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:: ‘Notícias’

“O BRASIL NÃO É TRANSGRESSOR DO MEIO AMBIENTE”

Esta afirmativa, de deixar qualquer pessoa esclarecida irada e se sentindo ludibriada, é da ministra da Agricultura, rebatendo críticas dos países europeus, especialmente Alemanha e a França. Senhora ministra, isso soa aos ouvidos como uma mentira proposital, ou que a senhora não conhece nada da área. Não acredito em ingenuidade, e sim que a senhora cometeu uma afronta a todos os brasileiros instruídos, chamando-os de burros, idiotas e ignorantes. Senhora ministra, não diga isso porque é vergonhoso, pois os europeus acompanham e sabem muito bem de tudo o que acontece no Brasil! Não adianta tentar enganar, jogar a sujeira debaixo do tapete e querer tapar o céu com uma peneira.

Isso é muito feio, senhora ministra! Não é assim que se deve vender o produto Brasil lá fora, passando uma ideia falsificada, do tipo “coisa do Paraguai”, que perdoem nossos Hermanos do outro lado. As agressões ao meio ambiente no Brasil estão aí escancaradas para todo mundo ver, desde da aldeia em que cada um vive até a mais distante deste país continental. Mais decente seria fazer um mea culpa e se comprometer a adotar medidas para conter as transgressões, visto que o governo do capitão dos generais está fazendo o contrário. A lista das transgressões, ou o BO do meio ambiente, é extensa e a folha corrida pode ir da terra até a lua.

Desmatamentos e outras transgressões

Não sou nenhum especialista do setor, mas nem precisa ser para falar, mostrar e denunciar as depredações ao meio ambiente no Brasil, coisas ainda primitivas. Vamos começar pelos desmatamentos na Amazônia, cujas estatísticas indicam que duplicaram no último ano pra cá, tendo como fatores a ganância dos madeireiros, do setor do agronegócio (pecuária e agricultura), dos mineradores, dos carvoeiros e dos grileiros de terra, só para ficar por aí.

Senhora ministra, seu presidente quer reduzir e não mais demarcar as áreas dos quilombolas, dos índios e até extinguir as de preservação ambiental, e acabar com paraísos como Angra dos Reis para transformá-la numa Cancun mexicana para os capitalistas se esbaldarem! Ele pretende desviar o dinheiro do Fundo da Amazônia para indenizar proprietários que invadiram terras de preservação.

O Brasil é um dos países do mundo que mais usam agrotóxicos na agricultura, inclusive de produtos proibidos lá fora. No seu governo (quem manda são os generais) nunca se liberou tantas substâncias perigosas, com tanta rapidez para o uso dos produtores rurais. E a “famosa” espuma tóxica do Rio Tietê, em São Paulo, todas as vezes que chove? Não é transgressão ao meio ambiente?

Na Mata Atlântica, é o segmento imobiliário que mais derruba árvores para construir prédios, viadutos e condomínios de luxo, incluindo também as invasões nos morros, que avançam  devido a falha na fiscalização do poder público. Desde a colonização, somente 8% de toda área ainda sobrevive. Desenvolvimento sustentável aqui é um marketing dos empresários para destruir a natureza e encher os bolsos de dinheiro, dando uns minguados empregos.

No Sudoeste da Bahia

No cerrado, o agronegócio constrói barragens afetando nascentes e desviando o curso dos rios, como aqui no nosso oeste baiano e na Chapada Diamantina no caso dos hortigranjeiros (região de Lençóis, Andaraí e Mucugê). As transgressões estão lá para todos verem. Basta conversar com qualquer morador do lugar. Dos 80 quilômetros de extensão do Rio Utinga, que deságua no Marimbus (pantanal da Chapada), metade morreu em decorrência do excesso da retirada de água para irrigação. O Rio Itapicuru também está morrendo devido a derrubada das matas ciliares.

Em Caetité e Pindaí, no sudoeste da Bahia, em nossa aldeia, uma mineradora vai construir uma grande barragem de resíduos de minérios, sem prévia consulta da população que está em pânico. Em Vitória da Conquista, a Serra do Piripiri foi toda depredada ao longo dos anos para pavimentar a BR-116 e edificar prédios, matando as nascentes, só sobrando um pouco do Verruga, praticamente morto no seu leito.

Deserto no Nordeste

O Nordeste, senhora ministra, está virando um deserto de tanto extraírem madeiras para as carvoarias, sem contar as prolongadas secas em razão do aquecimento global. O “Riacho do Navio”, cantado há muito tempo pelo rei do baião, Luiz Gonzaga, não tem o mesmo cenário de outrora. A letra diz: Riacho do Navio/corre pro Pajeú/o rio Pajeú vai despejar no São Francisco/o rio São Francisco vai bater no meio do mar/lá iá,lá iá, lá iá, lá iá, lá iá. O “Riacho do Navio” está morto e agora é o mar que invade o São Francisco 50 quilômetros adentro.

E, por falar no “Velho Chico”, sempre um agoniante quando batem as estiagens, cadê a revitalização tão prometida e anunciada pelos governantes? Agora mesmo, no final de junho, estive lá visitando e fiz uma prece para que ele não morra, mas o rio está precisando muito mais de ações concretas do que orações. A barragens, como a do Sobradinho, estão com suas vasões bem abaixo do normal, chegando hoje a cerca de 500 metros por segundo. É de doer ver extensos areões onde eram ocupados por suas águas, e somente algumas partes navegáveis, com muita dificuldade. As barragens cometeram altas agressões ao meio ambiente, e o mar está virando sertão.

Ficaria aqui, senhora ministra, um ano escrevendo e pesquisando para lhe provar que o Brasil do rompimentos das barragens de minérios, um país com alto déficit no que tange ao saneamento básico, onde poucos municípios, dos mais de cinco mil, não têm aterro sanitário e sim lixões, comete sim, transgressão ao meio ambiente. Não adianta esconder isso de ninguém, quanto mais dos europeus. Por essa e outras, é que esse acordo do Mercosul não vai sair do papel, enquanto não se resolver sair do atraso e do primitivismo. Não é assim mentindo, senhora ministra, que se defende uma soberania nacional!

 

OS MAIORES PREÇOS DA BAHIA

No mês de junho percorri muitos trechos da Bahia, saindo de Vitória da Conquista a Salvador e depois ao norte até Juazeiro e retornando por várias cidades da Chapada Diamantina e tive a curiosidade de observar os preços da gasolina nos postos por onde transitava. Constatei que o custo da gasolina em Conquista é o mais alto, só igualando em algumas unidades a Juazeiro por motivos de distância, mais de 500 quilômetros de Salvador, enquanto aqui o combustível é transportado a 150 quilômetros, em Jequié.

Confesso que passei toda viagem comentando o fato e fui até um chato revoltado. Na minha cabeça, e acho que na de todos os conquistenses, a única explicação é que aqui existe um cartel dos empresários, uma máfia do monopólio, e nada é feito pelas autoridades (poder público, procuradoria pública, promotores, Procon e a sociedade em geral) para desbancar esse complô contra os consumidores que já penam com outros preços altos dos combustíveis, inclusive o gás de cozinha.

VAI BAIXANDO

Basta sair da cidade que o preço vai baixando a partir do Bairro Lagoa das Flores, em patamares diferentes. Vi gasolina de R$4,34 o litro em Milagres a cerca de 150 quilômetros de Jequié onde se encontram os dutos da Petrobrás. Descendo até Salvador não se encontra uma tabela que se iguale a Conquista em termos de custo. Diante do absurdo e da afronta ao povo conquistense, sempre lembrava que esta cidade, chamada erradamente de suíça baiana, já teve os preços mais baixos da Bahia.

No outro roteiro, cortando parte da Chapada até Juazeiro, fiz questão de fazer a mesma coisa, olhando as bombas, com tabelas bem mais baixas que Conquista, variando de R$4,38, 4, 42, 4,46, 4,48, 4,56, 4,60, 4,65 nas cidades de Iaçu, Itaberaba, Ruy Barbosa, Macajuba, Baixa Grande, Mairí, Capim Groso e só aumentando um pouco a partir de Senhor do Bonfim até Juazeiro. Passei também por Jacobina, Piritiba e Mundo Novo, e não vi coisa igual como nos postos de Conquista.

Em outra rota, saindo daqui e entrando no sertão de Anagé, Aracatu, Brumado, Caetité, Guanambi e outras cidades, inclusive Bom Jesus da Lapa, Conquista também continua sendo campeã nos preços altos da gasolina, principalmente. Talvez pelo seu crescimento nos últimos anos, mais gente chegando, mais empresas e mais prédios e faculdades, Conquista tornou-se uma cidade de alto custo para se morar, não somente nos combustíveis, mas também em outros itens de consumo, inclusive na gastronomia, e olha que aqui não é uma zona urbana turística. É sempre a ganância do capitalismo que só pensa em lucrar mais e mais e tirar proveito da situação.

Quanto ao caso específico da gasolina, nesta semana alguns postos resolveram baixar os preços, mas ainda continuam altos em comparação a outras cidades da Bahia, conforme citadas. Pode ser apenas um disfarce, diante das pressões da Câmara de Vereadores com a CPI, da mídia e da provocação popular para que o Procon, O Ministério Público , Defensoria Pública e a própria OAB tomem providências conjuntas porque o consumidor não aguenta mais esse quartel, a única explicação cabível para se pagar preços tão altos e extorsivos.

Nas entrevistas só aparecem os gerentes dos postos tentando justificar o injustificável, e colocando sempre a culpa na cotação das importações da Petrobrás e outras companhias, e nos impostos, que são altos sim e escorchantes, mas convencem Conquista ter um dos preços mais altos da Bahia. Os donos e os representantes do sindicato dos patrões se blindam atrás de uma caixa preta que precisa ser aberta e punir os responsáveis por esse crime contra ao nosso povo conquistense.

TIBÉRIO ASSUMIU O REINADO SEM LUTAS E O EXÉRCITO 0 APOIOU COMO IMPERADOR

Depois de ter governado por mais de 40 anos, Augusto morreu no ano 14 da nossa era. Considerava o principado como uma instituição permanente. O primeiro dos herdeiros era o sobrinho Marcelo, casado com Júlia, a filha do imperador, mas morreu cedo em 23 a.C. O herdeiro seguinte foi Agripa, que se casou com Júlia, mas cedeu para Caio e Lúcio, seus filhos com Júlia, mas também morreram.

Então, Augusto foi obrigado, por influência da esposa Lívia, a adotar Tibério Cláudio Nero, filho da mulher com o primeiro marido, como único membro da família. A vontade de Augusto era que fosse Germânico, o sobrinho de Tibério, irmão de Druso, mas não deu. Para manutenção da paz, todos concordavam que o principado era indispensável. Sem luta, Tibério tomou as rédeas do governo.

O exército o reconheceu como imperador, e o Senado conferiu-lhe todos os poderes especiais que haviam feito a Augusto. Até o suicídio de Nero, o trono foi ocupado por membros da Casa Cláudia, dos quais os dois primeiros foram adotados pela família dos Júlios.

OS FLÁVIOS

Tudo sobre os membros dessa família e os incidentes nos reinados foram descritos pelo historiador Tácito, em seus Anais. Suas Histórias contam a queda daquele poder e o período de confusão que terminou com a ascensão dos Flávios, que não tinham parentesco com Augusto.

Nenhum deles tinham carisma, mas herdaram a popularidade de Augusto e isso justificava a posição que ocupavam. Tibério era um general competente, rigoroso e dedicado ao país. Mostrava as mesmas virtudes como estadista, mas não possuía a energia do seu predecessor. Ao seu lado estava a imponente figura de Lívia a quem devia a subida ao trono. Muitos que ocuparam postos de destaque no reinado anterior lhe eram hostis. Não gostavam do seu orgulho e frieza.

A vida na corte tornou-se impossível quando seu sobrinho Germânico morreu no Oriente. Muitos achavam que ele foi vítima de uma trama de Tibério e Lívia. Por tudo isso, Tibério deixou Roma e foi morar em Capri. De lá, o único homem em que confiava era Sejano, prefeito da guarda pretoriana, a quem deixou como seu representante em Roma. Sejano tornou-se governador da cidade.

AS INTRIGAS PALACIANAS

Enquanto isso, as intrigas palacianas continuavam, e Sejano resolveu aproveitar. Houve uma longa série de crimes sombrios, como o assassinato de Druso (filho de Tibério) envenenado pela esposa, que fora seduzida por Sejano. Os filhos de Agripina foram mortos, e ela foi exilada e morta. Depois foi descoberto que Sejano conspirava contra o imperador. Por isso, ele foi executado, seguido de um período de terror com a morte de inocentes.

Calígula sucedeu a Tibério e reinou de 37 a 41 da nossa era. Filho de Germânico, cresceu cercado de jovens helênicos corrompidos, temendo perder a vida por causa das brigas palacianas. Era único membro da família Juliana e, em seu reinado, deu prova de insanidade mental.

O louco Calígula destruía, sem piedade, todos aqueles que lhe inspiravam medo. Educado entre príncipes jovens do Oriente, exigia que lhe fossem prestadas honras divinas e declarou-se senhor e deus (dominus et deus). Provocou a ira de seu povo, introduzindo na corte costumes helênicos. Calígula teve ligações abertas com suas irmãs e proclamou uma delas sua mulher e deusa. Os conspiradores da guarda pretoriana deram-lhe um fim violento.

A GUARDA PRETORIANA

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A CULTURA DE CONQUISTA

Carlos Albán González – jornalista

Colega e amigo Jeremias, entendo perfeitamente seu desapontamento com o movimento cultural, que não é de hoje, não somente em Vitória da Conquista, mas em todo o País. Concordo que é frustrante para um escritor, após três anos de trabalho, ver que o seu livro será lido por poucos. Você deve estar lembrado que, recentemente, um nosso colega aqui esteve, a convite da prefeitura. Naquela noite, no Memorial Régis Pacheco, ele autografou apenas quatro exemplares de sua obra literária.

A título de consolo, peço permissão para afirmar que, naquele encontro do último dia 14, tanto você como a artista plástica Elizabeth David, que expôs seus belos quadros, devem ter feito uma avaliação dos amigos que aqui possuem, dispostos a impedir que a cultura em Vitória da Conquista atinja o fundo do poço. Ninguém em sã consciência perdoa a ausência de um representante da Secretaria de Cultura do município, e da Câmara de Vereadores.

Imperdoável é que entre os ausentes figurem dezenas de conquistenses que você prestou favores e lhe bajularam durante o período (14 anos) em que exerceu a chefia da sucursal de “A Tarde” em Conquista. O próprio município tem uma dívida a lhe pagar, em troca da divulgação, inclusive na área cultural, de toda a região sudoeste do estado, pelo jornal de maior circulação do Norte e Nordeste do País.

Seria reprovável de minha parte se não elogiasse iniciativas que deveriam servir de exemplo, Refiro-me à programação artística do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, e a sensatez da prefeitura em contratar para os festejos juninos artistas da terra, autênticos forrozeiros, em vez de pagar altos cachês a safadões, intérpretes de um “lixo” que eles chamam de música.

Receio, prezado companheiro, que a censura política, que já pesa sobre a cabeça de alguns dos  nossos colegas, venha lacerar as nossas manifestações artísticas. Repórter de “O Estado de S. Paulo”, no período da ditadura militar, que matérias vetadas pelos censores, eram substituídas por poemas de Camões, inseridos na primeira página do jornal; testemunhei a invasão da Redação de “A Tarde” por soldados armados, para prender um colega, que nunca mais foi visto.

Cinema

Na terra de Glauber Rocha, aplaudido como maior cineasta brasileiro, nem o cinema nacional tem vez.

Como o tema desse comentário é cultura, peço licença para colocar em pauta a 7ª arte, talvez a minha preferida. Começo recordando Glauber, o mais discutido personagem do cinema nacional. Tenho convicção de que a maioria dos conquistenses jamais assistiu a um filme do seu conterrâneo mais famoso, e vai continuar sem ver, enquanto não mudar o raciocínio dos programadores das salas de cinema da cidade.

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DE VOLTA AO “VELHO CHICO”

Estou aqui, mais uma vez, em Juazeiro, no norte e agreste do sertão, celeiro das frutas que emanam das terras áridas, revendo o Rio São Francisco, mais carinhosamente chamado de o “Velho Chico” que tanto deu e ainda dá sustento a este povo. Não se sabe até quando ele vai resistir aos maltratos dos homens que só fazem dele retirar suas riquezas e não repor as perdas e revitalizá-lo.

Basta uma temporada de estiagem e o “Velho Chico” entra em colapso e em estado terminal, mostrando extensas áreas de areia e o mar invadindo suas águas na foz. Os governantes lá de cima de suas mordomias e castas sempre prometem cuidar, repor suas matas ciliares e não sugar tanto suas águas, mas não passa disso. A ganância do capitalismo vil só quer saber de lucrar e tome mais projetos de irrigação, sem a devida sustentabilidade.

Quando batem as chuvas em suas cabeceiras, ele volta a se erguer e se encorpar, e aí o governo federal esquece de colocar em prática a revitalização. Ainda bem que estou revendo, porque não se sabe até quando o “Velho Chico” vai aguentar tanta destruição! Suas margens não são mais as mesmas, e as cidades em torno dele derramam esgotos e todo tipo de sujeiras.

Mesmo em decadência, ele continua transportando e rendendo frutos, como uvas, mangas e melões que são exportados para diversos países do mundo. Os pescadores e ribeirinhos não têm mais a mesma fartura de anos passados, depois de tantas hidrelétricas, da transposição em canais para outros estados nordestinos e falta de preservação. Os peixes estão escassos e não é mais navegável como antes. Só os barquinhos atravessam com dificuldades

O seu futuro é incerto, principalmente agora com o governo do capitão-presidente que só pensa em castigar o meio ambiente com seus projetos malucos, como o de transformar o paraíso de Angra dos Reis num lixo capitalista de uma Cancun mexicana. O “Velho Chico” pede socorro e seus afluentes vão desaparecendo desde Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

Sempre que venho a Juazeiro, ou visito outras cidades banhadas pelas suas águas, presto a minha homenagem ao “Velho Chico” estraçalhado, cujas nascentes estão sumindo na Serra da Canastra. Do jeito como está, haverá um dia que se transformará num fiapo, ou num riacho. Ai será o desastre para todo Nordeste.

As canções hoje não falam mais de sua abundância de outrora, mas do seu definhamento e do seu fim. São cantos e poemas de lamento. É muito triste ver o que está acontecendo, mas faço a minha oração para que os homens se compadeçam e não fiquem só esperando por “milagres” das chuvas de São Pedro. Passou da hora de todo o povo, os artistas, intelectuais, ambientalistas e toda gente, sem distinção, se levantar e protestar contra sua depredação. Não vamos deixar o “Velho Chico” morrer e só ficar na lembrança das fotos.

 

 

UM LANÇAMENTO MUITO ESPERADO

Quero agradecer aos amantes da cultura que estiveram presentes ao lançamento do livro “ANDANÇAS”, de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, na noite do último dia 14 de junho, na Casa Regis Pacheco. Foi uma noite cultural também de lançamento do nosso “CD Sarau A Estrada” e exposição de artes plásticas da pintora e artista Elizabeth David.

O que mais importou não foi a quantidade, mas a qualidade dos amigos, artistas, como Alex Baducha, Walter Lajes e Alan Karded, intelectuais e outras pessoas que ainda se mostram como força resistente em defesa da cultura, que está tão desprezada e com suas flores murchas, como assinalou o autor da obra.

O livro foi um lançamento que estava sendo esperado há muito tempo porque foi um projeto colaborativo onde muitos assinaram o “Livro de Ouro”, numa espécie de pré-venda. A impressão do trabalho na gráfica Eureka, com arte final e visual de Beto Veroneze, foi um dever cumprido que durou mais de três anos, mas saiu com uma linda capa.

Perdeu que não compareceu e ainda não adquiriu a obra de contos, causos, prosas e versos, com várias letras já musicadas por artistas da terra, como Walter Lajes, Papalo Monteiro e Dorinho Chaves. Ainda haverá outros lançamentos em breve, em Vitória da Conquista, e em outras cidades da região.

Na ocasião, o autor apresentou seus outros livros “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo” e “Uma Conquista Cassada” que fala da ditadura civil-militar em Conquista, na Bahia e no Brasil e que está sendo útil para pesquisas de estudantes e professores, inclusive sendo indicado nas escolas e faculdades.

“Andanças” foi um trabalho árduo e difícil por falta de patrocínio, mas muitos colaboraram para que o projeto fosse concretizado. É isso, caros ,amigos, fazer cultura neste país é coisa de “doido” , mas estamos aí para continuar na luta pela divulgação do conhecimento e do saber que, infelizmente, os governantes nem querem saber, e entendem, como o atual capitão, que educação é gasto e não investimento.

O CD Sarau foi outro projeto inédito que exigiu muito sacrifício, mas terminou saindo com 22 faixas intercaladas com músicas, poemas e causos. Foi o resultado dos nossos saraus no “Espaço Cultural A Estrada” que completou nove anos. Participam músicos e compositores como Alex Baducha, Walter Lajes, Marta Moreno, Jânio Arapiranga. Evandro Correia, Dorinho Chaves e outros poetas e contadores de causos. O CD começa com abertura de um texto onde conta a história do sarau e como surgiu a ideia da obra documental.

A exposição de artes de plásticas, de Elizabeth David, veio a se juntar à nossa noite cultural na Casa Regis Pacheco, e muitos tiveram a oportunidade de apreciar seus belos quadros campestres, com muito colorido e alegres, que mostram flores vivas e paisagens do campo. Vamos continuar unindo literatura com outras linguagens artísticas porque, na verdade, todas são irmãs e nos dão sentido à vida.

A DEMOCRACIA DOS GENERAIS E UM PAÍS EM DECADÊNCIA CULTURAL

O capitão-presidente está agora voltando aos estádios de futebol e, em declaração pública, se vangloriou que está sendo aplaudido como o general Médici quando do tempo duro da ditadura civil-militar no início dos anos 70. Que triste lembrança de mais uma apologia a um regime de opressão! Enquanto ele construía as arenas e ia aos estádios, presos políticos estavam sendo torturados e mortos nos porões dos Dops e nos quarteis das forças armadas.

Nessa democracia dos generais em que estamos vivendo, quase 50 anos depois, lamentável constatar que quase ninguém sabe mais do que aconteceu naquela época, nem quem era o general Médici, especialmente os frequentadores dos estádios onde o “Bozó” passou a frequentar e recebeu aplausos. Sem cultura, o nosso povo vai sendo tragado pela decadência de um país sem memória. Ele, pelo menos, deveria respeitar a dor das famílias que perderam seus entes queridos.

A esta altura da minha idade queria ver um país educado, altivo, instruído e não engolindo e aceitando barbaridades, impropérios e bravatas preconceituosas. Não queria ver meu povo se afundando na ignorância porque temos um presidente que não valoriza a educação, a ciência e o conhecimento. Instiga as pessoas a viverem nas trevas do saber.

Não queria ver a flores da nossa cultura tão murchas, sem mais falarem. Não queria ver o povo de armas na mão, mas cada um com um livro na mão. Não queria ver gente morrendo nos corredores dos hospitais por falta de atendimento médico. Não queria ver crianças, adultos e idosos pisando nos esgotos à céu aberto por falta de saneamento básico. Não queria ver tantas epidemias de mosquitos e doenças que não deveriam mais existir.

Não queria ver meu país sendo vendido e torrado no mercado a preço de banana, aumentando mais ainda a legião de desempregados. Não queria ver tanto ódio e intolerância, tanta bestialidade e irracionalidade. Não queria ver tantos índices negativos e tanta desigualdade social, com milhões vivendo na extrema pobreza. Não queria ver as pessoas catando alimento nos caminhões de lixo. Não queria ver tanta alienação e tanto desprezo à cultura, como se ela fosse um tumor maligno.

LANÇAMENTO

Na sexta-feira passada (dia 14) lancei meu novo livro “ANDANÇAS”, na Casa Regis Pacheco, e senti angústia, fracasso e alegria ao mesmo tempo. Foi uma noite cultural de lançamento da obra, do nosso CD Sarau e apresentação de artes plásticas da artista Elizabeth David. Angústia tive por ver tão pouca gente naquele recinto, não que eu me considere uma celebridade famosa, como das redes sociais e das tvs..

Não somos uma banda de sertanejo, de arrocha, de pagode e sofrência que atrai mais de 60 mil pessoa enlouquecidas e histéricas, mas senti a falta de segmentos que se dizem mais representativos da nossa sociedade, como da Secretaria de Cultura, de algum vereador, de algum deputado, de entidades da área, da Prefeitura Municipal, os quais em tempos passados se sentiam no dever e na obrigação de incentivar, apoiar e estimular a cultura.

É um grande mito dizer que Vitória da Conquista é uma cidade cultural, e ainda mais que é uma suíça baiana, só porque teve e ainda tem uns poucos que se destacaram nas artes e nos estudos. Alguém aí pode até estar dizendo que estou querendo ser admirado ou coisa assim, mas falo também no que tenho visto em outras atividades culturais. O artista desta terra é pouco prestigiado.

Ao mesmo tempo, me senti alegre e com orgulho de ter realizado mais um árduo trabalho com apoio de amigos que assinaram o livro colaborativo na espécie de uma pré-venda. Demorou, mas fiquei satisfeito por ter cumprido com minha missão. Senti como se fosse mais um resistente na trincheira em defesa da cultura e do conhecimento. O “Parto” foi muito difícil, mas está aí “Andanças”  para quem tiver interesse de apreciar a sua leitura de causos, contos, prosas e poemas.

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ESTUDANTES DA FAINOR APRESENTARAM TRABALHOS NA CÂMARA MUNICIPAL

Diagnósticos sobre a situação dos idosos, situação do Estatuto da Criança e dos Adolescentes, a Pastoral dos Menores, dos presidiários, dos deficientes físicos e suas dificuldades de mobilização, dos moradores de rua, da violência contra as mulheres e o feminicídio em Vitória da Conquista foram apresentados ontem (dia 12) na sessão da Câmara de Vereadores pelos estudantes de direito da Faculdade Fainor.

Da Tribuna Livre da Casa, o professor Carlos Públio abriu os trabalhos falando das pesquisas realizadas pelos estudantes como disciplina de trabalho, com intuito de detectar os problemas dessas camadas da população, para que os poderes públicos, como a Prefeitura Municipal e a própria Câmara, possam corrigir os problemas e encontrar uma solução para que essas pessoas vivam com mais dignidade, respeitando seus direitos constitucionais.

Cada estudante fez um breve relato sobre o objeto do seu estudo,  mostrando dados precisos a respeito da situação das diversas categorias que necessitam de amparo dos poderes executivos e legislativos através de políticas públicas. Os alunos de direito fizeram um apelo a todos vereadores para que apresentem projetos visando a melhoria dessa gente.

. Uma das conclusões é a de que, praticamente, não existem estatísticas e estudos sobre a real situação dos idosos, dos deficientes, dos moradores de rua e dos outros segmentos que foram pesquisados no trabalho, o que dificulta a aplicação de ações públicas voltadas ao bem-estar dessas pessoas em Vitória da Conquista.

Durante mais de 30 minutos, cada grupo fez uma exposição do que apurou in loco, conversando com agentes de instituições e entidades que cuidam dessas pessoas que ainda vivem em situação de vulnerabilidade, e chegou a uma realidade de que o poder público tem feito muito pouco no campo social, político e econômico.

De um modo geral, mal ou bem, essas camadas da população têm contado com o apoio quase que exclusivo da iniciativa privada, especialmente de entidades religiosas, como no caso dos moradores de rua e dos idosos  onde muitas casas, como “Anuncia-me”, têm ajudado  os mais necessitados e excluídos. Os presidiários, por exemplo, precisam de políticas ocupacionais de modo que haja uma ressocialização dos presos. Os estudantes citaram dados quantitativos e as deficiências.

SERVIDORES PÚBLICOS E CARTEL

Na ocasião, representantes dos servidores públicos municipais ocuparam a Tribuna Livre para clamar pelos seus direitos trabalhistas, sobretudo quanto aos reajustes salariais, e pediram mais diálogo por parte do poder público, e que o legislativo apoie suas reinvindicações. O presidente da Câmara, Luciano Gomes, respondeu que a Casa sempre tem recebido os sindicatos  e exercido seu papel de mediação nas questões.

Outro debate que esquentou o ambiente e deixou muitos parlamentares  indignados, como Hermínio Oliveira, foi quanto aos preços dos combustíveis cobrados na praça de Vitória da Conquista, considerados absurdos e exorbitantes.

Foi instalada uma CPI para apurar se existe cartel do combustível na cidade, tendo em vista que o custo da gasolina e do etanol, por exemplo, em outras cidades da região é bem mais baixo, inclusive com diferenças de 40 a 50 centavos por litro. A Câmara quer que a Promotoria Pública e a OAB regional se engajem neste trabalho para averiguar se está mesmo ocorrendo o crime do cartel do combustível, e que os responsáveis sejam devidamente punidos.

 

LANÇAMENTO DE “ANDANÇAS” VAI SER NESTA SEXTA-FEIRA NA REGIS PACHECO

Numa noite cultural, nesta sexta-feira (dia 14) a partir das 20 horas, vamos ter na Casa Regis Pacheco (Praça Tancredo Neves) o lançamento do livro “ANDANÇAS”, a mais nova obra do jornalista e escritor Jeremias Macário que dessa vez mistura ficção com realidade, ao contrário do “Conquista Cassada” que foi um trabalho de pesquisa sobre a ditadura civil-militar em Vitória da Conquista, na Bahia e no Brasil e vai também estar lá no evento.

Na ocasião, vai ocorrer ainda o lançamento do nosso “CD Sarau A Estrada” com cantorias de artistas da música, causos e declamações de poemas. Para completar, a artista plástica Elizabeth David vai abrilhantar a noite com uma exposição de seus belos quadros. Portanto, vai ser uma noitada cultural com a apresentação de várias linguagens artísticas.

“Andanças”

Contos, causos, histórias e versos, “Andanças” é um livro que mistura ficção com realidade, ou, como queira, um fantástico realístico, mas que também contém pesquisas em temas específicos, romanceados e curiosos sobre a ditadura civil-militar de 1964, e na viagem título “Pelas Brenhas do Mundo” de um anônimo andarilho mochileiro das décadas de 60 e 70, os anos livres e revolucionários que mudaram hábitos, costumes e conceitos ultrapassados.

Sem a preocupação com estilo ou escola literária, o livro “Andanças”, de 368 páginas, formato de 16 cm por 23,5 cm, capa em quatro cores, ilustrações no miolo e arte final de Beto Veroneza, pode ser lido de trás pra frente, de qualquer ponto, sem sequência linear.  Tem também poemas, muitos dos quais já foram musicados por artistas locais, como Walter Lajes, Papalo Monteiro e Dorinho Chaves.

A obra do autor, que já escreveu “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo no Sudoeste” e “Uma Conquista Cassada – Cerco e Fuzil na Cidade do Frio”, retrata cenas do Nordeste, do homem do campo, do retirante da seca, da coivara, do jeito matuto catingueiro;  e fala de amor, ódio, raiva, tempo, saudade, mulheres, erotismo, vida e morte.

Sobrou ainda espaço para a cultura da corrupção, da gatunagem e do levar vantagem em tudo. Nos versos rolam a imaginação, o fingimento, o olho visível no invisível e o foco no real e no irreal. Trata-se de uma publicação colaborativa (muitos amigos assinaram o “Livro de Ouro”, numa espécie de pré-venda), onde o leitor vai curtir e viajar na imaginação, sem regras. A obra nasceu da veia jornalística do autor e tem o tempero realístico e sentimental. De um modo sutil, é também um autorretrato da sua vida em alguns contos e causos.

Entre outros lançamentos, trabalhos, artigos, crônicas e comentários, “Andanças” é mais uma publicação que demandou dedicação e sacrifício, mas também contou com a ajuda de muitos amigos que alavancaram o trabalho literário.

 

AINDA SOBRE CINEMA NOVO NO SARAU

Das figuras importantes influenciadoras do Cinema Novo deixamos de citar na matéria sobre o “Sarau a Estrada”, os nomes de Cacá Diegues, Roberto Santos (A Hora e a Vez de Augusto Matraga), Walter Lima Júnior (Menino de Engenho), Triguerinho Neto, Walter da Silveira e Lima Barreto, sem contar o filme Limite entre os mais listados pelos entrevistados e pesquisadores no livro “A Geração Cinema Novo, de Pedro Simonard.

Em sua obra, o autor fala do isolamento e da consagração do movimento, quando o grupo se desligou da sua classe de origem ao criticar a Chanchada pela sua xenofilia e identificação com a cultura norte-americana e europeia. O povo não se sentia representado por esses jovens intelectuais que diziam que ele agia erradamente. O público que era todo urbano não ia ver os filmes do Cinema Novo.

Ressalta o autor, que a classe média e a burguesia não viam os filmes porque não gostavam da imagem do Brasil que lhes era mostrada. Entre 1961/62, a Cinemateca Brasileira exibiu filmes clássicos no Sindicato da Construção Civil de São Paulo, e os operários não mostraram interesse, mas o documentário  Zuyderzee, de Joris Ivens, sobre o processo de construção de um dique na Holanda, teve grande repercussão.

Os temas do Cinema Novo não despertavam interesse nos operários. Pedro Simonard diz que o Cinema Novo era um movimento endógeno. Os diretores exibiram seus filmes em importantes festivais internacionais. Somente a partir dai, a classe média passou a demonstrar maior receptividade porque tinha o aval dos intelectuais dos países desenvolvidos.

Mesmo assim, não foi suficiente para abocanhar  maior fatia do mercado exibidor brasileiro, nem desalienar o povo. Sem isso, não seria possível combater o imperialismo e o colonialismo cultural, nem criar o novo homem. Para fugir do isolamento, os cinemanovistas passaram a participar das elaborações das políticas estatais, porque com a ditadura seria impossível tomar o Estado.

Após o golpe de 64, segundo Simonard, o movimento viu-se obrigado a buscar apoio do Estado autoritário que censurava suas produções e dificultava a exibição e a exportação dos filmes. Nessa conjuntura, uma das principais aliadas foi a Comissão de Apoio à Indústria Cinematográfica, criada, em 1963, no governo de Carlos Lacerda.

No entanto, o decreto trazia regras que definiam um controle ideológico para a produção. Muitos filmes foram produzidos pela Comissão, como Desafio, de Paulo César Saraceni, O Padre e a Moça, de Joaquim Pedro de Andrade, A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos e Menino de Engenho, de Walter Lima.  Premiou Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, Garrinha, Alegria do Povo, de Joaquim Pedro e Porto das Caixas, de Saraceni.

“Nunca os cineastas brasileiros alcançaram tanto respeito e foram ouvidos tão amplamente por setores importantes da sociedade quanto neste período” disse, ao destacar que em 14 anos (1950-1964) formou-se no Brasil, principalmente, no Rio de Janeiro, uma geração cinematográfica, produzindo filmes comprometidos com a realidade brasileira.

As críticas à Vera Cruz e à Chanchada marcaram posição contra tudo quanto foi feito em cinema até então. Outro sucesso foi criar uma incipiente indústria cinematográfica no país, formando-se uma mão-de-obra especializada. Órgãos e instituições financeiras, estatais ou privadas, começaram a ajudar o Cinema Novo.

Entretanto, Simonardo aponta alguns fatores que prejudicaram o desenvolvimento do Cinema Novo, como a tradição messiânica do intelectual brasileiro que encarava o povo como um grupo sem vontade própria; ter se colocado como dono da verdade de que o povo tinha que ser conscientizado; não ter elaborado uma política de distribuição; e ter encarado o grande público de maneira preconceituosa numa relação de mão única

 





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