setembro 2021
D S T Q Q S S
« ago    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

:: ‘Notícias’

AMOR PELA NATUREZA

Nona Alves Fernandes – jornalista

Para aliviar os momentos tensos e exaustivos vividos em 2020, o médico Getúlio Borges Fernandes escolheu a Ilha de Itaparica para passar um período de descanso nos primeiros dias de janeiro. Na maior parte do tempo era a Natureza que preenchia os momentos de reflexão do cardiologista. Ao término do curto período de férias, Getúlio já não podia esconder para si mesmo que estava apaixonado por algo que significa vida para o ser humano.

Numa dessas manhãs de verão, “contaminado” pelo clima de serenidade do lugar, que contrastava com a aflição e a dor dos hospitais, manifestou em Getúlio a ideia de editar os versos escritos na época de estudante e os mais recentes, a maioria dedicada à Natureza. Entre bulas e reclamos de medicamentos e com a ajuda de sua secretária Lizandra Nunes, os versos rascunhados em receituários foram reunidos no livro “A Vida Humana e a Natureza”

Prefaciado pelo escritor Eduardo Olympio da Silva Braga, o primeiro trabalho literário do doutor Getúlio contem 142 páginas e 124 poemas. Editado pela Fontenele Publicações, em São Paulo, encontra-se à disposição dos amigos, colegas e clientes do escritor nas principais  distribuidoras de livros do país, podendo ser adquirido pela internet.

“Amor pela Natureza” é o título de um dos poemas do médico-poeta. Numa das estrofes, ele adverte:: “Se cometer o pecado/ da natureza lesar/nunca será perdoado,/seu ato será levado pra no futuro julgar”. Observa-se que a métrica usada pelo autor se aproxima da figura poética das redondilhas (versos de sete  a  nove silabas).  Itaparica, celeiro de inspiração e “beleza por todo o canto”, foi lembrada pelo escritor ao citar  a água da Fonte da Bica, uma das atrações turísticas da ilha. “Viva o povo brasileiro/ Escreveu nosso poeta”, é uma lembrança, uma homenagem, ao mais conhecido dos itaparicanos, o “imortal” da Academia Brasileira de Letras (ABL), João Ubaldo Ribeiro.

Médico e escritor Getúlio Borges Fernandes

A dedicação de profissionais da Medicina pela literatura pode ser constatada numa consulta aos anais da ABL. Vamos encontrar entre dezenas de médicos acadêmicos os nomes de Ivo Pitanguy, Miguel Couto, Deolindo Couto e Moacir Scliar. Com 24 livros (poemas, contos e romances)  publicados, o pediatra Aramis Ribeiro Costa presidiu em duas oportunidades a Academia Baiana de Letras.

Membro da Academia de Letras de Vitória da Conquista, o jornalista, escritor, poeta, escultor e produtor de vídeos, Jeremias Macário, num passeio pelo seu jardim, como faz diariamente para esquecer a covid-19, comentou: “Tente refletir sobre o mistério contido numa flor. Vamos apreciar com mais atenção a natureza. As flores me deixam menos tenso nesses tempos de pandemia e de crise política, econômica e social”

Getúlio Borges Fernandes nasceu em 13 de fevereiro de 1954, em Igaporã, no sudoeste da Bahia, onde iniciou os estudos; os cursos ginasial e colegial foram feitos em Caetité. Adolescente, transferiu-se para Salvador, onde ingressou na Faculdade de Medicina da UFBa, especializando-se em cardiologia e clinica médica. Em seu consultório, no Itaigara, atende há mais de 35 anos uma clientela fiel.  Suas atividades profissionais incluem a docência universitária nos cursos de graduação em Medicina e de pós-graduação em Clínica Médica.

 

 

A GRAVIDEZ E A PANDEMIA

Uma população inteira de Vitória da Conquista foi dizimada. Simplesmente desapareceu do mapa, como se estivesse sido exterminada por uma bomba. Calma gente, não é nada disso! Conquista continua viva com o mesmo número de habitantes, mas também está sendo sacodida pela pandemia que já ceifou a vida de mais de 333 mil pessoas em nosso país, o mesmo contingente de humanos da nossa cidade do Sertão da Ressaca.

O dado é só para ilustrar a dimensão do estrago que a Covid-19 já fez no Brasil, e só aumenta a cada dia, ultrapassando mais de quatro mil mortes por dia, o maior índice do mundo. No entanto, minha intenção é fazer uma relação entre a gravidez de mulheres nesse período de pouco mais de um ano e a doença. Trata-se de um assunto pouco comentado pela mídia.

DUPLO PERIGO

Não sou nenhum infectologista ou especialista nesse campo, mas qualquer um sabe que é um duplo risco para a mulher se engravidar nesse tempo tão aterrador. Confesso que ainda não li e não vi nenhuma reportagem mais específica e profunda, mostrando os perigos para a mãe e o bebê no caso de a mulher vir a ser contaminada.

Mesma que a grávida de Covid tenha um parto sem problemas, a criança pode nascer com sequelas de deficiências, como ocorreu no caso da Zica? Entendo que o risco seja bem maior para a mãe infectada que já tenha doenças crônicas, como pressão alta, diabetes, asma e deficiência coronária.

Como jornalista, creio que é uma pauta importante para uma matéria esclarecedora. Nesse ponto, e diante do atual quadro, os casais têm pensado nessa questão antes de decidir ter um filho? Dá para mensurar se nesse período de Covid houve um aumento, ou uma redução no número de partos nos hospitais? Outra questão é a falta de vagas nas unidades de saúde, especialmente do SUS.

O que mais me espanta, ou aliás, já era de se esperar, é perceber que as mulheres mais grávidas são as mais pobres e que já têm três e quatro filhos pequenos numa situação de desnutrição alimentar, o que demonstra, mais uma vez, a falta de educação e instrução para evitar nascimentos nesse panorama de pandemia, desemprego e fome.

É a cara de um Brasil desigual onde a miséria aparece ao lado da Covid-19 como uma praga que está exterminando os brasileiros mais fracos. O insignificante auxílio emergencial mais as iniciativas de doações de grupos e associações não estão dando conta da demanda de milhões de bocas famintas.

Todas essas mazelas são resultado da falta de uma liderança no comando central e de uma coordenação que ouvisse as recomendações científicas de combate ao vírus desde o seu início, numa frente de isolamento social e adoção dos protocolos de higienização, como o uso de máscaras e outras medidas de restrição.

No entanto, o que temos é um governo de negacionistas que ainda acredita que a terra é plana e que a pulga vem da areia. É um governo que se indispôs com nações das quais tanto necessitamos de negociações para aquisição de mais vacinas para imunizar a população. É um governo que se isolou do resto do mundo e disse que ser pária é bom. É um governo que levou o Brasil a bater o recorde de mortes no mundo.

A MISÉRIA E A EXPLORAÇÃO SEXUAL

Demora muito tempo esquecido, mas o tema sempre volta à tona. O discurso continua o mesmo, e assim sempre vai haver exploração sexual de menores no mundo das estradas brasileiras. Entra campanha e sai campanha, sempre focada nos caminhoneiros, como se todos eles fossem tarados sedutores das meninas esmolambadas de pés no chão, ávidas por um prato de comida.

Não quero aqui, de forma alguma, eximir a culpa dos motoristas das cargas pesadas, mas não podemos generalizar. Existe do outro lado das leis do estatuto da criança e das Ongs defensoras da causa, um discurso moralista e até hipócrita, que deixa de reconhecer que a miséria e a fome levam esses menores a praticar a sedução por urgente necessidade de se nutrir, tanto que vendem seus corpos por uma refeição. Claro que ao caminhoneiro cabe ter consciência e recusar.

OS PAIS E AS MENINAS

Nessa miséria profunda de desigualdade social, principalmente a nordestina, que tem origens no cruel passado de exploração dos coronéis do dinheiro e do poder, até os pais mandam suas inocentes e frágeis meninas vagar à noite nas estradas ou nos postos de combustíveis à procura de homens, para matar a fome e sobrar um pouco de comida para os outros irmãos.

A esse povo errante e retirante, há séculos que os governos aventureiros, oportunistas e populistas negaram a educação, dignidade humana, ajuda para manter suas lavouras e um emprego decente. É muito fácil colocar a culpa só nos caminhoneiros e carimbar neles uma imagem de vilões aproveitadores, e não atacar de frente o problema da miséria. Nesse Brasil, costumamos sempre jogar toda sujeira para debaixo do tapete, como se isso fosse resolver as mazelas.

Quem não sabe e conhece as histórias de pais desesperados, inclusive de mães que vendem seus filhos por tostões para ficarem livres de seus rebentos e ainda pegar uma graninha merreca para tirar a barriga da miséria? Em minhas andanças como jornalista, já narrei um caso de um marido vender a mulher e a filha por uns sacos de farinha e feijão.

Por falta de educação, que por séculos é negada ao povo, as famílias pobres são as que mais têm filhos, inclusive nesse período caótico da pandemia, e isso persiste até hoje no campo e nas favelas das cidades grandes. Nelas ainda existe a cultura religiosa de que foi a vontade de Deus que assim quis. O resto, todos sabem o que acontece quando chega o aperto num casebre apertado repleto de crianças que dormem amontoadas com fome.

Logo cedo, as meninas e meninos caem na rua da amargura, e oferecem a única coisa que possuem que é o sexo. Eles estão por todos lugares, não somente nas estradas e postos, mas nas praias nordestinas, nas ruas, nas portas dos hotéis e em bares e restaurantes. Não são as campanhas, nem as leis e estatutos que vão acabar com esse triste quadro.

Com o agravamento da Covid-19, o desemprego, a informalidade e a falta de instrução para arrumar um trabalho, a situação piorou mais ainda, e engrossou esse contingente de menores, principalmente de meninas sendo exploradas sexualmente.

O que não dá é para generalizar e jogar toda culpa no caminhoneiro. Não estou aqui defendendo a categoria, e sei que muitos aproveitam essa fraqueza e comete o crime. Não vamos ser hipócritas para não enxergar que a raiz do problema está na miséria. As políticas públicas são sempre populistas com o sentido de angariar votos para que o sistema perpetue assim.

 

 

UM CICLO VICIOSO DE CONTAMINAÇÃO

NÃO É JUSTO, OS JOVENS QUE VÃO PARA AS BALADAS ESTÃO TENDO PRIORIDADE NOS LEITOS DE UTI.

Sai uma festa de tradição cultural e entra outra, e tome comemoração, numa pandemia que já ceifou a vida de mais de 325 mil pessoas, uma população inteira de Vitória da Conquista. No Brasil, principalmente na Bahia, os eventos se sucedem numa progressão proporcional da doença através das aglomerações. É um suicídio coletivo! “Gente estúpida”!

Esse ciclo vicioso de contaminação indica que a pandemia ainda vai perdurar por alguns meses, e só pode baixar com a vacinação em massa, que sofreu atrasos e continua num ritmo lento. Ninguém quer cortar sua tradição, como bem vimos no São João passado com uma multidão comprando ingredientes nas feiras e mercados para festejar com as famílias, amigos e parentes.

Depois do São João vieram as eleições, e depois as comemorações de final de ano. O ritual de estupidez é sempre o mesmo, seguido de um aumento nos índices de infecção, superlotação nos hospitais e mais gente morrendo. No início de fevereiro tivemos os carnavais clandestinos incentivados pelas lives da turma do axé baiano.

Agora é a Semana Santa e os Ovos de Páscoa, com as peixarias, feiras e supermercados cheios de consumidores ávidos para fazer mesas fartas com vatapá, caruru e outras comilanças. Como no Natal, a Sexta da Paixão é o tempo que as pessoas mais se empanturram com comidas e bebidas quando deveria ser o contrário, como recomenda a religião. A tradição da festa, carregada de comidas, ultrapassou a religiosidade.

Esse quadro de insensatez serve para estampar um dos maiores paradoxos brasileiros. De um lado, uma camada mais pobre se aglomera nos mercados para comprar peixe, camarão, dendê, quiabo, castanha e outros ingredientes para a festança. Do outro, vemos imagens de casebres famintos, de geladeiras e panelas vazias, com crianças e adultos que mal fazem uma refeição por dia.

Não dá para entender esses absurdos de desigualdade social de uma pobreza, que ainda consegue um dinheirinho para cumprir a tradição de uma Semana Santa, dentro de outra ainda pior de extrema pobreza que passa fome e não vai ter o peixe na mesa para seguir o preceito.

Dentro de mais 15 ou 20 dias vamos ter outro avanço da doença, praticamente coincidindo com o São João de junho, para completar o chamado ciclo vicioso da contaminação. Enquanto isso, as vacinas chegam aos tiquinhos, numa velocidade de uma carroça.

 

TEM CHEIRO DE ENXOFRE NO AR

Nesse dia de 31 de março de 1964 (na verdade o golpe foi 1º de abril – dia da mentira), o general Olympio Mourão (o outro) desceu a serra de Juiz de Fora (MG) e começou a quebrar com toda ordem constitucional, em nome de uma salvação ilusória de tirar o país das trevas comunistas. Foi o maior atentado à democracia no Brasil que, de início, com uma propaganda midiática dos Estados Unidos de uma Guerra Fria, contou com a adesão de uma camada de civis, da Igreja e até da Imprensa.

Um ano depois, em 1965, esses apoios foram sendo retirados porque a nação se sentiu traída (prometeram eleições livres), e piorou mais ainda com o AI-5, de 13 de dezembro de 1968. Cinquenta e sete anos depois, infelizmente, estamos sentindo esse mesmo cheiro de enxofre no ar, com os generais fazendo Ordem do Dia, negando toda a história, e assegurando que foi um movimento marco da democracia.

OS TORTURADOS POLÍTICOS

Eles poderiam, pelo menos, respeitar a memória dos torturados políticos mortos nos porões fúnebres da ditadura civil-militar (fuzilados e esquartejados) e dos seus familiares que até hoje ainda choram pelos seus entes queridos. Deviam respeitar, pelo menos, esse momento terrível de pandemia da Covid-19 que já matou quase 320 mil brasileiros, uma população inteira de Vitória da Conquista. Eles hoje, que estão encastelados no governo, têm uma grande parcela de culpa por essa mortandade que poderia ter sido evitada.

Monumento na Praça Tancredo Neves, em Vitória da Conquista, em homenagem aos tombados durante a ditadura civil-militar de 1964. Foto do jornalista Jeremias Macário

Eles deveriam respeitar as famílias enlutadas e focar suas energias autoritárias para reparar seus erros, e adquirir vacinas suficientes para imunizar toda nossa população. Não é hora de ficarem ai dividindo e tentando reescrever nossa história, com levianas mentiras. Tudo isso é por conta de uma anistia (1979) que não teve reparação das atrocidades cometidas e deixou as feridas abertas em nossos corações dilacerados.

De lá para cá, o nosso país nunca mais foi o mesmo, vivendo uns altos e baixos em seu desenvolvimento econômico, educacional e social, culminando com esse caos de atraso político ideológico fascista, com cheiro de enxofre no ar. Esse seria o momento de reconciliação, de paz e não de criar mais ódio, intolerância e divisão entre um povo tão sofrido.

Não é momento, e nunca será, senhores generais, de comemorar um passado que só nos deixou más recordações, não importando seus argumentos inconsistentes e não convincentes. Pelo menos, lembrem, senhores generais, que foi um passado de sangue, e mirem nos exemplos dos nossos países vizinhos (Uruguai, Argentina, Chile, principalmente) que puniram os torturadores, e não tentam hoje mudar suas histórias.

É muito estranho a saída de três generais de comando das forças armadas de uma só vez, isto depois do processo de redemocratização há pouco mais de 30 anos. O ministro da Defesa, que foi exonerado, não estava alinhado ao pensamento do capitão-presidente que queria decretar estado de sítio no país, e continua com a maldita ideia de uma intervenção militar, fora os seguidores aloprados que defendem uma reedição do AI-5, ou sei lá, um AI-6.

Infelizmente nossa juventude, que pouco conhece sobre nossa história, e gente inclinada ao autoritarismo, entram na onda da negação de que não houve uma ditadura no Brasil que matou mais de 500 pessoas e torturou milhares que contestaram o regime dos generais dos cincos governos militares.

Não sabem que houve um golpe dentro do golpe, em 1968, com total censura à imprensa, corte dos direitos civis, cassação dos políticos em geral considerados subversivos e fechamento do Congresso Nacional. Naquela época, não se podia nem realizar reuniões, e a ditadura dizia ter o poder de adentrar no pensamento individual.

Hoje, eles falam em movimento e até revolução, argumentando que as forças armadas foram chamadas pelos civis, pela Igreja (pátria, família e tradição) e pela mídia, para manter a ordem ameaçada pelo totalitarismo comunista. No entanto, esquecem de dizer que entre meado e final dos anos 60 para início dos 70, praticamente todos esses setores da sociedade se arrependeram do apoio e se posicionaram contra as barbaridades do estado de exceção.

O CONSUMIDOR SEMPRE LEVA A PIOR

Nesse Brasil, que precisa renascer das cinzas, tem leis e estatutos para tudo, mas são todos faz de conta, como o do consumidor que continua sempre levando a pior. O desrespeito é ainda maior quando se trata de empresa estatal, e olha que nos ensinam que ela é pública e nossa. Vivemos numa mentira.

Primeiro a senhora Embasa aumenta minha conta de água em mais de 100%, com mais de 50,00 reais de taxa de esgoto. Foi uma porrada no meu parco orçamento. Eu e minha esposa passamos quase uma semana tentando ligar para agendar uma reclamação pessoal (pelo menos para saber o motivo da escorcha), mas é aquela velha história que todos já conhecem.

UMA SEMANA

O telefone da empresa quase sempre não atende. Foram várias tentativas durante um dia, que perdemos a conta. Continuamos insistindo até que deu sinal de vida, mas com aquela musiquinha de deixar os nervos à flor da pele. Do lado de lá, a atendente disse que ia colocar nossa reclamação na fila. Esperamos por uma semana e nada de uma resposta positiva. Ao todo, foi uma semana nessa labuta.

Na insistência, começamos todo processo novamente. Pelo site da internet não obtivemos fazer o agendamento. A coisa sempre emperra no final do cadastro quando você começa a se sentir aliviado e contar vitória. Talvez o Brasil seja o único país do mundo onde essa tecnologia virtual para solucionar problemas não passa de uma miragem no deserto.

Voltamos, então, ao sistema do telefone. Outra via cruxis e tome tempo. Depois de muita luta, burocracia de documentos e sofrimento, com a musiquinha nos irritando no ouvido, saiu uma voz de lá do fim do túnel e marcou analisar a reclamação no dia 6 de abril. Sinceramente, não confiamos que a empresa faça uma revisão e venha dar uma satisfação.

Desde o início de março que estamos nessa luta para saber o porquê da senhora Embasa ter elevado a cobrança do nosso consumo de água (duas pessoas e sem vazamentos nas torneiras) em mais de 100%. Estivemos na sede da empresa e apenas nos deram um papelzinho onde está escrito agendamento pelo SAC Digital (aplicativo ou site www.sacdigital.ba.gov.br) telefone 0800 0555 195 whatsapp (71) 99613-2858 site agenciavirtual.embasa.ba.gov.br.

Tente ser atendido e fazer uma agenda por esses meios virtuais. É mais fácil ganhar na loteria. Depois de um tempo, o usuário fica com seu sistema neurológico e psicológico em frangalhos. Se não se controlar, é capaz de baixar no hospital, mas lá não tem mais vagas por causa da Covid-19. Passamos no SAC e nos informaram que, com essa pandemia tinha que fazer o agendamento virtual. Ocorre que você não consegue e não tem a quem apelar.

Além dessa pandemia que deixou mais gente pobre passando fome, o brasileiro está sendo massacrado por todos os lados com os aumentos sucessivos da gasolina, na conta de água e luz, nos preços dos alimentos e até do IPTU municipal de Vitória da Conquista que também sofreu um acréscimo superior a 50%. A situação é cada vez mais crítica e a gente sente um cheiro de enxofre no ar.

Todos os dias temos que acompanhar as notícias de hospitais superlotados, cemitérios em atividades até durante a noite para dar conta dos enterros, vacinas aos tiquinhos, técnicos da saúde simulando imunizações e o Palácio do Planalto com seus generais arquitetando tramas macabras.

O CINISMO AGORA SE RESOLVE COM UMA SIMPLES DESCULPA

Primeiro o cara é cínico, falso, mentiroso e hipócrita e depois é só pedir desculpas que tudo fica numa boa. É uma tremenda cara de pau desses políticos, como a do governador do Rio de Janeiro, que deu uma tremenda festa em seu aniversário, provocando aglomeração, e o pior, todo mundo sem máscara, inclusive os empregados que fizeram os come-bebes.

O cinismo foi tão escancarado que dias antes ele fez um pronunciamento em público recomendando que as pessoas não dessem festas, mantessem o isolamento social e usassem máscaras. Fez o contrário do que mandou e, com a cara mais limpa, deu umas desculpas fajutas e pediu desculpas. Em outro país sério seria imediatamente afastado do cargo, preso e até executado. Aqui não acontece nada.

Entrou na moda a onda das desculpas onde o sujeito fala barbaridades, discrimina os outros, pratica o racismo, a homofobia e depois pede desculpas. Essa nova mania logo vai estar chegando aos ladrões corruptos. Primeiro o cara rouba e depois pede desculpas. Todo mundo esquece.

É mesmo um Brasil que precisa renascer das cinzas, com um novo conquistador para as coisas darem certo. Tudo tem que começar do zero, mas o tempo não volta, meu amigo. Tem que nos contentar com o que temos de pior na política mundial, mas isso é um outro assunto numa outra oportunidade.

Como já estamos nessa linha, vamos dar um pulo até o Planalto, cujo capitão-presidente está agora sendo encurralado pelo “Centrão” do Congresso Nacional. Na pressão pela cabeça do brucutu do Ministério das Relações Exteriores, para enganar os bestas, ele entrou num acordo e mudou seis peças, ou melhor, remanejou-os.

Pelo andar da carruagem, ele insiste na ideia macabra de uma intervenção militar (vivemos um misto de democracia e militarismo), ou uma ditadura mesmo. O afastamento do ministro general da Defesa por outro general não tão legalista, Braga Neto, vai nessa direção. O outro criticava os colegas da ativa em cargos no poder executivo, e condenava qualquer intromissão das forças armadas em questões políticas.

Pelo visto, ainda vivemos com uma espada na cabeça, pois esses conluios com políticos cínicos do troca-troca, do dá lá, dá cá, como do naipe do governador do Rio de Janeiro, nos provocam arrepios, ou calafrios na espinha. Com o encurralamento, na base do tudo tem limites, o capitão, em seu inferno astral da reprovação e dos panelaços, deu um recuo, e até passou a usar máscaras. Disse que ia comprar 500 milhões de vacinas. Não dá para confiar.

Com o novo ministro da Saúde, ele negociou as máscaras e os protocolos pela cloroquina e o não isolamento social, que são suas bárbaras bandeiras negacionistas, tanto que o Queiroga sai pela tangente quando indagado sobre esses assuntos.

Até quando vai perdurar essa sutil mudança do capitão? Não quero ser mais uma vez, como tem gente que assim me trata, um espírito de porco, mas coisa ruim pode vir por aí, quando se trata de um desequilibrado que não tem a mínima competência para governar um país, principalmente nesse quadro de pandemia devastadora.

 

 

A CULTURA DO LEVAR VANTAGEM EM TUDO

Logo cedo, seis e meia da manhã de ontem (dia 24/03), já estava na fila da vacinação, em frente da Universidade Federal da Bahia. Quando chegamos (eu e minha esposa Vandilza), mais de 40 pessoas em seus carros já estavam ansiosas na espera, o que indica que muitos idosos foram mais adiantados em cerca de meia hora.

Entre oito e meia e nove horas já se podia contar mais de 500 veículos, e os funcionários aos poucos preenchiam os formulários dos cartões para facilitar o processo lá dentro. Pensei comigo que depois de tantos fura-filas, ali estava a minha vez de levar uma agulhada no braço contra a Covid-19, graças à ciência e à fé.

Tudo corria normal e organizado, não fosse o atraso de meia hora para o início da aplicação da vacina pelos prepostos da Secretaria Municipal de Saúde, tendo em vista que o anunciado na programação era para começar às 9 horas. Por que não a partir das 7 horas? Era o que muitos indagavam em conversas na fila. Até ai, tudo bem! O atraso já faz parte da agenda brasileira.

Como forma de fazer passar o tempo, o papo era a questão da pandemia no país em geral, inclusive sobre os critérios de combate da doença onde cada estado e prefeitura adota medidas diferentes, o que tem deixado a população mais confusa. No entanto, o que deixou muitos revoltados na fila foi presenciar a prática danosa e desrespeitosa da cultura do levar vantagem em tudo, ou aquilo do jeitinho brasileiro.

Para surpresa minha e de outros companheiros que estavam ali há mais de três horas, muitos passavam direto e deixavam seus parentes com outros amigos nos veículos que estavam na frente, e depois seguiam seus destinos. Quer queira, que não, são os famosos conhecidos fura-filas, ou individualistas que só pensam em suas comodidades. Os outros que fizeram o sacrifício de acordar mais cedo que se danem.

A partir daquela cena, numa roda de desconhecidos que formaram amizades naquele momento, o comentário passou a ser sobre a índole malandra do brasileiro que já se acostumou a fazer essas coisas como se fossem normais, sem nenhum remorso de consciência, inclusive dormem muito bem quando colocam a cabeça no travesseiro à noite. São justamente essas pessoas que mais xingam os políticos de corruptos.

No quesito da cultura do levar vantagem em tudo, aproveitamos a ocasião de desrespeito às claras contra os outros, para citarmos muitos exemplos de boas condutas, honestidades e pontualidades em países civilizados, principalmente na Europa. Em nosso país, como disse um senhor, o brasileiro só cumpre as leis e se comporta bem quando é vigiado de perto pela polícia.

É uma questão de educação e formação familiar – disse outro, para complementar que é esse conjunto de fatores maléficos e de malfeitos que não tira o nosso Brasil do atraso e do subdesenvolvimento. É claro que existe muita gente boa e consciente dos seus deveres, mas isso hoje é em bem menor quantidade do que há 50 ou 60 anos, o que significa que houve uma deterioração.

A conversa estava fluindo, mas não teve prosseguimento porque cada um entrou em seu veículo para receber a tão esperada vacina, que ainda tem chegado aos tiquinhos. Talvez esse seja o maior motivo das pessoas acordarem bem cedo na fila, com receio de que as doses faltem, como tem acontecido em muitos casos.

 

SÃO TANTAS MENTIRAS!

Contra o monte de mentiras no horário nobre da televisão, boa parte do povo respondeu com panelaços que, em tempos recentes, foi descrito pela esquerda como posição de pequenos burgueses, coisa da elite. O pior pode estar por vir, pois milhões passam fome, e estamos cercados de pandemias por todos os lados. Os panelaços podem ser só avisos.

Ele sempre se mostrou reticente com relação às vacinas, principalmente da chinesa CoronaVac, e falou que não tomaria. Agora diz o contrário, e tirou do bolso a produção de 500 milhões de doses até o final do ano. Vamos ter estoques sobrando, para doar para nossos vizinhos. Não sabia que o Brasil criou uma vacina própria contra a Covid-19. A única verdade na fala do capitão-presidente é que ele se mantém contra o isolamento social e as medidas de restrição.

Todo o resto é um punhado de mentiras e hipocrisias, como se solidarizar com as famílias que já perderam quase 300 mil entes queridos. Em resposta a toda essa mortandade, fez deboches de o tipo de chamar os brasileiros de maricas e chorões. “E daí! O que tenho a ver com isso! Não sou coveiro”. Foi outra tirada tirana quando o vírus havia ceifado a vida de cerca de 10 mil pessoas.

Onde ele achou esse número de que o Brasil é o 5º país do mundo que mais já vacinou sua população? Seria bem mais decente e ganharia pontos dos brasileiros se ele usasse o tempo na rede de televisão para pedir perdão por suas barbaridades proferidas durante seus dois anos de mandato desastroso.

Seria bem mais confortante para a nação, que vive momentos de pânico, aflição e terror, que ele fizesse um mea culpa dos seus erros e que iria parar de nos destruir com a sua negação da ciência, receitando cloroquina e outros procedimentos condenáveis.

Como seria tranquilizador se ele aproveitasse o tempo para anunciar que iria se alinhar com as instituições de saúde, com os governadores e os prefeitos no combate dessa mortal pandemia, visando unicamente salvar vidas. Que ele conclamasse toda a nação a se unir, sem partidarização da política. Que a partir de agora todos os protocolos e normas teriam um comando central, com transparência em comum acordo com os estados e municípios.

Com certeza, essas palavras fariam com que os brasileiros tivessem um sono mais sossegado nessa noite de 23 de março de 2021. Essa atitude reparadora seria um marco na história brasileira nesse período de caos na saúde. Essas mentiras só fazem confundir mais ainda a nossa população, e deixar o vírus mais à vontade para suas mutações em nosso solo. Por que de tantas mentiras que só fazem dividir mais ainda, e criar mais revolta, ódio e intolerância? Tudo isso só pode ser mais uma manifestação de sadismo e psicopatia.

A DISCRIMINAÇÃO SOCIAL É A MAIS CRUEL

Quando um pobre morre como causa da Covid-19, os parentes nem veem o corpo que é levado imediatamente para o cemitério. Das grades, os familiares acompanham o procedimento à distância. Isso é muito cruel. A alegação é a de ser uma maneira de evitar contágio e aglomeração.  A dor é muito grande porque ela já vem do hospital quando o doente é internado e, às vezes, só recebe informações através do celular ou por sinais dos enfermeiros e médicos.

Esse ritual é bem diferente e aberto quando se trata de um político, um poderoso ou rico. Quando falece, fazem velório, translado em carro aberto para o enterro, com aglomeração por parte dos correligionários, parentes, amigos e conhecidos, principalmente agora nesse auge da pandemia. Argumentam outras coisas que não convencem, e a mídia, como sempre, não questiona com receio a interpretações maldosas.

A LEI DOS MAIS FORTES

Enquanto estou fazendo este comentário, sei que estou sendo xingado e visto como insensível, que desejasse algum mal para o morto. Já disse várias vezes e voltou a repetir que a nossa sociedade é hipócrita. Mas, fazer o quê? Seguimos o curso normal da lei natural dos mais fortes no mundo animal. Vejam a questão da vacina que já era previsível. Os mais ricos, como Estados Unidos, Inglaterra e outros países da Europa saíram na frente.

Os pobres e os fracos sempre foram os mais castigados. O exemplo está aí nas catástrofes e tragédias. São os mais submissos, de nível baixo de instrução, que não têm o poder de brigar e impor seus direitos de igualdade que mais sofrerem. Aliás, sem essa de que todos são iguais. Esse anunciado é a maior das mentiras que proclamam, como se fosse verdadeiro.

O enterro do prefeito de Vitória da Conquista acabou tendo aglomeração em todo seu trajeto. Os resultados vão aparecer nos próximos dias. A Prefeitura anunciou que o acesso seria reservado somente aos familiares, mas não foi isso que ocorreu. Primeiro foi reservado um amplo espaço no salão do Mediterrâneo, indicando que muita gente estaria lá. O local ficou superlotado. No caminho para o sepultamento e no cemitério, muita gente, contrariando o toque de recolher.

Para dar o bom exemplo, o poder público, em comum acordo com a família, bem que poderia do aeroporto ir direto para o cemitério, sem essa de programação de translado e reunião num espaço de eventos tão amplo. Era certo que ia haver aglomeração. Na situação atual de colapso nos hospitais, gente morrendo em casa e até na rua por falta de vagas, o mais prudente seria um enterro simples e controlado, mesmo se tratando de uma autoridade. Tudo em respeito à vida que deve estar acima de tudo.

Outra imprudência foi a posse da prefeita ao vivo na Câmara de Vereadores, com muita gente no plenário. Não poderia ter sido feito de forma virtual, para dar o bom exemplo? Todos esses eventos em pouco espaço de tempo constituem insensatez, tendo em vista que os leitos de UTI em Vitória da Conquista já estão com ocupação bem acima dos 90%.

Não tem adiantado muito os apelos emocionantes dos infectologistas, pneumologistas, médicos e especialistas da ciência no sentido de que as pessoas se cuidem usando máscaras; façam a higienização; e, principalmente, não se aglomerem. Vivemos num quadro de total estupidez humana e de bagunça geral onde não existe uma linha central de comando.

Tudo começa pela esfera federal. No momento, temos dois ministros da Saúde, ou nenhum, porque o indicado não tomou posse. O Ministério estabelece uma norma, o secretário de Saúde do Estado formula outra orientação, e cada prefeitura faz seu protocolo, como no caso da vacinação.

O Governo do Estado decreta o toque de recolher e município desobedece.  A covid-19 se alastra em terreno fértil. O povo faz festa e morre aos montes. Nos hospitais faltam vagas, insumos, oxigênio e mais gente tomba. Uns negam a doença, e outros que tudo não passa de politicagem. Agora é a fome que ataca ferozmente.

 





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia