setembro 2021
D S T Q Q S S
« ago    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

:: ‘Notícias’

O BRASIL AGE COMO O PAÍS MAIS BURRO DO MUNDO SEM O NOSSO SÃO JOÃO

“Errar é humano, mas persistir no erro é burrice”. Há um ano se dizia que no próximo (2021) nós teríamos os festejos nordestinos do tão sonhado São João, mas por culpa do governo federal, o maior responsável, e do próprio povo, o evento foi cancelado. Repetimos as mesmas coisas de antes. O que mais se ouve é “se Deus quiser”. Como Ele vai ajudar, se você não faz sua parte.

Nesse ritmo do abre e fecha o comércio, das aglomerações, das festas clandestinas e de uma vacinação que dá um passo à frente, enquanto a Covid-19 dá quatro ou cinco adiante, não vamos ter as festas juninas em 2022. Como se vê, o Brasil age como o pais mais burro do mundo que continua cometendo os mesmos erros. Outras nações, não somente as mais desenvolvidas, fizeram diferente e já estão até liberando o não uso das máscaras.

Aqui temos um capitão-presidente que faz tudo ao contrário do que o seu Ministério da Saúde tenta recomendar. Gasta-se milhões com propaganda (bastante atrasada), mas o cara lá de cima desfaz tudo e provoca aglomerações com seus seguidores da morte, para xingar governadores, prefeitos, jornalistas e adversários. Cá embaixo, o povo fica a dizer, “se Deus quiser tudo vai passar”.

Há mais de um que estamos nesse sistema sanfona do abre e fecha. Quando baixa um pouco o número de mortes e reduz o percentual de ocupação dos leitos de UTI, os governantes flexibilizam as medidas e depois volta tudo novamente quando se registra um avanço da doença. Nessa gangorra, não tem economia que se segura, e os informais e os negociantes menores são os que mais sofrem.

Essa “lógica” psicopata e persistente caracteriza total burrice de um país desgovernado, como uma carruagem em disparada num desfiladeiro. Aqui, tudo é incerto, confuso e perdido no tempo. Estamos chegando ao meio do ano com mais de 500 mil mortes, num país de muito choro e lágrimas por uma boa parte da população que perdeu seus entes queridos. Uma outra se refestela nas festas e comemorações, e uma terceira amarga a miséria da fome. Ainda tem a tropa dos negacionistas da ciência.

A grande imprensa tem a sua parcela de culpa nessa burrice. A mídia que faz matérias com especialistas, recomendando cuidados, de acordo com os protocolos científicos, é a mesma que incita, indiretamente, as pessoas a irem às compras em datas festivas, como o Dia das Mães e agora faltando um mês para o São João. As reportagens consumistas, com imagens juninas do passado, por exemplo, incentivam muita gente para corrida aos supermercados e às feiras livres, no intuito de comemorar a data em suas casas, com comidas e bebidas típicas, num ajuntamento de parentes e amigos, sem contar as fogueiras.

Depois das queimas de fogos, todos sabem que vem outra onda do vírus, inclusive com outras cepas mais perigosas em termos de contaminação e mortes. A vacina se arrasta, ou porque são escassas, ou porque tem município que para tudo em final de semana, caso de Vitória da Conquista, cuja Secretaria da Saúde apresenta uma justificativa fajuta de queda na demanda. Assim, São João, São Pedro e Santo Antônio vão ter que ficar desolados.

Nesse nosso Brasil, esse meio de campo está todo embolado e bagunçado, batendo cabeça, e o inimigo dando de goleada. Cada município faz o seu critério de imunização, inclusive com a tal hora marcada que não funciona nesse país atrasado onde milhões não têm internet, e quando se tem, não se consegue agendar porque os aplicativos emperram e os telefones ficam tocando uma musiquinha. Do outro lado, milhares, por insensatez, deixam de tomar a segunda dose.

Assim é o Brasil que insiste em permanecer nos mesmos erros diante de uma pandemia avassaladora. Ele segue no trote com um dos últimos da fila no combate da Covid. Como um país burro, cada abertura das atividades econômicas é seguida de mais um pico de casos e um aumento de mortes, com hospitais superlotados e até falta de insumos médicos e equipamentos.

O SUCATEAMENTO DAS UNIVERSIDADES

Como se não bastassem a destruição do meio ambiente, as dificuldades criadas para a não aquisição antecipada das vacinas contra a Covid-19 que já ceifou a vida de mais de 441 milhões de pessoas, a exclusão social das minorias, entre outros atos, como o isolamento do Brasil das outras nações, o capitão-presidente investe agora contra as universidades, com a intenção de acabar com o ensino superior, sucateando suas unidades.

Seu propósito, na verdade, é transformar as universidades num espaço exclusivo para cursos médios técnicos, limitando o conhecimento e o saber apenas para áreas especializadas demandadas pelo mercado empresarial. No seu ponto de vista, as universidades são covis de comunistas, drogados, esquerdistas, subversivos e pervertidos.

Em sua concepção, o slogan “Pátria Amada Brasil” é fazer dela pária para o mundo, porque isso é “bom” no dizer do brucutu do ex-ministro das Relações Exteriores. Gostaria de saber como essa pátria está sendo amada pelos seus filhos com mais de 30 milhões vivendo na miséria e passando fome? Como essa pátria está sendo amada vendo suas florestas sendo derrubadas e queimadas? Como essa pátria está sendo amada sem vacina para imunizar seus filhos?

As universidades estão ameaçadas de fechar suas portas com os cortes de milhões de reais em seus orçamentos, como é o caso da Universidade Federal da Bahia que foi atingida em cheio com a retirada de mais de 30 milhões de reais em relação à sua verba destinada no ano passado. De acordo com o reitor, se for levado em conta a inflação dos últimos anos, essa cifra pode significar uma perda de mais de 100 milhões.

Há poucos dias, a reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro e de outros estados denunciaram a mesma situação. Milhares de bolsas de estudos, ajudas financeiras a estudantes pobres, auxílios alimentação e outros programas foram bloqueados, sem contar os trabalhos de pesquisas que deixaram de ser realizados.

Como uma pátria pode ser amada sem investimentos em pesquisa, tecnologia, conhecimento e saber? O que será dela no futuro próximo? Um país que voltará a viver uma era primitiva? Um Brasil sem intelectuais, sem cientistas, sem pesquisadores, sem cabeças pensantes, um bando de fundamentalistas de extrema direita e de negacionistas da ciência? Na verdade, já estamos nesse caminho macabro.

Queremos uma pátria amada que seja respeitada lá fora, não apenas pelo seu crescimento econômico, pelo seu PIB, pela sua força militar, pelo seu tamanho territorial, pela sua história, mas, sobretudo, pelo seu valioso capital de conhecimento e saber, bem como um povo que preserve o meio ambiente e cuide bem do seu patrimônio cultural.

Os reitores das universidades lançam um forte apelo à toda sociedade para que se mobilize no sentido de que esse quadro de sucateamento seja revertido, e as instituições de ensino superior voltem a ser fonte de vida e alma para o desenvolvimento da pátria. Infelizmente, senhores reitores, a nossa sociedade está inerte, acomodada, egoísta, individualista e insensível.

O país está sendo aos poucos destruído e impera o silêncio dos bons, enquanto os destruidores não tiram férias e instigam contra a nossa nação. Não estamos respondendo à altura para barrar estas e outras barbaridades que já têm uma extensa folha corrida de crimes.

O cara e sua turma chamam os jornalistas de bundões, canalhas, comunistas, idiotas, imbecis, entre outros palavrões, e a classe não responde à altura, no mesmo tom. Está mais para uma categoria morta e passiva que aceita as bofetadas, dando o outro lado para bater.

Não são somente os jornalistas que estão sendo debochados e ridicularizados, mas outros segmentos e profissões. No entanto, as respostas e as reações têm sido tímidas, na base do ôba-ôba, da lengalenga. Não se tem levado a sério para o que vem acontecendo contra o nosso povo, contra a nossa nação e contra as nossas instituições.

Estão querendo acabar com o Congresso Nacional, com o Supremo Tribunal Federal, com a Amazônia, com os indígenas, com as universidades e, simplesmente, nos calamos e nos acovardamos. Como seremos uma pátria amada sem uma democracia, porque até isso eles querem tirar de nós? O que será das novas gerações? Estamos, no mínimo, sendo omissos.

MILHÕES DE SEGUIDORES

A tecnologia da informação poderia ser uma ferramenta para nos tornar mais inteligente, humano e ampliar o nosso conteúdo de conhecimento e saber. Com a lacuna na base educacional, ela criou uma sociedade fútil e imbecil comedora de lixo, sobretudo com o advento das redes sociais que expõem a nossa decadência, ao invés da evolução.

É no mundo virtual que a maioria das pessoas sente a necessidade de se afirmar, de se aparecer, de dizer que existe e de chamar a atenção para gritar: Olhem estou aqui! A maior preocupação é ter “seguidores”, e aí tudo é válido para conseguir mais cliques em seus feitos, não importando a aniquilação da sua personalidade.

A busca incessante e frenética por esses “milhões de seguidores”, mesmo que comprados e emprenhados, resulta numa enxurrada de besteiras de gente que chegam a expor seus corpos como se fossem mercadorias. Nas músicas fanqueiras, pagodeiras, de arrochas e outros estilos de baixo nível, verdadeiros lixos, mulheres e homens se rebolam para conseguir os tais milhões. Mostram as bundas e ficam até nus.

É comum hoje numa entrevista na TV, principalmente, logo de cara o entrevistador perguntar ao criador de vídeos, de memes, de piadas sem graça, de palhaçadas e de startup sobre a quantidades que tem de “seguidores” nas redes sociais. Só conta se tiver milhões, de 10 ou 20 milhões para cima. O cara vale pelo número de seguidores.

Escritor, colunista, vídeos de textos poéticos, trabalhos acadêmicos de professores, músicos de letras que forcem as pessoas a pensar, críticos literários, inventos e outras atividades de cunho filosófico não têm seguidores e não merecem nenhum valor. Passam despercebidos.

Hoje no Brasil temos até seguidores da morte que se aglomeram em bailes funks, paredões, arrochas, pagodes, carros der som e outras festas para ouvir aquelas músicas conhecidos como “batem estacas”. Tem que fazer muito barulho. A tecnologia nos fez retornar aos tempos primitivos e externalizar os instintos mais primitivistas.

Temos seguidores da morte, como agora do MC Kevin que reuniu uma multidão em plena pandemia seu velório e enterro. Temos seguidores da morte que não usam máscaras e não seguem os protocolos recomendados pela ciência como faz o capitão-presidente.

Estamos vivendo numa época dos “milhões de seguidores”, mesmo que sejam falsos e efêmeros. Herói hoje é jogador de futebol e quem angariar mais seguidores no mundo virtual. O seguidor segue as pegadas do seu “ídolo”, como no caso da vencedora do BBB que depois de passar uns meses numa casa cheia de mordomias conseguiu mais de 20 milhões. É a sociedade da bestialidade.

CULTURA NÃO É SÓ MÚSICA

Quem veio primeiro, o verbo ou a música? Dizem que a explosão de uma estrela na criação do mundo permitiu a propagação do som em forma de música, mas a palavra estava lá. A música é tão importante quanto a literatura, talvez esta última mais ainda. Outros que sem letra não existe música, mesmo que ela saia antes da composição.

Na verdade, não deixa de ser pontos de vista de cada um na sua interpretação filosófica. No entanto, essa não é a questão primordial, e a discussão pode ser infinita.  O que eu quero mesmo expressar é que a cultura não pode ser resumida apenas na música. Existe uma mentalidade impregnada nas pessoas no conceito de cultura, achando que artista é somente aquele que é cantor e músico.

Essa concepção advém da premissa de que a música tem mais visibilidade do que as outras artes por atingir o maior número de público. Ela é mais fácil de ser captada e atrai muito mais gente do que a literatura, a dança, o teatro, o cinema, as artes plásticas em geral, o artesanato, a oralidade e outras linguagens artísticas.

Aqui em Vitória da Conquista, por exemplo, onde não existe uma política cultural definida, mal ou bem, com raras exceções, só a música tem sido contemplada pela Secretaria de Cultura, principalmente nas festas de São João e Natal. As outras artes são sempre esquecidas, jogadas lá no fundo do baú, e ficam empoeiradas.

Há muito tempo não temos aqui um salão de artes plásticas, um festival de dança, teatro, poesia e audiovisual promovidos pelo poder público em conjunto com o setor privado. Uma cidade do porte de Conquista, a terceira maior da Bahia, com mais de 230 mil habitantes, nunca abrigou uma feira do livro, enquanto outras cidades menores têm realizado com sucesso.

Não estou aqui, de forma alguma, querendo tirar o pão da boca dos músicos por serem os mais beneficiados. Muito pelo contrário, até entendo que é muito pouco o que a Prefeitura Municipal faz pela classe. Só quero afirmar que as outras artes, tanto quanto a música, precisam ganhar seu merecido espaço na cultura.

Essa mentalidade de se trabalhar mais a área musical precisa ser mudada. A literatura, por exemplo, e aqui não estou puxando a sardinha para o meu lado, é a linguagem mais sacrificada, talvez pela grande perda do hábito da leitura e também por ser a menos compreendida pelo público. É a mais difícil de ser entendida.

Digo de mim mesmo que cheguei a publicar meus livros com muito sacrifício e dor, inclusive pensando em desistir no meio do caminho, como foi o caso de “Uma Conquista Cassada”, uma obra de pesquisa que exigiu muito trabalho e poderia ter sido melhor se tivesse tido apoio de recursos de fora. Felizmente, o seu lançamento foi possível graças a ajuda do deputado estadual Jean Fabrício que intermediou sua edição junto à Assembleia Legislativa.

Quanto aos outros, tive que correr atrás pedindo a ajuda de um e de outro para fazer a impressão, sem contar que fui obrigado a colocar dinheiro do meu bolso. Como não sou um Jorge Amado e nem um João Ubaldo da vida, as editoras não têm interesse, e aí o “bicho pega”, como se diz no popular. Por essas e outras, existem hoje muitos talentos engavetados que poderiam até ter virado grandes escritores nacionais.

A NOSSA ABANDONADA CULTURA

MANDAR OS ARTISTAS PASSAREM O CHAPÉU NAS PRAÇAS E FEIRAS LIVRES É NO MÍNIMO UMA FALTA DE RESPEITO COM A CLASSE. É UM ATESTADO DE QUE A PREFEITURA MUNICIPAL ABANDONOU A CULTURA E NÃO TEM NENHUM PROJETO PARA ELA.

Por um bom espaço de tempo, a pandemia da Covid-19 ainda vai ser o assunto mais comentado. Está difícil essa tragédia se apagar das nossas cabeças, embora conheça gente que tem feito todos os esforços para não ligar mais o controle nos noticiários dos meios de comunicação. A doença veio entrelaçada com atos bárbaros de violência e odor de angústia, ansiedade e depressão.

Nesses tempos que já eram tão difíceis, ninguém imaginava que o nosso Brasil e o mundo iriam receber mais essa pancada de um inimigo invisível que parece não desistir do seu fogo cruzado e bater em retirada, mesmo depois de ter feito tombar milhões de vidas nesse planeta já tão castigado pelo homem.

ESQUECIDOS ARTISTAS

Terminei por fazer um “nariz de cera” no jargão jornalístico para entrar no assunto propriamente dito que é sobre a nossa esfarrapada cultura, principalmente aqui em nossa Vitória da Conquista. Sobre ela, existe um certo silêncio. No início do ano passado apareceram aí uns editais para dar alguma ajuda aos abandonados artistas que sempre estiveram na trincheira da resistência em defesa da nossa cultura.

Fala-se muito da pobreza que passa fome e precisa de socorro das doações, dos microempresários que estão falidos, dos informais que penam para sobreviver, das milhares de filas nas portas dos bancos para receber a merreca do auxílio emergencial, dos desempregados e desvalidos, mas pouco sobre a cultura e dos que sempre batalharam para dela tirar o parco sustento.

Os nossos cantores, compositores e músicos, os que fazem literatura, os poetas da vida, os pintores e escultores, os atores e atrizes, os dançarinos, enfim, os que estão inseridos em todas as linguagens artísticas já fazem um tremendo malabarismo para botar comida em suas casas e até passam fome. É a sociedade dos esquecidos, principalmente agora que o governo federal resolveu exterminar os fazedores de cultura como se fossem a escória do país.

No caso específico de Conquista, agora aparece o secretário de Cultura e manda os artistas passarem o chapéu nas ruas, como se dissesse se virem. Fora aqueles editais, inclusive um deles de origem federal (para não dizer que não fez nada), não vejo ações concretas para amparar a nossa cultura e seus produtores.

Infelizmente, a cultura não faz parte da política do governo municipal, e nem a Câmara de Vereadores tem tomado iniciativas concretas para criar um programa permanente nesse sentido, sobretudo nesse momento agudo da pandemia.

É mais que sabido que muitos estão atravessando necessidades, sobretudo músicos que tiravam um dinheirinho nos bares e restaurantes da noite, porque os shows nos calendários de festas (Natal e São João) são escassos e não estão acontecendo por causa da Covid-19. Mesmo assim, esses eventos são pagos com atrasos. A situação ainda é mais grave quando se refere às outras linguagens artísticas que são desprovidas de programas de apoio.

Quanto ao setor privado, os empresários de Vitória da Conquista (sei que serei execrado por isso), com raras exceções, ainda têm aquela mentalidade coronelista de não investir em cultura e esportes.

Suas rendas são carreadas para aplicações em imóveis (os empreendimentos imobiliários estão bombando), fazendas de café, criação de bois e cavalos, e muitos ainda botam o dinheiro debaixo do colchão, ou nos cofres na era moderna.

Um exemplo disso é a triste situação do time de futebol profissional do Vitória da Conquista que por pouco não foi rebaixado do campeonato baiano por falta de recursos para investir em melhores jogadores. Poucas empresas são patrocinadoras, e só recebe alguma coisa quando a equipe está numa boa posição no certame. Ai fica a pergunta: Quem vem primeiro? O ovo ou a galinha?

UM BRASIL QUE NÃO SE CONHECE

UM PAÍS SEM O CENSO É COMO O INDIVÍDUO SEM IDENTIDADE, SEM NENHUM DOCUMENTO.

Estamos sendo arrastados e destruídos por uma avalanche de coisas ruins que vai ser difícil juntar os cacos quando esse capitão-presidente do mal deixar o mandato. Por um lado, o povo brasileiro é submisso e conformado, mas é resistente para atravessar as intempéries das chuvas, do sol e do frio.

Pela primeira vez, depois de quase um século, a população não vai ser recenseada, uma pesquisa essencial para se conhecer um país por dentro, o número de seus habitantes, seus problemas socioeconômicos, o nível de saúde e educação, como se vive, sua cultura, entre outros itens para realização de políticas públicas, mas ele não tem interesse nisso.

O censo já existia desde as civilizações antigas organizadas, inclusive na véspera do nascimento de Cristo quando o Império Romano ordenou que todo seu reino fosse recontado. Existia também na Grécia antiga, no Egito e até entre os Sumérios. Aqui já se fazia essa pesquisa desde o Brasil Império, mas ele veio para destruir tudo que tenha cheiro científico.

Aliás, todas as instituições de planejamento, de preservação do meio ambiente, de observação do clima, de distribuição de recursos às famílias mais pobres, as fundações, como a Palmares, as agências nacionais, como a Ancine ligada à produção audiovisual, as bibliotecas, os museus, as universidades e os conselhos de pesquisa e ciência estão sendo sucateados.

Ele não quer o censo; detesta o conhecimento e o saber; nega a ciência, as estatísticas, a história (diz que não existiu ditadura); odeia os negros, os indígenas, os homossexuais, os pobres; é misógino; e ainda quer derrubar a floresta Amazônica e acabar com o Pantanal. Sua intenção é extinguir de vez com as licenças ambientais e abrir a porteira para a boiada passar. Para ele, toda esquerda é comunista, e todo comunista é o satanás.

Em sua cabeça, todo brasileiro deve andar com uma ou duas armas nas mãos, de preferência um fuzil ou uma metralhadora de última geração. Em sua ótica, só o armamento vai por fim à violência, e o policial tem que executar o indivíduo antes de render e prender. Tudo que é de maldade está nele, e mesmo assim tem um monte de seguidores.

Ele e o Congresso Nacional deixaram o IBGE “pelado”, sem dinheiro, para não fazer o censo e sobrar grana para dar para seus deputados e senadores comprarem tratores, máquinas agrícolas e abrirem estradas em seus municípios, como se fossem prefeitos ou governadores. Essas emendas parlamentares estão entre as maiores excrecências desse país.

As pessoas do saber intelectual, da cultura, da ciência, da tecnologia, da pesquisa, da medicina e de outras áreas do conhecimento foram execradas como inúteis e idiotas. Grandes cientistas partiram para outros países onde ocupam posições de destaque mundial. Ele optou por se cercar de generais e brucutus da Idade Média que ainda acham que a terra é plana.

O Brasil hoje é um desconhecido como se fosse uma terra de bárbaros, sem liderança, organização e coordenação onde a pandemia encontrou território fértil para se proliferar. A maioria das nações, principalmente na Europa, não querem ver brasileiros em suas terras. Somos os renegados.

Lá fora somos vistos como párias. A vacina se arrasta na lentidão de uma tartaruga porque ele também negou a imunização, como sempre condenou o isolamento social e promoveu as aglomerações. Agora, sem o censo nacional o Brasil acaba de perder por completo sua identidade.

A COVID-19 TEM CLASSE SOCIAL SIM

Ouço muita gente dizendo por aí que a Covid-19 não escolhe raça, cor, religião e classe social. Quanta a essa última categoria, eu discordo, não que o vírus por si só faça uma opção, mas a grande maioria de vítimas é o pobre que vive num estado vulnerável em termos de nutrição e saúde. Além do mais, precisa se virar para conseguir sobreviver e termina se aglomerando. Não estou me referindo aos imbecis das festas.

Infelizmente, das mais de 420 mil mortes, entre 80 a 90% são pobres. É certo que ricos, celebridades e famosos também se vão, mas em bem menor quantidade. Alguém já viu algum rico nas intermináveis filas dos bancos, na linha de frente do comércio ou nas vacinações tomando chuva e sol nos pontos fechados? Pelo menos em nosso país de profundas desigualdades sociais, essa danada está matando os mais fracos.

A EVOLUÇÃO DO MAIS FORTE

Isso já era previsível. Como já acontece em todas as catástrofes e tragédias, sempre sobra para a pobreza que mora em favelas, morros e barracos apertados com cinco e dez pessoas num amontoado. Como na teoria da evolução darwinista, quem tem dinheiro e poder consegue se safar bem melhor. É a lei do mais forte.

Tem gente endinheirada dando um jeito de sair do Brasil e se vacinar nos Estados Unidos. Nem sonhando, o pobre pode fazer isso. Ainda temos um governo desajustado e suicida que dificulta o andamento da vacinação quando abre a boca para xingar e debochar a China, maior fornecedora do principal insumo para fabricar as doses.

Aqui em Vitória da Conquista, por exemplo, tem falecido uma média de três pessoas por dia, o que é muito, e sempre observo que mais de 90% são moradores dos bairros mais periféricos. Assim tem sido em todo Brasil. Quando morre uma celebridade, a grande mídia, principalmente, faz um estardalhaço, politiza a questão e capitaliza audiência.

Do outro lado, a impressão é que temos um governo nitidamente voltado para eliminar os mais fracos quando chama os brasileiros de “maricas” e ainda faz vídeos mostrando o cancelamento de CPFs, sem falar em outras barbaridades ditas pelo chefe mandatário que insiste no receituário da cloroquina.

Existe aqui um genocídio da pobreza que, além da pandemia, está sendo morta lentamente pela fome. É fatal quando o vírus pega uma pessoa nessa situação. Toda essa mortandade de uma classe social desprotegida poderia ter sido evitada, e o que está ocorrendo é um crime de lesa-humanidade, do qual também somos culpados porque somente poucos ficam indignados.

Sabermos muito bem que existe em nosso país um grupo de neofascistas e nazistas seguidores da morte que desejam a eliminação dos mais fracos. Quando se fala isso, muita gente acha exagero, como não acreditavam que a extrema-direita ia tomar o poder no Brasil, e isolar nosso país do resto mundo.

Por essas e outras é que não recebemos ajuda dos países ricos que têm vacinas e equipamentos de proteção sobrando. O brucutu do ex-ministro das Relações Exteriores disse numa reunião que ser pária também é bom. A população é quem paga por todas essas consequências de um governo descompensado, e os pobres são levados ao sacrifício do alta da morte.

 

A BARBÁRIE NO BRASIL

TENTO AQUI FALAR DE COISAS BOAS DO NOSSO BRASIL, MAS ESTÁ DIFÍCIL ENCONTRAR. SERÁ QUE SOU TÃO TRÁGICO COMO NAS NOVELAS GREGAS?

No momento mais complicado e difícil, com mais de 400 mil mortes pela Covid-19, que não é nenhuma “gripezinha”, faltando vacinas da CoronaVac em todos os estados para que as pessoas tomem a segunda dose, o cara volta a atacar a China, a maior fornecedora de insumos para o produto principal.

Isso é uma barbárie, e mais uma prova de que o capitão-presidente é contra a vacinação do povo e quer empurrar goela abaixo a cloroquina. Na “CPI do Fim do Mundo”, até a tropa de choque do governo federal fica de mãos atadas sem saber como defender o chefe.

A esta altura, o mandatário chinês deve estar dizendo que só vai mandar a matéria-prima quando o desastrado estiver sob controle. Não é o cara que está sendo punido, mas toda a população brasileira. Não dá mais para suportar tanta crueldade! Somos um povo que não nos indignamos contra o caos de um governo. Por menos, os nossos países vizinhos se revoltam.

A outra barbárie de Salvador onde dois rapazes que furtaram uns quilos de carne no Atacarejo e foram entregues aos traficantes para serem mortos, praticamente caiu no esquecimento. Cadè os movimentos negros, o Ministério Público, a OAB, a sociedade e outras instituições defensoras dos direitos humanos?

Não se comenta mais sobre o homem negro que foi espancado até a morte pelos seguranças do Supermercado Carrefour, em Porto Alegre, e aqui quero pedir desculpas pelo equívoco que cometi em outro comentário sobre o assunto ao citar o Pão de Açúcar.

Além do rastro de mortes que o coronavírus está deixando em nosso país, por total negligência e estupidez do governo federal, estamos chocados e estupefatos com outras barbáries, como a do vereador Jairinho, com a cumplicidade da sua companheira (mãe do menino), no Rio de Janeiro, que tirou a vida de uma criança inocente depois de cruéis torturas.

O pior é que, em pouco espaço de tempo, uma brutalidade supera a outra no Brasil, como se estivéssemos numa comunidade amaldiçoada pela ira dos deuses. Em Santa Catarina, um bárbaro entrou com uma adaga numa creche e deferiu golpes fatais em três crianças e duas professoras. Um ato sanguinário que não se lê nos registros macabros das histórias de guerras.

Infelizmente, não temos coisas boas nos noticiários da mídia brasileira do dia a dia, que juntas superem as barbaridades. Ainda hoje estava lendo o livro “a guerra não tem rosto de mulher”, da autora Svetlana Aleksiévitch, onde num trecho de sua narração sobre as atrocidades da guerra, indaga onde está a fronteira entre o humano e o desumano? Mais na frente ela diz: Por que não nos espantamos com o mal; falta em nós o espanto diante do mal?

O BRASIL DO SISTEMA SANFONA

A impressão que temos é que a pandemia no Brasil é interminável, ou vai ser o último dos países a se livrar desse vírus maldito. Em nosso país, infelizmente, funciona o sistema sanfona do abre e fecha, como agora para comemorar o dia das mães. Todo mundo vai às compras com as lojas abertas normalmente e depois acontecem os almoços com as mães, avós, filhos e netos, como se tudo já estivesse acabado.

Interessante que as pessoas falam das comemorações neste ano com o sentimento de que no ano passado não houve, como se a situação agora fosse melhor. Pelo contrário, o número de mortes e casos aceleraram mais ainda. Os hospitais estão mais lotados e existe o agravamento de novas cepas e linhagens. Mesmo havendo o risco, vamos celebrar e se ajuntar em famílias.

Houve um fato que saiu na revista “Piauí” em que sete irmãs, depois de algum tempo ausentes, resolveram se encontrar num almoço. O resultado foi que depois quatro morreram de Covid-19. As prefeituras, a exemplo de Vitória da Conquista e Salvador, relaxaram as medidas. Mais quinze ou vinte dias, no final de maio pode vir outra pancada.

Logo depois entram as festas juninas e, como no ano passado, o nordestino, principalmente, não aguenta ficar sem as fogueiras e sem reunir os amigos e parentes para as bebidas e comidas típicas da época, mesmo que não haja o São João oficial nas prefeituras. Mais uma vez, ocorre o sistema sanfona do abre e fecha.

Do outro lado, a vacinação segue a passos lentos e faltando doses para a segunda imunização que não atingiu 8% da população dos 230 milhões de habitantes. As vacinas continuam chegando aos tiquinhos e no Ministério da Saúde é só confusão. Ora manda que as prefeituras reservem lotes para a segunda aplicação, ora sai uma ordem para que sejam usadas. É por isso que sempre digo que não basta falar que vai passar, como se essa graça fosse cair do céu.

Nos países da Europa onde a vacina está bem avançada, os governos estão abrindo as atividades, inclusive shows, eventos culturais e esportivos, e se preparando para receber turistas estrangeiros (menos brasileiros), isso depois de um longo período de isolamento social.

Aqui temos os negacionistas da ciência que não tiram férias para contrariar as recomendações dos especialistas. Será que o propósito é fazer uma seleção humana para eliminar os mais fracos e pobres? Tentaram até mudar a bula da cloroquina onde a droga seria também incluída no tratamento do coronavírus.

No Brasil, praticamente não houve isolamento social e nem uma política planejada de vacinação, mas como sempre o país adora imitar os outros, como os Estados Unidos, vá lá que resolva fazer o mesmo, liberando de vez o uso de máscaras e a realização de grandes eventos, como shows e festivais, sem primeiro fazer o dever de casa.

Por essas e outras é que estamos no mesmo caos da Índia, os dois países do mundo com os maiores índices de contaminação e mortes por dia. Os dois são parecidos nesse aspecto. Tanto lá como cá, a fome é outra pandemia que mata impiedosamente. O nível de educação e instrução é baixo e existe a cultura das aglomerações nas cerimônias religiosas que não são poucas.

Nesse sistema sanfona, vamos dançar de acordo com o ritmo da Covid-19, e o seu tom é de um forró ou de um samba bem acelerados onde muitos não conseguem ir até o final da festa por falta de ar nos pulmões. A maioria prefere subestimar o inimigo invisível e fazer de conta que está tudo n

UMA SOCIEDADE CRUEL E ESTÚPIDA

Os segmentos da sociedade pouco reagiram, somente as famílias foram às ruas protestar e a mídia apenas deu alguns registros do fato. Estou me referindo à brutalidade cometida contra dois rapazes negros que furtaram uns quilos de carne no Supermercado Atacarejo, em Salvador, na última semana.

Diante de tanta crueldade e estupidez de crimes hediondos, a nossa sociedade, de tão insensível, não reage mais, e ainda tem muitos que acham que eles deveriam mesmo era morrer nas mãos dos traficantes, conforme foram entregues pelos seguranças do estabelecimento.

A pergunta que não quer calar é se essa não é uma prática adotada pelo supermercado, ao invés de chamar a polícia para registrar o ocorrido na delegacia?  Como se trata de pobres negros, essa será mais uma atrocidade que irá cair no esquecimento e entrar na pasta dos arquivos mortos.

Não interessa se eles tinham ou não passagens na polícia e quais foram as intenções ao pegarem os pacotes de carne, se por motivo de fome ou se para fazerem uma farra. Enquanto isso, os corruptos de colarinho branco da falecida Operação Lava-Jato estão todos sendo soltos e inocentados pelos seus roubos aos cofres públicos.

Ao ver aquela cena dos dois sentados num canto ao lado dos pacotes, com semblantes de pavor, terror e medo de serem mortos, lembrei imediatamente quando eu e um colega inventamos de cometer um furto de doces, chocolates e biscoitos para comer no Supermercado Paes Mendonça, do Politeama, na mesma Salvador, no início dos anos 70.

Quando fomos pegos pelos seguranças e fomos ameaçados de serem entregues à polícia, ficamos aterrorizados e pedimos clemência. Nessa época a sociedade não era tão desumana, e os guardas tiveram compaixão de nós e nos liberaram. Nessa época estávamos atravessando aquele aperto de passar fome por falta de dinheiro. Foram tempos duros na vida.

Poderíamos ter sido mortos também por causa de uns pacotinhos de comida, mas tivemos a sorte da piedade dos vigias, que contou a nosso favor. Os dois do Atacarejo foram entregues aos algozes que certamente receberam algum benefício parta eliminar duas vidas humanas, coisa que não se faz isso nem com os bichos.

A selvageria e a violência tomaram conta dessa sociedade podre e hipócrita que não mais se abala com os crimes mais primitivos e aterrorizadores. Tudo é encarado como normal, comum e legal. As instituições não mais reagem como como deveria. A imprensa apenas se presta a noticiar o factual, e logo ninguém mais comenta a crueldade, como no caso do homem negro que foi espancado até a morte no Pão de Açúcar de Porto Alegre.

Os culpados serão mais uma vez premiados pela impunidade, e não tarda muito a acontecer outra estupidez. Aqui em Vitória da Conquista ninguém mais recorda da chacina cometida por um grupo de policiais num bairro da periferia, que agora não me vem o nome na cabeça.

Vários jovens de uma mesma família foram assassinados friamente porque um militar havia sido morto por um bandido. Promotores foram ameaçados de prosseguir com a investigação. Como membro da ABI (Associação Bahiana de Imprensa) dei uma nota de apoio ao trabalho da Justiça. Fui repreendido por um “cidadão” ao afirmar que as vítimas tiveram o merecido e que deviam ser mortos mesmo.

Temos hoje um Brasil tipo faroeste bang-bang dos filmes norte-americanos onde o episódio, como o dos rapazes da carne, se resolve na tortura e na bala. Só faltou arrastarem as vítimas pelas ruas, não puxados por cavalos, mas por carros, com uma placa “esses furtaram uns quilos de carne, que o castigo sirva de exemplo”.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia