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O BRASIL DO SISTEMA SANFONA

A impressão que temos é que a pandemia no Brasil é interminável, ou vai ser o último dos países a se livrar desse vírus maldito. Em nosso país, infelizmente, funciona o sistema sanfona do abre e fecha, como agora para comemorar o dia das mães. Todo mundo vai às compras com as lojas abertas normalmente e depois acontecem os almoços com as mães, avós, filhos e netos, como se tudo já estivesse acabado.

Interessante que as pessoas falam das comemorações neste ano com o sentimento de que no ano passado não houve, como se a situação agora fosse melhor. Pelo contrário, o número de mortes e casos aceleraram mais ainda. Os hospitais estão mais lotados e existe o agravamento de novas cepas e linhagens. Mesmo havendo o risco, vamos celebrar e se ajuntar em famílias.

Houve um fato que saiu na revista “Piauí” em que sete irmãs, depois de algum tempo ausentes, resolveram se encontrar num almoço. O resultado foi que depois quatro morreram de Covid-19. As prefeituras, a exemplo de Vitória da Conquista e Salvador, relaxaram as medidas. Mais quinze ou vinte dias, no final de maio pode vir outra pancada.

Logo depois entram as festas juninas e, como no ano passado, o nordestino, principalmente, não aguenta ficar sem as fogueiras e sem reunir os amigos e parentes para as bebidas e comidas típicas da época, mesmo que não haja o São João oficial nas prefeituras. Mais uma vez, ocorre o sistema sanfona do abre e fecha.

Do outro lado, a vacinação segue a passos lentos e faltando doses para a segunda imunização que não atingiu 8% da população dos 230 milhões de habitantes. As vacinas continuam chegando aos tiquinhos e no Ministério da Saúde é só confusão. Ora manda que as prefeituras reservem lotes para a segunda aplicação, ora sai uma ordem para que sejam usadas. É por isso que sempre digo que não basta falar que vai passar, como se essa graça fosse cair do céu.

Nos países da Europa onde a vacina está bem avançada, os governos estão abrindo as atividades, inclusive shows, eventos culturais e esportivos, e se preparando para receber turistas estrangeiros (menos brasileiros), isso depois de um longo período de isolamento social.

Aqui temos os negacionistas da ciência que não tiram férias para contrariar as recomendações dos especialistas. Será que o propósito é fazer uma seleção humana para eliminar os mais fracos e pobres? Tentaram até mudar a bula da cloroquina onde a droga seria também incluída no tratamento do coronavírus.

No Brasil, praticamente não houve isolamento social e nem uma política planejada de vacinação, mas como sempre o país adora imitar os outros, como os Estados Unidos, vá lá que resolva fazer o mesmo, liberando de vez o uso de máscaras e a realização de grandes eventos, como shows e festivais, sem primeiro fazer o dever de casa.

Por essas e outras é que estamos no mesmo caos da Índia, os dois países do mundo com os maiores índices de contaminação e mortes por dia. Os dois são parecidos nesse aspecto. Tanto lá como cá, a fome é outra pandemia que mata impiedosamente. O nível de educação e instrução é baixo e existe a cultura das aglomerações nas cerimônias religiosas que não são poucas.

Nesse sistema sanfona, vamos dançar de acordo com o ritmo da Covid-19, e o seu tom é de um forró ou de um samba bem acelerados onde muitos não conseguem ir até o final da festa por falta de ar nos pulmões. A maioria prefere subestimar o inimigo invisível e fazer de conta que está tudo n

UMA SOCIEDADE CRUEL E ESTÚPIDA

Os segmentos da sociedade pouco reagiram, somente as famílias foram às ruas protestar e a mídia apenas deu alguns registros do fato. Estou me referindo à brutalidade cometida contra dois rapazes negros que furtaram uns quilos de carne no Supermercado Atacarejo, em Salvador, na última semana.

Diante de tanta crueldade e estupidez de crimes hediondos, a nossa sociedade, de tão insensível, não reage mais, e ainda tem muitos que acham que eles deveriam mesmo era morrer nas mãos dos traficantes, conforme foram entregues pelos seguranças do estabelecimento.

A pergunta que não quer calar é se essa não é uma prática adotada pelo supermercado, ao invés de chamar a polícia para registrar o ocorrido na delegacia?  Como se trata de pobres negros, essa será mais uma atrocidade que irá cair no esquecimento e entrar na pasta dos arquivos mortos.

Não interessa se eles tinham ou não passagens na polícia e quais foram as intenções ao pegarem os pacotes de carne, se por motivo de fome ou se para fazerem uma farra. Enquanto isso, os corruptos de colarinho branco da falecida Operação Lava-Jato estão todos sendo soltos e inocentados pelos seus roubos aos cofres públicos.

Ao ver aquela cena dos dois sentados num canto ao lado dos pacotes, com semblantes de pavor, terror e medo de serem mortos, lembrei imediatamente quando eu e um colega inventamos de cometer um furto de doces, chocolates e biscoitos para comer no Supermercado Paes Mendonça, do Politeama, na mesma Salvador, no início dos anos 70.

Quando fomos pegos pelos seguranças e fomos ameaçados de serem entregues à polícia, ficamos aterrorizados e pedimos clemência. Nessa época a sociedade não era tão desumana, e os guardas tiveram compaixão de nós e nos liberaram. Nessa época estávamos atravessando aquele aperto de passar fome por falta de dinheiro. Foram tempos duros na vida.

Poderíamos ter sido mortos também por causa de uns pacotinhos de comida, mas tivemos a sorte da piedade dos vigias, que contou a nosso favor. Os dois do Atacarejo foram entregues aos algozes que certamente receberam algum benefício parta eliminar duas vidas humanas, coisa que não se faz isso nem com os bichos.

A selvageria e a violência tomaram conta dessa sociedade podre e hipócrita que não mais se abala com os crimes mais primitivos e aterrorizadores. Tudo é encarado como normal, comum e legal. As instituições não mais reagem como como deveria. A imprensa apenas se presta a noticiar o factual, e logo ninguém mais comenta a crueldade, como no caso do homem negro que foi espancado até a morte no Pão de Açúcar de Porto Alegre.

Os culpados serão mais uma vez premiados pela impunidade, e não tarda muito a acontecer outra estupidez. Aqui em Vitória da Conquista ninguém mais recorda da chacina cometida por um grupo de policiais num bairro da periferia, que agora não me vem o nome na cabeça.

Vários jovens de uma mesma família foram assassinados friamente porque um militar havia sido morto por um bandido. Promotores foram ameaçados de prosseguir com a investigação. Como membro da ABI (Associação Bahiana de Imprensa) dei uma nota de apoio ao trabalho da Justiça. Fui repreendido por um “cidadão” ao afirmar que as vítimas tiveram o merecido e que deviam ser mortos mesmo.

Temos hoje um Brasil tipo faroeste bang-bang dos filmes norte-americanos onde o episódio, como o dos rapazes da carne, se resolve na tortura e na bala. Só faltou arrastarem as vítimas pelas ruas, não puxados por cavalos, mas por carros, com uma placa “esses furtaram uns quilos de carne, que o castigo sirva de exemplo”.

E TOME MAIS TRAPALHADAS!

Um diz que tomou a vacina escondida, certamente com receio do chefe saber. O outro ataca novamente a China de quem tanto precisa para comprar medicamentos e insumos químicos. Confunde uma vacina alemã com americana.

O capitão-presidente sai de Brasília com sua tropa para uma cidadezinha, na Bahia, gastando o dinheiro do povo para inaugurar uma estrada de apenas 22 quilômetros que durou quatro anos para ser concluída.  Para provocar o Governo do PT, faz aglomerações para disseminar o vírus e visita um batalhão da polícia.

ESPETÁCULO DANTESCO

Sem máscaras, os seguidores da morte aplaudem, tiram selfies, salivam entre eles, cospem e fazem festas. Que espetáculo dantesco nesses tempos de pandemia de quase 400 mil mortes! Só no Brasil se vê essas cenas bizarras, enquanto o povo passa fome e não tem vacinas para combater a Covid-19.

Todos os dias tem mais trapalhadas no placo Brasil. Na Câmara dos Deputados começam a armar o circo de uma “CPI do Fim do Mundo”, com discursos mentirosos de que estão empenhados em esclarecer e punir os culpados por esse genocídio.

O Renan Calheiro, o homem beneficiário das propinas da Lava-Jato (foi sepultada), com pose de ético e moral, condena os negacionistas, as negligências contra a pandemia e os absurdos cometidos na área da saúde. Pela primeira vez, o filho do Bozó se mostra preocupado com a aglomeração da CPI. Coisa inusitada, merecedora de registro jornalístico. Ele agora não é mais negacionista da ciência!

Tudo não passa de um filme desgastado com mais umas pitadas de horrores, de bruxarias e suspenses. Os feiticeiros são praticamente os mesmos, e os enredos seguem um roteiro macabro com alguns ingredientes extraídos dos ossos de cadáveres que a terra já consumiu.

Cada vez mais o circo vai ficando mais pesado, com apresentações recomendadas só para adultos sem problemas coronários ou de pressão. Zumbis, lobisomens, fantasmas do mal, monstros e outras criaturas dos infernos travam uma batalha entre si onde depois todos se abraçam. É só uma simulação com efeitos especiais como em filmes de ficção.

A plateia ignara e desmemoriada aplaude os personagens atores, como se fosse uma peça nova, e acreditam que novos tempos virão. “A caravana passa enquanto os cães ladram”. Outros nas arquibancadas de madeira, debaixo da lona suja e rasgada, xingam, jogam pedras, atiram cascas de bananas e promete morte aos construtores do circo. Na saída, cada um segue para suas casas, destilando raiva e prometendo vingança. Uns mais otimistas dizem que tudo vai passar, tudo vai melhorar, mas as trapalhadas continuam e parecem não terem fim.

Parece fora de contexto, mas não é. O autor do livro “Uma Breve História do Mundo”, Geoffrey Blainey, cita no final da sua obra, que a religião floresce quando a vida corre perigo e quando existe dor. Ela continua a florescer nas enchentes, nas catástrofes, quando a fome bate nas portas e a morte precoce é expectativa da maioria das pessoas. A religião floresce quando uma colheita é arrasada por pestes, secas e exaustão do solo ou tempestades.

“Monarcas poderosos ganhavam muito ao sustentá-la. A religião oficial lhes permitia proclamar que eram mesmos descendentes de deuses”. Portanto, desobedecer ao rei significava desobedecer aos deuses. No século XX, segundo o autor, ela enfraqueceu por causa da prosperidade e da longevidade. No entanto, ela retorna forte quando ressurgem os flagelos, como agora em nosso país.

MAIS UMA VEZ LÁ SE VAI O NOSSO ENCANTADO E POPULAR SÃO JOÃO

Pela desorganização e bagunça dos nossos governantes, principalmente o federal, pelo negacionismo da ciência, pela falta de consciência do nosso povo, pela falta de uma cultura do distanciamento e isolamento social, por falta de disciplina dos brasileiro e respeito aos outros, mais uma vez vamos ficar sem o nosso encantado e popular São João dos encontros com os amigos e familiares distantes.

É lamentável viver num país sem estratégia, sem planejamento e uma liderança para conduzir seu povo pelo caminho certo. Quando o mau exemplo desce lá de cima, cá embaixo se perde o equilíbrio, a sensatez e a decência. Cada um passa a fazer o que bem entende, com aquele papo furado do direito do ir e do vir, mesmo que se trate de perdas de vidas. É uma imbecilidade. Estamos numa verdadeira nau dos insensatos.

UMA TERAPIA DE VIDA

Tudo indica que mais uma vez vamos ficar nas lembranças das festas juninas da minha querida Piritiba da Bahia, que nos deixam felizes. Pelo menos por uns dias nos sentimos livres de todos os problemas cotidianos da vida corrida. É uma terapia para a mente e o espírito, que supera todas as outras recomendadas por médicos psiquiatras.

Quando lá estou em minha terrinha, me faz lembrar dos tempos do trem cruzando a estação todos os dias, descendo para Iaçu e subindo para Senhor do Bonfim (não propriamente nessa ordem), trazendo e levando passageiros e cargas das mais variadas mercadorias. E o telégrafo com seu tic-tac traduzindo as palavras! As pongas nos vagões e a molecada gritando!

Saudades dos amigos e parentes, como o primo e irmão Roque (já se foi, mas continua entre nós), Leucia, Rossia, Luane e seu marido Dadai, da “diretoria”, Roniere, Diltão, do “dançar pode, fumar não”, Roquinho e sua esposa, Dalmário, João Rico, do poeta, músico e cantor Wilson Aragão, do grande poeta e teatrólogo Carlos Sampaio (meu colega que também se foi), Mirinho, Agamenon, Lane e Margá Barreto e de tantos outros picotando o tempo, jogando conversa fora e tomando umas biritas e geladas.

Minha Piritiba querida onde me fez moleque jogando bola de gude, baba na Praça de terra da “Getúlio Vargas”, esconde-esconde, chicotinho queimado, corridas de cavalo; tomar banho no açude; “furtar” melancia e frutas; andar nos trilhos do trem groteiro; trocar gibis; assistir filme de cowboys; e inventar outras estripulias nas folgas da escola primária da “Almirante Barroso”, ou quando não estava vendendo água em garotes, doces de leite nas ruas e feixes de lenhas nos jumentos. Naquela época ainda era uma Piritiba de terra batida, com luz de motor até às 22 horas, onde poucos tinham o fogão elétrico.

Minha querida Piritiba dos meus pais que possuíam uma terrinha na localidade de “Calderãozinho”, e aos sábados lá íamos nós em tropas para vender a melhor farinha da região na feira. Ela me deu regra e compasso quando fui para outras bandas estudar e ser seminarista, mas sempre lá estava para rever o meu povo; contar os causos; e curtir o melhor São João. Minha querida aldeia da tapioca gostosa de lamber os beiços.

Pois é, tudo leva a crer que mais uma vez (no ano passado não teve festa), essa pandemia da Covid-19 vai adiar nossos encontros memoráveis de muita tranquilidade e curtição, para contar as histórias e as estórias. Não podemos também deixar de citar a pinga catingueira misturada, as corridas de jegues na praça e as quadrilhas que mantém viva a nossa cultura popular.

Alimentam o nosso viver tomar um quentão; comer uma feijoada ou uma carne assada; e até “encher a cara”, sem nenhuma preocupação com o horário de retornar, mesmo andando na fresca do amanhecer. Ah, não posso esquecer da sagrada farofa de Leucia que só ela sabe fazer! Como é bom passar o São João em Piritiba!

UM BRASIL ANSIOSO E DEPRESSIVO

Hoje eu amanheci com o sentimento de que roubaram nossa primavera de flores, de que surrupiaram nossa dignidade e que a nossa pátria não tem zelado bem de seus filhos, os quais se sentem órfãos de pais. Acordei com aquele gosto amargo na boca de quem tem sede de justiça, com a sensação de que o nosso povo tem um futuro incerto num país tão rico e tão pobre onde existe uma exclusão e um extermínio acelerado dos mais fracos.

Levantei com aquele pesar de um Brasil doente, ansioso e depressivo, justamente de uma gente que sempre foi alegre, cheio de criatividade e orgulhoso da sua terra, da sua aldeia e povoado. Vi tribos divididas e se guerreando. A divisão só faz enfraquecer, e a história das nações está aí para comprovar isso.

UM POVO COM MEDO

A fé e a esperança não são as mesmas de anos atrás, e o nosso amanhã não nasce tão sorridente e radiante como antes, por mais que nos esforcemos para disfarçar a tristeza de uma vitória perdida. O nosso povo tem mais medo do que poderá acontecer no outro dia. Com tantas humilhações, não andamos mais nas ruas e nas multidões com cabeças erguidas, com a certeza de um futuro melhor e menos desigual.

Acordei com as imagens embaçadas como se estivesse numa ressaca e vi crianças de pés descalços a andar pelas favelas e morros maltrapilhos em plenos esgotos a céus abertos. Vi senhoras e senhores a chorar por nada ter o que comer meio dia com seus filhos.

Com a cara feia e estômago roncando, vi a danada da fome bater nas portas dos casebres de quase 20 milhões de nossos brasileiros. Vi jovens subindo e descendo os becos das violências com armas e drogas nas mãos, frutos de um sistema das brutalidades.

Nessa manhã, apareceu em minha mente os mais de 14 milhões de desempregados desiludidos por não encontrar um serviço para o sustento de suas famílias. É uma dor que parece não passar. O que mais ainda nos revolta é essa escravidão do trabalhador. Os oportunistas empresários aproveitam essa situação deplorável para explorar essa mão-de-obra faminta, pagando migalhas de até metade de um mísero salário mínimo.

Foram tantas coisas que passaram em minha cabeça nesse acordar, como de brasileiro que aos poucos vai perdendo seus sonhos. Vi os sindicatos esmagados por uma reforma trabalhista tirana capitalista que prometeu mais empregos, mas só fez escravizar os nossos operários que são obrigados a aceitar qualquer oferta na lida de mais e mais horas de trabalho

Como num pesadelo, foram fleches do passado, do presente e do futuro numa manhã nublada de nuvens carregadas. Vi com muita mágoa as chamas arderem e avançando em nossas amadas florestas, escorraçando e matando nossos animais e toda biodiversidade. Vi madeireiros derrubarem as matas de árvores sagradas.

Rezei para que a nossa Amazônia um dia não se transforme num grande campo de pastagens para bois, ou num deserto. Vi garimpeiros com suas pesadas máquinas escavando a terra à procura de ouro, jogando mercúrio no solo e contaminando os rios. Vi um cenário de escombros e de extermínio dos nossos índios, filhos da terra que sempre aqui estiveram há milhões de anos.

Muita gente pode não gostar, mas meu amanhecer foi um lamento que muitos preferem esquecer e não ficar remoendo, mas só os covardes fogem da realidade para não enfrentar a luta. Como gostaria de ver uma educação de qualidade para todos, com pessoas bem instruídas para termos um Brasil desenvolvido, mais igual e mais livre no amanhã.

Vi uma saúde em estado terminal com nossos irmãos sendo jogados como objetos nos corredores dos hospitais, sem o merecido cuidado e tratamento, principalmente nessa mortal pandemia que tarda a deixar o nosso país onde muitos negam a ciência. Por nossa desunião, falta de estratégia e organização, ódio e intolerâncias, ela aqui encontrou terreno fértil para se proliferar.

Em minhas recordações, depois dessa tormenta que parece não se acabar, vi um futuro, não muito próximo, de um Brasil renascido e renovado, como a fênix ressurge das cinzas, como no dito popular de que depois da tempestade vem a bonança. Assim como a Idade Média foi uma passagem para o Renascimento, assim caminha o nosso país para o porvir das novas ideias.

Para que as novas gerações desfrutem dessa mudança, temos que começar a renovar nossos espíritos para a escolha de um grande guia que una toda a nação em torno de um objetivo comum de acabar com as desigualdades sociais e nos libertar desses grilhões que tentam arrancar de nós a liberdade, o dom mais preciso.

Não basta apenas dizer que dias melhores virão e que tudo vai passar, como se uma graça fosse repentinamente cair dos céus. A divisão só faz nos levar à destruição como está ocorrendo nos dias atuais como o nosso Brasil. Será que estamos sendo testados a atravessar esse padecimento, como uma prova para o nascimento?

CONQUISTA VACINA NO FERIADO

Ainda bem que a Prefeitura de Vitória da Conquista reviu um pouco o seu comportamento de um ponto fora da curva em relação a outros municípios baianos e realizou vacinação nesse feriado de 21 de abril. As justificativas dos preponentes da Secretaria de Saúde quanto ao não procedimento nos finais de semana não convencem.

O motivo real não seria porque o executivo não quer pagar horas extras para os servidores? Se for essa a razão, não encontra respaldo na sociedade porque trata-se de agilizar um processo de imunização para salvar vidas, e esse objetivo está acima de qualquer coisa. Ora, se a própria prefeita disse que está com a ciência, a decisão de não vacinar nesses dias é contraditória.

Outro paradoxo gritante é afirmar que está do lado da ciência e escancarar a flexibilização numa situação onde os leitos de UTI dos hospitais públicos que atendem Covid estão à beira de um colapso. Conquista já ultrapassou a cifra de mais de 400 mortes desde quando começou a pandemia e está registrando uma média de dois falecimentos diários.

MEDIDS RESTRITIVAS

Será que esses dados não são mais que suficientes para que se tome medidas restritivas, inclusive com o toque de recolher mais cedo, com o fechamento do comércio e dos bares uma hora antes para que as pessoas não fiquem circulando nas ruas até mais tarde?

Não é mais coerente tomar medidas mais duras e acelerar a vacinação para evitar um possível fechamento de todos os setores não essenciais lá na frente, num quadro mais caótico? Não precisa ser infectologista, pneumologista ou médico para reconhecer que essa é a lógica correta.

Com as aberturas que estão ocorrendo em várias cidades e capitais do Brasil, muitos cientistas já estão prevendo um terceiro pico da doença. Se continuarmos no ritmo de mais de três mil mortes por dia no país, ao final do ano vamos atingir o triste e lamentável número de um milhão de mortes. É só fazer as contas de quantos dias faltam para terminar 2021 e multiplicar pelas perdas diárias. Já estamos encostando nos 400 mil.

Então, não é momento de afrouxar e ceder à pressão dos lojistas e empresários, mesmo sabendo que o remédio é bem amargo para a economia. Mais amargo está sendo a demora no tempo que o país está atravessando para sair dessa crise pandêmica.

Outras nações que optaram pelo isolamento social e adiantaram a vacinação da sua população já estão abrindo as portas e se erguendo. Nessa lentidão das vacinas e com essa bagunça das flexibilizações estapafúrdias, para ceder a interesses exclusivos de terceiros, pode estar certo que o Brasil vai ser o último a se livrar dessa peste.

Ouço muito esse papo emocional de dizer que tudo vai passar e melhorar, mas não se sabe quando. O racional seria ter uma estratégia montada para que o povo não sofresse tanto, inclusive com a fome que se alastrou como rastilho de pólvora. Infelizmente, não temos planejamento. É tudo incerto e confuso. Sobra desorganização e falta liderança no Brasil.

OS GENOCÍDIOS CONTRA O MEIO AMBIENTE E A LIBERDADE DE IMPRENSA NO PAÍS

A boiada está passando literalmente no Amazonas com a derrubada e a queima da floresta por grileiros de terras e madeireiros, com a anuência do governo federal que sucateou o Ibama e o CnBio. Em mais alguns anos as novas gerações de estudantes só vão conhecer esse bioma nas escolas através de fotografias.

Em pouco mais de dois anos de governo do capitão-presidente e do playboy do Meio Ambiente, o estrago já foi feito. É um verdadeiro genocídio que estão cometendo contra a nossa natureza e, de tabela, para o planeta. Outro genocídio, além de vidas humanas nessa pandemia, é contra a liberdade de imprensa onde o Brasil está numa classificação das piores do mundo.

CARTA À EMBAIXADA

Infelizmente, não consigo expressar coisas positivas. Os governadores enviaram uma carta à Embaixada dos Estados Unidos relatando a destruição e pedindo socorro, só que não vai resultar em muita coisa. Além dos desmatadores, temos os garimpeiros jogando mercúrio nos rios e riachos.

A Amazônia está sendo transformada numa grande pastagem de bois. O ilegal está sendo legalizado, para vender carne bovina para o exterior, enquanto aqui o pobre não pode comprar um quilo da proteína por causa do alto preço. Vai tudo para o mercado externo que rende mais lucros para os capitalistas rurais.

Em meu entendimento, a missiva deveria ter outro conteúdo bem explícito, dirigida à nação, solicitando a renúncia, ou afastamento do presidente antes que aconteça o pior, aliás já está ocorrendo. No futuro, a história não vai nos perdoar. A situação é gravíssima e não saímos das picuinhas partidárias onde cada um só está preocupado em defender sua sardinha.

Depois dos desmatamentos entram as chamas que ardem, impiedosamente, a Floresta Amazônica. O cerco foi fechado com o desmantelamento dos órgãos, e a indicação dos genocidas. Os próprios servidores denunciam que a partir de agora todos relatórios e multas contra infratores são obrigados a passar pelo crivo dos chefes que seguem a regra de “um manda e o outro obedece” do general.

Precisamos de menos blábláblá, falatórios, depoimentos, cartas e mais ação dos brasileiros e das instituições defensores do meio ambiente.  Não há mais tempo para esperar. Cada árvore derrubada e queimada é menos ar para respirar, menos animais, mais rios secos e mais índios expulsos e mortos. É a extinção de tudo que foi construído há milhões de anos.

Outro crime que nos igual à Venezuela e a outros países ditadores da América Central, da Ásia, da África e do Oriente Médio é o que está sendo perpetrado pelo atual governo federal contra a liberdade de imprensa, com ataques diretos aos jornalistas pelo capitão, com xingamentos, humilhações, palavrões de baixo calão e até com ameaças físicas.

Democracia no conceito dele é uma via de mão única onde ele dita sua ordem, suas ideias negacionistas, sua ideologia retrógrada e autoritária, seus preconceitos racistas e homofóbicos, e todos têm que obedecer. Para ele, uma ditadura é uma democracia. Ele se considera o rei monarca intocável que não pode ser contestado.

 

FOI TUDO MENTIRA E FICA O DITO PELO NÃO DITO

A Operação Lava-Jato teve um fim melancólico e vergonhoso. Teve morte prematura. A impressão que fica para a sociedade é que foi a maior farsa da história brasileira, tanto quanto o mensalão. E o judiciário, hem! Que papelão! Um bando de magistrados trapalhões! No fim, ninguém roubou, recebeu suborno, benefícios e mimos dos empresários. Num passo de mágica, os réus foram inocentados, e os juízes viraram réus. Ninguém foi corrupto ou corruptor. Fica o dito pelo não dito. Está tudo zerado.

Lembro quando tudo isso começou, e as pessoas diziam que dessa vez o Brasil ia ser passado a limpo, e que a gente ia ter um novo país. Nos passaram o conto do vigário e, praticamente, todos foram soltos, vivendo em suas mansões e tramando outras falcatruas. A Petrobrás não foi dilapidada e ninguém recebeu propinas. Os julgados e condenados agora estão livres e afirmando que dessa vez se fez justiça.

TUDO FOI UMA ESTÓRIA

A história vai contar que tudo não passou de uma estória. Os delatores foram verdadeiros artistas da imaginação fértil para criar tantos enredos escabrosos, inclusive das escutas telefônicas. Dilma não foi culpada pela compra da Refinaria de Passadina, nos Estados Unidos (ninguém foi), e Lula não fez nenhum conchavo para manter sua turma no poder. Aliás, a aquisição da empresa só gerou lucros. Foi o negócio da China!

No final de tudo, a impunidade saiu vitoriosa e merece até um troféu de honra ao mérito. Foi a maior heroína! E vamos que vamos continuar nos lambuzando na corrupção, outra que se deu bem. Tanta confusão! Tanto gasto com o nosso dinheiro para prender gente e viajar para lá e para cá de jatinho! Os ricos ficaram mais ricos, e os pobres ficaram miseráveis. A fome se alastrou por todos os recantos do país; o desemprego cresceu; a educação foi jogada no lixo; e a saúde permanece em estado terminal.

Você aí tem alguma coisa boa para nos contar? Então diga logo para nos servir de consolo, e não ficar falando que tudo é só lama. No próximo ano das eleições gerais para presidente, governadores, deputados e senadores vamos começar tudo de novo com “o nós contra eles”, ou para variar, o “eles contra nós”. Mais uma vez vamos eleger a psicopatia, o genocídio e o atraso.

Os eleitores vão para as ruas espumando de raiva com suas bandeiras brasileiras amarelo e verde berrando “PT nunca mais”, e o poço do país vai ser ainda mais fundo. Do outro lado, as bandeiras vermelhas vão tremular com seus rompantes de radicalismo e intolerância. No meio de todo esse circo macabro, os eleitores otários deixam se contaminar pela cegueira, cada um se odiando, até pai contra filho, filho contra pai e irmão contra irmão. Cada um vai votar em seu ladrão, em seu canalha para crescer mais ainda o bolo recheado da corrupção.

Os políticos já estão maquinando suas estratégias. Aliás, essas já são bem conhecidas e manjadas para a compra do voto do analfabeto, do pobre coitado que se vende por um favor qualquer. O sistema eleitoral arcaico, coronelista e retrógrado vai seguir dando as cartas. Nem direita, extrema-direita, centro e esquerda aceitam reforma. Nessa hora, todos se unem por uma causa que beneficia a todos. Vale a lei da selva, a evolução darwinista  onde somente os fortes prevalecerão.

Os três poderes fazem seus complôs, brigam, se xingam, mas suas mordomias, seus altos salários, suas verbas indenizatórias, suas benesses vão permanecer garantidos. As migalhas ficam para os súditos da ralé, com as cestas básicas e as bolsas famílias famintas.

Todos vão “defender”, de armas nas mãos, a democracia da barriga vazia, a democracia da desigualdade social, das injustiças e da fome, tanto quanto a atual pandemia, só que ela mata de forma mais lenta. Todos vão ficar contentes e agradecer, porque a ignorância nesse país está acima da razão.

Mais uma vez, estou sendo um espírito de porco e um pessimista, ou um brasileiro que não se orgulha do seu país. Basta de tanta reclamação! Tudo são mil maravilhas, principalmente quando se tem um dinheirinho no bolso para fazer aquela farrinha no bar com os amigos, com um carrinho na porta.

O Brasil vai muito bem, obrigado, e tudo que acontece ou aconteceu de ladroagem não passou de mentiras, de fake news e imaginação de maluco. O judiciário está aí para isso, inocentar os poderosos e prender os pobres desgraçados.

Fica o dito pelo não dito. Não adianta contestar, protestar e nem se espernear porque ninguém lhe ouve. Você não passa de um velho rabugento e ranzinza que fica por aí falando um monte de besteiras. Tudo continua como antes na casa de Dantes. E viva a bagunça, a desorganização, a esperteza e agora o negacionismo da idade medieval! A terra é plana, meus amigos, e só o Brasil é redondinho e liso.

MAIS UMA CPI DO FIM DO MUNDO

VITÓRIA DA CONQUISTA SE TORNOU UM PONTO FORA DA CURVA NA BAHIA NA QUESTÃO DO COMBATE Á PANDEMIA. O PODER PÚBLICO PREFERIU CONTRARIAR O DECRETO DO GOVERNO DO ESTADO; BATER DE FRENTE E FLEXIBILIZAR AS MEDIDAS. É UMA VERGONHA!

Quanto ao título acima, com minha idade e experiência jornalística de anos, confesso que já vi este filme. A grande maioria das CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) sempre terminou em lambanças, gatunagens e até em subornos para não convocar elementos envolvidos na questão proposta pela investigação.

Oxalá não se torne mais uma do fim do mundo, pois já começou errada no que tange à sua finalidade que era exclusivamente apurar negligências cometidas pelo governo federal (Ministério da Saúde, presidente e outros órgãos da saúde) no combate à pandemia da Covid-19, principalmente o caso de Manaus, no Amazonas.

GOVERNADORES E PREFEITOS

No puxa, encói do bate-boca entre os políticos e até nas ameaças do capitão-presidente contra o Supremo Tribunal Federal, ela foi esticada para atingir também governadores e prefeitos no tocante à utilização de recursos federais. Por aí se vê que já começou errada, e tem tudo para ser o fim do mundo, sem prazo para terminar. Talvez até a pandemia se acabe antes dela.

Que me lembre e saiba, nunca vi um acusado nas investigações ir para a cadeia. Os processos sempre terminam engavetados na Justiça. Se o Congresso Nacional tivesse coragem, e não estivesse tão comprometido, como sempre esteve, deveria sim, abrir um entre os mais de 60 pedidos de impeachment contra o capitão, que já cometeu tantas barbaridades, como nenhum outro na história do Brasil.

Vamos ver e ouvir muitos xingamentos. A tropa palaciana, com certeza, vai procurar tumultuar as discussões; emperrar requerimentos; e atentar contra a nossa frágil democracia que vive aos troncos e barrancos. A bola da vez é o general ex-ministro da Saúde que falou de alto e bom tom que “um manda e o outro obedece”.

Na verdade, as mazelas e os absurdos cometidos que terminaram por agravar a crítica situação de milhares de mortes em Manaus por falta de oxigênio, com o envio de um carregamento de cloroquina, vão respingar na farda do general. No entanto, no fim não vai dar em nada. O chefe que mandou fazer as besteiras vai ficar incólume. Acho que a maioria não está acreditando nessa CPI do fim do mundo.

Com tantas trapalhadas, o Brasil está sendo peça de galhofas no exterior, como ocorreu no parlamento francês nesta semana. Quando o ministro francês falou do receituário do Bozó com relação ao uso da cloroquina no tratamento da Covid-19, os deputados caíram nas gargalhadas.

O ministro precisou pedir mais compostura para não melindrar a terrível diplomacia brasileiro, que se isolou do resto do mundo. Ninguém quer receber mais brasileiro em seu país por temer a contaminação. As mortes aqui em nosso país estão num ritmo acelerado, e cientistas já estimam que podemos atingir a triste cifra macabra de 500 mil até o final do ano, ou até mais, Isso é um genocídio coletivo.

CONQUISTA NA CONTRAMÃO DO COMBATE À PANDEMIA DA COVID-19

A Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista escancarou mesmo na flexibilização das tímidas medidas impostas na Bahia pelo Governo do Estado, colocando os interesses do comércio lojista acima da vida. A impressão que temos é que uma média de mortes de duas a três pessoas por dia é muito pouco para o poder público, que prefere seguir pelo caminho da desobediência civil do decreto estadual, pela contramão do combate à pandemia.

É essa bagunça e a falta de alinhamento que têm deixado a população ainda mais psicologicamente ansiosa, estressada e depressiva diante dessa tragédia que se abateu sobre o Brasil, o maior do mundo em mortes diárias. No caso específico de Vitória da Conquista, quase 400 pessoas já perderam suas vidas, a maioria de pobres dos bairros mais periféricos.

NÃO CONVENCEM

As justificativas de alteração do toque de recolher, das 22 horas para às 5 horas da manhã, a abertura de todos estabelecimentos aos sábados e a liberação de bebidas nos bares e restaurantes anunciadas pelo porta-voz oficial da prefeita não convencem, quando os hospitais do SUS que atendem Covid-19 estão com suas capacidades de leitos de UTI acima dos 90%.

Esse “comitê gestor de crise” continua insistindo em apontar só os números de conquistenses que estão doentes nas unidades de saúde, sem citar os pacientes da região, como se eles não existissem. Conquista não tem nenhum hospital municipal que atende Covid, a não ser o Esaú Mattos que é uma maternidade.

Todas as outras três unidades de saúde são públicas que atendem pelo SUS, e é justo que recebam também gente de fora. A economia de Conquista depende dos municípios em torno dela para sobreviver. São cerca de 80 e mais de 20 mil pessoas que estão aqui todos os dias movimentando o comércio e outros setores, inclusive da educação e da construção civil.

Sobre esse relaxamento das medidas, a TV Sudoeste apenas entrevistou o presidente da CDL, e é claro que ele apoia. Não existe um especialista no assunto para dar outro parecer? Afinal de contas, são os comerciários que ficam na linha de frente nos quadrados apertados em contato direto com os clientes.

A única coisa que a Prefeitura de Conquista tem feito é contrariar os decretos do governo estadual. Não se move para estabelecer algumas políticas públicas para ajudar aos mais necessitados, como vem fazendo vários municípios pelo brasil a fora.

A Prefeitura fala que os bares não podem vender bebidas em pé e nem realizar ajuntamentos com shows musicais. Acontece que não existem fiscais suficientes para controlar os descumprimentos dos protocolos. Será que vamos ter uma nova Amazonas ou um novo Manaus aqui em nossa casa?

Outra questão preocupante é quanto as feiras da Ceasa (Juracy Magalhães e centro) e da Feirinha, no Bairro Brasil. Além das sujeiras que se tem visto, não existe um distanciamento entre as barracas, e nos finais de semana a aglomeração corre solta como se estivéssemos vivendo em tempos normais.

Confesso que sempre frequentava a Feirinha aos domingos para fazer minhas compras devido aos preços dos produtos serem mais acessíveis, mas a última vez em que estive lá (há quase um ano) fiquei assustado com as aglomerações. Por precaução, deixei de ir à popular Feirinha.

Não me consta que exista alguma normatização de distanciamento, ou a Prefeitura tenha feito, pelo menos, alguma limpeza de desinfecção nesses locais. A única ação desse poder público é flexibilizar tudo e não fazer nada para combater essa pandemia.

É justamente dos moradores da zona oeste, nos bairros mais periféricos e pobres, que tem saído a maioria dos caixões da Covid, mas ninguém importa com isso, e nem conhece as famílias enlutadas que perderam seus entes queridos. O negócio é só lucrar e ganhar mais dinheiro, enquanto o fantasma da fome perambula pelas ruas pedindo um prato de comida, pelo amor de Deus.

 





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