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AS CURIOSIDADES GREGAS – FILOSOFIAS E SABEDORIAS (FINAL)

ARISTÓTELES – Além de ficar de luto, Aristóteles elevou um altar em honra ao seu mestre Platão. Foi seu aluno durante vinte anos. Sua preferência era a matemática. Escreveu prosa embaralhada e complicada, cheia de divagações literárias e iluminações poéticas – assim descreve Indro Montanelli, autor de “História dos Gregos”.

Sobre Platão, é difícil resumir a doutrina do filósofo. Nietzsche chamou-o de pré-cristão por certas antecipações teológicas e morais. No campo moral era puritano. Em política foi totalitário que, “se vivesse hoje receberia o prêmio Stalin”. Afirmava que a disciplina vale mais do que a liberdade de pensamento e que a justiça é mais necessária do que a verdade.

Quando Platão morreu, Aristóteles emigrou para a corte de Hermíades, pequeno tirano da Ásia Menor e casou-se com sua filha Pítia. Ia ali fundar uma academia, mas vieram os persas e mataram o rei. Aristóteles conseguiu fugir para Lesbos. Em 343 a.C. Filipe, da Macedônia, o chamou para Pela para educar seu filho Alexandre.

Cumpriu tão bem sua tarefa que Filipe o fez governador de Stagira. Gostaram tanto da sua atuação que transformaram a data de sua nomeação num acontecimento festivo. Com senso claro de divisão de trabalho, reuniu seus alunos em grupos, confiando a cada um uma tarefa escolar bem definida.

Era reservado, metódico e preso ao horário como um burocrata. Ensinava passeando com os alunos ao longo dos pórticos que circundavam o liceu. Por isso que sua escola se chama peripatética (ambulante). Foi o primeiro a tentar uma classificação das espécies animais, dividindo-os em vertebrados e invertebrados. Tinha um fraco pelos anéis, com os quais enchia os dedos até os fazer desaparecer completamente.

Na política propôs uma timocracia, uma combinação de democracia e de aristocracia, garantindo o governo de pessoas competentes e reprimindo os abusos de liberdade. Quando Alexandre, o Grande  morreu, ele foi acusado de impiedade. Aristóteles compreendeu que a defesa seria inútil e abandonou a cidade. Não quero que Atenas se manche com um delito contra a filosofia. À revelia, o tribunal condenou-o à morte. Pouco tempo depois morreu, não se sabe se por doença de estômago ou por cicuta, como Sócrates.

O HELENISMO E OS DIÁLOGOS – Com a morte de Alexandre, nasce o período helenístico na história da Grécia até a conquista romana. As cidades gregas, como Esparta, Atenas, Corinto e Tebas foram cedidas aos reinos periféricos. Os oficiais de Alexandre repartiram entre si o Império. Lisímaco ficou com a Trácia, Antígono com a Ásia Menor, Seleuco com a Babilônia, Ptolomeu com o Egito e Antípatro com a Macedônia e a Grécia.

Diz o escritor do livro, que a história é tão monótona como as misérias dos homens que a formam. Antígono julgou ter forças para reunir em suas mãos o Império, mas foi batido pela coligação dos outros quatros. Seu filho Demétrio Poliorcetes limitou suas ambições à Grécia. Expulsou os macedônios e foi recebido em Atenas como ”libertador”. Transformou o Panteão numa orgia e o regime numa anarquia. Aventurou-se a uma série de campanhas contra Ptolomeu e Seleuco, que o derrotou e o obrigou ao suicídio.

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PERTURBAÇÕES NO PARADISE EVENTOS

Uma casa de eventos instalada na rua “G” (Veríssimo Ferraz de Melo), Bairro Jardim Guanabara, ou Filipinas (as denominações são variadas), há uns três anos vem perturbando e tirando o sossego dos moradores, principalmente  idosos, durante suas festas que atravessam madrugadas. Muita gente tem reclamado dos barulhos do som e da zueira de participantes que perdem o controle do bom senso e do respeito depois das bebedeiras.

No último sábado (dia 5/01) numa dessas festas, muita gente passou a noite sem dormir, e lá pela madrugada, por volta das três horas da manhã, chegou haver até tiroteio, e o motorista de um carro por pouco não atropelou um grupo de jovens que fazia badernas num das ruas próximas ao Hospital de Base. Por pouco não houve morte ou uma tragédia, conforme narrou um vizinho da casa Paradise Eventos.

A rua é tranquila e deserta, especialmente durante à noite, mas tudo se transforma quando há festa no local, nos finais de semana, sempre terminando pela madrugada. Nas proximidades moram muitos idosos, inclusive pessoas doentes, sem contar crianças, que não conseguem dormir. Muitos já estão cogitando em fazer um abaixo-assinado para abrir uma reclamação junto ao Ministério Público, à Prefeitura ou a uma autoridade policial. Afinal de contas, trata-se de uma área residencial.

Quando não existem brigas, muitos resolvem beber na rua já em estado alterado e terminam urinando nas portas e deixando copos plásticos e outros objetos. Certa vez, um vizinho ficou furioso com a situação de desrespeito e até ameaçou partir para agressão se esses fatos se repetissem em sua porta. A Prefeitura ou algum órgão precisam tomar uma providência antes que aconteça o pior.

A PONTE EM RUÍNAS, A INDÚSTRIA DAS MULTAS E AS MUDANÇAS DO LUCRO

Fecharam nossas ferrovias, acabaram com as belas estações e deixaram pontilhões e pontes históricas em ruínas, para implantar rodovias infernais mal construídas e superfaturadas, criar a indústria das multas e ainda inventar mudanças descabidas para lucrar e extorquir os cidadãos que neste país só têm deveres, e onde “desacatar” um funcionário público é crime, mas não quando acontece o contrário de ser destratado.

Fiz uma recente viagem a Juazeiro, no norte da Bahia e, como sempre, corto pela Chapada Diamantina para curtir as paisagens da natureza (muita parte destruída pela ganância do homem). O que seria um prazer tornou-se irritação com o perigo das estradas mal conservadas, estreitas e árvores por cair nas pistas, como de Andaraí até a ligação com a BR-242.

A partir de Suçuarana até Ituaçu o que ainda restava do asfalto virou só buracos. Devido a buraqueira, logo apareceu uma forte pancada na lateral direita do carro com a quebra de um pivô, uma peça da suspensão, uma bucha da bandeja e a perda de uma calota. Consegui dirigir até Juazeiro e lá tive que gastar quase 500 reais de serviços na oficina. Quem pagou o prejuízo? Por certo que não foi o Estado que cobra IPVA, pedágios e monta a indústria das multas através de radares escondidos.

PONTE DE IAÇU EM RUÍNAS

No retorno entrei em Senhor do Bonfim e peguei a estrada para Jacobina-Piritiba via Antônio Gonçalves, Pindobaçu, Saúde e Caem, com mais buracos e sofrimento. Todo cuidado era pouco. De Piritiba resolvi seguir por Mundo Novo, Baixa Grande, Rui Barbosa, Itaberaba, Iaçu, saindo em Milagres pela BR-116 até Vitória da Conquista.

Mais decepção com meu estado da Bahia e com o nosso país. Desta vez, foi ver um patrimônio histórico de mais de 100 anos em ruínas. Trata-se da ponte férrea de Iaçu que por ali passaram tantos trens de passageiros vindos de Minas Gerais e atravessando todo sertão baiano até Senhor do Bonfim para fazer conexão com Salvador.

Claro que parei para tirar umas fotos da destruição e lembrei quando menino que tantas vezes viajei naquele trem chamado de “Groteiro”, saindo dali, vindo do Seminário de Amargosa, com destino a Rui Barbosa, Jequitibá ou para minha querida Piritiba, Quanta tristeza e dor ver aquela bela arquitetura caindo aos pedações, enferrujada e dentro do mato!

Recordo ainda que há poucos anos a comunidade da cidade, gente da região, defensores da preservação da nossa memória fizeram movimentos para recuperar a obra, mas não deram a mínima. O negócio deles, governantes, é montar a indústria das multas e introduzir mudanças para beneficiar fábricas particulares de placas, extintores e outros bagulhos.

A INDÚSTRIA DAS MULTAS E AS EXTORSÕES

Na Europa e outros países civilizados existem autoestradas, sempre em bom estado de conservação e sem controle de velocidade. Por aqui ocorre o contrário, e o Conselho de Trânsito ou os Detrans impõem 80 e 100 quilômetros em rodovias estaduais e federais. Imagine todos rodando neste ritmo numa longa viagem! Para os agentes, 120 quilômetros é alta velocidade, e ai tome multa através dos radares surpresas. Para ser coerente, no Brasil as montadoras deveriam colocar a potência do veículo só até 100 quilômetros.

Não precisa descer o pé no acelerador para 150 ou 200 quilômetros, mesmo porque as pistas são imperfeitas, estreitas, esburacadas e com defeitos de engenharia. Acho contraditório o limite de 80 e 100 quilômetros. A maior parte dos acidentes não é por velocidade, mas por imprudência nas ultrapassagens, imperícias e embriaguez. Não há como ultrapassar uma carreta com 80. Os governos não fazem suas partes e aí colocam toda culpa nos motoristas, usando a indústria das multas.

Na verdade, neste país os cidadãos e os contribuintes só têm deveres e nada de direitos. Pagam altos tributos por duas vezes, como é o caso do IPVA e os pedágios. Por que o governo e os políticos não cobram os serviços de melhoramento da Via Bahia na BR-116, conforme determina o contrato? Está BR, de Feira de Santana para a divisa com Minas Gerais, por exemplo, ainda não foi duplicada e o asfalto já está descascando e cheio de problemas, como constatei. Para embromar, colocam uns operários para limpar o mato nas margens das rodovias.

Então pergunto: Qual moral tem o governo de montar esta indústria de multas através dos “caças-multas”? Outro problema são os quebra-molas, não mais recomendáveis, que estão por toda parte nas pistas, nas cidades e nos povoados. Em muitas vias, principalmente as estaduais, não existem sinalizações, tanto horizontal como vertical. Sem aviso, quebra-molas surgem aos montes pegando os motoristas de surpresa. São arrebemtam veículos.

Como os kits socorros, extintores e outras exigências descabíveis, agora inventaram essa besteira da placa do Mercosul, um acordo entre países do sul que virou um fracasso no comércio e nos relacionamentos entre os governos de ideologias diferentes. Essa mudança é mais uma extorsão ao contribuinte para alimentar as indústrias de emplacamentos. Para fazer o serviço, o cidadão é explorado, humilhado e roubado, financeiramente e em seus direitos.

 

JOVENS ESPERANÇOSOS JOGAM A “COPINHA”

Carlos González – jornalista

O verde no uniforme traduz a esperança de 20 jovens, que enfrentaram 1.800 quilômetros de estrada, comemoraram a virada do ano dentro de um ônibus, levando na mochila o sonho de um belo futuro no futebol. A equipe Sub-20 do Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista atravessou os estados de Minas Gerais e São Paulo para chegar à cidade paulista de Assis, onde vai disputar, a partir desta quinta-feira (dia 3), a 50ª Copa São Paulo de Futebol Júnior, a “Copinha”. Cinco membros da Comissão Técnica, sob o comando do treinador Guilhermino Mendes, acompanham a delegação.

Convidado pela terceira vez pela Secretaria de Esportes de São Paulo e pela Federação Paulista de Futebol, o “Bodinho”, como é carinhosamente chamado por sua torcida, é um dos 128 clubes dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal, ao lado dos seus co-irmãos Bahia, Vitória, Jacobina e Atlântico, divididos em 32 chaves.

O Vitória da Conquista faz parte do grupo 4, ao lado do anfitrião Vocem, do Sport do Recife e do alagoano Porto Calvense, de Porto Calvo. Os dois primeiros classificados passarão para a segunda fase do torneio, que se encerrará  no próximo dia 25, data do 464º aniversário da cidade de São Paulo. Os canais ESPN e Rede Vida farão a transmissões de TV ao vivo,

A partida de estreia do alviverde conquistense está marcada para começar às 13h40m, no Estádio Antônio Viana Silva (Tonicão), justamente contra os donos da casa. Os jogos seguintes serão  no dia 5, às 16 horas, contra o Sport, e no dia 9, às 16 horas, diante do Porto Calvense. Se passar para a segunda fase enfrentará o Cruzeiro, o Babaçu (Maranhão) ou os paulistas Linense ou Marília.

Acho que vale a pena revelar alguns fatos curiosos da equipe mais popular da progressista Assis, chamada de Cidade Fraternal, com 434 km² e uma população de 103.666 habitantes. Com o pomposo título de Vila Operária Clube Esporte Mariano, o Vocem foi fundado em 21 de julho de 1954 pelo padre Aloísio Bellini, com a finalidade de mostrar aos jovens, através do esporte, os caminhos da religião católica.

A associação do “Esquadrão da Fé” com o catolicismo está expressa nas cores do uniforme: o bordô e o branco significam o vinho e o pão, servidos por Jesus Cristo aos seus apóstolos na Última Ceia; no distintivo estão inscritas as frases em latim “Audite vocem Domini” e “Non ducor, duco”, que traduzem, respectivamente, “Ouviste a voz do Senhor” e “Não sou conduzido, conduzo”. Naquela época não era necessário ser bom de bola para ganhar uma vaga no time. O jovem tinha obrigação de assistir à missa aos domingos. Antes dos jogos, o padre Bellini participava da preleção no vestiário e rezava com os atletas.

O profissionalismo

O Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista terá uma breve vida útil este ano. A presença do seu time de profissionais nos gramados deve se limitar ao período de janeiro a abril, caso consiga uma vaga entre os quatro semifinalistas do Campeonato Baiano. Se isso não ocorrer, dará adeus mais cedo às atividades do futebol profissional, precisamente no dia 17 de março, atuando fora de casa – a despedida de sua torcida, no Estádio Lomanto Júnior, se daria sete dias antes.

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POUCOS TÊM ACESSO À ILUMINAÇÃO DO CRISTO NA SERRA

Estive visitando o monumento do Cristo de Mário Cravo no alto da Serra do Periperi no último domingo por volta das 20 horas, embora com receio pela falta de segurança, tanto na subida quanto no local. Levei minha máquina fotográfica para registrar o colorido das luzes. Comentei minha ida com alguns amigos que me chamaram de maluco, com muita coragem de ir lá, principalmente à noite.

Fora o trabalho louvável da Prefeitura Municipal em parceria com uma empresa para instalação de energia solar, percebi a presença de pouca gente, a grande maioria de carro com suas famílias e alguns grupos subindo à pés. Na área, nenhum quiosque aberto para se tomar uma água, um refrigerante, comer alguma coisa ou mesmo uma cervejinha gelada. É verdade que tinha um posto policial aberto, mas é notável a falta de estrutura para visitação.

Na subida do Cruzeiro, a iluminação é precária (muito escuro), começando a partir daí o medo de assalto. Se o Cristo é um cartão postal de Vitória da Conquista, como dizem, é lógico que deveria ser visitado por todos  moradores e, não somente para alguns, que se arriscam indo até lá. Por que pelo menos nesta data natalina não se colocou transporte público ou privado, subindo e descendo para o povo conhecer a iluminação?

Desde quando cheguei a Conquista, em 1991, e trabalhava na Sucursal do Jornal A Tarde, sempre critiquei o abandono a que estava relegada a obra do artista Mário Cravo, inclusive no governo de Murilo Mármore, que colocou alguns equipamentos, como refletores, mas, mesmo assim continuou sendo um local pouco visitado. Aliás, muita gente chegou a ser assaltada por bandidos.

Quero dizer que não basta iluminar o Cristo. Esta iniciativa tem que ser acompanhada de uma estrutura de segurança para que o cartão postal seja visitado pelo povo de um modo geral. Da maneira como está, a iluminação do Cristo é para ser vista só de longe, daquele tipo “Pavê”. A imagem foi feita para ser apreciada de perto. Afinal de contas, trata-se de uma arte.

TELEFÉRICO

Por que não se fazer um projeto de parceria público privada para a implantação de um teleférico ligando o alto da Serra ao centro da cidade? Sabemos que não é fácil porque carece de um alto investimento, e o poder público não dispõe de recursos para montar um equipamento desse porte, mas não custa nada elaborar um grande projeto e chamar o setor privado para participar da obra no molde de uma concessão, Não sou economista nem projetista, mas acredito ser um equipamento viável economicamente e seria uma grande atração para toda a cidade e visitantes.

Com o teleférico, viriam outros serviços de bares, restaurantes, parque de diversão para crianças, pequenas trilhas na Serra e até um museu histórico sobre a cidade. Ali já existe o Cepas (centro de proteção e acolhimento de animais). Com segurança e todo tipo de apoio logístico, o monumento não seria visitado somente nos finais de semana, mas todos os dias com horários determinados, inclusive durante à noite.

Assim como o Cristo, o mesmo acontece com a Mata do Poço Escuro que fizeram alguns serviços, mas continua pouco visitada. Muita gente tem medo de ir àquela bela reserva florestal por falta de segurança. Apesar de ser a terceira maior cidade da Bahia, Conquista não oferece pontos turísticos interessantes para se mostrar quando aqui chega uma pessoa de fora, a não ser o centro, algumas avenidas e os shoppings que são as mesmas coisas em todos os grandes centros.

A Lagoa das Bateias que deveria ser mais um ponto de atração, está abandonada e invadida pelas sujeiras dos esgotos que caem na área. Precisa de uma revitalização urgente. O Cristo, o Poço Escuro e a Lagoa das Bateias, para não se falar em outros locais turísticos que podem ser montados com boas estruturas, seriam bons atrativos e aumentariam a geração de renda e emprego para a cidade.

Existem ainda o Campinhos e o Simão, grandes centros de produção de farinha de mandioca e fabricação de biscoitos. Faltam incentivos e estrutura para que estes locais se tornem pontos turísticos de visitação e compras. A Lagoa das Flores, produtora de horticultura e também de flores como o próprio nome já diz, poderia ser outro roteiro da cidade. Turismo também é cultura, uma espécie em extinção, que só serve de decoração nas mesas dos governantes.

0 SERTÃO EM CORES

Foto do jornalista Jeremias Macário. Quando as chuvas caem na terra seca do semiárido o sertão se transforma em cores e deixa toda natureza em alegria. É o cio da terra que o sertanejo aproveita para plantar e tirar seus frutos que sustentam a vida.

LEMBRO AINDA MENINO

Poema de Jeremias Macário, incluso no CD Sarau e declamado pro Edna

Quando no peito a dor explode

De gente vaga e de pele pálida,

Lembro ainda quando menino

Alegre contente vira-lata latino,

Saído do ventre mãe camponesa,

Da poeira da terra rala e árida

Onde o fruto da chuva eclode.

 

Mãe senhora, santa piedosa!

Labuta a roça sem temer a hora,

Com sua alma doce e carinhosa,

Que nem o tempo lhe devora.

 

Nesta patrulha de tanta canga,

Do povo descrente em sua gente,

Lembro ainda moleque menino

O raiar do dia sereno e quente,

Daquele rosto enrugado ofegante,

Com uma enxada e sua capanga,

Clamar ao seu Supremo Divino

Pra forças ter na lida escaldante.

 

Lembro do meu pai rogar aos céus

Para o Deus de nós compadecer,

Molhar o solo, plantar a semente

Para um dia o alimento colher

E matar a fome de todos os seus.

 

No algoz capital de várias caras,

De multidões querendo vencer,

Lembro ainda descalço menino

A flor ditosa daquele roxo Ipê

Na matinha ao lado do sol a pino,

Espraiando a seca no chão lunar,

Do Ouricuri, o Sofrer partindo

Do açoite verão das coivaras.

 

Lembro que vi o aguaceiro bater,

No gravatá pousar o beija-flor,

O canto da Juriti nas matas raras,

As araras acordando o amanhecer,

O voar de arribação das passaradas,

Renovar a vida verde nas caiçaras,

E todo o sertão se derramar em cor.

 

OS 80 ANOS DE “VIDAS SECAS” DE GRACILIANO RAMOS EM DEBATE NO SARAU

O assunto foi alvo de debate no último Sarau A Estrada em 27 de novembro, e todos os detalhes da vida e da obra do alagoano Graciliano Ramos foram publicados em nosso espaço. O Sarau está entrando no nono ano e é sempre realizado no Espaço Cultural A Estrada, com cantorias, causos e declamações de poemas, gerando o projeto do Cd Sarau.

POSFÁCIO, de Hermenegildo Bastos. O crítico diz que Baleia sonha ou delira quando pensa e projeta, quando opina sobre Fabiano e leva o leitor a elaborar juízos de valor. O sujeito é o narrador. De Baleia saem muitas falas através do seu silêncio. Os sujeitos transmitem consciência individual e coletiva, mesmo na figuração de derrotados. Vivem no mundo da opressão, mas sonham com a liberdade. Cada um tem seu ponto de vista, seu foco. Afirma que a literatura de Graciliano se articula em torno do problema do outro. Vidas Secas apresenta o mundo da degradação. Fabiano é um trabalhador rural desqualificado. Esforça-se por entender o mundo e a exploração. Pode escolher entre matar o soldado amarelo, ou deixa-lo vivo. O romance provoca o leitor a acompanhar o processo de produção literária, ao mesmo tempo em que o envolve na questão do destino dos personagens. O leitor vivencia o trabalho, a fadiga e os limites naturais e sociais da existência humana. Graciliano foge das técnicas literárias, e Otto Maria Carpeaux acha que o escritor quis eliminar tudo para ficar com a poesia.  O dono da venda, o soldado, o fiscal, o patrão se integram ao processo de exploração do capitalismo. A ida para o sul não é só liberdade. Vidas Secas narra o mundo reificado e a luta dos homens pela liberdade. O escritor converte-se em personagem da obra, de modo diferente daquele de quando o narrador era também personagem. O livro, afirma Bastos, é de extrema liberdade em relação aos modelos tradicionais de romance. Invade o terreno da poesia, o que foi bem observado por João Cabral de Melo Neto. Tece um diálogo entre narrador letrado como o personagem iletrado. Cada artista desenvolve seu trabalho conforme suas peculiaridades. O trabalho literário é ao mesmo tempo amaldiçoado porque lembra ao homem sua falta de liberdade, mas também é espaço de resistência porque reafirma o horizonte da liberdade. A primeira coisa que nos diz uma obra de arte é que o mundo da liberdade é possível, e isso nos dá força para lutar contra o mundo da opressão.

REPORTAGENS DO ESTADÃO – Os repórteres percorreram Quebrangulo, Buíque, Palmeira dos Índios, Mirador do Negrão onde foi feito o filme na década de 60 por Nelson Pereira dos Santos e povoados.  A fazenda Pitadinho, em Buíque, Pernambuco foi toda modificada.

Quebrangulo tem 11 mil habitantes e fica na boca do sertão. Vive entre a seca e as enchentes do rio Paraíba. A casa foi herdada pela família de Gerusa Marcelo. “Terra de Graciliano, terra de todos nós”´ – diz um cartaz na estação ferroviária.  A casa nunca virou museu, mas a prefeitura sempre prometeu. Adriana, que mora nela, acha que a casa é igual a qualquer outra. A cidade continua na mesma miséria, entre as secas e as inundações. Existe a intenção de se construir um trem turístico ligando Quebrangulo a Palmeira dos índios, no percurso de 28 quilômetros.

Em Buíque, a vegetação é de palma, xiquexique, mandacarus, macambiras e coroa de frade. A Fazenda foi toda modificada, para criação de gado, produção de queijos e tem um poço artesiano. Vez por outra aparece um visitante para conhecer o lugar onde o escritor cresceu e tomava surras porque aprendeu gírias dos descendentes de escravos. Próximo à fazenda Pitadinho fica a vila São Domingos onde os Ramos colocaram uma loja depois de perderem tudo na seca. Por lá, naquela época, carro-de-boi era sinal de progresso.

Em Palmeira dos Índios, Graciliano foi prefeito de 1928 a 1930. Renunciou ao cargo dois anos depois, desgostoso com a política. Ele concorreu sozinho à eleição. Depois aceitou ser diretor da Imprensa Oficial de Alagoas. Como prefeito, fez o primeiro Código de Postura Municipal, com 82 artigos. Logo que assumiu, enviou ao governador um relatório transparente, no formato literário, em estilo inspirador da Lei de Responsabilidade Fiscal, O relatório também impressionou o editor Augusto Schimidt. Construiu estradas, teve a ideia de um açude e reclamou do contrato feito com o fornecedor de energia elétrica. Esse contrato foi  feito às escuras – disse. No seu tempo tinha 11 funcionários.

Conta a história que um dia um matuto foi ao seu gabinete e reclamou que, pela segunda vez, o gado do vizinho invadiu sua roça e destruiu a plantação de mandioca, com prejuízo de dois contos. O senhor deveria ter vindo há mais tempo – advertiu o prefeito, no que o matuto respondeu que o gado era do seu pai. “O prefeito, meu senhor, não tem pai, nem mãe”. Os repórteres constataram que por lá existem poucas homenagens (alguns seminários e eventos). Em 2017, o município sofreu uma das piores estiagens.

Na sede da prefeitura (o município de 74 mil habitantes, tem 129 anos de emancipação), não existe mais galeria dos prefeitos. O chefe de gabinete informou que os quadros foram recolhidos para recuperação, mas constatou-se que estão num canto mal conservados.

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DE OLHO NAS LENTES

Foto de José Silva. Em nossas vidas temos várias estradas a seguir.  Cabe a escolha certa para não haver erros. Também, podemos dizer que cada um segue o seu caminho e devemos respeitar as opções, ou que todos nos levam a um só.

LÁGRIMAS DE MARIANA

Poema de Jeremias Macário inspirado no desastre ambiental da lama da Samarco em Mariana. A letra foi musicada élo cantor e compositor Dorinho e gravada no CD Sarau, projeto em andamento.

Ave, eterna Mariana!

Mãe santa teu nome!

Chove lágrimas

De lama e sangue

Do Fundão profano

Até o mar do mangue,

Levando sede e fome,

Um monte de usura insana,

De um capital desumano.

 

Do Doce azul das matas,

agora amarelo amargo,

Chove lágrimas de dor

Dos nativos aos gritos,

Do Bento mano barro,

Escombros de detritos

Que secaram os lares

De Colatina ao Valadares;

Contaminaram as lagoas

E as paisagens de Linhares.

 

Chove lágrimas de dor

Da igrejinha da praça,

Da terra sem as marés,

Do pescador em pranto,

Que vê no lodo da mina,

Pasta tóxica da Samarco

Até onde se fita a colina

Do índio nação Aimorés,

Senhores da flecha e do arco,

Filhos do Rio Doce e da caça.

 

Chove lágrimas de dor

Do cristalino da menina,

Da mãe flor Mariana,

Do lendário contador

De histórias de Resplendor;

Chora o São Francisco,

Choram as cordas da viola

Na poesia do cantador,

A triste canção de uma mina

Que um dia no estouro roubou

O sonho junto sonhado

De um povo bravo lutador.





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