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SOU MAIS AS CAPELAS

Poema inédito do jornalista e escritor Jeremias Macário

Bendito seja nosso oratório!

Sou mais as capelas,

Com suas rezas e velas,

Do que a ostentação das catedrais,

Com seus bispos, papas e cardeais.

 

Sou mais as capelas,

Sem estilos gótico, ou barroco,

Feitas pelos braços dos mutirões,

Na pisada do samba e do coco,

E nelas não se fez inquisições.

 

Sou mais as capelas,

Do sincero nordestino de fé,

Onde tem Maria, João e José,

O compadre, a comadre e você,

Sem o falso senhor do poder,

Que só quer pousar pros jornais,

Entre luminárias dos castiçais.

 

As catedrais dos imponentes sinos,

Das mitras, báculos e anéis,

Com seus seculares painéis,

E crucifixos banhados a ouro,

São da nobreza, reis e rainhas,

Coroados como deuses divinos,

Que saquearam o tesouro dos latinos.

 

Capelas não têm vitrais nas janelas,

Nem antigos imperiais azulejos,

Só seu vigário e seus fiéis sertanejos,

Que oram Pai Nosso, Santa Senhora,

Mandai chuva pra molhar esse solo,

Pra matar a fome da criança que chora.

 

 

 

 

BASTAM DE TANTAS PRIORIDADES!

Além da falta constante de vacinas, proveniente da incompetência e negação da ciência por parte do governo federal, há dias, ou há mais de um mês, que a vacinação em Vitória da Conquista não sai das prioridades de categorias profissionais e pessoas com comorbidades, grávidas e puérperas.

Há muito tempo que a imunização parou na faixa etária dos 60 anos, enquanto outros municípios já avançaram para os acima dos 40 anos. A população dos 50 anos está ansiosa para tomar a primeira dose, mas sempre aparece uma categoria que se acha no direito de prioridade, e aí cria aquela pressão para ser contemplada.

Tudo isso advém dos critérios que cada município cria por conta própria, virando uma verdadeira bagunça, o que tem prevalecido desde o início dessa maldita pandemia no Brasil. Como não existe uma coordenação nacional lá de cima, qualquer um faz o bem quer, inclusive quanto as medidas restritivas de distanciamento e isolamento social.

Sem liderança e planejamento nacional, os governadores baixam um decreto, e muitos prefeitos politizam o combate à Covid-19 através da desobediência civil com atos contrários, exemplo do poder público de Vitória da Conquista.

Dentro desse caldeirão de misturas indigestas, está também a questão da testagem das pessoas, que deveria ser geral, não importando se a pessoa tem ou não sintomas do vírus. A Secretaria Municipal de Saúde só realiza o teste quando alguém apresenta alguns sinais de febre, problemas na garganta, tosse, enjoos, cansaço ou outras anormalidades no organismo.

Se a pessoa chega no posto, ou numa unidade de saúde, reportando que manteve contato com alguém positivada, mas ainda não sentiu sintoma nenhum, os prepostos da prefeitura não fazem o teste.

A recomendação do centro de monitoramento é que o “paciente” aguarde alguma possível reação por cerca de 14 dias, pois nem o PCR tem 100% de acerto. Conversei com uma atendente que me passou esta orientação.

Não sou infectologista e nenhum especialista médico no assunto, mas entendo que essa pessoa que manteve contato com outra contaminada, deveria ser testada, mesmo sem os sintomas, independente do resultado, se negativo ou positivo. Entendo que seria mais uma forma de tranquilizar a pessoa, ou tomar as devidas precauções, caso detectado o vírus.

 

ESTÁ MAIS PARA UM COMITÊ GESTOR DA MORTE DO QUE DE UM CONTROLE

No foi por menos que, em tom de brincadeira, o Papa Francisco disse a um padre, ao se referir à pandemia no Brasil, que os brasileiros não têm salvação porque só querem saber de cachaça e festas. Vitória da Conquista, no lugar de ser exemplar, está confirmando essa versão do Papa, quando a Prefeitura Municipal anuncia mais flexibilização das medidas com a liberação de eventos festivos de até 50 pessoas.

Desculpem dizer isso, mas esse Comitê Gestor de Crise está mais para Comitê da Morte, quando se sabe que a ocupação de leitos de UTIs nos hospitais está na faixa dos 97%, que a média diária de mortes está em torno de três ou quatro (na segunda, se não me engano, o vírus abateu oito almas), com quase 100 casos, e já tivemos mais de 500 perdas.

Esses números não são altos? Está tudo sob controle, senhora prefeita? Conquista é uma “cidade exemplar no combate da pandemia”, como falou um lojista? Nenhuma pessoa de bom senso vai concordar com isso. Nova York, com mais de 10 milhões de habitantes, está registrando 12 mortes, e países da Europa, com 30 a 50 milhões de pessoas, computa oito, dez, para uma população de 230 mil em Conquista.  Os índices são por demais desproporcionais.

Qual mesmo o objetivo do poder executivo local flexibilizar a realização de eventos com até 50 pessoas? São as chegadas das festas juninas para atender a demanda de bares e restaurantes? Oferecer aos músicos da cidade uma oportunidade de fazer seus shows ao vivo, no lugar de um edital que foi prometido e não mais se falou nesse projeto?

Será mais uma vez a intenção de bater de frente com as medidas restritivas do Governo do Estado, que proibiu por decreto a circulação de ônibus intermunicipais durante o São João? O governador determinou também a proibição de bebidas alcoólicas neste próximo final de semana, para evitar mais aglomerações.

Esse pessoal da prefeitura e do tal Comitê Gestor acha que todo mundo é imbecil e burro, quando justifica o ato afirmando que essa flexibilização vai seguir todos protocolos de máscaras, álcool-gel e o distanciamento de um metro e meio entre os festeiros. Isso não passa de uma conversa para boi dormir, pois sabemos que isso não é possível de ser cumprido.

Todos finais de semana em Conquista acontecem aglomerações em bares, restaurantes e festas, e os poucos fiscais não conseguem impedir esses eventos. Se não controlam esses excessos, como vamos acreditar que essa nova medida de abertura vai ser dentro dos protocolos?

Parece a história estapafúrdia e mentirosa do prefeito de Várzea do Poço que promoveu uma corrida de cavalos e leilões com mais de mil frequentadores por dia, e depois alardeou que a festa foi só para convidados e que todos seguiram os devidos regramentos. Está enganando a quem?

Outra coisa absurda é o São João que, mais uma vez, oficialmente foi cancelado, mas as propagandas estão aí a todo vapor para incentivar os baianos e nordestinos a realizarem suas festas juninas com amigos e parentes, isto quando os infectologistas e médicos já estão prevendo uma nova onda da Covid-19, com novas cepas.

Comentei aqui e volto a repetir que a própria mídia tem sua parcela de culpa para que os apaixonados do São João se aglomerem em festas particulares. A imprensa que pede para que todos se cuidem, é a mesma que programa o evento em suas redes de televisão através de lives.

Existem até dicas para roupas, sapatos e quais as pinturas e trajes ideais. Será que essas pessoas vão se emperiquitar à moda da festa, para depois ficarem presas dentro de suas casas?

Até o Banco de Sangue do HGVC incentiva as pessoas a pegarem estrada quando coloca lá um cartaz chamativo, ressaltando que antes de você pegar o caminho da roça passe no Hemoba e doe sangue. Por essas e outras é que o Papa tem razão. Não adianta só ficar por aí pelos cantos rezando e pedindo a Deus para se salvar.

O NOSSO CONGRESSO É UMA VERGONHA

As nossas forças armadas, como aqui já comentei, estão pisando feio na bola quando por detrás, com seus generais e coronéis de pijama, dão cobertura a um governo que está destruindo por completo o nosso Brasil (veja o caso da não punição do general calça curta). Para completar, o nosso Congresso continua sendo uma vergonha nacional, com raras exceções de alguns de seus membros.

Com essas duas instituições, e mais seus seguidores da morte que vieram das cavernas, o capitão-presidente se sente blindado para fazer suas loucuras, debochar e afrontar nossos cidadãos de bem, sabendo que nada pode acontecer a ele. Mais de 100 pedidos de impeachment (afastamento) estão engavetados na Câmara dos Deputados, infestada de oportunistas que até já serviram aos governos de Lula e Dilma.

Nem todos, mas a grande maioria (está aí o Centrão) mente para si mesmo e para o povo. É tão vergonhoso que eles ficam com a cara de tacho quando tentam defender as maluquices de um presidente que nunca deveria ter posto os pés no Palácio do Planalto. Qualquer detector de mentiras iria disparar o alarme com tanta intensidade prestes a explodir.

Qualquer pessoa de nível mais elevado (nem precisa ser tão inteligente), sabe que por muito menos, Collor de Mello e Dilma sofreram impeachment, e o caso dela, das tais pedaladas, foi mais escandaloso. Não estou aqui, de forma nenhum, dando uma de advogado dos pecados do PT, mas agora compreendo que aquilo foi mesmo um golpe.

Esses deputados e senadores (nem todos) foram para lá vender descaradamente seus votos que na frente foram comprados dos eleitores. Entregam a alma ao Satanás, e o povo que se dane. Tem uns que dói de tão ridículos e escancarados que são com seus comportamentos oportunistas. Não têm a mínima vergonha na cara e eliminaram do dicionário o termo dignidade. Aliás, nem sabem o que é isso.

Nem precisa aqui citar os nomes dos safados ladrões que estavam nos governos passados e agora pularam de barco. É uma verdadeira aniquilação do ser humano! Eles se transformaram em vermes nojentos que, cinicamente, ainda afirmam que são patrióticos quando estão ajudando a acabar com nossas florestas, sucatear nossas universidades, negar a ciência, provocar mais mortes com a pandemia, fechar laboratórios de pesquisas e contribuir para o aumento da miséria e da fome.

São seres desprezíveis, e posso dizer sem titubear, que nem sabem o que é consciência limpa e caráter, tanto que dormem o sono pesado com a barriga cheia de dinheiro, achando que vão viver para sempre. Nem estão aí para seus filhos que estão recebendo um país em ruínas. Não têm pesadelos como o pobre que batalha o dia todo para ter o mínimo de sustento.

Como todos sabem, é um dos Congressos mais caros do mundo, repleto de penduricalhos, verbas de indenizações, emendas parlamentares, propinas e subornos. De cada eleição, cujo sistema eleitoral foi feito para favorecer a eles mesmos, sai uma fornada pior que a outra. Os novos vão se contaminando com o vírus letal da velharia. No fim, toda a área está podre, com odor insuportável.

O Brasil, infelizmente, está entrando numa era de há dois mil anos. A Idade Média é moderna para classificar o nosso nível de atraso na forma de pensar, de agir e de tratar as pessoas. Estamos nos tornando seres das cavernas quando se achava que a terra era plana. Não é um celular e os sistemas sofisticados da informática que irão nos definir como civilizados.

O Congresso Nacional comporta hoje todas as espécies de animais racionais e bichos selvagens, desde o sério de boas intenções (coisa rara), aos brucutus que até pedem o seu fechamento, intervenção militar, o corrupto, o preconceituoso, o partidário do nazifascismo, o racista e o que apoia a destruição do Brasil, mas, afinal de contas, foi eleito pelo povo a quem por séculos foi negado a educação e o conhecimento.

“A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER” – (Final)

A PUNIÇÃO POR SER PRISIONEIRO

“A NKVD prendeu meu marido e me diziam que ele era um traidor. Eu tinha trabalhado na resistência com meu marido. Era um homem corajoso e honesto. Tinham feito uma denúncia contra ele. Uma calúnia. Fui falar com o investigador e mandou que calasse a boca, me chamando de prostituta francesa. As pessoas que viveram a ocupação foram presas e levadas para Alemanha, num campo de concentração fascista. Todas eram suspeitas. Até os mortos eram vistos como suspeitos”.

De outra entrevistada do livro “A Guerra não Tem Rosto de Mulher”, da escritora russa Svetlana: “ O povo venceu e Stalin não confiava no povo. Foi assim que a pátria nos agradeceu. Por nosso amor, por nosso sangue. Meu marido voltou da guerra inválido. Estava envelhecido. Meu filho estava acostumado a pensar que o pai era branquinho, bonito, e veio um homem velho e doente”.

“Em 1931 me tornei a primeira mulher maquinista. Todo mundo se juntava nas estações para olhar a mulher maquinista. Quando começou a guerra pedimos para ir para o front. Meu marido era maquinista-chefe e eu maquinista. Passamos quatro anos viajando em um vagão, e nosso filho conosco. Sofremos vários bombardeios”.

“Meu marido tinha passado por vários países, tinha condecorações, mas estava com medo. Já tinha sido interrogado por ter sido prisioneiro, e sua obrigação era ter se matado com um tiro, mas não tinha mais cartuchos. O comissário partiu a própria cabeça com uma pedra diante dos olhos dele. Não tínhamos prisioneiros, tínhamos traidores”. Foi o que disse o camarada Stalin. Ele renegou o próprio filho que foi capturado. Os investigadores diziam: Por que ficou vivo?

“Eu e meu filho passamos quatro anos esperando que ele voltasse da guerra, e depois da Vitória mais sete do campo de trabalho. Aprendi a me calar. Não confiavam em mim nem para limpar o chão. Agora podemos falar de tudo. Nos primeiros meses da guerra, milhões de soldados e oficiais foram feitos prisioneiros. De quem é a culpa? Quem decapitou o exército antes da guerra, quem fuzilou e caluniou os comandantes vermelhos, como espiões dos alemães e japoneses? Até hoje é terrível! Temos medo”.

Depois de aprender a odiar, era preciso amar de novo – destacou uma mulher que esteve no front e pisou em terras alemãs. “Acumulamos tanto ódio no peito. Tinha vontade de ver as esposas deles, as mães que tinham parido filhos como aqueles. Como eles iam olhar em nossos olhos? Tudo quanto os soldados tinham quando já estavam em terras alemãs dividiam um pedacinho com as crianças. Fui até a Alemanha… Desde de Moscou andando”.

“Cheguei à Alemanha, e entrei logo em combate. Como não me mandei do campo de batalha. Em terras alemãs, conta uma tenente enfermeira que viu um cartaz com os dizeres: “Ai está ela, a maldita Alemanha.  Goebbels tinha convencido a todos que, quando os russos chegassem, iriam cortar, trucidar e matar. Nas casas, todos estavam mortos. As crianças jaziam mortas”.

As pessoas culpavam Hitler pela guerra – assinala uma combatente, mas a tenente respondeu para uma senhora que ele não decidia sozinho. Foram seus filhos e maridos. Segundo outra entrevistada, “você não imagina os caminhos da vitória! Andavam os presos recém-libertos, com carretas, trouxas, bandeiras nacionais. Russos, poloneses, franceses, techecos… todos se misturavam, cada um ia para o seu lado. Todos nos abraçavam. Beijavam…”

“Encontrei jovens russas e uma delas estava grávida. Tinha sido estuprada pelo patrão do lugar onde trabalhava. Ela andava e chorava, batia na barriga: Não vou levar um fritz para casa. As outras tentavam convencê-la, mas ela se enforcou, junto com o pequeno fritz”.

Uma sargento narra que um dos oficiais russos se apaixonou por uma grota alemã. A notícia chegou aos superiores. Ele foi degredado e mandado para a retaguarda. Se tivesse estuprado… É a lei da guerra. Os homens ficam tantos anos sem mulher e, claro, havia o ódio.

“Eu me lembro de uma alemã estuprada. Ela estava deitada nua, com uma granada enfiada no meio das pernas… Cinco jovens alemãs vieram falar com o nosso comandante. Elas tinham feridas lá… Todas as calcinhas ensanguentadas. Tinham sido estupradas por toda noite. Os soldados faziam filas…Disseram para as garotas: Vão lá e procurem, se vocês reconhecerem alguém, fuzilamos na hora. Temos vergonha! Mas elas entraram e choraram. Não queriam mais sangue”.

“Nos mostraram o campo de Auschwitz… As montanhas de roupa feminina, de sapatinhos infantis…As cinzas acinzentadas… Levaram-nas para o campo, para servir de adubo para o repolho… Para a alface…”

Uma operadora de artilharia cita que um dos seus soldados estava bêbado, pois quanto mais perto estava a vitória, mais bebiam. Nas casas e nos porões sempre se achava vinho. “Ele pegou o fuzil e correu para uma casa alemã. Descarregou toda munição. Ninguém teve tempo de ir atrás dele. Corremos, mas dentro da casa todos já estavam mortos. Deixem que eu mesmo me dou um tiro. Foi preso e julgado: Fuzilamento”.

Sobre antes da guerra, uma testemunha revela que estava no teatro quando começou umas salvas de palmas. “No camarote do governo estava Stalin. Meu pai estava preso, meu irmão no campo de trabalhos forçados e, apesar disso, senti entusiasmo que dos meus olhos jorraram lágrimas. Aplaudiram de pé por dez minutos”.

“E fui para a guerra, e lá escutava as conversas de voz baixa. Milhares desapareceram! Milhões de pessoas. Para onde foram? Como Stalin organizou uma onda de fome, eles mesmo chamavam de Holodomor. Mães enlouquecidas comiam os próprios filhos. As conversas não eram em grupos, sempre entre duas pessoas. Três é demais, o terceiro te denuncia.

No final, o livro descreve como foi o terror ao cerco em Stalingrado entre 1941 e 42 quando muitos morreram de fome e pela artilharia pesada dos alemães. A reação do povo russo foi fundamental para que as tropas de Hitler recuassem. São cenas terríveis e chocantes contadas por testemunhas mulheres que lutaram  durante a II Guerra Mundial.

 

GENTE QUE SOFRE

Nunca é demais falar dessa gente nossa que sofre (foto de Jeremias Macário) no dia a dia para conseguir o mínimo de sobrevivência, num país dilacerado pela pandemia da Covid-19 e pelo desgoverno que nega a ciência, incentiva o não uso da máscara e provoca aglomerações. Será que ainda não bastam as mais de 480 mil vidas perdidas? Quem vai consolar o choro dessa nossa gente que sofre nas intermináveis filas bancárias para tirar um mísero auxílio emergencial, sendo que milhares retornam para seus barracos de mãos vazias? Como amar uma pátria que não cuida de seus filhos e deixa 15 milhões fora do mercado de trabalho? E os outros milhares que passam fome? Quem vai confortar essa gente que vê seus filhos a chorar nos cantos com fome? Infelizmente, essa gente é o Brasil que sofre, sem um líder, ou um guia para lhe dar dignidade humana. Essa gente que sofre não tem seus direitos assegurados pela Constituição no âmbito social, da educação e da saúde. Quem é esse que tripudia, debocha da nação e não é punido com seu afastamento? Até quando vão abusar da paciência dessa gente humilde que só pede o pão para se alimentar? Quem é esse que quer mais mortes quando recomenda o não uso de máscaras, como se o Brasil fosse os Estados Unidos, a Inglaterra e Israel  que seguiram a ciência e vacinaram mais da metade de suas populações? Ele ainda é aplaudido pelos seus bobos da corte e seguidores da morte. Será que a história um dia os levará a um tribunal internacional de julgamento por genocídios e crimes de lesa-humanidade?

 

 

MEMÓRIA

Um poema do jornalista e escritor Jeremias Macário em homenagem aos torturados e mortos pela ditadura civil-militar de 1964 e que faz parte do seu livro “ANDANÇAS”

De algum lugar da selva,

De gente pobre submissa,

O guerrilheiro firme resiste,

Redigindo sua carta,

Para sua amada Marta,

Acreditando na vitória,

De construir uma justiça,

Para mudar nossa história.

 

De algum lugar da selva,

Vive uma senhora lavradora,

Onde as réstias da luz do sol,

Disputam espaços nas folhas,

Revigorando o social ideário,

De um guerrilheiro solitário,

Que foi crivado de balas.

Pela tirana metralhadora.

 

Veio a fúria do vento forte,

Cuspindo fogo pelas ventas,

No disfarce de uma chicória,

Que com seu cutelo da morte,

Devorou a nossa memória.

 

Sem o direito de nem pensar,

Quanto mais de se expressar,

Os contras foram torturados,

E sacrificados no altar.

 

Os sobreviventes dos horrores,

Ainda temem seus algozes,

Como os cães mais raivosos,

Que ainda causam as dores,

Ultrajando nossa memória.

 

De uma noite para o dia,

A lua cheia ficou vazia;

Foi-se embora toda ternura,

Porque o carrasco teve anistia,

E a família do desaparecido,

Ficou sem fazer sua sepultura.

 

Pior ainda é perdurar as trevas,

Sem a punição dos assassinos,

Que executaram nossos meninos,

E agora querem outra vez voltar,

Para massacrar e humilhar,

Quem já foi tirado do seu lar.

 

Está entalado em nossa garganta,

O grito proibido da verdade,

Dessa memória ensanguentada.

Que ainda não saiu do porão,

Para punir toda brutalidade,

Dos carrascos de plantão.

UMA CPI DO DITO PELO NÃO DITO DE MENTIRAS E DE OPORTUNISTAS

Sabe daquela pessoa perdida numa floresta que anda em círculos e termina sendo presa da fome, da sede e das feras selvagens? Pois é, assim é a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que foi criada para investigar o governo federal com relação ao tratamento no combate à Covid-19, que já matou cerca de 480 mil brasileiros por negligência e negação da ciência.

Sempre tenho dito aqui que se trata de uma CPI do fim do mundo que ainda quer interrogar governadores e prefeitos por possíveis suspeita de desvios do dinheiro público da saúde. Até o momento só se ouviu, com poucas exceções, mentiras e mentiras de oportunistas de ex-ministros, ministros e assessores incompetentes fanáticos terraplanistas.

Praticamente dela não se extraiu novidades, não muita coisa que não já se soubesse, como a existência de um gabinete paralelo da morte para orientar e conduzir os devaneios malucos do capitão-presidente. Se arrancou, na base de fórceps, uma declaração da ala governista de que não existe tratamento precoce, e nem a cloroquina serve para curar a doença.

Os prevaricadores continuaram prevaricando e não foram presos. O mais inusitado, para quebrar a monotonia, foi o aparecimento de uma médica japonesa – sei lá se é! – que mais parece ter vindo de outro planeta para receitar a cloroquina e até defender a imunidade por rebanho, no lugar da vacinação, mesmo que seja à custa de milhões de vidas.

O brucutu, que disse que ser pária é bom, mentiu descaradamente quando afirmou que nunca atacou o povo e o governo chinês. Até agora foi uma enxurrada de mentiras dos seguidores oportunistas para blindar as travessuras assassinas do capitão-presidente, que sai sem máscara em aglomerações. Depois tudo vai permanecer com antes na Casa de Abrantes.

Essa CPI está parecendo com o “manifesto” dos jogadores da seleção brasileira e da comissão técnica sobre a Copa América ser disputada aqui em território brasileiro em plena pandemia. Criou-se muita expectativa em torno do que o “Tite” e seus pupilos iriam dizer, inclusive contra a competição em nosso país, e terminou saindo “uma titica de galinha”. Simplesmente, uma total decepção, mas esperar o quê de jogador de futebol neste país?

Além de todo esse circo mambembe tupiniquim, o destaque dessa CPI é a tropa de choque do governo com cara de bobo da corte e, em outras ocasiões, de trapalhões tentando explicar o inexplicável, defender o indefensável. “Sua excelência fez uma bela explanação, colocando aqui nessa Comissão todos os pontos, de forma didática, sem deixar espaços para dúvidas. Sua excelência está de parabéns”. Hilário, para não dizer ridículo”.

No mais, o espetáculo continua, como o falso documento do TCU (Tribunal de Contas da União), que pode ser trocado para Tribunal Covid da União, formulado por um auditor maluco, atestando que o número de mortes pelo vírus no Brasil está supernotificado em 50%. O capitão se aproveitou disso para soltar mais uma fake news, ou um factoide, como queira. Estamos mesmo ferrados!

ESTÃO MANCHANDO SUAS FARDAS E ENVERGONHANDO NOSSO BRASIL

Não estamos mais numa Guerra Fria, com ameaças de um totalitarismo comunista, como até hoje alegam quando se fala do golpe civil-militar de 1964, mas estamos na rota do chavismo venezuelano de direita. Como aconteceu lá com o nosso vizinho, as nossas forças armadas, principalmente o exército, estão aqui manchando suas fardas por oportunismo, incitando uma ditadura em troca do poder num governo sinistro.

A um capitão expulso da própria corporação, que mais lembra a reencarnação esquartejada de alguém de um passado macabro, eles obedecem, batem continência e até quebram a hierarquia secular dos quarteis, deixando de punir um general calça curta que publicamente participou de um ato político em apoio ao seu chefe que manda e o outro cumpre as ordens. Tudo não parece uma ironia do destino que envergonha nosso país?

De braços cruzados, praticamente, com raras exceções, eles se silenciam e consentem, enquanto todos os dias nossa liberdade de expressão é ameaçada, como nesse momento em que vos falo, porque existe por aí uma ordem dos advogados conservadores pronta a dedurar quem ousar criticar o capitão-presidente e a sua estafe de generais e coronéis.

Todos os dias presenciamos atos ditatoriais emanados dos mais altos cargos do governo, que passam uma mensagem de autoritarismo para o guarda da esquina e militares que, num atentado explícito à nossa frágil democracia, querem à força impedir o cidadão de se manifestar livremente. A imagem é que está sendo tudo dominado, e a grande maioria se cala.

Até o Procurador Geral da República, que está ali para defender a nação de qualquer mazela e proteger a nossa Constituição de qualquer tirania, age de forma contrária, seguindo as pegadas do chefe que lhe indicou. A própria Procuradoria pede para arquivar as investigações sobre os ataques velados contra a democracia quando pediram claramente a volta da ditadura e do famigerado AI-5, sem contar a intenção de fechar o Supremo Tribunal Federal.

Diante de todo esse quadro de terror que nos faz reviver os tempos de chumbo dos finais dos anos 60 e início dos 70, as forças armadas vão manchando suas fardas e envergonhando o nosso Brasil, tanto no âmbito interno como externo. Mais uma vez, será que os próprios brasileiros serão os inimigos de outrora? Ainda está na hora dos generais e comandantes fazerem uma reflexão e caírem fora, antes que passem negativamente a fazer parte da história como maiores responsáveis que alvejaram cruelmente nossa democracia.

No poder, ao lado de um capitão indisciplinado, eles estão carimbando embaixo, com suas próprias assinaturas, o ódio e xingamento contra os jornalistas, a quebra da hierarquia militar, a negação da ciência, o atraso na compra das vacinas, o não uso da máscara e dos protocolos no combate à Covid, o aumento desenfreado da derrubada e queimada de nossas florestas, o isolamento do Brasil do resto do mundo, entre outros atos ofensos aos brasileiros.

Tudo isso misturado é um serviço, ou um desserviço ao nosso país? As forças armadas aprovam todas essas atitudes estapafúrdias do capitão-presidente? Os quarteis estão alinhados com esse tipo de conduta? Nosso Brasil e nossos brasileiros merecem ser tão maltratados? A imagem do exército, da marinha e da aeronáutica está sendo preservada? Essas instituições estão cumprindo fielmente seu papel que reza a Constituição?

Tenho certeza que no fundo as forças armadas não concordam com esses desvios e comentam que a maior responsabilidade é dos generais da reserva, ou como se chama, os “generais de pijama”, que aceitaram altos cargos no governo por ganância, status e poder. No entanto, tudo isso respinga e muito na instituição como um todo, mancha suas fardas e envergonha o Brasil.

“CONQUISTA É UMA CIDADE EXEMPLAR”

Em uma entrevista na semana passada, o presidente da Câmara de Diretores Lojistas (CDL) disse que “Vitória da Conquista é uma cidade exemplar” no combate à pandemia da Covid-19. Confesso que fiquei espantado e horrorizado! O nosso repórter engoliu mosca porque ele proferiu uma fake news e ficou por isso mesmo.

Como exemplar, presidente, com quase 500 mortes, cerca de três óbitos por dia, quase 100 casos e com mais de 90% de ocupações de UTIs nos hospitais, sem contar a desativação de leitos no São Vicente pela Prefeitura Municipal? Como exemplar com praticamente tudo flexibilizado e muita aglomeração nos bares e restaurantes, principalmente nos finais de semana?

Vocês lojistas só querem saber de faturar, mesmo que isso seja à custa de mais vidas perdidas e famílias derramando suas lágrimas pelos seus entes queridos que se foram. Falam de empregos, mas sabemos que os comerciantes são explorados até sua última gota de sangue e estão na linha de frente da contaminação em contato direto com os clientes.

Como “Conquista é uma cidade exemplar” no controle da pandemia? No Brasil, acho que as cidades que podem ser inclusas nessa classificação são contadas a dedo e são as pequenas. É o mesmo que querer tapar o céu com uma peneira e enganar os outros. Vá dizer isso para quem perdeu um pai, uma mãe, um avô ou um filho.

Não é nem questão de criticar por criticar, mas é uma questão realista. A vacinação se arrasta lentamente como em todo Brasil de mais de 470 mil mortes. Ninguém pode se arvorar para classificar de exemplo, quando não é. Entre nós, aqui mesmo em nossa casa, proliferam os negacionistas da ciência que falam que vacina é como água. Centenas não foram tomar a segunda dose.

Considero isso como bairrismo barato, e uma tremenda mentira comprovada pelos números diários crescentes, conforme citados acima. Vejo pequenas lojas cheias além do limite ocupacional, e uma fiscalização falha, com uma equipe que não tem condições de cobrir uma cidade de 240 mil habitantes.

Vamos ter mais equilíbrio e reconhecer que estamos muito longe para sermos exemplo num Brasil onde desponta uma terceira onda da pandemia, com alguns estados vivendo um colapso nos hospitais. Pelo andar da carruagem, vamos ser um dos últimos a se livrar dessa doença. Na verdade, não somos exemplo para ninguém, quando deixamos de aplicar a vacina nos finais de semana. Ainda estamos longe de fazer o dever de casa.





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