setembro 2021
D S T Q Q S S
« ago    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

:: ‘Notícias’

ATLETAS NÃO PRECISAM DE COMENDAS E SIM DE UMA POLÍTICA DE INCENTIVOS

MAIS UMA VEZ ESSAS OLIMPÍADAS SERVIRAM PARA MOSTRAR A FORÇA DE VONTADE E A CARA DE POBREZA DO NOSSO POVO. O BRASIL CONTINUA UM GIGANTE ADORMECIDO EM BERÇO ESPLÊNDIDO.

Com todas as dificuldades financeiras de sempre, choros, suor e lágrimas, os atletas brasileiros nas Olímpiadas de Tóquio, no Japão, conseguiram arrancar na tora e na garra 21 medalhas, superior que a última, no Rio de Janeiro. O número reflete a falta de políticas públicas para os esportes. A mídia faz estardalhaços com berros e sensacionalismos, mas esconde a realidade do corte de verbas para a formação e treinamento, que neste ano foi de 47% (dois bilhões de reais).

Os representantes da Bahia, de origens pobres, saídos das miseráveis periferias, se destacaram no evento, e o governo, mais uma vez, promete implantar um programa de incentivo com centros de treinamentos, que depois são esquecidos (acabaram com as piscinas olímpicas). Na apresentação da medalha, político quer posar ao lado do campeão, especialmente se for de ouro.

Para fazer sua média política, a Assembleia Legislativa da Bahia aprova a criação de comendas aos atletas que conquistaram medalhas. Isso é um engodo! Faltam investimentos na base para desenvolvimento de novos esportistas, inclusive nas escolas públicas.

Em 2020 liberaram emendas parlamentares de 30 milhões de reais para quadras e estádios, mas no final falta verba para alambrado e outros equipamentos. A obra fica inacabada e termina sendo depredada. As estatais nacionais não mais dão ajuda para os esportes.

Conforme saiu na coluna de José Medrado (edição do A Tarde, dia 11/08), a senadora Leila Barros, ex-jogadora de vôlei da seleção, fez um pronunciamento no Senado Federal onde apontou que dos 309 atletas, 131 não têm patrocínio (empresas pouco investem em cultura, esporte e lazer), 36 realizaram permutas, 41 promoveram “vaquinhas” para arrecadar recursos (uma vergonha!), 33 conciliam esportes com o emprego e 78 nem sequer estão inclusos no programa Bolsa Atleta.

É triste ver um atleta como o Darlan Romani, que conquistou o quarto lugar no arremesso de peso, treinar no quintal da sua casa, com um técnico lhe orientando por telefone. Existe uma lei, a chamada “Pelé”, mas até hoje o governo não apresentou o Plano Nacional de Desportos. No lugar, aparecem os oportunistas para darem comendas.

Falta também da parte dos nossos atletas uma consciência política (negaram também a educação a eles) para nesse momento botarem a boca no trombone e denunciar essas mazelas. Deviam se recusar a sair nas redes sociais ao lado desses políticos e governantes que só querem capitalizar o voto nesses momentos de pódio. São verdadeiros caras-de-pau!

Pelo tamanho e riqueza do nosso país, pelos talentos adormecidos que existem, pelas modalidades praticadas com afinco, persistência e força de vontade, e se nossos atletas tivessem total apoio, o Brasil já teria superado o dobro de medalhas nas olimpíadas. Vinte e uma medalhas são poucas frente a outros países até menores. Não vou aqui fazer comparações com os Estados Unidos, China, Japão e Rússia.

“CARRO-PIPA PRECISA DEIXAR DE SER TROCA DE MOEDA NA POLÍTICA”

A questão do abastecimento de água em Vitória da Conquista foi um ponto de destaque nas falas dos parlamentares na sessão de ontem (dia 11/08), na Câmara de Vereadores, cuja plenária continua com o péssimo hábito das conversas em paralelo quando alguém está discursando. O assunto foi abordado quando muitos locais urbanos e na zona rural convivem com a escassez do precioso líquido tão vital para as pessoas.

Em seu pronunciamento, o vereador Augusto Coutinho foi enfático quando disse que o “carro-pipa precisa deixar de ser troca de moeda na política”, ao citar que uma mulher esteve em seu gabinete para que ele intercedesse junto às autoridades do município por um desse serviço de oferta de água. Há anos que o carro-pipa faz parte do cenário de seca no semiárido baiano, inclusive na região sudoeste.

Isto me fez lembrar dos tempos em que fazia coberturas jornalísticas sobre estiagens no sertão. O carro-pipa sempre foi objeto de troca de voto e, por incrível que pareça, ainda continua sendo. O parlamentar bradou que isso tem que acabar através da prometida construção de uma barragem, para ele sobre o Rio Pardo, próximo a Inhobim, que atenda toda demanda da população, com água encanada na cidade e no campo. Essa barragem seria o dobro da capacidade das atuais Água Fria I e II.

Outro que mirou o problema da falta de água foi o parlamentar Admilson Pereira, apontando também a urgência de implantação de outra barragem, antes que se corra em outro risco de racionamento, levando em consideração que ainda vamos ter um período extenso sem chuvas, além do inverno seco que ainda estamos atravessando.

O tenente Muniz criticou a situação das estradas vicinais da zona rural, as quais se encontram intransitáveis, como no povoado de Muritiba. O colega Dinho dos Campinhos tratou dos problemas da saúde no município, cuja população mais carente não tem tido o devido acesso.

Alexandre Xandó mostrou a precariedade dos transportes coletivos em Conquista, e disse que testemunhou o quadro numa van que ele mesmo usou para se deslocar até a Câmara.  Não é de hoje que este tema da mobilidade urbana tem sido o carro-chefe nas discussões entre os parlamentares e os usuários que dependem do transporte para o trabalho e a realização de outras atividades cotidianas.

A Tribuna Livre ficou por conta de representantes jovens da Ordem Demolê, que explicaram sobre papel da instituição na comunidade, principalmente de assistência educacional, de esportes e lazer para a juventude mais pobre. Falaram do Dia da Juventude e reivindicaram mais políticas públicas voltadas para as crianças e os jovens.

UM PAÍS FAMÉLICO E UM DOS MAIORES PRODUTORES DE ALIMENTOS DO MUNDO

Nossos contrastes e paradoxos estão visíveis em todas as partes no campo político, social, econômico e educacional. A começar, somos uma país rico de um povo historicamente pobre e desigual. As riquezas naturais são imensas e belas, mas estão sendo destruídas, casos específicos dos nossos biomas pantanal e amazônico, sem falar do cerrado, da caatinga, da mata atlântica e dos pampas.

O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o vice-campeão, mas é também um país de gente famélica de cerca de 50 milhões de habitantes que têm profundas deficiências nutricionais. Uma grande parte populacional vive à base do feijão com arroz, isto quando consegue comprar esses produtos, agora os vilões dos altos preços.

O Nordeste é a região que mais passa fome (só na Bahia quase um milhão), tanto que seu povo apresenta deficiências em sua estrutura física em termos de tamanho e massa corpórea. Morre-se mais cedo. É onde está o maior índice de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza, que mal fazem uma refeição por dia. Nossas crianças já nascem sem futuro.

Tudo isso é muito irônico e vergonhoso quando o Brasil é o maior produtor de café, de soja e carne bovina do mundo.  É também um dos maiores na produção de frutas, hortaliças, milho, cana-de-açúcar, carne suína e avícola. Temos comida para abastecer parte do mundo.

Mesmo com essa grandeza, falta alimento na mesa de milhões de brasileiros, principalmente agora com a alta inflacionária que incide sobre esses produtos, a maioria com preços cotados no mercado internacional. O economista pode até explicar esse processo cambial do sistema capitalista da oferta e da procura que faz os preços oscilarem, mas não convence o pobre quando se trata de barriga vazia. Nas sinaleiras crescem o número de cartazes avisando “Tô com fome, ajude!

Além dessas matérias-primas agrícolas de exportação, onde o Brasil é autossuficiente, existem produtos, a exemplo do arroz, que o país é deficitário, isto é, o consumo é maior que a demanda, mas, mesmo assim, a preferência é exportar para o exterior. O contraste é que toda produção é vendida lá fora, e o governo é obrigado a importar o arroz de outros países asiáticos a um custo maior. Lá se vão nossas reservas cambiais.

A agropecuária no Brasil é altamente subsidiada, a começar pelo crédito a juros mais baixos, e quase tudo que produz é comercializado para fora, na cotação internacional. Então, o brasileiro de menor poder aquisitivo paga o mesmo valor de outro país, cujo povo possui melhores condições financeiras.

Outra ironia que pagamos por essa política de priorizar o mercado externo é que os produtores sempre se fazem de “bonzinhos”, dizendo que são responsáveis por colocar comida em nossas mesas, o que é uma mentira. Acima de tudo, o negócio deles são os dólares, e quem puder que siga o câmbio. Os outros que passem fome. Isso, no mínimo é desumano.

Existe também outra ironia e paradoxo. Para o exterior, os alimentos de melhor qualidade, como a manga, o mamão, o melão, a carne e outros itens, que são selecionados para esse fim. O consumidor brasileiro fica com a parte inferior, com o refugo e as sobras, pagando o mesmo valor. As frutas, principalmente, estão carregadas de agrotóxicos venenosos.

Quem ainda ameniza essa situação de penúria e não é reconhecido pelo governo, especialmente o atual, é o agricultor familiar que dá um duro danado, sem recursos para aumentar a produtividade e enfrentar as adversidades climáticas. Este ainda é roubado pelo atravessador; termina ficando praticamente sem nada; e passa necessidades também, inclusive fome.

O familiar ainda tem a virtude de preservar o meio ambiente. O contrário do agroindustrial que derruba e queima nossas florestas para plantar soja para a China. Para quem está distante dessa cruel realidade fica até com pena quando vê um empresário desse setor se queixando e derramando “lágrimas de crocodilo”. Eles não estão nem aí para quem está passando fome. É a lei do mais forte. Como educar um país famélico? Sem educação não existe desenvolvimento, e as desigualdades sociais só aumentam.

O PÂNICO DA ENTREVISTA DE EMPREGO

Dentre de muitas coisas nesse Brasil tupiniquim, uma que sempre me deixa encabulado e intrigado é quanto a etiqueta padronizada para a tão temida entrevista de emprego. Os consultores da área de recursos humanos, especialmente, criaram um pânico no entrevistado frente ao entrevistador.

A entrevista de emprego passou a ser mais difícil que um concurso, ou uma prova de conhecimento. A tal entrevista está acima até do que qualquer teste psicológico. É o bicho papão dos candidatos que já entram tremendo na sala do ilustre avaliador. Na véspera, o pretendente a uma vaga não consegue dormir à noite. O cara tem que ter um treinador especial no assunto, como o advogado faz com sua testemunha antes de se apresentar numa audiência judicial.

Para a entrevista, existe uma vestimenta apropriada, corte de cabelo adequado dentro das normas, unhas bem aparadas, perfume certo para a ocasião, maneira correta de se sentar, como pegar na mão (agora não pode por causa da pandemia), como piscar o olho, sapato impecável (nada de tênis), cores da camisa ou da calça (vestido ou saia se for mulher), gestos refinados, entre tantos outros infindáveis protocolos de conduta.

Jamais invente de ir de chapéu ou boné meu caro amigo interessado por um trabalho em qualquer empresa pública ou privada. Gostaria de saber desses orientadores de entrevistas se isso tudo identifica a verdadeira personalidade do indivíduo? Muitas vezes, o homem ou a mulher, seguem essas regras de certinhos, mas quando estão lá começam a mostrar realmente quem são.

Acho tudo isso uma babaquice inútil dessa fútil sociedade que só dá valor para a aparência do vestir e do se comportar falsamente. Afinal de contas, vivemos num sistema repleto de regras e, infelizmente, temos que seguir as normas para a própria sobrevivência do ganha pão. O mercado de trabalho está aí, e é ele quem dita como você deve se apresentar, senão terá a cabeça cortada.

Por falar em entrevista, queria aproveitar para deixar um recado para nossos coleguinhas jornalistas. A maioria deveria voltar a frequentar uma sala de aula na faculdade, para aprender como fazer uma entrevista que renda uma boa matéria. Essa entrevista de que estou falando, não tem nada a ver com a outra de emprego.

SUAS “EXCELÊNCIAS” SÃO DIPLOMADAS E FAMÍLIA DE CIGANOS FOGE DE ABRIGO

Esse enredo ainda não teve um final conclusivo, e não terá, que seria a apuração rigorosa dos fatos que já resultaram na morte de oitos ciganos de uma mesma família (um menor não está na conta).

Pelas informações da Polícia Civil, eles e o pai, de 58 anos, que se encontra preso, participaram, no último dia 13 de julho, no distrito de José Gonçalves, em Vitória da Conquista, do duplo assassinato do tenente Luciano Libarino Neves e do soldado Robson Brito de Matos.

Enquanto a tragédia, com requintes de violência, escorraçou os ciganos de Conquista, suas “excelências” foram diplomadas com elogios pela atuação, como o 1º cl Cleonildo Silva Lima, lotado no 3º Pel/Anagé pela diligência que culminou na apreensão de três armas de fogo e auto de resistência de três ciganos que, de acordo com a própria corporação, fizeram parte dos assassinatos, no dia 13 de julho.

A diplomação não fala explicitamente em mortes, cujos cadáveres foram vilipendiados (profanados) no Hospital de Anagé). A condecoração lembra coisa de período de guerra contra um inimigo externo. Será o caso dos ciganos? Devemos comemorar operações que resultam em mortes de seres humanos? Ou eles não são?

Nessa “guerra” de violências, doze pessoas da etnia cigana fugiram de um abrigo do Programa de Proteção a Vítimas de Testemunhas (Provita/SP) porque descobriram que o dono da casa alugada para protegê-las seria de um policial militar, segundo informações do presidente do Instituto dos Ciganos do Brasil (ICB), Rogério Ribeiro. É o mesmo que colocar a raposa no galinheiro. Se é verdade, que proteção é essa?

Entre essas pessoas está a matriarca de 52 anos que teve oito filhos mortos em confronto com as guarnições da polícia militar, conforme notas divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia. Outros dois filhos estão foragidos. Com a mulher estão ainda quatro noras viúvas e sete crianças (seis netos e uma filha). Sabe-se que uma outra filha também se encontra em local ignorado, com três filhos.

Segundo Rogério, o grupo que fugiu apavorado do abrigo foi resgatado em uma rodoviária, com ajuda de outras famílias ciganas, e encaminhado a outro local mais seguro. Disse que essas pessoas precisam de ajuda, pois saíram de Conquista sem nada levar, como nos velhos tempos das correrias ciganas.

Ainda muito abalada, a matriarca da família divulgou um áudio onde implora que os filhos foragidos se entreguem à Polícia Civil. Ela se dirige, principalmente, ao mais jovem, afirmando que está sofrendo muito com a morte de seus oito filhos e teme pela vida dos demais.

Em matéria no jornal “A Tarde”, edição de ontem (dia 5/08), a assessoria da Polícia Civil confirmou que o procedimento com relação ao duplo homicídio dos policiais militares foi concluído na semana passada pela DH-Conquista, e está sendo encaminhado para a Justiça. Diz a nota que os detalhes do caso não estão sendo divulgados nesta fase das investigações.

 

ALÉM DO IPTU, PREFEITURA QUE COBRAR TAXA DE LIXO DO POVO

A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista voltou ontem (dia 4/08) do recesso parlamentar (haja recesso no ano!), com uma extensa pauta de requerimentos, indicações, moções de aplausos e alguns projetos-de-lei do executivo municipal, dentre os quais, a malvada taxação do recolhimento do lixo dos moradores que já pagam um caro IPTU.

A princípio, esse projeto representa um duplo imposto, tendo em vista que o povo já arca com o pesado IPTU todos os anos, e poucos benefícios recebem. Muitas ruas e bairros periféricos de Conquista continuam, há muitos anos, sem calçamento e serviços de esgoto. O brasileiro em geral já não suporta mais tantos impostos, num Estado que recebe o máximo e retribui o mínimo para a população.

O pior de tudo isso é que a maioria dos 21 vereadores (uma bancada que poderia ser reduzida pela metade se vivêssemos num país sério) aprova o projeto da prefeita. Então gente, prepare o bolso para mais um escorcha contra o contribuinte que já sofre com os preços dos combustíveis (Conquista tem os mais altos da Bahia), do gás e da ascendência inflacionária dos produtos alimentícios.

Para não dizer outra palavra, ou palavrão, é um absurdo, e uma falta de respeito contra o eleitor que deu seu voto, acreditando que os vereadores fossem lhe representar e lhe defender no legislativo. Nessa primeira sessão, depois do recesso, o conquistense recebe uma porrada traiçoeira.

Por causa da segunda onda da pandemia no início do ano, quando as sessões estavam sendo praticamente virtuais, ontem os trabalhos foram abertos à população, mas dentro dos protocolos recomendados de distanciamento entre as cadeiras, com álcool gel e máscaras, entre outros cuidados.

 

NÃO TRAUMATIZE MEU CHAPÉU!

Antes uma peça que fazia parte da indumentária do homem e da mulher, com toda sua elegância nas ruas, restaurantes e eventos festivos, o chapéu é por muitos visto hoje de forma discriminatória e com preconceito. Em tempos passados, ele desfilava soberano, inclusive pela nobreza, reis e rainhas.

Para o homem, por exemplo, ele não é aceito em determinados lugares solenes, reuniões, seminários, e nunca numa audiência judicial em frente ao um juiz. Numa entrevista de emprego, nem pensar! O cara que se atrever a ir de chapéu, será logo eliminado.

Lembro ainda menino que meu pai me obrigava a usar o chapéu na roça e quando ia à cidade, sob o argumento de proteção contra o sol. Com seu jeito matuto catingueiro de ser, ele dizia que o sol “cozinhava o juízo”, o que não deixa de ter certa razão. Livrei-me dessa exigência quando fui estudar, mas voltei ao hábito nos finais de semana nos anos 70, porque como repórter de redação, o jornal não admitia no trabalho.

No entanto, passei a adotar o chapéu, com maior frequência, quando vim assumir a Sucursal do “A Tarde”, em Vitória da Conquista, em 1991. Nos últimos anos, ele passou a ser minha marca registrada e não saio sem ele, embora impedido, ou autocensurado quando raramente entro num templo religioso, como na Igreja Católica.

Podem me criticar e até me chamarem de ignorante, mas não consigo entender o porquê consideram ofensa entrar numa Igreja de chapéu! Ele é tão imoral que constitui uma profanação à Santíssima Trindade? Na Igreja ele é um excomungado! Não posso falar com o Senhor Cristo com o meu chapéu? Será que Ele deixa de me atender por isso?

Por que o tabaréu, principalmente, quando fala em Deus tem que tirar o chapéu? Por que não se pode orar ou rezar com o chapéu? Ele é tão pecaminoso e símbolo de heresia?  Esses conceitos não entram em minha cabeça que sempre está coberta pelo meu querido companheiro chapéus.

Outra discriminação é quando se entra num restaurante. Na hora de comer, o sujeito tem que tirar o chapéu para não ser julgado como mal-educado e desrespeitoso com o ambiente. Existe alguma explicação plausível para isso? Se o argumento for bem lógico, quem sabe, poderei acatar, mas meu chapéu não vai gostar nada disso, e nunca vou abandoná-lo. Vai ficar magoado e com traumas para o resto da vida, mas ainda do que ele já sofre.

Bem, tenho uma pequena coleção de cerca de 160 a 170 chapéus, e sempre digo a eles que tudo isso não passa de mais um preconceito. Quando vou sair, é uma gritaria danada para me acompanhar. Para agradar a todos, costumo sempre sair com um diferente, muitas vezes de acordo com as estações do ano.

Tenho procurado, com meu jeito de conversar, contentar a todos e dar uma de psicólogo para que não se sintam rejeitados ou frustrados por essa gente preconceituosa. Só pediria que deixem meu chapéu viver em paz. Não incomoda, e nem fala mal de ninguém.

A MATANÇA DOS CIGANOS

Desde o dia 13 de julho foram mais de 15 dias de perseguições, espancamentos, torturas e mortes de oito ou nove ciganos, inclusive de menores, todos, segundo informações da polícia. em confronto. De preso mesmo só o pai Rodrigo, de 58 anos, que foi ferido e hoje se encontra preso. Essa pessoa até agora, que eu saiba, não foi ouvida e entrevistada pela mídia, para contar a verdadeira história. Teve gente que nem era cigano.

Trata-se de mais um caso nos moldes de uma chacina que logo cairá no esquecimento, ou como se diz, vai para o rol dos arquivos mortos de Vitória da Conquista, como tantos outros, como dos assassinatos do marinheiro numa cadeia de uma delegacia, do prefeito de Manuel Vitorino, do massacre num bairro periférico da cidade, do dono do jornal, João Alberto, do menino Maicon alvejada com uma bala numa operação policial e de tantos outros.

Tudo começou no dia 13 de julho quando dois soldados foram mortos por um grupo de ciganos, no distrito de José Gonçalves. O comando da PM e o próprio secretário de Segurança Pública sempre insistem em dizer que eles sofreram uma emboscada quando faziam uma investigação, o que não bate. O fato está envolto em mistério e em vários pontos cegos do esclarecimento. Não houve transparência, conforme apuração do próprio Instituto dos Ciganos do Brasil. É subestimar a nossa inteligência”

Além das mortes, sempre em confronto, como já se costumou propalar nesses crimes que têm a marca da vingança, houve uma generalização com fortes sinais de preconceito, que o próprio povo cigano sempre sofreu desde as eras antes de Cristo. A violência de soldados da corporação foi tão brutal que muitos ciganos foram obrigados a deixar a cidade em debandada, em correrias, como nos tempos passados desde Brasil Colônia.

Foi, por assim, dizer, um arrastão nesse rastro de matança e sangue. Ameaçados e aterrorizados, um grupo de mulheres e crianças teve que ser acolhido pelo Programa de Proteção a Vítimas de Testemunhas (Provita/SP). O relatório do Instituto, encaminhado para vários órgãos ligados aos Direitos Humanos, estampa cenas chocantes de pessoas torturadas. A maior parte de mulheres que sofreram espancamentos para dizerem o paradeiro dos supostos assassinos.

Diante de todo esse quadro de violência e barbárie, como sempre, nenhum segmento da sociedade conquistense (Ministério Público, Justiça, Câmara de Vereadores, Sindicatos, Associações e outras entidades) se pronunciou, pelo menos para pedir uma apuração rigorosa para punir os verdadeiros responsáveis. Não se ouviu uma voz para se colocar ao lado da lei, e em defesa dos direitos humanos. Para mim, que aqui moro há 30 anos, não é nenhuma novidade.

Conquista sempre foi uma cidade famosa nesses casos de matanças, desde os tempos dos coronéis. Aqui ainda impera a prática antiga de se fazer justiça com as próprias mãos. É quando os justiceiros entram em ação, sabendo de antemão que não serão punidos.

Existe uma falsa ideia de que o brasileiro é uma gente com o DNA de solidariedade ao outro. Confundem solidariedade com caridade quando a pessoa se prontifica a dar um quilo de feijão, arroz, óleo, açúcar, uma camisa, uma calça, uma jaqueta ou um coberto para aquecer o frio.

Quando se fala em agir em defesa dos direitos humanos, do respeito ao ser, sem preconceito e discriminação, todo mundo se esconde em sua pele de lobo. Nem estão aí! Os outros que se lasquem. Vá chamar alguém para se juntar a uma manifestação quando um semelhante é morto injustamente! Todos somem, mas aparecem para dar uma cesta básica. Vivemos sim numa comunidade individualista e egoísta.

MAIS TRÊS CIGANOS SÃO MORTOS E SEUS CADÁVERES SÃO VILIPENDIADOS

Numa troca de tiros, de acordo com versão das polícias militar e civil, mais três ciganos da família Matos, suspeitos do assassinato de dois PMs, no dia 13 de julho último, no distrito de José Gonçalves, foram mortos ontem (dia 28/07) nas imediações do Rio Gavião, em Anagé.

Com essas baixas na ação policial, sobe para nove o número de mortos desde a caçada aos ciganos no dia 13 do mês, incluindo dois menores de 13 e 15 anos e um empresário, dono de restaurante, de nome Diego Santos Souza, de 39 anos, membro da Pastoral da Igreja Católica, sem contar a prisão, com ferimentos, do pai Rodrigo Silva Matos, de 58 anos, interrogado no Distrito Integrado de Segurança Pública.

VILIPÊNDIO

Sobre os mortos, o Instituto dos Ciganos do Brasil (ICB) recebeu um vídeo e fotos dos corpos mostrando a voz de um homem e mais duas pessoas vilipendiando, ou seja, profanando, aviltando, desrespeitando e ultrajando os cadáveres.

Provavelmente, segundo a entidade, o local seria o Hospital de Anagé. O ICB enviou a gravação às autoridades competentes, para que o caso seja rigorosamente apurado, como crime previsto no Código Penal, artigo 212. Pede ainda que o servidor da Prefeitura de Anagé e todos que participaram do vídeo sejam identificados e punidos dentro da lei. O Instituto também requer que as circunstâncias das mortes sejam investigadas. “O vilipêndio causa dor e angústia às pessoas, cujas intimidades são expostas”.

O que se percebe nessas diligências dos policiais é que praticamente ninguém dos envolvidos chegou a ser preso para responder judicialmente pelos seus supostos crimes. O presidente do Instituto, Rogério Ribeiro, esteve em Vitória da Conquista, entre os dias 19 a 22 de julho e declarou que houve excessos por parte de membros da corporação militar, com torturas e espancamentos, inclusive contra uma idosa de 82 anos e três netos adolescentes.

Diante da violência, ainda segundo Rogério, vários ciganos tiveram que ser removidos de Conquista para outras cidades da região, no sentido de proteger essas famílias de mais represálias. Por intermédio de órgãos ligados aos direitos humanos, e com o consentimento das vítimas, cinco mulheres e sete crianças podem ser, em breve, incluídas no Provita (Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas de São Paulo), dependendo tão somente dos tramites burocráticos.

Na ocasião, no último dia 19, estiveram também em Conquista o secretário de Segurança Pública da Bahia, o comandante Geral da Policia Militar da Bahia e a delegada geral da Polícia Civil, quando negaram excessos dos policiais nos atos, e que tudo foi feito dentro da lei, o que foi negado pelo presidente do ICB, Rogério Ribeiro.

Disse que o secretário não foi transparente em nenhum momento. Em seu relatório, enviado para a Promotoria Pública Estadual, Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores de Conquista e do Congresso Nacional, defensoria pública e outros organismos, as fotos de espancamentos e torturas são chocantes. O documento faz um apelo para que providências sejam tomadas contra os responsáveis, e os crimes sejam punidos.

Esse fato em Conquista lembra os tempos do Brasil Colônia e Império quando os ciganos viviam em correrias, sendo empurrados de um estado para o outro, como corja de sujos, malandros, ladrões e marginais. Os bandidos aproveitavam a presença dos ciganos próximos a seus acampamentos para praticarem seus crimes, sabendo que eles levariam a culpa.

O BRASIL PRECISA CICATRIZAR SUAS FERIDAS QUE CONTINUAM ABERTAS

A história do Brasil é como a de um Velho Senhor que há séculos continua acamado porque não conseguiu cicatrizar suas feridas. Em seu divã de análise psicanalítica, Ele carrega marcas traumáticas do colonialismo escravocrata, do império oligárquico aristocrático burguês, da Velha República dos senhores coronéis, de uma Nova que se cansou no meio do caminho, de uma ditadura civil-militar que não fechou suas feridas, de uma redemocratização abalada pelas corrupções e o populismo de duas faces e agora por uma extrema de ódio às minorias excluídas, que está nos levando a uma caverna de trevas dos tempos primitivos.

Podemos nos ater às feridas mais recentes dos últimos 70 ou 80 anos, a começar pelo suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, quando uma turba ignara tentou dar um golpe militar, mas foi interrompido por um general chamado Lott. Quando o ministro do Trabalho João Goulart propôs um reajuste de 100% sobre o salário mínimo, a elite gananciosa e egoísta, como sempre, mais a ala conservadora das forças armadas, mostraram suas garras afiadas. Nesse elenco, não podemos esquecer do caudilho Carlos Lacerda, como um Catilina venenoso na cata pelo poder a qualquer custo.

Na ausência de Getúlio, assumiu o vice-presidente João Café Filho que foi instigado a puxar o golpe. No ano seguinte, teve a candidatura de Juscelino Kubistchek e Jango. Mais uma vez, as forças armadas tiveram que engolir o osso, mas o rancor ficou ainda mais guardado nas entranhas malditas. Como fake news do passado, ligaram a eleição de Juscelino ao contrabando de armas para os comunistas, os inimigos satânicos da nação. JK foi eleito e aí veio a conspiração para que ele não tomasse posse.

F

Foto do fotógrafo Evandro Teixeira e instalação do escultor Edmilson Santana

Mais uma vez, a tentativa de uma ditadura não colou, crescendo o ódio para uma revanche lá na frente. O golpe estava marcado para 10 de novembro de 1955. Queriam a cabeça do presidente interino Carlos Luz, substituto de Café Filho. O general Lott mobilizou seus oficiais, e a ave de rapina Carlos Lacerda fugiu a bordo do Cruzador Tamandaré. Nessa lacuna, Café Filho assumiu a presidência, mas ele também fazia parte da trama golpista e foi afastado.

Nesse interim, o Congresso Nacional aprova o estado de sítio até a posse de Juscelino, em 31 de janeiro de 1956, adiando um novo golpe. Vieram as eleições de 1960, e o destrambelhado Jânio Quadros é eleito contra o general Lott. Na vice tem o João Goulart, aquele demonizado perlo militares. O maluco renuncia no mesmo fatídico mês de agosto. Pela Constituição, o vice tem o direito de ocupar a cadeira, mas, novamente, as forças armadas, que diziam ser de ocultas, peitam sua posse. Os grupos de resistências, comandados por Leonel Brizola, furam o cerco. O homem senta no trono, mesmo enfraquecido por um parlamentarismo arranjado de última hora. As cicatrizes permanecem abertas.

Os generais recuam, guardando o revanchismo ditatorial no baú dos quartéis, com apoio de segmentos conservadores de alas civis, para 1º de abril de 1964. A promessa era ter eleições em 1965, mas em seu lugar nos mandaram um carrasco chamado Ai-5 (Ato Institucional), em 1968. No pacote de serpentes peçonhentas, vieram os anos de chumbo que assassinaram as liberdades individuais, censuraram, cassaram parlamentares, políticos, torturaram, esquartejaram, mataram e deram sumiço aos corpos dos adversários ao regime.

Foram quase 30 anos de repressão com cinco generais no governo, cometendo atrocidades, atos arbitrários e de terror até que veio uma tal de anistia tupiniquim que não puniu os torturadores, os que cometeram crimes hediondos de lesa-humanidade. As feridas do Velho Senhor, cansado de levar pancadas, não foram cicatrizadas. O Brasil continuou no divã psiquiátrico tomando doses cavalares de antidepressivos, remédios pesados para curar suas dores mentais traumáticas.

Pulamos mais 30 anos de turbulências, populismos, tramas e truques ilusionistas, e os poderosos de uma casta nababesca mandando no poder. Veio a polarização da intolerância entre o “nós e eles”, e ai se elege outro maluco, tipo psicopata, incarnado numa personagem histórica que espalhou desgraça e matança pelo mundo, com fins de selecionar uma raça pura.

Em seu governo de militares oficiais da reserva e da ativa (generais e coronéis), ávidos por vaidades, status e dinheiro, eles apoiam a linha arbitrária de um desequilibrado que também arma para implantar no Velho Brasil outra ditadura.

As investidas já foram várias, como fechar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (em maio do ano passado). As raposas e as hienas rondam o nosso terreiro, com carabinas e metralhadoras. Elas não desistem e querem repetir a história através da mão de ferro. Afinal de contas, são carniceiras da democracia.

Agora, o obcecado da extrema, que nos deixou sem vacina em plena pandemia da Covid-19, diz que o sistema eleitoral é fraudulento e quer, a todo custo, o retorno do voto impresso. Dá um ultimato que, caso contrário, não haverá eleições, o que significa um golpe. Como outrora, é um general que também lhe dá voz e manda um recado para o Congresso. A intenção é preparar terreno para uma intervenção militar. De legítimo, só se as urnas do próximo ano lhe derem a vitória.

Nesse jogo estão as polícias militares estaduais que são estimuladas a fazerem um motim. Elas são responsáveis pela segurança do pleito. Será que vamos ter um general Lott, como em 1955/56? Perceberam que em todas as tentativas e as consolidações de golpes nesse nosso Velho Senhor Brasil têm o rastro das forças armadas conspirando nos bastidores? Tudo isso tem uma razão de ser: As cicatrizes das feridas desse Senhor continuam abertas.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia