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:: ‘Notícias’

OS ABSURDOS E AS “PÉROLAS” DE UM PRESIDENTE QUE ENVERGONHA O BRASIL

Desde que assumiu a presidência da República, há pouco mais de um ano, o capitão coleciona mais de uma centena de frases e palavras absurdas que vão de encontro às normas de conduta inerentes a um chefe de Estado, muitas das quais de cunho racista, homofóbicas e misóginas que deixam a nação estarrecida, menos os seus fiéis seguidores fanáticos.

A mídia vem registrando esses impropérios, denominando-os de “pérolas” que já podem se transformar num best-seller, coisas que prefiro chamá-las de deboches e outras de desdém contra o próprio povo. Até a ciência é contestada e ironizada por ele.

Em toda história brasileira, nenhum presidente ousou proferir tais barbaridades. Essas “pérolas” deixam o Brasil aqui e no exterior (envergonha o país) com uma imagem de brucutus primitivos do tempo da pedra lascada. Parece termos voltado à Idade Média, diante de tantos retrocessos.

Suas tiradas, muitas delas tiranas e grosseiras, de deixar qualquer um de “queixo caído”, não são novidades porque ele já era useiro e vezeiro quando deputado federal. Com seu tom agressivo e preconceituoso, ofendeu muitos colegas, correligionários e até quem votou nele. “Mudou até o curso da história” quando disse que não houve ditadura no Brasil no golpe civil-militar de 64, e sim uma democracia.

No cargo, se posicionou contra o meio ambiente (exonera quem faz o trabalho correto de repressão contra os depredadores), sugerindo transformar Angra dos Reis numa Cancun mexicana; estimulou o desmatamento e o garimpo na Amazônia e quer acabar com as reservas indígenas; discriminou os negros quilombolas, chamando-os de arrobas que não serviam nem para   reprodutores; e restringiu a fiscalização do Ibama.

Foi deselegante com a esposa do presidente francês e criou vários atritos diplomáticos com outros países. Seus ministros da Educação e das Relações Exteriores seguem suas pegadas racistas atacando governos da China e de Israel, com o qual fez acordos de parcerias, sem resultados. É um desastre que leva o país ao deboche e a ser uma piada no exterior.

Reportagem do “Estadão”, autoria de José Fucs, diretor do blog do Fucs, destaca que desde que a pandemia do coronavírus desembarcou para valer no Brasil, no início de março, com a multiplicação do número de casos graves e de mortes, (hoje mais de cinco mil), o presidente Jair Bolsonaro produziu uma série inesgotável de “pérolas” sobre a crise.

“Suas declarações ironizando a gravidade do problema, defendendo a massificação de medicamentos não aprovados pela comunidade científica e se insurgindo contra o isolamento social determinado por governadores e prefeitos em todo o País, tornaram-se tema recorrente dos principais veículos de comunicação do Brasil e do mundo.  A revista The Economist, por exemplo, chamou-o de “Bolsonero”,  e o jornal Washington Post o “elegeu” como o pior líder mundial a lidar com o coronavírus”.

“A seguir, você poderá conferir as principais frases de Bolsonaro sobre a pandemia. Neste período, outras compilações do gênero surgiram por aí. Mas, como a produção de “pérolas” presidenciais cresce em ritmo acelerado, o blog resolveu fazer uma nova compilação, atualizando a lista e incluindo uma breve retrospectiva do que Bolsonaro já falou sobre o assunto”.

Nessa compilação, estou acrescentando as mais novas, mas como o homem é um desastrado nato e “prodigioso”, existem muitas outras tiradas absurdas. Ora ele repele quem se manifesta a favor do fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, dizendo fiel seguidor da Constituição, ora ameaça fechar as instituições quando é contrariado. Em seu rompante, acha-se acima da lei e não um súdito dela.

É bom rever as “pérolas”:

  • – “Eu não sou coveiro, tá certo?” (20/4)

“‘Não tem que se acovardar com esse vírus na frente” (18/4)

  • “Os Estados estão quebrados. Falta humildade para essas pessoas que estão bloqueando tudo de forma radical.” 19/4

“Quarenta dias depois, parece que está começando a ir embora essa questão do vírus” (12/4)

  • – “Ninguém vai tolher meu direito de ir e vir” (10/4)
  • – “Esse tratamento (com hidroxicloroquina), que começou aqui no Brasil, tem que ser feito, segundo as pessoas que a gente tem conversado, até o quarto ou quinto dia dos primeiros sintomas” 8/4
  • “Há 40 dias venho falando do uso da hidroxicloroquina no tratamento do covid-19. Cada vez mais o uso da cloroquina se apresenta como algo eficaz” (8/4)
  • “Se o vírus pegar em mim, não vou sentir quase nada. Fui atleta e levei facada” (30/3)
  • “O vírus tá aí, vamos ter de enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, pô, não como moleque” (29/3)
  • “Alguns vão morrer? Vão, ué, lamento. É a vida. Você não pode parar uma fábrica de automóveis porque há mortes nas estradas todos os anos”. 27/3
  • “Não estou acreditando nesses números de São Paulo, até pelas medidas que ele (o governador João Doria) tomou” (27/3)
  • “Sabe quando esse remédio (hidroxicloroquina) começou a ser produzido no Brasil? Ele começou a ser usado no Brasil quando eu nasci, em 1955. Medicado corretamente, não tem efeito colateral” (26/3)
  • “O povo foi enganado esse tempo todo sobre o vírus” (26/3)
  • “O pânico é uma doença e isso foi massificado quase que no mundo todo e no Brasil não foi diferente” (26/3)
  • “O brasileiro tem de ser estudado, não pega nada. O cara pula em esgoto, sai, mergulha e não acontece nada.” (26/3)
  • “São raros os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos” (24/3)
  • “Não podemos nos comparar com a Itália. (…) Esse clima não pode vir para cá porque causa certa agonia e um estado de preocupação enorme. Uma pessoa estressada perde imunidade” (22/3)
  • “De forma alguma usarei do momento para fazer demagogia” (21/3)
  • “Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar, tá ok?” (20/3)
  • “Tem certos governadores que estão tomando medidas extremas. Tem um governo de Estado que só faltou declarar independência do mesmo” (20/3
  • “Não se surpreenda se você me ver (sic) no metrô lotado em São Paulo, numa barcaça no Rio. É um risco que um chefe de Estado deve correr. Tenho muito orgulho disso” (18/3)
  • “O que está errado é a histeria, como se fosse o fim do mundo. Uma nação como o Brasil só estará livre quando certo número de pessoas for infectado e criar anticorpos” (17/3)
  • “Tem locais, alguns países que já tem saques acontecendo. Isso pode vir para o Brasil. Pode ter um aproveitamento político em cima disso” (17/3)
  • “Eu não vou viver preso no Palácio da Alvorada com problemas grandes para serem resolvidos no Brasil” (16/3)
  • “Muito do que falam é fantasia, isso não é crise” (10/3)
  • “ E daí? Quer que eu faça o que? Sou Messias, mas não faço milagres” – ao responder a pergunta de um repórter sobre o que ele achava do Brasil ter atingido a marca de mais de cinco mil mortes do coronavírus.

“O isolamento social foi inútil” – em ataque aos governadores e prefeitos que não seguiram sua intenção de manter as atividades econômicas em pleno funcionamento no país.

 

TUDO ESTÁ DOMINADO NA DEMOCRACIA ABSOLUTISTA DA PSICOPATIA BRASILEIRA

O NÚMERO DE MORTES SÓ FAZ AUMENTAR. “E DAÍ”…

Infelizmente, ainda tem milhões de brasileiros que acreditam que o capitão-presidente Bozó é um democrata, mesmo com sua explícita negação de que houve uma ditadura civil-militar no país a partir do golpe de 1964. Para ele, foi uma ditadura democrática, como se essa aberração política fosse possível. Estamos vivendo num país surreal.

Com sua “democracia absolutista” tupiniquim, um novo regime excêntrico criado no planeta, agora está ficando tudo dominado. O capitão-presidente também passa a exercer a função de diretor Geral da Polícia Federal, porque o Alexandre Ramagem por ele nomeado, com cara de calango, come na cozinha da família e não vai passar de um boy de recado.

“TERRIVELMENTE EVANGÉLICO”

No Ministério da Justiça e da Segurança Pública, um “terrivelmente” evangélico foi indicado para propagar o seu fundamentalismo em que o Brasil já está vivendo, embora o cara tenha um bom currículo, que está sendo jogado no lixo. O esquema está montado para que logo ele engrosse as fileiras do Supremo Tribunal Federal.

Mesmo assim, os fanáticos acham que o capitão está adotando boas práticas de governo, como a de interferir nas ações e nas investigações da Polícia Federal, que deveria servir apenas ao Estado, e não a um presidente desequilibrado de plantão. Somente alguns ditos da esquerda reagem, enquanto os extremistas conservadores evangélicos e os generais vão armando e ditando seus esquemas absolutistas de poder.

Por muito tempo, “cantei essa pedra” no meio do caminho, como disse o poeta, mas quando falava ninguém levava isso em conta, entendendo que não existia mais terreno para retrocessos tão maléficos para a nossa nação já esbofeteada, dilacerada e ensanguentada por governos passados.

“E DAÍ”

Ao lado dessas estratégias de dominação intervencionista das instituições, inclusive do conservador e oligárquico Congresso Nacional, com a compra de deputados e senadores, a população brasileira assiste estarrecida e em pânico, todos os dias, o aumento exponencial de mortes pelo novo coronavírus, com enterros coletivos em muitos estados.

“E daí” – assim respondeu com indiferença e desdém o capitão-presidente sobre a crítica situação do índice elevado de mortes. Os genocidas e os seguidores da morte, como ele incluso, também nem estão aí, e defendem o fim total do isolamento social que, na verdade, é uma falácia e um faz de conta porque a pobreza está nas ruas, amontoada em filas nas agências bancárias para tirar um auxílio que não é liberado devido a burocracia de códigos e a incompetência do governo federal. Ou será que tudo é proposital para que haja um massacre em massa? “E daí”…

Essa Covid-19 é mortal, mas como disse o meu amigo e companheiro jornalista Carlos Gonzalez em seu comentário, a “fome é a maior pandemia” que há anos vem matando milhões no mundo e no Brasil, principalmente, por ser um país de milhões que vivem na miséria. Como mandar esse povo faminto ficar em suas casas?

O cenário, infelizmente, é assustador, mas os responsáveis criminosos continuam curtindo suas mordomias e tomando seu uísque importado porque sabem que nunca serão punidos pelo crime de lesa-humanidade. Um ministro da Saúde, com a cara de coveiro, esconde os números e segue as orientações do seu chefe, sem apresentar um plano para conter o massacre que já está ocorrendo.

Os fanáticos preferem aplaudir a psicopatia de um governo, porque ainda carregam em seus corações o ódio e o rancor contra o PT, como se estivessem em plena campanha eleitoral. Nem o devastador coronavírus conseguiu aplacar a intolerância. O silêncio é atormentador e a grande maioria se faz de muda, surda e cega.

Não são essas doações, onde muitos fazem questão de aparecer nas imagens, que vão resolver o problema desses milhões que madrugam nas filas humilhantes e desumanas, de tantos choros e lágrimas, para sacar um benefício do alimento para matar a fome.

É duro e dolorido dizer isso, mas no Brasil da democracia absolutista, o número de mortes só tende a crescer. Milhares já estão sendo sepultados por falta de leitos e equipamentos hospitalares. Os que estão trabalhando e ganhando seus salários, mesmo os mínimos, deviam agradecer e se compadecer daqueles que estão passando fome nas filas.

 

 

FOME – A MAIOR DAS PANDEMIAS

  • Carlos González – jornalista

O mundo está mobilizado neste instante numa guerra contra um inimigo invisível a olho nu. As grandes nações têm se mostrado impotentes para contê-lo. O Covid-19, no seu avanço destruidor, já contaminou quase 3 milhões de pessoas e tirou a vida de 180 mil, não respeitando a situação econômica de suas vítimas.

Se hoje os Estados Unidos lideram as estatísticas, as autoridades sanitárias prevêem que, no futuro, se medidas não forem tomadas, o vírus irá dizimar as populações mais pobres, aquelas que, há séculos, convivem com um inimigo muito mais perigoso: a fome.

Fotos – jornalista Jeremias Macário

Conhecida mundialmente como “o maior flagelo da humanidade”, a fome, curiosamente, deixa de ser relacionada por pesquisadores e historiadores entre as maiores pandemias que levaram a desolação ao planeta, a partir do momento em que o homem passou a comercializar o alimento. Essa praga, que “contamina” aqueles que vivem abaixo da linha da pobreza, não necessita de pesquisas e testes em laboratórios para ser eliminada. Já existe uma “vacina”: comida.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 8.500 crianças morrem diariamente por desnutrição no planeta. Os números são imprecisos, mas, de acordo com o último relatório divulgado por cinco agências da Organização das Nações Unidas (ONU), 820 milhões de pessoas no mundo passam fome, responsável pela morte de quatro pessoas por segundo.

Os países do sul da Ásia e da África Oriental são os mais vulneráveis, mas os especialistas projetam um cenário preocupante para a América Latina e Caribe, onde a crise de alimentos afeta 42,5 milhões de pessoas (6,5% da população). O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas prevê que  mais 130 milhões de pessoas passarão este ano a fazer parte desse grupo, devido às conseqüências econômicas causadas pelo novo coronavírus. Ao contrário do que se imagina, a fome não é causada pela falta de alimentos, cuja produção é suficiente para nutrir toda a população do planeta.

No Brasil, somada ao enorme desperdício de alimentos, está a concentração de renda (10% dos mais ricos detêm quase toda a renda nacional), de produção (as terras estão nas mãos de poucos) e de informação. O Brasil que come não enxerga o Brasil que tem fome. Essa tragédia silenciosa está escondida nos rincões do país e nas periferias das cidades.

 

A insegurança alimentar aguda no Brasil afeta 7,2 milhões de pessoas e 32 milhões de subnutridos. Há outros fatores que colocam o país no mapa da fome: a dificuldade de acesso aos alimentos e a exportação da maior parte do que o agronegócio produz. O que causa revolta é saber que a soja e o milho servem como comida dos animais no exterior. O volume das nossas vendas de alimentos – o Brasil ocupa o segundo lugar no mundo, auferindo anualmente79 bilhões de dólares – daria para nutrir o dobro da nossa população.

Presidente e poeta, vítimas

O mundo tem testemunhado, ao longo dos séculos, o surgimento de micro-organismos (bactérias e vírus) muito mais letais do que o novo coronavírus, embora não possamos fazer uma avaliação do que nos prepara o futuro. Especialistas têm feito previsões alarmantes, que nos transportam, aqui no Brasil, para a maioria dos 5.570 municípios brasileiros, onde a assistência médico-hospitalar se assemelha com as de 1918 e anos subsequentes, quando a gripe espanhola matou 35 mil pessoas. Vale destacar a cidade de Santo Antônio de Jesus, uma das 20 mais populosas da Bahia, que até o momento não registrou nem um infectado pelo covid-19, devido às medidas, algumas de caráter preventivo, adotadas pelo governo municipal.

Há um século o Brasil lutava contra o vírus H1N1, nosso velho conhecido, o agente da gripe espanhola (o nome não condiz com sua origem, que se deu numa base militar dos Estados Unidos, sendo levado para a Europa pelas tropas norte-americanas na Primeira Guerra Mundial), que causou mais de 50 milhões de vítimas, entre janeiro de 1918 e dezembro de 1920. Pelos dados oficiais, 35 mil pessoas morreram no Brasil; 386 em Salvador.

Sem medicamentos ou vacinas para sanar o mal, a população se valeu de várias fórmulas – uma delas, uma mistura de cachaça, mel e limão, que mais tarde se tornou uma bebida nacional, a caipirinha. As recomendações das autoridades sanitárias, curiosamente, eram as mesmas que hoje são indicadas pela OMS, ministério e secretarias de Saúde.

“Desembarcando” em setembro de 1918 no Rio de Janeiro, vinda de um navio procedente da Europa, o H1N1 encontrou um campo fértil na antiga capital federal, em São Paulo e Salvador. Uma das suas vítimas foi o presidente Rodrigues Alves, falecido em 16 de janeiro de 2019, aos 70 anos, antes de tomar posse para um segundo mandato. No seu primeiro período no cargo – 1902 a 1906 – o quinto presidente da República e seu ministro da Saúde, sanitarista Oswaldo Cruz (1872-1917), sufocaram uma rebelião popular contra a lei que obrigava a vacinação contra a varíola. A revolta, que se seguiu a uma tentativa de golpe, durou uma semana, deixando um saldo de 30 mortos, 110 feridos, 945 presos na Ilha das Cobras e 461 deportados para o Acre.

A peste negra ou peste bubônica, ocorrida na antiga Eurásia, entre os anos de 1335 e 1351, é considerada como uma das maiores epidemias registradas pela História. Transmitida pela pulga de roedores, a doença matou mais de 100 milhões de pessoas, reduzindo, consideravelmente, a população mundial.   Passou a ser controlada com medidas de higiene e saneamento adotadas pelas cidades.

Três mil anos foi o tempo estimado de permanência do vírus da varíola no planeta. Na Antiguidade, contaminou o faraó Ramsés II, a rainha Maria II, da Inglaterra, e o rei Luiz XV, da França. No período dos descobrimentos chegou às Américas dizimando populações indígenas. Sua fase mais letal se deu entre 1896 e 1980. Foi erradicada após uma campanha de vacinação em massa.

O bacilo de Koch, causador da tuberculose, não foi completamente eliminado, haja vista que continua colocando em risco de vida os habitantes das regiões mais pobres do mundo. Recentemente, contaminou os portadores do vírus da Aids. A tuberculose privou muito cedo a cultura do nosso maior poeta, Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871). Um tiro acidental no pé, seguido de amputação, agravou o sofrimento do autor de “Navio Negreiro”.

A gripe suína (H1N1) foi a primeira pandemia deste século. Surgiu em 2009, no México, transmitida por porcos, espalhando-se rapidamente pelo mundo e causando a morte de 18 mil infectados. Em agosto de 2010 a OMS declarou o fim da doença. Além de se manifestar nos pacientes das gripes espanhola de suína, o vírus influenza, que ainda não foi totalmente erradicado, se manifestou nas gripes russa (1889-1890), asiática (1957-1958), de Hong-Kong (1968-1969) e aviária (1997 e 2004).

O mundo ainda não se viu livre da sua última tragédia viral. A Aids, causada pelo HIV, continua a fazer vítimas, em menores proporções, em virtude do tratamento com medicamentos – o primeiro deles foi descoberto em 1986 – antirretrovitais, que evitam o enfraquecimento do sistema imunológico. O vírus foi localizado nos Estados Unidos, em junho de 1981. Os infestados somam 76 milhões, com 36,7 milhões de mortos. O compositor e cantor Cazuza (1958-1990) foi um dos brasileiros sacrificados.

 

 

O BRASIL É SÓ TENSÃO

O Brasil é como um paciente com doenças crônicas de diabetes, câncer, pressão arterial alta, problemas coronários e psíquicos, há tempos no corredor de um hospital na espera de uma vaga na UTI. Precisa, urgentemente, uma equipe médica altamente especializada para salvá-lo.

Como um barco à deriva, sem comando e sem guia, o Brasil é só tensão em meio ao coronavírus e à insensatez de um desequilibrado e despreparado capitão-presidente que mistura democracia com autoritarismo e prepotência. O que estava ruim, tornou-se pior e não se sabe quando o país chegará ao fundo do poço para que renasça a esperança da sua emersão.

Depois de jogar o seu currículo no lixo e mostrar a sua cara de ambição pelo poder, como tantos outros que estão no ministério de um governo trapalhão, recheado de generais, o Moro se despede cuspindo fogo pelas ventas e revelando o esquema ditatorial e fascista da família Bozó, que está transformando o Brasil numa nação dos absurdos.

Nero mandou incendiar Roma porque achava sua arquitetura feia, escura e cinzenta. Ao tocar sua harpa desafinada, colocou a culpa nos cristãos. Por essas terras tupiniquins, existe um plano diabólico do comunismo por trás de tudo que acontece de mal, e nem a Covid-19 ficou fora desse “inimigo maléfico” dos extremistas de direita e dos seguidores da morte.

Nesse turbilhão de incertezas e desmandos, o povo caminha em círculo e age como como gado sendo levado para o matadouro. Os mais pobres são as maiores vítimas do massacre em massa, principalmente nessa era do corona, enquanto os ricos e poderosos continuam a faturar. Cada governante faz o seu decreto particular, e lá do alto os mandatários são os primeiros a não dar exemplo, como no caso correto do uso das máscaras, que até há pouco tempo, para nada serviam.

As notícias são as mais macabras e fúnebres. De um lado a rede Globo estampa todos os dias os milhões de reais de doações dos grandes empresários das maiores fortunas, e do outro mostra o colapso na saúde, a escassez de equipamentos hospitalares e as lágrimas das famílias que perdem seus entes queridos e não podem nem acompanhar seus sepultamentos. Para onde está indo tanto dinheiro?

Em tempo de coronavírus, o capitão-presidente reúne seu estafe de bonecos perfilados, um colado ao outro (só o ministro Paulo Guedes usava máscara), para rebater as declarações do ex-ministro Moro que o acusa de falsidade ideológica e interferência na Polícia Federal, para proteger a ele mesmo, seus filhos e seus deputados sob investigação no Supremo Tribunal Federal.

Os imbecis gritam intervenção militar em aglomerada manifestação, e a população mais carente (todos misturados) enfrenta filas intermináveis nas agências bancárias e nas lotéricas, na ansiedade de pegar um auxílio social, para matar a fome. Mandam que todos fiquem em casa, mas “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”. Tudo parece um vale de lágrimas numa nação sem liderança. Todos os dias são dias de tensão e de estresse, com semblante triste de depressão. As informações são as mais desencontradas e controladas, inclusive pelo novo ministro da Saúde, com cara de coveiro. As redes sociais fazem suas apostas nas fake news e nos memes, com “piadas” de humor negro.

Cada um se vira como pode, e nesse faroeste bang-bang, leva a melhor quem for mais rápido no gatilho. É um salve-se quem puder, e sempre perde o mais fraco que é também atingido pelas enchentes e os deslizamentos de terras em decorrência das torrenciais chuvas. Tudo é confusão, e todo dia no Planalto é dia de tensão e atrapalhadas.

 

 

A SAÚDE JÁ VIVIA EM COLAPSO ANTES DA COVID-19 E EM CONQUISTA O COMÉRCIO ESTÁ PRATICAMENTE ABERTO

NUNCA IMAGINEI QUE NO BRASIL EXISTIA TANTA GENTE IDIOTA E DE PENSAMENTO RETRÓGRADO, QUE FOSSE FALAR TANTOS ABSURDOS E BESTEIRAS. ELES ESTAVAM INCUBADOS NUMA CÂMARA FRIGORÍFICA E COMEÇARAM A SE REVELAR HÁ POUCO MAIS DE UM ANO. DENTRE TANTAS IDEIAS ESTARRECEDORAS, O CORONAVÍRUS FOI UM PLANO DE GLOBALIZAÇÃO COMUNISTA.

Este assunto está recheado de declarações aberrantes, inusitadas, preconceituosas, racistas, homofóbicas, xenófobas e misóginas, mas vou direto ao ponto da questão da saúde em nosso país. No meu modesto entendimento, a saúde no Brasil já vivia em colapso bem antes do coronavírus. Tornou-se mais aguda a partir da pandemia desse vírus, que entortou todas as críticas e fez aparecer conceitos inimagináveis em se tratando de ser humano.

Quero dizer que a culpa do esgotamento da capacidade hospitalar não está somente na Covid-19, visto que o sistema como um todo já era precário e altamente deficitário, onde milhares morriam nas portas dos hospitais por falta de vagas. A prova de tudo isso está em imagens registradas por pacientes e em reportagens da própria mídia, mostrando cenas de horror, choros e ranges de dentes.

Acontece que atualmente o foco é o coronavírus que fez aumentar, de forma acelerada, o número de mortes, superlotando mais ainda a rede hospitalar. O vírus apenas, de forma cruel, serviu para agravar mais ainda o caos que já existia por falta de investimentos maciços no setor que já vivia em estado terminal. Nunca se imaginava que viria por aí uma avalanche de doentes para piorar mais ainda o quadro, que já era de calamidade pública.

Até antes da pandemia, a imprensa escancarava, vez por outra, as mazelas do setor e casos desumanos de gente vindo a óbito por falta de atendimento. Até pouco tempo, não se fazia tanto alarme como ocorre agora. Os veículos de comunicação noticiavam a falência do sistema, as sujeiras nos hospitais, a escassez de equipamentos e materiais, o clamor das pessoas na batalha por uma vaga e depois esqueciam tudo por um determinado tempo.

PRATICAMENTO VOLTOU A FUNCIONAR

De uma questão a outra, e esta de cunho mais local, nesta semana o comércio de Vitória da Conquista praticamente voltou a funcionar, com mais lojas abertas, inclusive segmentos que deveriam estar fechados, e muito mais gente e veículos circulando nas ruas, como em dias normais antes do decreto municipal de baixar todas as portas, com exceção dos setores essenciais.

Como a fiscalização é falha, por falta de mais recursos humanos, somente o centro da cidade mostra uma cara de comércio fechado, e olha que não estou me referindo às filas nas lotéricas e agências bancárias. No Bairro Brasil, por exemplo, praticamente tudo está funcionando. Vitória da Conquista é considerada a capital do Sudeste, girando em torno dela cerca de 80 municípios, sem contar que é entroncamento para várias regiões do país. Imagina esse contingente de todas as partes aglomerado na cidade!

Sempre tenho dito que esse isolamento social, de todos em casa, é uma falácia no Brasil, que mal chega a 60 ou, quando muito, a 70% em alguns locais. Em Conquista, por exemplo, se for fazer uma pesquisa, esse isolamento não alcança 40%, e ontem a impressão foi que tudo voltou à normalidade. Defendo o tudo ou nada. Essa tal de flexibilização no Brasil não funciona.

Vários estados e municípios estão abrindo suas porteiras e não se sabe o que pode ainda vir por aí, tendo em vista que especialistas afirmam que o país ainda não chegou ao seu pico da crise, como já ocorreu em diversos países da Europa. Temos um governo confuso que está com o propósito de esconder as informações, pouco dando importância para as mortes.

 

 

 

O MASSACRE BRASILEIRO E O EXTERMÍNIO EM MASSA DOS MAIS POBRES

Primeiro é o monstro da corrupção (roubam bilhões dos cofres públicos), que ainda continua a fazer o seu massacre, eliminando, lentamente, a vida de milhões de brasileiros através da precariedade na educação, na saúde e com a disseminação da miséria e da fome.

Agora, num país já em situação de terra arrasada pelos poderosos do capital (acharam de soltar umas migalhas em forma de solidariedade), vem a pandemia do coronavírus que, sem piedade, e de forma dolorosa, espalha medo, pânico e terror, e deixa, rapidamente, o seu rastro maléfico da morte por onde passa.

Numa nação de Terceiro Mundo.

Desde colônia, a história do Brasil está repleta de massacres e teve seus tiranos genocidas, sem falar das pestes e das doenças, típicas de uma nação de Terceiro Mundo. Nesses mais de 500 anos, as maiores vítimas sempre foram os mais pobres que ficaram para trás antes do tempo. No momento atual, não está sendo diferente, e estamos vislumbrando um cenário ainda pior onde poderá haver um extermínio em massa.

Tomara que esteja sendo alarmista, mas num país atrasado em praticamente todos os setores, com suas finanças em frangalhos e com um governo sem unidade federativa, que estimula a debandada de todos para as ruas, contrariando as recomendações da ciência, só posso enxergar um quadro de colapso total, e uma mortandade sem igual nesses mais de cinco séculos desde a chegada de Cabral.

Na verdade, os mais pobres são os maiores grupos de risco, e nem tanto os idosos como se convencionou a dizer desde o início da pandemia, como se fossem portadores do Covid-19. Milhões deles (os pobres e aposentados do salário mínimo) se aglomeram e se arriscam nas filas dos bancos e nos postos de doações de alimentos, na ansiedade de receber algum auxílio social. Outros milhões de desempregados e informais ficaram a ver navios, diante de uma pedra no meio do caminho do passo a passo dos aplicativos e dos telefones que não funcionam.

A falência do sistema de saúde, que já existia desde antes do coronavírus, com pacientes falecendo nos corredores dos hospitais por falta de leitos e atendimento médico, agravou-se ainda mais, e as pessoas choram seus mortos em distância, numa dor ainda mais doida e aguda porque não podem realizar seus rituais de sepultamentos, na maioria coletivos. Do outro lado, a imprensa divulga a criação da telemedicina nas unidades particulares, como grande feito, mas esquece de estampar a outra triste realidade daqueles que dependem da saúde pública e penam por uma consulta presencial.

Num país à deriva

O capitão-presidente, num país à deriva, vivendo um massacre em massa, diz que tudo não passa de uma “gripezinha” e vai às ruas pegar na mão de seus seguidores da morte e pregar o fim do isolamento social que, a esta altura, já é uma falácia quando a pobreza é obrigada a desobedecer a quarentena porque com fome ninguém consegue ficar parado.

Para completar o quadro de horror, o “Bozó” exonera um ministro da Saúde e nomeia outro para encobrir as informações sobre o massacre seletivo. Com todo esse caos, o novo titular da pasta ainda está conversando com seu chefe sobre a montagem do seu gabinete, com a indicação de mais um general para mandar seus soldados baterem continência. Vergonhosamente, vivemos num país submisso às ordens e às posições do destemperado e desequilibrado Trump, dos Estados Unidos, que cortou a ajuda à OMS.

Imagens de terror e o nazifascismo

Na posse, todos se misturam, se abraçam e se beijam, inclusive o demitido que pregou uma coisa e fez outra, dando má exemplo para o povo em polvorosa. Do outro lado, a mídia escancara as imagens macabras nos hospitais e nos cemitérios lotados. São cenas de filmes de ficção apocalípticas que deixam os lares abalados. Aumentam o medo e o pânico, como se todos estivessem num prédio de mais de 50 andares em chamas.

Em meio a todo esse massacre brasileiro, ainda aparecem os aproveitadores, cafajestes e oportunistas de plantão parta superfaturar os preços dos equipamentos hospitalares e obras destinadas a construir novos leitos para atender os contaminados. Milhares estão morrendo por falta de UTIs, principalmente os pobres que só têm o plano do SUS.

Para completar esse “Inferno”, de Dante Alighieri, um grupo de nazifascista, de imbecis e idiotas vai às ruas para pedir uma intervenção militar no Brasil já arrasado, o fechamento do Congresso Nacional e do Tribunal Superior Federal. O capitão vai até lá para elogiar a ação e fala de “democracia”, que ele mesmo menospreza com suas atitudes contra repórteres e as minorias. Na verdade, já vivemos num regime militar disfarçado onde o quartel-general é o Planalto.

Enquanto isso, na surdina, a Amazonas vai sendo derrubada pelos madeireiros e fazendeiros, que nem querem saber se um vírus está devastando o país. Eles preferem o fogo. Os garimpeiros, com suas máquinas assassinas, deixam seus escombros e expulsam os índios de suas terras. A humanidade gasta trilhões de dólares em armas por ano, mas não é capaz de derrubar um vírus maligno. Não é uma ironia? É isso aí, a história está cheia de fatos e exemplos onde os pobres sempre foram massacrados e exterminados.

 

NO VAZIO DO ESPAÇO SEM O NOSSO SARAU

Sei que as preocupações são outras neste momento tão difícil que muitos estão atravessando para enfrentar essa pandemia do coronavírus, que em meus versos chamei de Coronavid, mas o nosso “Espaço Cultural A Estrada” também padece do vazio solitário sem a presença dos companheiros que dão vida ao nosso sarau colaborativo, que neste ano está completando dez anos de existência, trocando ideias, debatendo, declamando, cantando canções e contando causos.

Esse vazio remete à saudade dessa gente amiga alegre, num gostoso bate-papo, bebericando um vinho, uma cerveja gelada, uma cachacinha e um tira-gosto que cada um traz, para falarmos de cultura e ouvirmos as cantorias e os poemas dos artistas. Nesses dez anos, muitos temas, como Educação, Movimentos Revolucionários de 1968, Castro Alves, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, Cinema, Cordel, Gregório de Matos, Império Romano, Inquisição, a História da Música Brasileira e tantos outros foram abordados e enriqueceram, sem dúvidas, o nosso conhecimento.

AQUELA SAUDADE

Ainda hoje estava repassando em meu computador, as fotos de diversos saraus, inclusive as dos cinco anos dos eventos, e bateu a saudade de Regina, Nadir, Cleide, Marta Moreno, Lídia Rodrigues, Simone, Céu, Rosânia, Rose, Guimar, Tânia, Edna, Sérgio Fonseca (falecido), Itamar Aguiar, Moacyr Morcego, Manu Di Souza, Baducha, Walter Lajes, Jhesus com seus causos, Dorinho, João, André Cairo, José Silva, José Carlos D´Almeida, Evandro Gomes, Jovino, José Carlos, Clovis Carvalho e muitos outros que me falham a memória no momento, mas que se sintam citados porque fazem parte dos nossos encontros, sempre fraternais.

Não falei da anfitriã Vandilza Gonçalves por motivos óbvios por ser minha esposa, mas ela é também testemunha desse espaço vazio sem o nosso sarau, principalmente aos sábados à noite. Estávamos programando a comemoração dos dez anos para julho, mas veio essa pandemia e nos separou do convívio cultural. Ainda tenho esperanças de realizar esta festa até o final do ano, com mais uma vitória conquistada contra esse vírus que mata.

Nessa fase difícil, cada um tem seus problemas, uns mais e outros menos, especialmente de questão financeira porque a maioria parou suas atividades artísticas e não está tendo o devido amparo dos governantes que são verdadeiros falastrões, mestres na demagogia e enrolação. Gostaria de fazer alguma coisa (também vivo meus apertos) e até acho que deveríamos nos unir através do meio virtual para apoiar quem mais está precisando de ajuda.

Mesmo distantes, devemos estar juntos, nem que seja espiritualmente, ou até de forma material. Sempre tenho dito em meus comentários e por intermédio da poesia, que fortalecer e exercitar a mente é fundamental para que o corpo não enfraqueça e esteja preparado se por acaso alguém de nós for surpreendido por esse “bicho” que veio da China, mas, tenho certeza que isso não vai acontecer.

Por fim, quero saudar a todos, e vamos torcer para que logo possamos dar continuidade aos nossos encontros culturais, com mais fervor ainda, discutindo, declamando, entoando canções e contando causos e piadas. O nosso Espaço Cultura está vazio fisicamente, mas voltaremos a nos abraçar,  nos beijar e a comemorar até altas horas da madrugada.

 

 

FALASTRÕES, DEMAGOGOS E BUROCRATAS LEVAM MULTIDÕES A BATER CABEÇA NAS RUAS

O desabafo emocionante de um senhor na televisão numa fila da Receita Federal para tentar regularizar sua situação e obter um auxílio social, com relatos de penúria para sobreviver, sem emprego e em estado de fome, é o retrato de milhões de brasileiros que correm às agências dos bancos na ânsia de um socorro para minorar seus sofrimentos, principalmente nesta época da pandemia do coronavírus.

Comovidos, muitas pessoas desceram dos prédios onde ele se encontrava e o acudiram com alimentos, e logo apareceu uma empresa lhe concedendo um trabalho. Não que as atitudes não sejam dignas de aplausos, mas o sentimento emocional repentino faz esquecer que o seu desespero não é o único no Brasil dos falastrões, dos hipócritas e burocratas de plantão, que fazem o povo ficar nas ruas a bater cabeça nesse turbilhão de informações desencontradas e enganosas.

EM NOME DE MILHÕES

Aquele senhor da entrevista teve o seu momento de felicidade e, porque não dizer, até de sorte por ter se expressado em nome de milhões de aflitos e angustiados que, aglomerados, arriscam suas vidas ao se dirigirem aos caixas dos bancos. Depois, milhares saem frustrados com o resultado negativo do tão esperado benefício. E quem vai alimentar e oferecer um emprego aos outros milhões de brasileiros invisíveis que vivem nas sarjetas da pobreza?

Com o anúncio do auxílio social pelo governo federal, incluindo uma bateria de normas econômicas e técnicas para ter direito aos 600 reais, a população, a grande maioria inculta e sem instrução para lidar com a tecnologia, correu como gado em manada na ânsia de receber algum dinheiro, ou se informar a respeito do processo. Milhares não têm nem CPF e outros milhares ficaram a ver navios porque não foram atendidos.

Para aqueles necessitados que ficaram de fora, o golpe foi como se tivessem sido vítimas de estelionato desses falastrões e burocratas, no momento de maior desespero, como daquele senhor da entrevista. É sabido que todo esse contingente de CadÚnico, Bolsa Família, de informais, ambulantes e de desempregados está atravessando os piores momentos de suas vidas e ainda têm que passar pelo crivo tecnológico da internet, no qual se depara com os entreves no acesso.

 

Não dá para se fazer uma boa comparação, mas tem um ditado que diz que “a necessidade faz o ladrão”. Com isso, quero simplesmente me referir ao fato de todos irem para as ruas por pura necessidade, quando se recomenda que todos fiquem em casa. Aí, entra a pandemia dos falastrões, mentirosos e burocratas, dizendo que as pessoas não precisam se amontoar em frente das agências, e que liguem para tais e tais números, ou entrem no aplicativo do site.

Agora acharam de criar uma tal conta digital. Entendi como uma forma de zombar e sacanear com a cara do povo que precisa, urgentemente, de dinheiro em espécie para comer, e não de fazer transferências ou outras transações bancárias. O governador do Estado criou um bolsa estudante e pede para o aluno, ou o pai, ligar para a direção da escola, só que o telefone não atende, nem o 0800.

ESTÃO DE OLHO É NAS ELEIÇÕES

Em meio ao falatório, sem organização, o sistema virou uma verdadeira bagunça, e a aglomeração foi formada diante de cadastramentos e agendamentos que não funcionam. Ao invés de simplificar, complicam. Sem acreditar mais nos governos, os ambulantes vão para as ruas na aventura de vender alguma coisa como o ganha pão do dia. Nem máscaras eles distribuem, mas mandam que todos usem, além do álcool gel!

Com toda essa balbúrdia, a mídia pouco mostra a outra face do coronavírus e passou a estampar as empresas e as caras dos ricos, principalmente do setor financeiro, que há séculos nos “roubam” com juros e taxas extorsivas, sem piedade. Sempre foi a categoria empresarial mais privilegiado do país, e agora aparecem como “bonzinhos” doando umas ínfimas parcelas do grande montante de bilhões que levaram de nós.

Somando a tudo isso, temos um capitão-presidente que faz apologia à morte e sai às ruas pregando o fim do isolamento social, contrariando o seu ministro da Saúde e as recomendações dos governadores, prefeitos, médicos, infectologistas e à própria ciência. Conta com um bando de malucos seguidores da morte, e o povo fica nas ruas a bater cabeça diante de toda essa confusão armada pelos falastrões, falsos pregadores, hipócritas e burocratas.

Todos eles estão de olho numa só coisa: Nas eleições que estão se aproximando. Sabem que o povo de hoje esquece de tudo que aconteceu de mal e perverso. No dia, todos saem de suas casas para festejar um falso ato de cidadania e ainda xingam uns aos outros. Mais uma vez, o brasileiro segue a “lição” mentirosa para passar mais quatro ou oito anos penando e engrossando as fileiras da pobreza e da ignorância.

 

 

A CONFUSÃO DOS NÚMEROS E UMA PÁTRIA MALTRATADA

São tantos os números divulgados pelo Ministério da Saúde e pelas secretarias dos estados que deixam a população confusa e servem para os boateiros de fake news fazerem alarmes e pânicos. Por que não se noticia somente os casos testados e confirmados do coronavírus mais as mortes, eliminando os índices suspeitos, ainda os por certificar e outros tantos? Sem bases, a mídia entra com seu DNA sensacionalista, de que os dados podem ser tantas vezes maiores?

Em minha opinião, cria-se um clima de terror, sem contar que muita gente pega os casos suspeitos e os utilizam para propagar boatos, como exemplo os de Vitória da Conquista. Aqui fala-se em pouco mais de 300 suspeições e cerca de 25 a 30 testados, com uma morte. A imprensa adora números como grandeza de audiência. Os boateiros já saem falando que existem na cidade mais de 300 contaminados.

Depois de quase dois meses de pandemia já se percebe um estresse coletivo tomando conta do povo, diante de tantas informações corretas e incorretas, tanto na área da saúde como da economia, com o auxílio social onde milhares correm aos bancos e depois saem de lá frustrados e mais nervosos e irritados. Colocam datas de saque por aniversário e categorias com direito. Depois os prováveis beneficiários ficam decepcionadas.

É tudo uma total desorganização que pode gerar um caos e até uma convulsão social sem controle. Depois dessa pandemia, mais gente tem batido em minha porta pedindo dinheiro e comida, o que demonstra que a fome está literalmente batendo nos lares, ou aliás, nos barrocos e casebres das periferias e favelas. É uma triste realidade e não sabemos aonde tudo isso vai chegar.

UMA PÁTRIA DE PANCADAS

Definitivamente, esta não é uma pátria amada como dizem os fascistas de extrema-direita de plantão, e sim uma pátria que só tem levado pancada, sem comando e sem rumo certo. Quando não são as calamidades públicas provocadas pelas torrenciais chuvas, em decorrência da destruição do meio ambiente, são as doenças de sempre, e agora o Covid-19, num país de finanças falidas.

Para completar as mazelas que sempre atingem os mais pobres, a Amazonas está sendo, impiedosamente, desmatada por madeireiros, grileiros e fazendeiros, e suas águas e rios envenenados por garimpeiros. Os índios estão sendo escorraçados de suas terras. O diretor do Ibama que foi enérgico em suas ações foi “premiado” com uma exoneração pelo seu trabalho que deveria ser feito.

Ainda existem por aí muitos seguidores da morte idiotas e imbecis dizendo que nunca o Brasil esteve tão bem nas mãos do seu capitão-presidente, que está mais para um psicopata, e não para um nacionalista. Mais sete anos no governo e a Amazonas vai virar cinzas, e vão nos transformar numa nação de loucos nazistas que festejam e dançam diante de caixões de brasileiros mortos por armas, doenças virais e fome.

 

 

 

AS REALIDADES SÃO DIFERENTES

É muito importante o isolamento social e que todos fiquem em suas casas, mas as realidades nos países pobres são bem diferentes das dos ricos onde contam com mais recursos financeiros, tecnológicos e o poder aquisitivo é maior, sem falar na questão cultural.

O Brasil e seus vizinhos da América do Sul e Central estão nesse rol das pessoas com atraso tecnológico, apesar da internet, e na linha da pobreza, cujos habitantes precisam se virar para manter o mínimo necessário para se alimentar e não passar tanta fome.

A mídia mostra e critica as filas nas portas dos bancos, na Receita Federal para regularização de dados individuais e até em entidades filantrópicas para cadastramento de cestas básicas (coisa que os governos pouco faz), mas não há como evitar porque toda essa gente está correndo atrás de sua própria sobrevivência. Avalie os países africanos! É o embate entre o coronavírus e a fome.

O caso do CPF na Receita, que informa que o documento pode ser feito pela internet, é um exemplo. A grande maioria não sabe lidar com esses tais sites de aplicativos, sem contar que os equipamentos dispostos a ajudar o trâmite não suportam a carga de acessos. Ah, façam o passo a passo, explicam os técnicos! Ocorre que o passo a passo é interrompido no meio do caminho por uma trava qualquer.

Com relação aos bancos, somente uma pequena minoria tem conta online para realizar transações, e em raríssimos casos se efetua pagamentos através de celulares. A grande maioria pobre tem seu dinheiro curto no banco e é obrigado ir até ele para sacar uma grana, inclusive do auxílio social, para fazer suas compras. Muitos se amontoam à procura de informações.

A outra realidade são as aglomerações para receber doações de alimentos, principalmente nas periferias. Muitos ambulantes ainda saem às ruas na aventura de vender alguma coisa para o sustento. Portanto, é muito difícil segurar todo esse povo em suas casas.

O governador de São Paulo ameaçou prender quem estivesse nas ruas. Só queria saber aonde ele vai jogar esse pessoal, se as cadeias e as penitenciárias estão lotadas de bandidos e criminosos? Por outro lado, o governo não pode simplesmente pegar um cidadão de bem e prender entre bandidos perigosos.

Esse pico do coronavírus é sempre adiado, e os números só sobem na contagem dos setores da saúde. Enquanto isso, venho percebendo um estresse coletivo na população, tanto os que estão em casa como aqueles que vão às ruas por necessidade. Tem gente até quebrando caixa de banco. Outros passam o tempo no celular infernizando a vida das pessoas com fake news e “memes” idiotas de discriminação, ou xingando e destilando ódios e intolerâncias. Falo sempre da importância de exercitar a mente com a leitura de um livro, mas esse hábito no Brasil é raro pela falta de cultura e baixo nível de instrução.





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