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:: ‘Notícias’

É PROIBIDO FALAR DE POLÍTICA E PROGRESSISTA VIRA COMUNISTA PERIGOSO

Existem neste país centenas de grupos radicais, ultraconservadores, de extrema direita e fundamentalistas que soltam torpedos caros e violentos de fake news para manter o capitão-presidente no poder e fortalecê-lo para completar o seu processo retrógrado de governo por mais outra temporada de quatro anos, enquanto outros grupos de ideologias misturadas, que se formam nas redes socais, colocam como regra número um não falar de política, sob pena do participante ser excluído, quando nos tempos atuais mais se deveria interagir e discutir sobre o assunto.

A proibição visa evitar rixas, ódios e intolerâncias que o tema pode gerar, quando se parte para a ignorância, criando inimizades, brigas e até morte, como já aconteceu. No lugar de se usar 10% da cabeça racional, com um bom nível de argumento que a questão requer, escolhe-se o atalho mais fácil da proibição. Esses grupos não podem levantar o assunto em festas, encontros sociais, reuniões e até em bares. Quando estão juntos, ou em redes, passam o tempo falando besteiróis e amenidades. Além da política, religião e até futebol não podem ser debatidos.

Alienação e mentes nanicas

Este tipo de comportamento termina propagando um ambiente de comodismo, alienação, consentimentos com as coisas erradas que estão ocorrendo, e formando uma nação de mentes nanicas, sem contar que a democracia está sendo apunhalada de morte, dando mais espaços aos núcleos de retrocessos e à estratégia moralista de destruir a cultura, o saber e o conhecimento.

Enquanto essa onda de proibir de se falar de política se espalha em todo nosso território nacional, o capitão, do seu quartel-general do Planalto, fala palavrão em público, diz que organismo ambientalista é um lixo e uma porcaria e, num gesto com um braço, dá uma banana para o povo brasileiro, e não somente para repórteres, como se engana a própria mídia.

O fato se deu em referência ao acervo de 42 mil itens da Biblioteca da Presidência da República que será reduzido para abrigar um gabinete da primeira dama, para fazer sua “Pátria Voluntária”. Com a reforma, não será mais possível ampliar o acervo, além de serem extintos espaços de estudo e visitação para leitura. O intuito é acabar com a nossa cultura e a memória do país, e o cara ainda quer elogios.

Não vai demorar muito e ele vai fazer aquele gesto obsceno com o dedo, mandando todo mundo tomar naquele lugar. Já disse e repito aqui. Previ há anos a tomada do poder pela extrema maluca, e muitos me ironizaram. Vamos ver coisas piores e mais indecentes. O silêncio dos bons e intelectuais é perturbador, e estamos sendo conduzidos para uma rota perigosa, num regime militarizado. Pelo voto, já estamos vivenciando a intervenção militar, tão gritada nas ruas pelos fanáticos extremistas.

É proibido falar de política, quando grupos da pesada, inclusive nazifascistas e núcleos do poder, financiados até com recursos públicos, disseminam falsas notícias; taxam veículos de comunicação (muitos até com DNA elitista de direita) de esquerdistas comunistas, bem como qualquer pessoa de ideias progressistas. Na ditadura da época da guerra fria também o maior inimigo era o comunista, visto como aquele que comia criancinhas, jogava bebês para o alto e aparava no punhal e matava idosos.

A tropa SS de Hitler

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PEQUENA HISTÓRIA DO COMBATE À CORRUPÇÃO (PARTE II DO LIVRO “O ESPETÁCULO DA CORRUPÇÃO”, DE WALFRIDO WARDE

Nesse capítulo, o autor do livro explica, através da história, que há no Brasil um combate inconsequente à corrupção, que impõe mais danos do que benefícios. Afirma que as leis de combate à corrupção são filhotes da legislação Antimáfia que aparece na Itália e depois nos EUA.

A expressão organização criminosa, segundo ele, remete à máfia italiana, lembrando os filmes de gênero: a Cosa Nostra, que se radicou na Sicília. A origem da organização é controversa, mas remonta aos normandos que conquistaram a Sicília, em 1061, e espalharam revolta contra o reinado de Carlos I de Anjou. Tomaram a ilha, em 1266, ou ainda advém dos Beati Paoli, uma seita secreta formada por vingadores e justiceiros. Eles usavam capuzes da ordem monástica de São Francisco de Paula, patrono dos reinos de Nápoles e da Sicília.

Segundo sua pesquisa, a organização estabeleceu um verdadeiro mercado de serviços, a partir da necessidade de proteção dos donos de terra, diante da ausência do Estado. A história prova que a proteção – o serviço mafioso da proteção – é filha da extorsão. Antes do aparecimento do Estado, a máfia assumiu os espaços, que mais tarde compartilharia com o governo e outros poderes constituídos. É mais velha que o Estado, com o qual travou uma guerra “sentada”, de faz de contas.

As franquias da máfia, como esclarece Walfrido, cresceram em ambientes onde o Estado claudicava, em meio à pobreza e à desigualdade social, na condição de distribuidora de justiça e de promotora da ordem e da segurança. A Cosa Nostra, a Camorra e a Ndrangheta destacaram-se pela capacidade de se institucionalizar. Floresceram como organização empresarial criminosa transnacional, a partir de suas regras.

Conta a história que ela a apareceu como governo por meio da infiltração nos sistemas sociais, econômicos, políticos e jurídicos. Foi capaz de criar células replicantes e derivações nas mais variadas regiões italianas, e também fora do país, como nos EUA. “O combate à máfia é, antes de tudo, uma disputa de poder, o cabo de guerra entre o poder formal e o material”.

Aponta o autor do livro que a primeira produção do legislativo italiano que combateu a máfia como delinquência apareceu, em 1982, com a aprovação da Lei Regional La Torre, de número 646, se bem que as leis 1423, de 1956 e a 575, de 1965, já tocavam no assunto, mas centravam-se nas pessoas e não nas organizações criminosas.

Prosseguindo, o estudo revela que somente depois do homicídio de Pio La Torre e de Carlo Alberto Dalla Chiesa é que seria aprovada a Lei Regional La Torre, que introduziu o crime de associação criminosa. O Decreto Lei 629, de 1982, convertido em Lei 726, do mesmo ano, propôs medidas urgentes na luta contra a delinquência mafiosa, constituindo um Alto Comissariado, cuja competência seria ampliada pela Lei 486, de 1988, subordinada ao Ministério do Interior.

A Lei Cava Vassalli, de 1990, reforçou as medidas patrimoniais, aparelhando o combate à máfia. Outras medidas apareceram, em 1991, para relativizar os sigilos fiscal e societário. A Lei 197, do mesmo ano, aumentou o compartilhamento de informações entre órgãos de controle, e a 410 aperfeiçoou o programa de proteção a testemunhas.

“Massacre de Capaci”

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VEREADORES CRITICAM SITUAÇÃO PRECÁRIA DAS ESTRADAS NA ZONA RURAL

A precária situação das estradas vicinais na zona rural foi alvo de muitas críticas da maioria dos parlamentares que falaram sexta-feira (dia 14/02) na sessão da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, que teve uma plenária bastante vazia, com ausência de alguns vereadores. De um modo geral, o legislativo cobrou mais atenção do poder executivo para com as periferias da cidade e as populações do campo que sofrem com a falta de serviços nos postos de saúde e fechamento de escolas.

O próprio Gilmar Ferraz, que há pouco deixou a Secretaria de Agricultura, fez várias reclamações sobre as necessidades vividas pelos moradores da zona rural. Ele demonstrou preocupação com as pessoas que têm problemas de necessidades especiais quanto a falta de assistência, especialmente no item atendimento à saúde.

O vereador Coriolano Moraes foi mais enfático ao fazer duras críticas com relação às estradas vicinais, principalmente na região do distrito de José Gonçalves. Citou, inclusive, que deixou de visitar alguns povoados nesta semana porque as estradas estavam sem condições de passagem de carros. “Gente, a área rural de Vitória da Conquista está abandonada”- clamou o parlamentar, acrescentando que o povo reza para não adoecer.

Outro que também levantou suas críticas quanto as estradas na zona rural foi o vereador “Bibia”. A colega Lúcia Rocha condenou o fechamento de uma escola no povoado de Malhada e pediu à Prefeitura Municipal que reforme o posto de saúde da localidade. Em sua fala, reivindicou também serviços de paisagismo (plantio de árvores) na Avenida Frei Benjamim, uma das maiores da cidade.

Nildma Ribeiro reclamou da precariedade em que se encontra a unidade de saúde Nelson Barros, no Bairro do Kadija. Segundo ela, faltam medicamentos e equipamentos para atender a comunidade. Solicitou asfaltamento para o Bairro Cidade Modelo onde falta tudo, de acordo com a vereadora.

O parlamentar Rodrigo Moreira acusou o secretário de Transparência de falta de transparência em suas contas, sobretudo em relação às suas viagens que tiveram gastos de mais de 60 mil reais no ano passado. Chamando de Secretaria da “Intransparência”, acusou ainda o chefe da pasta de empregar pessoas de sua família na prefeitura, como mãe e ex-namorada.

Ele fez uma espécie de prestações de contas de sua atuação, mostrando preocupação quanto ao cumprimento da lei de estacionamentos privados onde o usuário deve pagar pelo tempo de uso do carro no local e não por hora fechada. Ele pediu das autoridades a cassação definitivo do alvará dos postos    de combustíveis que vendem produtos adulterados.

O ESPETÁCULO DA CORRUPÇÃO – COMO UM SISTEMA CORRUPTO E O MODO DE COMBATÊ-LO ESTÃO DESTRUINDO O PAÍS (PARTE I)

Não sou contra ao combate à corrupção, nem condeno a Operação Lava Jato, mas critico a falta de um planejamento ordenado entre todos os órgãos do governo federal para que a economia do país (as grandes empresas e conglomerados) e a política não sejam esfaceladas e destruídas. Precisamos preservar e salvar o patrimônio nacional. “Não é necessário destruir o capitalismo para combater a corrupção”.

Esta é a posição resumida do advogado especializado em litígios empresariais, Walfrido Warde, em seu livro “ O espetáculo da corrupção como um sistema corrupto e o modo de combatê-lo estão destruindo o país”. A obra “denuncia a falta de planejamento, que dá causa a uma automutilação desnecessária e oligofrênica”.

ALTERNATIVAS JURÍDICAS

A princípio, discordo em alguns pontos, e aproveito aqui para citar aquele conhecido ditado popular de que não se pode fazer uma omelete sem quebrar os ovos, mas o autor apresenta sugestões e alternativas jurídicas, de modo a não provocar o desmantelamento das empresas e, consequentemente, provocar um caos social com milhões de desempregos.

É um livro que merece ser lido e entendido porque o autor aponta as falhas do combate à corrupção e da Operação Lava Jato no Brasil, dentro da sua ótica jurídica, além de enumerar as diversas operações ao longo dos últimos anos. Também faz um histórico interessante sobre as máfias italiana, russa e japonesa e suas ramificações nos Estados Unidos através da imigração de seus chefes para aquele país.

De acordo com Walfrido, logo na abertura de sua obra, a questão exige uma política que articule os órgãos e os agentes públicos envolvidos, que sincronize as suas ações, “que dê fim a uma disputa vergonhosa e paralisante por protagonismo. Ele indica uma “política que coíba a espetacularização e, ao mesmo tempo, a banalização da corrupção e do seu combate”.  Uma política capaz de separar o que tem utilidade daquilo que não presta, e que prefira o pleno ressarcimento dos cofres públicos, ao invés da vingança.

Causas da desigualdade social

Em sua opinião, está faltando o zelo pelos interesses nacionais. Destaca que a corrupção é uma das mais importantes causas da desigualdade. Para ele, a disciplina jurídica do financiamento de campanhas eleitorais é um vaso quebrado. Analisa que “rompeu com o financiamento empresarial, mas não afastou o poder econômico do jogo político que se faz sentir por um claudicante regramento das doações de pessoas físicas”.

Afirma o advogado que existem um modelo mambembe de financiamento público e a ganância de políticos insaciáveis, alimentando a expansão do crime organizado, para ajudar a corromper ao invés de depurar o sistema. “Enquanto não racionalizarmos e democratizarmos o financiamento público… os mais ricos tratarão de fazer com que seus votos se multipliquem e valham mais do que o do cidadão comum”.

É enfático quando declara que mentem quem afirma que acabaremos com a corrupção por meio do encarceramento dos corruptos e dos corruptores. O que se tem feito é a demonização da política e a destruição empresarial que gravita em torno da corrupção. Acredita que não existe êxito se não for feito um trabalho sobre as causas da corrupção, ao criticar a indisciplina jurídica.

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CARNAVAL E OS DEZ ANOS DO SARAU

Todo caracterizado a rigor com o traje de “Muquirana”, o professor graduado em história, Clovis Carvalho, proferiu uma brilhante palestra sobre “O Carnaval e suas Origens até os Tempos Atuais”, tema do “Sarau A Estrada”, o primeiro do ano de 2020, realizado no último sábado, dia 8 de fevereiro, com a participação de mais de 20 pessoas que prestigiaram o evento.

Antes do bate-papo sobre o assunto, que faz parte da abertura dos trabalhos da noite, com cantorias musicais, declamação de poemas, piadas e causos diversos, houve uma discussão entre o grupo presente sobre a programação comemorativa da história dos dez anos do Sarau, a completar no próximo mês de julho. Durante todo este tempo de atividades culturais, foram muitos temas discutidos, muita troca de ideias e aprendizagem entre os mais assíduos frequentadores aos visitantes convidados.

A princípio, ficou definida a apresentação de um show com artistas que frequentam o Sarau e convidados, a ser realizada no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, na segunda quinzena de julho, com bilheteria paga. Toda programação comemorativa do projeto será elaborada por uma comissão do evento, que ficou encarregada dos preparativos, divulgação, nomes dos artistas e outros detalhes.

Carnaval e suas origens

Não somente o palestrante, muitos fizeram questão de se fantasiar, de acordo com o tema. O “Espaço Cultural a Estrada” recebeu grandes quantidade de serpentinas, fitas, máscaras e outros adereços que lembraram os velhos carnavais de antigamente.

Clovis Carvalho fez um estudo aprofundado do assunto, dizendo que carnaval é um festival do cristianismo ocidental que ocorre antes da estação litúrgica da Quaresma. Os principais eventos, de acordo com ele, ocorrem durante fevereiro ou início de março. É uma festa pública de rua que usa elementos circenses e máscaras. Nessas festas, as pessoas usam trajes, permitindo-lhes perder a sua identidade.

Segundo sua pesquisa, o termo carnaval é tradicionalmente usado com uma grande presença católica, mas também tem suas tradições em países luteranos, anglicanos e metodistas. O carnaval moderno é produto da sociedade vitoriana do século XIX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspiraram no carnaval parisiense.

Quanto a etimologia, Clovis destacou que a palavra vem da expressão do latim “tardio carne vale”, que significa “adeus à carne”, do jejum que se aproxima. No entanto, existe também o termo “carne levare”, do italiano que quer dizer “remover a carne”.

No que diz respeito às suas origens, entre os egípcios havia as festas de Ísis e do boi Ápis. Entre os hebreus, a festa das sortes; entre os gregos antigos, as bacanais; e na Roma antiga, as lupercais, celebradas no dia 14 de fevereiro. Do ponto de vista antropológico, o carnaval é um ritual de reversão afirmou.

Ainda sobre o tema, o palestrante fez uma viagem pela Idade Média, lembrando que em muitos sermões e textos cristãos, o exemplo de uma embarcação é usado para explicar a doutrina cristã: a nave da igreja do batismo, o navio de Maria. “Os escritos mostram que eram realizadas procissões com carruagens semelhantes a navios, e festas suntuosas eram celebradas na véspera da Quaresma, ou a saudação da primavera no início da Idade Média.

No Brasil, Salvador e Conquista

Clovis também discorre sobre a cristianização das festividades e a data, sempre 47 dias antes da Páscoa. No Brasil, a festa é uma parte importante da cultura brasileira e, às vezes, referida como o maior espetáculo da terra. O pesquisador do assunto, cita Francisca Edwiges Neves Gonzaga, a Chiquinha Gonzaga, como autora da primeira marcha carnavalesca com a letra “Ó Abre Alas”. Disse ainda que a festa do Rio de Janeiro, conforme o Guinness Records, é considerada a maior do mundo, com aproximadamente dois milhões de pessoas.

O palestrante fez também um passeio pelos carnavais de Recife-Olinda, tendo o “Galo da Madrugada” como o maior bloco do mundo; o carnaval de Salvador, com seus trios elétricos, puxando canções com gêneros os maisvariados, como o axé, arrocha, samba-reggae e outros, até chegar ao carnaval de Vitória da Conquista, a micareta e o atual no formato cultural, a partir de 2011.

De acordo com o estudo de Clovis, o primeiro carnaval de rua de Vitória da Conquista aconteceu no dia 27 de fevereiro de 1927, com apresentação de cordões e blocos. O tipógrafo Waldemar Coutinho, que veio de Itabuna, em 1924, juntamente com alfaiates, organizou o primeiro bloco de nome “O Mau Jeito”, escrito com G, pelo fato do estandarte ser a figura de um Arlequim sentado com as pernas levantadas. Em 1934, o carnaval foi bastante animado com o cordão “Varieté”. Em 1950, o jornalista Anibal Lopes Viana organizou o cordão “Desculpe o Mau Jeito” em alusão ao primeiro.

Clovis Carvalho faz um histórico sobre os carnavais da cidade nos anos de 1974 a 1981, com trios elétricos vindos de Feira de Santana e Ubatã, destacando o bloco “Apaches” como campeão de 1975, seguidos de “Tengo-Tengo”, “Tico-Tico no Fubá”, “Secos e Molhados” e outros, até chegar na Micareta, em 1989, que acontecia entre final de abril e início de maio de cada ano, com grandes artistas da música baiana, como Gilberto Gil, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Luiz Caldas e tantos outros. Faz referência à participação do Massicas e Tôa a Tôa que arrastavam multidões.

Para concluir seu trabalho, o palestrante descreveu sobre a volta do carnaval cultural, em 2011, e falou do importante CD gravado por Lúcia Lula e idealizado por Carlos Jehovah e Esechias Araújo Lima, com direção geral do maestro Abdalan Gama Cândido. Entre as músicas cantadas nos carnavais da cidade, cita Calundu, Cochilão, O Sonhador, Os Coroas, Desbocada, Folia de Conquista, Cordão da Saudade, Pega, Pega esta Barata, As Periquitas entre outras.

Após sua apresentação, o professor Itamar Aguiar, um dos organizadores da Micareta, quando era secretário do prefeito Murilo Mármore, o jornalista Jeremias Macário, o músico Baducha, Walter Lajes, Mano Di Souza, Marta Moreno e outros presentes fizeram suas considerações finais.

Como sempre, não faltaram as cantorias de Baducha e Walter Lajes, com canções carnavalescas que lembraram os velhos tempos. Como não poderia deixar de acontecer, todos entraram na folia no ritmo do tema. Edna, a mais fantasiada da festa, Vandilza Gonçalves, a anfitriã da casa, Cleide, Rôse, a cantora Marta Moreno e Céu foram as mais animadas. Já pela madrugada, depois das geladas e do vinho, todos degustaram as delícias do tira-gosto de bode, muito bem preparado por Vandilza. Ainda teve tempo para declamação de poemas e causos, puxados pelo nosso amigo Jhesus.

CÂMARA ABRE TRABALHOS COM BALANÇOS, AGRADECIMENTOS E CRÍTICAS POLÍTICAS

As palavras de agradecimento do prefeito Hérzem Gusmão, na abertura dos trabalhos do novo ano de 2020 da Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista, na primeira sessão de ontem (dia 07/02), foram dando lugar a alfinetadas políticas contra os governos passados do PT, principalmente quanto a questão do transporte público, segundo ele, um caos quando assumiu a prefeitura há três anos.

Logo após o discurso do presidente da Casa, Luciano Gomes, o prefeito usou a tribuna e começou agradecendo o legislativo pela aprovação dos projetos encaminhados pelo executivo, citando os pedidos de empréstimos para obras de infraestrutura da cidade, a criação da guarda municipal, o plano diretor urbano ainda em tramitação, dentre outros que estão viabilizando mudanças de melhorias para a comunidade.

Uma das sessões da Câmara de Vereadores em 2019 – foto de Jeremias macário

Críticas políticas

Seus agradecimentos se estenderam também aos servidores públicos em geral, com destaque para seu secretariado, mesmo aqueles que já deixaram o governo e prestaram bons serviços à população. A partir daí o prefeito, passou a tecer uma série de críticas políticas aos governos passados (estamos em ano eleitoral), como a difícil situação das finanças do município e do estado de falência da empresa Emurc, que realiza projetos de construção, e foi reerguida em seu mandato ainda vigente.

Hérzem Gusmão, durante sua fala, fez um balanço de suas atividades nestes três anos de governo, como reforma de praças, abertura de calçadões na cidade, asfaltamento de ruas e avenidas no centro e em diversos bairros, estruturação do transporte público com a contratação de empresas para substituir a falência da Viação Vitória, serviços na área de mobilidade urbana no sentido de desafogar mais o tráfego de veículos e ordenamento na Secretaria de Educação, com  aplicação de medidas de aprendizagem aos moldes do município do Sobral, no Ceará, onde ele esteve em visita.

Além de outras obras enumeradas em seu relatório de improviso, Gusmão disse que neste ano vai realizar muito mais por Conquista, como a reforma do Terminal Lauro de Freitas, a instalação da guarda municipal e o plano de saneamento básico em parceria com a Embasa, que ainda se encontra em estudo, para ser aprovado pela Câmara. Apesar de não contar com a maioria do legislativo, conforme assinalou, Hérzem afirmou que tem a aprovação da maior parte da população e também de opositores que depositam confiança em seu trabalho.

Agradecimentos e uma CPI frustrada

Coube ao presidente da Câmara, Luciano Gomes, abrir os trabalhos da primeira sessão do ano, depois dos hinos nacional e de Conquista. Também fez seus agradecimentos a todos os 21 colegas da Casa, aos servidores e acrescentou que o legislativo cumpriu com seu papel em 2019, mantendo a sua independência, mas atuando de forma harmônica com o poder público municipal em benefício do município.

Em números, apontou os projetos de lei aprovados, as moções de aplausos, as indicações, requerimentos feitos e o trabalho das comissões, como a CPI que investigou os altos preços dos combustíveis cobrados na cidade. Luciano citou outras atividades realizadas e adiantou que, com coragem, independência e firmeza, a Casa vai continuar sendo do povo. Lembrou da implantação do Memorial da Câmara, e aproveitou para convidar a população para prestigiar a exposição que será realizada no mesmo espaço em homenagem aos ex-presidentes, no próximo dia 13.

Acontece que a CPI dos combustíveis, na verdade, terminou em frustação para os consumidores que são obrigados a pagar o custo do cartel existente entre os donos dos postos. Em relação a outras cidades, os preços por litro de combustível estão entre os maiores do Estado, embora o produto seja transportado de Jequié, distante apenas 150 quilômetros de Conquista.

 

 

EU NÃO AMO E AMO ESTE PAÍS

É muito doído ver meus compatriotas sendo deportados dos Estados Unidos dentro de um avião como se fossem bandidos acorrentados e algemados, e aqui despejados como se fossem sacos de lixo e objetos. O chefe da nossa nação, simplesmente, não contestou o tratamento humilhante, e justificou que cada país tem suas leis, apenas para bajular o Tio Sam (Donald Trump).

Sabemos, no entanto, que muitos ianques aqui vivem de forma irregular, mas não são importunados pela nossa Polícia Federal. Ao contrário, são tratados como príncipes e superiores, com direitos a empregos e outras regalias. É triste ainda sentir que, em pleno século XXI, ainda carregamos dentro de nós o vírus do complexo de vira-lata, de Nelson Rodrigues. Falta-nos a autoestima, e sobra o endeusamento aos gringos estrangeiros.

Aos norte-americanos foi dispensado o visto de entrada no Brasil, enquanto os brasileiros, como ainda nos tempos coloniais, têm que se ajoelhar e passarem por uma rigorosa sabatina e investigação se quiserem conhecer os deslumbramentos das avenidas capitalistas de Nova Iorque; olhar a Casa Branca de Washington; ou os parques temáticos de Orlando, na Flórida.

NÃO AMO

Perdoem-me a franqueza, mas confesso que não amo este país onde um governante nos faz baixar a cabeça, e não responde à altura com a mesma moeda, diante do menosprezo que os países desenvolvidos do norte expressam em relação ao nosso povo. Abrimos as portas e, como pagamento, eles nos fecham com suas muralhas de cimento e ferro.

Não amo este país onde milhares estão sendo obrigados a furar fronteiras de arames farpados e pular muros com “coiotes”, arriscando suas vidas, porque aqui a sua pátria não cuida de seus filhos e não oferece a oportunidade de um futuro melhor e promissor. Em Portugal e na Europa nossos brasileiros são vistos como candangos.

Não amo este país das injustiças sociais onde todos os dias as pessoas clamam e choram diante dos televisores pedindo por justiça porque foram vítimas da violência brutal de policiais ou bandidos. Não amo este país de tantos excluídos de pés no chão convivendo nas imundices dos esgotos por falta de saneamento básico.

Não amo este país onde milhões derramam suas lágrimas nas filas do INSS, nas dos corredores dos hospitais rogando por um atendimento médico, nas dos balcões superlotados dos desempregados pais de famílias e até mesmo dos sofrimentos nas filas dos cadastramentos para montar uma barraquinha no carnaval. Não amo este país tão carente de lideranças onde o povo é quem paga o rombo do déficit fiscal construído ao longo dos anos pela elite política, para se manter no poder e nos oprimir.

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A CULPA É DE CABRAL E D. MANUEL

Há dez anos o nível de desempenho em matemática, ciências e interpretação de texto dos estudantes brasileiros no Pisa não evoluiu e está entre os piores do mundo, conforme reportagem da Revista ISTOÈ.

O ministro da Educação, nome de difícil pronúncia, respondeu que a culpa é do PT que, se indagado, culparia o Governo de Fernando Henrique Cardoso, que vai culpar Fernando Collor, que vai jogar a responsabilidade na ditadura civil-militar de 1964, que vai culpar Jango, e este passar a bola para Juscelino e Getúlio Vargas, e por aí vai até chegar a Pedro Alvares Cabral, que para aqui trouxe degredados e ladrões corruptos, e ao rei de Portugal Dom Manuel.

Educação nunca foi prioridade

A verdade é que na história do Brasil, nenhum governo tomou uma decisão de priorizar a educação porque sempre preferiu deixar o povo na ignorância para não ter consciência política para cobrar pelos seus direitos; protestar contra as injustiças sociais; e aprender a votar em candidatos honestos e bem intencionados com a melhoria do povo brasileiro.

O atual governo do seu capitão, senhor ministro, que mandou cortar verbas na educação e programas sociais, para reduzir o déficit fiscal à custa do sacrifício da população (sempre paga o pato), não tem nenhuma moral para culpar qualquer governo que seja, principalmente porque sua administração nessa área é péssima e não serve de exemplo.

Portanto, o baixo nível na educação, considerado um dos piores do mundo é vergonhoso, e essa questão é secular. A culpa é de Cabral, não o ladrão do Rio de Janeiro. Nos tempos coloniais, só os senhores de engenho mandavam seus filhos para as universidades de Portugal e Inglaterra. No império, 80 ou 90% da população eram analfabetas, e o sistema patriarcal proibia a mulher de estudar. A República, até os dias atuais, preferiu deixar o povo burro, e a situação sempre foi de deterioração do ensino.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fez um alerta de que cerca de dois milhões de crianças e adolescentes não voltam às aulas neste ano no país. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, informam que, em Ibicuí, na Bahia, por exemplo, a evasão chega a 31,2%, do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental na zona rural.

De mal a pior

A reportagem da revista diz que “a educação vai de mal a pior no Brasil. As escolas estão ensinando menos do que o necessário e os alunos não estão aprendendo o suficiente. O modelo de ensino adotado no País vem se mostrando pouco eficaz e improdutivo e vai comprometer o desenvolvimento econômico futuro”.

De acordo com a última pesquisa divulgada pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os últimos dez anos foram de estagnação no nível de desempenho escolar dos alunos brasileiros.

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“UM OLHAR PEREGRINO EM PENALOGIAS DE Dr. EVANDRO GOMES BRITO”

Um incansável crítico da Inquisição Católica Apostólica Romana, especialista e conhecedor do assunto, o advogado do Direito Penal, poeta e escritor, Evandro Gomes Brito, teve seus trabalhos e sua vida de desafios dessecados e interpretados através da obra do mesmo título, escrita pela acadêmica e professora Ivone Alves Rocha, lançada na Academia Conquistense de Letras.

No agradecimento à Rozânia Andrade Gomes Brito, esposa do homenageado, a escritora cita “verbis contracta obligatio” – a obrigação contraída por palavras (lembro do meu tempo quando estudava latim no Seminário), revelando que escreveria sobre Evandro se ela me ajudasse e, de fato, cumpriu com a sua palavra. A dedicatória (Toto Corde) é feita a Evandro e à sua família, aos que encontram conforto em Deus e aos membros da Academia Conquistense de Letras.

Especialista do Direito

No livro, o acadêmico Iaro, num texto em francês, descreve Evandro como bom escritor, especialista do direito canônico teológico, que fala sobre o modelo jurídico da Igreja, fundado sobre um sistema feudal durante o século XVI, e que continua ainda atual. Nisso, destaca sua obra “Das Brasas da Inquisição ao Leito da Pedofilia”, de 2014, que se refere aos crimes de abusos sexuais contra crianças.

Sobre esta questão e outras no âmbito da homossexualidade e da hipocrisia dentro da Cúria, Frédéric Martel lançou, há pouco tempo, o livro “No Armário do Vaticano”, um trabalho investigativo que li e comentei em meu blog. Recordei de Evandro, estudioso da Inquisição, que também escreveu sobre o “O Papa Alexandre VI e suas duas amantes”, como aponta Iaro, autor da Introdução da obra de Ivone.

No Proêmio, o advogado Afrânio Leite Garcez fala da trajetória do colega, que nasceu no distrito de José Gonçalves; estudou até o ginasial em Vitória da Conquista; fez o clássico no Colégio Central da Bahia; ingressou no curso de Direito da Universidade Federal da Bahia; mas teve que abandonar a faculdade por causa da sua militância política no início da ditadura civil-militar de 1964. Foi para São Paulo e depois voltou a estudar na Faculdade de Direito de Niterói.

Afrânio faz um relato dos primeiros livros de Evandro, a partir de 1974, com “Dos Crimes Culposos e Dolo Eventual nos Crimes do Trânsito”, que serviu de inspiração para se tornar lei nacional e criação do Código Nacional de Trânsito; “Comentários ao Decreto Lei 201 – Responsabilidade dos Prefeitos e Vereadores; sonetos; “O Colar de Prata”; “Coletânea do Escritor Conquistense”, “Poetas Contemporâneos de Conquista e Poetas da Bahia e Minas Gerais”. Escreveu ainda O “Santo” Esquadrão da Morte”, “Materialismo Relativo da História” e “Carrascos Canonizados”. Evandro foi ainda fundador da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Brasil.

Modelo Camões

No capítulo “Interpretatio Cessat in Claris” –a interpretação cessa nas coisas claras, Ivone Alves Rocha se aprofunda no trabalho do advogado criminalista ao longo de seus anos de atuação, mas também se refere a Evandro como grande poeta ao modelo de Camões. Durante sua análise crítica sobre o homenageado, transcreve vários de seus poemas (a maioria sonetos), mas aqui confesso que me deixou sensibilizado a criação “O Que é a Poesia”, um épico digno de registro entre os maiores autores da nossa literatura brasileira.

Ivone ressalta que Evandro passa em suas obras, verdades que muitos defensores da fé e da moral desconhecem, citando “O Colar de Prata” e “O Papa Alexandre e suas duas amantes”. Dentre as racionalidades proferidas por Evandro em seus estudos, a autora do livro recorda da sua frase “O homem insensato, mesmo sabendo que não sabe forjar um simples inseto, forja deuses às dúzias para lhes darem razão, ou para justificarem seus modos e interesses”.

A autora se concentra mais na análise dos escritos e trabalhos de Evandro, principalmente no que diz respeito aos crimes da Inquisição e no direito penal, com suas defesas em prol dos mais necessitado. Só no final traça alguns detalhes propriamente de sua vida particular. Ivone assegura que Evandro afasta a hipótese de que a Inquisição na Idade Média (século XII) tenha sido debelada.

O Olhar Peregrino

“Lendo seus livros, pode-se, realmente, concluir que Error facti nec maribus quidem in dammes vel compendiis obest: juris autem error, nec feminisin compendiis prodest, ou seja, o erro de fato não prejudica os homens nos danos ou proveitos; porém o erro de direito não aproveita nem às mulheres nas coisas vantajosas. Prossegue dizendo que podemos concluir em seus textos que a Ignorantia differt ab errore – a ignorância difere do erro.

Ela segue adiante afirmando que em seus sonetos, o advogado lembra que, mesmo em eras difíceis, não se deve generalizar, “generalitas obscuritatem parit, ou seja, a generalidade gera obscuridade. Para ele, o direito é a arte do bom senso – jus est ars boni et aequi.

No capítulo segundo, Ivone se debruça sobre o olhar peregrino do homenageado que considera ser preciso se movimentar, para prosseguir progredindo. Transcreve o soneto “Noite de Setembro”, que o faz lembrar de um amor do passado.

Sobre o conceito de liberdade, a autora do livro diz que Evandro faz lembrar o filósofo Aristóteles, o qual enxerga a liberdade como princípio que rege a escolha voluntária e racional entre alternativas possíveis. Nessa mesma direção, Ivone Rocha destaca a posição de Jean Jacques Rousseau (1712-1778) quando declara que renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de homem.

Esse olhar peregrino não poderia deixar de lado as críticas de Evandro ao longo da sua vida de pesquisas em relação à Igreja Católica, especialmente no período da Inquisição, na Idade Média. Após assinalar tribunais religiosos, instituídos por diversos papas da época, Evandro ressalta que a finalidade da Inquisição era combater as heresias, assim entendida como doutrina contrária aos ensinamentos da Igreja.

Em sua descrição, Ivone relata diversos trechos do livro “O Papa Alexandre VI e suas duas amantes”, de autoria do advogado, como (…) a Igreja queimava gente em homenagem ao rei. Nesse caso, qual a diferença entre o papa e Nero? O imperador lançava cristãos aos leões e aos tigres, como espetáculo público – desabafa Evandro em seus comentários.

Quanto à Reforma, Evandro analisa que a luta entre católicos e protestantes era uma luta competitiva, à cata de fiéis, para preservação do poder, e nem tanto para a expansão da fé. Ivone descreve ainda a visão do escritor a respeito das relações religiosas que consagravam o medo como expressão de respeito a Deus, e o sacrifício do ser humano como forma de obter aceso aos céus, e os observadores teriam que temer a vingança do Deus do amor.

No terceiro capítulo, Ivone Rocha fala sobre a arte poética de Evandro, de importância social, com mensagens significativas, sobretudo quando expressa valores e vultos históricos de seres humanos de caráter e nobreza de espírito que se rebelam contra as injustiças. Transcreve vários de seus poemas, como “O Povo no Poder”, “Immanuel Kant”, “Machado de Assis”, entre outros.

Questões da Inquisição

No uso dessa linguagem artística, conforme consta do livro da professora, Evandro dedica muitas de suas poesias às questões da Inquisição, homenageia pessoas queridas, como à sua esposa e até à própria confrade Ivone Rocha, no soneto “Homenagem a sempre grande professora”, sem esquecer da sua cidade em “A Vitória da Conquista”.

“O Ser Criança” é um capítulo onde Ivone passa ao leitor a visão do criminalista Evandro sobre a infância, como ela era descrita desde a Idade Média, simplesmente retratada como homens de tamanho pequeno, até os tempos atuais. Em seus textos, segundo Ivone, o advogado faz fortes críticas à pedofilia e aos abusos sexuais, novamente citando crimes mais recentes cometidos por membros da Igreja Católica.

Em “O Corpo e o Espaço”, a autora faz uma espécie de autópsia sobre a personalidade de Evandro Gomes, como advogado, escritor, estudioso, pesquisador e poeta. Com olhar crítico, a escritora fala da importância da literatura nas pessoas. Ivone destaca seus escritos mais atuais, como seus comentários de elogios às mudanças da Igreja pelo Papa Francisco.

A professora encerra seu livro em breve resumo sobre a vida de Evandro, que nasceu no distrito de José Gonçalves, em 28 de julho de 1940, como estudante no Ginásio Padre Palmeira, sua passagem por Salvador, Feira de Santana, São Paulo, Rio de Janeiro e seu retorno a Conquista em 1970. No capítulo final destaca as principais atuações, trabalhos, estudos e pesquisas do biografado (se bem que a obra não é literalmente uma biografia) como advogado criminalista.

 

 

 

 

 

“NO ARMÁRIO DO VATICANO – PODER, HIPOCRISIA E HOMOSSEXUALIDADE”

Depois da Inquisição, iniciada no século XII, e da Reforma há mais de 500 anos, a Igreja Católica Apostólica Roma volta a protagonizar e a vivenciar sua maior crise de sua história contemporânea, com os escândalos de pedofilia (abusos sexuais de crianças e menores), atos de corrupção (desvios de recursos), resistências e divisões às mudanças em seu seio, intrigas no poder e muita hipocrisia dos prelados, padres, bispos e cardeais homofóbicos e, ao mesmo tempo, homossexuais dentro e fora da Cúria.

Sem o sentido de ódio e declarando não ser, em momento nenhum, anticlerical, o escritor Frédéric Martel publicou o best-seller do New York Times, “No Armário do Vaticano – Poder, Hipocrisia e Homossexualidade” (Editora Objetiva), uma verdadeira devassa explícita das práticas abusivas e escandalizantes perpetradas, principalmente, pelos homens homofóbicos e retrógrados que cercaram e serviram aos papados de João Paulo II e Bento XVI, este o maior inquisidor dos tempos modernos, que fracassou em todos os seus movimentos antigays, contra os casamentos homossexuais e o aborto.

Ler o livro “No Armário do Vaticano” é entrar e conhecer as entranhas dos “pecados”, das mazelas e traições cometidos pelos que se dizem representante de Cristo e da Igreja na terra. É vivenciar de perto a prior crise de sua história depois da Reforma. É acompanhar a decadência e sentir a morte lenta da Igreja, a partir de personagens terríveis, promíscuos e hipócritas, como o Ângelo Sodano, o padre Macial Maciel, Tarcísio Bertone, Afonso Lopez Trujillo que chegou a fazer acordos com narcotraficantes, entregando sacerdotes para o sacrifício e torturas, entre tantos outros, que deixam católicos estarrecidos, envergonhados e revoltados. São verdadeiros desvirtuadores da doutrina cristã.

CONTRA O CELIBATO

O cardeal Ratzinger (Bento XVI), por muito tempo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (antiga Inquisição), sentenciou e humilhou com castigos vários padres por suas ideias mais avançadas (Teologia da Libertação), como o peruano Gustavo Gutierrez, Leonardo Boff e o frei Beto. Cercado de homofóbicos, como o cardeal Sarah (livro contra o celibato), colocou a Igreja numa rota de colisão com os movimentos LGBTs, os divorciados e até muitos católicos de visão mais aberta.

Para elaborar o livro, que deve ser lido por todos, não somente pela comunidade católica, o autor se aprofundou numa reportagem investigativa que durou quatro anos (entre 2015 a 2018), com várias viagens para a Itália e mais de 30 países. Foram realizadas 1500 entrevistas, sendo 41 cardeais, 52 bispos, 45 núncios apostólicos, onze guardas suíços e mais de 200 padres católicos e seminaristas, para a feitura da obra de 500 páginas. Para apurar informações, chegou a se hospedar no interior do Vaticano e em residências extraterritoriais da Santa Sé.

De acordo com o escritor, “No Armário do Vaticano” se baseia em fatos, citações e fontes rigorosamente exatas, com a maior parte das entrevistas gravadas (400 horas de gravações). Frédéric teve ajuda de uma equipe de 80 colaboradores. Seu editor Jean-Luc Barré acreditou no trabalho e ele fez um agradecimento às suas 28 fontes internas da Cúria Romana, “todos assumidamente gays comigo”. O livro foi defendido e liberado por uma quinzena de advogados.

“Além da mentira e da hipocrisia generalizadas, o Vaticano também é um local de experiências inesperadas: constroem-se lá novas formas de vida em casal; novas relações afetivas; novos modos de vida gay; tenta-se formar a família do futuro; prepara-se a aposentadoria dos velhos homossexuais” – analisa o autor, que ainda classifica cinco perfis de padres, como a “virgem louca”, o “esposo infernal”, o modelo da “louca por afeto”, o Don Juan falsificado” e o modelo “La Montgolfiera”.

A “virgem louca” segue o código dos filósofos católicos Jacques Maritain, François Mauriac e Jean Guitton, e de alguns papas recentes homossexuais homofóbicos, que não são praticantes, mas adeptos da linha do amor platônico. Escolheram a religião para não cederem à tentação; e a batina para escaparem à sua orientação.  O “esposo infernal” é o padre “não assumido”, ou em dúvida, mas consciente de sua homossexualidade e com medo de vivê-la. A “louca por afeto” tem sua identidade. O “Don Juan” não pode ver um rabo de calça. O modelo Montgolfiera é o da perversão que tem redes de prostituição, os tipos cardeais indecentes Alfonso López Trujillo, da Colômbia, de Ângelo Sodano, de Platinette, do padre Macial Maciel, do México e tantos outros da Cúria.

VIDA DUPLA DOS PRELADOS

O escritor enaltece a posição do Papa Francisco que, em suas homilias, fala da hipocrisia e da vida dupla dos prelados, como no prólogo do livro. Ele hoje vive imprensado entre os que apoiam e os tradicionais mais empedernidos. Existe dentro do Vaticano uma “guerra de foice”. Assim aconteceu a enxurrada de escândalos de denúncias divulgadas na mídia sobre casos homossexuais e de corrupção na Cúria. Uma turma queria mesmo era se vingar; passar o sarrafo no cardeal Tarcísio Bertone, o vice Papa durão de Bento XVI, que mandava e desmandava.

Frédéric diz que as aparências de uma instituição talvez nunca tenham sido enganadoras em suas profissões de fé sobre o celibato (agora defendido novamente por Bento XVI), e nos votos de castidade, que escondem uma realidade diferente. Quanto a Francisco, destaca sua frase de que por trás da rigidez, há sempre alguma coisa escondida, referindo-se a uma vida dupla dos prelados.

No capítulo “Domus Sanctae Marthae”, o escritor da obra fala da existência, no Vaticano, de um “código do armário”, que consiste em tolerar a homossexualidade dos padres e dos bispos; desfrutar dela, mas mantê-la em segredo. Sobre esta questão, enfatiza que dezenas de milhares de padres italianos julgaram que a vocação religiosa era a solução para seu problema. O sacerdócio foi, durante muito tempo, a escapatória para os jovens homossexuais, não bem vistos e não engajados em suas aldeias.

Martel cita padres que viveram a Teologia da Libertação e participaram da militância gay, e até morreram de aids, sozinhos, sem o amparo de colegas e da Igreja, o que demonstra a hipocrisia dentro e fora da Cúria. “Os gays foram deixados quase sozinhos perante o Vaticano. Mas talvez seja melhor assim: deixem que fiquem juntos! A batalha entre gays e o Vaticano é uma guerra entre bichas”.

NA FILA DA HOMOFOBIA

No capítulo “A Teoria de Gênero”, o autor tece comentários duros em relação ao cardeal norte-americano Raymond Leo Burke, porta-voz dos tradicionalistas, que encabeça a fila da homofobia. Como exemplo, cita frase do cardeal, em janeiro de 2014: “Não se deve convidar casais gays para jantares de família em que estejam presentes crianças”.

O cardeal comparou casais gays como criminosos que assassinaram alguém, e que tentam ser amáveis com os outros homens. Denunciou que o Papa não tem a liberdade de alterar os ensinamentos da Igreja em relação à imoralidade dos atos homossexuais. O escritor assinalou que em Roma a sua homofobia é tamanha que incomoda os cardeais mais homofóbicos. Para Burke, o casamento homossexual é uma provocação a Deus.

Seu amigo mais próximo, Benjamim Harnwell, dirigente do Dignitatis Humanae Institute (associação ultraconservadora), que reúne prelados mais extremistas, está ligado às ordens mais obscuras como a Ordem de Malta e a Equestre do Santo Sepulcro. Segundo testemunhos ouvidos, parte dos membros da Dignitatis seria constituída por homossexuais praticantes.

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