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“A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER” – (Parte III)

TORTURAS E EM TERRAS ALEMÃS RUMO À VITÓRIA

As mulheres russas prisioneiras que lutaram na II Guerra Mundial contam como foram torturadas pelos alemães, e o que viram quando atravessaram a fronteira da Alemanha em direção a Berlim, em 1945, no livro “A Guerra não Tem Rosto de Mulher”, da escritora Svetlana Aleksiévitch.

Recomendo sua leitura por se tratar de uma obra inédita que mostra a atuação das mulheres durante a Grande Guerra.  Esse livro e outros, como “O Fim do Homem Soviético”, lhe renderam o prêmio Nobel de Literatura de 2015.

“Chegamos na primeira frente Bielorrúsia… Vinte e sete garotas… O sentido geral era que as meninas fossem comoventes como rosas de maio, que a guerra não mutilasse suas almas. De acordo com um depoimento colhida em entrevista, “antes não tínhamos tido tempo nem de dar um beijo. Encarávamos essas coisas com mais severidade que nos tempos de hoje”.

“Beijar alguém, para nós, era se apaixonar por toda vida”. A testemunha conta que o amor no front era proibido. Se o comandante soubesse, via de regra, separava os casais e transferia para outras unidades. Mesmo assim, elas se ariscavam e se apaixonavam. “Eu era esposa de campo e campanha. Esposa de guerra. Quem não falou disso foi por vergonha. Ficaram caladas”.

Para os homens numa guerra é difícil passar quatro anos sem uma mulher. “No nosso exército não havia bordeis, nem pílulas. Só os comandantes podiam se permitir a algo, mas os soldados, não”. “Eu o amava. Ia com ele para a batalha, mas ele tinha uma mulher que amava, dois filhos. Sabia que ele não seria feliz sem mim. No fim da guerra eu engravidei. Criei nossa filha sozinha. Ele não me ajudou. Acabou a guerra. Acabou o amor. Deixou uma foto de lembrança e não queria que a guerra acabasse”.

“Eu o amei por toda vida. Já estou velha e não me arrependo” – de uma enfermeira instrutora. De outra, “eu não queria juntar amor com aquilo. Naquelas circunstâncias, o amor morreria num instante. Sem triunfo, sem beleza, como pode haver amor”?

Sobre a solidão de uma bala e de uma pessoa: “A bala é uma só. O ser humano é um só. A bala voa para onde quiser. O destino manipula uma pessoa para onde quiser. Não nos é permitido penetrar no mistério. Gritaram para nós, Vitória! Lembro do primeiro sentimento de alegria e também medo e pânico. Sobramos mamãe e eu, duas mulheres. Antes tínhamos medo da morte, e agora da vida. Era igualmente assustador”. Depois da guerra gritavam para nós: “Sabemos o que vocês faziam lá. Seduziam nossos homens. Putas do front, Cadelas militares. Nos ofendiam de várias maneiras. Eu precisava aprender ser carinhosa. Meus pés se alargaram de tanto usar botas. Na guerra não há cheiros femininos, são todos masculinos. A guerra tem cheiro de homem”.

“Hitler, depois de Napoleão, reclamava com seus generais que a Rússia não segue as regras de combate. Até hoje tenho nos ouvidos o grito de uma criança quando foi atirada dentro de um poço”. Essa é uma referência aos alemães. “Ver um rapaz jovem ser esquartejado por uma serra. Um partisan dos nossos”.

“A Gestapo prendeu minha mãe. Foi torturada e interrogada. Ficou dois anos lá. Os fascistas mandavam minha mãe e outras mulheres na frente quando saíam para as operações. Víamos umas mulheres andando e atrás delas os alemães. Em 1943, os fascistas fuzilaram minha mãe. Em vez de morrer por nada, é melhor morrer, mas não por nada”. Ela (sua mãe) usava um lencinho branco. “Eu atirava para o lado de onde ela estava vindo”.

Sobre os massacres nas aldeias, uma testemunha contou como eles tinham sido fuzilados. Enquanto eram levados para o galpão, mataram as crianças. “O fascista sinalizava: Jogue para cima, vou atirar. A mãe jogou a criança de forma que ela mesma a matasse, para que o alemão não tivesse tempo de atirar.

“Os feridos se alimentavam de colheradas de sal. O que seria de nós sem a população? Éramos um exército inteiro na floresta, mas sem eles teríamos morrido. Eles semeavam, lavravam a terra quando não havia tiros. As pessoas estavam apodrecendo em vida, morrendo de fome. Tinham comido todas as folhas das árvores”.

“Sempre acreditei em Stalin… Acreditei nos comunistas… Eu mesma era comunista. Vivia por ele. Depois do discurso de Khruschóv no XX Congresso, em que ele contou os erros de Stalin, adoeci, cai de cama. Não conseguia acreditar que era verdade”.

“Lutei dois anos na resistência. Perdi as pernas. Fui salva ali mesmo na floresta. A operação foi feita nas condições mais primitivas. Me puseram na mesa de operações, e não tinha nem iodo. Serraram minhas pernas com uma serra simples, sem anestesia”.

Sobre as torturas, uma prisioneira narra que nos interrogatórios da Gestapo, todo dia esperava que a porta se abrisse  e entrassem seus parentes. “Eu sabia onde tinha ido parar, e estava feliz porque não traíra ninguém. Mais do que morrer, tínhamos medo de trair. Só quando tudo acabava e me arrastavam para a cela é que eu começava a sentir dor, e aparecia a ferida. Eu virava uma grande ferida. Batiam em mim, me penduravam, sempre completamente nua. Elas estavam morrendo nos porões da Gestapo. Era um inferno! A minha vontade de viver me salvou”.

A escritora cita a história de uma mulher que decidiu ir para a resistência com a filha e lá, como mensageira, tinha que levar uma máquina de escrever. Mesmo em perigo, em meio ao tiroteio, ela levava a criança e não soltava a máquina. Nem todos os homens conseguiriam fazer isso. O comandante ficou estupefato com aquilo. Quando saímos do cerco, estava coberta de furúnculos, a pele caiando.

“Quando me levaram para a prisão, me chutaram com botas, me açoitavam com chicotes. Aprendi o que era manicure dos fascistas. Colocavam sua mão sobre uma mesa, e uma espécie de máquina espetava agulhas debaixo de suas unhas. É uma dor infernal. Você perde a consciência na hora. Você escuta seus ossos estalando e se deslocando”.

“Fui condenada à pena de morte com outras 20 garotas. Nos arrastaram para uns barracões e lá tinha uma mulher dando de mamar ao bebê. O comandante tirou a criança dos braços da mãe. Tinha uma bica de água, e ele ficou batendo a criança contra o ferro. O cérebro começou a escorrer”.

“Em 1945 me mandaram para os trabalhos forçados dos fascistas. Fui parar no campo de concentração de Croisette, na margem do canal da Mancha. No Dia da Comuna de Paris, os franceses organizaram uma fuga. Sai e me juntei aos maquis”.

UMA FLOR, É UMA FLOR

Alguém já me disse certa vez que uma flor, é simplesmente uma flor, e mais nada, mas é muito mais que isso. Embora ela em pouco tempo desapareça ou murche, fica dentro do coração de alguém. Duvido que alguém, por mais seco e empedernido que seja, olhe para uma flor e não exale sentimentos, recordações, ou não faça uma reflexão da vida. Ela pode até lembrar amargura de algum passado, mas vai lhe fazer melhor para o futuro. Outros falam, e ouvir muito isso ainda jovem, que todo poeta tem que falar de flor e dor. Não necessariamente, porque a flor por si só já é uma poesia divina, mais ainda quando sai das lentes de uma máquina. Foi isso que senti quando a captei em minha máquina, e lá estava no quintal de um amigo. Confesso que ela me cativou pela primeira vez que vi, como se diz do amor à primeira vista. Ela nos faz esquecer, mesmo que seja repentinamente, dos problemas existenciais, das angústias e até das decepções da vida. Nos renova por dentro. Uma flor, é uma flor e, além do seu perfume, seja qual for o nome, tem um sentido de estar ali em meio a esse planeta tão desumano. Mesmo assim, ainda tem gente que a destrói, como faz com o todo meio ambiente, derrubando e queimando as nossas florestas. Os pássaros e os animais silvestre são mais sensíveis que nós humanos, e jamais a pisotearia. Uma flor não é simplesmente uma flor. É muito mais que isso em sua essência e profundeza.

LÍQUIDO AMARGO

Poema de autoria do escritor e jornalista Jeremias Macário, que pode ser encontrado em seu livro “ANDANÇAS”

Dá para escutar o vento farfalhar no trigal,

No brandir das espadas na poeira da arena;

Ouvir o galope do corcel a milhas de distância,

Quando o silêncio visceral da morte,

Derrama seu líquido amargo da solidão,

Pelo corpo que não é mais seu.

 

Dar para sentir o salto veloz da fera,

A dilacera suas presas mortais,

Na garganta sanguenta da razão.

 

O líquido amargo expele sua fórmula,

E com toda calma arranca sua alma,

Para um outro além da dimensão,

Sem ao menos pedir a sua permissão.

 

 

OS COMERCIÁRIOS E O “SÃO VICENTE”

Não vou questionar aqui tecnicamente os critérios adotados de vacinação por grupos prioritários que são inúmeros, mas existem casos de categorias que nem são tanto urgentes, enquanto outras, como a dos comerciários, por exemplo, que já deveriam ter sido incluídos na etapa de imunização. Em Conquista, a aplicação da vacina por idade parou nos 60, se não me engano.

Também não vou aqui citar outra classe profissional, mas a impressão que se tem é que os comerciários não contam com nenhuma representação sindical para defender a inclusão desses trabalhadores entre prioritários. Se formos avaliar, eles estão diariamente em contato direto com clientes nas lojas, por assim dizer, na linha de frente.

Os comerciários são profissionais de poder aquisitivo baixo, que todos dias pegam ônibus lotados para o comércio, tanto de ida ao batente como de volta para casa. Durante todo dia de trabalho cansativo pegam lojas cheias no atendimento aos consumidores. Pode-se afirmar que eles são obrigados a enfrentar aglomerações.

Enquanto isso, outras categorias de menor risco de pegar Covid reivindicam a primazia da vacina, justamente porque têm entidades sindicais e conselhos mais fortes. Existe aqui em Conquista um sindicato dos comerciários que parece não funcionar. Saudades do nosso dileto amigo Guimarães, o “Guima”, que sempre estava lutando em defesa da classe!

Outro assunto que gostaria aqui abordar é quanto ao Hospital São Vicente da Santa Casa da Misericórdia de Vitória da Conquista. Quando cheguei a esta terra, em 1991, e até há poucos tempos, esta unidade de saúde era 100% SUS, e aí ela foi se privatizando até se tornar praticamente particular, com a participação de outros associados empresários do setor de saúde.

Nos últimos anos, somente um pequeno espaço é reservado para pacientes do SUS, e a maior parte para quem tem dinheiro. Diz-se que foi uma política adotada no sentido de evitar o fechamento do hospital. Mesmo que seja, é mais um erro cometido nesse país tão desigual de tanta pobreza e miséria.

Para completar, nesta semana, a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista anunciou a desativação de vários leitos destinados aos doentes de Covid, alegando corte de recursos federais, tudo isso num momento em que o índice de ocupação é alto, superior a 90% no caso das UTIs para tratar esse maldito vírus.

Diante dessa crítica situação, Vitória da Conquista agora só tem praticamente dois hospitais do SUS Covid-19, para atender a uma região de mais de 50 municípios, o que faz ainda agravar o quadro. Mesmo assim, as medidas restritivas foram afrouxadas pelo poder público municipal. Para completar, no feriado desta quinta-feira, os lojistas decidiram abrir suas portas, o que leva mais gente às ruas, tudo por mais lucros, em detrimento da preservação da vida.

 

BRINCANDO DE GOVERNAR COM O POVO QUE NÃO SUPORTA MAIS TANTO ESCÁRNIO

Você humilha; trata a pessoa de idiota, xinga, debocha; vai minando sua paciência com seu sarcasmo; tira dela o seu direito de viver e até destrói seus bens, até que um dia ela dá um basta e se revolta. É assim que o povo brasileiro está se sentindo diante de tanto escárnio desse governo que brinca de governar.

Tudo tem o seu limite no campo do abuso, mesmo com um povo que demora de reagir e de se indignar, porque há séculos foi submetido ao mourão de tiranos e autoritários. Os nervos já estão à flor da pele, e a corda pode partir quando ela é muito esticada. Com um punhado de malucos seguidores, generais e coronéis ao lado, que estão manchando suas fardas, o capitão-presidente se sente blindado e segue em sua trilha de destruição.

Mesmo em tempos de pandemia, com mais de 463 mil mortes, as primeiras manifestações batem nas portas do Brasil, mas ele debocha chamando os participantes de esquerdistas maconheiros que estão “loucos” por uma erva, mas essa erva tem nome que é a falta de vacina, de dignidade, de respeito, de direitos humanos, e não de mais armas, violência policial, palavrões, depredação do meio ambiente e servidão social, com milhões passando fome.

Senhor presidente, se é que assim pode ser chamado, governar é liderar com sabedoria, postura, em harmonia com os poderes constituídos e seus estados federados. Governar não é destruir, discriminar, excluir as minorias, negar a ciência dificultando a compra de vacinas para combater um vírus letal e não isolar o país do resto do mundo. Até aqui, a sua ideologia tem sido da morte, e não da vida.

A sua folha corrida do passado, senhor presidente, não lhe credenciaria exercer um cargo tão vital para dirigir uma nação de 230 milhões de habitantes de culturas diferentes, miscigenações e carências tão diversas. Seus antecedentes de homofobia, racismo, gestos fascistas e rompantes intempestivos desequilibrados de brutalidades são peças mais que contundentes de que o senhor não merecia galgar esse posto.

No entanto, as circunstâncias políticas, sociais e ideológicas do momento de dois anos atrás, com muita corrupção, intrigas, ódio e intolerâncias lhe conduziram a essa chefia pelos eleitores divididos, desesperançosos e cheios de raiava contra um Partido que não soube se penitenciar dos seus erros. Caberia ao senhor que, infelizmente, não possui essa nobre qualidade personalista, conciliar o país e não desagregar e conflitar o tempo todo. O senhor perdeu uma grande oportunidade de ser um dos melhores presidentes da nossa história.

Com seus filhos de passado de malfeitos atanazando seu governo, o senhor fez tudo ao contrário, destilando seu veneno ideológico de extrema-direita e vendo chifre na cabeça dos adversários, como se fossem demônios comunistas saídos do inferno. Está transformando nosso Brasil numa Venezuela de Maduro e, ao invés de governar, brinca de fazer campanha eleitoral.

Com seus generais e coronéis de pijama exercendo posições totalmente fora do contexto técnico, passou a esbravejar contra a mídia, com palavrões de baixo calão, impróprios que invadem os lares brasileiros e até com ameaças físicas. Com isso, o senhor também passou a ofender o povo tão sofrido e maltratado que esperava amparo social, emprego e sentir orgulho de viver em seu país tão rico e lindo de paisagens deslumbrantes.

Senhor presidente, pelo menos pare e reflita, se é que o senhor tem essa capacidade, sobre tudo de ruim que já tem feito! Com suas atitudes truculentas, o senhor incita o guarda da esquina a adotar métodos ditatoriais de amordaçar a liberdade de expressão, com o argumento de segurança nacional. Incentiva uma tropa a atirar balas de borrachas em cidadãos em movimentos democráticos de protesto. Instiga os garimpeiros a atacar os povos indígenas e bases de órgãos de preservação do meio ambiente.

Senhor presidente, não brinque de governar, aprovando a realização da Copa América em nosso país onde o número de casos e mortes de Covid só aumenta, tudo para mudar a atenção do caos em que o Brasil atravessa. Os nossos hermanos vizinhos rejeitaram esse evento em suas casas. Governar não é brincar com os sentimentos dos outros, mentir, propagar fake news e muito menos atentar contra vidas humanas. Brincar com fogo é muito perigoso, senhor presidente!

AS FESTAS E AS FISCALIZAÇÕES DE UM POVO IRRACIONAL

Há mais de um ano o Brasil está sendo atacado por todos os lados pela pandemia, que já matou mais de 462 mil brasileiros e, mesmo assim, o povo continua na irracionalidade de realizar festas clandestinas, provocando aglomerações e mais mortes.

As medidas restritivas de alguns governantes (outros flexibilizaram a abertura de eventos) são terminantemente desrespeitadas. As fiscalizações para coibir os pancadões, os bailes e os carros de som em portas de bares são tímidas, na base do faz de conta, como acontece em Vitória da Conquista.

Em nossa cidade, por exemplo, onde quase 500 pessoas perderam suas vidas, e as UTIs dos hospitais estão com ocupações superiores a 90%, todo final de semana, bares e restaurantes, nas imediações da Avenida Olívia Flores, promovem aglomerações.

O gestor do Comitê de Crise da Prefeitura Municipal fala em proibições e fechamento de alguns estabelecimentos, mas não diz que o número de fiscais é insignificante para cobrir todo o universo da cidade. Além do mais, o executivo local tem procurado contrariar os atos do Governo do Estado, como o toque de recolher e a proibição de bebidas alcoólicas nos sábados e domingos.

Infelizmente, com a flexibilização restrita, Conquista está na rota de uma onda de colapso nos hospitais, e não é preciso ser um infectologista ou pneumologista para prever isso. A impressão que se tem é que o número diário de casos e mortes (cerca de três falecimentos por dia) é baixo para o poder público.

Se as festas existem em todos os finais de semana, inclusive com som ao vivo, está mais que comprovado que a fiscalização é falha, não se cumpre o rigor da lei, e somente alguns donos de bares são multados. Os punidos não passam de bodes expiatórios.

Essa de permitir a abertura até as 21 horas oferece margem às aglomerações porque muitos começam a encher a cara logo cedo, e quando chegam nesse horário, fica difícil evitar as aglomerações. Os proprietários não controlam e também vão empurrando além do limite para ganhar mais dinheiro.

É por essas e outras que o Papa Francisco, em toma de brincadeira, disse a um padre que o Brasil não tem salvação, e o povo só quer tomar cachaça, mesmo quando se trata de poupar vidas. Talvez ele tivesse a intenção de falar festas no lugar de cachaça, porque em nosso país é uma festividade atrás da outra, sem contar a quantidade de feriados que poderiam ser cortados pela metade. Sou contra qualquer violência policial, mas com relação ao contágio da Covid-19, a ação da fiscalização precisa ser mais rígida e dura.

Pela sua própria cultura, trata-se de um povo festeiro, e que não tolera distanciamentos entre um e outro, nem suporta isolamento social. É uma população, pela sua natureza, indisciplinada, muito diferente do oriental e de outras nações desenvolvidas, com maior nível educacional e de consciência.

 

“A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER” (Parte II)

O AMOR NA GUERRA, AS TORTURAS E OS ESTUPROS

Os depoimentos em forma de entrevistas com as mulheres que lutaram durante a II Guerra Mundial – a Guerra Patriótica para os russos – são chocantes, e num dos capítulos do livro “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher”, a escritora Svetlana Aleksiévitch, fala da guerra e do amor, com impressionantes histórias que mais parecem filmes de ficção.

Em outras passagens, ela relata testemunhas que foram torturadas pela Gestapo de Hitler, dos prisioneiros russos que eram considerados como traidores por Stalin, e terminavam em campos de trabalhos forçados. Em terras alemãs, a caminho da vitória final, o ódio se mistura com a compaixão. Os estupros contra as mulheres foram inevitáveis dos dois lados, com a justificativa de que os soldados passavam muito tempo sem sexo, numa guerra de muitas atrocidades.

“O amor é o único acontecimento pessoal da guerra. Todo o resto é coletivo – até a morte” – ressalta a escritora em sua obra. Conta que, para sua surpresa, as mulheres que participaram da guerra falassem de forma menos franca do que sobre a morte. “Elas se defendiam das ofensas e das calúnias”.

De uma testemunha, “a guerra tirou o meu amor de mim… meu único amor”. Em terras alemãs, em algum povoado, ela conta que viu duas alemãs sentadas no pátio, com suas toquinhas, bebendo café, como se não estivesse acontecendo guerra nenhuma. Pensei: “Meu Deus, do nosso lado está tudo em ruínas, nossa gente está vivendo debaixo da terra, comendo grama…”

“Saídos, não sei de onde, dois prisioneiros alemães se aproximaram de nós e começaram a pedir para comer. Pegamos uma bisnaga de pão, partimos e demos a eles. Um dos nossos soldados comentou: Veja quanto pão as médicas deram para o nosso inimigo. Será que elas sabem o que é a guerra de verdade, ficam só nos hospitais de onde vieram. Depois, eles mesmos temperaram o mingau com sal e deram para eles em latas de conserva.  Esta é a alma do soldado russo”.

Depois de se alistar e tirar sua carteirinha de militar, uma capitã médica contou que ela e seu marido foram juntos para o front. Tinham saído em grupo para uma prospecção. “Esperamos dois dias… Eu não dormi por dois dias… Então cochilei… Acordei com ele sentado ao meu lado, olhando para mim. Durma. Fico com pena de dormir.”

“Estávamos atravessando a Prússia Oriental, e todos já estavam falando em vitória. Ele morreu por estilhaços. Eu o abracei e não deixei que o levassem para enterrar. Na guerra faziam os enterros logo em seguida. Às vezes só com areia seca que sacudia e se movia. Para mim, ainda havia gente viva”. Ela, então, lutou para que ele não fosse enterrado ali. Queria ter ainda uma noite deitada ao seu lado.

“De manhã, decidi que o levaria para casa. Todos achavam que eu tinha ficado louca de tanta dor. A testemunha narra que foi de um general a outro para que o corpo do seu marido fosse levado para sua terra natal. Assim, terminou chegando ao comandante. Ela implorou e, se fosse possível ficaria de joelhos. De tanto insistir, deram um avião especial por uma noite, para que seu marido fosse enterrado a milhares de quilômetros de distância.

Em outro caso, a escritora entrevistou uma sargento fuzileira que foi obrigada a se separar do marido durante a guerra. Ela foi para um front e ele para outro. Ela, então, passou a procurá-lo sem parar em todos lugares. “Estava determinada: “Se o encontrasse sem braços, sem pernas, inválido, eu o pegaria e levaria para casa imediatamente. Viveríamos de alguma forma”.

Quando começou a procurar o marido, ela não sabia nem o que era um front. Nisso, recebeu uma carta do marido, e fazia dois anos que não sabia nada dele. Em todos locais por onde chegava, ela pedia que a mandassem para onde estava seu marido, até que alguém o localizou. “Está louca, o lugar onde está seu marido é muito perigoso”.

“Fiquei sentada, chorando, e então ele se compadeceu e me deu uma autorização. Ele me pôs num carro e fui. Quando cheguei na unidade, todos se surpreenderam. Todos à minha volta eram militares”. Para conseguir, ela disse que era sua irmã. Andou seis quilômetros até chegar onde estava seu marido Fodossenko.

Ele estava na linha de frente, e um colega lhe avisou que sua irmã, uma ruiva, estava lhe procurando. Só que a irmã dele era morena. Mesmo assim, Fodossenko apareceu, “e então nos reencontramos”. Depois deram uma declaração que a esposa encontrou seu marido na trincheira, que é esposa legítima e tem documentos. Todos queriam ver que mulher era aquela tão destemida e corajosa.

“Vou me lembrar daquela noite pelo resto da minha vida. Me alistaram como auxiliar de enfermagem. Eu ia com ele nas missões de reconhecimento. Um morteiro atirava, eu via que ele tinha caído. Pensava: Está morto ou ferido. Corria para lá, o morteiro atirava, e o comandante dizia: Para onde está indo, mulher dos demônios? Me deram a Ordem do Estandarte Vermelho. No dia seguinte, meu marido foi ferido gravemente. Corríamos juntos, nos arrastávamos juntos. As metralhadoras atiravam, atiravam. Ele foi ferido por uma bala explosiva. Acompanhei meu marido até o hospital.

O médico se aproximou e disse que ele havia morrido. Respondi: “Quieto, ele ainda está vivo. Meu marido abriu os olhos e disse: O teto ficou azul. O vizinho de cama disse; “Fedossenko, se você sobreviver, deve carregar sua mulher nos braços”. “Não sei, talvez ele sentisse que estava morrendo, porque pegou minha mão, se inclinou e beijou. Como se beija pela última vez. Eu queria morrer, mas sob o coração carregava nosso filho, e só isso me fez aguentar…”

 

O SOBREVIVENTE DO LIXO

Além de contribuir para a preservação do meio ambiente através da reciclagem, quando a grande maioria dos brasileiros não tem essa consciência, ele é o sobrevivente do lixo para manter o seu sustento nesses terríveis tempos de pandemia. O trabalho é árduo e arriscado, mas todos os dias ele está nas ruas fazendo o seu catado de muitos materiais que são jogados fora em terrenos baldios, quando tudo poderia ser selecionado pela comunidade, se a Prefeitura Municipal desse o devido suporte de organizar a separação do lixo em cada bairro, com tuneis próprios, como existe nos países mais desenvolvidos. A insensibilidade humana é tão grande que ele se torna um invisível por onde passa, mas sua luta diária foi captada pelas lentes do jornalista e escritor Jeremias Macário. Muitos objetos jogados fora pelo consumismo exagerado ainda são utilizáveis e dão uns trocados ao solitário sobrevivente do lixo. Bem que mereceria mais atenção, mas a sociedade capitalista o tem como um número e, talvez, nem isso ele tenha. Como milhões de brasileiros, ele também está incluído no grupo dos que passam fome nesse país e depende de uma doação para alimentar sua família. Ele representa também a profunda desigualdade social, uma das maiores do mundo. Na verdade, ele é descartado como se fosse um lixo, e não como ser humano.

ELES AINDA RESISTEM

Poema inédito de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário em homenagem às profissões em extinção

No campo agreste do Nordeste,

Ainda toureia o nosso vaqueiro,

E o carro atropelou nosso tropeiro.

 

Antigamente se dizia,

Meu alfaiate, meu sapateiro,

Não escuto o fole do ferreiro,

Malhando o ferro da ferradura,

Dos cavalos velozes das diligências,

Nas estradas reais de suas excelências.

 

Na rua não passa mais o amolador,

Nem o vendedor de quebra-queixo,

E o saveiro sumiu na fumaça da maresia,

Com o progresso e a tecnologia.

 

Eles ainda resistem,

Passando profissão de pai pra filho,

Na batida seca do feijão e do milho,

Ainda resistem à extinção,

Como a Arara, a Asa Branca e o Gavião.

 

Hoje é meu técnico de informática,

O meu médico, só o rico tem,

Como o advogado e o engenheiro,

Mas ainda tem a religião fanática.

 

Eles ainda resistem,

Como teias nos fios do algodão,

Da mulher rendeira a tecer sua lã,

Para proteger do frio seu clã.

 

Na esquina ainda tem o relojoeiro,

Mas ninguém quer mais ouvir,

A canção romântica do seresteiro,

Nem as raízes do som sertanejo,

Não tem mais o tocador de realejo,

Nem na praça o fotógrafo lambe-lambe,

E não se ama mais no primeiro beijo.

 

OS QUEBRA-MOLAS INFERNAIS

Parece uma praga! Eles estão em todos lugares, nas ruas, avenidas, esquinas e praças, infernizando a vida dos motoristas e estragando os carros. É um tal de subir e descer que irrita. É um tipo de controle e prevenção de acidentes mais atrasado quando hoje se tem outros meios eletrônicos avançados para redução de velocidade.

Comentei aqui por várias vezes e repito que Vitória da Conquista virou a capital dos quebra-molas, mesmo em ruas e avenidas onde já existem radares e redutores de velocidade. Além dos monstrengos serem caducos e ultrapassados, não são mais recomendados pelo Conselho Nacional de Trânsito.

A Prefeitura de Conquista ainda insiste neles, e é só uma comunidade de bairro pedir mais um que no outro dia o dito cujo está sendo construído para se somar aos demais de centenas por aí.  Gostaria de saber se a Secretaria de Mobilidade Urbana tem a conta de quantos existem. Prometeu que ia retirar eles onde já existe radar, mas faz quase um ano que isso não acontece.

Tem avenidas, como Frei Benjamim, Avenida Integração, Juracy Magalhães, Pará, Maranhão e transversais que lá eles estão de 50 a 50 metros. É um tal de sobe e desce que deixa nervoso e estressado quem está ao volante, sem contar os prejuízos causados nos veículos. Quem gosta disso são donos de oficinas mecânicas.

Interessante é que na grande maioria deles, bem em frente, existem as sinalizações horizontas, verticais e os semáforos. Alguns servem como faixas de pedestres, quase todos apagadas. Confesso que são desgastantes e feios numa cidade como Vitória da Conquista, a terceira maior da Bahia com mais de 200 mil habitantes.

Se existe uma sinalização de “PARE” num transversal entre uma rua e outra, e o condutor ainda provoca uma batida, o problema é dele, ou sua carteira de habilitação foi comprada. O quebra-mola nunca foi uma forma de educar o sujeito que não obedece as normas de trânsito e invade um sinal vermelho. Ele é mal-educado por formação, desde a criação de berço, e não adianta autoescola porque a aula do professor entra num ouvido e sai no outro.

São tantas imbecilidades cometidas no trânsito que fica difícil enumerá-las. O indivíduo estaciona o veículo bem em frente de um sinal proibido e liga o alerta, como ocorre muito em frente do Banco do Brasil, na Olívia Flores. São os comodistas e individualistas que só faltam parar o carro na porta de entrada do banco. Outros param em fila dupla e tome o sinal de alerta, como se isso fosse lhe isentar de multa, ou estivesse acima da lei do sinal de trânsito.

Precisamos é de mais punição, severidade e rigor contra infratores e os que querem levar vantagem em tudo, e não de quebra-molas de concreto. Existem uns tão enormes que o carro sobe todo e despenca como se fosse cair numa ribanceira. Outros em locais totalmente impróprios que pegam de surpresa até quem mora em Conquista. Agora, imagina o susto que o visitante leva!

Um desses está situado ali na descida da Avenida Bartolomeu de Gusmão, próximo ao Hospital Samur, que vem da rodoviária em direção ao centro. Colocaram naquele local para ajudar num desvio para pegar a Juracy Magalhães. O serviço terminou, e o bicho ficou lá até hoje. É um crime para quem não conhece a cidade. Quem gosta de quebra-mola é “macaco” e oficinas de veículos.

Portanto, basta de tantos quebra-molas nesta cidade que já foi chamada “das flores” e agora até de suíça baiana. Isso passa uma imagem feia para o viajante desconhecido, sem contar que é um atentado contra a tecnologia moderna dos radares e outros meios eletrônicos de evitar acidentes. Vamos deixar o trânsito fluir sem esses monstros!





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