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A FORÇA DA RESISTÊNCIA CONTRA O RETROCESSO NA FESTA LITERÁRIA DE JEQUIÉ

Mesmo com algumas mesas de plateias vazias, como na de sábado, no final da tarde, em “Um dedo de prosa, poesia e lançamento de livros”, mediada pela professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb e coordenadora do Páginas Formando Leitores, Marvione Borges, onde contou com a participação de menos de dez pessoas, a palavra resistência contra a política de retrocesso do governo federal na área cultural foi a marca de força durante a IV Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié (Felisquié).

O evento, cujo curador foi o escritor Domingos Ailton, autor do livro “Anésia Cuaçú”, foi aberto no dia 28 de novembro e encerrado em 1º de dezembro com mesa redonda “Devir e Ancestralidade em Poéticas Negras”, tendo como palestrante o escritor Jocevaldo Santiago e mediação da professora Karla Carvalho. No mesmo dia, pela manhã, foi ainda desenvolvido o tema “Leituras no Cárcere”, com a professora da Uneb, Kátia Barbosa. O jornalista, poeta e escritor jequieense Wilson Novaes foi o homenageado.

Escritores regionais e poucos recursos

Os escritores regionais que se deslocaram até Jequié para apresentação de suas obras e a venda das mesmas ficaram frustrados com a pouca procura, já que só tiveram a cobertura da hospedagem e alimentação, tendo que arcar com o transporte e não tiveram um cachê para cobrir os custos. O organizador Ailton justificou que teve recursos limitados da Secretaria de Educação do Estado e da Uesb, por isso não teve condições de contemplar os artistas regionais.

Neste momento atual, quando o problema é grave em se tratando de recursos para financiar a cultura, que virou inimiga do Estado, os escritores regionais são a parte mais sacrificada da história pela falta de maior visibilidade e porque não dispõem de recursos para bancar suas despesas e participar dessas feiras literárias. Por estes motivos, muitos, que gostariam de estar presentes, terminam por desistir de viajar e ficando de fora.

Esses novos talentos regionais da arte literária precisam de mais espaço e serem melhor tratados pelos curadores, mesmo diante da escassez de recursos. Tenho observado que estes eventos, ainda realizados por algumas cidades do Brasil e da Bahia, têm sido muito elitizados e fechados para autores famosos e mais conhecidos. Os curadores precisam dar mais espaço para os regionais, mesmo diante das dificuldades de se conseguir apoio de patrocinadores do setor público, tendo em vista que o empresário praticamente não ajuda a cultura neste país.

Outro problema é o esvaziamento do público local. Em Jequié, por exemplo, os participantes são, na maioria, parentes (pai, mãe, avós, tios) ou amigos mais próximos dos palestrante e escritores convidado. Quando termina aquela mesa, todos pegam suas pastas e bolsas e vão embora, ficando apenas os organizadores e alguns minguados interessados para quem é de fora da cidade.

Vazios nos debates

Alguns debates ficaram vazios na Festa de Jequié, o que demonstra a falta de interesse pela cultura, que pede socorro em estado terminal, numa clara contradição quando se fala em resistência contra o retrocesso no país. Ainda tem gente que critica quando uma mesa de discussão foca na questão da resistência, como foi a formada na sexta-feira, 29 de novembro, em “Um Dedo de Prosa, Poesia e Lançamento de Livros”.

Participaram desta mesa, mediada pela professora Ana Fagundes Marcelo, os escritores Carvalho Neto, com o livro “Plástico Bolha”, Marcio Nery, com a obra “O Assassino dos Números”, Luís Rogério Cosme, escritor de “Democracia Golpeada”, Dirlei Bonfim, poeta, compositor e professor, com “Alquimia das Palavras”, Sandro Suçuarana, poeta de “Diferencial da Favela – dos contos as poesias de quebrada”, poeta e escritor Antônio Ribeiro e o jornalista, escritor e poeta Jeremias Macário, com seus livros “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo”, “Uma Conquista Cassada” e seu último “Andanças”.

A Festa Literária de Jequié também contou com a presença do músico, poeta e compositor Walter Lajes, na companhia de Macário, que não teve a oportunidade de apresentar suas cantorias musicais por falta de espaço apropriado. O evento teve uma grande variedade de temas, como “Leitura na América Latina”, com a historiadora Maria Teresa Toríbio, “Leitura e Mídias Sociais”, com vários palestrantes, “Literatura de Autoria Feminina”, com a professora Adriana Abreu, dentre outros.

Walter Lajes (direita), Domingos Ailton e a família Cuaçús Fotos de Jeremias Macário

No sábado, dia 30, pela manhã, houve o encontro da família dos “Cuaçus”, tendo como maior representante Vírginia Fernandes, com a mesa de comentários do escritor Domingos Ailton, mediada pela jornalista e cineasta Carolini Assis, que falou sobre literatura e cinema. Ela está à frente da produção cinematográfica do livro “Anésia Cuaçú”.

Ainda no sábado houve uma mesa redonda sobre “Irmã Dulce, a santa dos pobres”, tendo como palestrantes Graciliano Rocha, escritor e jornalista, frei João Paulo, representante das obras de Irmã Dulce. A mesa foi mediada pelo escritor Domingos Ailton e ainda teve o lançamento do livro “Irmã Dulce, a Santa dos Pobres”, de Graciliano Rocha. Aconteceu também Um Dedo de Prosa e Lançamento de Livros, com Valdeck Almeida de Jesus, com “Garoto de Programa: 5000 tons de sexo”, Rosana Viana Jovelino, com “Patuá”. O debate, que contou com a presença de cerca de dez pessoas na plateia, foi mediado pela professora Marvione Borges.

 

 

SESSÃO INÉDITA FALA DO “NOVEMBRO AZUL”

Por indicação do presidente da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, Luciano Gomes, o legislativo realizou, ontem (dia 27/11) uma sessão especial inédita para discutir o “Novembro Azul”, mês dedicado aos cuidados da saúde do homem, particularmente referente ao câncer de próstata.

Além do público em geral, a maioria masculina, fez parte da mesa um grupo de profissionais especializados no tratamento da próstata, como oncologistas, fisioterapeuta e representantes da Secretaria de Saúde do Município, que passou informações básicas de como o homem deve detectar cedo a doença, que hoje tem cura acima de 95% quando tratada precocemente.

Recomendações

Exercícios físicos, alimentação saudável e o não uso do tabagismo são recomendações essenciais, de acordo com os palestrantes da área de saúde, mas o homem, acima dos 40 anos, precisa fazer o seu exame anual, principalmente através do toque retal, que muitos ainda têm o preconceito de realizar, nem tanto como antigamente.

Feito o diagnóstico da doença, o paciente deve logo começar o tratamento, com o uso da quimioterapia e da radioterapia, ou de uma cirurgia, dependendo de cada caso, conforme orientam os médicos especialistas no assunto.

É também importante a participação de um fisioterapeuta, antes e no pós-operatório, para evitar que o paciente tenha sequelas de impotência sexual e incontinência urinária. A Secretaria de Saúde, conforme informou uma representante da pasta, está prestando todos serviços necessários para que os homens sejam atendidos e façam todos exames, inclusive o tratamento, quando for o caso.

 

 

RETROCESSO, DISCURSO ANACRÔNICO E UM BRASIL MEDÍOCRE E SONOLENTO

Não à cultura e viva o besteirol e à mediocridade no país onde os brasileiros estão mais preocupados com o acesso à internet do que com o acesso à educação e à justiça social.

No início e durante a ditadura civil-militar de 1964 (negada pelo capitão destruidor da pátria), o alvo das manifestações era a repressão contra o regime militar do “Abaixo a Ditadura”. Mais de 50 anos depois vivemos o Brasil da regressão, com ideias nazifascistas.  Do outro lado, escutamos um discurso arcaico de um líder que se diz ferrenho opositor, cujo símbolo virou ideologia, direcionado a uma população combalida e sonolenta que fala baixo e manso diante das agressões do dedo em riste de um facínora.

Entramos na era das nuvens pesadas do “Bozula”, do cara ou coroa. Um da criminalização dos defensores dos direitos humanos, do livre abate pelo fuzil do soldado com autorização para matar e da depredação do meio ambiente. Com sua tropa que desaprendeu tomar a “cachacinha”, um Lula que sai da prisão injetando mais raiva nos extremistas “canalhas” que só pregam pátria, família e tradição. A esquerda que se deslumbrou com o luxo da burguesia tem uma grande parcela de culpa por esse ciclo funesto e incerto que nos ameaça com um AI-5 do fecha o legislativo, prende, tortura e mata.

O barulho dos vizinhos

Todo este caldeirão contraditório vive em ebulição, justamente num Brasil sonolento, dominado pela imbecilidade das redes sociais. O povo dividido nem consegue ouvir a turbulência e o barulho ensurdecedor de seus vizinhos que lutam por mudanças e melhorias de vida, numa corajosa batalha entre fumaças, tiros e cacetadas contra as heranças malditas das desigualdades sociais que deixaram ao longo da história dos povos latinos uma multidão de miseráveis, vagando sem rumo.

Não vou rezar, nem pedir ao Supremo Todo Poderoso que acorde este gigante adormecido, ou que nos una numa terceira saída para escorraçar a volta das trevas e do obscurantismo da Idade Média. O velho discurso falastrão incita ainda mais e nos separa da direção por um país ideal de pensamento iluminista. Confesso que me sinto atordoado com tantos ruídos e vozes roucas berrando em meu ouvido. Todos eles falam em reformas do atraso. mas não fazem a reforma política deles de cortar suas benesses e mordomias.

Temos um Congresso Nacional mais reacionário de todos os tempos, e um Brasil que está virando uma Venezuela ao contrário, descambando para o autoritarismo através do cerco moralista em nome da família contra os homossexuais, contra a mulher (aumento das agressões e do feminicídio), do racismo, da depredação ao meio ambiente e da intolerância religiosa. Há quase um ano a educação não tem um plano de atuação e simplesmente deixou de existir, conforme constatou uma comissão da Câmara. O nome do ministro é impronunciável.

Mamando nas tetas do povo

O Congresso destampou a panela dos recalcados e frustrados onde um deputado vandalizou uma exposição contra o racismo. Outro falou em “negrinhos bandidinhos”. Existe lá dentro o que há de pior na pior extrema-direita, com o discurso das armas assassinas contra os pobres e negros. Os políticos de todos os naipes, inclusive os ditos de esquerda, que hoje só tomam uísque 20 anos e vinho da região de Bordeaux, de 10 e 20 mil reais, continuam mamando nas tetas do povo, e viram o diabo se alguém falar de reforma política para cortar verbas, o número de parlamentares ou suprimir o Senado, mas estão prontos para acabar com municípios pequenos.

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A LAVAGEM DE UMA TOGA E O CULTO DE UM PASTOR NA CÂMARA

Em meio às discussões sobre os projetos de criação de uma guarda municipal e o do pedido de empréstimo de 60 milhões de reais pelo prefeito Hérzem Gusmão para realização de obras em Vitória da Conquista, além de manifestações de apoio ao Flamengo na Libertadores e o culto de um pastor evangélico, o vereador David Salomão roubou a cena na sessão de ontem (dia 22) da Câmara, quando, com uma bacia e um pacote de sabão em pó encenou a lavagem de uma toga judicial, tendo como alvo o Tribunal de Justiça da Bahia, cujos desembargadores e juízes estão sendo acusados da venda de sentenças.

Deu de tudo, ontem, no legislativo, mas o momento que mais chamou a atenção do auditório lotado foi quando o parlamentar, vestido de toga engrossou seu discurso para fazer duras críticas ao comportamento suspeito dos juízes baianos que estão sendo investigados, aumentando o tom de que o judiciário é uma “ditadura e uma carniça”, e que não teme represálias por parte da categoria.

Disse já saber do que já vinha acontecendo no Tribunal da Bahia, referindo-se à venda de sentenças. Ao final de sua fala, jogou a toga na bacia e abriu o pacote de sabão, fazendo menção de lavar a vestimenta. Só faltou a água para completar a sua ação de revolta contra os juízes. Durante seus questionamentos sobre a seriedade do judiciário, com críticas veladas, Salomão foi aplaudido pela plateia, onde os presentes geralmente têm baixo comportamento nas sessões da Câmara, como se estivessem numa feira.

Guarda municipal e empréstimo

Com a presença de agentes de segurança patrimonial da prefeitura, a maioria dos vereadores se mostrou favoráveis à criação de uma guarda municipal, lembrando de ter sido uma promessa de campanha do atual prefeito. O projeto ficou para ser lido, discutido e votado em sessões posteriores.

No final dos trabalhos, a solicitação de empréstimo do poder executivo foi votada favorável, com voto contrário de David Salomão. Muitos têm criticado o projeto por considerar que vai endividar mais ainda o município. Correm ainda conversas nos bastidores do “toma lá dá cá” entre o legislativo e o executivo onde vereadores estão se beneficiando com o recebimento de cargos e emendas para obras e serviços indicados.

Também participaram da sessão monitores e diretores de creches filantrópicas conveniadas, para contestar a intenção da Secretaria da Educação de fazer valer o processo de eleições para escolha de seus dirigentes. Para uma diretora, isso ignifica uma intervenção, visto que a prefeitura só ajuda essas creches com doação de funcionários públicos.

Homenagens e culto

Na ocasião, muitos foram homenageados com moções de aplausos, como o músico, cantor, poeta e compositor Walter Lajes pelo seu trabalho de apresentações em vários festivais pelo Brasil, inclusive com premiações. Walter recebeu a moção através da indicação do vereador Valdemir Dias.

O parlamentar Coriolano Moraes foi o aniversariante do dia e recebeu como presente um culto de oração, feito por um pastor evangélico, que também foi homenageado pelo vereador com uma moção de aplauso pelo seu trabalho de evangelização. Em suas falas, muitos parlamentares expressaram sua torcida a favor do Flamengo na final da Libertadores, em Lima, no Peru.

Um boiadeiro também recebeu sua moção e, para agradecer, tocou seu berrante e fez um repente na forma de uma narração de rodeio. Uma turma de patinadores também foi incluída na programação das homenagens de moções de aplausos. Entre seriedade e críticas, a sessão de ontem até que foi bem divertida, mas David Salomão foi o personagem princip

A VOLTA DO FUTEBOL APÓS 290 DIAS

Carlos Albán González – jornalista

O Estádio Lomanto Júnior está fechado  há sete meses e 20 dias e só abrirá seus portões em 15 de janeiro, data do início do Campeonato Baiano de 2020. O Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista, que “hibernou” seu futebol profissional em 1º de abril passado,  estreará em casa, às 20h30, diante da Jacuipense. Sob nova gestão (depois de 16 anos na presidência, o conquistense Ednaldo Rodrigues passou o cargo a Ricardo Lima), a FBF colocou sob a responsabilidade dos clubes uma série de atribuições.

A boa notícia para o Conquista neste final de ano, um autêntico presente de Natal, foi divulgada pela CBF para os 64 clubes que vão participar em 2020 da série “D” do Campeonato Brasileiro. O alviverde baiano, que ganhou de “mão beijada” a vaga, diante do cancelamento da Copa Governador do Estado de 2018,  fará, pelo menos, 14 partidas, a partir de 3 de maio. A final do torneio está marcada para 22 de novembro.

Atletas que têm participado da série “D” levaram o seu protesto à CBF. Mostraram aos dirigentes que o pouco tempo de disputa do torneio era determinante para o aumento do contingente de desempregados entre eles. Os clubes não tinham condições financeiras de mantê-los em atividade, além de que, o calendário da entidade nacional só beneficia os filiados das séries “A” e “B”.

Embora a FBF tenha programado cinco jogos do Vitória da Conquista para o “Lomantão” e quatro longe de casa, a tabela, analisada pelo lado financeiro, não “enche os olhos”. A partida contra o Bahia, que, sem dúvida, atrai um público maior, está marcada para Salvador; os dois Vitória vão se encontrar às 21h45 de uma quarta-feira em Conquista; o Doce Mel, campeão da 2ª Divisão, atração e caçula do futebol do estado, recebe o time conquistense, no Estádio Pedro Caetano, em Ipiaú, a 208 kms de Conquista.

A tabela da fase preliminar para o E.C. Primeiro Passo Vitória da Conquista, em turno único, é a seguinte:

Dia 15/01 – 20h30 – Jacuipense (Lomantão)

Dia 19/01 – 16 hs. – Bahia (Salvador)

Dia 22/01 – 20,30 – Atlético (Alagoinhas)

Dia 29/01 – 21h45 – Vitória (Lomantão)

Dia 09/02 – 16 hs. – Bahia de Feira (Lomantão)

Dia 01/03 – 16 hs. – Doce Mel (Ipiaú)

Dia 08/03 – 16 hs. – Fluminense (Lomantão)

Dia 25/03 – 20h30 – Juazeirense (Juazeiro)

Dia 29/03 – 16 hs. – Jacobina (Lomantão).

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CÂMARA LEMBRA DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Na sessão passada da Câmara de Vereadores, da última quarta-feira (dia 13/11), o parlamentar David Salomão fez sérias acusações ao presidente da Casa, Luciano Gomes, sobre supostos desvios de dinheiro do seu gabinete, usando palavras pesadas de “ladrão”, durante a votação do empréstimo de 60 milhões de reais pedido pela Prefeitura Municipal, assunto que ainda rola nos bastidores do legislativo.

Na sessão mista de ontem (dia 20/11), em clima mais ameno, foi comemorado o “Dia da Consciência Negra”, com apresentação musical de uma banda que falava da liberdade da cultura afrodescendente. Mesmo assim, muitos ainda comentavam o bate-boca da reunião passada, e o que deve acontecer com o vereador e o presidente da Câmara.

Na abertura dos trabalhos de ontem foi apresentado um vídeo onde mostrou vários termos que denotam o racismo no Brasil, como a frase “Negro de Alma Branca”. Logo depois foi formada a mesa da sessão mista, e falou a vereadora Nildma Ribeiro, que pediu mais respeito aos negros, fazendo um apelo para que as pessoas parem com a intolerância, inclusive a religiosa

O sistema de cotas

O professor Reginaldo Santos Pereira, pró-reitor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, fez questão de mostrar o papel da instituição de ensino superior no sentido de reduzir o preconceito desde 2008, quando passou a adotar o sistema de cotas, colocando 50% das vagas do vestibular para os negros, indígenas e deficientes.

Reginaldo destacou que hoje 70% dos alunos que frequentam a universidade são oriundos das escolas públicas, e que hoje a Uesb já possui cursos de pós-graduação para discutir culturas africanas. Também o professor da Uesb, Roque Mendes Prado, fez parte da mesa comemorativa dizendo que a desigualdade social é o fator de maior prejuízo para a etnia negra, e que o estudo e a formação escolar são maiores instrumentos de distribuição de renda.

Eliene Santos Novais lembrou que em 2017 foi feita uma carta à Câmara solicitando a instituição, em Vitória da Conquista, do Dia da Liberdade Religiosa. No ano passado foi feito outro pedido de certificação das localidades dos centros de candomblé, e completou que nada disso foi atendido até hoje. Afirmou ser quilombola, e que os negros ainda incomodam. De acordo com ela, sabemos dos nossos direitos e “vamos continuar lutando por eles”.

Alberto Gonçalves ressaltou que todos os anos os discursos são os mesmos, mas que nada muda, permanecendo o preconceito. “Vamos sempre continuar na mesma discussão de todos os anos”? – indagou aos presentes à sessão comemorativa do Dia da Consciência Negra. Assinalou que muita gente tem receio de visitar uma comunidade quilombola.

O coordenador da Igualdade Social do Município, Roberto Silva, afirmou que o Dia é de luta, acrescentando que o poder executivo atual vem realizando diversas ações no sentido de combater o racismo e proporcionar mais direitos aos negros. Conclamou a todos a comparecer à programação, nesta quinta-feira, na Praça 9 de Novembro, para marcar o Dia da Consciência Negra, com rodas de capoeira, penteados de cabelos e outras atividades.

O vereador Cícero Custódio usou a palavra para pedir mais união e resistência aos negros. Assinalou que em toda sua vida foi discriminado como negro e deficiente físico. No entanto, disse que atualmente existem negros em todas as universidades. “Somos hoje uma população vencedora”.

Seu colega Jorge Bezerra saudou os agentes municipais de segurança patrimonial que também participaram da sessão, e prestou sua homenagem à comunidade negra. “Todos os cidadãos devem ser tratados com dignidade”. Também o parlamentar Waldemir Dias lembrou dos agentes de segurança e citou que mais da metade das universidades públicas estão sendo ocupadas por negros e pardos.  Fez um apelo para que o legislativo institua uma política de combate ao racismo.

Outros vereadores como Bibia, Danilo Kiribamba e Luis Carlos “Dudé” também discursaram em comemoração ao Dia da Consciência Negra. Bibia recordou que muitos trabalharam nas lavouras de cacau e nos canaviais para enriquecer os ricos. Dudè fez um pronunciamento inflamado e aplaudido, afirmando que somente aqueles que vieram lá da ponta sabem o quanto sofreram e ainda sofrem com o racismo e o preconceito.

UM PASSO À FRENTE E DOIS PARA TRÁS

Pela passagem dos 30 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança, da Organização das Nações Unidas, o Brasil tem um motivo para comemorar a redução da mortalidade infantil, mas, ao mesmo tempo, pouco a celebrar por causa da violência com mortes contra as crianças e os adolescentes. Como num quadro de um antigo programa humorístico da televisão brasileira, o país dá um passo à frente e dois para trás.

Na verdade, em nosso Brasil é o sistema brutal da repressão e da corrupção quem precisa ser curado. De um lado, conseguiu-se reduzir o alto índice de mortalidade infantil, mas, de outro lado, elevou-se a quantidade de mortes em razão do tráfico de drogas nas periferias das médias e grandes cidades e, também, em virtude da violência policial. Tudo isso tem uma causa maior que é a crescente e profunda desigualdade social.

A Convenção sobre os Direitos da Criança faz parte do tratado dos Direitos Humanos, adotada por 196 países, e inspira o Artigo 227 da Constituição Federal e o Estado da Criança e do Adolescente, criado em 1990, os quais não são respeitados.

PRIVAÇÕES

Houve até uma diminuição do analfabetismo e mais inclusão de vulneráveis, mas quase a metade dos 60 milhões de crianças sofre privações de um dos direitos, como acesso à água, saneamento, moradia, educação e proteção contra o trabalho infantil. De acordo com o relatório da ONU, as crianças no Brasil de até cinco anos respondem por 40% das desassistidas.

No grupo entre seis a dez anos, o percentual sobe para 45%. Chega a 58% quando se trata de 11 a 13 anos e a 60% no caso dos adolescentes de 14 a 17 anos. Como, infelizmente, estamos num governo de retrocesso, onde o mandatário da nação tira foto com uma criança de arma na mão e incentiva a repressão militar, as perspectivas não são nada boas.

Só reverteremos este processo quando estas leis, o tratado da Convenção, o Estatuto e a Carga Magna forem respeitados e, para tanto, tem que haver governos que se preocupem com o social, adotando políticas sérias e sem corrupção nas áreas da educação, do saneamento, na distribuição de renda e na inclusão de todos. Fora isso, sempre vamos dar um passo à frente e dois para trás. Vamos continuar sendo uma piada.

O CESOL TAMBÉM FAZ CULTURA

Não vivemos só de economia, empreendedorismo e finanças. Cultura também é essencial para a mente e a alma humana. Pensando nisso, o Cesol de Vitória da Conquista (Centro Público de Economia Solidária da Bahia) diversificou suas atividades e realizou, ontem, (dia 14/11-quinta-feira), um sarau cultural que reuniu um grupo de artistas, escritores e estudantes em sua sede, na rua Santos Dumont, no bairro São Vicente, culminando com o lançamento do livro “Anésia Cuaçú, de autoria do professor jequieense Domingos Ailton.

Foi um final de tarde prazeroso e descontraído, com o acompanhamento musical do violeiro, cantor e compositor Walter Lajes que interpretou várias canções que falam do nosso povo do agreste sertanejo, como “Retrato Falado do Sertão” (melhor interprete num festival de São Paulo) e “Na Espera da Graça”, uma composição em parceria com o jornalista Jeremias Macário, que também discorreu sobre suas obras como escritor e declamou o poema “Senhora Parteira”, de sua autoria.

Na eliminação dos atravessadores

Entre os produtos artesanais expostos na loja do Cesol, o pessoal foi se achegando para ouvir também as palavras do coordenador geral do órgão em Conquista (abrange 25 cidades da região), Andrersom Ribeiro, do coordenador de Articulação Política, André Lúcio Alves, que abriu os trabalhos, e do autor do livro Domingos Ailton. Estiveram presentes também o presidente do Instituto Casa da Cidadania, Moisés Andrade, Tiago Santos Ribeiro, técnico do Cesol Região Sudoeste e demais convidados.

Andresom falou da importância do Cesol como agente da economia solidária, o qual atua na área da comercialização direta dos produtos feitos por associações de artesões, eliminando a ação dos atravessadores que adquirem os objetos por preços bem baixos para revender no mercado por um valor bem maior. André Lúcio acrescentou que o Cesol também é cultura e pretende ajudar os artistas locais através de encontros dessa natureza, como o realizado com sucesso na última quinta-feira (dia 14/11).

“Anésia Cuaçú”

O escritor Aílton fez uma explanação detalhada sobre seu livro “Anésia Cuaçú, que foi uma das obras indicadas para o vestibular 2020 da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb. Disse que se sentia muito prestigiado por ser um escritor regional incluído na lista de outros escritores considerados os cânones da literatura brasileira.

O livro trata de uma mulher da região de Jequié (Maracás) chamada Anésia Cuaçú, que entrou para o cangaço no começo do século passado e se tornou a líder de um bando. De acordo com o autor, Anésia foi a primeira mulher no Nordeste e no Brasil a liderar um grupo de cangaceiros, bem antes da turma de Lampião e Maria Bonita.

Foi também uma mulher valente e avançada para o seu tempo, por volta de 1915/16, sendo a primeira a vestir calças e a montar no cavalo como homem. (as mulheres montavam de lado). Era exímia na pontaria com sua arma, considerada uma figura mística e temida por todos na região. Na ausência da justiça, ela e seus seguidores procuravam fazer a justiça com as próprias mãos.

Para combater estes cangaceiros, o Governo do Estado da época (1916) mandou para Jequié três expedições de soldados que foram derrotados, mas aproveitaram a ocasião para fazer atrocidades e aterrorizar a população. Nesse aspecto, Ailton fez um paralelo com a Guerra de Canudos que terminou no final do século XIX, quando o povo de Antônio Conselheiro foi massacrado.

Jornal A Tarde e a Felisquié

Ainda em sua descrição sobre a obra, Domingos citou a importância do jornal A Tarde que mandou para Jequié um repórter e um fotografo para registrar historicamente os acontecimentos em sua viva realidade, inclusive com uma entrevista com a líder Anésia. Com a perseguição dos soldados, o grupo da família Cuaçú se dispersou para outros estados, inclusive norte de Minas Gerais.

Agora, na IV Edição da Felisquié (Feira do Livro), de 28 de novembro a 1º de dezembro, o escritor Ailton vai trazer membros dos Cuaçus para serem homenageados e contar a história de seus antepassados. O evento vai ter também as presenças da atriz Ana Cecília, da cineasta Carolina Assis e da escritora Cristina Serra, entre outros escritores, intelectuais e artistas.

Depois do evento cultural, realizado na sede do Cesol, cinco livros de “Anésia Cuaçu” foram sorteados para estudantes que participaram das atividades culturais e vão fazer o vestibular da Uesb. Os dirigentes do Cesol de Conquista, que reúne associações e artesãos de 25 cidades, prometeram realizar outros encontros culturais de saraus com artistas para exporem seus trabalhos no órgão de economia solidária.

EX-VEREADOR PEDE GUARDA MIRIM

Da Tribuna Livre da Câmara Municipal de Vereadores, na sessão do dia 13/11(quarta-feira), o ex-vereador Absolom pediu ao poder público a criação da guarda mirim, um projeto que ele insistiu em constituir quando assumia uma cadeira no legislativo conquistense na década de 1990. Ele também falou da importância da instalação do gabinete de gestão integrada na área da segurança pública, como já existem em outras cidades.

Em sua fala, Absolom criticou o uso de armas pelos militares nos colégios e quando estão fazendo rondas nas escolas. Considerou essa prática como absurda e de desrespeito aos jovens estudantes. Ele destacou a necessidade  de se ter em Conquista, uma cidade na lista entre as mais violentas no Brasil, um conselho democrático de segurança pública, em constante diálogo com a comunidade, visando a redução da criminalidade no município.

Igualdade no atendimento

Um representante do povoado da Estiva pediu apoio aos parlamentares junto à prefeitura, para o recapeamento das estradas na zona rural. Como primeiro a se pronunciar na sessão, o vereador Álvaro Phiton fez um apelo ao secretário de Esportes e Cultura para que seja agilizada a reforma do campo do Alto do Panorama e das quadras de esportes nos bairros vizinhos. Na ocasião, se dirigiu aos colegas para que votem o pedido de empréstimo de 60 milhões de reais que o prefeito está fazendo à Caixa Econômica para a realização de serviços nos bairros periféricos da cidade.

O vereador Rodrigo Moreira criticou a prioridade que o poder público atual concede aos servidores no atendimento dos serviços públicos, especialmente no segmento da saúde. Ressaltou que deve haver equidade no atendimento, e que todos sejam iguais. “Não existe razão para que um funcionário público tenha preferência no atendimento”. Na oportunidade, mandou um recado ao prefeito para que sejam construídos no município um hospital da criança e outro da mulher, como já existem em algumas cidades da Bahia.

O projeto de substituição das mangueiras pretas por transparentes nos postos de combustíveis, para que o consumidor veja a qualidade da gasolina, principalmente, foi objeto de comentário do parlamentar Sidney Oliveira, autor da proposta. Já Coriolano Moraes, do PT, voltou a criticar a falta de regulamentação do transporte alternativo das vans na cidade, dizendo que a clandestinidade nesse tipo de serviço só tem aumentado, prejudicando as empresas de ônibus.

Coriolano pediu a criação da guarda municipal, objeto de promessa de campanha do prefeito Hérzem Gusmão, e que até agora não foi cumprido. Falou também da falência da Viação Vitória que, passado quase um ano do seu fechamento, ainda não indenizou os funcionários, arrematando que o sistema de transporte coletivo do Conquista caminha para a falência.

POR UMA POLÍTICA CULTURAL PARA VITÓRIA DA CONQUISTA

Entra governo e sai governo (não importa aqui se de esquerda ou de direita) e nada de se criar uma política cultural para o município de Vitória da Conquista, apenas um faz de conta de uma Secretaria esvaziada sem orçamento que apenas realiza um São João e um Natal, e isto com um arranjo de recursos de outras pastas, ou uma verba extra da prefeitura. Os criadores, intelectuais e artistas ficam a ver navios, dependendo de iniciativas próprias, com muita luta e sacrifício.

É uma vergonha para a terceira maior cidade da Bahia, com cerca de 350 mil habitantes, e que completou, no último dia 9 de novembro, 179 anos de emancipação política (questionável a data). Uma vergonha para Conquista com tantos nomes de reconhecimento nacional e internacional em várias linguagens artísticas, e que ainda acumula em seu seio tantos talentos adormecidos sem apoio na literatura, na música, nas artes plástica, no teatro, no cinema e na dança.

Fotos de José Silva

FALTA DE UM EQUIPAMENTO

Aqui, para alguém fazer uma obra intelectual tem que sair mendigando. Se o poder público pouco tem dado importância à nossa cultura, imagina agora o setor privado, cujos empresários só pensam no lucro imediato em seus negócios e acham que investir em cultura é jogar dinheiro fora. Se uma pessoa apresenta um projeto ou oferece um produto, logo aparece alguém com a revoltante resposta de que vai dar alguma coisa, só para ajudar, como se ele também não estivesse se beneficiando. É também vergonhoso e desanimador ouvir isso.

Outro problema em Conquista é a falta de um equipamento à altura, como um Centro Multicultural, para realização de grandes eventos. Por muito tempo, desde o governo do PT, falou-se numa parceria com o Banco do Nordeste para criação de um projeto neste sentido, só que a própria política se encarregou de deixar o projeto apenas no papel. Depois disso voltou-se a comentar sobre a volta do banco nesta empreitada, mas, infelizmente, nunca mais falou-se nisso.

PLANO MUNICIPAL

Pela primeira vez, a Fundação Gregório de Mattos, através do seu presidente, Fernando Guerreiro, apresentou a uma comissão de vereadores, o Plano Municipal de Cultura para Salvador. Lembrei com inveja de Vitória da Conquista. Não temos aqui uma Fundação do tipo, mas bem que a próprio Câmara, ou outra entidade, poderia fazer o mesmo e tornar verdadeiro quem sempre acha e diz lá fora que Conquista é uma cidade cultural. Já foi na boa época da efervescência cultural dos anos 50 e 60. Aliás, o nosso legislativo poderia realizar uma sessão especial para discutir a situação precária em que vive a nossa cultura na cidade, carente de ajuda. Seria o primeiro passo para a estruturação de uma política de verdade.

Com duas universidades e mais de uma dezena de faculdades, a capital do sudoeste bem que já poderia ter uma política cultural e atrair para aqui festivais de músicas (concursos), feiras de livros, bienais de artes plásticas e outras atividades da área, colocando esses milhares de jovens e adultos para pensar, produzir obras e externar suas ideias. Tenho certeza que muitos nomes e muitos trabalhos inéditos vão surgir e ganhar o território nacional.

Dentro desse plano poderia ser viabilizada a instalação do Museu da Imprensa, numa das dependências cedidas pela própria prefeitura. Ao longo dos últimos anos, muita coisa foi perdida sobre a história da nossa mídia, mas creio que, com esforço e dedicação, muito material pode ser resgatado de colecionadores e do próprio Arquivo Municipal que ainda dispõe de muitos jornais antigo e papéis que fariam parte deste museu.

Guerreiro, da Fundação Gregório de Mattos, levou para os parlamentares da Câmara 10 diretrizes, 13 objetivos e 29 metas para serem realizadas. Quando aprovado, o documento torna-se lei, não importando quem assuma o comando da cidade. O nosso projeto pode ser construído a partir de um diagnóstico da cena cultural de Vitória da Conquista, observando suas realidades e potencialidades específicas do lugar.

OUVIR A CLASSE ARTÍSTICA

O vereador, ou comissão que for apresentar o plano, pode, antes da sua elaboração, dialogar com a classe artística para obter sugestões e ver as necessidades de cada setor. Na Câmara, o documento pode ser aperfeiçoado e até dividir a cidade em territórios de abrangência, porque a intenção é também fortalecer a cultura dita popular.

O estudo pode mostrar as vocações de Conquista, como os reisados, as expressões mais comuns na zona rural, assentamentos da reforma agrária, distritos e até as manifestações de matrizes africanas do candomblé. A partir daí poderia ser estabelecido o número de projetos a serem executados durante o ano. O plano deve contemplar a participação social e popular, além da cultura acadêmica.

Além da ampliação dos recursos públicos na cultura, o projeto deve mostrar também os caminhos para realização de parcerias com o setor privado, com os empresários da cidade e as entidades de classe, sempre elevando a capacidade de captação através do chamado custo benefício. No caso do poder público, a dotação orçamentária ficaria à mercê de cada gestor.

A Secretaria de Cultura seria obrigada, por lei, a ter um orçamento próprio para trabalhar através de seus editais, ou outras formas de promover a cultura do município durante todo ano. O que não se pode é ficar neste marasmo onde só temos, na verdade, uma cultura de calendário de São João e Natal.

 

 

 





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