas?

“BANDIDOS CRIMINOSOS”

Esse estado de calamidade em que estamos vivendo, no caso específico de Conquista, não tem somente como culpado o poder público. Boa parcela da população, a maioria de jovens, também é culpada com as aglomerações em festas e bebedeiras em bares e restaurantes. Por mais que se faça advertência e campanhas, mais eles se aglomeram.

Em minha opinião, quem assim procede de forma irracional e egoísta, colocando vidas em risco, deve ser tratado como “bandido criminoso” porque está levando pessoas à morte. Não tem diálogo com essa gente que provoca aglomerações nas ruas, sem máscaras e sem adotar nenhum protocolo de distanciamento.

Sempre me posicionei contra qualquer tipo de violência policial, mas, sinceramente, para essa gente imbecil não tem diálogo. A ação da polícia tem que ser mais drástica e enérgica, pois muitos estão morrendo contaminados, principalmente, em razão das aglomerações.

Nesse caos na saúde, torcedores, como do Flamengo, no último domingo, preferiram se juntar em bares do que ficar em casa assistindo o futebol. Esse pessoal chega ao absurdo de dizer que o time é sua vida. Fala besteira do direito de ir e vir, e se esquece de que a vida está acima de tudo. Perdoai, Senhor, porque não sabe o que diz! Para você ter o direito de ir e vir, primeiro precisa respeitar a vida do outro..

 

ATÉ PARECE QUE A COVID-19 NÃO PASSOU EM VITÓRIA DA CONQUISTA

Será que a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, com cerca de 340 mil habitantes, está esperando que entre no noticiário nacional sobre o alarmante número de casos e mortes de Covid-19, com o colapso total da rede hospitalar, como ocorreu em Manaus onde milhares perderam suas vidas por falta de leitos e oxigênio, para agir com medidas de contenção?

A impressão que se tem é que o coronavírus não passou em nossa cidade, e que tudo continua em plena normalidade, como se nada estivesse acontecendo. Diante da crítica situação (os hospitais estão no limite máximo), o poder público, ora chefiado pela prefeita em exercício, não tem tomado nenhuma medida restritiva para, pelo menos, controlar o novo surto da pandemia.

UM DOS PIORES

Caímos no toque de recolher do decreto do Governo do Estado, como a grande maioria dos municípios baianos, mas o quadro em Vitória da Conquista é um dos piores porque depois da liberação geral do comércio e com a crescente incidência de casos e falecimentos (quase 300), a Prefeitura não tomou providências mais drásticas, para conter as aglomerações em festas, bares e restaurantes.

Mesmo de partido e ideologias diferentes, a Prefeitura de Salvador tem trabalhado em sintonia com o governador Rui Costa, visando salvar vidas. O prefeito daqui deveria, pelo menos, seguir o exemplo do seu colega da capital, do qual recebeu apoio para se reeleger, e fazem parte do mesmo grupo de ACM Neto. Não entendo como aqui vem ocorrendo o contrário.

O maior absurdo e o cúmulo da incoerência é um governante politizar essa doença que tem causado tantos sofrimentos aos brasileiros, principalmente no atual panorama da pandemia onde mais de 240 mil pessoas perderam suas vidas no Brasil. Não sei se esse é o caso do executivo de Conquista, mas a verdade é que a inoperância aqui é visível, como se tudo estivesse normal.

Em conjunto com o Governo do Estado, o atual prefeito de Salvador, Bruno Reis, vem tomado medidas restritivas de fechar algumas atividades não essenciais e os bairros mais contaminados pela Covid-19, como Brotas, Pituba e Itapuã, incluindo a dedetização e testes do corona nas pessoas.

Aqui, esse comitê gestor, que muito fala e nada faz, não tem nem o mapeamento dos bairros mais atingidos, Se é que existe esse mapa, como no caso do mosquito da dengue, não decreta medidas restritivas por pura incompetência, ou receio da pressão dos lojistas. Enquanto isso, quase duas pessoas morrem por dia e mais de 100 são infectados, sem contar a questão dos hospitais que começam a entrar em colapso.

Existem uns imbecis, sobretudo do comércio (só pensam neles e no dinheiro), que indicam como solução criar mais leitos, não importando quem morra de Covid. Até quando o governo vai ter capacidade financeira de criar mais e mais leitos nesse quadro falimentar em que vive o nosso país? O pior é que tem muita gente que só pensa em si, como se não vivesse numa sociedade, como se não existisse coletividade.

Outro problema que requer apuração é quanto ao processo de vacinação em Conquista onde muitos furaram a fila, com declarações falsificadas das unidades de saúde. Está faltando mais transparência por parte do poder público.

O protocolo do Ministério da Saúde fala de imunização somente dos profissionais da linha de frente, mas a lista vai além desse pessoal, abrangendo trabalhadores que não fazem parte desse grupo. É só cruzar o número de vacinados na área da saúde com os que realmente estão hoje atuando na linha de frente.

O COMÉRCIO INFORMAL DE AMBULANTES

Fotos do jornalista e escritor Jeremias Macário

É meus amigos, se a situação já estava feia para os mais de 13 milhões de desempregados e subutilizados no mercado de trabalho, piorou mais ainda com a chegada da Covid-19 no início do ano passado, e ainda mais agressiva depois de um ano, em razão de diversos fatores, desde um governo genocida até a própria população que não tem senso de coletividade e parte para as aglomerações suicidas. Para sobreviver a esse caos, por falta de estratégia do poder público central, todos se viram como podem, vendendo seus produtos no comércio informal de ambulantes. As ruas e avenidas das capitais e grandes cidades do nosso Brasil estão superlotadas de ambulantes tentando fazer uns trocados para apaziguar a fome. Vitória da Conquista não é exceção. Em todos os lugares, nas portas dos bancos, nas calçadas, em frente dos supermercados, praças e lojas, lá estão eles oferecendo suas mercadorias, como frutas, doces, bombons, chaveiros, artesanatos, bijuterias e outras tantas bugigangas. É claro que deixam a cidade com a cara mais feia, mas fazer o quê diante de tanta pobreza e aprofundamento das desigualdades sociais? A crise só tende a se agravar, e não adianta querer ser otimista porque a realidade está ai bem escancarada. Dias melhores e esperança não caem do céu de graça. O povo tem que se levantar e se indignar com esse quadro tão degradante, para que as coisas mudem. Nada se consegue sem sacrifício e sofrimento, a não ser para eles que se especializaram em roubar a dignidade da população brasileira com suas canalhices, malandragens e ladroagens.

 

SEU VIGÁRIO

Poema atualizado de autoria do jornalista Jeremias Macário

Seu vigário, a sua benção,

Vim aqui me confessar,

Contra o Senhor Deus blasfemei,

Pensei muitas vezes em me matar,

Nesse solo do meu sertão,

Só tenho levado pancada e reio,

Confesso, seu vigário,

Que nem Nele mais creio.

 

Seu vigário, sou da terra lavrador,

A minha mulher perdi no parto,

Nem o menino mirrado vingou,

Sempre roguei pela chuva da vez,

Carreguei cruz e pedra em procissão,

Com toda fé, como ensina a religião,

E nesse ano, seu vigário,

Perdi até minha última rez,

Toda noite choro em meu quarto,

Nunca a ninguém desejei mal,

Dessa vida miserável, estou farto,

Seu doutor me prometeu água,

E só me mandou castigo e sal.

 

Seu vigário, no confessionário,

Ouviu todo seu triste lamento,

Viu em sua velhice seu tempo,

Lá fora só batia o seco vento,

E disse, filho você não pecou,

Quem pecou foi o nosso patrão,

Que nos faz de pano de chão,

E da sua velha surrada batina,

De tanta sabedoria latina,

Com senso dela tirou o lenço,

Suas lágrimas caindo enxugou,

Abençoou o penado nordestino,

Aquele homem sofrido franzino.





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