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:: ‘Notícias’

SÃO TANTAS MENTIRAS!

Contra o monte de mentiras no horário nobre da televisão, boa parte do povo respondeu com panelaços que, em tempos recentes, foi descrito pela esquerda como posição de pequenos burgueses, coisa da elite. O pior pode estar por vir, pois milhões passam fome, e estamos cercados de pandemias por todos os lados. Os panelaços podem ser só avisos.

Ele sempre se mostrou reticente com relação às vacinas, principalmente da chinesa CoronaVac, e falou que não tomaria. Agora diz o contrário, e tirou do bolso a produção de 500 milhões de doses até o final do ano. Vamos ter estoques sobrando, para doar para nossos vizinhos. Não sabia que o Brasil criou uma vacina própria contra a Covid-19. A única verdade na fala do capitão-presidente é que ele se mantém contra o isolamento social e as medidas de restrição.

Todo o resto é um punhado de mentiras e hipocrisias, como se solidarizar com as famílias que já perderam quase 300 mil entes queridos. Em resposta a toda essa mortandade, fez deboches de o tipo de chamar os brasileiros de maricas e chorões. “E daí! O que tenho a ver com isso! Não sou coveiro”. Foi outra tirada tirana quando o vírus havia ceifado a vida de cerca de 10 mil pessoas.

Onde ele achou esse número de que o Brasil é o 5º país do mundo que mais já vacinou sua população? Seria bem mais decente e ganharia pontos dos brasileiros se ele usasse o tempo na rede de televisão para pedir perdão por suas barbaridades proferidas durante seus dois anos de mandato desastroso.

Seria bem mais confortante para a nação, que vive momentos de pânico, aflição e terror, que ele fizesse um mea culpa dos seus erros e que iria parar de nos destruir com a sua negação da ciência, receitando cloroquina e outros procedimentos condenáveis.

Como seria tranquilizador se ele aproveitasse o tempo para anunciar que iria se alinhar com as instituições de saúde, com os governadores e os prefeitos no combate dessa mortal pandemia, visando unicamente salvar vidas. Que ele conclamasse toda a nação a se unir, sem partidarização da política. Que a partir de agora todos os protocolos e normas teriam um comando central, com transparência em comum acordo com os estados e municípios.

Com certeza, essas palavras fariam com que os brasileiros tivessem um sono mais sossegado nessa noite de 23 de março de 2021. Essa atitude reparadora seria um marco na história brasileira nesse período de caos na saúde. Essas mentiras só fazem confundir mais ainda a nossa população, e deixar o vírus mais à vontade para suas mutações em nosso solo. Por que de tantas mentiras que só fazem dividir mais ainda, e criar mais revolta, ódio e intolerância? Tudo isso só pode ser mais uma manifestação de sadismo e psicopatia.

A DISCRIMINAÇÃO SOCIAL É A MAIS CRUEL

Quando um pobre morre como causa da Covid-19, os parentes nem veem o corpo que é levado imediatamente para o cemitério. Das grades, os familiares acompanham o procedimento à distância. Isso é muito cruel. A alegação é a de ser uma maneira de evitar contágio e aglomeração.  A dor é muito grande porque ela já vem do hospital quando o doente é internado e, às vezes, só recebe informações através do celular ou por sinais dos enfermeiros e médicos.

Esse ritual é bem diferente e aberto quando se trata de um político, um poderoso ou rico. Quando falece, fazem velório, translado em carro aberto para o enterro, com aglomeração por parte dos correligionários, parentes, amigos e conhecidos, principalmente agora nesse auge da pandemia. Argumentam outras coisas que não convencem, e a mídia, como sempre, não questiona com receio a interpretações maldosas.

A LEI DOS MAIS FORTES

Enquanto estou fazendo este comentário, sei que estou sendo xingado e visto como insensível, que desejasse algum mal para o morto. Já disse várias vezes e voltou a repetir que a nossa sociedade é hipócrita. Mas, fazer o quê? Seguimos o curso normal da lei natural dos mais fortes no mundo animal. Vejam a questão da vacina que já era previsível. Os mais ricos, como Estados Unidos, Inglaterra e outros países da Europa saíram na frente.

Os pobres e os fracos sempre foram os mais castigados. O exemplo está aí nas catástrofes e tragédias. São os mais submissos, de nível baixo de instrução, que não têm o poder de brigar e impor seus direitos de igualdade que mais sofrerem. Aliás, sem essa de que todos são iguais. Esse anunciado é a maior das mentiras que proclamam, como se fosse verdadeiro.

O enterro do prefeito de Vitória da Conquista acabou tendo aglomeração em todo seu trajeto. Os resultados vão aparecer nos próximos dias. A Prefeitura anunciou que o acesso seria reservado somente aos familiares, mas não foi isso que ocorreu. Primeiro foi reservado um amplo espaço no salão do Mediterrâneo, indicando que muita gente estaria lá. O local ficou superlotado. No caminho para o sepultamento e no cemitério, muita gente, contrariando o toque de recolher.

Para dar o bom exemplo, o poder público, em comum acordo com a família, bem que poderia do aeroporto ir direto para o cemitério, sem essa de programação de translado e reunião num espaço de eventos tão amplo. Era certo que ia haver aglomeração. Na situação atual de colapso nos hospitais, gente morrendo em casa e até na rua por falta de vagas, o mais prudente seria um enterro simples e controlado, mesmo se tratando de uma autoridade. Tudo em respeito à vida que deve estar acima de tudo.

Outra imprudência foi a posse da prefeita ao vivo na Câmara de Vereadores, com muita gente no plenário. Não poderia ter sido feito de forma virtual, para dar o bom exemplo? Todos esses eventos em pouco espaço de tempo constituem insensatez, tendo em vista que os leitos de UTI em Vitória da Conquista já estão com ocupação bem acima dos 90%.

Não tem adiantado muito os apelos emocionantes dos infectologistas, pneumologistas, médicos e especialistas da ciência no sentido de que as pessoas se cuidem usando máscaras; façam a higienização; e, principalmente, não se aglomerem. Vivemos num quadro de total estupidez humana e de bagunça geral onde não existe uma linha central de comando.

Tudo começa pela esfera federal. No momento, temos dois ministros da Saúde, ou nenhum, porque o indicado não tomou posse. O Ministério estabelece uma norma, o secretário de Saúde do Estado formula outra orientação, e cada prefeitura faz seu protocolo, como no caso da vacinação.

O Governo do Estado decreta o toque de recolher e município desobedece.  A covid-19 se alastra em terreno fértil. O povo faz festa e morre aos montes. Nos hospitais faltam vagas, insumos, oxigênio e mais gente tomba. Uns negam a doença, e outros que tudo não passa de politicagem. Agora é a fome que ataca ferozmente.

 

NOS TAPETES E OUTRAS ARTES NA LUTA PARA VENCER O DESEMPREGO E A COVID

Por cerca de três anos desempregada quando teve seu contrato cancelado pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, a professora Vandilza Gonçalves viveu momentos de apreensão à procura de outro trabalho, mas deu a volta por cima e ocupou seu tempo na aprendizagem de uma arte que ocupasse seu tempo e lhe proporcionasse alguma renda.

No início, atuou com coadores de papel de café (a arte da borra do café), pintando paredes, decorando jarros, garrafas e outros objetos que encontrasse, com uma técnica toda especial. Não deu muito certo como geração de alguma renda para, pelo menos, suprir seu desemprego e ganhar algum dinheiro. Então, partiu para realizar alguns cursos de croché, rendas e outras especialidades que dessem mais resultado comercial.

UMA VOLTA POR CIMA

Não é fácil ficar parado sem uma atividade remunerável. O tempo corre e a angústia vai invadindo sua mente por falta de um emprego. Em seu caso, o sentimento de ausência numa sala de aula entre alunos batia forte, mas tinha que vencer mais um obstáculo em sua vida. Foi aí que surgiu a ideia de confeccionar tapetes, souplasts (jogo americano), toalhas e outras utilidades do lar, de forma artesanal com fios e cordões de algodão que são encontrados em armarinhos.

É uma técnica milenar que exige muita paciência e atenção, mas a coisa foi dando certo. Primeiro Vandilza foi anunciando e mostrando, na base do boca-a-boca, seus trabalhos para amigas e parentes. Sua maior surpresa foi a aceitação positiva, com a venda de algumas peças coloridas bordadas. Começou, então, a receber encomendas de outras pessoas de fora.

Seu maior resultado veio quando resolveu colocar suas artes nas redes sociais através do Zap e do Instagram. Surgiram muitos pedidos de conhecidos e outros interessados que se encantaram com os tapetes quando viram suas obras na internet. Nada de emprego como professora, mas suas vendas vão aos poucos suprindo suas necessidades, principalmente nesses tempos de pandemia

O negócio deu tão certo que Vandilza resolveu fazer seu MEI de microempresária no Sebrae, para formalizar seu trabalho como autônoma, pagar seu INSS e ter sua nota fiscal no caso da exigência dela por parte de algum cliente. Com o agravamento da pandemia, seus pedidos caíram, mas a professora não desistiu e continua armando seus tapetes e aproveitando o tempo em que fica em casa se protegendo desse vírus matador.

Como a iniciativa evoluiu, Vandilza está agora programando criar sua própria página na internet para a venda direta por meio do cartão de crédito e até pelo PIX. Tudo está dependendo de uma trégua dessa pandemia, para evoluir seu projeto, mas, enquanto isso, ela não para de confeccionar seus tapetes.

A ARTE DA “BORRA DO CAFÉ”

Outra arte interessante de Vandilza é o aproveitamento de coadores de café, inclusive com o fornecimento do material por outras pessoas amigas. É a chamada arte da “Borra do Café”, que utiliza colas e exige um cuidado para que a montagem não tenha falhas.

Como complemento, ela criou umas pinturas em torno dos coadores que lembram formas rupestres e indígenas dos nossos antepassados. As pessoas sempre se encantam quando se deparam com esses desenhos nas paredes e, dificilmente, conseguem decifrar que elas são feitas da borra do café.

Com esses papéis que são reciclados e até contribui para preservação, do meio ambiente, a professora já pintou várias paredes de cor amarronzada com aparência de pedras montadas umas nas outras. Além disso, os coadores são aproveitados para cobertura de jarros, garrafas e outros objetos. Seu contato pode ser obtido através do Zap 77 99121-7795.

Alguns dos seus produtos podem ser também encontrados no Cesol de Conquista, uma entidade do Governo do Estado, voltada para a economia solidária. O Cesol está localizado no Bairro São Vicente e lá são encontrados trabalhos artesanais de artistas de vários municípios da região.

 

 

 

UMA POPULAÇÃO DE BÁRBAROS

Mesmo com toda tecnologia, com a revolução da internet, o nascimento do celular e o avanço da ciência nas viradas dos últimos séculos, infelizmente o Brasil continua sendo um país primitivo.

Tudo isso se acentuou de forma mais aguda a partir de 2019 com o aparecimento dos negacionistas da ciência que estavam em suas locas vivendo no mundo da escuridão. Talvez isso explique o porquê de até hoje eles não acreditarem nem na luz, e de que a terra é redonda.

Temos atualmente uma população de bárbaros e assassinos da aglomeração onde 22%, conforme pesquisa da empresa Data Folha, acham bom o desempenho do capitão-presidente com relação à pandemia que já matou mais de 285 mil pessoas, por culpa de um governo que debocha do vírus e dos próprios brasileiros que lhe elegeram, chamando-os de frescos e chorões.

Diante de toda essa tragédia histórica, da qual faltam palavras para comentar, mais de 30% ainda aprovam seu governo desastroso. Na minha visão, é um dado muito alto, e não estou aqui tratando de linguagem partidária, se de direita, centro, esquerda, comunista ou outra ideologia qualquer.

Nesse quadro tão caótico em que estamos vivendo, com hospitais superlotados e milhares tombando todos os dias, o comportamento de boa parte da população é parecido, e ainda mais atrasado que há 200 anos ou até mesmo se comparado com o da Idade Média dos tempos da Peste Negra.

Há mais de 100 anos, até médicos negaram a existência da Gripe Espanhola que ceifou a vida de mais de 50 milhões de pessoas no mundo, e atingiu em cheio o Rio de Janeiro, se espalhando por todo país. A mesma história se repete com a Covid-19 onde bárbaros se aglomeram, saem sem máscaras e não adotam medidas de higienização.

São esses mesmos bárbaros que atacam jornalistas e veículos de comunicação que defendem o isolamento social, medidas restritivas e clamam para que a população se cuide, uns respeitando os outros no distanciamento. Que povo é esse que ameaça quem procura preservar a vida contra um vírus tão mortal que rouba nosso precioso ar e intuba o paciente numa UTI?

Ainda ontem (terça-feira) no programa do Profissão Repórter, do jornalista Caco Barcellos, vi e ouvi uma idosa confessar, quando saia de um hospital, depois de meses intubada, de que antes de pegar a Covid não acreditava na doença. Precisou entrar no portal da morte para mudar de opinião? Solidariedade é só dar um prato de comida a quem está com fome? Por que tudo isso está acontecendo num Brasil onde se propaga que o povo é solidário[i]? O que mais presenciamos são atitudes de egoísmo e individualismo. Os bárbaros e brutos ainda acham que andar sem máscara é somente um problema dele.

[i]

O JOGO MAIS PITORESCO DA HISTÓRIA

Em pleno Nordeste de cabra da peste onde tem mulher macho, sim senhor, o jogo de futebol entre “Pedregulhos” e “Botocudos”, na cidade de Jaracuçu, pela Copa do Brasil, era o mais esperado do ano. Ia ser na ponta da peixeira. Era uma questão de vida ou morte. Aconteceu de tudo.

Quem ganhasse receberia uma boa grana. Uma funerária se posicionou próximo ao campo. Também queria levar a sua parte nesse quinhão. Antes da peleja, os jogadores, os dirigentes e a comissão técnica foram revistados pela polícia. Tinha gente armada. Ninguém nas arquibancadas por causa de uma maldita pandemia que está matando muita gente.

O juiz mijão

Antes da partida foi uma confusão danada para escolher o melhor lado a favor do vento. O juiz já estava nervoso e mijou ali mesmo no árido gramado. Depois de mais de dez minutos, saiu o ponta pé inicial no apito rouco do árbitro. Veio logo a pancadaria dos dois lados. Coisa de soltar torrão.

Era faísca para todo lado. O narrador tinha a voz de rodeio de peão de touro brabo. A bola mais subia que descia ao chão. Coitada da redonda! Aos oito minutos, numa cruzada da esquerda, feita por “Faca Amolada”, no bate-rebate na pequena área, saiu um gol dos visitantes “Botocudos”.

Todos correram para cima do juiz com barrigadas e cabeçadas, mas o tento foi mantido com o reforço dos soldados. Não demorou muito tempo do recomeço e entrou nas quatro linhas um rebanho de bodes famintos da seca para dar umas capadas na grama. Nova parada para retirar os resistentes do Nordeste. Todos invadiram o campo em meio à bodada. O técnico e o presidente dos “Botocudos” xingavam condenando a armação. Tumulto geral!

No 5 X 4 no pau e na tora

Foi uma noite inusitada, e o locutor já estava rouco de tanto gritar. Palavrão pra lá, palavrão pra cá, depois da parada forçada, o “Pedregulhos” logo empatou com uma cabeçada de “De Cabeça Dura”. Não tinha VAR, e tudo era mesmo decidido no grito.

Os gols foram saindo de lá e de cá, e depois de quase duas horas de primeiro tempo, o placar já marcava 4 X 4, com gols de “Caçamba” para “Pedregulhos” e de “Carcará” para o “Botocudos”. Os gandulas se viravam para repor rápido a bola para os donos da casa e sumiam quando era dos adversários.

Quando começou o segundo tempo, num lance claro de impedimento, “Gavião” marcou para o “Pedregulhos”, no pau e na tora e virou o escore para 5 X 4. A essa altura, o juiz não se atrevia a marcar nem pênalti. Era no vale tudo! Não demorou muito, e não se sabe de onde partiu, não é que entrou uma boiada no campo, conduzida pelo berrante de um vaqueiro do sertão! Em seguida veio uma tropa de tropeiros transportando mercadorias do agreste nordestino. Entre engaços e bagaços, meu amigo, uma bagaceira mesmo.

Quando tudo passou, o juiz deu prosseguimento à labuta do fim do mundo. Na escorada de uma bola alta, no empurra-empurra, na trombada para valer, o leão de chácara “Quebradeira”, numa trombada de sair sangue do seu marcador, empatou novamente para o “Botocudos”. É, minha gente, o ambiente já era de guerra, com cinco gols de cada lado.

Água, ambulância e refletores

Com todos os descontos, os minutos estavam correndo para os momentos finais, mas “Jararaca” recebeu uma bola cruzada no alto e entrou rasgando a defesa do inimigo, fazendo um gol para o “Pedregulhos”. Faltavam dez minutos para o juiz encerrar aquela tão pitoresca partida que ficou na história do esporte brasileiro quando começou a jorrar água do sistema de irrigação. Bem que o resto da maltratada grama estava precisando de um refresco.

Nova parada obrigatória até o problema ser resolvido. O “Pedregulhos” não queria mesmo perder aquela parada e tinha que fazer outra armação pra derrubar de vez o “Botocudos”. Numa entrada pesada, um jogador do time da casa foi ao chão e, de imediato, em disparada entrou uma ambulância no campo para socorrer o atleta. Depois que o veículo parou ao lado do campo, ele retornou ao jogo sem nada avisar ao juiz.

A coisa já estava feia mesmo! Os dois técnicos já estavam se esmurrando, e dirigentes entravam no tapa, quando os refletores do estádio se apagaram. A soldadesca teve que baixar o pau e separar os valentões. Mais uma hora de espera. Com quase cinco horas do seu começo, a partida já era a mais demorada de todos os tempos. Já entrava pela madrugada!

Quando as luzes se acenderam, o juiz tentou recomeçar a peleja, mas, naquela altura a equipe do “Botocudos” em protesto se recusou a retornar ao gramado, digo à terra batida porque tudo já tinha ido aos ares. Todos foram parar na delegacia, e o dinheiro da premiação sumiu. Ninguém sabe, ninguém viu. O gato comeu! Assim terminou o jogo mais pitoresco de toda história do futebol. Acredite, isso não é nenhuma ficção!

A QUESTÃO PASSA TODA PELA POLÍTICA E PELO SOCIAL NUM PACTO NACIONAL

Mais um ministro da Saúde (é o quarto) e mais dúvidas e incertezas de como ele vai se comportar diante do negacionismo da ciência do governo federal. Será que ele vai recomendar o isolamento social, e dizer que a cloroquina é ineficaz como tratamento precoce? Será que ele vai agilizar a vacinação no país, com mais compras de doses dos laboratórios?

Estamos no auge da pandemia, com os hospitais colapsados e milhares esperando uma vaga de leito. Milhares estão morrendo em casa e perdendo seus parentes porque vivemos num país sem comando onde cada governante toma suas próprias decisões, muitas das quais sem muito efeito, como esse toque de recolher e fechamento do comércio em finais de semana.

UMA NAÇÃO PERDIDA

Aos olhos do mundo, somos uma nação perdida, que leva risco a outros países. Na minha modéstia visão, tudo passa pela política e pelo social, num pacto nacional pela vida. Somos carentes de um grande líder estadista que convocasse toda nação a se unir nessa hora, onde os mais poderosos cedessem seus anéis em favor dos mais fracos, em favor da vida.

A solidariedade brasileira tem uma face falsa. Precisamos de um presidente que apele aos três poderes, aos grandes empresários e a todas as instituições no sentido de somar esforços para enfrentar esse vírus. Se estamos num cenário de guerra, como se diz, o Congresso Nacional, as Assembleias e as câmaras de vereadores deveriam cortar metade de seus salários e das verbas indenizatórias dos políticos, para minorar o sofrimento social de milhões que passam fome.

Os poderes judiciário e executivo, onde milhares ganham entre 50 a 100 mil reais por mês, poderiam também fazer o mesmo. Os grandes empresários e as grandes lojas têm lastro suficiente para dar férias remuneradas por pelo menos três meses, contribuindo para o isolamento. Como os banqueiros, já ganharam muito dinheiro nesse país, e seus donos possuem patrimônio e investimentos de sobra para bancar seus empregados, sem demiti-los.

Quem não têm condições são os médios, pequenos e os informais que continuariam funcionando, para não fecharem seus negócios. Isso reduziria, consideravelmente, a massa de gente nas ruas se aglomerando e se contaminando. Os setores essenciais continuariam suas atividades, e o governo federal faria também a sua parte com auxílios emergenciais, sem muito comprometimento fiscal.

No entanto, isso tudo é em vão e são palavras que se perdem no ar, como a minha proposta de não ter realizado eleições no ano passado. Deu no que deu. Por acaso, eles querem ceder alguma parte de seus bens para salvar vidas e colocar a economia do Brasil nos trilhos? Claro que não. São egoístas que colocam o material acima da vida. Eles foram criados nesse capitalismo selvagem onde só os fortes sobrevivem. Falam de solidariedade da boca para fora.

Você já viu grande empresário ou dirigente de entidade empresarial ir para as portas das prefeituras, ou para as ruas protestar contra as medidas de restrição? Quem estão lá na linha de frente são os pequenos e os informais que entram em falência se fecharem suas portas. Vão passar fome se fizerem isso. As grandes lojas e empresas não se abalam, e podem atravessar períodos difíceis.

Não temos um estadista sério, coerente e sensato que fale à nação com firmeza e seja respeitado. Não temos um primeiro-ministro, como o Winston Churchill, da Inglaterra, que uniu toda nação quando esta era diariamente bombardeada pelos alemães, e tantos outros que foram para as trincheiras da resistência.

Todos os dias, somos bombardeados pela Covid-19, e o que temos é um presidente que debocha do vírus, dos brasileiros, chamando-os de maricas; anda sem máscara; promove aglomerações; e nega a ciência. O que temos como resultado disso, é uma total balbúrdia onde idiotas ainda ficam discutindo partidos, se é de direita, de centro ou esquerda. O Brasil não deveria estar passando por esse sufoco, intubado numa UTI.

 

 

AS VACINAS E O GÊNIO PASTEUR QUE REVOLUCIONOU A ARTE DA CURA (Final)

Durante a Idade Média, as epidemias da peste bubônica, varíola, tifo e outras doenças devastaram as grandes cidades da Europa. O primeiro passo para o controle foi o saneamento e a higienização, vindo em seguida a vacinação em massa do povo. Os recursos da medicina ainda eram precários.

As primeiras inoculações de vacinas só vieram acontecer por volta de 1796 pelo inglês ruralista Edward Jenner, o inventor da vacina contra a varíola (pústula), que foi erradicada em 1980, ou seja, 184 anos depois. Ainda estudante, em 1771, Jenner observou que a mulheres que ordenhavam as vacas contraiam a doença, daí a palavra vacina de o latim ser derivada vacca.

LÍQUIDO DAS BOLHAS

Em 1796, o cientista recolheu um líquido das bolhas das mãos das leiteiras e introduziu na pele de um rapaz voluntário que ficou imune à doença. Em 1885, o francês Louis Pasteur, o gênio das vacinas por ter aperfeiçoado outras, em parceria com o patologista alemão Robert Koch, criou a vacina contra a raiva, transmitida ao homem pela mordedura de um animal infectado. Conta que em vida ele frequentava o campo para tratar de doenças de animais e orientar os agricultores de como se proteger delas.

Somente pela metade do século XX se descobriu que as doenças infecciosas eram em decorrência dos germes e não do ar impuro como se pensava, isso graças aos estudos de Pasteur. Através de muitas pesquisas, se concluiu ser possível preparar vacinas através das culturas de microrganismos mortíferos.

Ainda no início do século passado, a partir da década de 20, se assistiu o desenvolvimento de vacinas contra a tuberculose, difteria, tétano, tifo, cólera e a febre amarela. Essas doenças sempre atingiram os países mais pobres dos continentes africano e as Américas do Sul e Central, caso mais específico da poliomielite e do sarampo. Muitas nações ainda não colheram os avanços da ciência nesse campo por descrença na ciência ou por falta de recursos financeiros.

Em 1888, Pierre Paul Émile, colega de Pasteur, demonstrou que é uma toxina produzida pela bactéria da difteria que provoca os sintomas graves. Em 1890/91, Emil Adolf e Kitasato conseguiram criar as antitoxinas contra a difteria e o tétano. A vacina da difteria só veio a ser comercializada em 1892. Esperou-se mais 40 anos até que fosse preparada uma vacina que protegesse as crianças saudáveis.

No final do século XIX e início do XX, era generalizada na Europa e América do Norte a contração da tuberculose durante a infância. A primeira vacina contra a tuberculose só veio em 1906 por Léon Calmette e Camille Guérin, investigadores do Instituto Pasteur, para ser utilizada em gado. Foi aplicada pela primeira vez em crianças, na França, no ano de 1922.

VACINAÇÃO CONTRA A VARÍOLA

Uma das grandes vitórias da ciência foi a vacinação contra a varíola. No século XVIII praticamente todas as crianças contraiam a varíola, com mortandade de cerca de 30% das atingidas. A vacinação só ocorreu em princípios do século XIX na Europa Ocidental. Ela, no entanto, permaneceu endêmica na África e na Ásia, até depois da II Guerra Mundial, tendo a Índia e a Indonésia sofrido surtos maciços.

Na década de 50, a poliomielite era a mais temida. A primeira vacina foi preparada pelo médico Jonas Salk, de Pittsburgh, e utilizada em 1954. Ela continha o vírus da pólio. Três anos depois, o virologista Albert Bruce Sabin deu início à vacinação com o vírus vivo da pólio.

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POR INCOMPETÊNCIA, CONQUISTA É AMEAÇADA DE NÃO RECEBER VACINAS

Num quadro de 334 mortes pela Covid-19 desde o início da pandemia no ano passado, e cerca de 100 casos diários, a Prefeitura de Vitória da Conquista (mais de 300 mil habitantes), através do seu secretário de Administração, Kairan Rocha Figueiredo, continua a contestar o Governo do Estado com relação ao isolamento social, o toque de recolher e o chamado lochdown.

Como se não bastasse essa tamanha insensibilidade do Comitê Gestor de Crise, nesta quarta-feira, o governo estadual cortou a remessa de vacinas para Conquista e outras cidades que não cumpriram a meta de imunizar, pelo menos, 85% das doses recebidas. Segundo o poder público, esse percentual foi logo corrigido (não dá para entender a rapidez), o que torna o município apto a ser beneficiário.

TRANSPARÊNCIA

Uma vergonha que isso aconteça, para não se dizer incompetência na questão de transparência dos dados, visto que também os critérios adotados de vacinação são confusos, deixando pessoas mais prioritárias nas filas de espera. Qualquer pessoa que trabalha numa empresa da área de saúde, mesmo sendo do setor administrativo e almoxarifado, está sendo vacinado.

Ora, se for levar em conta esse critério de profissional, os comerciários que estão mais em contato diário com os consumidores, são mais prioritários e mereciam ser antecipados no processo de imunização. Isso vai também deixando idosos com mais de 60 anos na incerteza de quando vão ser vacinados, visto que os lotes vêm aos “tiquinhos” e ainda existe ameaça de não receber por não ser ágil no acompanhamento das metas.

Esses equívocos da administração municipal, como condenar o isolamento social e outras medidas restritivas adotadas pelo Governo do Estado só têm penalizado os conquistenses. Aliás, com essa posição, a prefeita em exercício também está condenando seu prefeito aliado de Salvador, o qual está trabalhando em sintonia com o governador.

Outro absurdo que continua sendo repetido, é alegar que a maioria dos pacientes internados é de outros municípios da região. É uma atitude xenófoba e até desumana. Além do mais, o sistema do SUS é público e tem o dever de receber outros doentes que não sejam da cidade. A não ser o Esaú Mattos, Conquista não conta com um hospital municipal, como existe em Guanambi e até Brumado. Com sua representatividade política, o prefeito de Guanambi conseguiu implantar mais 30 leitos na cidade. E Conquista? O que vem fazendo para minorar a situação? Está realizando algumas ações de limpeza nos bairros, como se faz em Salvador?

Todas atividades econômicas de Conquista, especialmente comércio e serviços, são sustentadas pela região que abrange cerca de 80 municípios. Portanto, Conquista deve muito a essa gente que vem de fora e deixa seu dinheiro aqui. É mais que justo que esse povo se sirva dos hospitais públicos quando precisa. Falar que a maioria dos pacientes é de fora é até vergonhoso, e uma alegação sem sentido e nexo.

Esse fator é mais um motivo para que a prefeitura adote medidas restritivas para até desafogar a ocupação (mais de 80%) dos hospitais, sobrando mais leitos para os doentes locais e da região. O secretário esqueceu de dizer que o prefeito está há quase três meses internado em São Paulo, no Sírio Libanês. Quem está custeando suas despesas? E os que estão aqui no sufoco, sem ar, esperando uma vaga num leito?

Gostaria de saber o que o secretário e a prefeita em exercício fariam se tivessem um parente de Covid-19 em algum município da região, necessitando de um atendimento urgente de UTI? Cuidado secretário e senhora prefeita com o que falam! Melhor atuar com mais rigor na fiscalização, para manter o distanciamento social, do qual defendem, e atualizar os números da vacinação para que Conquista não passe vergonha.

 

UM BRASIL QUE ESTÁ SEM AR

UM BRASIL QUE ESTÁ SEM AR

Conseguimos o feito mais triste de primeiro país do mundo com mais casos registrados de Covid-19, ultrapassando os Estados Unidos com uma população bem maior. O Brasil está sem ar nas macas das ambulâncias e dos hospitais, pedindo socorro. Para o “chefe da nação”, tudo isso não passa de “mimimi”, “frescura” e choro de “maricas”.

É um país praticamente sem vacinas para imunizar toda sua gente, que precisa respirar sem máscaras e abraçar amigos e parentes. Mesmo diante de todo esse tormento, ainda existem os egoístas fura-filas que se apropriam das poucas doses que deveriam ser destinadas aos prioritários, sem contar a falta de critérios na aplicação dessa fonte de vida.

SOCIEDADE COM A MORTE

É o Brasil das aglomerações que fazem sociedade com a morte. É um país das festas, das baladas e paredões onde pai está matando filho, e filho matando pais, tios e avós. É o pais que optou em abrir as portas dos estabelecimentos comerciais no lugar de salvar vidas.

Sem um comando central e sem ordem, cada um faz o que quer e mente quando diz que segue os protocolos. Para não morrerem de fome, os comerciários vão para a linha de frente, e os empresários ficam em seus escritórios.

Além dessa falta de ar que já matou quase 270 mil brasileiros, é também um Brasil da fome, da desorganização e dos preços da gasolina que só aumentam. É o Brasil do fim da Operação Lava Jato, que de marco histórico no combate à corrupção, transformou-se no maior escândalo judiciário, colocando o juiz Sérgio Moro no banco dos réus para ser preso. Diziam que o país seria outro.  Está tudo de cabeça para baixo.

Descemos do purgatório para o inferno astral, e só acontecem coisas ruins, como a inflação dos alimentos que sobe a cada dia porque quase tudo gira em torno do dólar, e os gananciosos, que sempre mamaram nas tetas do povo, preferem vender seus produtos (carne e grãos, principalmente) para o mercado exterior, para auferir mais lucros. Ainda afirmam que colocam comida em nossas mesas.

É o Brasil do desemprego que só faz crescer, e onde as funerárias nunca venderam tantos caixões em sua história, ao ponto desses artigos fúnebres, que ninguém gostaria de comprar um dia, já está em falta. É um Brasil que está sem ar, sem um líder para guiar seu povo nesse deserto de escassos oásis.

Não gostaria de estar, nesse momento, destilando palavras tão pesadas e duras de sentido negativo e desanimador, mas é uma realidade onde nós mesmo temos grande parcela de culpa por tudo que está ocorrendo. Não sei se uma graça ou castigo, mas nessa idade não desejaria ver o meu Brasil nessas condições onde seus filhos padecem calados, num quadro que só faz piorar.

Nessa situação tão caótica (o termo pode ser forte, mas é isso mesmo), o mundo nos vê como um povo perdido, com duas espadas na cabeça. Uma da doença maldita e outra da fome. É um Brasil que precisa urgentemente de ajuda humanitária por parte das nações mais ricas, pois as instituições que podiam agir para aliviar essa dor, se encastelaram em seus poderes e vivem entre seus muros, confabulando em proveito próprio.

Estou aqui falando de coisas reais e palpáveis, não de abstração e de tramas políticas, ou de incoerências religiosas que não falam a língua de Cristo e de Deus. Que Deus é esse, do qual eles tanto citam na Bíblia? O Deus deles é o que aponta o “pecador”. Para eles, esse Deus se resume a construções, templos e catedrais. Usam uma linguagem que não é a verdadeira. Eles ainda não entenderam a mensagem do seu Senhor.

A PESTE NEGRA, AS VACINAS E OS EMBATES ENTRE A CIÊNCIA E A FÉ (Parte I)

O surto de uma doença no século VI foi o mesmo que atingiu os filisteus no século XI a.C. com tumores pelo corpo.  Na época, disseram ter sido um castigo de Deus por eles terem roubado a Arca da Aliança dos israelitas. Na Roma de 590, do Papa Gregório I, católicos caiam mortos durante a procissão enquanto seguiam o Sumo Pontífice, rogando a Deus para pôr fim a tamanha aflição.

Tudo isso nos indica que a Peste Negra do século XIV (manchas negras pelo corpo) não foi o primeiro surto na Europa que ceifou a vida de milhares e milhões de pessoas. Naquele tempo, a medicina era precária e, praticamente, não existiam higienização, saneamento; viviam-se entre os lixões e os esgotos a céu aberto. A fé e a oração eram maiores apegos, e a Igreja delas se servia até para tirar proveitos materiais dos grandes proprietários de terras.

OS CÉTICOS E A CORRUPÇÃO

Diante da doença, e na esperança de encontrar uma salvação nas rezas, muita gente se voltou para a Igreja, e os mais abastados deram suas propriedades para a instituição. No entanto, haviam os céticos que viram que o clero também morria e passaram a ver a Igreja como corrupta.

A Peste Negra, também conhecida como Bubônica por causa dos bubões, com vômitos, febre e morte, começou por volta de 1347/48 e ainda apareceu nas Américas do Sul e do Norte (Flórida) no início do século XX. Ela se manifestava no corpo humano como pneumônica (transmitida pela tosse) e na forma septicêmica (no sangue) que matava em questão de um dia.

Fala-se muito que essa peste viajou na rota da seda (China), mas era mesmo entre o linho e a lã, por terra em camelos, cavalos e carroças e por mar em barcos. Pelas rotas comerciais, ela começou na Ásia Central pela China, onde uma grande população de ratazanas facilitou a proliferação da doença. Os animais viviam em navios.  Conta a história que em 1347, os tártaros cercaram o porto de Caffa, na Criméia, onde habitavam mercadores italianos.

Para tirar proveito comercial, os bárbaros, chefiados por uma tal de Janibeg, lançaram cadáveres contaminados por cima das muralhas para infeccionar os habitantes. Sem saída, os italianos fugiram às pressas para Gênova, Messina e Veneza. Como era de se esperar, essas cidades foram logo contaminadas pela peste proveniente das pulgas das ratazanas.

No século XIII, toda a Europa experimentava um grande crescimento econômico. Os agricultores, por exemplo, produziam colheitas abundantes. Com isso, houve um aumento da população urbana, com cidades entre 10 a 100 mil pessoas que viviam aglomeradas, sem maiores problemas sociais. No entanto, ao lado das catedrais, existiam os casebres miseráveis convivendo entre esgotos e lixos, locais ideais para os ratos e as pulgas.

Somente em 1348 (naquela época os meios de comunicação de transporte eram demorados), a doença chegou a Paris, na Península Ibérica e na região do Volga. No ano seguinte, entrou em Londres através dos barcos (locais de muitos ratos) de vinho. Daí passou para a Escócia e assolou toda Escandinávia, em 1350.

De 1300 a 1600, a fome, a guerra e a peste foram os maiores flagelos da Europa, com visões apocalípticas, retratadas em “O Triunfo da Morte” por Bruegel. Os sintomas eram mesmo de terror, como descrevia o poeta galês Gethih, “vemos a morte caminhar para nós como fumaça negra”, a respeito do crescimento do bubão. Segundo ele, “tem a forma de uma maçã, como a cabeça de uma cebola… grande é a sua ardência, como uma brasa que queima”.

NINGUÉM ESTAVA A SALVO E OS FLAGELANTES

Como na Covid-19, que já matou mais de 266 mil brasileiros, ninguém estava a salvo (pobres, ricos, homens, mulheres, brancos e negros eram suas vítimas fatais). Metade dos 90 mil habitantes de Florença morreram. Da Europa de cerca de 70 milhões de pessoas, mais de 25 milhões se foram.

Os coveiros, mesmo sabendo dos perigos, enterravam os mortos em troca de pagamentos. Os laços de sentimentos que uniam a sociedade foram se desfazendo, e muitos se juntaram a grupos austeros de ódio e intolerância, como nos dias de hoje no Brasil.

Outros negacionistas se entregavam à devassidão e às orgias como válvula de escape das angústias. Pais abandonavam filhos, e as aldeias nos campos foram devastadas e abandonadas. Em meio a todo aquele caos, surgiu o bizarro movimento dos flagelantes. Eles se açoitavam três vezes por dia durante 33 dias que era a idade de Cristo. Em procissões de até mil flagelantes, centenas morriam dos altos ferimentos pelo caminho.

Aos moldes atuais do nosso país, as cidades publicavam leis para controlar o comércio, mas quando os dirigentes adoeciam ou se iam, ficava impossível manter a ordem e evitar as aglomerações. Muitas obras tiveram que parar suas atividades, como a Catedral de Siena, que ficou inacabada.

Com a peste, a Ordem dos Franciscanos perdeu 125 mil membros. Um monge de um mosteiro teve que enterrar todos seus irmãos de congregação e, no final, sobraram somente ele e o cão. O continente europeu entrou em ruínas, e um em cada três faleciam. Veneza perdeu três quartos da sua população, e a Inglaterra um milhão dos seus 4,5 milhões.

ISOLAMENTO

Como forma dura de distanciamento, um marroquino de nome Ibu Abu Madyan foi o primeiro em seu país a se isolar em sua casa. Quando existiam doentes numa residência, as pessoas de fora emparedavam janelas e portas com tábuas e pregos, como ocorreu em Milão. Os doentes morriam no interior, sem nenhuma ajuda.

Com isso, descobriram as vantagens do isolamento social. Em 1374, Veneza baniu os viajantes. Em 1382, os navios ficavam em quarentena em Marselha. As medidas permitiram um controle parcial, uma vez que as ratazanas e as pulgas não foram combatidas. A peste de 1347 a 1352 tornou-se endêmica no século XVIII.

Em 1362 outro surto dizimou crianças e adolescentes, e recebeu o nome de “Peste das Crianças” No século XV ela reapareceu em Portugal onde D. Duarte foi uma das vítimas. Em 1569, a peste matou 600 num só dia, e mais de 60 mil no ano. O Egito, a Índia e a China sofreram duras perdas durante o século XIX. Na década de 1890, a bactéria chegou até a América do Sul, proveniente da China. Na Flórida houve outro surto no ano de 1922.

A MEDICINA

A situação só foi controlada através dos calçamentos das ruas nas cidades e serviços de saneamento, que serviram para manter os ratos e as pulgas distantes dos humanos. Também, a medicina e a desinfecção tornaram-se mais eficientes, derrubando a doença aos poucos.

Naquela época, não se sabia as causas e como a peste se propagava. Os médicos não tinham prevenção e a cura. Muitos acreditavam que a propagação era pelo ar, no que não estava errado no caso da pneumática. Foi aí que se atentou para o isolamento como solução.

Para tratar dos doentes, os médicos usavam caixas com substâncias aromáticas, com um vestuário protetor e máscara em forma de bicos cheios de especiarias para purificar o ar. Com uma tocha de fumigação, cauterizava os bubões, mantendo uma certa distância dos pacientes. Não era nada fácil excluir as pulgas

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