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A POLITIZAÇÃO DA SAÚDE EM CONQUISTA

Carlos Albán González – jornalista

O julgamento político e administrativo de Herzem Gusmão Pereira está marcado para 15 de novembro. O foro, evidente, não será o Tribunal Penal Internacional, em Haia, nos Países Baixos, que deve avaliar as denúncias de crime contra a humanidade, feitas por quatro entidades brasileiras ao presidente Jair Bolsonaro, o mais recente mentor político e ideológico – os primeiros foram os irmãos Vieira Lima, condenados por enriquecimento ilícito –  do prefeito de Vitória da Conquista, que, há poucos dias, negou três vezes – o cristão certamente conhece o episódio bíblico “O Arrependimento de Pedro” – ser partidário do bolsonarismo. O corpo de jurados será formado pelos eleitores do município.

Os jurados/eleitores vão levar em consideração os acertos e erros cometidos por Herzem nesses quatro anos, na áreas da saúde, educação, mobilidade urbana, urbanismo, cultural, no acatamento à Lei de Responsabilidade Civil, na preservação do meio ambiente, nos esportes e entretenimento, nas ações sociais e, acreditem, na sua conduta religiosa, procurando, aparentemente, manter-se distante da Igreja Católica, cujos fieis viram com perplexidade o seu prefeito se ausentar, no dia 14 de dezembro passado, da recepção ao representante do papa Francisco na região, o arcebispo dom Josafá Menezes.

Com nove mil servidores nos seus quadros, a prefeitura de Vitória da Conquista foi buscar lá fora empresas de consultoria, que até o momento não justificaram as remunerações recebidas. Ao mesmo tempo, assessores dos primeiros e segundo escalões vivem apreensivos com as frequentes demissões.

A gestão de Herzem Gusmão foi marcada pelo favorecimento à classe rica e aos líderes neopentecostalistas – por uma questão de justiça vamos excluir batistas, metodistas e presbiterianos -, que foram os grandes fomentadores de sua candidatura. Não precisa ser analista político para se concluir que a maioria dos conquistenses colocou nas urnas o voto anti PT, como se deu em várias partes do país, e, dois anos depois, em nível nacional, com a eleição de Bolsonaro. Foi a maneira de se punir a cúpula do Partido dos Trabalhadores, acusada de peculato.

Como Herzem retribuiu os votos recebidos da classe “A” e dos evangélicos? A resposta foi dada através de decretos, devolvendo aos lojistas as vagas de estacionamento no Centro, prejudicando a maioria dos proprietários de veículos; com a reabertura açodada do Comércio e dos templos religiosos, acelerando o avanço da Covid-19, contrariando uma ordem do Ministério Público; deixando ao abandono os bairros da periferia e a zona rural, que hoje convivem com a lama, a sujeira e os buracos.

A partir de junho de 1997, com a promulgação pelo Senado da emenda constitucional, permitindo a reeleição do presidente, governadores e prefeitos, revitalizou em todo o país o sonho dos políticos de se manterem nos cargos, estimulando a corrompível compra de votos. Permanecer por mais tempo na prefeitura esteve sempre na imaginação de Herzem, devaneio que acompanha Bolsonaro .

Voltados para o inoportuno projeto da reeleição e pressionados pelos “defensores” da economia, os dois sonhadores ignoraram as orientações das autoridades sanitárias, permitindo o avanço da Covid-19, trazendo o luto e o sofrimento a 110 mil famílias – 88 de conquistenses – de brasileiros. “E daí?”, perguntam as pessoas que ironizam o distanciamento social, promovendo aglomerações nas ruas, no transporte urbano, bares e festas; que não impedem a entrada de ônibus clandestinos; que se mostram insensíveis às filas nas portas dos bancos; que percorrem as áreas mais carentes da cidade, na condição de candidatos a vereador, burlando a legislação eleitoral, distribuindo “santinhos” e fazendo promessas, que não serão cumpridas;  e que se revelaram incompetentes na prevenção e  combate à pandemia.

Ao se dirigir à população conquistense, no dia da posse, Hérzem Gusmão prometeu priorizar as iniciativas na prevenção, promoção e recuperação da saúde. Colocando Deus em suas falas, jurou fazer um governo de paz. Contudo, declarou guerra ao governo do estado, na tentativa de politizar a saúde. A primeira rusga teve como motivo a Policlínica – Hérzem queria indicar o gestor -, que hoje atende a 31 municípios do Sudoeste. Acusou o governador Rui Costa de transferir para os hospitais daqui os infectados pelo vírus, quando, na verdade, há décadas, dezenas de ambulâncias e vans, procedentes de cidades da região, do São Francisco e do Sul do estado, trazem pacientes para se tratar ou se internar nas unidades de saúde de Conquista. Os enfermos são encaminhados pelos colegas de Herzem, que não aplicam ou desviam os recursos destinados à saúde pública.

Na esteira da politização, o alcaide não menciona e, muito menos agradece, as ambulâncias destinadas a Conquista pelos deputados Zé Raimundo e Waldenor Pereira, ambos do PT, e Fabrício Queiroz (PCdoB). Birrento, como é qualificado pelos próprios correligionários, Herzem afrontou – sobrou até para um dos seus ídolos, o prefeito de Salvador, ACM Neto –  o governador porque não obteve a liberação oficial da cloroquina e seus derivados, medicamentos “receitados” por Bolsonaro aos contaminados pelo novo coronavírus, contrariando as autoridades sanitárias.

Herzem pegou um avião e foi a Brasília, onde tentou ser atendido pelo general Eduardo Pazuello (substituto de dois médicos no Ministério da Saúde). Seu interlocutor foi um funcionário de nome Cascavel, que não injetou veneno na comitiva da Bahia. Ao contrário, prometeu enviar milhares de caixas dos “milagrosos” remédios, ministrados até para as emas do Palácio Alvorada.

Se no julgamento de 15 de novembro Herzem Gusmão for absolvido pelos eleitores permanecerá por mais quatro anos na chefia do município. Se for considerado culpado, volta para casa, veste o pijama e espera por mais dois anos para pleitear uma vaga na Assembleia Legislativa, utilizando nesse período o que mais gosta: os microfones das rádios de Conquista.

 

 

 

OS GERMES SÃO MAIS INTELIGENTES QUE HUMANOS NEGACIONISTAS DA CIÊNCIA

AS CARACTERÍSTICAS COMUNS DE TRANSMISSÃO DAS DOENÇAS

“A escrita caminhou junto com as armas, os micróbios e a organização política centralizada como um agente moderno de conquista… Relatos escritos de expedições motivaram outras posteriores, pela descrição das terras férteis que esperavam os conquistadores”. Essa revelação é contada pelo biólogo Jared Diamond, em seu livro “Armas, Germes e Aço”.

Em sua exposição científica, cita que a escrita nasceu primeiro, de forma independente, no Crescente Fértil com os sumérios por volta de 3000 a.C. e na Mesoamérica, sul do México, antes de 600 a.C. Por difusão de ideias, no Egito (os hieróglifos), 3000 a.C., na China por volta de 1.300 a.C.  no vale do Indo, na Grécia e em Creta que podem ter sido também de modo independente. A escrita cuneiforme suméria é o sistema mais antigo da história.

Interessante é que a escrita maia é organizada de acordo com os princípios semelhantes aos dos sumérios e de outras escritas eurasianas nas quais os sumérios se inspiraram. Muitas outras sociedades desenvolveram suas escritas como na Índia, Grécia micênica, Creta minoica e na Etiópia.

O alfabeto cirílico (ainda usado na Rússia) decorre de uma adaptação de letras gregas e hebraicas feita por São Cirilo. Outro idioma, como o germânico, teve seu alfabeto gótico criado pelo bispo Ulfilas. As centenas de alfabetos históricos e atuais derivam do alfabeto semítico ancestral (da Síria ao Sinai) no segundo milênio a.C. No início, o conhecimento da escrita era restrita aos escribas a serviço dos reis e dos sacerdotes.

No entanto, a escrita alfabética grega se expandiu para além dos escribas e foi um veículo de poesia e humor para serem lidos nos lares. Por sua vez, a produção de alimentos foi essencial para a evolução da escrita como para o surgimento dos micróbios causadores das epidemias humanas.

POPULAÇÕES EXPOSTAS EM POUCO TEMPO

As doenças infecciosas têm várias características comuns, como de transmissão rápida e eficaz da pessoa contaminada para a saudável que está próxima, e com isso a população inteira fica exposta em pouco tempo. Outra característica são as doenças agudas num curto período onde as pessoas morrem, ou se recuperam rapidamente. Outra diz respeito aos felizardos que se recuperam e desenvolvem anticorpos que os deixam imunes por muito tempo a uma repetição da doença, possivelmente para o resto de suas vidas.

Segundo Diamond, a disseminação dos micróbios e a passagem rápida dos sintomas significam que todo mundo, em determinada população humana, é rapidamente contaminado e logo depois está morto, ou recuperado e imune. Como o micróbio só pode sobreviver nos corpos de pessoas vivas, a doença desaparece até uma nova leva de bebês atingir a idade suscetível até que uma pessoa infectada chegue do exterior para desencadear uma nova epidemia.

Ele cita, como exemplo, como essas doenças se transformaram em epidemias na história do sarampo nas ilhas do Atlântico chamadas Feroé, em 1781, e depois desapareceu, deixando os locais livres do sarampo até a chegada de um carpinteiro contaminado vindo da Dinamarca de navio, em 1846. Em três meses, quase toda população de Feroé (7.782) havia contraído a doença e morrido, ou se recuperado.

Estudos mostram que o sarampo tende a desaparecer em qualquer população inferior a meio milhão de pessoas. Só em populações maiores, a doença pode passar de um local para outro, persistindo assim até que um número suficiente de bebês tenha nascido na área originalmente infectada para que o sarampo possa voltar.

As doenças de multidão

Conforme seus estudos, as doenças de multidão não conseguiram se manter em pequenos grupos de caçadores-coletores e lavradores primitivos. No inverno de 1902, uma epidemia de disenteria levada por um marinheiro matou 51 dos 56 esquimós sadlermiuts, na região ática do Canadá. “Sarampo e outras doenças infantis têm maior probabilidade de matar adultos infectados do que crianças”.

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A VELOCIDADE E OS RADARES

Muitas avenidas de Vitória da Conquista já estavam a necessitar de radares e passagens eletrônicas, contanto que se retire metade desses infernais e absurdos quebra-molas da cidade, os quais irritam os motoristas e provocam prejuízos aos veículos, sem falar no gasto extra de combustível.

Sou a favor do emprego dessa tecnologia nas médias e grandes cidades, não dos escondidos radares nas estradas federais, sem nenhum sentido de redução de acidentes, mas com intuito de arrecadação fácil. Aqui em nossa Conquista, só discordo do limite de velocidade imposto de 50 quilômetros na Avenida Luis Eduardo Magalhães.

Nem sempre é a velocidade que provoca acidentes. Existem outros fatores que não vou aqui listá-los. Não sou especialista em trânsito, mas na Luis Eduardo poderia ser de 60 quilômetros, e não 50 com o carro praticamente na terceira para não exceder o limite. Na verdade, vamos rodar com 40 numa pista sem movimento de pedestres e ainda com descidas e subidas.

Nessas condições dos 50 quilômetros, vai existir aquela apreensão maior com o ponteiro quando estiver um pouco acima dos 40. Muitos vão ter que segurar o carro na terceira e ai vai acontecer uma lentidão exagerada no trânsito, com início de engarrafamentos em momentos de pico. Tem ainda a questão do consumo de combustível, tão caro nesses tempos atuais.

O mesmo vai acontecer na Avenida Perimetral, ou J. Pedral, com subidas e descidas acentuadas. Nas outras avenidas, como a Brumado, a Frei Benjamim e a Juracy Magalhães, já existe um certo limite de velocidade dos motoristas por conta do movimento de pedestres e bicicletas. Elas são mais planas, comportando o teto máximo de 40 ou 50 quilômetros.

Na Juracy Magalhães, por exemplo, a fiscalização precisa ser mais rigorosa com os motoristas que estacionam seus veículos numa faixa da pista, e ainda ligam o sinal de alerta como se desse o direito de não serem multados por infração. Essa prática tem sido uma constante ao longo da avenida, prejudicando em muito o fluxo no trânsito e ainda levando a riscos de acidentes.

Já que a Prefeitura Municipal vai utilizar a tecnologia correta recomendada pelo Conselho Nacional do Trânsito, seria o momento oportuno de demolir, pelo menos, metade dos quebra-molas, como nas avenidas Pará e Maranhão onde existem sinalizações horizontais e verticais. É necessário que Conquista deixe de ser a capital dos quebra-molas que, como o próprio nome já diz, só servem para quebrar carros e atormentar os motoristas.

ESTUDANTES E A JUVENTUDE NA POLÍTICA

O PSB (Partido Socialista Brasileiro) de Vitória da Conquista fez uma live (tudo neste país é em inglês) para debater e homenagear o Dia do Estudante (11 de agosto) e aí fiquei aqui em meu canto a pensar nos movimentos passados mais recentes da nossa juventude, desde o início da ditadura civil-militar de 1964, e agora nos tempos atuais onde não mais se ver a estudantada nas ruas para combater esse fascismo aterrorizante.

Para ser verdadeiro e não ficar naquele “blábláblá” e “lengalenga” de tentar cobrir o sol com a peneira, e cada um querendo “puxar sua sardinha” para mostrar suas virtudes, vamos à dura realidade de alienação a que chegamos, em decorrência da pobreza educacional, da miséria no âmbito cultura e do encolhimento das forças progressistas, quase silenciosas.

DECEPCIONADOS

Por sua vez, estas “forças” deixaram milhões de jovens decepcionados pelo país a fora porque não fizeram o dever de casa e se comportaram mal como meninos travessos, com suas malandragens políticas, pilantragens, malfeitos, atos de corrupção e conluios com a elite e a burguesia safada que, mais cedo ou mais tarde, iriam passar a rasteira na esquerda que derrapou e capotou na curva da história.

Por esse pecado capital, ou político mesmo das ditas esquerdas que prometeram ética e moralidade e deram vergonha e desesperança, apareceu o dragão de fogo do retrocesso, do fascismo, do moralismo familiar e patriótico, do ódio, do racismo e dos negacionistas da ciência (seguidores da morte), para arrebanhar nossa juventude com ideias medievais, ao ponto de defender uma intervenção militar (a volta da ditadura) para nosso país.

A invés de ficarmos rememorando a história e arrotando conhecimento e sabedoria, deveríamos fazer um mea culpa pelos erros cometidos, e tentar consertar os tropeços do passado, com mais ações e exemplos, do que falatórios bonitos, rebuscados e barrocos. Devemos falar menos daquilo que fizemos e falarmos mais daquilo que deixamos de fazer e sermos humildes para pedirmos desculpas por termos prometido uma coisa e feito outra.

Confesso que fico muito triste quando vejo nossos estudantes e a juventude nas praças e ruas desfilando bandeiras retrógradas e de intolerância, de um governo que não veio para construir, mas para destruir nossos princípios, nossa evolução, nossas crenças na igualdade, na inclusão social para todos, na pluralidade de pensamento e, principalmente, na liberdade de expressão.

A RECONQUISTA DOS JOVENS

Mesmo diante dessa “catástrofe de retrocessos”, a maioria continua com o pensamento carreirista na política, na base da máxima nefasta de que os meios justificam os fins para se chegar ao poder e alimentar interesses particulares de terceiros. Se insistirmos nessa linha, não vamos reconquistar nossos estudantes e a juventude para a luta de reconstruir o nosso Brasil que, infelizmente, está despedaçado.

Minha mensagem não é de parabéns ao Dia do Estudante, dentro daqueles jargões e chavões de sempre, de que os jovens são o futuro do Brasil, sem antes fazer uma reflexão realista, porque esse futuro tão desejado não se constrói apenas com palavras. Claro que os jovens são o futuro do Brasil, mas não pregando propostas antidemocráticas e de revanchismos.

Os nossos jovens sempre foram o carro-chefe que arrastavam multidões nas ruas, atraindo a adesão de operários e outras categorias, inclusive professores, artistas e intelectuais na briga por uma escola pública de qualidade, por mais justiça social, por melhorias na distribuição de renda, contra o autoritarismo e a corrupção, e até para derrubar governos. Cadê esses estudantes que, mesmo sendo massacrados, sempre foram porta-vozes das nossas esperanças por dias melhores?

Os partidos políticos de linha progressista, que não estão aí comungando com esse governo destruidor do meio ambiente e de nossos ideais de liberdade e igualdade para todos, têm a obrigação de se redimir e fazer com que os estudantes e os jovens em geral voltem a acreditar que ainda é possível recomeçar e retomar o caminho da reconstrução.

A PANDEMIA, A ÉTICA E AS ELEIÇÕES

Tem muito pré-candidato às eleições municipais   que já está fazendo campanhas nas zonas rurais e urbanas, provocando aglomerações em plena pandemia do coronavírus, ainda em alta no Brasil, colocando em risco o próprio pretendente e a outras pessoas em seu entorno. Estão acontecendo casos de ajuntamentos através de reuniões com comunidades.

Ainda como pré-candidato a vereador pelo PSB a uma cadeira para a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista considero uma atitude antiética, mesmo antes de ser eleito. Quem acredita que, acima de tudo está a vida, o pré-candidato que assim procede, não resta dúvida, que está sendo contraditório consigo mesmo e não leal com o eleitor.

Em minha opinião particular, como simples cidadão, sou a favor de que estas eleições deveriam ser prorrogadas para o próximo ano, elevando os mandatos dos atuais políticos em exercícios por mais um ano, tendo em vista que se trata de um caso excepcional onde a vida deve estar acima de tudo.

Sei que muitos não concordam com esta medida, mas sempre procurei me pautar pela ética, sensatez e honestidade, e não é agora que vou violar meus princípios, começando a disputar um cargo na Câmara adotando uma prática na qual avalio como errada. Não vou me expor diante da atual situação de gravidade, e entendo que o eleitor consciente deve ficar de olho em quem não está respeitando e preservando a vida.

Como não existem sinais de que o pleito deste ano seja adiando para o próximo ano, em outras ocasiões, comentei aqui que estas eleições serão bem diferenciadas em termos de campanha, concentrando-se basicamente através das redes sociais, televisão, carros de som, cartazes, folhetos e pouco contato com as pessoas. Ainda coloco aqui a questão financeira da escassez de recursos que vão marcar estas eleições, mais ainda que a passada.

Talvez esteja sendo radical, mas, em minha visão, 2020 é um ano praticamente perdido para o Brasil, e devemos encarar esta realidade porque não temos nenhuma certeza que esta pandemia vá logo passar, pelo menos a custo prazo até dezembro, visto que já estamos no meado de agosto e o número de mortes e infectados continua entre a estabilidade e alta, salvo alguns estados que oscilam de um dia para o outro.

A esta altura, nem é mais necessário falar que, por diversos fatores de precariedades nas áreas da saúde, da educação, do saneamento e das desigualdades sociais (muita pobreza), o nosso país vai ainda demorar um pouco para controlar e reduzir de vez a contaminação por esse vírus tão mortal.

Por essas e outras é que não acho nada prudente a volta às aulas nessa época do ano, o início do campeonato brasileiro de futebol (muitos atletas estão testando positivo) e a realização das eleições municipais. Não se trata de pessimismo, embora alguns possam assim me julgar. A minha posição é mais de eleitor e cidadão, do que de um pré-candidato a vereador.

 

 

OS GERMES SÃO BEM MAIS INTELIGENTES DO QUE OS NEGACIONISTAS DA CIÊNCIA (II)

A IMPORTÂNCIA DOS MICRÓBIOS NA CONQUISTA DO NOVO MUNDO

O autor do livro “Armas, Germes e Aço”, de Jared Diamond, assinala que “a importância dos micróbios na história humana é bem ilustrada pelas conquistas europeias e o despovoamento do Novo Mundo”. De acordo com a conclusão do cientista, muito mais ameríndios morreram abatidos pelos germes eurasianos do que pelas armas e espadas europeias nos campos de batalha.

Cita, como exemplo, que em 1519, Cortez desembarcou na costa do México com 600 espanhóis a fim de conquistar o império com uma população de milhões. Cortez atacou a capital Tenochtitlán e depois recuou por ter perdido dois terços da sua gente na luta.

A VARÍOLA

No retorno violento, os astecas não eram mais ingênuos e guerrearam com tenacidade. O que deu aos espanhóis uma vantagem foi a varíola, que chegou ao México em 1520, através de um escravo contaminado procedente de Cuba. A epidemia matou quase metade dos astecas, incluindo o imperador Cuitláhuac. A doença exterminava os astecas e poupava os espanhóis.

Narra o biólogo Diamond, que Pizarro foi também ajudado por um acaso quando desembarcou na costa do Peru, em 1531, com 168 homens para ocupar o Império Inca formado por milhões de habitantes. A varíola havia chegado por terra em 1526 e dizimado grande parte da população inca, incluindo o imperador Huayna Cápac e seu sucessor. Por um tempo, o trono ficou desocupado por causa da guerra civil provocada pelos dois filhos de Huayna. Pizarro explorou esses pontos para conquistar o império dividido.

Quando Colombo chegou, em 1492, a América do Norte abrigava aldeias indígenas populosas no vale do Mississippi, um dos melhores terrenos para a agricultura. Ali, os conquistadores não contribuíram diretamente para a destruição da sociedade, mas os germes eurasianos que se disseminaram antes na região. Hernando Soto, o primeiro a chegar ao sudeste dos Estados Unidos, em 1540, encontrou em sua marcha aldeias indígenas abandonadas porque a população havia morrido em epidemias, propagadas pelos índios do litoral infectados pelos espanhóis. Quando os colonos franceses chegaram no trecho do Mississippi, no final do século XVII, quase todos os indígenas já haviam desaparecido.

OS PRINCIPAIS ASSASSINOS

Na América do Norte ensinavam nas escolas que o território era ocupado por cerca de um milhão de índios, mas, na verdade, existiam 20 milhões. “Para o Novo Mundo, estima-se que o declínio da população indígena nos dois primeiros séculos posteriores à chegada de Colombo tenha sido de 95%. Os primeiros assassinos do Novo Mundo foram os germes aos quais os índios foram expostos e não tinham resistência imunológica. “Varíola, gripe, sarampo e tifo disputavam o primeiro lugar entre os assassinos”. Como se não bastassem, vieram ainda a difteria, malária, caxumba, coqueluche, peste, tuberculose e a febre amarela.

Tenochtitlán era uma das capitais mais populosas do mundo, e por que não tinha germes esperando pelos espanhóis? – indaga o cientista. Uma das respostas é que os três centros americanos mais densamente povoados, o Andes, a Mesoámerica e o vale do Mississipi nunca se interligaram por um comércio regular que os transformassem em terreno propício para a proliferação de micróbios. como aconteceu na Europa, norte da África, Índia e China no período romano.

“Vimos que as doenças de multidão eurasianas se desenvolveram a partir das doenças dos rebanhos domesticados. Enquanto muitos deles existiam na Eurásia, apenas cinco foram domesticados nas Américas, como o peru no México e no sudeste dos Estados Unidos, a lhama/alpaca e o porquinho-da- índia nos Andes, o pato-do-mato na América do Sul e o cachorro em todo continente”.

Essa escassez extrema de animais domesticados no Novo Mundo reflete a falta de material selvagem inicial. Cerca de 80% dos grandes mamíferos selvagens das Américas foram extintos no final da última Era Glacial, por volta de 13 mil anos atrás.

Os germes, segundo o estudioso, desempenharam um papel-chave no extermínio dos povos nativos em muitas outras partes do mundo, incluindo os habitantes das ilhas do Pacífico, os aborígenes australianos e os coissãs da África Meridional.

Um dos exemplos é que a população indígena da ilha Hispaniola (Grandes Antilhas) caiu de cerca de oito milhões na chegada de Colombo para zero por volta de 1535. O sarampo chegou a Fiji com a volta de um chefe fijiano depois de uma visita à Austrália, em 1875.

O PAPEL DOS GERMES

A sífilis, gonorreia, tuberculose e a gripe, que chegaram juntos com o navegador  James Cook, em 1779, seguida de uma grande epidemia de febre tifoide, em 1804, e outras epidemias secundárias, reduziram a população do Havaí de meio milhão de habitantes para 84 mil, em 1853, ano em que chegou a varíola e acabou matando cerca de dez mil sobreviventes. “Embora o Novo Mundo e a Austrália não tivessem doenças epidêmicas nativas à espera dos europeus, a Ásia tropical, a África, a Indonésia e a Nova Guiné tinham. A malária no Velho Mundo, o cólera no sudeste da Ásia e a febre amarela na África eram e ainda são os assassinos tropicais mais notórios. Tudo explica porque a divisão colonial europeia da Nova Guiné e de grandes partes da África só foi feita 400 anos depois do começo da divisão europeia do Novo Mundo.

Não há dúvida de que os europeus tinham uma grande vantagem em termos de armas, tecnologia e organização política sobre a maioria dos povos não-europeus que conquistaram, mas os germes desenvolveram papel importante no domínio a partir da prolongada convivência com os animais domésticos. As armas, por si só, não explicam as conquistas.

Para quase todas as doenças, algumas pessoas são geneticamente mais resistentes que outras. “Numa epidemia, as pessoas com genes resistentes àquele micróbio em particular têm mais probabilidade de sobreviver do que aquelas que não têm esses genes”. O cientista destaca como exemplos dessas defesas genéticas, as proteções que os genes da anemia falciforme e da fibrose cística podem dar a negros africanos, judeus asquenazes (origem europeia central ou oriental) e europeus do norte contra a malária, a tubérculos e as diarreias bacterianas, respectivamente.

Descreve o biólogo que as epidemias de cólera ocorreram a intervalos mais longos, e a epidemia peruana de 1991 foi a primeira a atingir o Novo Mundo no século XX. A grande epidemia da história da humanidade foi a gripe espanhola, que matou 21 milhões de pessoas no fim da Primeira Guerra Mundial. A peste negra (bubônica) matou um quarto da população da Europa entre 1346 a 1352, com o número de mortes chegando a 70% em algumas cidades.

OS PREDADORES DO MEIO AMBIENTE E A SENHA PARA O ÓDIO E A INTOLERÂNCIA

Ao invés de combater as causas, ou atacar a raiz do problema, todas as vezes que a Amazônia e o Pantanal ardem em chamas, o cara do governo e seus seguidores mandam a marinha e o exército para a linha de frente apagar o fogo, como forma de maquiar uma agenda voltada para a destruição do meio ambiente. O certo não seria primeiro evitar os desmatamentos através do cumprimento das leis?

Essa é uma forma de tentar confundir a opinião pública brasileira e, ao mesmo tempo, enganar os grandes investidores nacionais e internacionais de que o governo federal está comprometido em preservar a natureza. No entanto, suas ações de abrandar a legislação ambiental entram em completa contradição.

“Fiscalização não é prioridade”

A primeira atitude do capitão ao assumir a Presidência da República foi dizer que a fiscalização contra os desmatamentos não era sua prioridade e, para comprovar isso, logo providenciou desmontar as estruturas do Ibama, do Instituto Chico Mendes e da Funai, como forma de passar a “boiada” dos regramentos, conforme ficou explícito na fala do ministro do Meio Ambiente, que está mais para predador.

Não dá para entender como um governo faz acordos com garimpeiros ilegais e alguns índios manipulados por criminosos, para interromper uma fiscalização num local onde a terra que antes era coberta por árvores, protegendo a flora e a fauna, virou escombros, sem contar a contaminação dos rios por produtos venenosos. Como entender um governo que exonera diretores e pune fiscais do Ibama porque foram rigorosos contra os grileiros e garimpeiros, queimando maquinários?

O ministro da Economia é outro que procura jogar o lixo debaixo do tapete ao justificar o aumento das queimadas brasileiras, consequência dos desmatamentos por parte de grileiros e produtores rurais, lembrando aos estrangeiros que eles no passado devastaram as florestas da Europa, o Velho Mundo, através das guerras sangrentas e do uso das terras para criação e produção de alimentos. Ainda pede que eles sejam gentis como nós somos.

Senhor ministro, primeiro um erro não justifica outro, e segundo, ao longo dos últimos 60 ou 70 anos, os governos europeus trabalharam para corrigir os grandes desastres cometidos contra o meio ambiente, fazendo a cobertura vegetal do solo através do reflorestamento de quase metade de seus territórios e despoluindo muitos rios! Foi como se dissesse: Se vocês desmataram, agora é a nossa vez, quando o caminho não é por aí.

O vice-presidente da República e agora presidente de um Conselho da Amazônia (só deles) reconhece que houve aumento do desmatamento, mas, do outro lado, nega os dados do Instituto Nacional de Pesquisas. É assim que eles querem convencer os investidores de que estão zelando por nossa casa? É subestimar a inteligência dos outros!

As senhas da destruição e do ódio

Todas essas práticas nefastas contra o meio ambiente soam como se o governo estivesse abrindo a senha para a entrada franca dos predadores, numa quebra das regras. É como se dissesse que esse governo não veio para construir, mas para destruir.

O sinal não foi aberto somente para os destruidores do meio ambiente, mas também para os racistas, nazifascistas, misóginos, os negacionistas da ciência, os defensores de uma intervenção militar e para os homofóbicos saírem de suas tocas para destilar seu veneno do ódio e da intolerância, daí o aumento dos feminicídios, dos ataques aos negros, aos homossexuais e outras categorias que não comungam com suas ideias antidemocráticas.

Como se estivéssemos nos tempos da ditadura, o Ministério da Justiça montou um dossiê para acompanhar, retaliar e inquerir contra movimentos antifascistas, inclusive professores, considerados opositores e inimigos de uma agenda autoritária e discriminatória que se instalou no governo atual sob o comando do capitão-presidente e seus generais de plantão.

 

 

 

 

O INTERVALO DO DIABO

E mais um texto-prosa que faz parte do livro “ANDANÇAS”, de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, que pode ser encontrado na livraria Nobel e na Banca Central, em Vitória da Conquista.

Salustiano Querosene do Pavio é um trabalhador braçal que nasceu e vive há anos nos confins dos grotões deste Brasil que muita gente diz que é aonde o diabo gosta e o vento faz a curva, cafundós do Judas ou o fim do mundo. Salustiano e a gente daquele pedaço de chão nem existem como seres humanos cidadãos, mas já ouviram falar das artimanhas do Diabo, ou do Belzebu Satanás chifrudo que não perde um descuido ou um intervalo de fraqueza para roubar uma alma.

Quando Salustiano não tem dinheiro, e isso é quase sempre, para comprar na venda o querosene de acender o candeeiro pra clarear seu casebre, ele apela para o óleo de mamona extraído dos bagos pisados no pilão. O pavio é feito do algodão colhido de um pequeno plantio de sua roça. Quando não tem algodão vai mesmo um pedaço velho de pano. O pior de tudo é a escuridão quando o Diabo mais aprecia para fazer suas assombrações.

Teve um tempo que Salustiano vendia querosene e pavio, mas o negócio não foi pra frente por causa dos fiados que não recebia. Restou o seu nome dado pelo povo. Essa expressão  “pobre diabo”, pessoa que trabalha como condenado e nada tem, escrava do poder e que não incomoda ninguém, é o típico Salustiano.

Mesmo temente a Deus, ele sabe e sente na carne e na alma que é um “pobre diabo”, só não sabia que desde a antiguidade, nos tempos dos bárbaros, antes e depois de Cristo, inclusive nas Cruzadas e na Idade Média, existiu uma sociedade secreta chamada de “O Intervalo do Diabo”, onde a entidade era reverenciada como deus da fortuna para uns poucos e da desgraça para os que se arrastavam na miséria e na ignorância.

Com ou sem sociedade, o Diabo, que não é nada de pobre, não dispensa seu intervalo na concorrência com Deus e sempre aumenta seu espaço através dos tempos, ainda mais materializada nos atuais, sem precisar de muito esforço e tentação. Às vezes, Ele se disfarçar de Deus para atrair a atenção e conseguir mais e mais intervalo, inclusive em horários nobres. A competição é uma arte na busca por mais clientes, e a disputa é acirrada.

Sem perceber, Salustiano sempre está caindo no papo Dele, mas não é só ele que é iludido, é muita gente mesmo, sem contar que o danado Rabudo é exímio marqueteiro e garoto propaganda dos templos sagrados. Se nas inquisições da Idade Média Ele deitou e rolou, agora na era do consumismo o Lúcifer está se esbaldando. O charme é que para confundir, o Diabo tem vários nomes e passaportes diferentes. Roda o mundo em mil disfarces exibindo suas artimanhas. Pode até ser feio para muitos, mas que o bicho é popular, isso é!.

Tem-se como certo que o Diabo é tirânico e vingador, mas esta caricatura também foi imputada a Deus pelo Antigo Testamento e através dos temidos frades pregadores da Igreja Católica com suas palavras que cortavam como chibatadas salgadas nas almas pecadoras condenadas a arder no fogo do inferno. Nos púlpitos condenatórios, o Diabo triunfa e ganha seus intervalos.

Dizem que Ele está sempre na espreita em cada rota, em cada estrada e encruzilhada da vida atrás do seu precioso intervalo em forma de prazer e dor. Salustiano Querosene sempre teve um bom coração e cuidou bem da sua família. Quando podia, ajudava seus semelhantes e procurava cortar outro caminho para desviar do Diabo, mas o capeta estava sempre na moita.

Um dia Ele chegou na varanda de sua casa bem de mansinho e cochichou uma intriga em seu ouvido de que sua mulher estava lhe traindo com seu melhor compadre. Pior que Salustiano já trazia uma ponta de cisma da amizade e do olhar entre os dois. Com o intervalo que conseguiu, o Chifrudo agora podia voltar depois para fazer o serviço completo.

Com aquilo no juízo, Salustiano Querosene, marcado pelas labutas do dia-a-dia, sem sucessos e sem garantias de uma vida melhor, foi se enchendo de raiva e amargura em seu coração. Os pensamentos ruins formigavam em sua cabeça roendo seus neurônios. Sempre foi temente a Deus, mas o Diabo tinha seu intervalo.

Sacudido por mais um fracasso em sua roça castigada pela seca e num intervalo fulminante da ira, Salustiano sangrou sua mulher em frente dos filhos. Matou ainda seu compadre vizinho e sumiu no mundo para terras estranhas onde ninguém nunca mais o encontro.

Todos disseram por aquelas redondezas que Salustiano estava com o Diabo no corpo. Alguém contou que viu ele com uma peixeira na mão passar veloz como o vento no cruzamento do povoado mais próximo. Parecia mais com uma onça escorraçada depois de um ataque surpresa. Rápido, o “pobre diabo” melado de sangue sumiu no agreste cinzento da paisagem árida.

 

 

 

OS VÍRUS SÃO BEM MAIS INTELIGENTES DO QUE OS NEGACIONISTAS DA CIÊNCIA

Em tempos de pandemia do coronavírus, para quem aprecia uma boa leitura, recomendo ler o autor de “Armas, Germes e Aço”, de Jared Diamond, fisiologista e biólogo, professor e membro da Academia Americana de Artes e Ciência que, em sua obra, faz uma viagem de 13 mil anos de história dos continentes. Concluiu que a dominação de uma população sobre outra tem fundamentos militares, ou nas doenças epidêmicas que dizimaram sociedades de caçadores-coletores e agrícolas.

Antes de entrar na parte terceira do livro “Do Alimento às Armas, aos Germes e ao Aço”, Diamond faz um relato científico sobre a evolução dos animais, incluindo o homem através dos tempos desde seus ancestrais gorilas e os chipanzés, passando pelo homo sapiens e o de neandertal. Mostra a viagem do homem para outros continentes e sua evolução através dos tempos.

Até o Novo Mundo e a Covid-19

A partir do ano 11 mil a.C. e, principalmente, oito mil no Crescente Fértil (Ásia), maior celeiro do mundo na produção de alimentos, o autor descreve a domesticação das plantas silvestres e dos animais mamíferos pelos agricultores e caçadores-coletores nos diversos continentes, a começar pela África, Eurásia, Ásia, Polinésia até o Novo Mundo das Américas.

Depois de uma longa introdução científica sobre as diversas formas de domesticação, suas causas e efeitos do surgimento agrícola dos grãos, legumes, fibras, tubérculos e a expansão da produção de alimentos (“Vastos Céus e Eixos Inclinados”), o autor entra no capítulo “O Presente Letal dos Animais Domésticos”, a parte mais interessante por nos remeter ao presente atual em que vivemos com o mortal Covid-19.

Você vai ter uma visão geral das formas de contaminação do homem pelos diversos germes, bactérias, micróbios e vírus que já mataram milhões nos últimos quatro ou cinco mil anos. O leitor vai descobrir como os germes, os micróbios, as bactérias e os vírus são inteligentes durante seu processo de reprodução e evolução. São bem mais inteligentes que os humanos que não acreditam em suas existências e negam a ciência, se deixando contaminar e infectando os outros.

Comparando os caçadores-coletores com os agricultores, o biólogo diz que estes tendem a expirar germes piores, possuir armas melhores e tecnologias mais poderosas, além de ter governos centralizados capazes de empreender guerras de conquistas. Para ilustrar os elos que interligam a criação de animais e culturas agrícolas aos germes, ele conta o caso de um casal doente no hospital com uma enfermidade misteriosa onde depois o médico descobriu que o marido havia mantido relações sexuais com ovelhas. Com isso, Diamond quis mostrar a importância das doenças humanas de origem animal.

Os principais assassinos da humanidade

De acordo com ele, a maioria ama platonicamente seus bichos de estimação, citando o carinho exagerado por ovelhas. Um censo na Austrália constatou mais de 17 milhões de habitantes contra quase 162 milhões de ovelhas. “Muitos de nós, crianças e adultos, chegam a contrair doenças infecciosas dos animais de estimação”.

Destaca que a varíola, a gripe, a tuberculose, malária, peste bubônica, sarampo e cólera foram os principais assassinos da humanidade ao longo de nossa história. Essas doenças infecciosas foram transmitidas por animais, “embora a maioria dos micróbios responsáveis por nossas próprias epidemias agora esteja restrita aos seres humanos”.

“Até a Segunda Guerra Mundial, segundo ele, uma quantidade maior de vítimas morreu por causa de micróbios trazidos com a guerra do que dos ferimentos das batalhas”. Em sua conclusão, os vencedores das guerras passadas nem sempre foram os exércitos com os melhores generais e as melhores armas, mas quase sempre aqueles que carregavam os piores germes para transmiti-los aos inimigos.

Aponta que os exemplos mais terríveis do papel dos germes na história vêm da conquista das Américas pelos europeus a partir de Colombo, em 1492. “Mais numerosos que os ameríndios vítimas dos conquistadores espanhóis foram as inúmeras vítimas dos micróbios espanhóis assassinos. Muitos outros povos nativos foram dizimados por germes eurasianos e o inverso aconteceu com os conquistadores europeus nas regiões tropicais da África e da Ásia”.

Em sua observação, assinala que para um micróbio, a propagação pode ser definida matematicamente como o número de novas vítimas contaminadas por cada paciente original. “Esse número depende de quanto tempo cada vítima permanece capaz de infectar novas vítimas, e da eficácia com que o micróbio é transmitido de uma vítima para a seguinte”.

Os micróbios e as maneiras de passar para outros

Eles, os micróbios, desenvolveram diversas maneiras de passar de uma pessoa para outra, e de animais para as pessoas. O que melhor se propaga deixa mais “filhotes”, ou bebês, e acaba favorecido pela seleção natural. “A melhor maneira do germe se alastrar é esperar que seja transmitido passivamente para a próxima vítima. Essa é a estratégia de aguardar que um hospedeiro seja comido pelo próximo hospedeiro”. Um exemplo por ele descrito, é o caso da bactéria salmonela. Outro caso ocorre com o verme responsável pela triquinose, que passa dos porcos para nós, esperando que se mate o animal e seja comido sem o cozimento adequado.

“Esses parasitas passam para uma pessoa quando ela ingere carne de um animal. No entanto, o vírus do kuru nas regiões montanhosas da Nova Guiné era transmitido para pessoas que se alimentavam da carne humana. Alguns micróbios, porém, não esperam que o hospedeiro morra e seja comido. Eles pegam carona na saliva de um inseto que pica o hospedeiro e sai voando para achar um novo”.

Um dos exemplos são os mosquitos, pulgas, piolhos ou moscas africanas tsé-tsé, que transmitiam malária, peste bubônica, tifo e a doença do sono. Existe o micróbio que passa de uma mulher para o feto e contamina o bebê no nascimento.

As lesões da pele causadas pela varíola também transmitem micróbios por contato corporal direto ou indireto – assinala o cientista. O autor do livro cita, como exemplo, a ação criminosa dos homens brancos dos Estados Unidos que, para exterminar os índios nativos, enviaram-lhes de “presente” cobertores usados antes por pacientes com varíola.

“A bactéria do cólera provoca em sua vítima intensa diarreia que espalha bactérias no sistema de abastecimento de água das novas vítimas potenciais, enquanto o vírus responsável pela febre hemorrágica coreana propaga-se através da urina dos ratos. O vírus da hidrofobia (raiva) se aloja na saliva de um cão contaminado e ainda provoca no animal o furor de morder”.

Pelo esforço físico do próprio micróbio, os campeões, conforme aponta o biólogo, são vermes como o ancilóstomo e o esquistossoma que penetram na pele de um hospedeiro em contato com a água e a terra na qual suas lavras foram excretadas nas fezes de uma vítima anterior. “Do ponto de vista de um germe, são estratégias evolutivas inteligentes para se disseminar”.

Afirma o autor que os anticorpos específicos desenvolvidos contra um micróbio que nos contamina reduzem a probabilidade de uma reinfecção depois de curados. Por experiência, sabemos que há certas doenças, como a gripe e o resfriado comum, contra as quais nossa resistência é apenas temporária. “Podemos acabar contraindo a malária outra vez. No entanto, contra o sarampo, caxumba, rubéola, coqueluche e a varíola, nossos anticorpos conferem imunidade permanente”.

CONVERSA COM OS BICHOS

Esta crônica faz parte do livro “ANDANÇAS”, de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, lançado há pouco tempo e pode ser encontrado na livraria Nobel e na Banca Central, ou através do próprio autor pelo e-mail macariojeremias@yahoo.com.br e pelo tel 77 98818-2902.

Oh! meu gafanhoto: Veja o estouro da boiada. Não se tem mais certeza de nada. O mundo gira depressa e a locomotiva passa. O tempo engole a gente e não se espera o retardatário nas estações. É a corrida competitiva do ouro de tolo. Até os passarinhos não conseguem fazer seus ninhos sossegados. Quase que não se cruza mais com o vizinho. Não existe mais tropa de tropeiros, nem comitiva. As muralhas separam nações, para acirrar o ódio e o pavor.

O nível dos rios baixa e suas águas não escoam livremente. Correm apertadas entre lixo e erosão. Os bancos de areia avançam e o leito seco mata o sapo perereca. É o silêncio da morte chegando. Não mais as árvores das sombras cativantes. O vermelho guará prenuncia o perigo ao se alimentar da lama do mangue terminal. Na lança dos nativos, suas penas cores de sangue lembram o ritual da dança antropofágica.  Resta navegar, com presteza, nos desvios dos vazios.

O sertão está virando carvão, e o mar em esgoto venenoso. A terra se desloca, treme e arrebenta; cospe fogo como dragão; e sai de rotação. O tufão arrasta, contorce, torce e arremessa tudo que encontra em sua frente para o alto das montanhas. As ondas surgem como monstros marinhos; engolem o litoral; e sugam gentes e destroços. Destroem as façanhas dos homens e tudo vira um roto lamaçal.

As calotas se derretem; o clima esquenta, queima e a paisagem fica cinzenta. E eu cá, meu gafanhoto, a meditar na revolução e no paraíso original, sem o ímpeto de querer seguir a vida. Sonhei um mundo de poetas, sem polícia para bater, sem censores e sem câmaras de olhos malditos a vigiar. Sonhei um mundo sem grades, sem homens bombas e sem terras divididas em fronteiras. Sonhei com o vento sem fúria e com o livre viver, sem ter que me censurar antes de falar.

Não deixe, gafanhoto, que o sol derreta sua cara, nem se consuma nos desejos do inferno de Dantes. Não negocie ideologia e ética por estética.  Esteja vigilante para as armações das mentes. Contemple a luz do dia. Cuidado com a fera que espreita. Não deixe seu amor partir, mesmo que não seja eterno. Ouve o que diz a canção do mar nas dobras das ondas virando sal. Fica se for preciso ficar, para desafiar. Se não estiver incluído entre os melhores, não use como consolo o outro por ser o pior. Nunca se acomode com seu problema só porque o outro está em situação mais difícil. Seu cérebro pode estar cheio de estrias, rugas, celulites e varizes.

Não seja o próprio lobo de si mesmo. oh gafanhoto peregrino! Não se enrosque nos clichês dos desejos fúteis e supérfluos. As mãos se estendem nos sinais das vias, mas os carros seguem velozes e fechados, levando desesperanças. Outros cortam os caminhos. Os olhos verdes, azuis, pardos, castanhos e negros não se fitam mais. É isso aí, meu gafanhoto: Tenta refletir e controlar as emoções. As armadilhas dos amores são cheios de dores.  A naja e a ninfa têm suas próprias magias. O leão ostenta seu poder superior de rei. O uirapuru tem seu encanto no canto. O tangará faz sua dança sincronizada para sua fêmea namorar. O gavião peneira para nas alturas e desafia a gravidade, na busca da sua sobrevivência. O homem vive o desespero de vencer; de domar o tempo; o envelhecimento; e alcançar a imortalidade. Perdemos nossas referências e características. Temos reis e rainhas sem poder e sem trono. Procure, ao menos, ser a fênix.

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