setembro 2021
D S T Q Q S S
« ago    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

:: ‘Notícias’

A ESCOLHA DE VACINAS E AS RACHADINHAS

Misture as rachadinhas (a família rachadinhas) com atraso e negociações superfaturadas nas compras de vacinas, xingamentos a jornalistas, negação da ciência, destruição do meio ambiente, atitudes homofóbicas e racistas, incentivo ao armamento da população, apoio a uma intervenção militar e desprezo pelos mais pobres, e tudo isso resultará num prato indigesto de prevaricação, improbidade administrativa, descompostura, corrupção e crimes de lesa-humanidade, mais que suficientes para um impeachment.

É esse o boletim de ocorrência de um capitão-presidente que está na lista entre os que mais odeiam a mídia no mundo, e a trata jornalistas com desprezo, agressividade, ameaças e palavrões, principalmente quando o profissional é uma mulher. O povo está indo às ruas para pedir o seu afastamento, mas o Congresso Nacional, comandado por um punhado de deputados do “Centrão”, se cala, traindo a pátria que ele diz que é amada, mas maltrata seus filhos.

Disse outras vezes e repito novamente, que em toda a minha vida nunca vi tanto caos junto em meu país, onde a metade dos jovens, se tivesse condições, gostaria de deixar a sua terra natal. O voto de raiva contra um partido e seu dono fez tudo isso, quando se tinha outras opções. Será que valeu a pena tanto ódio e intolerância?  Sobraram os arrependidos e os da extrema-direita fascista que insiste em seguir um desequilibrado que se acha blindado de todas as acusações.

Mesmo com toda essa folha corrida, o capitão-presidente que, a essa altura já conseguiu ser o prior da história do Brasil, em todos os aspectos, vai terminar o seu mandado e ainda se lançar à reeleição, com o risco de termos mais quatro anos para ele complementar sua saga de destruição.

Infelizmente temos uma massa inculta e manipulável por fake news e boatos, ao ponto de em meio a toda essa crise pandêmica, com cerca de 530 mil mortes, agora inventar de escolher qual vacina tomar, como se fosse uma marca de cerveja num bar, ou numa prateleira de supermercado.

Esses indivíduos truculentos e trogloditas, certamente seguidores do seu chefe, mas incoerentes, ainda aparecem aos pontos de vacinação para xingar e agredir os técnicos de enfermagem que lá estão fazendo o seu trabalho de imunização. Puni-los, sem direito à vacina não é o mais correto porque esses nocivos elementos podem tirar vidas através da contaminação de outras pessoas.

No entanto, se fosse um país sério, o panaca que quer escolher qual vacina tomar e desacata o profissional, pelo menos deveria ser preso, e só sair da cadeia quando decidisse aceitar a dose disponível. Se a pandemia é comparável a uma guerra, quem assim age não tem nenhum direito à liberdade de se comportar dessa maneira, porque ele está cometendo um atentado contra a pátria e seu semelhante.

 

A EVOLUÇÃO DO FUTEBOL EUROPEU E A DECADÊNCIA DO SUL AMERICANO

É como diferença da água para o vinho assistir a Copa América e depois ligar na Euro Copa. Um com seu futebol amarrado, truncado, de bolas voadoras, cabeçadas e pancadas dos dois lados, com capoeiras e porradas. No outro, a bola roda redonda, desliza rasteiro no gramado milimetricamente de pé em pé, com chutes certeiros de fora da área.

Um é feio, e o outro dá gosto de se ver, com uma técnica mais refinada e evoluída. Na seleção do Brasil, que está disputando a Copa América, de craque mesmo só tem o Neymar e, mesmo assim, indisciplinado e que ainda tem a mania de cair muito em campo. O restante dos jogadores são medianos se comparados com a seleção de 1970 ou 1982. Não dá nem para se fazer uma comparação.

Tem um ditado que diz que “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. É o caso do técnico Tite que enfrenta as seleções do Paraguai, Equador, Peru, Bolívia, Venezuela, Colômbia e até mesmo Uruguai, Argentina e Chile que já tiveram um bom futebol em tempos passados, quando eram fortes adversários.

Agora a equipe do Brasil passa por todos e, em algumas partidas, ainda com dificuldade. Pela mídia esportiva, o Tite é só elogios, e os torcedores ficam todos empolgados, achando que a nossa seleção é imbatível, e que só tem craques em campo. Com essa decadência, seria até um absurdo o Brasil não se classificar para a Copa de 2022 e não ser campeão da Copa América.

Com esse futebol pobre e decadente, que não se evoluiu no tempo, o nosso país mais uma vez vai cair para uma seleção europeia na próxima Copa, como aconteceu há três anos na Rússia. O Tite continua com aquele mesmo modelo enfadonho de passinhos pra lá e pra cá, com atacantes querendo fazer gol debaixo da trave.

O nosso futebol só tem descido ladeira abaixo nos últimos anos, e o Campeonato Brasileiro está aí como prova disso, de baixo nível. Os grandes times, como Grêmio, São Paulo, Santos, Vasco, Botafogo, Cruzeiro, Internacional e até o próprio Palmeiras só têm decepcionado suas torcidas. Por que os times que sempre foram considerados de menores estão sobressaindo no campeonato?

Tudo isso só pode ser resultado de uma má gestão dos clubes que devem bilhões de impostos, taxas, jogadores e aos seus fornecedores. Qual time não deve hoje no Brasil? Muitos deles estão com suas finanças em frangalhos. Os atletas de melhor nível foram e estão indo para o exterior, e muitos até se naturalizam no país que joga. Gostaria de saber onde está todo esse dinheiro da venda de jogadores? Rola uma tremenda grana nas negociações, que termina ficando entre os cartolas.

Com essa mentalidade atrasada de se trocar de técnico como se troca de camisa, com um futebol que não muda e não se evolui nunca, o cara só é convocado para a seleção brasileira se for jogar lá fora, sem contar os trambiques que existem na Confederação Brasileira de Futebol, com corrupções as mais diversas e até denúncias de assédios moral e sexual.

Na Europa são técnicos mais preparados que deram outro nível ao futebol, sem muitas firulas, mas com um jogo matemático, estudado e até de preparo físico melhor. Não um futebol de bola voadora, mas que cola no gramado, com passes precisos. Até quando vamos ficar nessa de que o nosso futebol tem suingue e jinga? Tudo isso tem dado algum resultado positivo?

O CERCO ESTÁ SE FECHANDO E “UM DÓLAR POR VACINA”

O TÍTULO MAIS LEMBRA FILME DE FAROESTE DO DIRETOR SÉRGIO LEONE E MÚSICA DE ÊNIO MORRICONE, UM BANG-BANG COM TRAIÇÕES, MUITOS TIROS E DUELOS NO FINAL. POR FALAR EM FILME, ESTAMOS ASSISTINDO AS MESMAS IMAGENS DE GOVERNOS ANTERIORES, COM ACERTOS DE PROPINAS EM RESTAURANTES, E CHURRASCOS DE CINCO MIL REAIS. ESTE FAROESTE É MAIS VIOLENTO E TEM MUITO MAIS CHEIRO DE SANGUE.

Sob a proteção dos generais de pijama e do “Centrão”, que foi chamado de ladrão, ele está tentando se esconder em matas, grutas, grunas e capoeiras, mas o cerco está se fechando por ter cometido improbidade administrativa, prevaricação, genocídio por ter emperrado a compra de vacinas, destruição do meio ambiente, negação da ciência, prepotência contra jornalistas, deboche, autoritarismo,  manifestações em favor de uma intervenção militar, fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso, e até atos de corrupção em um governo destrambelhado.

Como diz o ditado popular, “está mais perdido que cego em tiroteio”, ou no mato sem cachorro. O cara está mandando fogo em tudo que vê. Até uma ala do exército, que ele afirma que é seu, se virou contra o mesmo, e não demora muito para o “Centrão” oportunista, do toma lá, dá cá, começar a pular do barco furado. Nessa hora, os ratos de esgotos caem fora. Ele não se sustenta por muito tempo porque não tem consistência, e o seu fim é o mesmo do Donald Trump, dos Estados Unidos.

Depois dos panelaços, o povo se agita nas avenidas e praças pedindo o seu impeachment. Com o mais recente já são 125 na Câmara dos Deputados, muitos dos quais sem nenhum cunho ideológico partidário, mas pela vida e contra seus crimes. Milhões que votaram nele com raiva do PT e das esquerdas estão hoje arrependidos. Milhares de famílias amarguradas que perderam seus entes queridos, contaminados pela Covid, que ele chamou de “gripezinha”, o chamam agora de infeliz e monstro.

Com Dilma, a coisa estava ruim, e Lula com seu rompante, tripudiou com o “é nós contra eles”, sem contar o assalto contra a Petrobrás, alianças espúrias com malfeitores de direita e conluios com construtoras para receber benesses. Com ele, que veio para destruir e não construir, conforme sempre pregou, o Brasil piorou mais ainda e desceu mais umas camadas em direção ao total fundo do poço, que no Brasil sempre tem mais degraus. Veio a Covid e tudo deteriorou. O odor do enxofre está insuportável.

Pela sua vida pregressa na Câmara dos Deputados, só uma coisa ele não cumpriu, que foi acabar com a corrupção. Em seu lugar, fez de tudo para bombardear a Operação Lava-Jato. O resto estava em seu script de fascista de extrema-direita, racista, homofóbico e desequilibrado mental.

Procurou ser dono da Polícia Federal, das forças armadas, da Procuradoria Geral da República (Ministério Público), dos Ministérios e do próprio Brasil, mas se perdeu, se embananou, como se fala no popular. Agora está igual a um biruta, e logo vai dizer que nada sabia de propinas, superfaturamentos de vacinas e equipamentos médico-hospitalares.

Diante de toda essa bagunça administrativa, com quase 520 mil mortes pelo vírus, 15 milhões de desempregados, 20 milhões passando fome, inflação subindo e o país isolado, visto como atrasado no resto do mundo, um novo quadro se vislumbra para as próximas eleições de 2022. A população está saturada de tantos candidatos que só fazem e fizeram merdas. Outra resposta está a caminho, e oxalá não seja mais um desastre.

Nisso tudo, vejo uma tendência para outro nome que não seja mais do capitão-presidente destruidor do futuro, com seus generais ajudantes de ordens, e nem o do Lula que se tornou inocente, mas com uma ficha do passado que continua suja e sem mais a moral.

Os arrependidos raivosos não votam nem em um, nem no outro. Pelo andar da carruagem, vai pintar outra alternativa. Mudança de jogo com outro número, para tentar recuperar o estrago da noite de trevas de muito azar. Até quando vamos continuar votando errado, para depois correr atrás do prejuízo? O nosso país não aguenta tanta pancada, mas o cerco está se fechando.

 

A GASOLINA DO CARTEL E DA USURA MAIS CARA DO ESTADO DA BAHIA

 

Cortei toda a Bahia, do sudoeste de Vitória da Conquista até o norte de Juazeiro, na divisa com Pernambuco (visitei meu Velho Chico e tomei a sua benção), e em nenhum posto vi gasolina de seis reais o litro. Entre Baixa Grande até próximo de Senhor do Bomfim, encontrei o combustível de cinco reis e quarenta e nove centavos. Nos outros, variavam de cinco e sessenta a cinco e setenta. A mais cara foi de cinco e noventa centavos.

Uma pergunta que não quer calar: Por que o combustível de Vitória da Conquista, que pega o produto a 150 quilômetros de distância, em Jequié, está sendo cobrada a seis reais e vinte centavos, e até mais que isso em alguns lugares, a mais cara da Bahia? Com a palavra os economistas para desvendar esse mistério, ou imbróglio.

Só pode ser cartel e usura dos empresários, e as autoridades nada fazem para conter essa ganância. Sobre a gasolina de cinco e quarenta e nove, pedi informações e me disseram que é de boa qualidade, que não existia perigo de ser usada. Ainda por cima, ela vem de uma distância de cerca de 350 a 400 quilômetros, com o frete bem mais alto.

Cadê a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara de Vereadores, o Ministério Público e o Procon que nada fazem para nos livrar desse tormento? Se fosse possível, e é, bem que os usuários de Conquista deveriam parar tudo por pelo menos um dia e fazer um boicote aos postos de combustível da cidade.

Os argumentos dos donos não se justificam. Como explicar que ali em Anagé, com cinquenta quilômetros a mais, a gasolina não chega a seis reais? É só sair de Conquista, e a gasolina é mais barata em qualquer estrada. Tenho pensado comigo que a razão mais plausível e principal é porque Vitória da Conquista é uma cidade só de ricos, de barões do dinheiro, que não estão nem aí para o alto custo das mercadorias.

Aliás, Conquista tornou-se a cidade da carestia, onde não tem lugar para pobre, como é o meu caso. Há 30 anos, quando aqui me aportei, não era assim, muito pelo contrário. Em Juazeiro, por exemplo, os produtos do comércio em geral têm preços mais baixos que a nossa cidade, inclusive alimentação e bebidas nos bares e restaurantes. Deve ser também nas outras grandes cidades da Bahia.

Nos últimos anos, Conquista experimentou um grande avanço no crescimento. Isso é bom! O ruim é que no rastro desse desenvolvimento veio a carestia, só comparada a de Salvador, incluindo os setores da construção civil, o imobiliário, a saúde, a alimentação, o comércio, o transporte e até a educação particular. Por isso que digo que Conquista não é mais uma cidade para pobre morar.

Nesse bojo está o preço escorchante dos combustíveis, especialmente o da gasolina onde está embutido o cartel dos empresários, e a usura de sempre querer ganhar mais e mais, para manter o alto padrão. Aqui só os endinheirados podem sair em final de semana para almoçar com a família fora de casa.

Será que aqui a mão-de-obra é mais cara? Não existe uma pesquisa sobre esse item, mas acho que essa se estagnou, e até baixou, como em todo Brasil de 15 milhões de desempregados. O que mais me deixa intrigado é essa cobrança absurda da gasolina, e cada vez mais subindo. A diferença de cinco e quarenta e nove para seis e vinte é alarmante, e não dá para se justificar. O resto é conversa para boi dormir.

 

 

COMEMORAÇÃO DE UMA MORTE HUMANA

A sociedade hipócrita e desigual que cria bandidos e marginais violentos, é a mesma que comemora o fim deles através de uma violência ainda maior, coisa que nem se faz hoje no caso de uma fera selvagem. Houve uma inversão de valores. O fim trágico do criminoso Lázaro Barbosa, crivado de balas, foi comemorado por cerca de 300 policiais que não tiveram a competência de prender o indivíduo nos primeiros dias de sua fuga.

São bárbaros comemorando a barbaridade. Ao fim de uma caçada de quase 20 dias, com um aparato pesado de helicópteros, drones, armamentos, viaturas e cachorros farejadores, fizeram rituais de vitória e soltaram fogos. Aproveitaram o emocional de um povo que pouco pensa e reflete para dar uma demonstração de guerra vencida. Isso é uma covardia!

Fosse um bicho qualquer, a morte por armas de fogo teria uma grande repercussão entre as sociedades de proteção dos animais e até dos ambientalistas. Até o governador de Goiás e o secretário de Segurança Pública usaram do momento para fazer seus marketings, pousando de heróis. Infelizmente, isso ainda acontece no Brasil e em algumas sociedades atrasadas.

A sociedade cega, muda, surda e irracional aplaude a ação de comemoração quando deveria lamentar porque fomos nós mesmos que criamos monstros quando elegemos governantes que nunca priorizaram a educação, e foram os responsáveis pelo agravamento das desigualdades sociais no país. É correto comemorar a morte de um ser humano, seja ele quem for?

Outros Lázaros surgirão. Aliás, estão aí dentro das penitenciárias e fora delas. Nos acostumamos com as barbaridades cotidianas dos crimes hediondos e com a violência policial que só gera mais violência. Sinceramente, não vejo nada para comemorar, principalmente nesse caso específico de Lázaro.

Deveríamos nos penitenciar por vivermos num país desumanizado e violento que prefere criar mais penitenciárias, gastar altas somas com armas, tanques, viaturas e policiais despreparados, para combater um mal que poderia ter sido evitado se não houvesse tanta exclusão, ignorância e pobreza.

Depois de tantas atrapalhadas, de provas de incompetência e gastos desnecessários com o dinheiro público (não se sabe o custo dessa mobilização), comemorar o quê? Confesso que me sinto constrangido quando vejo essas imagens de festa e pronunciamentos hipócritas dessas “autoridades” que aproveitam da desgraça social para se aparecer e capitalizar votos. Deveriam ter vergonha na cara e não fazer comemorações quando se mata um ser humano que não teve o amparo que merecia quando entrou no crime!

DE ESTILINGUE A FOGOS DE SÃO JOÃO

Eu e meus compadres João Catingueiro, de Guanambi, e Vate da Viola, mais os cabras Severino e Sirino já estamos de mochilas prontas para partir para o Vale dos Cocais de Goiás em busca do fugidor Lázaro Barbosa que há 15 dias está dando uma canseira danada no batalhão de quase 300 policiais, drones, helicópteros e viaturas armadas de metralhadoras, bombas e fuzis.

O homem virou bicho invisível com a rezas de São Supriano da Capa Preta, capaz de se transformar em touco, uma moita, animais e tantos outros seres, como num encantamento, como disse o professor Itamar Aguiar, para se despistar da tropa e dos aparelhos sofisticados de raios lasers da tecnologia que detectam até o calor do seu corpo.

Para desfazer essas mudanças feiticeiras do cara, vamos levando também um pajé Jarê da Chapada Diamantina, e ai ele vai ficar visível para levar umas estilingadas dos nossos potentes badogues que têm um alcance de até 500 metros, sem escapatória. Vai ser certeira na testa dele. Vai cair como um Golias. Vamos pegar o sujeito na unha!

Nas mochilas também vão umas rapaduras com carne seca, facões, peixeiras e cordas para laçar a fera, se for preciso. Ah, vamos levar ainda uns pacotes de cloroquina para caso de malária e como iscas, pois o danado gosta da bicha, e vem no faro.  Se demorar mais, o Lázaro vai passar a ser chamado de Lampião e ter sua Maria Bonita. Ai, está montado o cangaço goiano, ou até pode ser um João Requisado, da Chapada, que botou tropas do governo para correr lá da serra.

Antes de partir para esta jornada heroica, de dormir dentro de matas, copas de árvores, grunas e cavernas, ouço daqui da minha casa o pipocar dos fogos juninos, que essa gente insiste em fazer festas, mesmo com o cancelamento oficial do Governo do Estado que pede para ninguém se aglomerar, porque a maldita Covid está solta no ar, e até adora fumaça de fogueiras.

Aqui mesmo em nossa rua, no Jardim Guanabara, na casa de eventos Paradise,  o pau comeu até de madrugada, com muita cachaça, ajuntamento e som alto perturbador do silêncio. Seu dono é um transgressor da lei. Cadê a fiscalização do estado e da prefeitura? Depois ficam ai dizendo que o Papa Francisco está errado quando falou que não existe salvação para os brasileiros.

Como aconteceu no ano passado, é sempre aquela história de que “se Deus quiser vamos fazer a festança no próximo 2022”.  Mesmo sem disciplina e conscientização, fazendo paredões, bailes, eventos clandestinos, bares cheios em finais de semana, muita cachaça e zoeira, sem máscaras e álcool-gel, o povo joga toda responsabilidade para Deus. Ele tem que se virar nos 30. Tudo é se Deus quiser.

Deus já está cheio de tanto pedir, sem você fazer sua parte. Seu recado é de que estamos colhendo o que plantamos lá atrás, inclusive elegendo um desequilibrado louco para a presidência da República, que já nos chamou de “maricas” e de outros nomes de baixo calão. Nessa terra do atraso, da falta de educação e cultura, do egoísmo, da indiferença e da negação da ciência, tudo é Deus pra lá, Deus pra cá, até em time de futebol e jogos de sinuca e baralho.

Dia desses indaguei a um camarada, meu amigo, se vamos ter São João no próximo ano de 2022, e ele respondeu na tampa: “Se Deus quiser”. Nem se deu ao trabalho de dar uma olhada na nossa ficha pregressa, um boletim de ocorrências maldosas que dá para atravessar todo Oceano Atlântico até a Europa.

Mesmo com fome e desempregado, brasileiro arranja um jeitinho de fazer festa. Enche a casa de filhos e fica dizendo que foi Deus que quis. Quando alguém morre de Covid, foi Deus que levou porque estava no seu designo. Não respeita os outros e abre a boca para afirmar que tem o direito de ir e vir, e que é livre para não usar máscara.

CONQUISTA PRECISA RESPEITAR A ARTE E NÃO RETIRAR OBRAS DE ESPAÇO PÚBLICO

A arte sempre agrada a uns e a outros não, e isso faz parte do seu sentido de ser, do existir da polêmica e do contraditório. No entanto, o maior pecado é o poder executivo, seja municipal, estadual ou federal retirar obras de um artista de um espaço público, como fez o de Vitória da Conquista, através do seu Conselho de Cultura. No mínimo é uma grande falta de respeito, mas nos tempos atuais virou coisa comum pisotear a cultura e jogá-la no cesto do lixo.

Como exemplo, vou citar aqui dois estilos de obras em Salvador em locais públicos que se transformaram em chacotas e até piadas, mas nem por isso foram expulsas a ponta pe. Uma é do genial Mário Cravo que fica na Cidade Baixa, próximo ao Mercado Modelo. Deram o nome de os “Culhões” de Mário Cravo. A outra são as Gordinhas de Ondina, da mulher do ex-prefeito Mário Kertz. Elas até hoje permanecem em seus lugares há mais de 40 anos.

POR CAPRICHO

Toda essa introdução foi feita para comentar sobre a lamentável retirada das obras do artista Alan Kardec (ou Kard – Museu Kard) do espaço da Avenida Olívia Flores, as quais lá estavam há seis anos, tudo por capricho de um Conselho de Cultura, cuja uma parte de seus membros faz oposição acirrada às peças do escultor e expositor, sem ônus para a Prefeitura Municipal.

Quando uma arte se estabelece num espaço público, ela não pertence mais ao artista, e foi assim que aconteceu com Alan que, através do ex-prefeito Guilherme Menezes, expôs suas obras na Avenida, em 2015, conforme relata. O combinado, segundo Alan, era ficar ali no circuito das pessoas por um ano.

Mesmo assim, de acordo com o escultor, muita gente implicava com as peças, mas Guilherme manteve a mostra porque não havia nada para colocar no local. O assédio contrário continuou. Quando Hérzem Gusmão assumiu a prefeitura, decidiu retirar as obras, mas o professor Ubirajara Brito o convenceu do contrário, argumentando que as obras eram importantes e fundamentais para a cultura de Conquista.

No entanto, o Conselho de Cultura tripartite, composto por representantes do governo e a outra parte da sociedade (professores e profissionais liberais) fez moção em favor da retirada, em 2019. Uma grande parte é de opositores ao trabalho do artista e justificou sua posição de que Alan estava ocupando um espaço em detrimento de outros artistas. “Minhas peças estavam ali sem nenhum custo para o erário”.

O Conselho, então, elaborou um documento onde ressalta a abertura de editais para outros artistas disputarem o espaço ocupado pelas obras de Alan. Para ele, foi uma argumentação tosca. “A prefeita Sheila poderia decidir em manter as peças, mas, para evitar constrangimentos para ela, resolvi antecipar e levar as peças para o Museu Kard onde as pessoas em geral têm ficado encantadas com o projeto”.

Alan considera tudo isso como uma birra do Conselho, “que não me representa. Quem representa a cultura na cidade não está representando o Conselho”. Ele conta que esteve conversando com os prepostos da Cultura e foi recebido com polidez, “mas, se trata de uma polidez diferente. É uma polidez educada, com verniz social falso que por detrás está a hipocrisia. Inclusive um membro fez chacotas e deboches das obras, algo sem respeito”

O escultor prossegue afirmando que o Conselho sempre tem feito uma campanha depreciativa, minando sua participação no espaço público, dando a entender que resolveu retirar as obras por pressão. Ele ainda critica dois sites da cidade (Avoador e Gambiarra) que têm feito matérias tendenciosas contra ele.

“São pseudos jornalistas manipuladores que mutilaram grosseiramente uma entrevista minha. Publicaram uma matéria confusa. Teve um blogueiro que reuniu tudo que era negativo, como se fosse verdade. O lógico seria colocar posições negativas e positivas, e não ser totalmente tendencioso” – desabafou.

CHAMA UNS CATINGUEIROS NORDESTINOS PARA PEGAR ESSE CABRA NA UNHA!

Há quase 15 dias cerca de 300 homens das polícias militar e civil, sem falar dos federais, helicópteros, drones, cachorros farejadores, viaturas e armamentos pesados estão mobilizados numa operação de guerrilha para pegar um foragido criminoso de nome Lázaro, que já é sucesso nacional e pode até pedir indenização por direitos de imagem.

Bastava chamar uns quatro ou cinco catingueiros nordestinos brabos que dormissem dia e noite nas matas, brejos e capoeiras que já teriam trazido esse homem na unha. Até eu mesmo com essa idade e uns compadres que conheço (olá compadre João, compadre Vater, compadre Dirson) dariam conta do recado, e o “bicho” já teria sido resgatado dessas brenhas. Só precisaríamos de um cachorro vira-lata caçador, algumas espingardas, umas mochilas com mantimentos, facões e umas peixeiras para dormir nas matas.

Esses fardados da polícia não sabem pisar na terra, escalar trilhas de pedras, subir em morros e serras e se livrar de espinhos e mosquitos. Nunca dormiram dentro do mato, no escuro, sem ver a luz do dia. Não aprenderam a sobreviver na selva. Foram treinados para entrar em esquinas e becos das favelas, e ainda atirar em cidadãos de bem. Chama uns catingueiros que conhecem o terreno, o rastro e o cheiro de um humano nas folhagens.

A caçada a Lázaro está servindo de divertimento nas redes sociais, com memes, piadas e galhofadas de ridicularização, com tanta gente e tremendo aparato, para prender um homem. A esta altura ele já provocou uma guerrilha e se tornou uma “celebridade” nacional. Só gostaria de saber quanto já custou essa operação para os cofres públicos dos contribuintes?

São bons para emparedar o civil negro e pobre numa esquina, dar chutes nos estômagos e até praticar execução sumária. Para pegar a “fera” é só acoitar no mato, e só voltar quando deter o danado, que deve dormir até em copas de árvores, cavernas, buracos e grotas.

Conheço um cara de nome Severino que até já se ofereceu para buscar o fugidor, mas, com orgulho ferido, a polícia recusou sua empreitada valente. Disse que é uma questão de honra, e cada um quer ser o herói nacional. Também, com tantas quentinhas caseiras dos doadores, e mulheres voluntárias! Tudo agora vira doação, e todo mundo quer aparecer nas imagens ao lado de Lázaro.

A esta altura, a turma do governo já está pensando em mobilizar o exército, a aeronáutica e a marinha. Até o capitão-presidente Cloroquina já decidiu que vai na frente da tropa, como o mito. “Deixa comigo, este cabra é meu, como são meus o exército, a democracia, os ministros, os generais e coronéis”! Tudo não é dele, até o Brasil! Manda o capitão “salvador da pátria”. Ele não se considera um mateiro, arrancador de árvores e destruidor do futuro!

 

 

 

 

DUAS CRISES; DOIS PRESIDENTES

Carlos González – jornalista

Há exatamente 100 anos o Brasil perdeu cerca de 40 mil vidas (os números são imprecisos), numa população de 29 milhões de habitantes, para a maior pandemia do século XX, que ficou conhecida como gripe espanhola, matando 50 milhões no mundo; hoje, a Covid-19 já fez 500 mil vitimas num universo de 211 milhões de brasileiros. Apesar do longo período transcorrido, as particularidades das duas crises sanitárias são semelhantes, como a profilaxia, a terapia e a medicação popular. As diferenças mais significativas estão na instabilidade administrativa e emocional dos presidentes Delfim Moreira (1868-1920), que governou o país de 15 de novembro de 1918 a 28 de julho de 1919, e Jair Messias Bolsonaro, chamados, respectivamente, de louco e de psicótico genocida.

O mineiro Delfim Moreira continuou o trabalho de enfrentamento do vírus iniciado pelo seu antecessor Wenceslau Braz (1868-1966), e retomado pelo seu sucessor, o paraibano Epitácio Pessoa (1865-1942). Vale destacar que Delfim assumiu a Presidência da República devido à morte de Rodrigues Alves, contaminado pela gripe antes de tomar posse para um segundo mandato, de 1918 a 1922. Nos seus primeiros quatro anos no cargo (1902 a 1906), o paulista Rodrigues Alves, com o auxílio do sanitarista Oswaldo Cruz, eliminou um surto de varíola e venceu a “Revolta da Vacina”, promovida por centenas de irresponsáveis – como hoje -, contrários à campanha de imunização.

A exemplo de Oswaldo Cruz, um especialista em infectologia – não se pensou em nomear um intendente do Exército – foi indicado pelo governo para coordenar os trabalhos contra o H1N1. Alçado a herói nacional, o médico Carlos Chagas estabeleceu isolamento e quarentena para os navios que chegavam aos portos do Rio de Janeiro, Salvador e Recife, por onde desembarcavam os passageiros contaminados vindos da Europa; criou ambulatórios de campanha (não havia hospitais públicos no país); aconselhou repouso absoluto aos primeiros sintomas da doença, sem direito a visitas; cuidados higiênicos com o nariz e a garganta e uso de máscaras. Fechou escolas e repartições públicas, e proibiu as chamadas festas populares.

A cloroquina, “menina dos olhos” do capitão-presidente, rejeitada até pelas emas do Palácio do Planalto, mas aceita por neopentecostais e devotos fanáticos do bolsonarismo, teve similares na época, mas nenhum produzido pela indústria farmacêutica. O povo em pânico recorria a inalações de vaselina mentolada, chás e infusões à base de quinino, gargarejos com água e sal, água iodada, tanino e outros “remédios”. Um deles, ganhou o título de bebida nacional, a tradicional caipirinha, conhecida mundialmente.

Por uma questão de justiça com a Espanha, país que me deu a segunda nacionalidade, o H1N1, segundo os pesquisadores, se originou no Fort Riley, nos Estados Unidos, transmitida para a Europa pelos soldados que foram combater na 1ª Guerra Mundial (1914-1918). As grandes potências estabeleceram um pacto de silêncio sobre a propagação do vírus para não criar pânico entre os soldados que lutavam nas insalubres trincheiras. Por não ter adotado a censura, a Espanha herdou uma imagem distorcida.

No Brasil, a gripe “desembarcou” do Demerara, em 9 de setembro de 1918, com 562 passageiros a bordo e 170 tripulantes, após uma viagem de 25 dias desde o porto de Liverpool, na Inglaterra, Após aportar no Recife, seguiu para Salvador. O jornal “A Tarde”  noticiou na época que 15 dias depois da chegada do “Navio da Morte” centenas de infectados lotavam os quartéis, escolas, igrejas e hospitais particulares da capital baiana.

Copa América

Uma das “loucuras” praticadas pelo presidente Delfim Moreira foi a de suspender os campeonatos de futebol do Rio e São Paulo e adiar a Copa América, de  novembro de 1918 para maio de 1919, disputada no estádio do Fluminense, nas Laranjeiras, construído para o torneio. Pesou na decisão das autoridades governamentais e esportivas a morte de jogadores, técnicos e dirigentes dos clubes cariocas e paulistas. O Rio, particularmente, chorou a perda, aos 22 anos de idade, do atacante French, do Fluminense.

Um século depois, um presidente irracional, num desrespeito aos familiares das 500 mil vítimas da covid-19, contraria a ciência e pirraça a Rede Globo, autorizando a realização da Copa América. Uma decisão tresloucada, que já colocou em quarentena, nos primeiros dias da competição, 52 membros das delegações, entre atletas, técnicos e cartolas.

:: LEIA MAIS »

BASTAM DE TANTAS PRIORIDADES!

Além da falta constante de vacinas, proveniente da incompetência e negação da ciência por parte do governo federal, há dias, ou há mais de um mês, que a vacinação em Vitória da Conquista não sai das prioridades de categorias profissionais e pessoas com comorbidades, grávidas e puérperas.

Há muito tempo que a imunização parou na faixa etária dos 60 anos, enquanto outros municípios já avançaram para os acima dos 40 anos. A população dos 50 anos está ansiosa para tomar a primeira dose, mas sempre aparece uma categoria que se acha no direito de prioridade, e aí cria aquela pressão para ser contemplada.

Tudo isso advém dos critérios que cada município cria por conta própria, virando uma verdadeira bagunça, o que tem prevalecido desde o início dessa maldita pandemia no Brasil. Como não existe uma coordenação nacional lá de cima, qualquer um faz o bem quer, inclusive quanto as medidas restritivas de distanciamento e isolamento social.

Sem liderança e planejamento nacional, os governadores baixam um decreto, e muitos prefeitos politizam o combate à Covid-19 através da desobediência civil com atos contrários, exemplo do poder público de Vitória da Conquista.

Dentro desse caldeirão de misturas indigestas, está também a questão da testagem das pessoas, que deveria ser geral, não importando se a pessoa tem ou não sintomas do vírus. A Secretaria Municipal de Saúde só realiza o teste quando alguém apresenta alguns sinais de febre, problemas na garganta, tosse, enjoos, cansaço ou outras anormalidades no organismo.

Se a pessoa chega no posto, ou numa unidade de saúde, reportando que manteve contato com alguém positivada, mas ainda não sentiu sintoma nenhum, os prepostos da prefeitura não fazem o teste.

A recomendação do centro de monitoramento é que o “paciente” aguarde alguma possível reação por cerca de 14 dias, pois nem o PCR tem 100% de acerto. Conversei com uma atendente que me passou esta orientação.

Não sou infectologista e nenhum especialista médico no assunto, mas entendo que essa pessoa que manteve contato com outra contaminada, deveria ser testada, mesmo sem os sintomas, independente do resultado, se negativo ou positivo. Entendo que seria mais uma forma de tranquilizar a pessoa, ou tomar as devidas precauções, caso detectado o vírus.

 





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia