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DOS SUMÉRIOS A BABEL (IV)

A EPOOEIA DE GUILGAMECH (Final)

Nas duas últimas tabuinhas da escrita cuneiforme, Utinapistin revela para Guilgamech (Gilgamés) que foi sobrevivente do Dilúvio de que fala a Bíblia, na personagem de Noé. Na décima tabuinha, o rei, todo coberto de peles de animais, se apresenta a Siduri-Sabitu, guardiã da Árvore da Vida, com seu coração cheio de dor. A deusa, então, resolve trancar-se dentro da sua casa para não recebê-lo.

Gilgamés bate furioso na porta e a senhora pergunta o porquê da sua longa viagem. Adverte que nunca encontrarás a vida que procuras. “Quando os deuses criaram os homens, estabeleceram para eles a morte e guardaram a vida para si”, e aconselha a gozar a vida como ela é, que no fundo é bela. Insiste ainda que retorne para Uruk onde todos o amam.

O rei não se convence do argumento e continua a insistir para que ela mostre o caminho para Utinapistin. “Atravessarei o mar, ou vou caminhando pelo litoral”. Diz a deusa que, a não ser pelo Sol, ninguém pode navegar pelas Águas da Morte. No momento da discussão, aporta o barqueiro de Utinapistin  que tinha vindo buscar ervas e frutas no bosque.

Então, Siduri-Sabitu manda que ele vá até ao barqueiro para ver se ele consente que o leve pelo mar. Gilgamés corre e grita pelo barqueiro, só que ninguém responde. Com raiva arrebenta várias caixas cheias de pedras que estavam no barco e termina encontrando o homem chamado Ur Chanabi.

Dirige-se a ele e pede que o leve até seu patrão, mas o barqueiro responde que ficou impossível porque ele destruiu as caixas de pedras que serviam para ajudar na navegação pelas Águas da Morte. Para contornar o problema, o barqueiro impôs que o rei cortasse cento e vinte troncos e os embarcasse no lugar das pedras.

Prontamente Gilgamés fez o trabalho na maior rapidez possível e os dois puderam velejar pelas ondas turbulentas até às Águas da Morte. Ur ordena ao passageiro tomar o machado e enfiar os troncos no fundo do mar, mas adverte que ele poderá morrer se as Águas da Morte tocar em suas mãos.

De longe, Utinapistin a tudo observa e indaga a si mesmo o motivo do desaparecimento das caixas de pedras. Por que agora um estranho, sem a sua permissão, está sem sua barca? Conclui que não pode ser um mortal. Vai, então, ao encontro do rei e se apresenta como aquele que encontrou a vida.

Gilgamés fica feliz e começa a contar sobre sua dor e o sofrimento durante toda travessia, só para lhe conhecer. Vai direto ao assunto e afirma que quer destruir os espíritos da morte para acabar com o prazer deles. Como obter a vida eterna? – indaga

Aconselhou que ele deixe de lado os lamentos e a ira, pois a sorte dos deuses é diversa da dos homens. “Mesmo que tua natureza seja dois terços divina, teu pai e tua mãe te criaram homem. Um terço te impele ao Destino dos Homens. A morte põe termo a toda vida. Não são eternas as casas, os pactos e nem as heranças paternas. Os deuses estabelecem os dias da vida, mas não contam os da morte”.

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FALTA DE RECURSOS EMPERRA OBRA DO AEROPORTO DE CONQUISTA

Em termos de obras de infraestrutura no âmbito estadual e federal, Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, vem sendo severamente castigada nos últimos anos. Ao invés de ajudar, a politicagem só tem atrapalhado. Nas épocas das eleições os conquistenses ficam fartos de promessas, mas depois os pais dos projetos somem e os serviços se arrastam por anos.

Há mais de dez anos que se tenta construir um novo aeroporto porque o atual é problema e não comporta mais a demanda. A Barragem do Rio Catolé tem mais tempo ainda de anunciada e o povo sofre com a falta e os racionamentos de água. Uma simples reforma do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima já dura quatro anos. Perde a cultura e os artistas estão sem espaço para apresentar seus trabalhos.

Fotos de José Carlos D´Almeida

Depois da novela da construção da pista e do prédio do Corpo de Bombeiros que levaram anos para serem concluídos, agora é a do Terminal de Passageiros, cuja obra está emperrada por falta de liberação de verbas, tanto da parte do governo federal como estadual.

Os serviços foram iniciados em março deste ano, previstos para serem concluídos em um ano, mas estão quase parados, segundo avalia o empresário José Maria, membro do movimento pelo aeroporto de Vitória da Conquista. Agora não se sabe quando o Terminal ficará pronto.

Orçada em R$28 milhões com contrapartida de 20% do Governo do Estado, as liberações foram trancadas por questões políticas, e as empresas terceirizadas, praticamente, interromperam os trabalhos por falta de recursos. No momento, cerca de 10 homens estão em atividade. Neste ritmo, o Terminal de Passageiros levaria cinco ou mais anos para ser finalizado.

Pelo que se sabe, até agora o Estado só investiu cerca de R$270 mil, e o governo federal não está colocando sua parte como devia. A realidade é que a obra caminha a passos de tartaruga, conforme relatou José Maria, ao informar que na semana passada foi divulgada a licitação para construção dos acessos, como tudo indica, mais outra novela pela frente.

AEROPORTO FRACIONADO.

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UMA ANÁLISE DO BRASILEIRÃO 2017

Carlos Albán González – Jornalista

O baixíssimo nível técnico do torneio; a interminável “dança” dos técnicos; a carência de jogadores considerados craques; os constantes erros de arbitragem, que, de certa forma, influíram na classificação do campeonato; o exemplo dado por um munícipio de Santa Catarina, a aula de finanças dada pelos dirigentes do São Paulo; o “interesse” do presidente da CBF, Marco Polo del Nero, em acompanhar, pela TV, longe dos estádios, todo o Brasileirão, deixando, inclusive, de viajar para a Moscou, a fim de acompanhar o sorteio da Copa do Mundo de 2018, com receio de ser preso no exterior; a ampliação da participação do Nordeste no próximo ano, apesar do sofrimento e das ameaças de enfarte de torcedores rubro-negros baianos e pernambucanos; a regular campanha do Bahia, que poderia ter ido mais longe; e o toque retal que manteve o Vitória na Série “A”.

Esses, na visão de quem acompanha o futebol da Europa, principalmente o da Espanha, e assistiu ao Campeonato Brasileiro da Série “A” pela TV paga e pela leitura dos artigos assinados por conceituados jornalistas esportivos, foram os fatos – posso ter esquecido de alguns – que marcaram a principal competição do esporte nacional em 2017. Se a Seleção Brasileira dependesse de, pelo menos, 50% dos “pernas de pau” que praticam um futebol pobre de técnica e de virtuosismo pelos campos desse imenso território, o Brasil estaria fora do Mundial da Rússia.

Depois de assistir a um jogo, mesmo entre times que estão nas últimas posições dos seus respectivos campeonatos, disputados na Espanha, Alemanha, Inglaterra, Itália e França, o fã do futebol no Brasil não esconde sua irritação ao ver duas equipes do seu país tocando insistentemente a bola para os lados ou para trás, sem arriscar as jogadas em profundidade ou pelas laterais das áreas; o drible é prioibido; o número de faltas passa dos 40 por partida; placar de 1 a 0 é goleada, porque os escassos gols resultam normalmente de bolas paradas ou alçadas sobre as áreas. Você tem a impressão de que está trocando o concerto de uma orquestra sinfônica pelos ruídos de uma banda de axé. O que mais exaspera é conviver com a passividade, o desinteresse, a falta de empenho, as simulações e as agressões verbais a árbitros e assistentes, praticados por jogadores mantidos com o dinheiro dos torcedores.

Infelizmente, esses defeitos podem ser notados nos jogos das divisões de base – são dezenas de torneios realizados durante todo o ano. Os menores de 20, 17 e 15 anos sonham com o futebol europeu, em se tornar um novo Neymar. Alguns nem chegam a vestir a camisa dos clubes brasileiros. Arrumam a mochila e vão tentar a sorte em lugares distantes, como China, Turquia, Azerbaijão, Islândia e Coréia do Sul.

Com as atenções voltadas para a Copa Libertadores, cujo título conquistou pela terceira vez, o Grêmio praticou, na minha modesta opinião, o melhor futebol do Brasileirão, elevando a vaidade do seu técnico, Renato Gaúcho, que se acha melhor do que seus colegas europeus e reivindica uma estátua na Arena Gremista. Ajudado pelas arbitragens e com o apoio de sua torcida, que sempre lotou o Itaquerão, o Corinthians comemora seu sétimo campeonato nacional.  Hernanes, que voltou ao São Paulo, depois de uma temporada na Itália, pode ser eleito o craque da galera. O mais bem votado entre os nordestinos é Zé Rafael, do Bahia, 11º colocado.

Além dos três primeiros colocados, os paulistas Corinthians (Fábio Carille), Palmeiras (Cuca) e Santos (Dorival Júnior), Cruzeiro (Mano Menezes), Fluminense (Abel, que sofreu a perda de um filho de 18 anos, pode receber um prêmio especial da CBF), Botafogo (Jair Ventura) e Avaí (Claudinei Oliveira), mesmo rebaixado, mantiveram os seus treinadores por todo o campeonato. Rogério Ceni, ídolo do São Paulo, não foi aprovado na sua primeira experiência como técnico e quase leva o seu clube ao rebaixamento. Em 2018 vaii dirigir o Fortaleza, promovido à Série “B”. Vanderlei Luxemburgo, de volta da China, também quase derruba o Sport do Recife.

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FAMÍLIA SOFRE COM TRAGÉDIA DA EMBASA

Dia e noite durante mais de 20 anos ouvindo o estrondo ensurdecedor das bombas d´água quando eram ligadas. Não dá para imaginar a angústia de ter que suportar o barulho das máquinas vibrando em toda casa! Sem sossego, batem o estresse e a angústia. Difícil dormir em paz! As reclamações na Justiça e os apelos à empresa não surtiram efeito. Nada foi resolvido para evitar uma tragédia anunciada que terminou por acontecer.

Como previsto, o desastre bateu na porta da família do jornalista Ricardo Benedictis na noite do dia 12 de outubro por volta de uma hora da madrugada, no bairro Petrópolis, em Vitória da Conquista. Quando dormiam, todos foram surpreendidos com uma tromba d´água das bombas da adutora da Embasa, destruindo tudo pela frente e comprometendo as estruturas da residência. Por pouco não ocorreu o pior.

A família foi dividida. Uma parte foi morar em hotel e outra em apartamento. Quase dois meses e nenhuma solução para o problema que desagregou oito adultos e três crianças. A única coisa concreta foi a construção do muro que foi derrubado pela enxurrada das águas daquela noite. Os prejuízos dos móveis, objetos pessoais e outros utensílios da casa não foram ressarcidos.

No dia primeiro de dezembro, Ricardo Benedictis usou a Tribuna Livre da Câmara de Vereadores para relatar todo o acontecido e disse que as negociações foram emperradas, principalmente quanto ao conserto da residência que ficou comprometida com rachaduras.

A Embasa pediu vários orçamentos e, entre o mais baixo, ofereceu apenas custear 20% do valor do serviço, o que, segundo Ricardo, não é justo e viável. Diante do impasse, a ação passou para a alçada da Justiça, tornando mais lenta a solução desejada pela família, qual seja o retorno com mais tranquilidade para sua casa, mesmo com o incômodo e a ameaça das bombas da adutora que continua funcionando no mesmo lugar.

No seu desabafo, o jornalista fez duras críticas ao Ministério Público e à Justiça que nesses 25 anos não deram uma solução para a questão das bombas da Embasa, instaladas ao lado da sua residência. Criticou a lentidão do judiciário brasileiro que, em sua opinião, não é capaz de restituir os devidos direitos reclamados pelos cidadãos.

Na ocasião, Ricardo alertou que outras tragédias, como a da noite de 12 de outubro, também poderão ocorrer em outras adutoras da Embasa em diversos bairros da cidade, como em Ibirapuera. Elogiou a atenção dada pelos prepostos da empresa em Conquisto, caso do gerente financeiro Luciano Dórea, mas criticou a posição de endurecimento da diretoria, em Salvador, para pagar os prejuízos sofridos.

O vereador Álvaro Pithon apoiou a causa da família Benedictis que se encontra em situação vexatória morando em hotel e apartamento alugado, e criticou a empresa estatal que até o momento não se dispôs a resolver o problema. Presente na sessão da Câmara, a deputada federal, Alice Portugal  prometeu intermediar uma solução justa junto à diretoria da Embasa.

A sessão da Câmara também contou com a presença de André Cairo que há 28 anos comanda o Movimento Contra a Morte Prematura, em Conquista, e falou da Tribuna Livre sobre diversos problemas da cidade, como a poluição sonora que perturba os moradores.

Pediu que o poder público municipal cumpra a leis estabelecidas sobre o sossego das pessoas que são agredidas todos os dias com altos decibéis de carros de sons e outros equipamentos sonoros, os quais funcionam  além do limite permitido.

Em sua fala, destacou que o Plano Diretor Urbano não está sendo cumprido, citando a falta de acessibilidade, principalmente para as pessoas com necessidades especiais. André Cairo também aproveitou para criticar a Embasa em razão da escassez de água em vários pontos da cidade.

O vereador Dudé pediu da Casa mais clareza e transparência com relação aos projetos da cidade, os quais não estão sendo apreciados como deviam, e denunciou que as comissões instaladas no início do ano não estão funcionando. Ele espera que esta situação seja revista no próximo ano legislativo.

 

OS DEMÔNIOS ESTÃO AVANÇANDO

Durante anos saqueiam os recursos da Previdência Social; as grandes empresas e fazendeiros sonegam e deixam de recolher as tarifas devidas; devedores recebem benefícios e são dispensados de pagar; e o gestor do tesouro nada faz para impedir a bancarrota de terra arrasada.

Para cobrir o déficit, se é que existe, e se existe deveria ter sido evitado, vem o governo da oligarquia com sua tropa de demônios, com apoio integral da mídia passiva conivente, e empurra goela abaixo uma reforma para o trabalhador fechar o caixa roubado. Assim foi feita a trabalhista e a terceirização para manter o capitalismo incompetente que vive das tetas públicas.

A sociedade acomodada que a tudo assiste, simplesmente cruza os braços e nada faz. Como a tendência é que as irregularidades e as imoralidades vão continuar no seu ritmo de máquina mortífera, dentro de mais 10 ou 15 anos lá surgem eles de novo com outras reformas ainda mais massacrantes. Assim caminham a Previdência e o holocausto contra os trabalhadores.

Diante de todo este cenário de filme de terror, portamo-nos como serviçais da senzala e verdadeiros inocentes úteis, marchando e carregando nas mãos bandeiras e cartazes dos senhores patrões escravocratas da Casa Grande. Com seus métodos malignos, nos dividem através do ódio de uns contra os outros, enquanto eles, do alto de suas mordomias e benesses dos seus poderes, nos desprezam e nos tratam como lixo descartável.

De um lado os corruptos facínoras com suas sujeiras nos empurram para as profundezas do Inferno de Dante. Do outro, os retrógrados e conservadores da extrema-direita disseminam a intolerância e o atraso, prometendo a salvação divina. Na verdade, não passam de demônios disfarçados de santos que aproveitam da fragilidade humana e enganam os incautos.

Eles se multiplicam como gafanhotos do Egito e, por estarem em todos os lugares e espaços, já invadiram nossos lares. Tanto um lado como o outro, são como as tropas de Átila, os generais sanguinários assírios e os russos dos tzares que destroem tudo que encontram pela frente. O pior é que por onde passam arrebanham seguidores, principalmente jovens que há anos vêm sendo doutrinados em suas cartilhas, numa criminosa lavagem cerebral.

Quanto a onda nefasta do conservadorismo de extrema, com suas vestes rosa de família, pátria, religião e intervenção militar, há tempos já previa a chegada dessa força de demônios disfarçados de anjos. Quando alertava, os amigos de botequins torciam a cara e faziam troça de mim, argumentando que não existia mais clima fértil para estas ervas daninhas prosperarem.

Subestimar é nocivo porque o inimigo vai ganhando terreno com mais facilidade. Hoje os grupos de extrema-direita, encabeçados, principalmente, por evangélicos fundamentalistas e militantes radicais da moral e dos bons costumes estão por todas as partes, desde o Congresso Nacional, nas assembleias, câmaras, nas escolas, faculdades, universidades, e até nos ambientes de trabalho.

Dentro deste pacote horrendo dos demônios, tem o grupo daqueles que escancara e rouba mesmo, e tem o dos elitistas, rentistas, da mídia e capitalistas, eternos vampiros sugadores, que apoia e aplaude as medidas que retiram as conquistas dos trabalhadores, aposentados, idosos e dos mais fracos. Esta turma não está nem ai para família, pátria e religião, mas, muitos da ala dos pregadores lunáticos da falsa moral são agressivos e ameaçam com morte.

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CARTA DE UM CAMPO DE REFUGIADOS

Trabalhadora humanitária do ACNUR conta sua experiência na emergência em Bangladesh

A Coordenadora para Resposta de Emergência do ACNUR, Joung-ah Ghedini-Williams, está em Bangladesh, onde cerca de 620 mil refugiados chegaram após atravessarem a fronteira de Mianmar. Aqui está seu depoimento após passar um dia no campo de refugiados de Kutupalong, em Cox’s Bazar.

COX’S BAZAR, Bangladesh, 27 de novembro de 2017 (ACNUR) – Imagine o horror de tentar sobreviver, tentar alimentar seus filhos e manter algum senso de conforto enquanto você está perdendo seus entes queridos, ou observando sua casa sendo incendiada e reduzida a cinzas. Esta é a realidade de algumas pessoas que conheci aqui em Bangladesh.

Muitas são mulheres, tentando o melhor que podem para seus filhos assustados e angustiados, embora elas próprias estejam lutando para dar algum sentido para tudo que aconteceu nos últimos meses. Ontem uma mãe perdeu sua filha. Ela estava tentando ser forte diante de seus outros filhos, mas todos estavam claramente abalados. Eles já viviam há muito tempo com medo, sem nunca saber quando poderiam ser as próximas vítimas da violência que tirou a vida de tantos dos seus parentes e vizinhos.

Várias mulheres me disseram que testemunharam o sequestro de jovens meninas, e a prisão de pais, filhos e irmãos que nunca mais foram vistos.

Conheci muitas outras no centro de transição do ACNUR, onde os recém-chegados mais vulneráveis podem permanecer por até três dias antes de serem transferidos. Estas são as famílias que necessitam de assistência especial antes de poderem continuar: idosos, pessoas com deficiência, mulheres grávidas, mães om bebês e crianças desnutridas ou doentes. Existem várias famílias que sobreviveram a um horrível acidente de barco. Das 42 pessoas a bordo, quatro foram mortas. Vinte e dois outros ficaram feridos o bastante para precisar de tratamento hospitalar.

Eu também vejo colegas do ACNUR, obstinados e dedicados, que me deixam orgulhosa desta organização na qual continuo acreditando após 20 anos de serviço. As equipes do ACNUR estão na linha de frente, nas fronteiras, nos campos de refugiados e nos centros de transição, desde o início da manhã até tarde da noite.

Conheço colegas que saíram esta manhã às 4:30 para chegar às áreas fronteiriças. Ontem à noite, eu estava no telefone recebendo informações até quase meia-noite.

Estamos fazendo de tudo para alcançar todas as pessoas que precisam de nossa assistência, até mesmo as que estão nos mais distante dos campos e acampamentos onde os veículos não conseguem chegar. Hoje andei por sete quilômetros e subi o equivalente a 16 andares de escadas. Um colega me contou sobre um dia que ele percorreu mais de 18 quilômetros. Ele foi encarregado de identificar famílias vulneráveis e garantir que todos com necessidades específicas acessassem serviços essenciais. Ele entrevistou quase uma centena de famílias naquele dia e voltou com os pés doloridos, mas com um sorriso orgulhoso de seus esforços.

Colegas de vários países e origens – ex-banqueiros, professores, engenheiros de várias religiões e países – estão trabalhando juntos incansavelmente para planejar novos assentamentos para as famílias recém-chegadas. Não importam as condições climáticas, chuva pesada ou sol brutal, eles estão fazendo tudo, desde estradas no centro de trânsito a sessões de terapia para uma dúzia de mulheres Rohingya. Essas mulheres sobreviveram à violência sexual e são fortes o suficiente para compartilhar suas histórias.

Conheci diversas corajosas famílias Rohingya que têm apenas um pouco mais do que as roupas do corpo, o peso de seu trauma, da perda, e as dolorosas lembranças da violência que as forçou a fugir de suas casas.

No entanto, à medida que o sol se põe na recente extensão do campo de Kutupalong, estou cercada pelo som de batidas de martelo, serrotes, conversas e risos animados enquanto as famílias constroem novas casas com bambu, cabos e lonas de plástico que lhes fornecemos.

Eu vejo crianças empinando as pipas que fizeram com sacos de plástico e pedaços de galho, e ficando felizes quando seus brinquedos finalmente se elevavam acima deles. Eu sinto o aroma dos jantares preparados para as famílias compartilharem, usando os kits de cozinha que o ACNUR oferece. Eu sei que pode ser difícil explicar a importância de tais utensílios tão simples em uma zona de emergência, mas sem eles, como as pessoas cozinhariam? Como as pessoas começariam a reconstruir suas vidas?

Quero deixar claro: há ainda muito trabalho a ser feito. As necessidades são enormes. Mas isso simplesmente significa que há muito o que podemos fazer, que há tantas pessoas que podem ser ajudadas.

Os sorrisos que vejo nos rostos das crianças mostram essa simples verdade: todos os esforços e cada doação fazem a diferença. O ACNUR está recebendo doações para ajudar aos refugiados rohingya pelo link: goo.gl/GyvGah.

 

A REFORMA DO FIM DO MUNDO

É um tremendo absurdo que o Centro de Cultural Camilo de Jesus Lima, de Vitória da Conquista, esteja fechado há quatro anos e se deteriorando por causa de uma simples reforma que mais parece o fim do mundo. Durante este período os artistas ficaram sem um espaço adequado para desenvolver e apresentar seus trabalhos, visto que a cidade já é carente em termos de atividades culturais.

Por apresentar riscos em suas instalações, além de equipamentos quebrados, a unidade foi interditada pelo Conselho Regional de Engenharia. A obra que se arrasta é de responsabilidade do Governo do Estado, mas a classe artística, os políticos (Câmara de Vereadores), a mídia e todos os demais segmentos da sociedade têm sua parcela de culpa por esta situação vexatória que vive a cidade.

Por que tanto tempo para realizar uma reforma que, segundo se tem anunciado, importa num custo em torno de 500 mil reais? É uma vergonha para a terceira maior cidade da Bahia com mais de 300 mil habitantes. Isso mostra a falta de mobilização e a pouca importância que se dá para a cultura local, embora muita gente de fora tenha uma falsa impressão de que Conquista tem um alto nível cultural. Já teve em tempos passados.

Cadê os supremos intelectuais que se consideram donos da cultura de Conquista?  Onde está o poder de pressão junto ao Estado? Os deuses da cultura e seus sacerdotes receiam fazer cobranças mais incisivas ao governo com receio de incomodar seus representantes? O que mais se ouve é o barulho do silêncio do amém de todos, principalmente daqueles que se acham donos da história de Conquista.

Para uma grande parte do povo que é inculta, devido às mazelas do nosso sistema político, o fechamento de um centro de cultura não faz nenhuma falta e não tem importância. Para os artistas e as pessoas mais cultas, este é o retrato do total imobilismo e individualismo. Fora algumas vozes isoladas, não há reação e manifestações de repúdio e protestos. É vergonhoso demais!

12ª MOSTRA CINEMA CONQUISTA

Como o Centro de Cultura se encontra fechado há quatro anos, a 12ª Mostra de Cinema de Conquista deste ano teve que ser realizada num espaço da Escola Normal. O evento aconteceu entre os dias 19 e 24 de novembro com programação e participação reduzida. Mesmo assim, o público teve a oportunidade de assistir filmes de longa, média e curta-metragem premiadas no Brasil e em outros países.

Conferências, oficinas, debates, exposições e apresentações também fizeram parte da programação. A Mostra deste ano homenageou o cineasta baiano Tuna Espinheira pelo seu trabalho deixado para a área cinematográfica. Nos seus 44 anos dedicados ao cinema, Tuna direcionou atenção especial à temática baiana.

Numa realização do Instituto Mandacaru de Inclusão Sociocultural, a  iniciativa, organizada por Esmon, contou com apoio cultural e institucional do Canal Brasil, TVE Bahia, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Curso de Cinema e Audiovisual da Uesb, Programa Janela Indiscrita e ajuda financeira da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista e do Governo do Estado que está há quatro anos sem concluir a reforma do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima.

DOS SUMÉRIOS A BABEL (III)

A EPOPEIA DE GUILGAMECH (II)

Para historiadores, arqueólogos e pesquisadores, a lenda passada na antiga Mesopotâmia (maior parte do Iraque), bombardeada na atualidade pela estupidez humana por várias nações, que fala do rei em parte divino e humano Guilgamech (Gilgamés), é uma das mais lindas e ricas da humanidade, mas pouco comentada pela literatura.

Na Mesopotâmia antiga, a história era contada nas estradas durante as caravanas tribais, no trabalho do dia a dia erguendo templos e construções, bebendo nas tabernas e nas casas à noite em rodas de amigos. Então vamos para a segunda parte da epopeia, conforme as inscrições das doze tabuinhas de argila encontradas pelos arqueólogos.

Depois de entrar triunfalmente em Uruk coma a cabeça de Khumbaba, o rei se limpa, veste novas roupas e põe a coroa em sua cabeça. Vendo todo aquele esplendor, a deusa Ichtar se arde de desejo e se oferece para ser sua amante, prometendo riquezas e poder sem limites, mas Gilgamés a recusa.

“Desprezo o teu corpo cheio de fascínio, recuso o teu pão (…); as tuas artes são quentes, mas o teu coração é gelado. Onde está o amante que amarias para sempre? Ao teu jovem amante Tamuzu (Dumuzi), deus da Primavera, só reservaste o pranto, ano após ano; depois, arranjastes um jovem pastor, quebraste-lhe as asas e agora ele vaga em lágrimas pelos bosques (…). Passaste a outro pastor e, com o bastão, fizeste um lobo. Hoje, os outros pastores o ameaçam e seus próprios cães o mordem”.

E assim o rei vai narrando as maldades praticadas pela deusa contra quem ficava com ela e até quem se recusava, como num animal da lama. “Queres meu amor para reservar-me o mesmo tratamento” – respondeu Gilgamés.

Ichtar ficou furiosa e saiu pelos céus a pedir vingança ao deus Anu pelo ultraje de que foi vítima. A deusa pede que ele crie um enorme touro para aterrorizar o rei e, se não for atendida ameaça golpear o deus com terrores e assombros. Para tanto, descerá aos infernos, abrirá todas suas portas, até que todos os demônios e mortos saiam e venham à terra. Anu, então, advertiu que este tipo de vingança acarretaria sete anos de carestia e pergunta se há trigo suficiente nos celeiros, no que a deusa garante que sim.

Sem saída, Anu faz surgir da montanha dos deuses um touro imenso e envia a Uruk onde devasta os campos e arrasta centenas de homens. Gilgamés e seu amigo Enquidu enfrentam ferozmente o touro e enfiam uma espada no seu peito. Os dois se congratulam por terem dado nova glória aos seus nomes, agora que matamos o touro. Depois se prostram perante o deus sol Chamach. Irada, Ichtar lança as piores maldições contra o rei, Seu amigo irmão Enquidu arranca uma coxa do touro e lança ao rosto da deusa. Depois lavam suas armas no Eufrates, festejando a luta e a vitória.

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A CONQUISTA DOS DONOS DA CULTURA

A princípio, já sei, antecipadamente, que não serei apenas criticado, mesmo porque discordar faz parte da natureza humana e do debate democrático aberto a todos. Entretanto, muitos irão soltar impropérios e flechas venenosas com conotações depreciativas contra minha pessoa, do tipo rancoroso, imbecil, provocador e frustrado.

Com minha idade avançada, já não me importo mais com as pedradas. Sou cidadão conquistense vivendo aqui há quase 27 anos. Procurei durante este tempo estudar as origens e a história desta terra, bem como, observar a prepotência vaidosa intelectual de muitos que se consideram donos da cultura e que se portam como deuses intocáveis. Existe muita presunção na cabeça de muita gente.

O resultado disso é que tudo que se faz, ou se estar por fazer aqui em torno da cultura, tem que girar ao redor desses sacerdotes ilustres que comandam os rituais litúrgicos. Sem o aval deles, qualquer expressão ou trabalho artístico não consegue se sobressair e alcançar maior divulgação interna e externa. Para abrir passagem e ser prestigiado tem que pedir a benção deles.

Antes de adentrar na questão concernente ao título de cunho opinativo, permitam-me uma pausa para uma observação. No último dia 21 (terça-feira), na Livraria Nobel, quando do lançamento da obra “A Guerra das Coronelas Sá Lourença e Isabelinha no Sertão da Ressaca – Vitória da Conquista”, do autor José Walter Pires, fiquei sem entender o porquê da secretária da Cultura não ter sido convidada a fazer parte da mesa das celebridades. Foi uma gafe, ou foi coisa proposital, premeditada? Afinal de contas, ela estava ali presente prestigiando um evento da sua pasta, representando toda a cultura do município. Eu só queria entender!

Bem, voltando ao nosso tema provocativo e polêmico, a par de duas universidades, uma estadual e outra federal, de várias faculdades particulares de ensinos presenciais e à distância, a cultura de Vitória da Conquista não tem um projeto consolidado de realizações. Sem verbas próprias e uma diretriz traçada, vivemos de atividades pontuais soltas no espaço. A sensação é que muita coisa acontece sem um calendário programático. O que foi realizado num ano pode deixar de ser no outro.

O setor privado, ainda com sua mentalidade provinciana, dificilmente investe na cultura e no esporte porque acha que não compensa. Quando dá alguma coisa faz como forma de ajuda, esquecendo que o doador também está sendo beneficiado com a divulgação da sua imagem perante o público. Isso acontece, por exemplo, com o futebol da cidade. Quando o time está vencendo aparece alguma ajuda, mas se perde, não tem apoio. O atleta sofre para conseguir um patrocínio e desenvolver seu trabalho.

Com nosso complexo de superioridade (tem muita gente que não se considera nordestino) ainda nos alimentamos da fama de fora de que Vitória da Conquista é uma cidade cultural de alto nível, talvez por conta de um passado efervescente e por nomes como Elomar, Glauber Rocha, Camilo de Jesus Lima (Caetité) e tantos outros, Com todas suas ambiguidades, arrogâncias, pedantismos, prós e contras, cada um com seu grande valor artístico de reconhecimento nacional e internacional, ainda um dia vou me atrever a falar aqui dos titãs da nossa cultura (Elomar e Glauber).

Pela sua grandiosidade, Conquista poderia ter uma atividade cultural intensa, bem mais diversificada e rica, só deixando a dever com a da capital. Não é isso que temos. Não por falta de talentos, mas pela ausência de um plano piloto que contemple a todos, sem as amarras e sem precisar do amém dos donos da cultura.

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DOS SUMÉRIOS A BABEL (II)

A EPOPEIA DE GUILGAMECH (I)

Da poderosa cidade de Uruk nasce a história da Epopeia de Guilgamech (Gilgamés), o poema mais famoso da literatura da Mesopotâmia, descoberto na Biblioteca de Assurbanipal (Nínive), através das tabuinhas de barro pelo arqueólogo Hormuzd Rassam e decifrado por George Smith.  É também uma versão assíria. Os deuses são semitas, mas os lugares da ação são sumérios, com raízes da época de Uruck. A Epopeia foi gravada em doze tabuinhas de argila.

Na Biblioteca de Assurbanipal, por volta de 600 A.C, diz o autor de “Deuses, Túmulos e Sábios”, C.W.Ceram, que a obra literária foi a primeira grande epopeia da humanidade, a lenda do maravilhoso e terrível Gilgamés. Segundo ele, a história, quando foi decifrada, lançava uma luz completamente nova e surpreendente sobre o nosso mais antigo passado.

O escritor lamenta que os autores modernos da literatura não têm dado o devido destaque merecido. Citam algumas linhas e “passam por alto o conteúdo  que é o que nos conduz ao berço da raça humana, ao primeiro antepassado da humanidade”.

De início, a obra estava fragmentada (faltava algo para fechar a história) e, então, George Smith foi atrás do resto nas escavações perto de Mossul (Iraque), justamente a parte que falava do dilúvio, contada por Utnapisti que era o Noé, da Bíblia. Trata-se da história daquele mesmo dilúvio que a Bíblia viria a contar muito mais tarde.

Logo de início, o herói Guilgamech (Gilgamés), dois terços divino e um humano, é apresentado como grande caçador de leões. Uruck tem poderosos muros, um grandioso templo e um palácio branco construídos por Ensi, temido pelos seus súditos. Ele impõe a todos um trabalho sem cessar, e são as mulheres que elevam protestos aos deuses. Anu reconhece que seus lamentos são justos e encarrega a deusa criadora Aruru de formar um indivíduo forte, que não seja um animal do deserto, para distrair Guilgamech.

Aruru toma um pouco de argila, molda-a, cospe em cima e surge um herói do sangue de Ninib, deus da guerra chamado de Enquidu (Enkidu), não muito atraente, de cabelos longos como o trigo que se veste de peles, bebe com as manadas e come grama junto com as gazelas. Logo, torna-se protetor dos animais que arrebenta redes e inutiliza armadilhas dos caçadores. O local torna-se um Parque Nacional.

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