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DA VIDA À MORTE, AS DESIGUALDADES SOCIAIS SÃO GRITANTES NO BRASIL

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Por que quando o pobre morre de Covid-19 o caixão sai diretamente do hospital para o cemitério, sem direito a velório e enterro pelos parentes e amigos, enquanto o rico, o político, um famoso ou uma celebridade têm todas as cerimônias funerárias normais e ainda é sepultado um dia depois? Será porque o vírus do rico é diferente e não pega?

Não é necessária muita explicação para entender a gritante desigualdade social no tratamento entre o rico poderoso e o pobre zé ninguém. Essa desigualdade começa no nascer e continua até na morte. Ainda tem gente que diz que na morte todos são iguais. É uma pura mentira. Só não tenho certeza sobre o espírito no pós-morte, no outro além do além.

É muito triste, mas essa é a face suja da nossa sociedade capitalista selvagem, cruel e hipócrita que fala de solidariedade e igualdade. Essa pandemia serviu para escancarar a realidade escondida dentro desse podre sistema, como essa a qual me referi acima, e por ter colocado nas ruas as caras sofridas de mais de 30 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza. As imagens das filas nos bancos não mentem.

Não foi somente o caso da morte por Covid do prefeito de Goiás que teve cortejo fúnebre e velório, mas de tantos outros pelo Brasil a fora. Desde a chegada do coronavírus no início do ano passado até hoje vemos todos os dias na televisão cenas chocantes de pessoas pobres sendo enterradas às presas em valas comuns (caixões amontoados), sem velório e até sem a presença de parentes mais próximos. Como consolo, muitos acompanham pelo celular de forma virtual entre choros, revolta e lágrimas.

Confesso que em nenhum momento vi a nossa mídia questionar esse tratamento tão desigual e desumano, como tantos outros fatos que ela tem deixado passar em branco. Sou jornalista profissional, mas jamais vou me furtar de levantar minhas críticas. Infelizmente, ela hoje só tem feito o factual e, mesmo assim, como uma péssima qualidade nas coberturas. Não se faz mais jornalismo como antigamente.

Além de matar muito mais pobres que são vulneráveis e só têm os hospitais públicos, os quais estão hoje superlotados, o rico e o poderoso vão para o Sírio Libanês e outras unidades particulares, com toda a infraestrutura necessária para salvar o paciente. O que estamos vendo no Brasil é um genocídio, cuja maior culpa é do governo federal que tem debochado da pandemia chamando-a de “gripezinha”, além de se posicionar contra o isolamento.

“O DIA “D” E A HORA “H”

Vários países estão vacinando seus habitantes (Inglaterra já está entrando na segunda dose), inclusive nossos vizinhos nas Américas Central e do Sul, enquanto o Brasil ainda está discutindo se a terra é plana ou redonda, ou qual é a cor da água. A angústia, as incertezas e a aflição tomam conta de um país sem rumo, com os extremistas berrando barbaridades.

O general intendente do Ministério da Saúde disse em público numa entrevista totalitária (sem perguntas dos jornalistas) que o Brasil vai começar a vacinar seu povo no “Dia “D” e na Hora “H”. Na linguagem militar de guerra, deve ser, então, no dia 6 de janeiro de 1944 quando da invasão da Normandia durante o final da Segunda Guerra Mundial. A hora não se sabe, mas pode ser num amanhecer, ou numa calada da noite. Quanto ao ano, vamos ter que voltar ao túnel do tempo.

Bem, a guerra do Dia “D” deverá ser contra a vacina da CoronaVac (a chinesa “comunista”), do governador de São Paulo, João Dórea. Não se tem ideia também do local onde as tropas vão desembarcar. Isso é estratégia logística de general. Trata-se de um segredo de Estado que não pode ser revelado. Se ocorrer vazamentos, com certeza cabeças vão rolar.

A arma do general, em combinação com o capitão-presidente (obediência total às suas ordens) será a vacina AstraZeneca, da Oxford, comprada pela Fiocruz. Tudo está dependendo de um sinal da Anvisa para que aconteça o Dia “D” e a Hora “H”, com fotos, imagens e tudo que o capitão e o general têm direito para sair na frente.

Quem será o primeiro da fila? É uma incógnita, mas não será a “gripezinha”, que não é nenhuma “marica” para se submeter a uma agulhada com seringa. Falam por aí que pode ser até um general. A agulha e a seringa serão usadas para todos, pois não existem outras no estoque. Guerra é guerra e não se fala nisso!

Nesse nosso esbofeteado país tão confuso, onde todos mandam e ninguém manda, meus amigos, só “rindo para não chorar”. Também, não é de hoje que servimos de piada para os estrangeiros lá fora. Deixando a brincadeira de lado (só para descontrair), a coisa é muito séria, pois mais de 200 mil já morreram e atingimos um pico maior que o primeiro do meado do ano 2020.

Sem querer ser pessimista, estamos entrando na segunda quinzena de 2021 e até agora nada mudou para melhor. Continuam no topo o individualismo e o egoísmo das pessoas em geral contra seus semelhantes. A violência, o ódio, a intolerância e o desrespeito só aumentam.

Acabaram-se as doações de Natal; os artistas endinheirados da Axé Music estão preparando suas lives para o carnaval cancelado de fevereiro; os empresários comerciantes atrás do dinheiro; e os pobres morrendo aos montes. É este o quadro! Vamos torcer para que as coisas mudem, e o “Dia “D” e a Hora “H” sejam abreviados, sem guerra e mortes, mas com vida e liberdade para todos brasileiros!

A INSENSATEZ DOS CARNAVALESCOS

Com toda essa pandemia ceifando vidas, com mais de 200 mil mortes no país, com tanta barbárie e desmando do governo federal, com tantas incertezas sobre essa vacina, os artistas do axé music (só tem lixo) se preparam para fazer lives durante os dias previsto do carnaval, o qual foi cancelado na Bahia e no país em geral. Só pensam neles e na vaidade de se manter na mídia.

Esse pessoal está cheio da grana e ricos de tantos carnavais passados, e não necessita disso. Considero uma insensatez, e também da mídia que anuncia a festança com exultação e regozijo. Será que esse pessoal não imagina que essas lives, inclusive em trios elétricos, vão servir de atrativo para aglomerações de seus fãs em bares, espaços de eventos, clubes e até dentro de suas casas com amigos?

Como sempre tenho comentado, a nossa mídia, infelizmente, deixou de ser questionadora e não tem a coragem de contestar contra esses “famosos” que dão audiência para ela. Onde fica a reflexão para dizer que essas lives vão incitar as pessoas a saírem às ruas para festejar o carnaval? Muitos vão aproveitar para colocar telões em espaços proibidos de festas e até cobrar ingressos.

É um grande mau exemplo dessa gente do axé, como Ivete Sangalo, Cláudia Leite, Olodum, Bel Marques e tantos outros. Deveriam, pelo menos, ter sentimentos e respeitar os mortos. Não é tempo de festejar, mas de clamar por isolamento, e que todos sigam os protocolos de precaução contra esse vírus maldito.

De um lado, fazem pronunciamentos de lamento e de pesar pelas perdas de vidas. Do outro, inventam de fazer lives, comprometendo os regramentos recomendados pela Prefeitura de Salvador, pelo Governo do Estado, dos infectologistas e dos médicos.

Será que eles não estão acompanhando os noticiários dos superlotamentos nos hospitais, inclusive de pessoas morrendo à mingua nos corredores? Mas não! Se esses artistas endinheirados pegarem Covid vão logo para o Sírio Libanês, ou outras unidades de saúde particulares, com toda estrutura. Já os pobres que entram na onda deles, vão morrer nas portas dos SUS.

Para eles, pomposas lives com coreografias e muita curtição (ganham até cachês de patrocinadores e emissoras de televisão), enquanto os músicos que tiram seus sustentos nos bares e algumas casas de shows estão na amargura, comendo o pão que o diabo amassou, agora sem o auxílio emergencial do governo.

É assim que se dizem solidários com os seres humanos e até mandam que todos se cuidem? É o tal do morde e assopra. Considero tais atitudes como hipócritas e incoerentes. Eles deveriam é estar lutando nos meios de comunicação convencionais, nas redes sociais e entre seus fãs para que cobrem do governo federal (não está nem aí para a situação de calamidade) mais pressa para vacinação já.

Da minha parte, sou contra esse comportamento de indiferença desses artistas e da própria mídia que dá cobertura. Não me incomodo com críticas, mesmo porque já estou calejado de ser chamado do contra e de outras coisas mais. Sinceramente, não consigo entender essas loucuras e devaneios do meu país!

Posso estar até errado, mas essa é a minha posição. Infelizmente, estamos num país paradoxal e contraditório, que vive uma psicopatia generalizada onde impera o egoísmo e o individualismo. Nesse caso específico das lives do carnaval, estão colocando o sucesso acima da vida e provocando mais mortes. Está colocando o povo em mais riscos.

IMAGEM, LUZ E A FOTOGRAFIA

Pelas lentes do jornalista Jeremias Macário, as imagens já dizem tudo. No lugar do texto, a imaginação

UMA HOMENAGEM AO DIA DO FOTÓGRAFO

Já disseram que uma boa imagem vale por mil palavras, mas depende muito do fotógrafo ter sensibilidade para captá-la (olá meus amigos Zé Silva, José Carlos D´Almeida, Edna Nolasco, Sabiá, Raimundo Leser, Ney, Cadete que já se foi, dentre muitos outros). A minha homenagem a todos.

Diria que a imagem fotografada, por si só, já é uma poesia nos seus detalhes porque ela nasceu da luz que deu vida e origem ao universo. Portanto, por essência, o fotógrafo é um artista da poesia, hoje tão pouco valorizado por causa da tecnologia do celular que banalizou, em termos, a profissão.

Ontem, foi o Dia do Fotógrafo, infelizmente pouco lembrado pela nossa mídia, mas aqui saúdo a todos que trabalham com a imagem, a luz e a fotografia. Nos meus 50 anos de jornalismo (desde 1971) aprendi que existem determinados textos onde pode ser publicado sem uma foto (no caso da pressa e da falta de espaço), mas em outros seria um pecado divulgar a matéria sem uma foto.

Um dos exemplos, dentre milhares, citaria uma matéria de filas de banco. Como publicar essa reportagem sem o acompanhamento de uma ou mais fotos? Seria uma “prevaricação” jornalística, no bom sentido. O leitor, ou o telespectador, indagaria logo: Cadê a foto, ou a imagem? Aí é onde ela vale por mil palavras.

No jornalismo, o repórter de redação e o fotográfico são como a dupla de Cosme e Damião, sempre andam juntos atrás dos fatos e dos acontecimentos na busca pela melhor história para o seu público. Durante cerca de quinze anos, eu e meu companheiro Zé Silva fizemos isso em nossas andanças pelo sertão do sudoeste, ora entrevistando prefeitos, produtores e empresários, ora cobrindo calamidades, denunciando invasões, corrupções e os estragos provocados pela seca.

Além da fotojornalismo, o fotógrafo também é um artista da pintura quando capta as mais belas paisagens da natureza, um pássaro raro, um pôr-do-sol deslumbrante e poético, ou uma imagem que só é vista pelos olhos e pelas lentes de um grande fotógrafo. Ele vê o que muitos não veem.

Fotografia também é história quando se documenta personalidades, reuniões e eventos familiares, guerras, rebeliões, manifestações de ruas, protestos e até ações de regimes tirânicos e ditatoriais. Ele deixa um legado para a nossa posteridade (olá meu amigo Evandro Teixeira que correu mundo) e nos deixou inéditas imagens dos nossos povos.

O texto pode ser até contestado, dependendo do interesse do acusado ou da interpretação do fato, de acordo com o julgamento e a ideologia de cada um, mas a foto é incontestável. Ela não pode ser desfeita, a não ser pelo tempo. Ela serve como prova criminal em audiências e para tirar dúvidas processuais. Uma foto consegue até levantar um texto fraco.

AS FESTAS DA COVID-19 ONDE AS VACINAS NÃO FORAM CONVIDADAS

O PLANETA TERRA, OU ÁGUA, ESTÁ DE PONTA-CABEÇA COM A ONDA DE EXTREMISTAS NAZIFASCISTAS. OS ESTADOS UNIDOS, QUEM DIRIA, EM TODA SUA HISTÓRIA SE TRANSFORMARAM NUMA REPÚBLICA DE BANANAS, COMO TANTO FORAM CHAMADOS OS PAÍSES DAS AMÉRICAS CENTRAL E DO SUL. INVADIRAM O CAPITÓLIO! EU SEREI VOCÊS AMANHÃ.

Bem, o assunto não é este do subtítulo tenebroso, mas sobre as festas da Covid-19 de final de ano, onde as vacinas ficaram de fora. Faltando poucos dias para o Natal e Ano Novo, os vírus espinhosos se reuniram e ficaram assanhados, ou ouriçados. Foi um tal de um convidando o outro que quase ninguém ficou de fora, só mesmo os mais lerdos que resolveram tirar um cochilo. Quase ninguém ficou em seus casulos descansando.

Contam que em Salvador foi um reboliço danado. Era um cochichando no ouvido do outro para convencer o melhor lugar para fazer a festa. Milhares preferiram pegar a estrada para conhecer as novidades no interior e apreciar as belas paisagens. Todos com a tara por carne fresca. Outros foram para as praias, bares, baladas, pancadões, filas de bancos e festas fechadas de condomínios.

Tudo indica que aqueles que foram para os ferrys e embarcações nas travessias para Bom Despacho, em Itaparica, e Morro de São Paulo, levaram vantagem, se deram bem. As festanças foram os lugares mais preferidos. Os bichinhos nojentos pegajosos se esbaldaram. Não se sabe quem mais tirou proveito, se na capital, ou no interior. Em todo Brasil, a combinação foi a mesma entre eles pelas redes sociais.

A essas concentrações bem aglomeradas, com muita gente curtindo e enchendo a cara como bárbaros dos tempos romanos, eles chamaram de “covidões” dos idiotas. Aliás, eles têm atração total por esses tipos humanos suicidas que colocam a diversão acima da vida.

O alvo maior são os pobres por serem mais vulneráveis. Até na morte eles são desiguais. Quando um pobre morre de covid é imediatamente enterrado. Quando é um rico, uma celebridade ou um famoso, dão um jeitinho de demorar mais para o velório dos parentes e amigos.

Entre eles (os vírus) existe um acordo de não perder tempo em visitar moradias isoladas, mesmo porque, mais cedo ou mais tarde, vão para lá depois das festas. Depois das zoeiras, cada um acompanha o seu par, sua alma gêmea, para injetar seus venenos nos velhinhos que tentam se esconder deles.

Foram nuvens e nuvens voando em bandos para as cidades e locais mais agitados, mais loucos. Dizem que houve até disputa no tapa e na bofetada pelas localizações mais favoritas, de preferência onde tinha mais pobres “lascados”. Você não sabia? Pois é, eles não são muito chegados a ricos. Ah, por isso que eles são chamados de comunistas? Nada disso, seu ignorante negacionista da ciência!

AS VACINAS FICARAM DE FORA

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ESSA COVID NO BRASIL DEU UM NÓ CEGO NA CABEÇA DE MUITA GENTE ESTÚPIDA

Tem maluco e estúpido por aí dizendo que a mídia é a maior culpada por todo esse estrago causado pelo vírus da Covid-19 que, pelos números divulgados até agora, já fez quase 200 mil mortes. Uns berram de lá que é tudo exagero, e outros que toda essa mortandade é de pessoas com doenças crônicas. Com tantos falatórios e besteiróis, essa Covid no Brasil deu mesmo um nó cego na cabeça de muita gente!

Pelo que estou observando, os noticiários de 2020 foram ocupados por essa maldita Covid, e 2021 vai ser a vez da vacina. Vamos seguir lutando contra a cegueira, e não sabemos se até dezembro 70% da população estará imunizada. A situação é sombria (não queremos enxergar a realidade) quando se ouve as apelações e as análises do infectologistas, epidemiologistas, médicos e especialistas no assunto.

É um absurdo culpar a mídia por tudo isso, mas ela tem cometido desatinos e irresponsabilidades quando, de um lado pede que todos brasileiros se previnam, seguindo os protocolos científicos, mas do outro elabora matérias, antecipadamente, sobre os feriadões do ano, inclusive incluindo os do carnaval que já foi cancelado pela maioria das capitais e cidades. Vem ai mais infestação.

Reportagens desse tido e outras, como das festas do comércio do final do ano só servem para incitar mais o povo para sair de casa e viajar por aí para curtir baladas em outros lugares. Dia desses assisti uma pauta sobre o grande movimento de revisão de veículos nas oficinas e concessionárias onde seus donos se preparavam para pegar a estrada.

Em nenhum momento foi perguntado se a demanda aumentou em relação ao ano de 2019, o que denota uma falha no jornalismo, mas não é exatamente sobre isso que quero me ater. Entendo, porém, que a mídia precisa, nesse momento tão crítico, ser mais reflexiva e responsável, evitando realizar certos tipos de matérias que atraiam mais aglomerações.

Essa questão, não cabe tanto aos repórteres, mas aos pauteiros, editores e chefes de reportagens. Infelizmente, a nossa mídia, nos últimos anos, perdeu muito da sua e inteligência e questionamento.

Sempre tenho dito que o direito à liberdade de imprensa acaba quando não se tem ética e responsabilidade. Nossas redações não são mais como antigamente quando se fazia boa matérias de denúncia; eram investigativas, mas, acima de tudo, humanas. Hoje são insossas e frias, muito mais voltadas para o consumismo comercial.

 

OS BÁRBAROS!

As cenas que presenciamos nestas festas de final de ano, com aglomerações em baladas em diversos estados, principalmente na Bahia, são de bárbaros se infectando e levando a doença para familiares (pais, avós e parentes em situação de risco), amigos e outras pessoas que estão se resguardando e mantendo as recomendações médicas.

Sempre me posicionei contra qualquer tipo de violência policial, especialmente contra as classes mais desfavorecidas, mas nesse caso da pandemia, a ação para terminar os pancadões tem que ser bem mais enérgica, primeiro quebrando todo o palco e equipamentos e levando os responsáveis algemados.

NÃO TEM DIÁLOGOS

Para bárbaros que desobedecem as leis decretadas por governadores e juízes, não existe essa de diálogo porque se trata de vidas. Para essa gente, tem que usar a força bruta. Não precisa ser especialista na área de saúde para se saber que dentro de mais 10 ou 12 dias a contaminação pela Covid-19 vai se alastrar mais ainda.

Os hospitais já estão superlotados de doentes morrendo, e os médicos e enfermeiros sobrecarregados. Com a nova onda prevista de infestação, vai ter pessoas morrendo em casa e até nas ruas. Somado a tudo isso, em muitas cidades, como em Vitória da Conquista, o poder público não tem tomado nenhuma medida de restrição ao comércio.

Todos desejaram um Feliz Ano Novo, com muito tempero de otimismo de que dias melhores virão, mas não se pode ficar apenas nos desejos, quando temos uma grande parte da população que nem está aí, como diz um certo maluco presidente, que anda sem máscara e promove aglomerações. Não basta ter otimismo.

Pelo quadro macabro que se apresenta, pelo menos nesses primeiros meses do ano, vamos ter muita tormenta, sobretudo quando não se sabe quando o povo brasileiro começa a ser vacinado (o genocida só faz emperrar o processo). Já somos os últimos da fila no mundo a ser imunizado, e ficamos aí só acreditando que tudo vai mudar. Não assim cometendo barbaridades e desrespeitado os semelhantes.

Não consigo entender o meu país quando temos milhões de desempregados e outros milhões vivendo na linha da pobreza, se queixando de dificuldades financeiras, mas, quando se trata de viagens e festas, se consegue dinheiro para sair por aí curtindo à vontade. As estradas fervilharam de carros e os barcos e ferrys funcionaram superlotados, fazendo festas e se esbaldando.

Com tudo isso, só posso concluir que somos uma nação dos absurdos, das contradições, dos paradoxos, da ignorância, do individualismo, do egoísmo, da mentira e da desumanidade. Só posso entender que boa parte do nosso povo comete suicídio coletivo. Dentro do nosso próprio território, estamos sendo invadidos por bárbaros dos primeiros anos do cristianismo. Para quem sabe, a única coisa que resta é orar muito, e também para quem não sabe, faça do seu jeito.

 

ESSA GENTE NÃO MERECE COMPAIXÃO!

Confesso que estou pensando seriamente (olá companheiros Gonzalez, Celino, Paulo Nunes, Zé Silva) de deixar de assistir noticiários das mídias convencionais em geral (nem falar de redes sociais), para não pirar e ter que me internar num hospício de loucos. Aliás, já estamos nele. Muita gente do meu Brasil não merece compaixão, e nem ser defendido porque você pode ser apedrejado como comunista satânico. É o fundamentalismo cristão evangélico.

Nossos hermanos da fronteira, a que tanto fazemos piadas sarcásticas e somos adversários ferrenhos no futebol, já estão se vacinando com produtos de vários laboratórios, curtindo com nossas caras. Aqui, vizinhos hermanos, está um samba de crioulo doido. O nosso Ministério da Saúde é um general, comandado por um capitão que, por sua vez, regula a Anvisa, uma tal de Agência de Vigilância Sanitária.

SEM AGULHAS E SERINGAS

É muita confusão e desencontros de informações, que me sinto envergonhado de contar o que está acontecendo. Uns falam em final de janeiro e outros para o meado de fevereiro. O mais grave em tudo isso, meus hermanos, é que não temos agulhas e seringas para aplicar as doses. Vamos ter que improvisar esses materiais em alguma oficina de ferreiro.

Os hospitais estão no seu limite de capacidade de atendimento, e em muitos cemitérios não existe mais espaço para sepultar os mortos da Covid-19. Muito choro e ranger de dentes! Do outro lado, os noticiários não cansam de mostrar imagens de baladas e festas de até duas mil pessoas, sem máscaras, e todo mundo na maior gandaia. Vem ai o carnaval!

Neste final de ano, o nosso país está fervendo de gente viajando nas estradas, pelos rios, pelo ar e pelo mar. Ah, você está dizendo que tudo isso não passa de mentira! Então, se tiver coragem venha ver com seus olhos. E tem mais! A nossa mídia instiga as aglomerações, noticiando que estamos em clima de festas e dando dicas de comidas, bebidas e como se preparar para as viagens.

É um formigueiro só de gente, pra lá e pra cá, a maioria de pessoas de baixo poder aquisitivo. Onde arrumam grana? Não sei explicar, meu caro. É uma doideira só! Não vale a pena ter compaixão desse pessoal, pois quando se adverte dos altos perigos, essa turma nos xinga de comunistas, esquerdistas e almas penadas do mal. Coisa é quando se critica as desigualdades sociais! Ah, aí somos chamados de diabos chifrudos vermelhos, saídos das profundezas do inferno!

A maioria já foi inoculada com o veneno do fascismo, do negacionismo da ciência e estão curtindo uma louca psicopatia. Só pode ser coisa de hipnotismo! O poeta Manuel Bandeira avisou que ia embora para Passárgada, mas foi naquela época. Eu quero ir para o país dos ciganos. Hoje, não podemos ir mais para lugar nenhum, pois não somos mais aceitos em terras estrangeiras. Somos personas non gratas, meu amigo hermano! Estamos ferrados nesse chão sem dono e comando, mais parecido com o faroeste norte-americano do bang-bang.

“O FIM DO HOMEM SOVIÉTICO”

Bem, são muitas coisas mais para falar, mas é melhor ficar quieto. São muitas barbaridades e absurdos!  Para passar o tempo, estou lendo “O Fim do Homem Soviético”, de Svetlana Aleksiévitch, escrevendo algumas obras que já foram desclassificadas pela Secretaria de Cultura da Prefeitura de Vitória da Conquista e cuidando de minhas hortas para não consumir agrotóxicos, que também estão matando a gente.

Vou citar aqui algumas coisas da escritora vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2015, como “você liga a televisão e todos estão falando como bandidos: Os políticos, os homens de negócios, o presidente. Propinas, subornos, rateios…A vida humana não vale um tostão. Como na cadeia…”

“Cagaram no cérebro do povo”. “Quem perdeu a cabeça foram os chefes…” “Todos ficaram com medo, e foi por isso que o povo começou a ir à Igreja. “A ciência também trouxe à humanidade inúmeras catástrofes. Vamos, então, aniquilar os cientistas! Ela também cita o inglês Chesterton: “um homem sem utopia é muito mais assustador que um homem sem nariz”.

“Não tenho admiração pelo nosso próprio povo. Nem pelos comunistas, nem por nossos líderes comunistas. Especialmente hoje em dia. Todos ficaram mesquinhos, aburguesados, todos querem do bom, querem viver bem. Consumir e consumir”. “Provaram um terninho americano, ouviram o Tio Sam. Mas, o terninho americano não entra. Cai mal… Não corremos atrás da liberdade, corremos atrás de jeans… de supermercados… Fomos corrompidos por embalagens brilhantes”…

Tudo isso é só para relaxar o espírito e refletirmos um pouco, meu vizinho hermano. Estamos encurralados pelo bicho espinhoso”. Ele está nos devorando. Já levou quase 200 mil, e tem fome de mais. O povo não está nem aí para os que se foram. Será que estamos seguindo aquela parábola de que “os últimos serão os primeiros? Sei lá!

 

“O ANO EM QUE A TERRA PAROU” E O POVO BRASILEIRO SE ODIOU

OS BRASILEIROS ESTÃO MATANDO UNS AOS OUTROS, E TUDO INDICA QUE SERÃO OS ÚLTIMOS NO MUNDO A SEREM VACINADOS. A IGNORÂNCIA É OUTRO VIRUS MORTAL.

Dois mil e vinte começou alegre com a festa do carnaval, mesmo com a chegada da primeira visita de um personagem estranho e indesejável de nome corona, ou covid-19, que já estava fazendo estragos em outros países da Ásia e da Europa. Não se sabia que ele ia fazer a terra parar, como profetizou o poeta.

O Brasil já vinha na onda do ódio e da intolerância do racismo, da homofobia, da xenofobia e da misoginia por causa de uma eleição de extremos onde predominaram as falsas notícias de calúnias, injúrias e difamações. As esquerdas foram demonizadas como comunistas, principalmente pelos evangélicos fanáticos, como se fossem o Anticristo saído do inferno.

A SEPARAÇÃO E A CEGUEIRA

Com um governo de retrocesso, o corona aproveitou o clima para instigar mais ainda a separação e alimentar a loucura da cegueira, Com sua coroa de espinhos aqui encontrou terreno fértil para ceifar a vida de quase 200 mil brasileiros, enquanto eles continuaram brigando e se xingando. Trouxe muitas lágrimas e dores, e também a indiferença e a psicopatia.

Todos estão querendo que o nefasto ano passe e entre logo o dois mil e vinte um, como se num passo de mágica tudo fosse mudar por causa de um simples calendário. Entretanto, não é o novo que tem o poder de apagar todas essas coisas ruis de sofrimento, mas as pessoas, se elas tomarem consciência de renovação, de união e se tornarem mais humanas, não uns matando os outros.

Com esse clima de barbárie entre os brasileiros, não dá para ser otimista de que as coisas vão melhorar, pelo menos a curto prazo. A cruel realidade comportamental da nossa gente nos mostra que os primeiros meses de dois mil e vinte e um vão ser ainda mais turbulentos, com muitas mortes.

Houve uma trégua com a baixa de contaminados, mas aí vieram as aglomerações das eleições que não deveriam ter acontecido neste ano. Somado a isso, os jovens entraram nas baladas e muitos emendaram com as festas de final de ano, trocando as viagens e as visitas pela vida. São cenas tristes de um suicídio coletivo onde uns matam outros. É um país sem consciência que confunde liberdade com irresponsabilidade e desrespeito ao outro. A grande maioria é falsa e hipócrita quando fala uma coisa diante das televisões e faz outra.

A tempestade não passou e ainda vem muito vendaval destruidor por aí. Infelizmente, as cenas nos hospitais e cemitérios vão continuar chocantes, e o Brasil pode ser o último país do mundo a ser vacinado (o nosso vizinho Argentina já está imunizando sua gente). A Europa já está entrando na segunda dose. Uma vergonha!

O BRASIL FUNDAMENTALISTA

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“CIGANOS DO PASSADO/ESPÍRITOS DO PRESENTE”

Numa linguagem poética e sensível, sem entrar em detalhes sobre a história e as origens do seu povo, mas narrando hábitos e costumes, a cigana Ana da Cigana Natasha, em sua obra “Ciganos do Passado/Espíritos do Presente” entra no mundo dos espíritos de várias famílias que viveram entre os séculos XVI a XIX, contando como se vestiam, seus adereços e magias, bem como, as especialidades deles no retorno ao mundo de sua gente.

De origem russa, desde que veio morar no Brasil, Ana cuida dos espíritos ciganos como lhe foi ensinado pelos seus antepassados. Ela joga as cartas desenhadas com os antigos símbolos da família e os seixos rolados da Rússia, além de ministrar diversos cursos sobre temas ciganos. O livro é composto de histórias que ela escutou dos mais velhos, principalmente do seu kaku (ancião, sábio e mestre).

TRADIÇÕES E RELIGIOSIDADES

Mesmo mantendo suas tradições culturais, os ciganos têm suas religiosidades e são muitos ligados à natureza, com rituais de folhas parecidos com a umbanda. Sua maior protetora é Santa Sara, que não chegou a ser canonizada pela Igreja Católica. Ela era a 10ª filha de um casal de religião igual a dos israelitas. Ana conta que aos 14 anos teve uma visão e descobriu que teria que ajudar o seu povo que estava sendo perseguido.

Ainda pequena, sua família decidiu correr o mundo e foi nessas viagens que Sara conheceu os ciganos e “a vidência veio mais forte”. Decidiu, então, abandonar a família e acompanhar os ciganos, e sempre os ajudava a fugir das perseguições. No sul da França, em Camargue, tornou-se rainha da terra e passou a ser uma sacerdotisa.

No lugar em que ela viveu até a sua morte e sepultada, foi erguida a Igreja de Santa Sara em Santes Maries de La Mer. Todos os anos. No começo de maio, outros autores e pesquisadores falam nos dias 24 e 25 de março, acontece as comemorações e peregrinações em louvor à santa, com procissão e festa na paróquia. Aqui no Brasil, os ciganos são devotos de Nossa Senhora Aparecida.

RITUAL DO CASAMENTO

Sobre as tradições de seu povo, Ana fala dos rituais de casamento e da morte. Diz ela que entre os antigos, o pai escolhe o marido para a filha e a esposa cuida de arranjar uma noiva para o filho. No entanto, existem estudiosos que asseguram que em tribos mais modernas, os casais têm sua opção de aceitar ou não a decisão dos pais.

De acordo com Natasha, no dia do casamento, o acampamento é todo arrumado para a grande festa. As carroças formam um grande círculo e no meio uma fogueira sagrada é acesa. Num canto é armado uma tenda e, dentro dela, posta uma mesa coberta com uma toalha de linho branco bordado pelas mãos da mãe da noiva.

Na mesa são colocadas várias comidas, doces e o tradicional leitão assado com frutas por cima. Enquanto isso, dentro da carroça a noiva ainda se apronta. Os violinos começam a tocar as melodias ciganas. A cortina da carroça se abre e dentro dela sai a noiva, vestida com uma roupa rebordada com pedras coloridas. Na cabeça traz uma tiara de flores do campo; nas orelhas, argolas de ouro; no pescoço, muitos colares de pedras coloridas; nos pulsos, pulseiras de ouro; e, nos dedos, anéis de ouro com pedras preciosas.

Quando a lua cheia aparece no céu, os noivos são levados até a fogueira. A noiva pelas ciganas mais velhas, e o noivo pelos mais idosos. O mais velho de todos é convidado para proceder a cerimônia. Ele junta as mãos dos noivos e recita uma oração. A seguir, separa as mãos dos dois. Pega um punhal de ouro e começa a falar umas palavras mágicas.

Em seguida, faz-se um corte de dois centímetros no pulso do noivo e outro no da noiva e une os sangues. Volta, então, a fazer a oração da junção do sangue, amarrando no pulso de cada um deles um lenço vermelho, dizendo palavras de benção. Depois, o velho cigano pega um pão, que foi feito no dia anterior ao casamento pela mãe da noiva e o corta em duas partes iguais. Coloca cada pedaço do pão na mão de cada um. Junta as mãos e volta a dizer uma oração.

Depois disso, retira o pão das mãos e as amarras com um cipó do mato e diz: Está aqui a união do trigo que representa a mulher e o homem. Que a noiva tenha respeito ao seu marido, pois ele é seu dono até a morte. Daqui para frente és uma senhora e terás de dar obediência total ao seu marido e à família dele. Em continuidade à cerimônia, é trazida uma bandeja dourada, com uma taça grande de cristal, que o pai do noivo é obrigado a dar de presente ao casal para esse ritual do desapego.

A partir daí, a mulher é automaticamente propriedade da família do marido e irá morar junto com o grupo dele. O casal de noivos bebe o vinho da taça e o homem a quebra, jogando para trás deles. A festa do casamento continua com todos dançando, comendo e bebendo.

Em certo momento, a shuvani (mulher mais velho do grupo) ordena que os noivos vão para a sua carroça. Lá dentro, começa o primeiro ato sexual, após o qual será feita a prova da virgindade da noiva. Passadas algumas horas, a shuvani vai buscar o lençol onde os dois consumaram o ato. Forma-se um círculo em torno da fogueira, e a shuvani mostra a todos o lençol com o sangue da virgindade da noiva. A partir do dia do casamento, ela passa a usar um lenço sobre os cabelos, marca das mulheres casadas.

RITUAL DA MORTE E DOS ESPÍRITOS

Quanto a morte, quando a pessoa se encontra em estado grave, as tendas são armadas em círculo, em cujo centro faz-se uma fogueira. A música parece pedir a Deus uma cura. Numa tenda, um grupo de mulheres faz suas previsões. Depois da pessoa morta, começam a preparar as comidas preferidas do espírito que se foi. Tudo é feito com festa e alegria, com violinos a tocar.

As mulheres ou os homens lavam o corpo do falecido com água de uma fonte, misturada com flores, ouro, prata, moedas antigas e atuais. Assim é feito o ritual da purificação. Todos falam de coisas bonitas para que o espírito retorne à terra em forma de luz.

O corpo é sempre sepultado debaixo de uma árvore frondosa. Sobre a terra é derramado vinho tinto para que o espírito siga sua viagem satisfeito. Pesquisadores ressaltam que muitas tribos costumam queimar os pertences do morto. Natasha conta que o ritual do banquete ao homenageado é repetido até que se completem sete anos da sua desencarnação.

O livro de Ana também traz receitas culinárias que ela transcreve de seus antepassados, na maioria doces, bolos e outras comidas com nomes ciganos, como Papo-de-Anjo Cigano, Mãe-Benta Cigana, Bolo do Sol, Bolachinhas Ciganas, Salada Cigana, Mojito Cigano, dentre outros. No mais, ela narra sobre espíritos de diversas famílias ciganas que viveram no passado.





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